The Magic In me
23 O Plano
:- Mas tu perdeste completamente a cabeça?! – Julian perguntou, Não queria acreditar no que tinha acabado de ouvir! Como era possível que ela estivesse mesmo a sugerir aquilo, ainda que a ideia partisse da própria Kaya, era um absurdo, um absurdo demasiado arriscado, absurdo esse que ele não queria sequer considerar como uma hipótese naquele momento – Sabes que alterar o passado…
:- Pode levar a consequências imprevisíveis, eu sei! :- Ainda assim pensas em seguir em frente com esta ideia idiota? :- Pense, se eu voltar atrás e conseguir impedir a Deliah de passar os seus poderes para o livro, nada disto acontecerá! Eu não terei poderes, a Mila não morrerá, você não estará a morrer, a Izzie estará a salvo… :- Correcto, mas vale a pena o risco? Nunca se pode prever o que mudar um evento tão significativo irá resultar! :- Eu sei isso, eu sei tudo isso! – replicou impaciente , pondo-se a andar de um lado para o outro em frente aos três homens que a observavam – mas é melhor do quer a alternativa, certo? Okay, se eu mudar a historia, é muito provável que não continuemos a ser amigos, é muito provável que eu não conheça Luka ou Jesse… Mas é um pequeno sacrifício a fazer para o bem da humanidade! :- A Sam tem razão – Luka disse, por fim dando um passo em frente – Ela pode resolver toda a esta confusão e todos nós poderemos ser livres! :- Sim, mas a que custo? :- Isso só se saberá quando fizermos o feitiço :- Eu sei porque estás a tomar partido do lado dela, isso salvará a Izzie. Luka, as coisas acontecem porque tem de acontecer, não podemos alterar tudo aquilo que não gostamos :- Não vamos alterar tudo, apenas uma pequena parte! – Sam protestou e olhou Jesse – Que achas? :- Não sei se a minha opinião vale de algo… :- Tens razão. Não vale, ninguém quer saber – Luka cruzou os braços ao peito fazendo Sam rolar os olhos :- Mas – Jesse continuou ignorando o outro – Estar aqui, do vosso lado deu uma razão,umsentido especial á minha missão, eu sinto que tenho um objectivo real ao lutar com vocês. No entanto, eu sou um caçador, eu tenho de pensar e fazer aquilo que é melhor para o bem daqueles que jurei proteger e não só por mim mesmo… Então eu acho que vale a pena tentar :- Eu sabia que podíamos contar contigo, Sr.Cliché! – Luka colocou o braço por cima dos ombros do outro que o olhou irritado :- Pensei que a minha opinião não te valesse de nada – disse empurrando-lhe o braço e afastando-se :- Quando é para concordar connosco, até que pode valer! : — Pois bem, — Julian acenou – três contra um, parece que estou um minoria. Como pensam recuperar o livro? – não havia muito mais a fazer, por muito que ainda achasse aquilo um absurdo, um risco enorme que nem sequer queria tentar correr, já tinha argumentado tudo o que havia para argumentar e sabia que dos quatro só ele conseguiria realizar o feitiço eficazmente, e pior do que arriscar alterar o passado, era arriscar que amadores fizessem um ritual tão perigoso e provocassem um rasgo no tempo, sem querer. :- Não tem fazer isto se não quiser – Sam sorriu-lhe levemente :- Não, não tenho mas vou fazê-lo, tenho certeza que vocês três não seriam capazes de realizar o feitiço de forma bem sucedida sem mim. Se vamos arriscar então vais vale jogar pelo seguro... Qual é o plano? :- Precisamos do Declan. ***************************************************** O bar antigo perto da estada estava a abandonado, havia muito tempo que Lana não via ninguém por ali, lembrou-se de quando ela e as suas amigas por lá passavam a caminho da banca de cachorros quentes que havia lá mais ao fundo da rua, normalmente havia algumas motos grandes estacionadas a porta, concluíram portanto, um dia, que se tratava de um bar de motards. Comer cachorros quentes tornara-se num ritual para as três amigas quando alguma delas tinha tido um dia mau, na verdade Lana não gostava lá muito daquela comida gordurenta que a fazia temer tornar-se duas vezes o seu tamanho só de dar uma dentada, mas tornara-se reconfortante de alguma forma, como aqueles bebés que andam sempre com um cobertor atrás. Nada