Notas iniciais
Boa Leitura!!!

Eram pistas simples. Um tesouro do qual Mary tinha conhecimento, o tempo era curto e deveria ser entregue a onde tudo começou. A menção ao afogamento foi o que o levou de volta a Carl Powers e depois não havia duvidas de que aquela era a continuação do jogo de Moriarty. Voltar ao inicio seria ter que voltar a piscina onde o mesmo se revelou pela primeira vez.

Foi uma bagunça, na verdade. Fazer Mary contar a respeito do tesouro, onde encontrá-lo e como encontrá-lo. Aparentemente, John, Sherlock e Greg haviam sido atraídos para o país certo, mas o tesouro estava escondido na cidade. Mary se recusou a falar a principio, porém depois de certa insistência, ela cedeu. Um tesouro antigo espalhado e escondido por anos em um antigo hotel de nome Tamisa na cidade de Cairo.
Levaram dias para juntarem todas as pedras preciosas que o tesouro original possuía que se alternavam entre pedras preciosas, diamantes e pérolas de valores inestimáveis. A tensão em voltar para o mesmo local depois de tanto tempo, a nostalgia que embrulhava o local, quando Moriarty começou seu plano para destruir Sherlock, e mesmo depois de todos os esforços do detetive, Moriarty ainda continuava ali.
Sozinhos, John e Sherlock passaram pelas portas que se abriam para o passado. O que era um tesouro em troca de uma amiga? A polícia poderia ficar fora disso, pelo menos, por enquanto. O lugar não mudou absolutamente nada. O silêncio da noite só era quebrado pelo barulho da água na piscina e aumentava a sensação de deja-vu. Talvez esse fosse o objetivo. Mas Sherlock não estava com paciência para aquilo.
— Saia, eu sei que está aqui.
A porta do canto mais distante se abriu.
— “Eu te dei o meu número, achei que ligaria”. — A mesma frase dita anos atrás ecoou pelo lugar em uma voz diferente. Choque. Sherlock balançou a cabeça como se aquilo fosse o suficiente para afastar a visão daquela mulher. Um terno adornava o corpo pálido que se movia sobre saltos em uma confiança que ele nunca tinha visto antes e o batom cor de sangue delineava lábios de um sorriso malicioso adornando um rosto com cicatrizes já em um bom estado de cura. Não podia ser, era um truque. — Oi! — Cumprimentou ela com um sorriso. — Molly? Molly do hospital?
Murmurou para reconhecimento de ambos os homens ali.
— Molly, o que você...?
Tentou Sherlock, as palavras morrendo em sua língua.
— O quê? — A descrença tingiu as feições de Molly Hooper por poucos segundos antes de ela rir. — Você achou que eu...? Você realmente achou que eu estava do seu lado? Do lado dos anjos?
Perguntou Molly se aproximando deles, os saltos estalando e se misturando ao eco da água na piscina.
— Eu não entendo. O quê...?
Murmurou o detetive realmente confuso passando os olhos pelo clube como se tivesse esperanças de que o Moriarty que ele conheceu aparecesse de outro lugar e ele estivesse manipulando a mulher que agora se encontrava a apenas alguns metros dele e de John.
— Ah, isso? — Ela comentou usando o dedo para indicar o lugar. — Achei que nós devíamos reencenar a revelação uma vez que o verdadeiro Moriarty está aqui.
— Molly...?
John ainda parecia descrente.
— “Aposto que não esperava por isso, não é mesmo?”. Uma vez eu disse a você que se parecia um pouco com meu pai, se lembra? É verdade. Você e ele tinham o mesmo hábito irritante de me subestimar. Ele porque era um tanto machista; você porque é um gênio arrogante. Realmente, você vê e observa Sherlock, mas você só vê aquilo que lhe apetece. No fim, eu realmente me superei. Meu mensageiro te disse. Ninguém chega até mim e ninguém nunca vai chegar. Fui eu que vim até você, mas admito você chegou bem perto.
— Então foi tudo uma mentira?
Sherlock se rendeu a verdade. Molly moveu a cabeça levemente como se pensasse na resposta mais apropriada.
— Hm, não exatamente. Eu realmente sinto uma atração por você. Gosto do seu mistério, do perigo que te cerca, da sua inteligência e temos coisas em comum. Temos a mesma essência.
— Esta insinuando que somos iguais?
Molly balançou a cabeça.
— De jeito nenhum. Eu sou melhor.
Um momento longo de silêncio se estendeu entre os três.
