The Maze Game
1 Bem vindo à clareira.

O céu estava azul, a lua brilhava e iluminava os pontos mais escuros da clareira. Em um desse cantos negros, especificamente, atrás da árvore gigante e escondido pelo mato alto da qual não era cortado as semanas. Estava Matthew.
A cabeça apoiada em seus braços, os olhos azuis cravados no céu da mesma cor. Ele imaginava como seria o mundo por de trás do concreto que cercava a clareira e o labirinto. Como eram as pessoas? Como era sua família? Por que fora mandado para lá? O que diabos era Futebol?
Amanhã, completaria seu segundo mês na clareira, e, desde de sua chegada naquele lugar, uma palavra cercava sua cabeça: Futebol. Seria uma comida? Uma expressão? Um elogiou ou xingamento? E por que, de tantas coisas importantes se lembrava justo disso? Talvez fosse algo especial para Matthew. Um nome de alguém que gostava, algo pessoal de sua vida, mas o quê?
Uma cabeça ofuscou sua visão para o céu. Ela não parecia feliz. Seus olhos castanhos estavam prestes a engolir Matthew. Os fios dourados faziam cocegas nas bochechas do garoto. A fragrância de flores lhe enchia as narinas pelo banho tomado no lago nessa manhã.
— Quer que eu traga uma bebida, Senhor? — perguntou mudando a expressão para um sorriso divertido e de certo ângulo, encantador. Matthew pensava que se Kathryn não fosse enviada para aquele lugar, com certeza, faria algo importante só por sua beleza.
— Com gelo, por favor — brincou dando uma piscadela para a morena.
— Não tem nenhum trabalho para exercer pela clareira? Como ajudar Noah. O estúpido está a mais de meia hora tentando concertar uma mesa. — reclamou enquanto se confortava na terra fofa ao lado de Matthew.
— Queria tirar o resto do dia para descansar — suspirou — Pensar um pouco. Esclarecer algumas coisas em minha mente que está errado — Kathryn teve um olhar piedoso para o garoto. Ele não era o único a ter tantas dúvidas.
— Tudo está errado Matt — ela desviou o olhar para o campo florido — Essa é nossa realidade agora, o que podemos fazer? — perguntou enquanto sua cabeça vagava por diversos pensamentos. Um deles era o mundo fora dali.
Kathryn tinha algo especial, fora a primeira a chegar naquele lugar junto com Cody, mas não era simplesmente isso, ela lembrava coisas que demais não recordava. Entretanto não ajudava em nada, eram apenas imagens, imagens sem descrições algumas. E Quanto mais pensava nisso, sua dor de cabeça só aumentava.
— Uma realidade perdida. — lamentou-se.
— Como seriamos se fossemos simples jovens? O que pessoas da nossa idade fazem? — ele perguntou, imaginando como seria fazer o que quer que fosse futebol.
— Acho que curtição, seria a palavra ideal. Iriamos a festas, frequentaríamos a escola, seriamos rebeldes com os nossos pais e nós apaixonaríamos — ela sorriu para ninguém específico com a última palavra.
Se apaixonar devia ser algo especial. Kathryn, nem qualquer um daquele lugar sabia como era a sensação. Compreendia seu significado, mas não sabiam como era a sentir aquilo. E Ela era ciente que de alguma forma saberia quando estivesse apaixonada, só esperava sentir isso antes de ter um fim drástico.
— Kathryn — chamou, ela o olhou — Acha que um dia vamos sair daqui? — ele perguntou com uma esperança em seu peito.
— Para dizer a verdade, não sei. — respondeu.
— E se não seguimos as regras? Se pararmos de comer ou tentássemos nós matar? — Matthew pensou, com esperança, talvez desse certo. De alguma forma sabia que quem estava por trás de tudo, não o queria mortos.
— Não sei se eles iriam se importar tanto assim conosco — Kathryn respondeu chateada, trocando de posição para ficar frente-a-frente com Matthew — Todo mês chega alguém novo aqui. Não vão se importar se um sumir.
— Amanhã é o grande dia, os suprimentos, um novo clareano. A vida de mais um jovem arruinada. — refletiu, a morena concordou com a cabeça e abriu um sorriso com os lábios.
— Mais um garoto para infernizar nossas vidas — imaginou.
— Pode não ser um garoto — falou, voltando os olhos para a clareana.
— Não tenho muita certeza à respeito disso, eu e Clarissa chegamos nos dois primeiros meses, depois disso veio Noah, Martin, Theo, Pether e você. E tenho quase certeza não há nenhum vestígio feminino nesses cinco e nem em Cody.
