The Mysteries of the Blue Tower
1 Capítulo 1 - Chamas ardentes
Notas iniciais
PARTE 1: A FANTÁSTICA TORRE AZUL.
Capitulo 01: Chamas ardentes
8:00 AM
Em alguma caverna próxima a Squire...
A caverna era um labirinto de corredores estreitos e câmaras vastas, iluminadas apenas pelo brilho das pedras de Ryite, joias raras e cristalinas que emanavam uma luz azul suave. Carl, um aventureiro jovem solitário se movia com passos leves, seu olhar atento escaneando as paredes em busca das gemas preciosas.
— Aqui está você — murmurou ao encontrar uma veia brilhante na pedra. Ele puxou uma pequena picareta e começou a extrair as pedras, os sons de suas ferramentas ecoando na escuridão.
Ryite era altamente valorizada em Squire, usada tanto para magia quanto para forjar armas. Carl sabia que algumas pedras bem polidas renderiam uma fortuna nos mercados, ou talvez, poderiam ser úteis em suas futuras aventuras. Ele já havia enchido quase metade de sua bolsa quando sentiu algo mudar.
O ar ficou mais denso, quase elétrico, e um som gutural reverberou pelas paredes. Carl congelou, segurando a picareta.
— Ótimo... sabia que estava muito quieto.
Do outro lado da câmara, um par de olhos vermelhos brilhantes surgiu da escuridão. Um monstro gigantesco emergiu, coberto de escamas negras como a noite, com garras afiadas e dentes que pareciam adagas. A criatura soltou um rugido ensurdecedor, sacudindo poeira do teto da caverna.
Carl não recuou.
Ele jogou a picareta de lado, ajustou a alça de sua bolsa de Ryite nas costas e, com um movimento ágil, desembainhou sua espada flamejante. A lâmina brilhou em um tom laranja intenso, suas chamas iluminando a caverna como um sol nascente.
— Tá querendo briga, hein? — disse Carl, com um sorriso surgindo em seu rosto. — Certo. Vamos resolver isso.
O monstro avançou, seus passos pesados fazendo o chão tremer. Carl correu em direção à criatura, desviando para o lado no último instante para evitar as garras que rasgaram o ar ao seu redor. Com um movimento preciso, ele girou a espada e desferiu um golpe contra a lateral da fera. As chamas cortaram as escamas, mas o monstro pareceu apenas ficar mais irritado.
A criatura atacou novamente, balançando sua cauda como um chicote. Carl mal teve tempo de saltar para trás, o impacto da cauda rachando o chão onde ele estava segundos antes.
— Você é bem resistente, hein? — provocou ele, ofegante, enquanto segurava a espada com as duas mãos.
O monstro rugiu novamente e cuspiu uma rajada de fogo negro. Carl rolou para o lado, se protegendo atrás de uma pedra. O calor foi intenso, mas ele não podia parar agora. Espiando por cima do ombro, ele percebeu que o monstro estava recarregando, a boca começando a brilhar com energia.
— Hora de acabar com isso. — Carl se levantou e correu em direção à criatura.
Ele saltou sobre um dos escombros da caverna, ganhando altura suficiente para atingir o ponto vulnerável do monstro: um espaço entre as escamas no pescoço. Com um grito de batalha, Carl mergulhou sua espada flamejante diretamente no ponto fraco.
A lâmina penetrou fundo, as chamas queimando a carne da criatura por dentro. O monstro soltou um último rugido de dor antes de cair no chão com um estrondo, seu corpo finalmente parando de se mover.
Carl caiu de joelhos, ofegante, enquanto guardava sua espada. Ele olhou para o cadáver fumegante da criatura e murmurou:
— Isso foi mais difícil do que eu esperava... mas eu ganhei.
Enquanto recuperava o fôlego, algo no fundo da caverna chamou sua atenção. Havia uma luz dourada pulsando suavemente, diferente do brilho azul do Ryite. Ele se aproximou, ignorando as dores no corpo, e encontrou uma passagem estreita que parecia ter sido revelada durante a batalha.