— Muito bem, explique seu grande e incrível plano.
— É uma longa história. — Ela suspirou ao olhar para ambos. — Imagino que deixou meu baú em Baker Street.
— Temos todo o tempo do mundo e sim, imagino que não será um incomodo para você ir até lá. — Um sorriso macabro teceu as linhas dos lábios vermelhos de Molly. — A não ser que vá me matar essa noite.
— “Matar você? Uh, não, não seja óbvio”. Não seria um incomodo, na verdade, imaginei que você fosse deixar ele lá. — ela estalou os dedos. — Sigam-me, tenho um carro a nossa espera.
(...)
Sherlock entrou primeiro no apartamento em posse de uma carranca amargurada e não perdeu tempo em se preparar para qualquer eventualidade perigosa vinda da morena que passava pela porta no instante seguinte. Ela riu ao vê-lo enfiar a arma, recém-retirada da gaveta, no bolso da calça.
— Animado? — ela zombou. —Sério? Você sabe que eu não estou armada.
— Então vai me perdoar por tomar precauções contra seus subordinados.
Ela deu de ombros ao puxar a cadeira de madeira do canto da sala e se sentar nela.
— Ah, sim. Se isso o faz se sentir mais a vontade; vá em frente.
—Bebida?
Molly pensou por um segundo.
— Tem vinho?
— Só um instante.
John se sentou em sua usual poltrona visivelmente desconfortável e raivoso.
— Ui, limpe a boca Watson, você está praticamente espumando de raiva.
Brincou.
— Talvez porque eu esteja querendo fechar meus dentes na garganta de alguém.
Ela riu em deleite, mas não respondeu.
— Então conseguiu um emprego no Bart’s para me observar.
Murmurou Sherlock voltando para a sala e entregando a taça de vinho a Molly antes de se sentar em sua poltrona.
— Obrigada. Não, não foi o que fiz de imediato. Você era um experimento e para isso precisava ficar perto do meu objeto de estudo.
— O que fez então?
— Meu primeiro movimento foi te oferecer um lugar pra morar depois que você foi expulso pelo proprietário do seu antigo apartamento.
Sherlock suspirou.
— The Improbable One.
— Certo, e o anônimo também. Mas você recusou minha oferta. Também tentei te chamar pra sair, mas você não me respondeu. Então pensei que aquela não seria uma abordagem promissora.
— Bart’s?
— Sim, criei um currículo irrecusável. Perdi uma noite de sono para isso, mas valeu a pena. Então dia 27 de janeiro de 2010, eu já habitava o local, pronta para sua aparição. E criei um blog para manter as aparências caso você decidisse “checar” alguma coisa.
— Isso não explica como me conheceu.
Ela tomou um gole do vinho.
— Você frustrou alguns planos meus. E não foram só meros assassinatos, mas depois de certo tempo, fiquei me perguntando: “como ele olha e simplesmente sabe que não foi um simples suicídio?”, a resposta que me veio à mente foi de que você tinha que ser um gênio. Era uma ameaça para meu império. E bem, você sabe o que acontece, seguindo a lei natural, quando nos sentimos ameaçados. *Meu primeiro instinto foi te matar. Em silêncio. Discretamente. Mas então, quanto mais aprendia sobre você, mais... curiosa eu ficava. Finalmente parecia haver uma mente que rivalizava com a minha. Algo complicado demais e belo demais para destruir. Pelo menos, não sem antes analisar um pouco mais. Então eu encontrei uma maneira de estudar você em seu próprio ambiente.*
— Então Molly Hooper nasceu. Você, por acaso, é patologista mesmo?
Inquiriu o detetive.
—Não patologista, mas sei o suficiente de anatomia para matar alguém e fazer um homicídio ser confundido com um suicídio. Lembra-se da máfia chinesa, o contrabando? Se não fosse por você, provavelmente a divisão de homicídios só recolheria o corpo. Se bem que se eu tivesse feito pessoalmente não haveria erros no caso do homem ser canhoto ou destro, mas ainda sim, para quem apenas vê e não observa, aquela cena passava a informação que eles queriam ver; você, no entanto, enxergava mais do que eu queria que visse. Enfim, Molly Hooper foi um útil. Logo no primeiro dia vi seu potencial e no segundo achei que não faria mal levar um pedacinho seu para casa. Consegue imaginar as loucuras que pensei quando te vi espancando um cadáver com um chicote? Eu poderia escrever todas e te mandar por e-mail. Até me fez recordar uma pessoa.