— Por algum acaso, eles podem ter mudado de ideia e mandarem alguma nova líder para cá. — disse fazendo um gesto para a clareira. — Porque a nossa é péssima — Matthew fez uma careta, provocando risos em Kathryn.
— Posso te mandar para fazer um passeio no labirinto, sem comida nem água — ameaçou com os olhos semicerrados.
— Não teria coragem de enviar seu melhor amigo para aquele lugar — falou.
— Você tem razão — concordou.
Os dois riram como se fossem simples adolescentes conversando. Era uma sensação boa mas no fim sempre se lembravam dos muros altos que o cercavam ali dentro. Do labirinto que não levava à lugar algum e de como pararam lá.
Já estava ficando tarde. De acordo com o relógio de pulso de Kathryn — vindo junto com uma demanda de suprimentos — já passavam da meia-noite.
Os dois se recolheram para a casa de madeira de dois andares, era simples e pareceu ser construída às pressas. Quando Cody e Kathryn chegarão a clareira, ela já estava lá, com uma mesa e cadeiras ruins que quebravam com facilidade, mas com o tempo conseguiram aprimorar boa parte.
No começo foi difícil era só dois, entretanto tiveram sortes de chegarem juntos, era certeza que Kathryn estaria perdida se Cody não estivesse lá ao seu lado.
Em toda a casa haviam seis cômodos. O maior deles era a cozinha que se localizava no andar debaixo junto com uma espécie de mini-saguão de cinco metros de comprimento e as escadarias para o segundo andar onde tinha os quatro quartos.
Matthew dormia com Pether e Martin em um. As garotas ficavam logo ao lado, e os outros três na porta de frente.
Ele entrou em seu quarto com cuidado para não acorda os dois que dormiam em cada canto, enroscado em uma colcha fina. Matthew foi até o seu cantinho e se acomodou ali, encolhido pelas finas camadas lençóis. Nunca tiveram um dia de frio na clareira, então os pedaços de pano que tinham ali servia muito bem como coberta, era quase um luxo.
Matthew queria lembrar do conforto de uma cama de verdade. O chão de madeira da casa lhe trazia dores nas costas. Então ele se imaginava em uma cama enorme, relaxava e o sono vinha, era sempre isso que acontecia.
***
Os sete clarenos aguardavam impacientes em volta do local acimentado com duas portas de aço, aonde em instantes apareceria o nono integrante.
Matthew estava distante. Ao lado das portas do labirinto que ficavam ali, sempre abertas.
Não havia nada demais lá, apenas um labirinto. No primeiro mês, Kathryn e Cody exploraram uma parte do labirinto que nomearam de "sessão A", mas não chegaram a ultrapassar dali, no entanto, com a chegada de Theo, as coisas mudaram, e desde de então o garoto corajoso tem desbravado o labirinto.
Ele encontrou novas sessões, mas nada além disso. Era inútil continuar, só que o Theo era persistente e não desistia com facilidade. Matthew admirava-o por isso, queria ser assim.
Perto da caixa, Kathryn acenou para que ele se aproximasse. Matthew balançou a cabeça em recusa, a garota assentiu e deu um leve sorriso com os lábios.
Era a primeira remessa que chegaria desde de Matthew, ele não estava muito ansioso para reviver o momento em que saiu da caixa e viu pela primeira vez o rosto dourado de Kathryn.
Não demorou muito para os dois virarem amigos, mais que isso, melhores amigos, era como se estivessem ligados desde de sempre.
Então veio as sirenes que por toda a clareira soava aguda. O barulho ensurdecedor durou por alguns segundos até ser sucumbido pelo silêncio.
— E lá vamos nós de novo — ansiou Kathryn dando um passo a frente paras as portas de aço. Havia um tempo de dez minutos até o elevador chegar nas portas.
Clarissa estava calma e mantinha o olhar nas portas. Theo mudou o peso dos pés e passou a mão pelos cabelos escuros. Cody estava com os braços cruzados, logo atrás da líder. Os restos dos clareanos estavam sem expressão alguma.
Os minutos eram contados mentalmente pela cabeça de Kathryn.
— Dois, um, zero.
Algo atingiu o topo. Kathryn olhou para Cody, que deu um passo à frente e destrancou as portas de metais.
E lá estava, misturado com as demais caixas de madeira, com a cabeça entre pernas. Mas havia um problema, o garoto não tinha cabelos curtos como a maioria, tinha os cabelos longos e vermelhos, tinha curvas acetinadas e mãos delicadas, não era um garoto, era uma garota.