daquilo agora importava, ela não era mais Lana, ela era Deliah, e gostava que todas aquelas memórias de adolescente chata saíssem de vez da sua cabeça! Não estava fácil apagar de vez aquela humana da existência. Principalmente porque todos a continuavam a tratar por aquele nome, Lana… ela não era mais a Lana… Abrindo ambos os braços e formando um rajada de vento, ela fez as portas duplas do bar escancararem-se para que tanto ela como o seu grupo pudessem entrar e fazer daquele sitio a sua “base secreta”. Estava um pouco sujo e empoeirado, constatou olhando a volta uma vez lá dentro. :- Não entendo porque estamos a celebrar – Declan queixou-se enquanto a seguia :- Desculpa? :- Não ganhamos nada! Marih está morta assim como muitos dos nossos! :- Quem se importa com a Marih? – Lana riu – eu disse vos que o guardião é mais forte do que parece, ela não devia tê-lo atacado sozinha
:- Okay… Ainda assim continuamos sem ganhar nada. :- Matamos mais do que os nossos que foram mortos, eu conto isso como uma vitória – Virou-se para ele, fazendo os caracóis loiros esvoaçarem a sua volta e brindando-o com um sorriso, um sorriso que se Declan não a conhecesse categorizaria com doce :- Certo… – virou as costas para se afastar mas ouvindo de novo a voz dela, parou :- Há algo que me está a fazer confusão – olhou-a – Como eles sabiam que nós estávamos a chegar? Porque estavam á nossa espera, eles sabiam que íamos a caminho :- Não sei… talvez haja um espião entre nós… :- Tenho certeza disso, todos meus planos até agora tem falhado, todos – parou apenas centímetros á sua frente – A bomba, o professor…tudo deu errado, parece que Os Vingadores Da Sam estão sempre um passo á nossa frente, isso faz uma pessoa pensar – retirou uma estaca do bolso de trás das calças – Pensar que há um traidor entre nós e isso é algo que não aprecio nem um pouco :- Tratarei de encontrar quem quer que seja – acenou :- Não tens de o fazer – aproximou-se mais – eu já o encontrei – Declan olhou-a, não querendo revelar-se, não querendo acabar com o seu disfarce assim, mas estava com medo, muito medo, sabia que bastava ela estalar os dedos ele viraria pó em menos de um segundo, e sabia também que ela não precisava daquela estaca para tal, se o seu coração ainda batesse estaria agora a mil á hora. Sem uma palavra e sem sequer olhar, Lana atirou a estaca fazendo com que ela se espetasse no coração de um vampiro que jogava bilhar com outros dos seus aliados, no outro lado do bar, ele explodiu em cinzas em segundos :- Dimitri? Como descobriste? –sentia-se confuso e ao mesmo tempo aliviado, mas Dimitri era burro demais para elaborar planos de traição, bastava o facto de estar aliado a Lana para provar isso : — Não descobri, mas eu quero que saibam – virou-se para os restantes, subindo para cima do bar , para todos a pudessem ver, para que a pudessem temer e sentir como era majestosa, ali no topo observando-os. Ela iria ser rainha, assim que todos os humanos estivessem mortos e todos os seres de luz igualmente aniquilados ou escravizados, ela iria governar o mundo das trevas e isso quase a fazia salivar de antecipação – embora eu esteja agradecida por estarem do meu lado, por lutarem comigo, eu não admito traidores, e eu não tenho qualquer problema em reduzir a cinzas quem quer que seja que se atreva enganar-me! – declarou fitando Declan com um sorriso ameaçador. ***************************************************** Na noite seguinte, Sam encontrava-se com Jesse no bosque por de trás da universidade, ele ensinava-lhe alguns truques, tal como lhe pedira, queria aprender a lutar. Não tinha contado ao Luka, no entanto, ela sabia que isso só iria ferir o ego do lobisomem :- Então falas-te com ele? – Perguntou desviando-se de um murro do calçador :- Vai encontrar-se aqui connosco – este acenou, agarrando o braço dela sem dificuldade e torcendo-o atrás das costas, encostou-a contra a árvore :- Fixe – Sam acenou, arfando um pouco, sentindo-se cansada, com as energias em baixo – Podemos fazer uma pausa? :- Claro – libertou-a sentando-se no chão e ela seguiu o seu exemplo :- Posso