— “A mulher”, imagino.
— Ah sim, Irene. Fazia tempos que não a via, depois do seu display, resolvi procura-la, mas isso é assunto para mais tarde. Enfim, voltei a te convidar para sair, contudo, você recusou a saída para o café e momentaneamente decidi deixar a ideia de lado porque eu também precisava ficar de olho em outras coisas no necrotério além de você. Entre elas os cadáveres de alguns “suicidas”. Um antigo colega me contatou me oferecendo uma nova droga que ele alegava ter desenvolvido e que tornaria algumas coisas em meus negócios mais fáceis. Então designei uma pessoa muito adorável para aplicar os testes.
— O taxista.
— Correto. Ele também era um gênio, assim como você.
— Era seu pai.
Sherlock constatou.
— Sim. Vocês dois possuíam a mesma capacidade de desconsiderar certos detalhes. Sherlock, quando você desconsidera o Sistema Solar, esquece que você vive em um planeta que faz parte dele? Você nem tinha ideia de que eu orbitava ao seu redor porque você, assim como meu querido pai, me olhou e julgou a superfície como algo irrelevante. Você nem se quer pensou em olhar mais a fundo. Seu pré-conceito disse que não acharia nada ali. Ambos subestimaram meu potencial apenas para levarem um tabefe na cara mais tarde.
“Papai sempre foi muito machista. Devia ver como ele tratava minha mãe, era um bruto, insensível que passava grande parte do seu tempo menosprezando ela. Agora pode imaginar como foi para ele ver que a filha mais nova era mais esperta que o filho homem descuidado dele. Foi um golpe perceber que seria mais sensato deixar o negócio em minhas mãos do que nas de Jim. Bem, até ele achar a saída mais fácil. Ele queria que eu cuidasse dos negócios por debaixo dos panos. Queria me manter escondida à sombra de um idiota.”
“Obviamente, eu não aceitei e parti deixando os dois para que se virassem sozinhos. Eu fiz questão de começar meu próprio negócio e de acabar com o deles até chegar num ponto em que eles viriam correndo para pedir minha ajuda e então eu os teria na palma da minha mão. E eles vieram. De fato, eu tinha alguns clientes que não se davam muito bem com mulheres, então Jim se tornou um intermediário. Meu pai foi o que mais relutou em se curvar, mas quando se viu sem dinheiro para pagar um novo tratamento que poderia salvar sua vida, beijou meus pés.
— Aneurisma.
— Exato. Eu disse a ele que o ajudaria se ele fizesse o mesmo por mim, então ele saiu para as ruas de Londres com o intuito de testar a nova droga.
— Eu escolhi a pílula certa?
Ela sorriu.
— Isso realmente mexeu com você, não é mesmo? Devo admitir, pedi a ele que fizesse um teste comigo e eu mesma quase engoli uma. Ele conseguia ser bastante persuasivo quando queria. Foi como brincar de Roleta Russa só que com pílulas que pareciam Tic-Tac’s. Mas eu não teria corrido esse risco, qualquer uma que você tivesse escolhido só o faria cair no sono por algum tempo. O que me fez pensar mais tarde foi: se minha intenção fosse matá-lo, se uma daquelas pílulas, ou mais precisamente, a que você escolheu, fosse a que continha o veneno... Você tomaria mesmo assim. Apenas por que você tinha que provar que estava certo. Você se tornou muito valioso, Sherlock e até cheguei a ficar levemente satisfeita pela presença de John. — Relatou olhando para o outro homem na sala que permanecia em silêncio. — Ele não fazia parte do plano, mas foi uma surpresa benéfica e útil. Eu poderia ter tirado ele do caminho se você não tivesse se mostrado tão suscetível a provocações a respeito do seu intelecto e se não tivesse se apegado tanto a ele. Inconscientemente, John o manteve a salvo por mim. A princípio ele era apenas um ajudante, mas depois, pelo que pude notar, ele se tornou um tipo de... — ela olhou para os lados, pensativa. — mascote.
John lançou um olhar amargurado para a mulher sorridente.
— Acho que podemos seguir em frente.
Pronunciou Sherlock.
— Os contrabandos?
— Sim.
