The Mermaid Tale

25 Uma noite memorável


Notas iniciais
Oi gente! Desculpa a demora, mas quem me acompanha pela minha página do Face já deve saber os motivos, mas resumindo aqui: defesa do mestrado chegando + trabalho + pai doente que agora está bem, amém! + reforma em casa, acho que tudo isso se juntou e quando vi, já havia se passado meses desde a última atualização, então me desculpem! Em compensação o capítulo está bem grandinho! Heey! Espero que gostem e nos vemos nas notas finais! ;) Boa leitura!

Separaram-se ofegantes, mas a vontade de Sasuke era de voltar a beijá-la. Fechou os olhos, encostando a testa na dela. Ouvia Sakura tentar normalizar a respiração e a pele dela parecia tão quente. Há quanto tempo não se sentia assim? E como se algo tivesse trespassado seu corpo, rapidamente se afastou de Sakura.

A Grumete não entendeu aquele ato repentino, mas estava ocupada demais tentando entender o que acontecia consigo. Sentia-se quente e era como se algo estivesse queimando dentro de si enquanto seu coração bombeava sangue em uma velocidade alucinante. Abriu os olhos, finalmente, encarando o Contramestre, mas o que viu fez uma tristeza se apoderar de si. Ele a olhava de uma forma como se tivesse se arrependido do ato e novamente não compreendeu o motivo dele estar assim e nem dela também ter ficado triste por isso.

— Isso não devia ter acontecido... – Sasuke murmurou e Sakura começou a sentir toda a energia, que parecia fluir de dentro de si, dispersar.

“Sasuke, eu...” tentou falar enquanto estendia uma mão para tocá-lo. Queria conversar melhor com ele e que tudo fosse explicado, mas ele não permitiu.

— Não! Não me toque! Isso foi um erro! – demandou, afastando-se dela, deixando-a ainda mais perdida e triste – Sakura, é melhor que esqueça o que houve aqui, foi tudo um erro! Não sei o que deu em mim, mas não vai se repetir! – e antes que ela pudesse dizer algo mais, deu meia volta e deixou-a sozinha no meio da varanda.

Sakura não pode deixar de sentir-se vazia. Tudo aquilo que sentira antes dava lugar a algo desconhecido por si. Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto as palavras dele ecoavam em sua mente.

“Foi tudo um erro! Não sei o que deu em mim, mas não vai se repetir!”

Então fora isso... ela havia hipnotizado Sasuke. Foi por causa disso que ele a beijara, por isso ele se afastou daquela forma tão repentina depois, pois ele havia recuperado a razão. Era uma tola mesmo... não sabia nem por qual motivo essa vontade de chorar continuava dentro de si. Devia esquecer e... ouviu algo ao longe e olhou em volta, verificando se estava sozinha. Mas o barulho se fez novamente e resolveu investigar o que era. Limpou os rastros das lágrimas. Era melhor fazer como Sasuke pedira e esquecer o que acontecera. Começou a andar até encontrar uma escada que dava até o mar e, inconscientemente, andou até lá. Sentia que a chamavam. E qual foi a sua surpresa ao ver a irmã sentada em uma pedra na encosta do castelo.

As águas batiam na metade do corpo de Ino que parecia perdida em pensamentos até notar a aproximação da irmã. Sakura sorriu, ficando um pouco mais alegre ao ver que ela estava bem, e já ia iniciar uma conversa, porém Ino foi mais rápida.

— Sakura, o que foi aquilo? – o tom da sereia era baixo e triste, fazendo Sakura se perguntar sobre o que ela se referia – Falo do humano... o que foi aquilo que eu vi?

Arregalou os olhos e sentiu o rosto esquentar ao compreender que Ino havia visto Sasuke beijá-la. E viu também ela corresponder, mesmo que não soubesse ao certo o que fazia.

“Não foi nada! Foi apenas um erro” repetiu as palavras do Imediato.

— Não foi isso que pareceu para mim... – e encarou a irmã. Sabia que Sakura não era uma boa mentirosa, então era preciso apenas forçar um pouco para saber a verdade.

“Foi apenas uma experiência, não vai se repetir!” novamente disse as mesmas palavras que ouvira, mas fez questão de virar o rosto para que Ino não percebesse como aquilo a afetava.

A sereia observou a irmã com cuidado e, mexendo as mãos, comandou as águas até que essas a levassem para perto da humana e sem dizer uma só palavra, abraçou Sakura. Abraçou-a fortemente, sem se importar se molharia o vestido que a outra trajava, e Sakura também não pareceu se importar, pois naquele momento ela precisava do abraço de alguém querido e nem entendia direito o motivo, só sabia que doía e Ino, de alguma forma, acalentava-a.