— O que temos aqui? — Ele sorriu, levantando-se e seguindo em direção à luz.
Do outro lado da passagem, Carl encontrou algo que jamais havia visto: uma torre de cristal, brilhando com runas douradas e cercada por um campo de energia que parecia emanar poder puro. A torre parecia deslocada, como se tivesse sido arrancada de outro mundo e colocada ali.
Carl passou a mão pelo queixo, intrigado.
— Agora isso... isso é interessante.
Ele sabia que estava diante de algo grande. Algo que poderia mudar o curso de sua vida para sempre.
Cada runa gravada em sua superfície brilhava e pulsava com uma energia desconhecida. Ao se aproximar, ele sentiu um arrepio percorrer sua espinha, como se a própria estrutura estivesse viva.
No entanto, algo mais chamou sua atenção: uma barreira dourada que cercava a torre, vibrando com uma energia constante. Ele estendeu a mão com cuidado, tocando levemente a superfície. Assim que seus dedos se aproximaram, uma onda de energia se espalhou, empurrando-o levemente para trás.
— Hm... isso vai ser complicado — murmurou, ajustando o peso da bolsa de Ryite nas costas.
Carl deu alguns passos para trás, estudando a barreira com atenção. Ele sabia que, em situações como essa, a força bruta costumava ser sua melhor aposta. Com determinação, empunhou novamente sua espada flamejante. As chamas dançaram ao longo da lâmina, iluminando seu rosto.
— Vamos ver do que você é feita, barreira.
Com um grito, Foxy avançou e desferiu um golpe poderoso, mirando o coração da barreira. A espada flamejante colidiu com a superfície brilhante, e por um breve momento parecia que iria funcionar. Uma faísca intensa explodiu, e a barreira absorveu o impacto.
Mas então, algo inesperado aconteceu...
A energia da barreira se concentrou no ponto de impacto, e em um clarão cegante, devolveu o golpe com força redobrada. A onda de choque atingiu Carl como um martelo invisível, lançando-o violentamente contra a parede da caverna.
Ele caiu no chão, ofegante, sua espada deslizando para longe. Uma dor aguda percorreu suas costas enquanto ele tentava se levantar.
— Certo... definitivamente não foi minha melhor ideia. — Ele tossiu, massageando o ombro dolorido.
A barreira parecia intacta, como se o ataque nunca tivesse acontecido. Pior ainda, ela parecia pulsar de forma mais intensa, como se tivesse "sentido" o ataque e estivesse agora em alerta.
Carl olhou para sua espada flamejante, que ainda queimava fracamente no chão.
— Bem, não vai ser com força que eu vou passar por isso.
Ele se aproximou da barreira novamente, mais cauteloso desta vez. Observou as runas brilhantes que giravam lentamente, como se tivessem um padrão. Estudando-as mais de perto, percebeu que algumas estavam mais fracas, quase apagadas.
— Interessante... — Ele passou a mão pelo queixo. — Talvez tenha um jeito de desativar isso, mas vai exigir mais cérebro do que músculo.
Enquanto refletia, uma voz suave ecoou em sua mente, surpreendendo-o.
— Você não pode entrar à força... mas a chave está em você.
Carl olhou ao redor, procurando a origem da voz, mas não encontrou ninguém.
— Quem está aí? Mostre-se! — Ele gritou, sua mão indo instintivamente para o cabo da espada.
A voz continuou, serena e etérea.
— Se você deseja entrar, deve ouvir. A torre reconhece os dignos... mas desafiar sua força é inútil.
Carl franziu a testa, confuso, mas intrigado. Ele sabia que havia algo mais profundo por trás daquela barreira, algo que talvez exigisse mais do que simplesmente bravura. Respirando fundo, ele se sentou diante da barreira, observando-a com mais cuidado.
Enquanto encarava as runas, sentiu uma estranha conexão. Era como se as marcas estivessem sussurrando algo para ele, um padrão que ele precisava decifrar.
