The Murder Family
30 Capítulo 30 - Um novo começo
Notas iniciais
Hannibal e Will tem estado em um relacionamento por tanto tempo que sequer poderiam, para citar as palavras de Jane Austen*, fixar a hora, o lugar ou as palavras que lançaram as bases. Eles já estavam no meio antes mesmo de perceberem que tinha começado a ser algo mais do que eram, embora sempre tivesse sido difícil definir tanto o que eram quanto o que são hoje. Definições enfraqueciam o que tinham: eram tudo e mais um pouco.
Will estava confortável com o que tinha agora, mas Hannibal era um ser insaciável em todos os sentidos da palavra e atualmente estava obstinado com a ideia de casamento. O ex-agente continuava achando a ideia ridícula, mas se tem uma coisa que ele aprendeu nesses anos é que contrariar o canibal dificilmente se mostrava produtivo.
Will imaginava que um casamento entre eles seriam bem parecido com o Red Weding do seriado Game of Thrones, mas se surpreendeu ao entrar na elegante capela particular que Hannibal havia conseguido para a cerimônia. Se postou no altar juntamente com o celebrante de casamento e olhou ao redor. Vários “amigos” de Hannibal estavam presentes já que ele era naturalmente uma pessoa extrovertida e sua maior diversão sempre foi enganar e alimentar tais criaturas com carne humana sem o seu conhecimento. Will imaginou que preferia que seu companheiro tivesse hobbies mais normais como beber ou colecionar carros, mas cada um tem o relacionamento que merece e Will já havia feito as pazes com a ideia de que nunca teria uma vida normal.
Estava começando a ficar nervoso com tantos olhos em cima dele e sua empatia não podia deixar de perceber que muitos se perguntavam o que Hannibal via nele. Oh se vocês soubessem da missa a metade.
Seus pensamentos foram interrompidos com Abigail entrando com a aliança. Will preferia que um dos filhotinhos tivesse trazido, mas Hannibal estava inflexível em tudo relacionado à cerimônia e pensando bem a perspectiva soava piegas até mesmo para ele. Logo depois entrou Hannibal vestido impecavelmente em todo o seu esplendor. Sua satisfação podia ser lida por todos, mas Will e Abigail podiam notar sua felicidade nas pequenas mudanças da sua microexpressão.
– Vejo que não fugiu.
– Ainda dá tempo, imagino.
Ele sorriu e se virou para o Celebrante, mas sussurrou no ouvido do outro algo a mais. – Seu tempo de fugir acabou a muito tempo, Will.
A cerimônia seguiu, votos foram feitos. Eles apenas traduziam para a língua dos mortais os votos que eles já haviam feito a muito tempo, mas que apenas eles entendiam. Quando o “Até que a morte os separe” foi entoado, Abigail se arrepiou, pois imaginou que a morte nunca conseguiria os separar, apenas quiçá os levar juntos.
Hannibal enfim o beijou e acariciou o seu rosto, mostrando uma emoção que poucas vezes ele deixava ser tão nítida. Não era que muitas coisas estivessem mudando com o casamento, mas estavam oficializadas e abençoadas. Isso de alguma forma parecia significar muito para o canibal.
Ele então olhou para cima com um olhar que apenas a palavra serelepe poderia chegar perto de descrever. Como se desafiasse a qualquer Deus que via aquela união a tirar toda aquela felicidade que ele forjou com as próprias mãos e apenas ele estava no direito de destruir.
Mas não faria isso. Nunca.
OoO
Abigail colocou uma mala no chão do saguão do aeroporto.
– Você tem certeza que não quer ir com a gente, Abby?
– Absoluta, já segurei vela para vocês dois por mais vezes do que gostaria. Aproveitem sua lua de mel.
– Mas o que vai fazer sozinha durante todo esse tempo?
– Sou uma jovem adulta, posso ser criativa. Festas de arromba, rituais satânicos... opções não faltam.
– Apenas espero... – Hannibal a abraçou em despedida. – encontrar a casa exatamente como ela está.
– Pode deixar.
– E cuide bem dos meninos. Preste atenção para não dar comida enlatada de origem chinesa, Winston II passa mal com elas. Não esqueça de levar eles para pass--
Abigail abraçou Will forte antes que ele começasse seu discurso novamente.
– Já entendi, não vou matar nenhum deles em tão pouco tempo. Parem de se preocupar e aproveitem a viagem.
Se despediu e gritou um “Não façam nada que eu não faria, garotos!” enquanto se virava para ir embora.
