The Maze Runner: Secret File
1 Prólogo
Ela se ajoelhou, envolvida pelo ar rançoso e pela escuridão fria.
Foi nesse momento que sua nova vida começou.
Um tremor repentino abalou o lugar que ela estava e o único som que se ouvia era o barulho de metal rangendo contra metal. O movimento súbito acabou a derrubando e ela engatinhou até o canto daquele local. Sentando-se no chão, a garota recolheu as pernas e as abraçou tremendo de medo e suando frio.
Esperou até que seus olhos se acostumassem com a escuridão e quando finalmente conseguiu, percebeu está presa em uma espécie de velho elevador num poço de mina.
Sons de correntes e polias ecoavam na estrutura do compartimento, o elevador sem luz ia para trás e para frente durante a subida, o que causou náuseas na menina; o cheiro de óleo queimando só piorava sua situação.
A vontade de chorar era muita, mas ela simplesmente não conseguia.
“Meu nome é Lisa”, pensou.
A única coisa que conseguia se lembrar era isso, seu primeiro nome.
Sua mente funcionava normalmente, afinal ela entendia onde estava e qual era a situação que se encontrava. Várias informações inundaram seus pensamentos, como a chuva, o sabor de ovos e bacons, o por do sol, as luzes da cidade e de pessoas caminhando em várias direções diferentes indo para seus empregos.
Mas o essencial ela não lembrava, como o motivo de ela está ali, num elevador, subindo sem parar. Tentou visualizar o rosto de seus pais, mas não conseguiu.
Todos os rostos que tentava lembrar pareciam possuir uma mancha fantasmagórica.
Lisa não se lembrava de absolutamente ninguém e de nada que fez durante a vida.
O elevador sacolejava sem parar, porém, a essa altura ela nem se importava mais. Tentou lembrar a quanto tempo estava ali, mas não obteve êxito, podiam ser minutos ou até mesmo horas.
O medo desapareceu no mesmo instante em que a velocidade do compartimento diminuiu até parar completamente.
Apesar de começar a ficar nervosa, a garota se levantou no completo silêncio e escuridão, e tratou de reconhecer melhor onde estava. Segurando a parede, ela tentou achar uma brecha onde pudesse abrir o cubículo e ir embora.
Como se fosse tão fácil assim.
Tentando gritar por ajuda, Lisa percebeu que não adiantava fazer nada a não ser esperar.
Sentando-se novamente onde estava antes, ela avistou uma forma diferente no lado oposto a ela. Engatinhando foi até o objeto e o pegou sem medo.
Uma faca.
Com cautela para não se cortar, colocou em seu bolso a arma e a guardou no bolso da calça jeans para caso precisasse se defender.
Um rangido estridente foi ouvido e Lisa sentiu um frêmito de preocupação no peito.
Uma linha reta de luz apareceu no teto e automaticamente a garota fechou os olhos por estar acostumada a escuridão. A linha de luz se alargou e um som pesado revelou duas portas de correr sendo abertas por alguém do outro lado.
Desviou seu olhar da abertura e com as mãos nos olhos aguardou com que se acostumassem com a claridade repentina.
— É uma menina?
O medo comprimiu o peito.
— Seu Cara de Mértila! É uma garota! Uma garota gostosa! – uma voz fina falou animada.
Com uma vontade imensa de sumir, Lisa voltou seu rosto para o som daquelas vozes.
Tinha vários, vários garotos olhando para ela, alguns mais jovens, outros mais velhos
Todos homens.
Ver vários rostos assim acabaram por confundi-la.
Eram todos adolescentes.
Parte de seus temores diminuíram.
Uma corda foi jogada e Lisa enfiou seu pé no laço na extremidade da corda e se segurou enquanto era içada para cima.
Mãos estenderam-se na sua direção, umas tentando a puxar, outras apenas confirmando se ela era de verdade e ainda haviam outras que pegaram em lugares do seu corpo a incomodando.
Ela sentiu como se o mundo girasse e uma chuva de emoções fez com que ela se contorcesse. Quando conseguiram a tirar dali e a colocaram de pé, o coro de voz cessou e apenas uma voz soou:
— Bem vida a sua nova vida de merda, Trolha. Bem vinda à Clareira.
***
Lisa se levantou se sentindo enjoada e sacudindo a poeira de suas roupas. Ainda atordoada com tudo, ela virou a cabeça de um lado para o outro tentando assimilar tudo.
Foi quando ela viu uma abertura.
A porta que a salvaria.
Estava em um vasto pátio bem maior do que qualquer campo de futebol, cercado por muros cinzentos enormes – cobertos por uma hera espessa – que formavam um quadrado perfeito ao redor de onde estava e no meio de cada parede havia uma abertura que até onde conseguia vê levava a corredores enormes.
Era sua oportunidade perfeita.
Era por ali que ela sairia.
Em um movimento rápido, a menina tirou a faca do bolso e apontou para um garoto loiro na sua frente.
Todos se olharam assustados e começaram a ri da garota.
