The Magic In me

36 Ganhamos? (Parte Um)


:- Como é suposto entrarmos? – Sam perguntou observando a porta de madeira – e como é que vocês conseguiram passar pelo portão?

:- Explosivos de caçador combinados com a força de vampiro e lobisomem — Julian respondeu olhando também a porta, nesse instante, sem ninguém sequer lhe tocar, esta abriu-se

:- Acho que é assim que entramos – Declan deu um passo em frente

:- É uma armadilha – Luka comentou passando a espada de novo para a mão de Sam

:- Que seja – Sam encolheu os ombros – Se é uma luta que Lana quer, é uma luta que terá.

:- Sam, já te precipitas-te hoje, e não estou a dizer que és a culpada mas, isso causou a morte de alguém, não achas que devíamos de agir com prudência desta vez?

Sam olhou o professor

:- Se não quer vir, não venha – suspirou – Desculpe, tem razão, mas o facto da porta se ter aberto, mostra que ela está pronta para mim, que quer enfrentar-me, e seja o que for que tenha preparado para nós, nós conseguimos superar, afinal vocês conseguiram chegar a mim ou não?

Sem responder, Julian simplesmente acenou e os homens começaram a seguir Sam para dentro da gigante habitação.

Andaram por corredores que pareciam infinitos, até que por fim, uma porta aberta revelava a luz brilhante das velas que a iluminavam, Sam apressou-se a entrar, a sala era enorme, estava praticamente vazia a excepção de uma cadeira enorme, que mais parecia um torno encostada na parede frontal, a armação da cadeira era de ouro maciço e estava revestida no acento e costas com veludo vermelho, nela, Lana sentava-se triunfante, esperando-os.

:- Deveria saber – Sam comentou ao vê-la ali

:- Demoras-te mais do que eu esperava – Sorriu trocista e levantou-se lentamente, andou até Sam depois com gesto rápido e simples da mão esquerda, fez com que a volta de Luka, Jesse , Declan e Julian se formasse uma espécie caixa de vidro transparente – Será mais engraçado se a luta for mano-a-mano – riu.

:- Como queiras

Julian aproximou-se da barreira transparente que se impunha na sua frente, pousou as mãos no vidro e logo de imediato se arrependeu, o seu corpo foi tomado pela dor de um valente choque eléctrico que o fez cair para trás. Jesse e Luka correram para o ajudar.

:- Era isto que querias? Uma luta só tu e eu? – Sam sentiu a raiva crescer dentro de si – Foi por isso que me deixas-te chegar aqui tão facilmente?

:- Depois de ter morto um dos teus e ainda assim tu teres conseguido derrotar uma das minhas bruxas mais poderosas, achei que te devia isso – encolheu os ombros – isso é meu – apontou para a espada

:- Vem buscar – Sam respondeu desafiante, erguendo o objecto no ar

Em vez de fazer qualquer menção de atacar, Lana andou até a “caixa” de vidro

:- Deixa-os em paz! Não é a eles que queres! Estou mesmo aqui, anda-la!

:- Vou deixa-los em paz, não há nada que possam fazer contra mim ali dentro, no entanto – o braço enfiou-se para dentro da jaula, o vidro parecia agora ser uma matéria gordurosa que se mexia a vontade da bruxa, agarrou Declan pelo pescoço e puxou-o para fora, Luka correu, tentando escapar, mas a matéria que formulava a parede apenas se dobrava a vontade de Lana, para ele continuava a ser vidro, e como tal ele embateu com violência e foi projecto para trás quando um choque eléctrico o atingiu, tal como anteriormente acontecera com Julian.

:- Sério? Não aprendeste nada com o outro idiota? – Jesse rolou os olhos e estendeu-lhe a mão para o ajudar a levantar

:- Temos de sair daqui! Temos de ajuda-los!

:- Não tem saída. Estamos numa jaula armadilhada – Julian disse, ainda sentando no chão tentando recuperar o fôlego.

Declan caiu com violência de costas no chão quando Lana o atirou para longe qual boneco de trapos, depois no minuto seguinte, estava na frente dele voltando a segura-lo pela garganta, elevando-o no ar

:- Achavas mesmo que ias trair e sair impune? Conheces-me bem!

:- Larga-o! – Sam ordenou, mas a outra pareceu nem ouvir, lançou sobre ela um ataque mas com um movimento rápido das mãos, Lana fez com que uma rajada de vento a arrasta-se para longe, Sam embateu na enorme janela esta estilhaçou-se e a feiticeira, aterrou no pavimento, a escassos centímetros de cair da varanda á qual a janela dava acesso.