Ao se afastar, viu Sakura limpar o rosto e sorriu ao perceber que estava certa, a irmã sentiu algo pelo humano e sabia o quanto aquilo era perigoso, então ela deveria dar um basta naquilo.

— Sakura, não se esqueça que o seu lar é o mar – disse e viu Sakura encará-la confusa – Você está com esses humanos unicamente para conseguir voltar para casa. Em breve você terá que deixá-los, não se apegue a eles – foi um pouco mais firme e Sakura encolheu os ombros ao perceber que Ino falava a verdade.

“Eu sei...”

— Não, não sabe! – Ino retrucou, repreendendo-a – Não se envolva com eles, são traiçoeiros e no final apenas você terá o coração partido! – disse de forma mais branda enquanto afagava o rosto da menor – Você pertence ao mar, sempre foi assim e sempre será... não se esqueça do seu lar.

Sakura suspirou, fechando os olhos, enquanto sentia o carinho o carinho da irmã. Ao mesmo tempo sua mente a levava para as memórias de uma época feliz em que vivia com as irmãs na imensidão azul. Sentia falta daquilo... apesar de ter tido várias aventuras com os humanos, Ino estava certa, não podia desviar o foco do seu objetivo que era retornar para casa. No final, foi até melhor que Sasuke dissesse aquelas palavras, aquilo a ajudou a voltar aos eixos e, agora, com Ino ali, tinha mais certeza que devia encontrar o mais rápido possível aquela flor e voltar para aqueles que amava.

Abriu a boca para perguntar mais alguma coisa, queria saber se Ino havia encontrado-se com o Rei dos Mares, porém não teve tempo, um barulho lhe chamou a atenção e logo pode ouvir uma movimentação no andar de cima, onde ocorria o baile. Olhou para Ino, que também encarava a varanda, e temeu que alguém a visse. Pediu que a irmã voltasse para a água e se escondesse e informou rapidamente que eles partiriam naquela noite ainda. Não conseguiu falar mais nada, pois gritos foram ouvidos e Sakura temeu o pior. Ino, entendendo a apreensão da irmã, voltou para a água e viu a ex-sereia correr de volta para o castelo. Esperava que tudo estivesse bem e, inconscientemente, a loira recordou-se do humano de cabelos vermelhos.

—*-

Definitivamente aquele não era o final esperado para aquela noite. Nem ao menos o que esperava que acontecesse. Ele havia ido em busca de Tenten junto de Gaara e, depois de um tempo a procurando, achou a moça dentro do escritório do tio. Ela pareceu levemente surpresa ao vê-lo. A partir de então, Tenten virou um furacão e saiu em disparada pela porta, sem nem ao menos ouvir Neji, que, novamente, a seguiu na intenção de desculpar-se. Aquilo era ridículo! Quando imaginaria que sua situação fosse ser tão humilhante assim?

— Chega! Me escuta, Tenten! – disse irritado ao segurar o braço da moça. Arfava pelo esforço, já que ainda se recuperava.

Tenten até abriu a boca para desferir toda a sua raiva em cima dele, mas ao ver como Neji parecia um pouco pálido e cansado, a raiva deu lugar à preocupação e ajudou o pirata a se firmar.

— O que está fazendo fora da cama? Você está bem, mas ainda não pode correr de um lado para o outro! – ela repreendeu o Hyuuga que sorriu de forma irônica.

— Eu não teria feito tanto esforço, se não fosse por causa de uma moça teimosa que me tira o prumo – comentou e a Mitashi sentiu as bochechas esquentarem.

— Esqueça Neji, apenas volte para o quarto e...

— Eu não quero! – interrompeu a moça que o encarou confusa – Não quero esquecer e não quero voltar para o quarto. Eu quero que me entenda, Tenten!

Tenten ficou surpresa com as palavras e, mesmo não querendo ouvi-lo, não conseguiu contestá-lo, talvez porque uma parte dela queria ouvir as explicações de Neji. Estavam ambos parados no corredor que dava para o salão principal do castelo, porém, como não era o corredor principal, estava menos movimentado ali e ninguém os incomodaria. Tenten cruzou os braços, à espera de que Neji iniciasse a conversa.

— Eu nunca quis debochar de você, nunca faria isso – comentou calmamente e ouviu a mulher bufar, descrente – Na época em que você conheceu Sakura, nós não sabíamos a verdade. E ao nos encontrarmos agora, bom, eu sabia que você não reagiria bem, então...

— Então achou que mentir e fazer de piada com a minha cara fosse melhor! – interrompeu a moça.

— Não! Eu só esperava um momento mais apropriado para conversarmos, não queria que fosse dessa forma! Droga, você acha que se não fosse importante, eu teria saído daquele maldito quarto?

— Qual o problema em sair do quarto? Você não está morrendo – comentou.

