The Magic In me

20 Parabéns A Você


Por fim, Sábado chegara e com ele trazia a festa de anos de Camille, Sam dirigia-se á casa onde a alcateia de Luka vivia seguindo as indicações relativas a localização da mesma que ele lhe dera na noite anterior.

Depois de uma semana em que nada fez a não ser dedicar-se aos estudos de magia, a aperfeiçoar os seus poderes, uma festa ia de certo saber bem, embora na mente de Sam pairasse a duvida se poderia sentir-se bem numa festa maioritariamente frequentada por lobisomens que nunca conhecera e não sabia se teria algo em comum com algum deles.

Por fim chegando ao seu destino, Sam observou a gigante casa de estilo antigo, situada bem ao fim de uma estrada, rodeada de bosques de ambos os lados. Pensou então como tudo por ali lhe parecia parte de um clube secreto, todas as casas, o laboratório do professor se encontravam em sítios remotos, o que fazia de certo modo todo o sentido, tendo em conta que o comum dos mortais não sabia daquele mundo, o mundo secreto do sobrenatural, o clube secreto que agora a acolhia sem sequer ela ter de se “candidatar”.

Afastando, por fim estes pensamentos, bateu na pesada porta de madeira, passaram-se apenas alguns segundos até que esta se abrisse

:- Olá! – uma mulher alta, de longos cabelos loiros sorriu-lhe – entra!

:- Olá…Sam…

:- Oh, tu és a Sam! Muito prazer! A Camille quer muito ver-te – sorriu de novo – ou onde estão as minhas maneiras? Eu sou a Charlotte, mas por favor chama-se Charlie! – Continuou, fazendo Sam detectar um sotaque Britânico

:- Prazer em conhece-la, Charlie.

:- Oh por favor! Trata-me por tu, não sou assim tão velha! – Charlie riu guiando Sam até a cozinha, havia pela casa várias pessoas que ela nunca tinha visto na vida, se aquela gente era toda da alcateia de Luka, então com certeza novos membros não faziam falta.

:- Olá Sam, vejo que já conheces-te a Charlie – Marcus apareceu por trás da bancada da cozinha, segurando um copo vermelho de papel na mão e sorrindo-lhe

:- Oi, Marcus, é, parece que sim

:- Bom, diverte-te – piscou-lhe o olho e desapareceu no corredor que dava acesso ás traseiras da casa

:- Queres beber algo? – Charlie perguntou fazendo-a por fim desviar o olhar de Marcus, havia algo nele, uma certa... aura sensual. Mas ela queria afastar esse pensamento, embora charmoso, ele era um homem bastante mais velho…

:- Huh, porque não?

:- Cerveja?

:- Pode ser – Sam acenou e a loira andou até ao frigorífico, retirando duas latas de cerveja e entregando-lhe uma

:- Obrigada. Ei, sabes do Luka?

:- A última vez que o vi estava lá atrás no quintal – disse fazendo sinal com a cabeça para o corredor por onde Marcus tinha desaparecido momentos antes

:- Importas-te que vá dizer-lhe que cheguei?

:- Claro que não! Vai lá – Charlotte sorriu-lhe e Sam abandonou a cozinha.

Saindo da porta, a feiticeira viu Luka sentado nas escadas do pequeno alpendre

:- Oi bonitão – brincou sentando-se do seu lado

:- Bonitão? – Luka perguntou de sobrancelha erguida, era a primeira vez que a ouvira dizer aquilo, não que se importasse, de modo algum, mas até ali, Sam sempre se mostrara séria e não muito disposta a entrar nesse tipo de brincadeiras com ele – quer dizer, não é que seja mentira ou que eu nunca tenha ouvido antes mas…vindo de ti…

:- Apeteceu-me – encolheu os ombros, brindando-o com o sorriso breve – que fazes aqui sozinho? Pensei que esta altura já estivesses nos amassos com uma boazona qualquer – ele riu

:- Hoje estou de folga – encolheu os ombros

:- Folga? Uau! Será que finalmente consegui por algum juízo nessa cabeça oca, e fazer com que começasses a pensar com a cabeça de cima? – provocou tocando com o dedo acima da testa dele

