Notas iniciais
BÔNUS, BÔNUS, BÔNUS... Já que demoramos para postar os outros capítulos vamos presentear vocês com esse! Bjs! Boas férias *-*

Fiquei o resto do tempo no quarto, encarando aquele teto feio e sem reboco. Eu já não pensava na discussão com Tom. Minha cabeça estava latejando. Eu só podia estar enlouquecendo. Para cada canto que olhava eu via uma sombra me perseguindo. Nem sei quanto tempo fiquei por ali, até alguém bateu na porta.

— Espero que esteja com fome — era Bianca — Hoje no menu temos sopa pronta. — ela disse dando um sorriso simpático.

Bianca colocou o pranto na cama e ficou me observando enquanto eu mexia na sopa industrializada.

— Como se sente? — Bianca perguntou segurando minha mão.

— Estranha — falei depois de tomar uma colherada da sopa — Agora entendo a expressão ‘nascer de novo’.

— E sobre o Tom? — ela perguntou cautelosa — Sei que brigaram.

— Não sinto nada — falei — Ele sabe o que faz.

Bianca concordou. Ficou me observando comer.

— Hoje senti o bebê me chutando — ela sorria.

— Você não acha que faz pouco tempo para o bebê começar a chutar? — falei, mas também sorria.

— Não sei, mas eu senti — ela passou a mão na barriga — Fiquei pensando nos nomes. Se for menino vai ser chamar Diego, o nome do meu irmão mais novo. Sinto tanta falta dele...

— E se for menina? — perguntei curiosa.

— Violeta — ela disse e eu sorri — Em homenagem a sua mãe. Sinto falta dela.

Abracei Bianca. Eu sabia o quanto minha mãe fazia falta. O quanto eu a queria por perto. Receber um abraço de consolo. Sinto falta até mesmo de ouvir os sermões e brigar com ela. Eu estava cansada daquele mundo, um mundo em que todos que amamos morrem, um monde onde todos que nos importamos se vão. Não estou disposta a perder mais pessoas.

— Obrigada — falei contendo as lágrimas — Você é uma grande amiga pra mim Bianca.

— Sempre estarei com você, Sophia — ela disse — Não vou deixar nenhuma vaca atrapalhar seu caminho, principalmente se for a Laura. — É, eu também não vou com a cara dessa Laura — ela continuou depois ver minhas sombracelhas um pouco arqueadas — Parece que os homens babam por ela.

— Obrigada por me defender.

Bianca ficou comigo até anoitecer. Ficamos conversando sobre tudo. Percebi o quanto éramos diferentes, mas as diferenças nos uniam. As vezes encontramos amizade onde menos esperamos. Assim que ela foi dormir em seu quarto, Tom chegou. Ele não me olhava, como se estivesse se escondendo de algo. Também não estava a fim de conversar.

— Vou dormir lá embaixo — ele disse devagar — Qualquer coisa pode chamar.

Ele saiu sem esperar minha resposta. Fiquei chateada, mas definitivamente não ia deixar isso me afetar, afinal, ele sabe o que faz.

Me ajeitei na cama e dormi. Como sempre tive pesadelos. Acordei durante a noite e vi, com toda certeza, alguém me observando. Levantei e fiquei olhando pela janela. A lua estava cheia e o mar estava muito agitado. O céu estava sem nenhum vestígio da tempestade passada. Estava com sede, então desci e fui até a cozinha. A minha má sorte foi que eu tinha esquecido que a Laura estava dormindo lá, mas para minha surpresa, não era só ela. Tom também estava lá. Apesar de estarem um pouco longe um do outro eu podia ver e sentir o cheiro de maconha. No meio do colchão deles havia um cinzeiro com dois cigarros apagados e não terminados.

Voltei para o meu quarto, contando vagarosamente de um até dez. Quando deitei na minha cama, não aguentei chorei. Depois de me acalmar um consegui fazer uma oração e dormir.

(...)

Acordei com um barulho. Abri os olhos e vi Tom trocando de roupa. Ele parecia não notar minha presença. Pigarreei. E ele se virou rapidamente.

— Desculpe — ele disse —Acordei você.

— Não tem problema — falei me levantando.

— Sua arma está aqui — ele me entregou — Eu não queria te colocar em perigo.

Guardei a arma e fui ao banheiro lavar o rosto e escovar os dentes. Ainda estava muito chateada com ele, mesmo que eu não quisesse.

Quando voltei, Tom estava terminando de colocar a blusa. Ele me olhou por um tempo e disse:

— Não quero isso.

— Isso o quê? — perguntei.

— Ficar brigado. Passei a noite pensando em você — ele fez uma pausa — Você precisa de uma prova de amor? Eu te dou... O que você quiser. Você sabe disso. Quando pensei que tinha te perdido... Eu não viveria mais nesse mundo.

— Então porque me deixou sozinha essa noite? Você nem olhou pra mim direito Tom...

Tom abaixou a cabeça. Eu estava segurando para não derramar as lágrimas. Mas que bosta, porque ele consegue fazer isso comigo, em um mundo como esse?

— Eu estava com vergonha Soph... Não sabia o que fazer... — ele levantou a cabeça — eu quase matei você.

— A culpa maior é da Laura.

— Hã?! Você continuar com esse ciúme?

— Você sabe que não é ciúmes Tom.

— Deixa ela pra lá, o que ela tem a ver com a gente?

— Eu que te pergunto Tom. Se ela não tem nada a ver com a gente, então porque você estava dormindo com ela ontem na cozinha? — ele fez sinal de que ia falar alguma coisa, mas eu não deixei ele terminar — Ou pior. Por que você estaria fumando com ela?

— Sophia, isso não tem nada a ver. Foi só uma vez.

— Uma vez Tom? Você é muito mesquinho. Deve ter algumas pessoas no mundo, sofrendo, de todas as formas possíveis enquanto você e aquela vaca da Laura estão fumando maconha?

— Você está fazendo um grande alarde quando não precisa de nenhum.

— Um grande alarde? EU QUASE MORRI ONTEM POR CAUSA DELA!

— OK Sophia, mas isso já passou ok? Podemos por favor, ficar numa boa?

— Eu fico numa boa se você me prometer uma coisa.

— O quê?

— Que você vai ficar longe dela. — Tom me lançou um olhar confuso — ela não é boa pessoa Tom. E não está fazendo bem pra gente.

Ele hesitou um pouco antes de responder minha pergunta, o que realmente me chateou um pouco.

— Ok. Eu vou ficar longe dela. Só tem uma coisa... — ele disse coçando a cabeça.

— Ai meu deus! O que foi?

— Ela pediu pra ter aula de tiro.

Notas finais
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