The Nature Kingdom
5 Preparações para a jornada
Notas iniciais
Max sabia que Faon chegaria cedo. Mas não às quatro horas da manhã! O garoto acordou num pulo, quando ouviu um barulho na porta do seu quarto. Levantou da cama rapidamente e abriu a porta.
— Foi uma dificuldade chegar aqui! — Disse Faon, numa voz um tanto que animada.
— Cara, por que você veio nessa hora? — O garoto estava sonolento e de pijama.
— Eu me confundo todo com os fusos horários intergalácticos. Da última vez que visitei um planeta muito distante, me atrasei em uma semana. Dessa vez, você teve sorte.
— Sabia que as pessoas gostam de dormir nesse horário?
— Sim, mas... — Ele levantou os ombros, como se quisesse falar: fazer o que, não é? — De qualquer forma, vim aqui para te fazer uma única pergunta: você aceita ou não a missão?
— Bem, pra falar a verdade... Eu ainda não sei.
— Como você ainda não sabe? — Faon começou a gritar. — Eu te dei quase três dias pra pensar e você nada? Eu preciso de uma resposta!
— Faz silêncio! Ficou doido? Meus pais estão dormindo!
— Então apenas me responda e eu vou embora.
— Eu não sei! Preciso de mais tempo pra pensar.
— O Universo não pode ficar esperando. É sim ou não. — Disse o homem, cruzando os braços. Max pereceu pensar por um momento. Olhou para um lado, olhou para o outro e finalmente disse:
— Não podemos fazer... Umas visitinhas antes?
— Como assim, visitinhas?
— Você pode se teletransportar de um lugar para outro, não pode?
— Sim.
— E você pode me levar junto?
— No começo coça um pouco, mas, de qualquer forma... Posso sim.
–//-
Kate acordou repentinamente, quando sentiu seu corpo sendo balançado. Abriu os olhos rapidamente e viu, em meio à escuridão, Max e Faon, tentando acordá-la. O velho vestia suas mantas tradicionais e o garoto estava de pijama. Com certa sonolência, ela perguntou?
— O que vocês estão fazendo aqui?
— Pensamos em te fazer uma “visitinha”. — Respondeu Faon, fazendo aspas com os dedos.
— Eu preciso de sua ajuda. — Disse Max. — Eu ainda não decidi se devo ou não aceitar a missão. Não sei se tenho coragem.
— Ah, cara, aceite. Vai ser bom pra você e pra todo o resto da Terra e do Universo em geral.
— Mas eu vou poder contar com a sua ajuda?
— Eu bem que queria, mas você sabe que eu não posso.
— Pode sim, é só vir comigo.
— Espere aí! Eu deixei bem claro que você não pode levar ninguém! — Gritou Faon.
— Então aqui está minha condição.
–//-
Faon demorou um pouco para responder. Não que houvesse uma pergunta. Mas o garoto impôs uma condição. E isso mudava muita coisa. O velho estava quase desistindo. Poderia “contratar” qualquer outro. Qualquer maluco que andasse solto por aquele planeta e que acreditasse nele. Ou então, quem sabe, alguém de outro planeta. Mas ele sabia que não podia fazer isso. Max parecia determinado e responsável. Faon tinha bons pressentimentos sobre o jovem. Ele pensou um pouco, até finalmente dizer:
— Ok, garoto. Essa missão não vai ser nenhum “melzinho na chupeta”. Será algo difícil e exigirá muito de você, então, acho que você está no direito de fazer uma exigência também.
— Obrigado pela permissão. — Disse o garoto, dando uma pausa para então, continuar. — Mas acho que não será apenas uma exigência. Tenho outro pedido para você.
— O que foi agora? Você está dificultando as coisas! Não vá me dizer que você quer segurança total e que, no final, vocês querem estar são e salvos. Não posso me responsabilizar desse jeito.
— Não. Desde o momento em que você chegou aqui e me fez a proposta, eu sabia que não seria assim. Sabia que, de um jeito ou de outro, eu correria riscos. Mas eu preciso levar mais uma pessoa.
— O que? Ficou maluco? Já não consigo nem arcar com as consequências que dois humanos me trarão! Imagina três! Não sei se posso permitir isso.
— Pra começo de conversa, você não vai arcar com nada. Se a missão fracassar, é a gente que vai morrer e não você. E não consigo entender como uma terceira pessoa atrapalha tudo. Vão ser três cabeças pensando, seis braços lutando e três pares de pernas se aventurando. Isso não é ruim!