— Eu só... não suporto esse lugar. E acredite quando digo que não teria botado os pés aqui, se eu estivesse consciente – e novamente Tenten ficou curiosa com aquilo. Ela já tinha reparado que Neji não saia do cômodo onde estava e, quando Hinata vinha visitá-lo, ele mal a encarava ou respondia.

Nunca entendeu o motivo daquele comportamento de Neji perto da nobre. E também não entendia o motivo dela vir visitar um mero pirata, mesmo que fossem parecidos, eles não podiam... Arregalou os olhos com a ideia que passou por sua mente.

— Você é parente de Hyuuga Hinata? – e ao ver a anuência dele, quis se bater por não ter ligado os pontos antes – Mas como? Por que está se escondendo? Isso aqui...

— Isso aqui é passado. Um passado que eu abomino – virou o rosto, querendo esconder o desgosto que sentia ao lembrar dos dias que vivera ali – Eu só queria ir embora o mais rápido possível daqui, mas não podia ir sem que você soubesse que eu não seria capaz de te magoar...

Tenten pensou que não seria capaz de se surpreender ainda mais com Neji, mas pelo visto estivera errada ao ouvir aquelas palavras dele. Ele não queria lhe magoar? Estava brincando consigo? Antes que pudesse falar algo, viu o Hyuuga se aproximar de si e colocar a mão em seu rosto, encarando-a de forma tão profunda que ficou sem fala.

— ...Eu nunca quis te magoar, pelo menos não intencionalmente – e sorriu de forma triste – O problema é que eu não sei lidar com o que eu sinto. Fiquei tanto tempo sozinho, sem poder confiar em ninguém, com medo de que me matassem a qualquer momento que... acho que criei uma barreira.

O que ele estava falando? Ficou confusa, ao mesmo tempo em que seu coração palpitava de forma estranha. Por que estava assim por causa de Neji? Como haviam chegado àquele ponto?

Neji pretendia contar tudo a ela. Não gostava de dessa história, a sua história, pois sempre revisitava um passado que preferia esquecer, mas sentia que devia contar a ela, explicar o que lhe aconteceu para, pelo menos, ter a esperança dela entendê-lo. Queria que ela entendesse os seus sentimentos, soubesse sobre o seu passado, queria que ela o conhecesse. Abriu a boca, porém alguns gritos foram ouvidos e ambos se entreolharam, antes de perceber que algo mais grave acontecia ali perto.

— Neji? – Tenten indagou e o Hyuuga suspirou.

— É melhor vermos o que se trata, não acho que seja alguma apresentação – e virou-se em direção ao barulho, sendo seguido por uma hesitante Tenten – Depois conversamos, prometo. – finalizou, deixando a menina atordoada.

Foram em direção a um dos quartos mais próximos da entrada da escadaria e puderam ver que os gritos vinham dali e Neji petrificou no lugar ao reconhecer a voz que gritava e quem estava lá dentro. Porém havia muitas pessoas e entrar ali parecia impossível. Ótimo! Era tudo que queria para piorar ainda mais a noite! Pensou antes de dar meia volta com Tenten em seu encalço.

— Eu sei um jeito de chegarmos até lá! – foi a única coisa que disse antes de se afastar do local.

—*-

Aquela, definitivamente, não era a noite que esperava. Mas como poderia ter imaginado que uma simples dança acabaria com ela nos braços do Capitão Uzumaki? E, o pior, que o seu a pai a encontraria? Tão pouco imaginou que, Hyuuga Hiashi, um lorde, seria capaz de atacar o Capitão e iniciar uma batalha com os punhos no meio do cômodo.

Assustou-se ao ver o pai golpear o pirata que havia sido pego de surpresa e temeu pelo pior. Não sabia do que Hiashi era capaz e nem se Naruto conseguiria se defender. Ela não queria fazer um escândalo também, mas o que poderia fazer, senão gritar e pedir por socorro? Foi mortificante ver os convidados se amontoando para se aproximarem e verem a cena, e aquilo só a fazia se sentir pior, pois ninguém parecia realmente interessado em parar a briga. Sentiu as lágrimas de vergonha, medo e raiva se acumularem por seu rosto.

— Façam alguma coisa! Parem essa briga! – pediu aos prantos, mas ninguém parecia disposto a atendê-la.

Seu pai havia derrubado Naruto e agora tinha as mãos na garganta do Capitão, ela temeu pelo pior. Mas o pirata não se deixaria vencer tão facilmente. Ele apenas não queria piorar tudo, porém, ao notar a gravidade da situação, resolveu terminar com aquilo e desferiu um golpe no rosto do nobre que o soltou. Não era a intenção do loiro machucar o mais velho, por isso somente se defendia ou se esquivava dos golpes, só não contava com o fato do Hyuuga ser mais habilidoso do que aparentava já que tinha uma certa idade.