– Nada que ela não faria – murmurou Will. – Não acho que isso exclua muitas opções.
Uma hora após o início do voo Hannibal decidiu almoçar. Claro que não comeria aquelas abominações oferecidas no avião, tinha trazido sua própria comida, dele e de Will. Uma criança se aproximou do casal enquanto eles comiam e encarou a comida que tinha uma cara deliciosa.
– Olá, meu jovem.
– Oi. – O menino não parecia muito tímido. – O que é isso?
– É segredo. Quer experimentar?
O garoto sorriu e abriu a boca para que mais velho pudesse lhe dar uma amostra.
– Hum... é bom. Obrigada. – Se virou para a mãe que lhe chamava envergonhada pela cara de pau do filho fileiras atrás. – Tenho que ir, tchau.
Will olhava a cena com enfado.
– Nunca entenderei o prazer que você sente ao ver pessoas comendo carne de precedência duvidosa sem a noção prévia do que estão colocando na boca.
– Deveria deixar um bilhete avisando que ele comeu a perna de uma péssima atendente de mercearia chamada Sarah? Conhecimento pode ser poderoso.
– Não seria a primeira criança que você traumatiza, imagino. – Will se aproximou e deu um beijo carinhoso no outro. – Você tem uma família para alimentar agora, concentre-se nisso.
OoO
Will e Hannibal finalmente tinham chegado à Florença e estavam na porta da enorme casa que tinham alugado para a estadia. Estavam parados por que Hannibal queria carregá-lo em estilo noiva. Algo sobre a importância de ritos de passagem.
– Nem. Pensar.
– Não seria a primeira vez que te carrego dessa maneira, Will.
– Meu eu desacordado não teve muitas opções. Vamos entrar logo, está frio.
Entrou na casa e colocou as malas no canto. Olhou ao redor e gostou do que viu, era aconchegante. Tanto tempo com Hannibal tinha de fato refinado o seu gosto. No quarto encontrou uma enorme cama e se jogou nela cansadamente. Observou enquanto Hannibal tirava o próprio paletó para ficar mais confortável e levantou para ajudar.
– Finalmente estamos na Itália. Juntos.
– Existem tantas diferentes experiências que quero ter com você aqui, Will.
– Ouvi falar que amantes italianos são muito passionais. – O mais jovem desabotoava a camisa dele. – Levando em conta que estamos finalmente casados talvez eu devesse arriscar experimentar um caso extraconjulgal. Uma espécie de rito de passagem, imagino.
– Se seu objetivo for apimentar a nossa relação com morte, sangue e dor, acredito que seria uma decisão razoável.
O ex-agente riu ao pensar na cena. Estava curioso sobre o que aconteceria, mas nem um pouco tentado a realmente fazer aquilo.
– O casamento mudou algo? – Cheirou o pescoço do outro e fechou os olhos com prazer. Hannibal tinha o mais delicioso dos aromas. – Um papel, um anel e uma benção. Mudaram algo?
– Dificilmente. – Aproximou a boca dos dois. – Você é tão meu agora quanto na primeira vez que nossos olhos se encontraram.
Se beijaram tão profundamente quanto era possível fazer para expressar a profundidade de seus sentimentos. Não havia tido uma noite em que tivessem se desejado menos do que totalmente. As roupas foram ficando pelo caminho enquanto iam até a cama deles.
Hannibal subiu em cima de Will e exploraram os seus corpos com adoração, principalmente as suas cicatrizes. Hannibal beijou cada parte do corpo de Will e se regozijou com os gemidos de aprovação. Hannibal era o tipo de homem que demorava nas preliminares, pois o prazer do seu parceiro era o seu prazer. Começou a preparar Will com os seus dedos enquanto o beijava.
– Já está bom, Hannibal. Eu preciso de você.
Will sabia o quanto Hannibal gostava de ouvir aquela frase. Ele adorava ser a fonte de Will. A fonte de dor, da alegria, da paz e do prazer. As unhas do moreno marcaram suas costas enquanto ele encaixava seu membro dentro dele.
Ah como ele amava aquele momentos de conexão.
– Você é lindo, meu querido. – Olhava diretamente em seus olhos enquanto dava as primeiras estocadas lentas. – Tanto que poderia esconder sua beleza dos olhos dos deuses para que apenas eu pudesse presenciá-la.
Will riu.
– Eu espero que você reprima essas suas tendências possessivas, Hannibal, principalmente quando estamos tão ocupados.