:- Queria fazer-te sofrer mas duvido que este tenha sido o fim da Sam, por isso vou matar-te rapidamente… acho que te podes dar feliz por eu estar num bom dia – riu

:- Vai-te foder – Declan atirou, agarrando com ambas as mãos o pulso dela.

Esticou a mão que tinha livre e fez aparecer uma estaca

:- Estão essas serão as tuas ultimas palavras – Riu de novo e elevou o objecto começando a direcciona-lo ao coração do vampiro.

Não a ouviu, não ouviu os seus passos até que fora tarde demais, estava demasiado concentrada na sede de vingança. A lamina fria trespassou a sua pele, sentiu o corpo todo arder, então a mão que segurava a estaca caiu no chão… separada do resto do corpo. Do pulso onde ela anteriormente estivera, jorrava sangue. Atirou o Vampiro para longe, este bateu com a cabeça na parede, abrindo uma fenda na nuca e caiu sem sentidos, virando-se furiosa, Sam, estava parada do seu lado esquerdo, a espada estava ainda na sua mão e pingava sangue, sorriu-lhe

:- Mais ninguém morre sob o meu cuidado

:- Como te atreves?! – gritou como uma louca – Como te atreves, sua cabra insolente?! Vou matar-te e depois vou matar todos eles! – o sangue continua a cair de onde outrora tivera a mão, como uma torneira aberta mas ela pareceu não se importar , Sam lançou sobre ela um ataque que, apesar de ferida ela evitou sem dificuldade, então ergueu a mão que ainda lhe restava mantendo agora o outro pulso encostado ao peito, Sam foi atingida por uma descarga eléctrica e caiu de joelhos, contorcendo-se e tossindo, Lana fechou o punho e Sam começou a sentir que lhe apertavam a garganta, depois a bruxa puxou-lhe os cabelos forçando-a a levantar-se, agarrou-a pela garganta tal como fizeram com o vampiro, cravando-lhe as unhas na pele, não havia ninguém que pudesse valer, os seus amigos estavam presos na jaula de vidro e Declan estava inconsciente. Andou até á a varanda, mantendo Sam presa pela garganta, elevada no ar, Sam olhou para baixo, custava-lhe a respirar e sentia a dor aguda das feridas provocadas pelas unhas da bruxa. Lana mantinha-a agora suspensa para fora do pequeno muro de pedra que rodeava a varanda, era assim. Era assim que a sua batalha ia chegar ao fim, fechou os olhos quando sentiu a mão larga-la do aperto, sentiu-se começar a cair…

:- Afastem-se! – Jesse ordenou apontando a arma a parede de vidro da prisão, disparou, a bala embateu na superfície e desintegrou-se – Merda!

:- Pena que—Julian começou a tossir violentamente – Não tenhamos mais explosivos

:- Julian, você esta bem?

:- Si—Sim – disse acenando e voltando a tossir, Jesse olhou o mais velho com preocupação, as mãos, o pescoço, e talvez, assumiu o caçador, todo o seu corpo, a excepção do rosto, eram agora nada mais do que carne negra, apodrecida e disforme.

:- Luka! … Luka! – Jesse chamou mas ele estava demasiado concentrado no que tinha acabado de acontecer, vira Sam ser atirada pela varanda da torre e não a tinha voltado a ver, ela não tinha emergido da escuridão, não tinha levitado até a segurança, ou… voado, até! Raios! Ele precisa de um milagre, precisa de acreditar que Sam ainda conseguia sair dessa! Ela não podia estar morta! Não podia ser!

:- Luka! O professor! Ele não está bem! – Tornou a chamar, desta vez foi capaz de captar a atenção do lobisomem, Luka andou até junto dos dois e olhou o homem mais velho

:- Merda! – Deixou escapar

:- O que?, o que se está a passar?!

:- É uma longa historia, mas digamos que tanto eu como o professor, até Sam – O ultimo nome foi dito com dificuldade, como se a garganta se arranhasse ao dize-lo, doía de mais pensar que ela tinha morrido, e que em breve esse seria também o destino de todos eles – sabíamos ia acabar assim

:- Assim?

:- Ele está a morrer, Jesse. A única coisa que podemos fazer, agora é ficar do lado dele.

Julian contorceu-se de dor

:- Assim? Sem mais nem que?