Os clareanos se entreolharam, Theo pulou na caixa, sendo o mais delicado possível pousou uma das mãos em seus braços, mas em compensação foi recebido com um chute forte no estomago. Ele vou e bateu as costas contra o amontoado de caixas.
— Uou! Parece que temos uma revoltada aqui — gritou para os jovens do lado de fora, forçando para não soltar um gemido de dor. A garota tinha força.
— Está tudo bem aí? — perguntou Kathryn.
— Não — gemeu Theo com a mão na barriga.
— Saiam daqui! — berrou a menina.
— Ei, só queremos ajudar — Kathryn disse pulando para dentro da caixa constituída de metal.
— Eu não quero ajuda de ninguém. Me deixem aqui para que essa porcaria me leve de volta! — pediu, levantando a cabeça para encarar a líder — Kathryn.
O rosto estava limpo, os olhos verdes pareciam brilhar com luminosidade, os cabelos claros eram lisos e se cacheavam nas pontas, parecia ter sido hidratado horas antes. Os lábios tinha uma leve coloração rosada. A garota parecia uma boneca recém-lavada, o que estaria fazendo ali?
— Como sabe meu nome? — perguntou a morena confusa, ninguém nem ao mesmo lembrava de seu nome no primeiro minuto, como sabia o de alguém da clareira?
— Todos sabem — falou com obviedade.
— Todos? — Kathryn olhou para trás buscando a cabeça de Matthew, que não estava lá.
— Quem são todos? — questionou Theo se aproximando com cuidado para não receber outra patada.
— Os Estados Unidos, a América, o Mundo. Interpretem como quiser — disse irritada pela ignorância dos garotos da clareira.
— O mundo — repetiu Kathryn — O que isso significa? — a menina olhou com tédio os dois garotos, e se pôs de pé com um pulo.
Ela avançou passando pela morena que olhava-a sem expressão, retirou uma caixa e subiu por cima de outra apontando para um buraco imperceptível na parede do elevador. Lá dentro um pequeno visor e uma luz vermelha piscava.
— Está vendo isso? — se referiu ao buraco — É uma câmera — Os garotos que se aproximavam para ouvir o discurso da novata, boquiabertos — É pois é, surpreendedor! Meu deus, como nunca percebemos isso? — fez drama — Essa pequena porcaria está gravando todas as suas reações pela minha chegada, não só aqui mas em todo esse ambiente detestável, vocês estão sendo observados por milhares de pessoas que se divertem com o Theo tentando descobrir uma saída inexistente no labirinto ou o romance às "escondidas" entre Matthew e Kathryn. Vocês estão sendo transmitidos ao vivos! — revelou trazendo um choque à todos ali.
Ninguém discordou, nem falou, só silêncio se manifestou.
— Isso não é p-possível — gaguejou a líder.
— É, é possível.
— Então, sabe o motivo de estarmos aqui? — perguntou Theo esperançoso.
— Ah, claro. Um milhão de dólares, é um bom motivo? — perguntou com os olhos esmeraldas cravados em Theo.
— O que essa garota quer dizer? — cochichou no ouvido de Theo.
Ela só podia estar pirando. O que era dolares? E se estavam sendo observados por tanto tempo, como nunca viram uma câmera? E afinal, como aquela menina sabia tanto sobre o exterior da clareira?
A garota chutou uma parede de metal, chamando a atenção para ela.
— Vamos! Me tirem daqui! — gritou para ninguém específico — Vocês precisam sair! Não vão me levar com os dois aqui dentro!
— Não há como voltar — explicou Kathryn — Já tentamos quando Clarissa chegou, ele não desce conosco.
— Mas agora sou eu! Eles tem que me tirar daqui! — berrou para a câmera.
Kathryn assentiu e tomou postura, precisa fazer algo à respeito, continuava sendo a líder e apesar da enxurrada de informações tinha que tomar providencias sobre a garota.
Pelo rosto, a novata parecia ter menos de dezessete anos, sendo essas as possibilidades, era a mais nova da clareira, entretanto era a mais corajosa. Todos que chegaram aquele lugar, choravam ou se isolavam do resto, mas lá estava ela, gritando com uma câmera para tirarem dali.
— Você não é especial mais do que ninguém aqui — disse Kathryn, a líder pareceu pensar e deu um passo à frente — Noah e Pether levem os suprimentos para a casa. E Martin e Theo levem a garota para o isolamento — ordenou — Chamem Matthew, vão precisar de muita ajuda para retira-lá daqui.
— Eu não vou tocar nessa garota para levar outro chute — reclamou Theo.
— É uma ordem — ordenou — E Se apressem! Pois essa noite teremos um interrogatório. No pódio.
Fale com o autor