Sam estava agora no seu quarto, no dormitório, batucando com o lápis no livro enquanto tentava estudar, por alguma razão o episódio da noite anterior, assim como o daquela tarde não saiam da sua cabeça.

Era estúpido pensar que a magia era real mas como mais ela poderia provar toda aquela esquisitice?

Um barulho vindo da rua, fê-la olhar a janela que dava para as traseiras do dormitório, não conseguia ver nada para além de árvores e arbustos, abanando a cabeça, ela voltou a sua atenção de novo para o livro que estudava, mas de novo um barulho de ervas a serem pisadas com força suficiente para ela ouvir dentro do quarto a fez olhar na mesma direcção, desta vez para ver dois ponto vermelhos no meio da vegetação, Sam levantou-se de um pulo fixado o brilho dos mesmo no escuro da noite, sem conseguir entender o que se estava a passar, ela andou até a janela e então ouviu um ganido alto, como se algum pobre cachorro estivesse a ser torturado, sem pensar duas vezes, a jovem saiu a correr pegando apenas o seu telemóvel, e se houvesse mesmo algum pobre animal magoado? Ela tinha de fazer algo!

Andando em direcção do som, Sam reparava que os pontos vermelhos ainda se encontravam no mesmo sitio, e a medida que ela se aproximava eles pareciam aumentar mais e mais, outro ganido cortou o ar, fazendo com que o medo do desconhecido desse lugar a urgência de ajudar um ser necessitado.

Chegando por fim ao destino, ela deu Graças a Deus por não ver mais aqueles pontos ameaçadores na escuridão. Usando a lanterna do telemóvel, ela apontou a luz para um arbusto de onde parecia vir o ganido, e então para seu espanto do mesmo saiu um cão enorme, não… não era um cão, era um lobo! Um grande lobo preto com uma mancha cinzenta no peito, Sam abriu os olhos de espanto e deu um passo atrás

:- Oh Shit… lindo… cãozinho, por favor não me comas…

O animal olhou-a, e então ela entendeu, os pontos vermelhos na distancia, eram os olhos dele, nem teve tempo de se perguntar se era normal os lobos terem olhos vermelhos, já este se aproximava de si , sentando se na sua frente e inclinando a cabeça para o lado , Sam gelou de medo , e então o lobo… estendeu-lhe a pata?

:- Mas que…? — ela perguntou sem entender o que se estava a passar, vendo o animal abanar alegremente a cauda ainda de pata estendida esperando que ela a tomasse – isto não é nada estranho… -ela disse para si mesma tomando a pata do bicho ainda a medo e recebeu um lambidela na cara – Nada estranho mesmo… — Sam acariciou a cabeça do lobo, pensando para si que, ou estava maluca e tinha ficado com danos cerebrais devido ao raio da noite anterior ou talvez tivesse ficado em coma e aquilo tudo fosse um sonho, resultado desse mesmo coma.

:- Como te chamas lobito? – riu – Yup estou mesmo a fica doida!

Nesse momento o animal deu uma focinhada na sua mão fazendo o telemóvel cair, de seguida pegando o objecto com a boca saiu a correr

:- Um lobo acabou de roubar o meu telemóvel… acho que estou a viver num desenho animado… Ei, volta aqui! – ela gritou esta ultima parte saindo a correr atrás do canídeo.

Ia já a correr bosque dentro quando lhe ocorreu que aquela era uma ideia muito estúpida e era assim que ela ia acabar morta, também pensou porque raios foram construir uma universidade mesmo ao lado de um bosque cerrado mas isso tudo foi interrompido por uma voz vinda de perto de uma árvore

:- Luka

:- Huh? – um homem aproximou-se, ele estava a apertar a camisa? – Okay, estou no ir …

:- Chamo-me Luka. Tu é que perguntas-te

:- Nunca te vi na vida! Quer dizer antes de agora, que tenho a certeza que será o meu ultimo momento mas ei! …

:- Não te vou magoar, coração – ele atirou algo na direcção dela, por breve segundos, ela temeu o pior, até entender que se tratava do seu telemóvel

:- Como é que…?

:- Desculpa a baba…

:- Como é que…?

:- Já perguntas-te isso – ele riu – Há muito que eu tenho que te contar, Sam. E antes que perguntes como eu sei o teu nome, bom, isso é parte do que tenho para te contar, é uma longa historia, mas acredita, nunca nenhuma miúda se queixou por passar demasiado tempo comigo, na verdade quanto mais melhor, se é que me entendes. Então, amor, vais convidar-me para um café ou vamos ter de conversar aqui no meio das árvores?

:- Tu és doido, afasta-te de mim antes que chame a policia! – Sam ameaçou sem conseguir entender que raio se estava a passar mais uma vez.

:- Não estou aqui para te magoar, só quero falar. Prometo

:- Afasta-te de mim! – ela quase gritou, freneticamente tentando marcar o numero das emergências com o telemóvel bem apertado na mão, mas sem saber muito bem como no segundo seguinte já o desconhecido lhe agarrava o braço

:- Não vou magoar-te – ele repetiu

:- Ai não? Pois eu não tenho problemas em magoar-te a ti! – Sem pensar duas vezes, Sam desferiu uma joelhada no meio das pernas do rapaz, e saiu a correr que nem louca, deixando-o caído no chão agarrado as “partes”.

