P.O.V. Ford

Arthur e eu estávamos caminhando pela cidade. Ele falava algo e eu não prestava muita atenção. Estava pensando no ocorrido dos últimos dias. Lembrei-me de meu primeiro encontro com Spring Bonnie na Fazbear's Fright e depois, da vez em que a vi em Teddy's Cakes.

Eu estava gravando o áudio como todos os dias até que ouvi um grito e fui ver o que era.

—Ah, desculpe por isso. O Sistema de Som está ligado. Quem será que gritou? Vou ligar as luzes. Ah, Catherine está na 6F. Parece que ela quebrou um prato. Só espero que não descontem isso do meu salário. Mas...ela está olhando para algo. Parece...assustada. O que...hã...ok isso é estranho-meu tom agora era mortalmente calmo-Sabe, eu trabalhei na última atração da franquia Fazbear. A Fazbear's Fright, sabe? Lá tinha um animatrônico. Uma, na verdade. Era bem antiga e parecia toda detonada. Era uma Spring Bonnie, da antiga Fredbear's Family Diner. Mas...houve um incêndio na Fazbear's Fright e tudo que sobreviveu foi leiloado. Nem me lembro daquela rôbozinha ter sobrevivido. Então...o que a Spring Bonnie faz aqui?

Comecei a pensar em algo para fazer. Minha experiência na Fazbear's Fright fora no mínimo traumática.

Anos antes de ir trabalhar lá, um cara bateu na porta da casa de Vincent, que era minha casa também. Ele perguntara se eu era o filho adotivo dele e se eu estava sozinho. Respondi "sim" duas vezes e ele disse que, quando juntavam as coisas da Human! Fazbear 'n' Friends Pizzeria, Vincent sumiu e um tempo depois acharam sangue em volta de uma fantasia de Spring Bonnie. Suspeitavam ser Vincent, já que ele não apareceu mais e havia um corpo que não conseguiram tirar da fantasia, porque parecia que as molas agarraram na pele, prendendo a pessoa dentro do animatrônico.

Anos depois, quando eu já trabalhava na Fazbear's Fright, alucinações e pesadelos sinistros me fizeram suspeitar, ou melhor, ter certeza, que Vincent ESTAVA naquela fantasia. E ele queria me matar.

Então, me lembrei de algo.

—Quando eu trabalhava lá, o som a atraía. Talvez, se eu fizer silêncio...

Fiquei quieto, até que me virei e um som estremamente alto e incômodo ecoou, repentinamente. Era um jumpscare, como chamavam na atração de terror. Já passei por isso antes. Spring Bonnie/Vincent tentara me matar, mas saí correndo.

Fiz o mesmo aquela vez. Corri pela Teddy's, com o animatrônico me seguindo. Aquela coisa era terrivelmente rápida. Pulei em cima de Spring Bonnie e arranquei uma espécie de "porta" na parte de trás de seu pescoço e arranquei alguns fios. Não adiantou. O bicho não desligou. Eu meio que esperava isso, mas não custava tentar.

Saí correndo antes que isso tentasse me matar ou sei lá. Olhei a porta do porão. É isso! Abri a mesma e parei próximo a ela. Spring Bonnie chegou perto, ouvi aquele som horrível e pulei para o lado. Ela entrou no porão e fechei a porta rapidamente.

O animatrônico forçou a porta, até que me derrubou e abriu aquela porcaria. Coloquei a mão no bolso, segurando um soco inglês. Mas não foi necessário. Eu olhei para Spring Bonnie, que me olhou de volta, como as pessoas fazem quando conhecem alguém mas não lembram de onde.

O relógio "beepou" seis horas. Hesitante, o animatrônico se virou e saiu correndo, me deixando lá no chão, completamente confuso, sem saber o que acabara de acontecer.

Pisquei algumas vezes, voltando à realidade. De repente, um pensamento cruzou minha mente. Quando tirei o chip de Spring Bonnie na Teddy's aquele dia...

Parei de andar. Arthur me olhou, confuso.

—O que houve?-perguntou.

—Tenho que falar com John.

—O quê?!

Eu o ignorei e saí correndo até a cadeia.

—Preciso falar com John Frey!-falei para a primeira pessoa que vi que trabalhava lá.

A mulher saiu dali e Arthur me alcançou.

—Ford, o que está...-ele foi interrompido pela moça, que já voltara.

Ela nos levou até a "sala de visitas" ou seja lá como chamam aquele lugar. John estava lá.

—O que querem?-perguntou.

—Quantos vigias noturnos você tentou matar?-questionei.