— Muito bem, torre misteriosa... você quer um desafio, não é? Pois eu quero ver o quanto você aguenta.
Algumas horas depois...
Carl suspirou, exausto. Após horas tentando decifrar as runas, golpeando a barreira e até recitando feitiços esquecidos que aprendera em suas aventuras, a torre parecia invencível. Ele passou a mão pelo rosto, sentindo o suor e a frustração se acumularem.
— Não vale a pena, — murmurou para si mesmo, pegando sua espada flamejante do chão e apagando suas chamas. — Talvez esse lugar não seja para mim.
Guardando a espada em suas costas, ele deu um último olhar à torre. Mesmo à distância, sua magnificência era inegável, mas o mistério parecia intransponível. Ele se virou, decidido a deixar o local para trás.
Enquanto caminhava em direção à saída da caverna, algo inesperado aconteceu.
A mesma voz etérea de antes ecoou novamente, mas desta vez suas palavras foram diferentes, mais profundas, carregadas de um significado que congelou Carl no lugar:
— Eu sei qual é a sua maldição.
Carl parou no mesmo instante, seu coração disparando no peito. Ele não sabia se a voz vinha da torre ou de sua própria mente, mas aquelas palavras perfuraram algo profundo dentro dele.
Ele ficou imóvel, os olhos arregalados fixos no chão da caverna. Respirou fundo, tentando entender o que acabara de ouvir. Durante anos, Carl vivera com perguntas que nunca foram respondidas, com sonhos estranhos e memórias fragmentadas que pareciam não pertencer a ele. A ideia de que pudesse carregar uma maldição era algo que ele evitava admitir até mesmo para si mesmo.
— Como... você sabe? — murmurou, sua voz quase um sussurro.
O silêncio foi a única resposta. A voz não se repetiu, e a caverna voltou ao seu estado normal, com o brilho fraco do Ryite nas paredes.
Depois de alguns segundos, Carl respirou fundo, tentando recuperar o controle. Ele fechou os olhos e balançou a cabeça.
Ele apertou o passo, determinado a ignorar o que ouvira, mesmo que cada fibra de seu ser quisesse voltar e exigir respostas da torre.
Quando finalmente alcançou a entrada da caverna, sentiu o calor do sol em sua pele novamente. A floresta ao redor estava tranquila, como se o mundo não tivesse ideia do que acontecera lá dentro.
Carl olhou uma última vez para a entrada escura, uma mistura de dúvida e inquietação em seu olhar.
— Maldição é?— murmurou, um tom sarcástico escapando de sua voz. — Até parece que eu preciso de mais problemas.
Mas, enquanto se afastava, algo dentro dele dizia que aquela voz sabia mais do que ele estava disposto a admitir. E mesmo que estivesse decidido a seguir em frente, ele sabia que aquela torre e suas palavras ficariam com ele.
Após horas de caminhada pela densa floresta, Carl finalmente alcançou os limites de **Squire**, a cidade mais magnífica de todo o reino. Os portões gigantes eram decorados com entalhes de árvores, animais místicos e runas brilhantes que simbolizavam a harmonia entre a magia e a natureza. Guardas com armaduras reluzentes vigiavam a entrada, mas Carl passou sem problemas, já sendo uma figura conhecida por ali.
Assim que atravessou os portões, a visão da cidade o envolveu como um abraço caloroso. Squire era vibrante e cheia de vida, um verdadeiro reflexo da grandiosidade de seu reino. Ruas pavimentadas com pedras lisas serpenteavam por entre prédios altos e elegantes, todos adornados com flores e heras mágicas que se moviam levemente com a brisa.
O som de risadas, conversas e comerciantes gritando ofertas enchiam o ar. Mercadores vendiam de tudo: desde frutas exóticas até armas encantadas. A mistura de aromas era quase intoxicante, variando entre o doce de bolos recém-assados e o amadeirado de incensos mágicos.
Mas Carl estava distante, com o olhar fixo em frente enquanto seus pensamentos vagavam. A frase que ouvira na caverna ainda ecoava em sua mente:
*"Eu sei qual é a sua maldição."*
Ele balançou a cabeça, tentando afastar a inquietação.