O coração batia forte no seu peito, a respiração era pesada, quando por fim ela entrou no dormitório, que raio se estava a passar?! Fechando então a porta atrás de si, Sam pode ouvir um uivo, uivo alto, ressentido, quase como que um uivo de dor.

Sentou-se na cama segurando a cabeça com as mãos

:- Eu estou maluca, eu fiquei doida, o que raio é que acabou de acontecer???

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No dia seguinte, Sam vagueava pelos corredores da universidade, estava sozinha pois Lana ainda agia de forma estanha decidindo ignora-la e sendo Sexta-Feira, Mila tinha partido para passar o Fim-de-semana a casa.

Os corredores encontravam-se então quase vazios sendo que muitos estudantes tinham ido aproveitar o fim-de-semana e outros estavam nos seus afazeres de sexta a tarde.

Foi então que ela viu, Lana discutia com o professor de química perto da saída do dormitório, achando aquilo meio estranho ela aproximou-se, não conseguia ouvir o que diziam, mas foi nesse momento que ela viu as coisas escalarem muito rapidamente, Lana aproximou-se do professor elevando o braço, da sua mão saiu uma espécie de luz brilhante que atingiu o homem no peito e fez voar para trás, caindo de costas inanimado, Ela não podia acreditar no que tinha acabado de ver

:- O que fizeste?! – Sam gritou, correndo até ao professor, a outra simplesmente a olhou deixando escapar um gargalhada

:- Eu disse-vos. Resultou. – Com um sorrido triunfante, Lana limitou-se a afastar-te.

:- Meu deus! Meu Deus! – Sam disse para si mesma – Professor Morrison?! – Sam agarrou o pulso dele tentando achar a pulsação mas sem sucesso – Por favor! – ela implorou pousando a mão no peito dele.

O que quer que ele tivesse feito não merecia a morte! É certo que não havia muitos alunos para além de Sam que gostassem dele, Ele era bastante rigoroso o que o fazia suar arrogante e chato por vezes, mas Sam conseguia ver mais do que isso, pois tinha aprendido imenso com ele, ela sabia que Morrison era um homem solitário desde a morte da sua esposa, quem ele amava seriamente. Sam sabia o que era ser solitária, talvez não por experiência própria, mas toda a sua vida ela viu o seu próprio pai afundar-se também na solidão de perder o amor da sua vida, a mãe de Sam que morrera durante o parto.

Era por isso que ela compreendia aquilo que o professor passava todos os dias, ela entendia que não importava haver mais gente no mundo, para ele havia só uma pessoa e essa pessoa tinha partido de forma injusta.

Uma lágrima caiu no seu rosto, ela não conseguia entender como Lana podia ter feito uma coisa assim, literalmente! Como é que ela tinha… tinha ganho poderes? Aquilo estava mesmo a acontecer? A Lana era uma bruxa?! Ela tinha mesmo morto alguém? Alguém inocente que não merecia ser levado assim tão cedo…

:- Professor Morrison, eu sinto muito… — Ela disse entre lágrimas, ainda com a mão pousado sob o peito dele, se ao menos ela pudesse voltar atrás impedir o ritual, se ela tivesse recusado ir com Lana naquela noite, talvez, talvez Morrison ainda estivesse vivo – Eu… Sinto muito! – sentindo raiva, dor, culpa, Sam olhou o professor mais uma vez, não havia mais nada a fazer, ele estava morto… foi então que reparou, ela conseguia sentir sob a sua mão, o coração do homem, ele batia! , Sam abriu os olhos de espanto, ainda sentido o coração bater, agora bem como os movimentos que o seu peito fazia enquanto ele respirava, não podia ser, ele estava morto há segundos atrás!, foi então que viu, o seu braço, o que mantinha pousado no peito do professor, emitia uma luz cor de salmão do ombro até a ponta dos dedos, por baixo da sua mão, a luz expandi-a sobre tórax de Morrison.

Sam retirou a mão assustada, isso fez com que a luz desvanecesse, nesse momento ele abriu os seus olhos azuis, encarando-a espantando e confuso

:- Sam…? O que…?

:- Eu… eu… — ela estava tão ou ainda mais confusa que ele – Você… você está bem?

:- Suponho que sim… — ele disse sentando-se – Que aconteceu?

:- Eu… — ela abanou a cabeça, não podia dizer-lhe! Como ia dizer que ele morreu ás mãos de uma bruxa e ela o tinha trazido de volta? Nada daquilo fazia sentido! – Acho que o Sr. Desmaiou, devia… ir médico…

:- Sim, huh… — Morrison disse ainda confuso enquanto se levantava – Obrigado – ele franziu a testa

:- Talvez eu deva leva-lo ao médico?

:- Não. – ele abanou negativamente a cabeça – é muito provável que tenha sido um quebra de tensão. Ficarei bem. Obrigado

Ela só conseguiu fazer “Sim” com a cabeça enquanto ele se afastava.

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Ainda com a cabeça a roda, Sam entrou no quarto e sentou-se na cama, não conseguia pensar, não consegui entender… o que se estava a passar? Era demasiado!

:- Achas que podemos falar agora? – Uma voz disse saindo do canto do quarto e fazendo com que ela pulasse de susto

:- Tu! Que fazes aqui?! Como é que entras-te aqui?!

:- Uma pergunta de cada vez, coração – ele disse sorrindo de canto e aproximando-se dela.