The Millennium Wizard and The Dream-eater
1 The Millennium Witch and The Dream-eater
“Victor, querido Victor. Você prometeu salvar minha vida. Prometeu me curar. Agora olha só para mim. Eu estou morrendo, tudo porque você não foi capaz de cumprir sua promessa. Eu tinha minhas esperanças em você e você me decepcionou. Eu acho que você não me amava o suficiente. Agora, guarde minhas palavras. Você será incapaz de receber amor de outra pessoa, bruxo. Afinal estou te sentenciando a viver por mil anos. Ninguém irá amá-lo!”
...
O bruxo de longos cabelos prateados acorda de seu sono. Lágrimas escorrem de seu rosto, e ele fica ali, observando o teto de sua casa de madeira. Sonhar com a maldição que lhe aflige por mais de 200 anos é algo rotineiro e sempre, ele acorda chorando. Ele chora por não ter sido bom o suficiente para curar a princesa Anya. E agora até agora ele está pagando por isso.
Ele decide se levantar e enxugar seu rosto. Hoje ele precisa ir comprar algumas ervas e ingredientes para seus remédios, e devolver dois livros na biblioteca de Londres. Ele toma banho, se veste e coloca algumas moedas de ouro em uma sacola. Com tudo pronto para a sua jornada, ele abre um buraco de minhoca e o atravessa. Horas depois, ele retorna para casa por um novo buraco. E se assusta com o que encontra na sua porta.
Um homem oriental, de cabelos negros bagunçados, sentado na sua porta aparentemente inconsciente. Ele não parecia respirar, mas está vivo pelo alto barulho que aparentemente vem do estômago dele. O bruxo de cabelos prateados se aproxima e usa as mãos para mover o rosto do desacordado, analisando melhor as feições dele. Que homem fofo. Ele tem uma pele super macia e pálida...
Do lado de dentro de sua casa, Victor prepara uma sopa de carne com legumes. O tempo todo ele checa o estranho, que agora se encontra deitado na sua cama e franze a testa pelo fato dele ainda não ter despertado mesmo estando de barriga vazia. Talvez ele esteja doente.
O bruxo de longos cabelos prateados faz sua refeição, ajeita seus estoques e se deita ao lado do estranho, cansado. Lamentando ter de sonhar novamente com sua maldição, tudo o que pode fazer é fechar os olhos.
…
Ele abre os olhos, presenciando o ambiente em que se encontra. O ambiente que o assombra por mais de 200 anos. O quarto da princesa Anya. E lá está ela, doente. Ela começa a falar suas últimas palavras, mas um barulho alto o faz não escutar direito. Victor se vira, e vê encostado na porta da varanda do quarto o ser de antes. Este, com seus belos olhos cor de chocolate, olha em volta do local e pára no homem de cabelos prateados.
“Me desculpe por atrapalhar. Você se importa se eu comer? Estou com muita fome.” Ele diz, olhando pro bruxo.
Espera um pouco aí! Como aquele rapaz pode estar no seu sonho amaldiçoado? Eu nem o conheço direito, e assim, do nada, ele aparece?
“Vá em frente.” Ele responde, ainda confuso com as palavras do homem de cabelos negros.
“Muito obrigado. Itadakimasu.” De repente, de suas mãos, surge uma faca e ele se dirige para a direção da cama.
Antes que o bruxo pudesse fazer algo, ele corta o pescoço de Anya, e agarra a cabeça dela pelos cabelos. Ele abre a boca e absorve a cabeça, que se dissolve em sua boca. Ele mastiga e engole, arrotando.
“Delicioso.”
“O quê?” O bruxo de cabelos prateados pergunta, sendo ignorado pelo outro que fatia mais partes do corpo e os devora, passando a língua entre os lábios.
“Seus sonhos. São deliciosos.” O rapaz de cabelos pretos diz, cortando mais uma parte da cama. “Meu nome é Yuuri e sou um Baku.”
O bruxo se assusta ao escutar o nome Baku. Segundo livros da Biblioteca Nacional de Tóquio, Bakus são seres sobrenaturais que previnem ou devoram sonhos e pesadelos e a má sorte. No folclore japonês, o Baku é um devorador de sonhos, um espírito animal que visita casas no meio da noite e devora os pesadelos de pessoas enquanto estão dormindo. Acredita-se que o Baku pode ser induzido a devorar um sonho horrível, e que a criatura tenha o poder de transformá-lo em boa sorte. Isso o faz sorrir.
“Meu nome é Victor. Sou um bruxo.”
Yuuri abre um sorriso, fazendo o coração de Victor bater fortemente. Yuuri, voltando a sua atenção para o local ao seu redor, respira fundo.
“Posso ver que seus pesadelos são constantes. E pesados. E por coincidência, esses tipos de pesadelo são o meu prato favorito. Então… Quer fazer um trato comigo?” Ele volta a olhar para Victor, que está surpreso com o que escuta.
“Que tipo de trato?” Ele pergunta, surpreso.
“Deixe-me comer seus sonhos ruins. E eu ficarei ao seu lado até o fim.” Essas palavras assustam o bruxo, que hesita antes de dizer.
“Eu tenho uma maldição. Sou obrigado a viver mil anos. E você é…” Ele começa, mas é interrompido pelo homem de cabelos negros, que se agora se aproxima dele.
“Eu sou um Baku. Um ser que existe eternamente para comer os sonhos das pessoas. Eu não morro.” Ele diz, sorrindo novamente. “E então, Victor. O que acha?”