Levantou-se, com a mão no pescoço, arfando em busca de ar enquanto Hiashi estava ajoelhado no chão com as mãos no nariz que sangrava. Ele olhou para a Lady e, ao notar o estado dela, pensou em falar algo para tranquilizá-la, mas foi somente dar um passo em direção a moça que ouviu o som de uma arma sendo engatilhada bem perto de si.

— Se você se aproximar da minha filha, será um homem morto! – bradou o lorde, colérico.

— Papai, por favor! Não aconteceu nada e...

— Nada? – interrompeu o apelo choroso da filha – Ele estava a desonrando! Se eu não chegasse... – interrompeu-se e novamente o olhar raivoso caiu sobre Naruto que pensava que a situação não tinha como piorar mais – Você vai casar com a minha filha! – decretou Hiashi.

— Sempre tem como piorar... – foram as palavras sussurradas de Naruto ao ver o rumo que as coisas estavam tomando.

Olhou em busca de Sasuke ou dos outros companheiros do Kurama e não viu ninguém ali, somente os convidados almofadinhas do Hyuuga. “Ótimo! Estou sozinho!” pensou com ironia. Voltou sua atenção para Hinata que parecia surpresa e aflita pelas palavras do pai e pensou que, pelo menos, ele não era o único que não desejava casar contra sua vontade, apesar de que vê-la rejeitá-lo dessa forma feriu um pouco o seu orgulho masculino.

— Com todo respeito, isso não vai acontecer – disse sem pensar nas consequências e só teve tempo de fechar os olhos ao ouvir a arma ser disparada.

Hinata e as outras mulheres gritaram e muitos convidados fugiram assustados. Porém, o Uzumaki estava mais preocupado em respirar aliviado ao ver que o homem havia atirado para cima em sinal de aviso. Estava vivo. Por enquanto.

— Papai! – Hinata agarrou o braço do homem, tentando trazer alguma racionalidade a ele, mas Hiashi apenas a empurrou para longe e Naruto segurou-a, evitando que se machucasse – Solte-a! – continuou a gritar.

— Está louco? Você iria machucá-la! Apenas evitei um problema maior! – retrucou, ficando farto daquilo tudo.

Tinha que dar um jeito de desarmá-lo, o homem não estava em seu juízo perfeito, mas com Hinata ali, temia que Hiashi a machucasse sem querer, ou que ela se metesse e atrapalhasse seus planos. Blasfemou baixinho e notou o rosto da dama ruborizar com as palavras, mas no momento aquilo não era importante.

— Como se atreve? Onde está a sua honra? Eu mesmo irei acusá-lo ao Rei por tamanha insubordinação! – Hiashi discursava e Naruto revirou os olhos, pensando em quanto tempo mais teria que aturar isso. Lentamente, andou para o lado, levando Hinata junto de si e viu a arma o seguir, até que Hiashi estivesse de costas para a porta e Naruto mais acuado do outro lado do cômodo.

— O que está fazendo? – Hinata indagou baixinho, sempre de olho no pai que parecia dar uma lição de moral no pirata ao falar de honra. Céus, se ele soubesse que Naruto era um pirata... Balançou a cabeça para evitar tais pensamentos.

— Confie em mim – ele sussurrou para si e Hinata sentiu um arrepio com a voz dele tão perto de si. Maldito! Parecia que ele fazia aquilo de propósito, pois seu pai novamente disparou, e dessa vez a bala foi na direção onde estavam, justamente por causa do gesto do Uzumaki. Ficou tão assustada que não conseguiu conter o grito.

— Canalha! Minha paciência acabou! Você só tem duas opções: case-se com Hinata ou largue-a e morra! – mas para a surpresa do nobre, Naruto riu e aquilo foi a gota d’água para sua paciência. Engatilhou novemente a arma, porém antes de conseguir mirar, sentiu que outra pessoa pressionava o cano de um revólver na sua nuca.

— Abaixe a arma – Sasuke disse pressionando ainda mais o cano do revólver contra o Hyuuga.

— Finalmente! – Naruto exclamou aliviado, soltando Hinata que sentia as pernas bambas. Eles eram loucos! Como Sakura aguentava isso?

Sasuke fuzilou o Capitão com o olhar. Ele havia o advertido sobre querer brincar com a nobre, mas Naruto não o ouviu. E foi só dar as costas por um minuto que todo aquele circo foi armado.

— Onde estava? Por que demorou tanto? – reclamou o Uzumaki e notou que o amigo não estava com o melhor dos humores.

— Isso não importa! Eu cheguei a tempo de salvar a sua pele, como sempre! – retrucou não querendo lembrar sobre os momentos com Sakura.