perguntar algo? :- Sim… :- Como foi que te tornas-te caçador? :- Ah, isso – acenou sorrindo um pouco – estava admirado ainda não ter vindo a baila, é meio uma longa história mas – Disse um pouco sem jeito e então começou — Quando era pequeno os meus pais trabalhavam muito, a minha mãe era médica e o meu pai advogado, mal tinham tempo para mim, passei muito tempo com babysiters. Um deles era um vizinho nosso, ele não passava muito tempo em casa, ficava longe por longos períodos, mas quando estava presente, sempre fazia questão de passar o dia comigo. Ele contou-me muitas histórias, de como derrotava monstros, vampiros, fantasmas… como é óbvio e embora fosse crianças na altura, eu achei que estava a mentir, a inventar para me impressionar. Um dia, muito mais tarde, eu soube que ele morreu. Não tinha família então deixou a velha casa e as coisas dele para mim, um monte de tralha inútil e… um diário, com relatos de todos os monstros que matou, anotações etc. A principio pensei que ele fosse doido, mas depois da sua morte, depois de ter lido todas as suas anotações, diários que eu pensava não passarem de desvaneios de um homem cujo tempo e a solidão tinha enlouquecido, comecei a reparar que muitos dos casos que eu lidava realmente pareciam estranhos. Corpos drenados de todo o sangue, pessoas despedaçadas por animais… :- Espera! Casos? Estás a falar de que? :- Oh… certo, eu era policia. :- A sério? :- Detective Carter, para ser exacto – encolheu os ombros – Seja como for, quando eu entendi que Ilya realmente estava a falar verdade, eu tive de fazer algo, então comecei também com a ajuda do diário dele a caçar as criaturas e bom… agora aqui estou eu :- Deixaste a polícia? – Ele levantou-se acenando :- É fácil caçar assassinos humanos, já aqueles que os meros mortais nem sequer conhecem, — pegou uma faca que tinha escondida da bota e atirou-a na direcção da escuridão – Isso é bem mais difícil :- É assim que me recebem? – Declan perguntou retirando a faca de Jesse que lhe perfurava o ombro :- És um vampiro, pensei que farias menos barulho — encolheu os ombros recebendo o objecto do vampiro. :- Bom… de que precisam? Não tenho muito tempo, Lana está desconfiada, tenho a certeza que ela vai chegar a mim em breve :- Ui, então vais odiar o que temos para te pedir – Sam disse levantando-se e andando até ele :- Desembucha :- O livro. :- O livro? :- O que a Lana roubou do Julian, precisamos dele urgentemente :- Ficaram doidos? A Lana guarda aquele livro quase com a própria vida! Porque o querem? :- Tem um feitiço lá, um feitiço que vai ajudar a fazer tudo voltar ao normal, mas eu ainda não confio em ti, por isso não vou dar-te os detalhes. :- Vão mandar-me para uma missão suicida sem sequer me dizer porque? :- Ouviste o que ela disse. – Jesse cruzou os braços ao peito fazendo uma expressão ameaçadora enquanto olhava o outro :-Isto é uma loucura! Nem pensar que eu vou conseguir sequer respirar perto daquele livro! :- Vais ter de arranjar maneira do fazeres – Deixou cair os braços ao longo do corpo e aproximou-se do vampiro ainda com o mesmo ar ameaçador, — disseste que estavas do nosso lado, que querias redimir-te de todo o mal que fizeste, por bem, meu amigo, esta é a tua oportunidade. E se morreres a tentar, bem, pelo menos saberás que morreste por uma boa causa. Afinal é isso que queres, certo? Caso contrário nem te tinhas metido nisto. :- Tudo bem, – Declan olhou o caçador sem lhe mostrar um único sinal de medo – darei o meu melhor, mas devo desde já avisar vos de duas coisas, numero um: tirar aquele livro de Lana vai ser mais difícil do que encontrar uma agulha num palheiro e numero dois: depois disso eu não poderei mais voltar a infiltrar-me como um dos dela, assim que der pela minha falta e a do livro vai descobrir quem realmente é o espião! :- Se nos trouxeres o livro – era Sam que falava agora– não terás mais de te preocupar com a Lana. Declan apenas acenou e desapareceu por entre a escuridão das árvores. :- Como fizeste aquela coisa com faca?! – Perguntou virando-se agora para Jesse :- Depois de tanto tempo como