Ele existe eternamente. Ele não morre. Ele não é humano. Então eu posso sim me apaixonar por ele…
Victor se vê embaraçado por seu próprio pensamento. Ele olha para o ser à sua frente, que inocentemente inclina o rosto em confusão.
“Ei, Yuuri…” E de repente ambos arregalam os olhos, surpresos com uma onda de choque que os atinge ao mesmo tempo.
“Quê?! Sem chance!!” Yuuri grita, completamente rubro.
Victor, que caí de joelhos, começa a derramar lágrimas. Yuuri vai até ele, surpreso.
“Somos almas-gêmeas, Yuuri. Estou tão feliz! Eu tenho uma alma-gêmea, que não vai me deixar sozinho!”
“Sim. Eu prometo que estarei sempre ao seu lado.”
…
E como prometeu, Yuuri ficou ao lado de Victor. Juntos, eles se conheceram melhor, aprenderam coisas novas um do outro e aceitaram o seu destino. Para Victor, que voltou a dar risadas, cumprimentar as pessoas por onde passa, só mostrava que o tempo ao lado de Yuuri é precioso.
Mas de um certo tempo para cá, Yuuri deixou de sorrir. Victor se pergunta se é pelo fato de ultimamente ele está se sentindo cansado e esquecendo das coisas. Ele até pode ver o olhar de dor do Baku quando, por um momento, se esqueceu dele. Infernos, como eu posso me esquecer dele?! Ele me deu uma nova razão para viver! Ele me ensinou que eu posso amar e ser amado livremente de qualquer maldição… Hm? O que estou pensando? Não sei.
“Vovô, se cuida!”
Vovô? Eu estou envelhecendo? Mas isso é impossível! Eu ainda tenho… quanto tempo de vida? Eu preciso perguntar para Yuuri… Espera… minha maldição… me dá mil anos de vida… não é vida eterna… Eu estou morrendo… É por isso que Yuuri…?
“Yuuri!”
Dito homem está sentado na cama deles, com as costas na parede, lendo um livro. Quando ele vê o bruxo, ele pergunta.
“Qual é o problema?”
Victor o olha, confuso com o que está acontecendo. Por que eu o chamei assim? Por que estou tão desesperado?
“Victor. Venha aqui.” Ele diz, fechando o livro e abrindo os braços na minha direção.
Ele vai até o outro e o abraço. Chorando alto. O bruxo não sabe o motivo, mas quando olho para aqueles olhos cor de chocolate, ele sentiu essa grande vontade de chorar. E chorou, por um bom tempo, até dormir.
“Boa noite, meu amado Vitya. Tenha bons sonhos. Hoje, tudo acaba.”
…
Victor abre os olhos e se vê em uma enorme e bela paisagem à sua frente. Uma praia, um nascer ou pôr do Sol, gaivotas, dois cachorros correndo um atrás do outro, brincando.
“Gosta do que vê?” Ele escuta a voz de seu amado, e finalmente o vê, ao seu lado.
“Onde eu estou.” Ele pergunta, surpreso. “Isso é um sonho?”
“Sim. O seu último sonho. Você morreu, Victor.” Yuuri diz, abrindo um sorriso.
Ele está sorrindo de novo!
“Mas…”
“Eu comi sua maldição. O núcleo dela estava no sonho que você sempre teve com aquela princesa. Então toda noite quando eu comia seu sonho, eu comia pedaços da maldição. Levou 50 anos, mas finalmente você está livre dela.” Ele respira fundo, não deixando de me olhar nos olhos. “Me desculpe, Victor. Eu decidi ser egoísta ao não contar para você. Eu não podia, pois você iria me pedir para parar.”
“É claro que sim! Eu não me importo…”
“Eu me importo! Eu me importo com você. Aquela princesa não queria apenas que você sofresse por mil anos. Ela queria prender sua alma na terra, depois de você morrer, para evitar que você reencarnasse. Eu não pude deixar isso de lado.” Yuuri soluça, sua face agora se desmanchando em lágrimas. “Eu aprendi tanto com você, Vitya. Tanto que eu acreditei que em um futuro, nós poderíamos nos amar sem estar acorrentados à maldições.”
“Yuuri, você também foi amaldiçoado?” Victor pergunta, surpreso com essa última revelação.
“Sim. Eu fui. Por inveja.” Mais soluços vem do Baku. “Mas não tem problema agora. Você quebrou minha maldição, inconscientemente. Pois ela também me proibiu de me apaixonar por um ser humano.”
Eles se abraçam, chorando juntos. Yuuri desliza sua mão esquerda no rosto de Victor e lhe dá um beijo trêmulo.
“Vamos ter que nos separar por um tempo. Mas não tema. Nós somos almas-gêmeas. Nós nos encontraremos novamente e nos amaremos, não importa as circunstâncias que o destino ponha no nosso caminho.” Yuuri se afasta, e Victor sorri para ele. “Não se preocupe. Eu o encontrarei.”
…
25 de Dezembro — Nasce Victor Nikiforov, futuro vencedor de 5 medalhas de ouro no mundial de patinação artística.
Quatro anos mais tarde, 29 de Novembro — Nasce Yuuri Katsuki, futuro vencedor de muitas coisas de sua vida.
Yuuri, fazendo jus à promessa, o encontrou.
E como ele mesmo disse, eles se amaram, não importando as circunstâncias que o destino colocaram no caminho deles.
~Fim~
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