Ele franziu a testa, como se não entendesse o que me fez perguntar isso.

—Quatro, oras-respondeu.

—Quatro?

—É. Seu amiguinho aí e os três antes dele.

—Haviam quatro antes dele.

—Hã?

—Quatro. Você matou todos os vigias que tentou matar?

—Não. Seu amigo sobreviveu.

—Mas os outros morreram?

—Sim.

—Todos?

—Todos! Para que isso?

Levantei-me e saí dali. Balancei a cabeça inúmeras vezes. Eu estava em choque.

—Ford, o que raios está acontecendo?-Arthur perguntou.

—Ele não tentou me matar.

—O quê?!

—John não tentou me matar.

—E daí?

—Eu fui atacado, Arthur, não se lembra do áudio?!

Ele parou.

—Ford...onde está querendo chegar?-ele soou assustado.

—Era Vincent.

—Vincent?!

—Vincent! Será que foi por isso que não me matou no final da noite quando teve a chance? Será que...será que ele me reconheceu?

—Ford, o que está acontecendo?!

Contei à ele o que acontecera comigo na Fazbear's Fright e expliquei meu raciocínio. Arthur se sentou no chão.

—Então o espírito de Vincent está no animatrônico? Assim como os das crianças estavam?-perguntou.

—Ele matou algumas delas.

—O QUÊ?!

—Ele matou algumas das crianças. Descobri isso também.

—Que idiota...-Arthur murmurou.

Ele colocou uma mão em meu ombro.

—Hey, tudo bem?

Suspirei. Peguei em meu bolso um recorte de jornal sobre o incêndio da Fazbear's Fright. Então, me lembrei do que a mulher da banca me disse.

—Os jornais daqui às vezes têm segredos no escuro-murmurei.

—Hein?-Arthur me olhou, confuso.

Peguei meu celular e tirei uma foto do papel. Usei um aplicativo de edição de imagens e clareei-a até que...

Arregalei os olhos.

—Arthur...-entreguei o celular para ele.

Ele olhou a tela e pareceu engolir um grito.

Lá estava, no fundo da imagem, Spring Bonnie. O estranho era que parecia...triste. Aquele animatrônico não foi desenvolvido para ter sentimentos. Mas Vincent...

—Arthur...Vincent estava me procurando!-exclamei.

—Tava o quê?

—Um cara que trabalhou lá antes de mim disse que o animatrônico nunca tentou atacar ninguém. John controlava o animatrônico para matar, mas ele não o controlava no dia em que o vi na Teddy's e nem na Fazbear's Fright. Vincent o fazia. Estava tentando falar comigo!

—Mas e aquele som estranho?

—A caixa de som devia estar com problema, ou sei lá.

—Mas Ford, se Vincent está morto...ele não se lembra de ninguém.

Eu não queria acreditar, mas no fundo eu sabia que Arthur tinha razão. Suspirei.

—Hey, eu...eu não queria te desanimar. Eu...-ele parecia não saber o que dizer.

—Não, você tem razão. Eu só...-minha voz falhou-Sabe...Vincent e Kenny foram as únicas pessoas que alguma vez já considerei como sendo minha família. Mas perdi um e pouco tempo depois perdi o outro também.

Arthur me abraçou.

—Vai ficar tudo bem-ele pareceu hesitar-Hã...Ford...tem algo que eu vinha querendo perguntar mas nunca encontro um bom momento. Essa com certeza está longe de ser uma boa hora mas...você, Jamie ou Jeanine...o que fizeram com a fantasia de Spring Bonnie?

O encarei.

—Achávamos que VOCÊ tinha sumido com ela.

Arthur arregalou os olhos.

—O que será que aconteceu?-perguntou-Vincent fugiu ou o quê?

—Eu arranquei a cabeça de Spring Bonnie. Será que o cara que estava para buscar os robôs a levou?

—Não, Jamie falou que trancou o escritório.

—Soube que o dono do novo estabelecimento Fazbear foi procurar peças na Teddy's. Será que ele levou Spring Bonnie?

—Bem, quando voltei lá uns dias atrás, o escritório estava aberto e o animatrônico não estava lá.

—Será que vamos encontrá-lo de novo algum dia?-pergutei mais para mim mesmo e Arthur pareceu perceber isso, pois não respondeu.

Olhei a imagem clareada novamente.

He will come back.

He always does.

Notas finais
Para mais de Ford, Arthur, Jamie e Jeanine, leiam: https://fanfiction.com.br/historia/679700/Race_Against_The_Clock/ https://fanfiction.com.br/historia/678179/Five_Nights_at_Teddys/
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