— Não adianta me perder nisso agora. Tenho coisas mais importantes para fazer.
Seguindo pelas ruas agitadas, ele passou pela Praça dos Sete Cristais, um ponto central da cidade onde sete colunas de cristal azul flutuavam magicamente, emitindo uma luz suave. Pessoas se reuniam ao redor, algumas rezando, outras simplesmente admirando a beleza.
Finalmente, ele chegou ao **Mercado das Gemas**, um distrito famoso por suas lojas de pedras preciosas e minerais raros. As fachadas das lojas brilhavam tanto quanto os produtos que vendiam, com vitrines cheias de rubis, esmeraldas e cristais mágicos.
Carl entrou em uma loja familiar, **"O Tesouro de Harlen"**, onde um anão corpulento e de barba trançada o recebeu com um sorriso largo.
— Carl, meu velho amigo! — disse Harlen, batendo as mãos na bancada de madeira. — Faz tempo que não aparece! Conseguiu alguma coisa boa pra mim desta vez?
Carl abriu a bolsa de couro que carregava, revelando as pedras de Ryite que brilhavam como estrelas. O olhar de Harlen se acendeu instantaneamente.
— Pelas barbas de Morgal! Isso aqui é ouro puro! — exclamou, pegando uma das pedras com cuidado e examinando-a sob uma lupa mágica. — Estas estão em excelente estado. Onde foi que encontrou?
Carl deu de ombros.
— Uma caverna nas Montanhas Sombrias. Nada de mais... só precisei lidar com um monstro gigante para consegui-las.
— Um monstro gigante? — Harlen riu. — Só mais um dia na vida do nosso querido Fire Foxy (Raposa de fogo, era como ele era conhecido), não é?
Enquanto Harlen continuava a inspecionar as pedras, Carl se perdeu em pensamentos novamente. Ele sabia que algo estava errado. A torre, a voz misteriosa, e agora aquela frase sobre sua maldição... Era como se as peças de um quebra-cabeça começassem a se formar ao redor dele, mas ele ainda não conseguia enxergar a imagem completa.
— Ei, Carl! — Harlen chamou, interrompendo seus devaneios. — Posso te dar 300 moedas por tudo isso. Que tal?
Carl piscou, voltando à realidade.
— Hã? Ah, sim. Fechado.
Harlen pegou as pedras e entregou uma bolsa pesada com moedas. Carl agradeceu com um aceno e guardou a bolsa em sua cintura.
— Cuide-se, rapaz. Se for caçar mais dessas, lembre-se de que sempre tem lugar aqui na minha loja.
Carl saiu, acenando de volta. Mas enquanto caminhava pelas ruas movimentadas de Squire, ele sabia que a próxima etapa de sua jornada não seria tão simples quanto vender Ryite ou enfrentar monstros.
Algo estava se movendo nas sombras de sua vida, algo que estava começando a vir à tona. E mesmo tentando ignorar, ele sabia que aquela voz na torre seria impossível de esquecer.
Carl seguia pela estrada de terra, deixando os portões de Squire para trás. O sol estava se pondo, tingindo o céu de tons alaranjados e roxos. Ele preferia morar fora dos muros do reino, não apenas por ser um espadachim ilegal, mas porque gostava da paz e do isolamento de sua pequena cabana na floresta.
Apesar de suas atividades "não regulamentadas", Carl era tolerado em Squire. Ele havia feito missões importantes para o rei no passado, incluindo caçadas a monstros que nenhum outro guerreiro se atrevia a enfrentar. Por isso, boa parte de seus crimes fora esquecida, mas as restrições legais ainda o impediam de estabelecer uma residência dentro do reino.
Depois de uma caminhada longa, ele chegou à sua cabana. Era uma construção simples, mas funcional, cercada por árvores altas e um pequeno riacho que cortava o terreno. Assim que entrou, Carl largou a bolsa de moedas sobre a mesa, tirou suas botas sujas e pendurou sua espada flamejante em um suporte na parede.