A verdade é que ele havia se isolado depois daquilo e só percebeu que algo estava errado ao ver o tumulto de convidados em uma parte do castelo. Porém já era tarde demais e havia muitas pessoas na sua frente, então só quando elas dispersaram foi que conseguiu chegar até o Capitão. Olhou para o lado a tempo de ver Sakura chegando junto de Gaara e aquele momento de distração foi o suficiente para que Hiashi o atacasse, desarmando o Imediato.

— Maldição! – Naruto exclamou indo ajudar o amigo, ao mesmo tempo em que Gaara corria também na direção de Hiashi a fim de rendê-lo. Porém o Hyuuga foi mais rápido e com a arma em mãos, impediu a aproximação de todos.

Sakura olhava estarrecida a tudo, não entendia o que se passava, mas precisava fazer algo para evitar que algum humano se machucasse. Deu o primeiro passo, mas hesitou. As palavras da irmã ainda estavam frescas na sua mente, não devia se envolver... olhou para Sasuke caído e quis ajudá-lo, mas as palavras dele a fizeram permanecer no local. Não podia se envolver!

— E agora, vamos ajeitar as coisas – Hiashi disse e virou-se para Sakura e Gaara – Vocês dois, vão para ali – e apontou para um canto do quarto – Você também – disse para Sasuke – Hinata, você vem comigo! E o biltre também! Irei chamar o tabelião.

— Papai, eu não quero me casar! – Hinata se manifestou mais uma vez. Sakura ficou curiosa com o que seria aquilo que fazia Hinata ficar tão desesperada, mas guardou para si, observando uma movimentação atrás de Hiashi.

Inconscientemente, colocou a mão na manga da camisa da pessoa que estava mais próxima de si e, para seu infortúnio, essa pessoa era o Contramestre. Sasuke a olhou rapidamente, não entendendo o gesto, e soltou-se, entretanto ela novamente puxou o tecido. Dessa vez, eles se encararam e viu Sakura mexer os lábios, indicando a salvação de todos.

“Neji”

Aquilo foi suficiente para voltar sua atenção para o local que a jovem mirava e nesse instante pode ver Neji aparecer por entre uma passagem secreta e golpear Hiashi por trás, que derrubou a arma no chão.

— Mas o quê...? Neji? – Hiashi indagou surpreso ao ver a figura do sobrinho ali na sua frente. – Está vivo?

Neji nunca pensou que alguém conseguisse, com uma única pergunta, tirá-lo do sério, mas Hyuuga Hiashi havia conseguido. Como ele podia ser tão cretino a ponto de lhe olhar daquela forma, como se não acreditasse que estava vivo? Como se estivesse vendo um fantasma? Sua morte era tão certa assim quando criança? Claro que era, afinal Hyuuga Hiashi havia mandado-o matar quando criança, da mesma forma como mandara matar os seus pais! E a lembrança da morte do progenitores fez Neji perder toda a racionalidade. Ele não ouvia mais as palavras que o tio proferia, ele apenas conseguia pensar em agredir o assassino dos pais.

— Miserável! – urrou enquanto socava o rosto do tio – Desgraçado! Filho da puta! – bradava enquanto acertava socos e chutes no corpo de Hiashi que nem ao menos tentava se proteger.

— Neji! – ouviu Hinata bradar, sabia que ela estava chorando, mas aqueas lágrimas não o comoveram. Ela também era responsável por tudo. Ela havia aceitado aquela farsa tanto quanto o tio. A mágoa que sentia era tão grande que era capaz de cegar-lhe sobre quem era o verdadeiro culpado.

Hinata não podia acreditar no que estava vendo. Seu pai estava sendo espancado por seu primo ali na frente e, mesmo que compreendesse os motivos de Neji, não podia permitir que seu pai fosse morto, ainda mais de forma tão brutal. Correu em direção ao primo que a jogou no chão, furioso, disposto a continuar atacando Hiashi, mas foi contido por Naruto, Sasuke e Gaara que o seguravam.

— Me soltem! Me soltem! – gritava – Esse desgraçado merece morrer! Ele matou os meus pais! Pretendia me matar! Assassino! Assassino! – a fúria o comandava e Sakura estava assustada com o que via, nunca imaginara ver Neji nesse estado. Olhou para Hinata aos prantos e mesmo que não quisesse se envolver, acabou indo até a morena, impedindo que ela fizesse mais alguma coisa e piorasse a situação.

— Neji, se acalme! Irá matá-lo! – Naruto bradou com dificuldades de conter o amigo. Nem parecia que havia sido mortalmente ferido há alguns dias, a fúria realmente tomara o corpo dele. – Se matá-lo, irão nos caçar!

— Pois que assim seja! – e quando estava prestes a bater no próprio Capitão, viu Tenten entrar no seu campo de visão, ficando na frente de Hiashi.