— Culpada, e no fim você estragou meus planos. Muitas pessoas pagariam milhões por artigos chineses. Aquele grampo roubado que valia nove mil libras? Em minhas mãos eu poderia ditar um preço ainda maior. Infelizmente precisei matar a mulher, só por precaução. Não poderia correr o risco de ela afundar tudo mais ainda ou de me expor. Eu não confiava nela e a gratidão dela não significava nada. “Gratidão é algo irrelevante, é apenas a expectativa de futuros favores”. E de favor em favor, você se torna um devedor vitalício.
— Isso significa que nosso jogo não acabou.
Ela concordou.
— Não mesmo. Eu sou dirigente de uma rede de crimes e transgressões que você resolve para não perder a cabeça nesse tédio que te traga, arruína e atormenta. Nunca vai acabar porque você precisa de mim. Você precisa de pessoas como eu para manter seu cérebro funcionando, do contrário, essa sua mente apodrece. Você vai tentar me derrubar e vice-versa até o fim de nossas vidas. E no fim sempre será você e eu. Juntos.
Molly bebericou seu vinho.
— Qual foi o objetivo?
— De?
— Todas as pessoas em que você atou uma bomba e as investigações? Por que queria que eu soubesse como aquelas pessoas morreram?
— Elas apenas estavam no lugar errado na hora errada. E os mortos, bem, eu poderia dizer que um pouco de justiça no mundo não faz mal a ninguém, mas honestamente, eles só faziam parte do jogo. Depois de ver o quanto você gostava do perigo, eu sabia que você viria até mim por livre e espontânea vontade. Mas você não podia me encontrar, não enquanto eu ainda tinha tanto a fazer aqui. Então envolvi o Jim, ele pareceu um tanto incerto no começo, mas, assim como Irene, só precisei mandar algumas fotos. Foi um plano mais elaborado, na verdade. Jim conseguiu ótimas informações suas com seu irmão e quando ele voltou, montamos a fachada perfeita do cara gay. Você mordeu a isca. Mais tarde ele só precisou aparecer na piscina para te dar o aviso do começo do nosso adorável jogo. Na verdade, eu imaginei o que você descobriria tudo, ainda mais depois de eu ter apresentado ele a você, mas você nem sequer desconfiou.
— Imagino que aquilo foi um teste.
— Sim, o primeiro de muitos.
Sherlock assentiu.
— Irene Adler.
— Sim, ela foi um teste. Por Deus, Sherlock, tem alguma coisa em você que quebra as pessoas. Pensei que talvez Molly Hooper fosse mansa demais para você, então fui atrás de alguém que também poderia usar um chicote. Porém ela se envolveu demais e você a quebrou. Bem, nem tanto assim. — Ela sorriu e piscou para ele deixando claro que sabia mais do que aparentava. — Ela também fez alguns estragos, não é mesmo? Acho que o que me impediu de matá-la foi porque ela é boa demais com o chicote e porque eu tinha copia dos documentos que ela tinha no telefone.
— Não havia cópias.
— Não que Irene soubesse disso, é claro. Ora, não fique assim Sherlock, ela também achou que fossem arquivos únicos. — Articulou ela ao ver a careta no rosto do detetive. — Ela era uma amante que sabia como tirar informações de pessoas importantes, extremamente valiosa para mim na época e, bem, ela sabia do que eu gostava. Claro que no meio disso tudo ela acabou se envolvendo em esquemas perigosos. Pelo nosso caso, ofereci ajuda.
— Um celular de chantagem.
— E barganha. Mas ela estragou tudo usando seu nome como senha de acesso.
Com um suspiro e um aceno da mão, Sherlock murmurou.
— Próximo.
— O furdunço das invasões, Jim sendo acusado de roubar joias da coroa, o julgamento e a absolvição. As informações de certas pessoas que Irene tinha conseguido me ajudaram a chantagear uns, assustar outros. Aliados na prisão de Pentonville, no Banco da Inglaterra e no Cofre das Joias. Simples.
Murmurou ela passando os olhos nas estantes de livros da sala.
— Ah, sim. O sequestro foi meio engraçado. Foi mais ou menos na época em que eu conheci o Tom, se lembra do Tom, Sherlock? Ele meio que se parecia com você.
— Usou o Tom para sequestrar as crianças?
— Era um pouco lerdo, mas depois de alguns chutes funcionava. Ele não sabia quem eu era, ele só havia conhecido o Jim, mas é claro que eu tive a felicidade de terminar nosso noivado dando um tiro nele. Por Deus, como ele me fazia passar vergonha. Principalmente depois daquela merda de “dedução” no casamento do John. Dei uma garfada nele naquele dia. Bem, ele fez como instruído, as crianças viram muito pouco dele no escuro, mas foi o suficiente para fazê-las acreditarem que era você. A propósito, gostou da mensagem?
