Notas iniciais
Olá.. Novo capítulo!

Andei de um lado para outro sem parar. Tudo tinha acontecido tão rápido e parecia um sonho que aqueles garotos pudessem realmente me matar, se esse fosse o caso eu não deveria sair logo desse lugar? Esses pensamentos estavam deixando-me cada vez mais confusa e realmente tudo era demais para mim.

- Eu devia ir embora...- sussurrei para mim mesma. Ainda havia luz do dia e eu poderia chegar em casa pegando um ônibus.

"Isso se estivermos em Seoul...", pensei esfregando o rosto com as mãos.

Andei pelo quarto encontrando um banheiro e aproveitei para me limpar. Arrumei o cabelo solto um pouco bagunçado em um rabo-de-cavalo alto, logo depois limpando a maquiagem do rosto. Devo admitir que me senti muito melhor, mesmo não podendo tomar um banho naquela banheira atrativa.

Voltei ao quarto e abri uma fresta da porta. O corredor estava vazio e escuro, fiquei com um pouco de receio em ligar a luz, mas acabei apertando um botão iluminando todo o caminho entre portas.

- Já vai embora?- perguntou uma voz logo atrás de mim. Eu sabia que alguém notaria se eu saísse.

Virei e encontrei o loiro me avaliando dos pés a cabeça, ele não parecia ter melhorado seu humor em relação a mim. Parando para olhar melhor ele chegava a ser bonito como modelos de revista e sua expressão quando alegre devia matar garotas do coração.

"Apenas mais um...", pensei inconscientemente revirando os olhos. Diante da minha reação o loiro ergueu uma sobrancelha rindo.

- Então?- ele continuou.

- Sim, eu estou indo.- respondi grossa. Ele pareceu surpreso com meu tom.- O que foi?!

- Achei que estaria toda assustada, afinal Ji Yong contou o que somos e...- ele sussurrou aproximando seu rosto do meu.- O que comemos...

- Não comem humanos...- sussurrei nervosa.

- Somos assassinos, comemos carne humana, animal...- ele andou ao meu redor.- Não importa o tipo se estivermos caçando.

- Eu não tenho medo de você.- falei rindo com deboche.- Por que eu teria medo de um garoto que esqueceu de cortar as unhas? Se quiser passo o número da minha manicure!

Sai andando enfurecida, murmurando que ele era um idiota e que jamais teria amigos desse jeito. Eu teria seguido assim até o fim do corredor, mas o loiro agarrou meu braço e empurrou-me contra a parede.

- Acha que desejei ser assim? Desculpe se não cresci sendo mimado por todos, se você tem uma vida boa, ótimo! Mas há aqueles que não tiveram a mesma chance!- ele gritou com o rosto próximo ao meu e eu me encolhi. Meu ombro doía sendo apertado.- Você quer mesmo testar minha paciência? Eu já odeio você, quer mesmo piorar isso?!

- Por que você me odeia?- perguntei baixinho, mas sabia que ele ouviria.- Eu fiz alguma coisa?

Ele me soltou e afastou-se, mas eu ainda sentia o aperto de sua mão em meu ombro. Ele deu um soco na parede deixando marca e então fitou meus olhos, vi certa magoa.

- Vá e por favor fique longe de todos nós...- ele sussurrou e andou para longe.

- Espere, Daesung!- gritei. Ele virou surpreso.

- Como você sabe meu nome?- ele perguntou.

- E-eu...- gaguejei.- O outro garoto... O mais novo falou...

- Ah...- Daesung sussurrou e voltou a andar.

- Yah!- gritei e ele virou novamente.

- Acha que pode escapar assim depois de falar comigo desse jeito?- perguntei e apontei para a parede.- Além disso vai precisar dar um jeito nisso!

- Cuido disso depois, só saia daqui...- ele disse colocando as mãos nos bolsos. O loiro, Daesung, saiu andando e dessa vez eu não podia dizer nada para deter.

"Por que me importo?", pensei e abri a porta no fim do corredor.

Sai do hotel e procurei me localizar; Graças a deus estava em Seoul.