:- Este sempre foi o destino dele – colocou a mão no peito do outro – Tudo bem, Julian, estou aqui – olhou Jesse – Estamos aqui.

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Olhou á volta, uma névoa branca cobria o caminho, Julian não sabia onde estava, bom, na verdade não conseguia ver nada para além dessa dita névoa. Sabia no entanto que estava morto. Disso não tinha duvidas.

:- Julian – Uma voz atrás dele chamou, virou-se rapidamente, e assim que os olhos se pousaram na sua figura, correu para ela

:- Haleh! Então… este é o fim, estou morto?

Ela riu, sobe-lhe bem ouvir aquela risada, há muito que não escutava tal som vindo da sua falecia mulher, sentia muita falta dela, não só da risada, é claro, mas de Haleh completa, de todo o seu ser. Parecia que não a via há mais de dez anos, quando na verdade nem um ainda tinha passado.

:- Ainda não – ela sorriu

:- Como assim? Não estou no… paraíso?

:- Não. Ainda estás no limbo.

:- Limbo?

:- Nem céu, nem inferno, isto é o nada. Uma simples sala de espera.

Ele apenas a olhou, sentindo-se cada vez mais confuso.

:- Tenho uma decisão que preciso que tomes, ainda não chegou a tua hora, Julian, ainda podemos mudar isso.

:- Mudar? Não é este o meu destino? A morte? Assim o sabemos desde que Sam me trouxe de volta, condenando-me ao tentar salvar-me.

:- Tu melhor do que ninguém sabes que o destino pode ser alterado. Tem sempre uma maneira de o mudar, ao fazermos as nossas próprias escolhas.

:- Então, estás a dizer? – ela acenou positivamente

:- Tu podes voltar a vida, ou ficar comigo, eternamente, só nós os dois.

:- Tu, nós, foi sempre aquilo que mais quis, porque haveria de querer voltar?

:- Porque os teus amigos precisam de ti, até aqui já praticas-te muito o bem, já lhes salvas-te as vidas. Sem ti, Luka, Izzie, seriam apenas uma vaga recordação. Ainda há muito que podes fazer, e na verdade eles vão precisar de ti mais do que nunca.

Ele abanou a cabeça, andou até ela e colocou ambas as mãos no seu rosto

:- Estás a pedir-me que abdique de ti? De ficar contigo, finalmente? Saber que iria morrer e poderia ver-te de novo foi o meu único consolo durante todo este tempo! – Beijou-a, ambas as mãos ainda pousadas na cara dela, de novo pareceu-lhe que tinham passado dez anos desde a ultima vez que sentiu os lábios dela nos dele.

:- Talvez seja mesmo isso que te peça. Eles precisam mais de ti do que eu, então tens de decidir, querido – afastou-se – Podes ir, salvar vidas, lutar, ajudar quem mais precisa, ou podes ficar comigo e…

:- Fazer a escolha mais egoísta.

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Andou até ao vampiro que agora se tentava levantar, desferiu-lhe um pontapé na cara que o fez tornar a cair de costas. Depois pousou um dos joelhos ao lado do corpo dele, o outro usou para descansar sob o seu peito, assim imobilizando-o. A mão que ainda lhe restava, apertou-lhe o pescoço

:- Agora nós! – Sibilou a escassos centímetros dele.

:- A sério? Vais fazer isto agora? – Perguntou a ela mesma

:- Tu outra vez! Não ves que estou ocupada?

:- Vejo que estás ocupada, sim, com a sede de vingança. Sam está morta, tens o que querias, que importa o que esse vampiro idiota fez?

:- Cala a boca! Não foste tu que me tentas-te manipular para que o matasse??

:- Sim, mas agora, a Sam foi-se os amigos estão na tua posse, podes matar o vampiro ou aprisiona-lo e mata-lo aos poucos.

:- Escolho matar

Declan olhou-a confuso, estava a fala sozinha, como se fosse duas pessoas diferentes, tinha perdido o juízo de vez

:- Mas… pensado bem, até fazes sentido

A mão largou a garganta dele, e ela afastou-se um pouco, ainda assim ficando em posição sentada em cima do seu torço, Declan não perdeu a oportunidade, deu-lhe uma cabeçada e agora era ele em cima dela, caninos de vampiro afiados prontos a perfurar a pele dela

:- Morde-me! Vamos lá morde-me antes que seja tarde demais, antes que ela recupere o controle!