— IOU?
— Sim, nas janelas. Eu que fiz. Devia ter feito mais cedo naquele dia, estava saindo do hospital quando você me abordou para te ajudar a achar as crianças. Mas depois, felizmente, deu tempo. Gosto de fazer lambança às vezes.
— Os assassinos.
— Figurantes. Tentados com uma senha para uma rede que abriria as portas de qualquer lugar para eles. Todos tentados para enganar... Você.
Ela sussurrou estendendo a mão e apontando para Sherlock.
— Por pouco tempo.
— Tempo suficiente.
— O que você me disse naquele dia? Sobre me ajudar.
— Plantado especialmente para quando chegasse o momento certo. Seu cérebro é forte Sherlock, mas ainda sim, manipulável.
— Uma coisa não faz sentido.
— O quê?
— Você me ajudou a sobreviver ao meu próprio suicídio, mas o plano de me matar era seu.
— Eu não queria te matar. Queria te tirar de cena por um tempo. Agora Jim... Jim tinha que morrer. Ele já estava me dando nos nervos. O corpo dele é o que foi enterrado no seu lugar. Eu hesitei em fazer o corpo dele se passar pelo seu, afinal, até eu pensei que estava profanando sua memória colocando ele no “seu” túmulo, mas o que podia fazer? O caixão precisava de um corpo.
— Como fez ele se matar?
— Eu disse que para você pular, ele precisava te deixar sem saída e também disse que a arma tinha balas inofensivas.
— Matou seu próprio irmão.
— Tem sorte de não ser da minha família. Mas é engraçado não é? Ele sempre foi o verdadeiro ratinho e eu a pulguinha atrás da orelha dele que possuía a receita perfeita para o caos.
— Do que você queria me afastar?
— Da minha área de comércio, Sherlock. — Disse como se fosse óbvio. — Você estava estagnando o movimento de transações.
— O que mais você fez?
— As bombas debaixo do parlamento britânico... Eu as vendi, mas uma vez que eu faço a venda ou troca, não me responsabilizo pelo que a pessoa vai fazer com ela. Isso já não é problema meu.
— O assassino no casamento de John?
— Inesperado.
Sherlock hesitou olhando para o amigo, mas finalmente soltou.
— Mary?
Molly também olhou para John.
— Não trabalhou para mim, mas eu sabia sobre ela.
John finalmente, depois de muito tempo, falou.
— Desde o principio?
Ela o fitou.
— Sim. Eu sei o que ronda Sherlock Holmes.
— O que você sabe?
— Eu sabia sobre o baú que continha as pedras. Havia duas formas de adquirir a última informação que eu precisava que era a localização exata desse baú: um pen-drive que estava sob a posse de sua esposa e Appledore. Ambos foram destruídos no mesmo dia exceto... Sua esposa. O resto ficou bem claro, creio eu.
— Por que simplesmente não falar para irmos atrás do baú? Por que a cena do sequestro? E Mycroft?
Assuntou John.
— E vocês teriam ido se eu apenas tivesse mandado? — retrucou com a voz embrulhada em sarcasmo. — Por favor, eu precisava de uma “refém” para fazer você saírem de Londres. Sem contar que, agora que sabem sobre mim, acho que nosso jogo pode ficar mais divertido. Bem, explicações feitas, melhor ir embora. Acredito que aquele é o baú ao lado da porta.
Sherlock balançou a cabeça perdido em pensamentos. Molly tomou o resto de seu vinho, entregou a taça nas mãos de John e pegou a sacola que continha o grande baú dentro.
— Eu ainda vou te pegar... Moriarty.
Avisou Sherlock. Moriarty reprimiu um sorriso.
— Oh e eu estou ansiosa por isso. Realmente espero que o faça porque não sei mais quanto tempo terei de esperar até você... Botar suas mãos em mim. — Respondeu maliciosa. Estava de saída quando pareceu se lembrar de algo. — Ah, e o seu irmão está acorrentado no topo do St. Barts. Eu iria lá agora por que ele pode acabar pegando uma pneumonia nesse tempo frio. Até outro dia... Sr. Sherlock Holmes. Watson.

Despediu-se soprando um beijo com a força do Vento Leste na direção do detetive e de seu fiel escudeiro.

Notas finais
Mas e ai, Molly irá sair impune? Até o próximo capítulo e muitos beijos! VickSaturn
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.