The Magic In me
27 Consequências…
Tinha falhado… e tinha falado horrivelmente, estava de novo no presente… de novo “no seu tempo” e não foi preciso mais do que segundo para olhar a voltar e entender que algo correra terrivelmente mal…
O Laboratório encontrava-se destruído, frascos, vidros partidos, era como se um tornado tivesse passado por ali. Sam deu um passo em frente mas deteve-se ao sentir o seu pé pisar algo que a fez escorregar, olhou o chão e esbugalhou os olhos de surpresa, Sangue…. Uma pequena poça de sangue ali no meio de toda aquela confusão, mas não se ficava por ali, havia também pequenos salpicos, como se alguém estive ferido e esse mesmo ferimento pingasse, formando pequenas gotas vermelhas que se espalhavam pelo pavimento. Recuou receosa, sabia perfeitamente que o Professor, nunca em tempo algum permitira que o seu laboratório ficasse naquele estado. Sabia, que algo estava errado, muito errado… E sabia também o porque daquilo tudo, tinha alterado o passado, tinha eliminado uma peça importante do jogo, Declan, ele, ou a falta dele causara aquilo tudo. Saiu do laboratório em direcção a Universidade, queria ir ter com Luka e explicar tudo que se tinha passado, mas primeiro tinha de tirar aquele vestido de Kaya ou ia chamar mais atenção do que aquilo que desejava. Queria saber o que estava agora diferente. Talvez ele nem sequer se lembrasse do que tinha acontecido, afinal… lembrar-se iam as pessoas quando passado é alterado? E se não, porque ela tinha todas as memorias daquilo que tinha vivido até ali e nenhum em relação a mudança que tinha feito? Todas estas perguntas faziam a cabeça de Sam andar á roda, então ela correu, correu o mais que as suas pernas lhe permitiam, nem sequer deixando que elas se sentissem pesadas ou cansadas da caminhada que tinha anteriormente feito junto da feiticeira. Correu até chegar por fim ao seu destino, Então parou, mais uma vez os seus olhos se abriram de espanto, desta vez, a boca “imitou-lhes” o gesto. Parou, o seu coração batia-lhe desalmadamente no peito, a universidade tinha… desaparecido, bom, não totalmente, havia ainda escombros, ruínas… Não conseguia entender o que teria causado aquilo. Encostado a um muro que por algum milagre ainda se mantinha de pé, estava um altar formado por flores, velas, bonecos de peluches, cartazes… Sam andou até lá, parando na frente do mesmo, colado nos tijolos que se recusavam a cair, estavam fotos de estudantes, estudantes sorrindo, felizes, vivendo uma vida que no momento que foi capturada, imortalizada para sempre, seria uma vida boa. Atrás dela uma jovem parou, segurando uma rosa vermelha : — É horrível não é? Passe o tempo que passar, ninguém vai conseguir esquecer… — Sam virou-se para ela, e ela fitou-a de cima abaixo, talvez tomando nota do seu velho vestido castanho. :- O que? Que se passou? – Perguntou com urgência :- Não sabes? :- Não tenho estado por aqui… — Desculpou-se :- Uma bomba – Suspirou – Ao talvez mais do que uma, não se sabe ao certo. A policia também não consegue descobrir quem fez isto, mas sabem que não foram terroristas… estranho não é? :- Houve… sobreviventes? – A jovem aproximou-se no murro, ajoelhou-se e pousou a rosa junto das outras :- Não. Nem um, toda a gente que estava em aulas ou no campus na altura… estão todos mortos, alguns desaparecidos mas… nestes casos só significa que ainda não acharam todos os corpos. Sam sentiu o estômago contorcer-se, não queria acreditar! Tinha feito tudo para salvar os inocentes mas acabou por lhes causar a morte, para salvar Mila e agora era muito provável que ela estivesse entre os mortos daquela terrível, ou terríveis