:- Acho que vai levar algum tempo até que isso aconteça, desculpa, Coração – Riu e encolheu de novo os ombros, depois não sendo capaz de conter um suspirou acrescentou – Tem acontecido tanto nos últimos tempos, achei que seria melhor focar me noutras coisas por agora, ainda assim…

:- Não és do tipo de relações, eu sei. Só quis ter a certeza se estavas bem – Ela interrompeu “adivinhando” o seu argumento, já o conhecia o suficiente para poder faze-lo

:- Estou óptimo – sorriu-lhe revelando os seus dentes brancos e perfeitos – e tu? Não falaste sobre Mila desde que aconteceu…

:- Eu? Tenho saudades dela – Sam retirou o colar de Mila do bolço dos jeans – eu conhecia-a desde os seis anos! Brincamos juntas, lutamos pelos nossos sonhos juntas. Mila tinha muitos… é pena que agora ela não possa cumprir nenhum deles… se ao menos eu a tivesse avisado do que estava acontecer…talvez ela ainda estivesse aqui!

:- Sam… não é tua culpa, nada do que aconteceu é tua culpa! Mesmo que ela tivesse a par, Declan é um vampiro, se ele quisesse fazer-lhe mal, ele conseguiria com a mesma eficácia quer ela soubesse sobre a Lana ou não, então não te culpes, princesa, não havia nada que pudesses ter feito! – sorriu de novo, desta vez de forma carinhosa, pegando a mão dela

:- Não me culpo! Eu só gostaria de voltar atrás e fazer as coisas de maneira diferente só isso… – Luka abanou a cabeça positivamente, mostrando o que entendia o que ela queria dizer, ele próprio já tinha passado por esse sentimento muitas vezes, em especial quando Keira morrera… talvez se tivesse tido mais cuidado, se tivesse ficado com ela naquela noite, talvez ela não tivesse conseguido escapar e ele hoje seria um homem diferente…muito, muito diferente, suspirou afastando o pensamento que lhe causava um aperto no peito e pousou o braço nos ombros de Sam, puxando-a para junto de si.

:- Então é isso, huh? Não posso deixar-te uns minutos sozinho que arranjas logo alguém para te atrelar?! – Uma rapariga, loira da cabelos aos caracóis disse descendo as escadas e parando na frente deles – Oi, eu sou a Izzie , não sei quem és mas deixa-me que te diga, o Luka é um homem-pega, então se estás espera de mais do que uma queca… esquece, ele não está nem aí para relações, ele é um bom tipo e tem um coração de ouro mas se esperas mais do que uma noite de diversão, então esquece estás a perder o teu tempo… pensei apenas avisar-te – Izzie sorriu abertamente a Luka, numa expressão divertida e com uma ponta de provocação

:- Okay… — Sam disse confusa – Eu sou a Sam, e acredita que sei isso tudo! – riu – ele pode ser…um bonitão mas eu nunca cairia na cantiga de um playboy como ele

:- Espera…tu és a Sam, A Sam?

:- Acho que pode dizer-se que sim…. – riu levantando-se e estendendo a mão á outra

:- Desculpa! É só que…bem nós sabemos como ele é e eu adoro estragar-lhe os arranjinhos! – Lizzie riu – Prazer em finalmente conhecer-te! Sou a Izzie

:- Igualmente – Sam sorriu educadamente, acenando com a cabeça

:- Ei meninas … ainda estou aqui! – Luka protestou meio ofendido levantando-se também — Que vou fazer contigo, Izzie?

:- Quando começares a tratar as mulheres como pessoas e não pedaços de carne então eu deixou-te em paz – respondeu pondo a língua de fora qual menina irreverente de cinco anos

:- Eu já te disse que não faço disso, quando levo alguém para a cama, ela sabe exactamente no que está a meter…, nunca faço promessas, e sempre explico as minhas intenções, se podes disso elas quiserem ir, estão a vontade!

:- Ainda assim não aprovo…

:- Eu gosto dela – Sam riu

:- Obrigada. Agora vamos a Camille está a tua procura! – Izzie disse dando o braço á feiticeira e as duas começaram a entrar de novo na casa

:- Ei, esperem por mim! – Luka queixou-se apressando-se para segui-las.