E ele o fez. Suas estocadas tinham um ritmo crescente e se tornaram cada vez mais fortes ao perceber que tinha achado a próstata do companheiro que lhe mordia o pescoço para esconder os gritos de prazer. Will por vezes se pegava pedindo quase que instintivamente para que o outro fizesse mais forte, mesmo que negasse o pedido depois. Nesses momentos eles eram puro instinto, como quando matavam juntos.
Enfim Will alcançou o seu ápice e Hannibal o seguiu pouco tempo depois. O canibal deitou na cama e puxou Will para que desancasse a cabeça em seu peito. O moreno se aconchegou ali e suspirou de satisfação, nada lhe dava mais paz do que estar nos braços de Hannibal.
OoO
Will levantou e encontrou uma carta aberta na escrivania do quarto. Aberta por que Hannibal e Will já não precisam esconder mais nada um do outro. Se pôs a ler.
“Querido Jack,
Tanto tempo se passou desde a última vez que entrei em contato com qualquer um dos meus amigos dessa vida passada que sequer sei onde se encontram suas atuais moradias. Eu sabia que você continuaria no mesmo lugar, muitas lembranças lhe prendem nesta casa, Jack, e lembranças são tudo o que sobrou da doce Bella. Por favor, faça a gentileza de deixar que Alana e Bedelia leiam essa carta também, infelizmente elas não tem raízes tão fortes.
Por que estou entrando em contato? A disposição humana é uma coisa engraçada, anseio tanto deixar tudo isso para trás, mas ao mesmo tempo não pude reprimir o impulso de dividir minha alegria com velhos amigos. Como sabe, não sou uma pessoa que pode se dar ao luxo de ter muitos amigos que me conhecem a fundo, então a notícia para eles nunca terá o mesmo impacto. Recentemente eu e Will casamos! Quem diria que Freddie Louds seria aquela que mais chegaria perto da verdade. De certo devo te agradecer, eu poderia ousadamente dizer que você foi por diversas vezes o nosso cupido. A doce Alana nos ajudou a catalisar nossas emoções e ações e Bedelia sempre iluminou os meus pensamentos em relação ao Will. Acredito que devo a todos vocês os mais sinceros agradecimentos e desejos para que encontrem a mesma plenitude que eu. Que mundo curioso esse em que o monstro é feliz e as suas vítimas prisioneiras de seus medos. Espero ter o prazer de vê-los novamente ainda nesta vida.
Cordialmente,
Hannibal Lecter.”
Uma onda de nostalgia assolou Will, mas rapidamente ela se foi. Ele estava feliz e apenas desejava que eles também estivessem. Eles eram passado agora, Hannibal era o seu presente e futuro.
Will reprimiu o seu impulso de acrescentar um “P.S” perguntando se Winston estava bem.
OoO
Hannibal e Will se sentaram na frente da pintura A Primavera de Botticelli e se puseram a observá-la. Essa era uma das muitas coisas que Hannibal queria dividir com Will. Arte, passado, caos e beleza. Will entendia e estava ali ao seu lado tentando ver aquela pintura com os seus olhos e poucas coisas o deixavam tão feliz.
– Eu imagino um Hannibal mais novo sentado aqui neste mesmo lugar, olhando esta mesma pintura e pensando em como recriá-la na vida real.
– É uma pena que nunca pude completar o quadro.
Will o olhou com uma das sobrancelhas levantadas, como lhe era característico de quando iria dizer algo ousado.
– Você tem um par extra de mãos agora, Hannibal. – Segurou as mãos do mais velho e as beijou. – Minhas mãos são suas para te ajudar a criar beleza.
Quem visse os dois se olhando agora mal poderia imaginar do que falavam. O carinho nos olhos de ambos direcionado um ao outro era tão morno que dificilmente alguém associaria a uma dupla de serial killers. Eles tanto se completavam quanto eram feitos da mesma matéria. Em todo esse tempo juntos haviam sofrido, lutado, traído e amado loucamente e pouco a pouco cada um foi se moldando ao outro. Eles se mudaram mutuamente por que queriam que isso desse certo, sabiam que apenas eles poderiam se completar da forma que o faziam. Seria necessária intervenção divina para derrubá-los, o canibal certa vez disse.
Mas, afinal, Hannibal era Deus de seu próprio mundo e nele sempre haveria um lugar para Will Graham, mesmo que todo o resto da humanidade queimasse.
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