— Se você quer saber como eu vou arcar com isso tudo, é simples: quem você acha que vai ter que conversar com os Supervisores para trazer a paz para esse mundo? Quem você acha que vai tirar vocês desse planeta? Eu! Então, não sei se posso fazer três vezes esse trabalho pesado.
— Só digo que essa terceira pessoa vai ajudar muito.
— Não, não. Três é demais! Aliás, quem é essa pessoa?
— Gary.
— Gary? Mas ele nem viu Faon! — Exclamou Kate.
— Quem é Gary? — Perguntou Faon, confuso.
–//-
— Eu sou Gary. — Disse o menino, ao ser interrogado por uma voz misteriosa. Ele acordou de repente e viu Max e Kate ao lado de sua cama. Daí, uma voz misteriosa, que não vinha de seus amigos, perguntou quem ele era. Aquilo era bem confuso. — Mas quem me perguntou isso? Isso é um sonho?
— Esse garoto nem consegue me ver!
— É porque ele não foi afetado pelo pó da Verdade. — Explicou Kate.
— Deixe-me ver se acho algum pó restante por aqui. — Disse Faon, começando a procurar nos bolsos de sua túnica. Quando achou, colocou-o na palma da mão e soprou sobre Gary, falando para ele respirar.
Primeiramente, ele deu um espirro bem alto e aos poucos, foi começando a ver Faon. Sempre piscando os olhos, como se não acreditasse naquilo tudo, ele abriu a boca e, incrédulo, começou a gaguejar:
— Então é você quem eles viram durante o terremoto?
— Exatamente. — Respondeu Faon, sem muito ânimo.
— Quer vir na missão com a gente? — Perguntou Max, animado.
— Mas pelo que eu sabia, eu não posso ir.
— E ainda não pode! — Disse Faon.
— Ah, Faon, deixe eles. — Disse uma voz feminina vinda de trás deles. Todos se viraram rapidamente, e na porta, Gaia observava a cena com o mesmo vestido verde.
— Como você soube que estávamos aqui? — Perguntou Faon. — Bem, isso não interessa. Você acha realmente que devo permitir isso?
— Acho.
— Mas e o trabalho triplicado?
— Esqueceu que eu vou te ajudar?
— Mas se os três morrerem vai pegar mal pro meu lado.
— E é por isso que nós todos vamos nos esforçar ao máximo para que tudo dê certo.
— Bem, já que é assim. — Deu uma pausa. — Bem vindos à missão!
–//-
Kate digitava freneticamente uma mensagem no celular quando Faon o tomou de suas mãos. No dia seguinte, os três jovens, Faon e Gaia resolveram fazer uma pequena reuniãozinha num lugar deserto, afastado da cidade. Os adolescentes estavam sentados no chão, enquanto o velho e a mulher estavam em pé, de frente para eles. O Inspetor falava alto e gesticulava bastante, explicando sobre a missão.
— Esse é um detalhe muito importante: nada de aparelhos eletrônicos! Eles explodiriam em milhares de pedaços durante a viagem. Além do mais, vocês vão poder se comunicar por telepatia no lugar aonde vamos.
— Mas como vou ouvir Katy Perry? — Argumentou a garota.
— Velho! Será que você não consegue se curar desse tipo de música? Você devia experimentar o som do bom e velho Jay-Z. — Brincou Gary.
— Não, Kate, não ouça Jay-Z. Ouça Daft Punk! É bem melhor... — Aconselhou Max.
— Chega! Não quero mais saber de discussões envolvendo nomes totalmente esquisitos, independente do que significam. Vocês terráqueos tem uma linguagem muito distinta do resto do Universo. — Faon se irritou.
— Isso é música, meu velho. Música de boa qualidade. — Brincou Gary novamente.
— Primeiramente, pare de me chamar de meu velho. Segundamente, não me interessa em nada a música terráquea. Terceiramente, acho que já podemos encerrar essa reunião. Qualquer pergunta que surja será esclarecida, uma vez que nós vamos estar o tempo todo em comunicação com vocês. Como eu sei que humanos são muito sentimentais e levam tempo para arrumarem suas malas, eu vou dar o dia de hoje para vocês se despedirem. Partiremos à noite.
— Então chegou a hora? — Perguntou Gary, em um tom muito mais sério do que antes.
— Sim. O jeito agora é torcer para que dê tudo certo. — Respondeu Faon. Max já não olhava mais para ele. Olhava para o chão. Estava preocupado, se perguntando se fizera a escolha certa. Mesmo sem necessidade, completou em tom baixo:
— E torcer para que voltemos com vida.
Fale com o autor