:- Sam! – Camille sorriu abertamente abraçando a jovem – Que bom ver-te!

:- Parabéns!

:- Obrigada, querida, agora anda – Camille deu-lhe a mão e levou-a ao centro da enorme sala de estar, havia uma lareira no fundo da mesma, encostada a parede de trás, na frente havia um grande sofá vermelho escuro e uma mesa de café feita de vidro – Marcus se um amor e chama todos – pediu ela sorrindo ao Alfa , levantando-se do sofá, Marcus soltou um uivo ruidoso e poucos segundos depois a sala enchia-se com os seus seguidores, para Sam aquilo parecia meio estranho, não era bem assim que os humanos socializavam, que se chamavam uns aos outros, mas ela tinha de admitir que de facto era eficaz.

:- Muito obrigada – Camille sorriu a Marcus, parecia de facto uma senhora para quem as boas maneiras eram importantes. – Meus amigos, quero que conheçam a Sam, como todos já devem saber, ela é a protegida de Luka, a escolhida pela Kaya para ganhar os seus poderes. Sam e os seus amigos, todos eles pequenos, grandes heróis, incluindo, Luka, a quem vejo como um filho – olhou Luka brevemente sorrindo-lhe de forma calorosa, maternal – tem feito o máximo para nos manter a nos e aos outros seres, humanos ou não em, segurança. A luta ainda nem começou, não a sério e eles já tem passado por muito. Então eu quero pedir a todos vós que aceitem Sam na nossa alcateia, pois ela é bem valioso nestes tempos de trevas, sem ela, será muito difícil vencer Lana. Por isso vos peço, tratem-na bem, recebam-na de braços abertos na nossa comunidade, pois embora ela não seja um lobisomem, ela é sem dúvida uma de nós! – Camille disse com o braço por cima dos ombros de Sam, naquele momento, a jovem nem sabia o que sentir, mal conhecia a mulher e podia contar pelos dedos as pessoas cujo nome sabia presentes naquela sala, no entanto ali estavam eles a acolhe-la como se fosse um deles, a mostra-lhe carinho e disponibilidade, era quase como se um calor se apoderasse do seu coração, o tipo de emoção que já não sentia desde que tudo aquilo começara. Não demorou muito até que os membros da alcateia aplaudissem alegremente em aprovação.

:- Uau! Muito obrigada, Camille! – Sam abraçou-a mais uma vez, sendo essa a única reacção que conseguiu ter naquele momento – Isso é muito querido da tua parte mas eu nem sei se mereço, quer dizer, eu nem sei ainda usar totalmente os meus poderes!

:- Um dia tu saberás, minha querida – Camille disse quebrando o abraço e acariciando o rosto da feiticeira – E nós temos fé em ti, estamos aqui para ajudar no que for preciso!

:- Obrigada, de novo, eu vou tentar não vos desiludir!

:- Eu sei. Agora vai-lá e diverte-te! Muitos de nós com certeza querem dar-te as boas vindas – piscando-lhe o olho, Camille afastou-se.

:- A Camille é uma querida – Izzie comentou, sorrindo e aproximando-se de Sam — tiveste sorte, quando um membro novo se junta a nós ela faz questão de dar uma festa em sua honra, com direito a vestidos de gala, apresentação formal, jantar e tudo mais!

:- Ainda me lembro da festa em honra da Izzie, ela era apenas uma coisinha pequenina de catorze anos, arisca e assustadiça quando chegou a nós – Luka riu, andando até ao meio das duas e colocando um braço por cima de o ombro de cada uma delas

:- Ainda sou arisca o suficiente para te dar uma carga de porrada! – Izzie ameaçou elevando um dos punhos no ar

:- Por muito que gostasse de te ver tentar, agora não é o melhor momento! — Riu

:- Então espera…ela é para aí da minha idade, certo? – Sam perguntou

:- Não sei, eu tenho 18 anos

:- Oh, és um ano mais nova…vocês…?