- Ah, poderia me dizer onde eu estou?- perguntei para uma senhora e ela passou reto por mim. Aquilo foi estranho e assustador, ela continuou me encarando de longe.

Procurei por um táxi e encontrei um ponto vazio quase uma quadra do hotel. Sentei esperando que aparecesse um, para finalmente eu poder ir para casa. Eu só queria poder estar na minha casa com minha mãe. Eu nunca deveria ter deixado o Japão.

— Olá mocinha...- disse o motorista de um carro amarelo. Ele sorriu e tive uma sensação ruim.

- Oi...- respondi levantando.

- Precisa de carona?- perguntou. Comecei a andar procurando me afastar.- Hey...

- N-não é preciso, senhor...- respondi indo ainda mais rápido quando vi o homem sair do carro.

Comecei a fingir que não havia notado o homem, virei para frente e segui reto voltando para o hotel. Senti tocarem no meu braço e um arrepio subiu por minhas costas.

- Podemos conversar...- ele disse com uma voz séria. Tentei andar e ele firmou sua mão.- Eu disse, vamos conversar...

- Quem é você?- perguntei.

- Você estava com os garotos, entregue onde eles estão e deixaremos que viva alguns minutos à mais...- ele era curto e grosso, não fez cerimonia.

Fui virando lentamente na direção dele e o homem afastou-se acreditando que eu não iria fugir, aquele foi seu erro, pois no mesmo segundo que ele me soltou sai correndo como nunca. Ouvi ele gritando comigo, até mesmo ofensas e então o homem começou a correr atrás de mim.

Virei na esquina e corri durante duas quadras antes de entrar em uma ruela. Péssima escolha, agora eu estava encurralada e o homem tinha chegado.

- Chega de gracinhas.- ele sacou uma arma do cinto.- Onde estão os garotos?!

- Eu não sei...- sussurrei. Ele andou na minha direção e agarrou meu braço balançando-me um pouco.

- Onde eles estão?!- berrou. Comecei a choramingar dizendo que não sabia de nada e ele me arrastou pelo caminho todo até o táxi.- Se cooperar agora será mais fácil!

- Eu não sei!- gritei alto, enquanto ele me puxava pela rua. A mulher que vi antes estava parada na rua rindo e acenando.

" Ela era parte disso?!", pensei surpresa.

O homem me jogou no banco de traseiro do carro, fechando a porta após entrar também. Ele apontou a arma para mim e exigiu respostas de muitas perguntas, algumas que não entendi.

- Pare de fingir e responda!- ele gritou e me encolhi no banco. O homem passou para o banco da frente e aproveitei para avaliar minhas chances com a figura vestida somente com preto.- Vou levar você até a base, eles vão arrancar algumas informações por bem ou mau...

Um celular começou a tocar e localizei o aparelho no cinto do homem, ele atendeu no quarto toque e começou uma breve discussão.

- Sim, eu estou com a garota...- ele disse virando-se para frente. Olhei para a tranca da porta, estava aberta e minha chance seria aquela.

Abri a porta lentamente e fui me movendo ainda mais devagar, ele discutia de forma séria com alguém e não percebeu nada. Continuei indo até que coloquei um pé para fora, logo depois o outro e então sai completamente. Caminhei alguns passos e então comecei a correr, mas um barulho alto me deixou congelada.

- Parada ou o próximo será em você.- disse o homem calmamente apontando a arma para o ar. Engoli em seco e me virei.- Volte aqui e sente como uma boa garota.

Olhei para todos os lados buscando uma saída e encontrei um caminho entre dois prédios, ele estava bem ao meu lado e consegui ver a rua do outro lado. Encontrei a saída, mas como iria correr com uma arma apontada para mim?

Não importava como, eu precisava arriscar e correr. Aquele homem precisava de mim viva, se eu falhasse em fugir ele nunca acertaria um lugar que me colocaria em risco. Apeguei-me nessa chance e comecei a andar lentamente na direção do homem, ele baixou a arma na minha direção, nessa ação respirei fundo e desviei meu caminho o mais rápido possível correndo pelo caminho. Ouvi o som do disparo e ele devia ter errado por muito pouco.