— Escute... – um menino branco de cabelos pretos tentou falar.
— Escute você! – ela retrucou surpresa com o som da sua própria voz – Onde estou?
Obviamente ela não ia sair correndo sem saber de nada.
— Você está presa aqui, Novata! – uma voz manhosa disse.
Ela olhou na direção de quem falava e viu um garoto alto, loiro, com queixo quadrado e um nariz estranho.
— Onde estou? – repetiu apontando a faca para o menino que só sabia ri.
— Calma. – o loirinho que parecia até ser uma boa pessoa – Você está...
— Está presa aqui. – o garoto de nariz estranho interrompeu o outro.
Aquilo foi o suficiente.
Todos olhavam para ela atentamente quando ela se pôs a correr em direção a uma das aberturas daquele lugar.
Com a respiração desregulada, os músculos gritando de dor e o suor grudando sua roupa no corpo, ela correu o mais rápido que pôde.
Quando estava chegando bem perto da porta, seu coração deu uma batida a menos quando um garoto de feições asiáticas apareceu de maneira inesperada ao redor de um canto à frente, entrando na passagem principal de uma das saídas à direita dela e da Clareira.
O garoto a olhou confuso, mas ainda assim não diminuiu a velocidade.
Coberto de suor, com o rosto vermelho e com a camisa azul arregaçada até o braço deixando visível seus músculos, o tal asiático estava – ela não sabia porque – entrando naquele lugar, mas não ia a impedir de sair dali.
Lisa parou por um momento olhando para trás e viu que tinham uns garotos tentando a alcançar e gritando coisas sem nexo. Quando olhou para frente pronta para voltar a correr percebeu o asiático bem na sua frente.
— Sa-saia. – murmurou ofegante apontando a faca para ele.
Ele nem se mexeu.
— Saia, por favor. – soluçou deixando uma lágrima escapar – Preciso sair daqui.
— Você não vai querer sair. – o asiático disse a encarando fixamente e dando um passo a frente encostando-se na faca – Me mate, Fedelha. Vamos.
— Saia. – ela apertou um pouco, mas não a ponto de machucar, a faca em sua camisa colada no corpo devido ao suor.
— Você não que ir lá. – ele disse.
Percebendo que os seus captores já se aproximavam, ela perguntou:
— O que tem lá?
— Você não quer ir lá. – o menino repetiu – Ainda mais agora.
Sem outra alternativa, ela apertou a faca em sua mão e desferiu um golpe contra o braço do asiático.
Surpreso com a garota ele olhou para o ferimento e depois na direção dela, porém, a mesma tinha aproveitado o momento de distração para correr em direção aos muros.
— Idiota. – ele sussurrou e sem muito esforço se jogou em cima dela a protegendo de cometer suicídio.
Foi quando um estrondo alto elevou-se no ar, fazendo Lisa se encolher com o corpo do asiático em cima dela. O barulho foi seguido de um som áspero e arrastado. Ela começou a tentar tirar aquele garoto de cima dela. Os muros estavam se fechando, mesmo que ela não soubesse explicar como, e com eles sua única saída de sair dali ia embora.
— Saia de cima de mim. Me deixe ir! – ela gritou enquanto sentia o sangue do ferimento que tinha causado no garoto sujar seu braço.
— Você vai ficar exatamente aqui mocinha. – ele disse segurando os braços da Lisa.
Ela olhou para o lado e viu que sua faca não estava tão longe assim.
— Nem pense nisso. – o menino percebeu o que ela pensava.
Mas ela não conseguiu o ouvir direito. Lisa estava fascinada demais, assustada demais, abalada demais com os fechamentos da sua salvação.
Os muros desafiavam qualquer lei da física e o som – e o peso do garoto em cima dela – fez seu corpo tremer.
Sua chance de ir embora estava acabada.
Teria que ficar com aqueles garotos desconhecidos e o pior, não tinha mais sua faca para se defender.
Buscou observar as outras aberturas que tinha visto no local.
Todas estavam se fechando.
— Hey. – o garoto em cima dela chamou.
Seus olhos se encontraram.
O desespero de repente passou.
Lisa respirou fundo.
Naquele simples olhar ela conseguiu ler a alma daquele garoto, assim como ele leu a sua.
Algo estranho.
Algo inesperado.
Algo totalmente novo, mas que parecia antigo.
O menino viu o medo, a força, a inocência e a coragem dentro daquela garota esquisita. Já ela, viu bravura, pânico, determinação e receio estampado no rosto do asiático.
Foi como se eles já se conhecessem. E não só antes de chegarem sabe se lá onde estavam agora, mas sim desde sempre.
— Está tudo bem. – ele sussurrou assim que os muros se fecharam por completo cessando aquele barulho.
E ela acreditou.
De alguma forma soube que com ele ali, ficaria bem, talvez não completamente.
Mas bem, ela ficaria.
[...]
Notas finais
Espero sinceramente que gostem.
Beijos leitores. Amo vocês!
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