— Mais um dia, — murmurou para si mesmo, exausto.
Ele se serviu de um pedaço de pão e queijo, comeu rapidamente e se jogou em sua cama de feno reforçada com peles de animais. O corpo doía após o confronto na caverna, mas a cama, por mais humilde que fosse, oferecia o descanso que ele precisava.
Porém, aquela noite, o descanso não duraria muito...
No sonho, Carl se viu em uma vila antiga que ele não reconhecia, mas que parecia estranhamente familiar. Ele era uma criança, com não mais de 10 anos, e vestia uma pequena armadura de couro que parecia pesada demais para seu corpo magro.
Ao seu lado, um senhor bigodudo e robusto, vestido em trajes de aldeão, observava a vila com um olhar pensativo. O homem se virou para ele, colocando uma mão pesada em seu ombro.
— Carl, há um grande poder dentro de você, garoto— disse o homem, com uma voz grave e cheia de autoridade. — Mas esse poder é uma maldição. Você deve ser cuidadoso, ou ele consumirá tudo ao seu redor.
Carl, ainda no corpo de criança, franziu a testa, confuso.
— Maldição? Que maldição?
O homem apenas sorriu tristemente, sem responder. Antes que Carl pudesse pressioná-lo, um clarão branco invadiu sua visão. Ele fechou os olhos, tentando se proteger da luz, mas quando os abriu novamente, o cenário havia mudado.
A vila estava em **chamas**.
O cãos reinava. Aldeões corriam pelas ruas, gritando em agonia enquanto seus corpos eram consumidos pelo fogo. As casas desmoronavam, uma a uma, transformando-se em cinzas. O cheiro de fumaça e carne queimada impregnava o ar.
Carl ficou paralisado no meio da praça, seus olhos arregalados enquanto via a destruição ao seu redor. Ele se virou para a fonte da praça e, no reflexo da água ainda intacta, viu algo que o aterrorizou: seus olhos brilhavam como **chamas vivas**, ardendo intensamente como se ele mesmo fosse parte do fogo que consumia a vila.
— O que... o que está acontecendo? — balbuciou, levando as mãos ao rosto.
Foi então que ele sentiu uma presença ao seu lado. Virando-se lentamente, viu uma figura colossal, um **ser feito de puro fogo**, com um sorriso diabólico. A criatura estendeu os braços e o abraçou, suas chamas envolvendo Carl como um cobertor sufocante.
— **Você é meu, garoto,** — sussurrou a criatura com uma voz que parecia vir de dentro de uma fornalha.
Carl gritou, o som ecoando por toda a vila.
Ele acordou de repente, ofegante, com o corpo encharcado de suor. Sentado na cama, enquanto sua espada flamejante flutuava pegando fogo ao seu lado, olhou ao redor, tentando processar o que havia acabado de vivenciar. Sua respiração estava acelerada, e o som de seu coração batendo parecia ensurdecedor.
Levantando-se rapidamente, foi até o pequeno barril de água que usava para se lavar e mergulhou as mãos na água gelada, jogando-a no rosto. Olhou para o reflexo na superfície, temendo ver novamente os olhos flamejantes do sonho. Mas eram apenas seus olhos normais, cansados e preocupados.
— O que foi isso? — sussurrou para si mesmo, a voz trêmula.
Por que isso acontece toda noite? A conexão com as palavras que ouvira na torre era impossível de ignorar. Aquilo parecia mais real do que qualquer pesadelo que já tivera antes, como se algo estivesse tentando lembrar-lhe de algo enterrado em sua memória.
Carl apertou as mãos contra a borda do barril, respirando profundamente para tentar se acalmar.
— Minha maldição, hein? — murmurou, quase com raiva. — o que aquela torre sabe afinal? .
Ele sabia que não poderia continuar fugindo das pistas que estavam se acumulando. Era hora de enfrentar os segredos que seu passado escondia, mesmo que isso o levasse a lugares ainda mais sombrios.