Olhou para a Mitashi a fim de mandá-la embora, quando observou que ela parecia chorar novamente. E aquilo o desarmou. Ela estava chorando, de novo. E de novo era por sua culpa.

— Neji, por favor... eu entendi... – Tenten falou baixinho, com a voz embargada, segurando o choro – Por favor, não faça isso...

Não acreditava que aquele que estava na sua frente era o Hyuuga Neji que conhecera há alguns anos. O pirata orgulhoso e inabalável que sempre estava a cercá-la. Ela sabia que ele era habilidoso, mas tão frio e impenetrável que parecia outra pessoa ali enquanto explodia e descontava sua ira em Hiashi. Ela nunca imaginaria que o próprio tio de Neji fosse o responsável por ele ser daquela forma. Mas depois daquela conversa breve e do que foi dito por Neji enquanto espancava o tio, algo que provavelmente ele nem deve ter percebido que fez, Tenten conseguia visualizar um pequeno Neji, assustado e sozinho, tendo que lidar com a morte dos pais, descobrindo como fora enganado, como seu tio, sua própria família, havia arquitetado tudo somente para ficar com a sua fortuna.

Neji era o herdeiro dos Hyuugas, afinal. Já que Hinata e Hanabi eram mulheres, nada ficaria com elas. Então não era difícil de compreender o motivo de Hiashi ter feito o que fez. Ele queria que suas filhas estivessem protegidas, queria o dinheiro e a fortuna tudo para si. Mesmo que tivesse que se livrar do sobrinho, do irmão e da cunhada. Sentiu as lágrimas caindo, agora entendia porque ele não gostava de estar ali, porque ele tratava Hinata daquela forma, e entendia que devia ter sido muito difícil para ele ter andar naquele castelo a sua procura, relembrando momentos de uma infância regada a sangue e tramoias, apenas para fazer com que ela o perdoasse. Mas mesmo sabendo que Hiashi mereceria uma morte como aquela, não queria que Neji fosse o responsável por isso, Hinata não era culpada, mas não sabia como ela poderia se comportar ou quem mais poderia querer vingar-se pela morte de um dos Lordes mais influentes de King’s Land.

O quanto a morte de alguém pode influenciar na vida de uma pessoa? Não sabia dizer, mas tinha certeza que aquilo não terminaria ali, Hinata ou Hanabi iriam perseguir Neji até elas o matarem ou até ele matá-las. Não. Aquele ciclo de ódio dentro da família Hyuuga devia parar. Mas para Neji se libertar do passado, ele devia esquecer Hiashi, devia se libertar do peso que carregava por conta do seu passado.

— Tenten... – e como se estivesse perdendo as forças, Neji parou de lutar contra os companheiros e observou Hiashi estático a encará-lo. O pirata não sabia dizer, mas algo no olhar dela sempre o acalmava.

— Ne-Neji... – balbuciou Hiashi fraco, o rosto inchado e coberto por sangue – Per-Per-dão... – disse fraco e o Hyuuga mais novo teve vontade de socá-lo mais uma vez, porém não teve oportunidade, já que o nobre desmaiou por conta dos ferimentos.

— Papai! – Hinata correu para socorrê-lo. Independente do que havia acontecido, ele ainda era o seu pai, afinal de contas.

E Neji apenas deixou que as coisas acontecessem. Viu Hinata pedir que Naruto e Sasuke levassem seu pai para um dos quartos, Gaara estava ao lado de Sakura que parecia confusa e um pouco assustada e ele soube que era por sua causa. A Grumete olhava para si como se não o reconhecesse e, mesmo que quisesse dizer que não se importava, aquele olhar assustado para consigo fez ele se sentir mal. Se tivesse continuado... o que aconteceria? Olhou as suas mãos sujas de sangue. Ele já havia matado antes, mas aquela era a primeira vez que pensou em tortura, que pensou em diversas maneiras sobre como poderia prolongar a vida de Hiashi apenas para vê-lo sofrer. E ele não se reconheceu.

Uma mão pequena cobriu a sua e olhou para Tenten que sorria minimamente para si. Era a primeira vez que ela sorria assim para ele.

— Você ainda é você, Neji. Ainda é o Neji que conheci, mas, ao mesmo tempo, é diferente. É mais forte e mais sábio e fico feliz que tenha conseguido superar isso – comentou baixinho e aquilo fez com que seus temores se afastassem imediatamente – Estou orgulhosa de você.

— Eu não superei... ainda sinto raiva e mágoa aqui dentro – comentou, envergonhado. Ele não havia mudado como ela falara.

— Mas você não deixou que essa raiva te dominasse e aos poucos vai saber lidar com ela, tenho certeza – sorriu para ele, para tranquilizá-lo e Neji só pode assentir, internamente feliz por ela acreditar em si.

— Espero que os outros também compreendam... – e Tenten compreendeu que ele se referia mais especificamente de Sakura e aquilo, por algum motivo, a incomodou um pouco.