bombas. Então, uma lembrança assombrou-lhe a mente, fora Declan quem a avisa dos planos do professor para destruiu a universidade com nada mais, nada menos que um bomba, sem Declan vivo não havia aviso e sem aviso não havia como ela saber os passos de Julian e conseguir para-lo. Merda! A culpa quase a fez vomitar, quando o seu estômago se contorceu ainda mais no momento em que o seu cérebro chegou aquela conclusão. Sem dar sequer uma resposta á outra, virou as costas apresando-se dali para fora, tinha de encontrar Luka! Talvez ele tivesse uma solução, uma maneira de remediar todo o mal que ela tinha feito. Mais uma vez, só parou chegando a grande casa no fim da estrada onde Camille e alguns membros de alcateia (incluindo o seu guardião) viviam. Bateu a porta sem parar até que esta se abrisse. :- Sam! – Camille olhou-a surpresa – Passa-se alguma coisa? – não era difícil notar que algo estava errado, isso espelhava-se no seu rosto. :- Preciso de falar com o Luka, é urgente! – Disse não esperando um convite da outra e entrando pela porta adentro, quase a empurrando :- Luka? – Estava ainda mais confusa – Querida, tens a certeza que te sentes bem? :- Não! – explodiu – Não me sinto nada bem , é por isso que tenho de falar com ele agora! :- Sam… – Camille olhou-a com preocupação, era tristeza aquilo que via nos seus olhos?
:- Que? Onde está ele? :- Sam… — Repetiu – Luka… o Luka está morto, tu sabes disso, querida… Não podia acreditar, morto?! Sam quase parou de respirar, como assim ele estava morto!? As memórias de Luka, de tudo aquilo que tinham vivido juntos até ali vieram-lhe a mente, atingindo-a com enorme pesar, não, ele não podia estar morto! Como é que ele estava morto?! :- Morto…? – Repetiu confusa não evitando que as lágrimas lhe corressem pela cara abaixo – Não… ele não pode estar… :- Lamento… — Camille pousou a mão no seu ombro – Que se passa? Porque estás a agir como se isto fosse novidade para ti? :- Porque é! – Quase gritou – Desculpa… — Levou a mão testa e fechou os olhos, não queria acreditar! Tudo aquilo, tudo aquilo porque ela tinha sido estúpida ao ponto de tentar mudar o passado! Agora o professor era muito provável que fosse um demónio e Luka estava morto… os seus únicos aliados desaparecidos assim… tudo por sua culpa :- Sam? – Camille chamou, fazendo-a abrir os olhos – Anda, eu faço-te um chá talvez te ajude a explicares o que se está a passar contigo – pareceu de novo preocupada e um tanto ao quanto irritada por não entender o que se estava a passar. :- Jesse! – Sam gritou ignorando – O Professor e o Luka podem não estar a aqui mas… — deteve-se – Não… sem o Declan o Jesse nunca chegou até nós… Merda! :- Sam! Desculpa querida, mas tu não estas a fazer sentido nenhum! – a mulher chamou de novo, agarrando os ombros dela e abanando-a suavemente, resultou, fez com que ela “acordasse” dos seus pensamentos e entendesse que tinha muito para explicar. :- Camille… sim aceito esse chá temos muito que falar… Estavam agora as duas na cozinha, Camille esperava ansiosamente a sua explicação, mas Sam só conseguia olhar a sua caneca, vendo o liquido quente de cor escura ali parado, enquanto o fumo que saia do mesmo lhe batia na cara. :- Ei – Uma voz chamou fazendo com que ela se vira-se :- Izzie! – Sam sorriu, pela primeira vez desde que regressara do passado – Estás viva! E não estas magoada! :-Sim… quem és tu? :- Sou eu a Sam… Oh espera! Tu não me conheces? :- Sam? Ou! A Sam, Acho que—que só te vi no funeral do Luka… — Respondeu de forma triste e fitou o chão :- A Camille não deu uma festa de anos? :- Não poderia faze-lo! Não depois de um dos nosso membros