A noite estava clara, com um céu pontilhado de estrelas brilhantes. A lua cheia iluminava a estrada sinuosa enquanto Carl caminhava em direção à caverna. Ele estava determinado a voltar àquela torre misteriosa. as palavras da voz na barreira agora pesavam mais do que nunca.
Com sua espada flamejante presa às costas e uma capa leve para proteger-se da brisa noturna, Carl avançava pelas sombras da floresta. Cada som, seja o farfalhar das folhas ou o canto distante de uma coruja, parecia mais intenso sob a luz da lua.
Ele estava perdido em pensamentos quando o chão sob seus pés começou a vibrar levemente. Um cheiro úmido e desagradável invadiu o ar, fazendo-o franzir o nariz.
— Que cheiro é esse...? — sussurrou, parando para olhar ao redor.
O silêncio da floresta foi quebrado por um som borbulhante, como se algo estivesse emergindo da terra. De repente, formas escuras começaram a surgir do chão lamacento. Criaturas humanoides feitas de pura lama, com olhos vermelhos brilhando como brasas, ergueram-se em grupos. Eram **Strue**, monstros conhecidos por atacar viajantes desavisados em bandos.
A orda avançou lentamente, cercando Carl. O som viscoso de seus corpos se movendo era o suficiente para fazer qualquer um tremer. Mas Carl não era qualquer um.
— Vocês escolheram a pessoa errada para incomodar esta noite.
Ele puxou sua espada flamejante, que se acendeu instantaneamente, iluminando a floresta com uma luz alaranjada e calor intenso. As criaturas hesitaram por um momento, reagindo ao brilho das chamas, mas logo rugiram e avançaram em massa.
Carl não esperou. Com um grito de batalha, ele desferiu o primeiro golpe, a lâmina flamejante cortando o ar e dividindo um dos Strue ao meio. O monstro explodiu em lama, espalhando-se pelo chão.
Outro saltou para cima dele, mas Carl girou, desviando e cortando sua cabeça de lama. O fogo da espada era especialmente eficaz, queimando as criaturas em segundos.
Porém, a quantidade era esmagadora. Por cada Strue que ele destruía, outros dois surgiam do chão.
— Isso está começando a ser irritante, — disse ele, limpando a lama do rosto após derrubar mais um inimigo.
Os monstros avançavam de todos os lados, obrigando Carl a se movimentar rapidamente. Ele desferia golpes amplos e precisos, suas chamas iluminando a escuridão da floresta. Cada movimento era uma dança entre vida e morte, o resultado de anos de experiência como espadachim.
Um Strue maior do que os outros surgiu, rugindo e avançando com força. Carl cravou sua espada no peito da criatura, que explodiu em uma chuva de lama pegajosa. Ele limpou o suor da testa, ofegante.
— Quantos mais vocês vão aparecer?
Mas, como se respondessem ao seu desafio, os monstros restantes começaram a recuar. Seus corpos de lama retornaram ao chão, deixando a clareira em silêncio novamente. Carl observou, cauteloso, até ter certeza de que nenhum outro Strue surgiria.
— Isso foi mais difícil do que eu esperava, — murmurou, embainhando a espada e sacudindo a lama de suas roupas.
Ele olhou para o céu. Ainda tinha algumas horas antes do amanhecer e estava determinado a alcançar a caverna antes disso. Sem perder mais tempo, continuou sua caminhada pela floresta, mais atento aos perigos que poderiam surgir.
Mesmo assim, seus pensamentos voltaram à torre, ao sonho e à maldição mencionada pela voz misteriosa. Algo lhe dizia que as respostas estavam mais perto do que nunca, e ele não podia se dar ao luxo de hesitar.
Carl corria pela floresta com determinação, o brilho de sua espada flamejante iluminando o caminho escuro. A lembrança dos Strue não o intimidava, e sua mente estava completamente focada no destino à sua frente: a torre mágica e sua enigmática barreira.