caçador, desenvolve-se algumas habilidades :- Sei o que queres dizer… – Sam acenou, aproximando-se dele e fazendo uma pequena chama aparecer na palma da sua mão, então, o caçador usou as dele para tapar a chama luminosa e faze-la desvanecer, a esta altura, eles estavam próximos, muito próximos os seus lábios quase a tocarem-se quando vindo do nada Luka gritou :- Ei, mas que raio se passa aqui?! – puxou Sam pelo braço para junto dele :- Au! Luka, mas que raio?! – protestou libertando-se :- Vejo que decidiram falar com o Declan sem mim, Muito obrigado, é por saber que sou útil! :- Não precisamos de ti para lhe pedir o Livro – Jesse encolheu os ombros :- Obviamente! – virou as costas começando a afastar-se :- Luka! – Sam chamou correndo atrás dele :- O que queres? :- O que eu quero? Qual é o teu problema? – Ele parou e virou-se para ela :- Meu problema? Decidem encontrar-se com Declan nem sequer me dizerem nada? se não tivesse por perto e por acaso ouvido a conserva, nem sequer saberia o que tinham feito. Pensei que fosse uma parte importante da equipa, mas afinal parece que estava enganado! Não precisam de mim para uma parte tão simples do plano, certo? – Virou-lhe as costas recomeçando a andar mas não por muito tempo, parou de novo e tornou a olha-la – E encontros secretos no meio do bosque na calada da noite. Pensei que tivesses mais classe, coração.
:- Não é que estás a pensar! Espera… estás com ciumes? :- Ciúmes?! – Soltou uma gargalhada que soou falsa – Não te iludas. Só não gosto que formem planos nas minhas costas. Se queres estar sozinha com o Jesse, isso a mim pouco me importa, façam o que bem entenderem! , mas eu sou o teu guardião, eu tenho de ser informado destas coisas. :- Só lhe fomos pedir o livro! Achamos que não valia a pena incomodares com isso. Pensamos que querias ficar com Izzie! :- Ainda assim seria bom ter sido informado do que planeavam fazer. Olha, — suspirou – Tenho de ir ter com o professor. Adeus. :- Luka! – Sam chamou mas era tarde demais, ele já tinha desaparecido por entre as árvores como Declan anteriormente fizera :- Qual é o problema dele? – Jesse perguntou de braços cruzados, parando ao lado dela :- Acho que ele tem muito em que pensar, sabes com a Izzie magoada e tudo isso – a feiticeira encolheu os ombros – Anda, tenho de voltar para a universidade, fica atento ao Declan, preciamos de um golpe de muita sorte para que ele consiga aquele livro! No caminho para o dormitório, Sam não pode evitar sentir a cabeça a andar a roda. Não conseguia compreender o que tinha acabado de acontecer! Porque raios quase beijava Jesse? Que estupidez, era óbvio que não estava apaixonada por ele, mal o conhecia! Talvez estivesse apenas solitária e não tinha sido capaz de lhe resistir, afinal, passava já bastante tempo desde a ultima vez que tivera um namorado… E Jesse, bom com a vida que levava era certo que namoros não faziam parte do seu dia-a-dia. Sim , tinha sido isso, estavam ambos solitários e não foram capazes de escapar o momento quando ele se proporcionou… Mas e Luka? Porque teria reagido daquela maneira? Bom… até tinha a sua razão, ele era de facto o Guardião, nada mais natural do que querer estar a par dos passos dela… Tinha magoado os sentimentos dele, fazendo-o sentir que não era necessário… pobre Luka, sempre tão confiante e no entanto bastou um pequeno golpe para o seu ego se ressentir daquela maneira. Fosse como fosse, com alguma sorte tudo aquilo, em breve não importaria. Declan traria o livro e ela conseguiria travar Lana, então… então era muito provável que tudo voltasse a ser como de antes, sem seres sobrenaturais, poderes… e Luka, bom Luka continuaria com a sua alcateia e as suas mulheres, as suas noitadas, Jesse provavelmente andaria por aí a caçar, ou talvez até continuasse a ser simplesmente o Detective Carter… O Professor, esse não estaria a morrer, mas era muito provável sofrer ainda a dor da perda da sua mulher, ou talvez não, talvez o facto de ela não ter de proteger o livro mudasse a história ao ponto de poupar a sua vida…Talvez…
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