The Metamorphosis Project
2 Capítulo 2
Brigit
A noite era fria e úmida enquanto eu voltava pra casa. A rua, cheia de buracos, se estreitava e sumia nas curvas, devido à sua má iluminação. Não existia calçada, apenas aquele monte de paralelepípedos irregulares que dividiam as duas fileiras de casas de madeira – de pintura desbotada, caindo aos pedaços devido ao trabalho de cupins.
Vestia uma jaqueta de couro marrom, um tanto fina pra aquela noite. Na verdade, eu não sentia frio, mas é preciso se ajustar ao meio onde vive, ou as pessoas começam a fazer perguntas.
Voltava do meu cansativo e adorado trabalho – era auxiliar na cozinha de um restaurante meia-boca do bairro. O salário era baixo, mas eu sonhava em poder fazer gastronomia um dia, então juntava as economias e pagava as contas com o resto.
Havia um grupo de cinco rapazes ao final da rua, onde eu precisaria passar. Eles bloqueavam o caminho e me encaravam de forma maliciosa. Suspirei. Lá vamos nós.
— Ei, gatinha— disse um, de forma nojenta – vem aqui!
— Vai se foder – digo, e tento passar reto. Alguém segura meu braço com força.
— Cala a boca, sua vaca. Você pensa que é quem?— e me puxou pro meio do grupo. Eles me cercavam, e eu só os encarava de forma arrogante.
— Uma preta nojenta como você devia se sentir privilegiada em ter nossa atenção— disse o neonazi, e puxou meu cabelo.
Aí já foi demais, né? Ninguém toca no meu cabelo.
Meus olhos faiscaram e senti minhas mãos formigando com um calor crescente, que se espalhou pelos meus braços e pernas, e eles perceberam que algo estava errado.
A temperatura começou a aumentar tanto que os babacas me soltaram rápido e olharam embasbacados. Meu cabelo agora estava em chamas e os meus braços eram tochas vivas. Sorri, satisfeita, e disparei bolas de fogo em direção à eles, que gritavam de dor enquanto agonizavam.
O fogo só desapareceu horas depois, quando enfim cheguei em casa parecendo uma fênix. Não tenho certeza se alguém reparou naquela hora da noite, ainda mais pela minha casa ser a última da rua e ficar afastada de todas as outras.
Me encarei no espelho. Meu cabelo estava intacto, mas as minhas roupas foram totalmente queimadas e poucos fiapos restaram, apenas onde o fogo não atingiu. Dei uma bagunçada no cabelo – crespo, alto e vermelho, do jeito que eu mais gostava – e observei a pequena tatuagem de dragão no meu pulso. Os traços finos da tatuagem minimalista estavam gastos, e quase não apareciam mais. É hora do dragão voltar a rugir, pensei.
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