— Gaara irá explicar as coisas para ela – e forçou-se a sorrir. Por que Neji tinha que estragar as coisas falando de outra mulher?

—*-

Já amanhecia quando tudo se acalmou. Hinata havia pedido a ajuda de Sakura e de Tenten para cuidar do pai, não queria chamar nenhum médico naquele momento, ou então poderia ser pior e a Guarda Real poderia aparecer a qualquer instante. Eles ainda tinham tempo até que alguém batesse no castelo, questionando o que havia acontecido no baile e ela teria tempo de pensar em alguma mentira. Mentiras... aquilo estava se tornando muito comum para ela.

Ela já havia checado Hanabi e agradeceu aos deuses pela menor ter ido dormir cedo e pelo quarto dela ser um dos mais afastados, então não viu a confusão que se sucedera. Viu Naruto irritado, no salão central do castelo, brigando com os outros piratas que não haviam aparecido para ajudar e viu que ele brigava para o vento já que os outros homens pareciam nem se importar, a não ser quando o loiro gritava e a cabeça dos subordinados doía, provavelmente estavam de ressaca. Suspirou e viu Sakura indicar que havia terminado de ajudar Tenten a preparar os unguentos, ela parecia carregar algum objeto, mas Sakura tratou de guardá-lo assim que a encontrou.

— Obrigada pela ajuda, Sakura – disse suspirando e a outra sorriu para si.

“Eu tenho que pedir desculpas, tudo isso só aconteceu por minha culpa!”

— Não... você não tem a ver com o passado da minha família – falou tristemente e em seguida viu Neji mais ao longe. Queria uma oportunidade para se aproximar do primo e explicar o que realmente aconteceu, mas duvidava que conseguiria aquilo no momento – Melhor irmos logo, não? – encerrou o assunto e a ex-sereia concordou.

Andaram até a praia. Seria ali que se separariam novamente. Neji havia pedido que Hinata não soubesse onde o Kurama estava e, mesmo que Naruto achasse aquilo bobagem, pois a moça havia os ajudado durante todos aqueles dias, respeitou a decisão dele, afinal o Hyuuga ainda estava muito abalado com tudo.

Hinata observou Naruto mais uma vez, agora mais calmo, na praia, ele estava perto dos outros tripulantes do Kurama à espera de Sakura. E ao vê-lo, Hinata corou ao recordar do beijo que trocaram. Voltou seu olhar para o castelo e temeu a sua sorte. O que enfrentaria a partir daquele momento? Cerrou os punhos com força e, pela primeira vez em sua vida, desejou poder fugir daquele lugar que sempre fora um lar para ela. Foi quando teve uma ideia.

Sakura até pensou em questionar a humana ao vê-la se afastar de si, mas sentiu-se estranha. Olhou para o mar e viu as ondas arrebentarem na praia, o sol ainda não havia nascido, mas já começava a despontar no horizonte. O que era aquilo que sentia?

— Naruto... – Hinata chamou suavemente o Capitão que logo voltou-se para ela.

— Nosso encontro foi breve, mas certamente memorável, senhorita – disse galante, iniciando as despedidas. Hinata corou, odiava o fato dele sempre brincar consigo, mas dessa vez talvez pudesse tirar algum proveito.

— Talvez... talvez não precise ser nosso último encontro – falou tão baixinho e estava tão envergonhada que Naruto, por um momento, duvidou do que escutara. Apenas as faces rosadas da moça denunciavam que ela realmente falava sério.

— Hinata, você... – ficou sem saber como completar a frase. Ela estava propondo serem... amantes? E não pode evitar o sorriso malicioso ao ter aquela ideia que lhe parecia agora tão... aprazível.

— Eu... quero dizer... você... o que eu quero é... – começou a hesitar, suava e gaguejava sem ter coragem de falar, e sem perceber o olhar do pirata ou compreender o que ele pensava. Mas ela recordou-se do que o futuro provavelmente reservava para si, e foi o suficiente para lhe dar forças e dizer de uma só vez, atraindo os olhares de todos os piratas para eles – Me leve com você!

Um silêncio tomou conta da praia. Sakura estava abismada pela ideia de Hinata, mas internamente ficara feliz ao pensar que não seria a única mulher dentro do navio. Ao mesmo tempo em que ficara preocupada, pois não conseguia ver a doce e gentil Hinata no meio daqueles humanos grosseiros e brutos. Sasuke, que permanecia mais atrás de Naruto, não acreditava no que ouvia e iria se manifestar contra, se Neji não tivesse sido mais rápido:

— Não! Não pode vir conosco! – decretou e a perolada se encolheu com as palavras duras.