:- Ew! Não! O Luka é como o meu irmão mais velho, acho que acabei de vomitar um pouco com esse pensamento…

:- Desculpa… — Sam não pode evitar uma risada

Subitamente a porta da frente abriu-se e Jesse entrou correndo, o curtos cabelos castanhos-claros, colavam-se na testa, mostrando a urgência com que se deslocara até ali, ofegava um pouco e olhou á volta reparando que alguns lobisomens pararam, olhando-o e outros começaram imediatamente a rosnar, apercebendo-se da presença do caçador, Sam correu parando na frente dele de forma protetora

:- Clama! – Levantou uma mão, esperando que os lobos raivosos a ouvissem – ele está connosco! Luka diz-lhe! – Exigiu

:- Tenho mesmo? – Rolou os olhos – Sim, guardem as garras, o caçador está do nosso lado!

Ouvindo Luka os lobisomens ao redor deles relaxaram, ainda assim mantendo o olhar no intruso.

:- Que fazes aqui, meu? Caçador entra na casa de uma alcateia…, tens um desejo de morte? – Luka perguntou

:- Não tenho é tempo a perder! Ouçam bem! Vocês, tem de sair daqui o mais rápido possível! O nosso homem do outro lado acabou de me informar que o exército de Lana se dirige para aqui, ela sabe que vocês são a alcateia do Guardião e não vai parar enquanto não estiverem todos mortos! Não sei ao certo quantos ou que seres estão a vir, mas se não evacuarem muitos de vocês serão mortos! – Ele quase “tropeçou” em metade das palavras, falando rapidamente, mostrando que não havia tempo a perder, o borburinho fez-se ouvir, muitos do presentes comentavam, perguntava-se o que fazer, outros preparavam-se para abandonar a sala, seguindo a sugestão do caçador, embora não fosse alguém a quem estavam acostumados a ouvir, parecia fazer muito sentido naquele momento.

Marcus irrompeu pela sala

:- Calados! – Gritou parando do lado do Jesse – Não vamos fugir! Ninguém vem a minha casa, no aniversário de uma das nossas mais queridas amigas para nos matar e nós metemos o rabo entre as pernas e fugimos! Esta é a nossa casa, esta é a nossa alcateia, e nós vamos lutar por ambas! Somos lobisomens. Não cãezinhos de colo, então esta na hora de parar de perseguir bolas de ténis pelo quintal e enfrentar a besta dentro de nós! Se Lana e os seguidores querem guerra, então é guerra que lhes vamos dar! – Uivou e os outros seguiram a sua deixa abandonando por completo a ideia de fugir, pois quando o alfa diz saltem, eles perguntam de que altura, é assim quem uma boa alcateia funciona.

Segundos depois, todos eles assumiam a forma metade lobo-metade humana.

:- Jesse, leva-a daqui! – Luka puxou Sam pelo braço

:- Okay, vamos – Jesse agarrou o braço dela, fazendo pela primeira vez algo que o outro lhe pedira sem protestar, mas Sam livrou-se dele facilmente

:- Oh não, tu ouviste a Camille! Eu sou uma de vocês, parte da alcateia! – Esticou os braços para baixo ‘evocando’ os seus poderes – se vocês lutam, eu luto e não há nada que possas fazer para que eu mude de ideias!

:- Tens a certeza que estás pronta, coração? – Luka perguntou, olhando preocupado e receoso

:- Nope. Mas terei em breve…

Luka acenou, talvez ela não estivesse pronta, de facto, mas sabia que não valia de nada insistir com ela, também sabia que não havia treino melhor do que a prática, no entanto rezou para não se arrepender da sua decisão, se Sam se magoasse a sério, ele seria o responsável, não só por ela mas por os milhares de humanos e seres do bem a quem isso poderia provocar a morte. Começou a seguir os membros da sua alcateia para rua, Jesse largou o saco preto que trazia ao ombro, pegando algumas setas e a sua besta

:- Vamos a isso – com aceno de cabeça os dois saíram da casa.

Lá fora, bem em frente á entrada, Lobisomens, feiticeira e humano tornavam-se num só, prontos a luta contra um inimigo comum.