mais queridos ter morrido há pouco tempo – justificou-se a mais velha :- Certo, sem o Luka não houve festa, Logo eu não estive aqui, logo não conhecia a Izzie, Lana não atacou porque sem festa não havia alvos, Izzie não saiu magoada… :- Ela é louca? – Izzie perguntou a Camille – Porque a julgar pela conversa sem sentido e o que raio que seja aquilo que trás vestido… :- Eu posso explicar! Explicou tudo ás duas, esperava que elas acreditassem nela, não era uma historia assim tão descabida, era? Afinal, tal como antes referido, aquele era um mundo de feiticeiras e lobisomens, seres que só existem nos contos de fada, e de terror. :- Não acredito! – Izzie bateu com a mão com força na bancada da cozinha – a culpa é tua, é por causa de ti que ele está morto! :- Izzie! – Camille repreendeu :- Não, Tudo bem, ela tem razão, a culpa é minha! :- Não, não é, tu própria disseste que apenas estavas a tentar impedir Deliah, alem do mais não foste tu que matas-te o vampiro! :- É culpa minha por ter brincado com forças que desconheço! Agora tenho de remediar tudo, tem de haver uma forma de desfazer este enorme erro! :- Temo que não, o feitiço do tempo só pode ser usado de cem em cem anos :- Luka não pode esperar cem anos – Izzie rosnou :- Eu sei, mas deve haver outra maneira, algo mais que se possa fazer! :- Se assim o é – Camille começou, olhando Izzie com reprovação, depois voltando a virar-se para Sam – Vai ser como procurar uma agulha num palheiro, para não falar que precisavas de uma feiticeira poderosa, muito poderosa se é que queres ter uma hipótese do que quer que seja :- Uma feiticeira? … E se for um feiticeiro? :- Também resulta – Sorriu :- Sloan! – Sam levantou-se de um pulo – Quando estava a fazer o feitiço ela apareceu para impedir, consegui ver que não vinha sozinha antes de aterrar no passado, quando me visitou pela primeira vez falou num feiticeiro amigo dela, um dos poucos que ainda sobrevive, um muito poderoso! :- Onde estão eles agora? :- Não sei… — Suspirou – Mas vou descobrir! – Começou a andar em direcção a porta, até que sentiu o seu braço se agarrado, virou-se para ver Izzie :- Não te posso deixar sair assim, vais chamar muita atenção. Anda, eu empresto-te algo para vestir. ************************************************************* Tentava pensar numa maneira de encontrar Sloan, esperava que ela ainda se encontrasse na cidade, era muito provável que não, mas Sam sabia que a iria seguir até aos confins do mundo se fosse preciso. Lembrou-se de ler num dos livros do professor sobre feitiços de localização, não pareciam muito complicados, Só tinha de se concentrar na imagem perfeita de Sloan, fechar olhos e deixar-se ser guiada. Assim o fez, as duas primeiras tentativas foram no entanto falhadas. Então por fim, na sua mente desenhou-se um mapa da cidade, uma luz brilhante traçava o caminho até onde o seu alvo se encontrava. Sem pensar duas vezes, Sam começou a andar, mais uma vez sem se importar com a dor que sentia nos músculos das pernas, na verdade, nada para alem de encontrar Sloan e remediar toda aquela situação lhe importava. Sentia-se sozinha, desamparada sem Luka, Julian ou até Jesse, só ela, ela e o seu falhanço enorme! Ela e os seus poderes que não eram ainda capaz de nada para além de brincar com os elementos. Pensou em Kaya, na sua força, em como nada a parecia amedrontar, derrotar, então desejou ser como ela, forte, destemida, uma boa guerreira. Chegou ao destino e olhou a porta com o número “23” colado a letras douradas, franziu a testa, aquele sítio era um motel barato, porque raio Sloan escolhera ir para ali? Se calhar estava errada, o feitiço