— Não é por nada, senhorita Hinata – Kiba acotovelou o Hyuuga que grunhiu de dor. Os ferimentos haviam voltado a doer depois de tanto esforço – Mas já basta a má sorte da Sakura a bordo – tentou amenizar o clima.

Sakura bufou com o comentário e sentiu Gaara colocar o braço nos seus ombros.

— Ele tem razão. O posto de Grumete já está comprometido e duvido que a senhorita iria nos aturar por muito tempo – Gaara também respondeu, mesmo assim Hinata esperou a resposta do Capitão.

Naruto parecia refletir bem nas próximas palavras e por um momento Hinata teve esperanças que ele entendesse o que lhe aconteceria e que a ajudaria. Mas, claro, suas esperanças foram em vão ao ouvir o discurso do Uzumaki:

— Sinto, Hinata. Mas nós nunca daríamos certo. Sei que está apaixonada por mim, mas meu amor é o mar! – disse dramático e Hinata sentiu as bochechas queimarem, não de vergonha, mas de raiva. O que ele estava pensando? – O que não significa que não possamos nos divertir quando estiver em terra! – pegou em suas mãos e piscou um olho, charmoso.

— Ora, seu atrevido! – e em seguida desferiu um tapa no rosto bonito do pirata – Como ousa? Era pedir demais mesmo que você conseguisse compreender o que... – mas parou de falar ao sentir Tenten colocar a mão no seu ombro.

— Não se preocupe, senhorita. Eu lhe ajudarei – e sorriu para a jovem que, mesmo surpresa, sentiu-se aliviada com as palavras da criada, mesmo que não soubesse ainda o que ela planejava.

Neji, por outro lado, não gostou muito da frase de Tenten, mas não iria dizer nada. Não se importava com Hinata. Enquanto isso os outros tripulantes do Kurama apenas riam da cara do Capitão que ainda tentava entender o que fizera de errado.

— Quem diria que alguma mulher iria recusar Uzumaki Naruto! – Sasuke debochou.

— Capitão! Não esqueça que ele é o nosso honrável Capitão! – Gaara ajudou a completar a piada.

— Acho que me apaixonei! – Kiba disse, o que fez Naruto ficar ainda mais irritado e Hinata corar. Aqueles piratas não tinham modos!

Sakura suspirou ao ver que tudo parecia voltar ao normal. Os humanos eram bem complicados, brigavam, sentiam muitas coisas complexas, mas mesmo assim... era bom ver que eles conseguiam sempre se recuperar e voltar a sorrir. Sentiu um sentimento bom se espalhar dentro de si e sorriu.

— Que bom que tudo terminou bem... – comentou.

— Sim, que bom e... – Gaara parou de falar assombrado, assim como todos os outros que encaravam Sakura como se ela fosse um fantasma. A própria Sakura parecia surpresa com o que acabara de acontecer.

— Sakura? Você... – Sasuke tentou dizer algo, mas foi interrompido por um coro de vozes que se fez presente, questionando-a:

— ...Falou?

Realmente, aquela noite tinha sido repleta de surpresas!

Notas finais
Então, o que acharam? O nome do capítulo tem dois motivos: Um - pois aconteceram coisas importantes, o beijo e afastamento do Sasuke, a briga com Hiashi e todas as confusões envolvidas, terminando com uma Sakura falando! OMG! E dois - a palavra memorável vem de memória e nesse capítulo temos um pouco do passado do Neji, sim, só um pouco, pois vimos o que aconteceu da perspectiva dele, mas percebam as falas de Hiashi e que a Hinata também parece saber de algo a mais, uma pena que o Hyuuga não quer papo com ela... por enquanto, né? Afinal, Tenten vai ajudar Hinata. E se vocês estão se perguntando o que é essa "ajuda", só reflitam comigo... ela é uma jovem que foi encontrada em uma situação que exigia que o Naruto se casasse com ela, o que não foi feito, então toda a honra dela foi por água abaixo, provavelmente ela irá virar uma pária, alguém indigno de andar nos círculos sociais, homem nenhum irá querê-la depois disso, pelo menos não ali... mas eu estou adiantando as coisas e depois vocês poderão ver o que vai acontecer com a nossa Hinata. Sobre o beijo que terminou em briga... desculpa, gente! Mas era necessário e espero que vocês estejam conseguindo ligar algumas coisas que estou deixando no ar sobre o que vem por ai... pra mim pelo menos é claro kkkk Falando em final, quem diria que a Sakura voltaria a falar, né? Mas tava na hora, né? Resta saber se vocês entenderam o motivo dela recuperar a voz? Porque os tripulantes do Kurama não entenderam nada kkk No próximo capítulo teremos uma aparição da Bruxa do Mar e vamos ver no que vai dar agora que a Sakura vai estar mais "falante" XD Enfim, espero que tenham gostado e até a próxima! Beijos