Ao entrar novamente na caverna, o som de seus passos ecoava pelos corredores frios e úmidos. A chama de sua espada dançava, lançando sombras nas paredes irregulares. Cada batida de seu coração o aproximava mais daquilo que ele temia e, ao mesmo tempo, ansiava.
Finalmente, Carl alcançou a entrada da barreira mágica. O campo de energia cintilava suavemente, uma parede translúcida e vibrante que escondia a torre. Ele parou diante dela, ofegante, com os olhos fixos no brilho hipnotizante.
— Como você sabe sobre o meu passado? — ele gritou, com a voz ecoando na caverna.
A barreira permaneceu em silêncio.
Carl apertou os punhos, sua frustração crescendo como uma chama prestes a explodir.
— Responda! Como você sabe dessas coisas?
Sem resposta, ele sentiu a raiva crescer dentro de si. A lembrança de seu sonho, da vila em chamas e da figura flamejante, parecia queimar em sua mente. Ele empunhou sua espada, a lâmina brilhando com uma intensidade ainda maior, refletindo sua fúria.
De repente, algo mudou. Uma marca misteriosa surgiu em sua testa, brilhando com um vermelho vivo. Seus olhos se transformaram, adquirindo a tonalidade das chamas. Uma aura de fogo começou a emanar de seu corpo, envolvendo-o como um manto de destruição.
Carl não entendia o que estava acontecendo, mas não recuou. Ele gritou, carregando sua energia para um golpe.
— Se você não vai falar, vou forçá-lo a me deixar passar!
Com um salto, ele avançou em direção à barreira, sua espada flamejante cortando o ar com um poder esmagador. A barreira pulsou, tentando resistir, mas o impacto foi avassalador. O campo de força se partiu momentaneamente, permitindo que Carl atravessasse.
Ele caiu no chão do outro lado, rolando por alguns metros antes de parar. O calor que emanava de seu corpo desapareceu, e as chamas ao seu redor se extinguiram. A barreira, como uma criatura viva, se regenerou, voltando ao normal.
Carl se levantou lentamente, limpando a poeira das roupas e olhando ao redor. A torre mágica se erguia diante dele, imponente e silenciosa, como se observasse cada movimento seu.
— Agora vai me responder? — ele perguntou novamente, tentando controlar a raiva em sua voz.
A barreira respondeu, sua voz ecoando em sua mente como um sussurro onipresente.
— Sua curiosidade e ganância trouxeram você até aqui. Agora você é um prisioneiro deste lugar.
Carl apertou os dentes, a raiva crescendo novamente.
— Prisioneiro? Como você sabe tanto sobre mim?
— Eu vi sua vida quando você tocou minha superfície, — continuou a voz, fria e imparcial. — Seus segredos, seus medos, seus desejos. Tudo está claro para mim.
Carl cerrou os punhos, tentando processar o que ouvira.
— Então me diga, como eu saio daqui?
A voz hesitou por um momento antes de responder:
— Sair é quase impossível. Este lugar foi feito para manter algo — ou alguém — seguro. Poucos conseguem entrar, e sair é um desafio ainda maior.
— Mas deve haver um jeito! — insistiu Carl. — Eu preciso de respostas, para os meus pesadelos, para essa maldição!
A voz ficou em silêncio por alguns instantes, antes de finalmente responder:
— Se você busca respostas, elas estão no topo da torre. Mas o caminho é mortal, e ninguém jamais chegou lá.
Carl franziu a testa, intrigado.
— Por que essa torre existe? Quem está no topo?
— A torre protege alguém, uma pessoa tão importante quanto a própria vida para os seres humanos.
Carl respirou fundo, tentando entender o que aquilo significava.
— E quem é essa pessoa?
A barreira não respondeu, deixando o silêncio dominar o ambiente.
O espadachim olhou para a torre com um misto de determinação e receio. Ele sabia que a jornada que estava prestes a começar seria perigosa, mas as respostas que buscava estavam ali.
— Se ninguém conseguiu antes, então serei o primeiro.
Com sua espada flamejante em mãos, Carl deu o primeiro passo em direção à entrada do novo mundo.
Continua...
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