falhara, agora só lhe restava descobrir. Bateu com o nó dos dedos na porta esperando que esta se abrisse. :- Sam! – A loira disse espantada vendo-a ali :- Sloan… posso entrar? – Sem uma palavra esta desviou-se da frente da porta, e Sam avançou para o interior do quarto. Não era tão mau como parecia do lado de fora, era grande, bem decorado e tinha duas camas de casal, uma ao lado da outra :- Como chegas-te até aqui? : — feitiço de localização – encolheu os ombros :- Sam, fizeste borrada da grossa, miúda! :- Eu sei! É por isso que estou aqui e se me permites a pergunta, porque estás tu aqui? :- Zeke precisava de recuperar as forças mas não queria dar nas vistas, que achas que a tua amiga Lana faria quando soubesse que havia um poderoso feiticeiro nas redondezas? :- Provavelmente tentaria ter a minha cabeça numa bandeja de prata- Um homem alto, disse, saído da casa de banho, usava um robe de seda, comprido e elegante, aberto, mostrando o seu torço magro ainda assim um tanto ao quanto musculado, sob o peito tinha um penso grande, branco manchado do que Sam assumiu ser sangue. :- Zeke? – Perguntou andando até ele :- Em pessoa :- Precisa de me ajudar! :- Preciso? Querida, onde estão as tuas maneiras? – Sentou-se numa das camas cruzando as pernas :- Por favor, tenho de remediar isto! :- Que fizeste mais exactamente? :- Kaya matou o Declan… ele era um vampiro que se infiltrou como agente duplo no exercito de Lana, foi ele quem nos avisou onde estava o professor e o que planeava fazer… sem ele, sem o seu aviso nunca soube, nunca o consegui parar e ele é um demónio. Foi ele que desactivou a bomba quando Luka a tentou atirar ao rio sem ele… :- A bomba rebentou? – Sloan aproximou-se dela :- E matou o Luka… :- Oh! – a outra deixou escapar espantada :- O Professor colocou outra bomba na universidade, matou todos os que estavam no local e agora só restam ruínas. Tenho de remediar isto! Tem de haver uma maneira! – Suplicou :- Talvez… — Zeke levantou-se e começou a andar de um lado para o outro do quarto – Quando Sam alterou o futuro, houve um salto cósmico, O cenário mudou e suspeito que os amigos dela foram mandados para onde deviam estar quando a linha do tempo de alterou, mas nós não, continuamos aqui, no mesmo sitio – fitava agora a janela – isso quer dizer que quem quer que te mande essas visões não deve quer que partamos sem revolver esta confusão.
:- Faz sentido –Sloan concordou :- Tudo o que eu sei, é que um dos meus melhores amigos, por minha culpa está morto, outro é um demónio e outro sabe-se lá onde foi parar – Suspirou – Não vou desistir enquanto não conseguir por tudo como antes, de volta ao normal! :- Lembro-me de um feitiço – Zeke virou-se para as duas- um feitiço que fazia o tempo recuar se não estou em erro… não tenho os meus livros comigo por isso vamos ter de encontrar alguns, com sorte algum nos ajudara com o que precisamos :- Um feitiço que faz recuar o tempo? :- explicarei quando o encontrar e tiver a certeza. Agora, onde podemos encontrar livros de feitiços? :- Bom… o professor tinha alguns mas pelo que vi todo o seu laboratório foi destruído, talvez ele tinha alguns em casa mas só não sei onde vive como tenho certeza que a esta hora deva estar infestada de amigos da Lana, ou talvez no mesmo estado do seu querido laboratório :- Huh – Zeke acenou fazendo um ar pensativo :- Mas acho que sei onde mais podemos procurar… :- Por favor não digas a internet, tens noção de metade das parvoíces que as pessoas inventam?! :- Não era isso que ia dizer… Venham eu conheço um sitio que talvez tenha o que precisamos.
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