The Mouse In The Morgue
2 Molly Falls
Notas iniciais
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A imagem do vídeo não era das melhores, mas estava nítido o suficiente para mostrar a mulher nele. Ela engoliu um soluço.
— M-meu nome é Molly Hooper, e agora faz exatamente 14 dias desde que fui sequestrada e estou sendo mantida em cativeiro.
Parecia ser um típico vídeo de refém, onde ela deveria dizer o preço estipulado pelos sequestradores para que ela pudesse voltar para casa.
— Eu não sei a onde estou nem como cheguei aqui.
Molly, sempre tão saudável, agora estava coberta por machucados e feridas, sua pele era uma mistura da cor de seu sangue com os arroxeados de socos e pancadas. Os olhos eram os mais gritantes. Ligeiramente molhados por um colapso recente — ela provavelmente apanhava todas as vezes que se debulhava em lágrimas —, eles deixavam claro que ela já não aguentava mais. Ela já via a morte como uma saída. Aquilo explicaria o surto de coragem ao fim da gravação. Era tão obvio o que “Moriarty” queria. Ele queria Sherlock. Molly fechou os olhos e puxou o ar com dificuldade e quando os abriu, parecia determinada.
— Para quem estiver assistindo, por favor, me escutem. Não me procurem. Sob nenhuma circunstância, não importa o que aconteça comigo, não façam nada, porque é isso que ele quer. Ibope. — Ela já não olhava mais para câmera e sim para quem estava atrás dela. — Ele quer chamar a atenção como uma criança birrenta e mimada que não consegue ter seu brinquedo.
Um tipo de uivo nervoso foi ouvido e a câmera foi ao chão possibilitando uma visão completa de Molly atada à cadeira na qual estava sentada, vestida com uma camisola de seda que estava em frangalhos. Um homem apareceu na gravação, porém só se podia ver sua calça e botas escuras. Molly o encarou em desafio, uma forma rápida de morrer.
— Vai, me mata logo. Eu não sirvo de nada pra você. Você só perde seu tempo achando que eu significo alguma coisa pra Sherlock Holmes. Eu não sou nada pra ele.
Ela se esquivou o máximo que pode da mão dele quando o mesmo levou a mão a seu rosto para passar os dedos pelo mesmo.
— Ah boneca, não é verdade. Nos dois sabemos que você é a que importa mais.
Ele a socou com força. Molly foi ao chão, juntamente com a cadeira, desacordada.
— Você tem 30 dias, Sherlock, ou Molly ira voltar para o necrotério e, desta vez, ela será o cadáver.
II Pause
Sherlock deu replay na gravação mais uma vez. Sete dias haviam se passado depois que aquela gravação foi ao ar em todos os dispositivos eletrônicos ao redor do mundo, ao vivo. Não houve como esconder. Quando alguém pensou em romper a conexão para que ninguém visse aquilo, a transmissão já havia chegado ao fim. Claro que a imprensa havia acampado em Baker Street.
Quem era ela? Qual sua ligação com a vitima? Eram amigos? Trabalhavam juntos? Todas essas perguntas óbvias foram respondidas de alguma forma diferente em algum telejornal naquela mesma noite, menos uma. Aquela não mudava. Era, definitivamente, Molly Hooper naquela transmissão.
Lestrade conseguira puxar aquela transmissão da internet. Colocou em um disco para Sherlock e o entregou a ele com um pedido apenas: “encontre-a, nem que seja a última coisa que você faça na sua vida, apenas encontre-a”. Sherlock pensou em dizer “mas é claro que vou encontra-la, quem você pensa que eu sou afinal?”, mas então ele pensou melhor, preferindo ficar em silêncio. Não era uma boa hora para se gabar.
A tarefa parecia fácil. Quantas vezes não pegara um vídeo e só de olha-lo uma vez, deduzia um turbilhão de coisas, às vezes, só precisava de uma simples foto, mas não era esse o caso. O vídeo tinha como objetivo expor a dor e sofrimento que infligiam a Molly Hooper. Era frustrante ver apenas Molly e uma parede chamuscada por fogo em suas costas. Sherlock achou que aquilo seria o suficiente, chegando até a realizar uma busca pela patologista em todos os lugares que tivessem tido alguma ocorrência recente de incêndio, mas não foi encontrado nenhum indício de que a patologista estivera em qualquer um deles. Nem sangue, digitais ou fios de cabelo. Nada.
O sádico do vídeo só deixava claro que gostava do que estava fazendo, mostrando-se impetuoso e agressivo, mas também um psicopata que gostava de mostrar seu poder e influência sobre sua vitima. O problema era que isso era tão óbvio que até Lestrade poderia ver. Aquele não era o único vídeo. Havia outros. E em todos Molly sofria algum tipo de abuso. Tanto psicológico quanto físico.
Sherlock assistiu a todos, procurando algo, qualquer coisa que lhe desse alguma pista sobre de seu paradeiro, entretanto, depois de tanto assisti-los, tudo o que conseguira foi decorar cada fala nos vídeos. Tanto as de Molly quanto as dos sequestradores. Chegou a chutar sua TV em um momento de raiva quando viu Molly ser nocauteada mais uma vez. Estava exausto de ver as agressões que o faziam sentir-se impotente e inútil.
Em um deles, Molly implorava por um pouco de água. Um homem mascarado, em um ato de “bondade”, quase a matou ali mesmo ao tampar o nariz dela e engasga-la com a água. E mesmo depois do quase afogamento, ela agradeceu por sua sede ter sido saciada. Eles riam de sua forma indefesa.
Sherlock poderia ser taxado de muitas coisas, até mesmo de insensível, mas nunca levantara e nunca levantaria a mão para uma mulher como aqueles bastardos.
Cada vídeo que chegava trazia alguma nova tortura, um novo modo de machuca-la. Por quê? Se eles o queriam, por que machucar ela? Por que não o pegavam? Ele estava ali. Mas de que adiantaria? Ele já havia se pronunciado uma vez, propondo uma troca com os sequestradores: ele por Molly. Eles responderam a altura mandando mais um vídeo em que ele era desafiado a achar a patologista.
Mais buscas por ela se seguiram quando finalmente, um dia, procurando respostas, Sherlock achou o que precisava nos olhos de Molly. Literalmente. Sherlock rebobinou o vídeo até onde queria e deu play novamente.
— Play
— Para quem estiver assistindo, por favor, me escutem. Não me procurem. Sob nenhuma circunstância, não importa o que aconteça comigo, não façam nada porque é isso que ele quer. Ibope.
II Pause
Sherlock se aproximou da TV e ali, pelos olhos marejados, mas ainda sim firmes de Molly Hooper, que encarava o cenário de seu cativeiro, Sherlock Holmes descobriu onde ela estava. Rapidamente ele alcançou seu celular, mandou uma mensagem para Lestrade e então discou um número conhecido.
— Preciso cobrar um favor de você.
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