O homem não me seguiu pelo caminho, acreditei que ficaria salva por alguns minutos suficientes para me esconder. Eu não esperava que ele fosse dar a volta e parar seu carro bloqueando o final da passagem, tive que parar na metade do longo caminho e recuar um pouco. Pensei em voltar, mas o outro lado também estava bloqueado.

"Ele chamou reforços...", pensei assustada. De ambos os lados homens armados aproximavam-se de mim.

- Desista!- gritou aquele de preto que me atacou primeiro. Havia uma porta trancada com um cadeado enferrujado, mas eu não tinha força para derrubá-la.- Acabou, garota! Você está sozinha e não tem mais para onde ir!

Ele apontou a arma direto para meu rosto pronto para qualquer movimento, mas eu apenas ergui os braços me rendendo. Um sorriso brotou na face do homem, um sorriso vitorioso. Ele estava quase chegando em mim, porém um som entranho distraiu todos e a porta antes trancado voou contra a parede do outro prédio.

- Venha sua idiota!- gritou alguém e senti agarrem meu braço poucos segundos antes de eu ser puxada para as sombras. Vi a bala da arma passar ao lado do meu rosto e atingir outro homem que, para seu azar, estava logo atrás de mim.

- Ah..- gritei quando minha cintura foi envolvida no escuro por um braço e a pessoa arrastou-me pela escuridão.

- Escadas...- sussurrou a pessoa erguendo meu corpo no ar. Agarrei-me ao seu pescoço no susto sem perceber, mas logo soltei quando a pessoa me colocou no chão.- Não me solte ou vai se perder, já estamos com pouco tempo!

- Quem é?!- perguntei confusa quando agarram minha mãe e fui arrastada cegamente.

- Pare de fazer perguntar idiotas antes que eu deixe você aqui!- gritou a pessoa e reconheci a voz soltando a mão imediatamente.

- Daesung?!- exclamei surpresa. Por que ele havia me ajudado?

- Eu mandei não soltar!- brigou e agarrou minha mão novamente.- Pare de falar e me siga.

- Se eu pudesse ver!- falei sarcástica. Ele apertou minha mão e tentei soltar-me.- Ai! Yah, meu pulso está machucado!

- Ah, me desculpe por salvar sua vida novamente!- ele disse afrouxando, mas não permitiu que eu tirasse minha mão.- Se eu perder você, Ji Yong fica louco.- ele disse e tentei puxar meu braço com mais força, entretanto só senti uma dor tremenda no pulso e gritei baixinho.- Fique quieta! Olha só isso, está piorando sua situação! Pare de lutar e colabore, preciso tirar nós dois daqui.

- Por que está fazendo isso?- perguntei.

- Ji Yong.- respondeu seco.

- Não precisava de qualquer forma, mesmo ele pedindo! Eu não quero sua ajuda!- gritei e me soltei. Tentei achar um caminho para escapar, mas novamente fui jogada na parede. Daesung estava perto, eu podia sentir sua respiração.

Eu não o que ele estava fazendo e me apertei contra a parede acendendo as luzes. O garoto estava a centímetros avaliando-me e rindo do meu susto com as luzes.

- Você...- ele começou a falar, mas foi cortado.

- Lá!- gritaram no fim da escada. Daesung afastou-se e começou a puxar-me.

- Eu disse para não me soltar...- ele murmurou correndo e chutando um dos interruptores fazendo parte das luzes se apagarem, mas não conseguindo evitar as de emergência que foram acionadas pela queda de energia.

Senti minha mão ser agarrada e logo um puxão me fez mudar brutamente de direção. Minha mão tocou uma parede e entendi que por pouco não bati de cara, ele estava me guiando em segurança e tentando enganar os perseguidores. Eu era teimosa, não podia evitar, mas iria pedir desculpas e agradecer se ele nos tirasse daquele lugar.

Bati contra algo grande e quente, logo o que eu pensei ser um objeto moveu-se e sussurrou:

- Suba nas minhas costas.- disse a voz alterada de Daesung.

Notas finais
E ai?