Notas iniciais
Dessa vez a culpa foi da Carol (~Belieber), mas o capítulo está aqui! Obrigada Jay, MrsMonroe, Vitria Aroucha, Rafaela e Vivi Costa pelo favorito e por estarem acompanhando. Obrigada também Valentina, espero que você adore a nossa estória! Dedico esse capítulo a vocês.. ~UmaParawhore

Eu entrei na casa depois de ter ficado algum tempo sentada na areia. Já era noite e não havia ninguém na cozinha, provavelmente Jack estava na ronda e Cássio ainda estava com Bianca. E o melhor de tudo, tinha perdido o jantar. Eu fui direto para o quarto e encontrei Tom lendo um livro que tínhamos encontrado na casa alguns dias atrás.

— O livro está bom? — Ele me olhou por alguns segundos e fechou o livro.

— É um livro quase científico. Não que eu esteja entendendo muita coisa. — Tom deu um sorriso e me fitou.

Eu dei alguns passos e me sentei ao seu lado na cama.

— Eu resolvi que vou procurar uma farmácia para ajudar Bianca.

— Tradução: Oh Tom, você estava certo. Como eu poderia viver sem você? — Ele disse fazendo uma voz fina que ele julgava ser eu, e deu uma risada gostosa e contagiante.

— Vou fingir que nem ouvi isso. — Eu sorri e dei um beijo nele.

— Vai ficar tudo bem Soph — ele disse me puxando para a cama.

— Não que você acredite nisso. Ou eu. — eu respondi.

Dormimos. Não que eu tenha tido uma boa noite de sono, mas eu me sentia um pouco melhor. Assim que acordei procurei Cássio. Ele estava chateado comigo e me respondia com monossílabas. Não precisei dizer muito para que ele aceitasse ir até a cidade de Luciano, apesar de a cidade ser bem longe da casa, era o único lugar que poderíamos encontrar alguma coisa decente.

Não esperamos nem os outros acordarem direito, pegamos duas armas carregadas e as boas e velhas barras de ferro e fomos para a caminhonete. Tom se despediu de mim e disse para ter cuidado. Foram três horas até visualizarmos a primeira casa da cidade. O lugar estava mais deserto do que a última vez, mas eu ainda estava desconfiada.

Cássio estacionou o carro em frente a uma lojinha que parecia ser a farmácia. Descemos do carro e fomos em direção ao estabelecimento com a fachada desbotada. A porta estava destrancada. Peguei a arma que estava na parte de trás da calça e fui andando pelos corredores. O lugar estava seguro, um pouco bagunçado, mas seguro. Cássio pegou uma cesta e foi colocando o máximo de remédios que podia, eu fui atrás do teste de gravidez. Avistei uma prateleira atrás do balcão com algumas caixas que me pareciam ser o teste. Pulei o balcão e peguei dois e coloquei no meu bolso. Quando voltei para perto de Cássio ele já estava com a cesta lotada. Fez um movimento com a cabeça indicando para sairmos dali.

A pequena rua estava como num filme de terror. As lojas tinham placas com mensagens como: “Fuja antes que o tempo acabe”, “Deus nos abençoe” e muitas outras apavorantes. Fui andando até o ponto onde eu e Tom encontramos Luciano. O corpo dele estava lá, com um buraco na testa. Cássio contornou o corpo sem ter ideia de que eu fiz aquilo. Eu matei aquele homem.

Fomos até o fim da rua onde havia um galpão. Cassio olhou por uma fresta e viu que não havia mortos lá dentro. Fez força para arrombar o portão. Entramos e encontramos um paraíso para todos que sobreviveram. Dezenas de caixas lotadas com comida, armas e munição. Olhamos um para o outro e o sorriso foi inevitável. Era a melhor coisa que nos ocorria em semanas. Corri para pegar um pacote de batata frita que estava dentro de uma caixa, nunca mais reclamaria do vento que ficava dentro das embalagens, aquilo era divino. Cássio encontrou uma arma do exército com capacidade para atirar em vários de uma só vez. Andamos pelo galpão e descobrimos muitas coisas uteis. Separamo-nos para cobrir mais área, pois o galpão era bem grande. Teríamos suprimentos para o ano todo.

O galpão parecia um parque de diversão para mim. Passei por todos os corredores, o que me fazia mais feliz. Estava passando pelo último corredor da minha parte quando Cássio me chamou. Fui até ele e vi um corpo no chão, mas com a cabeça levantada.

— O que aconteceu? — perguntei. O corpo era de uma garota e ela estava mais viva do que nunca.

— Por favor, não me matem! — a garota disse tremendo e chorando.

— Ela estava escondida atrás de algumas caixas — Cássio disse para mim acabando com sua greve do silêncio.

— Qual o seu nome? — perguntei.

— L-L-Laura. — ela disse me olhando como se eu fosse sua heroína.

— Levante-se, Laura — eu falei — O que você faz sozinha aqui?

Ela levantou com rapidez. Era loira. Seu cabelo estava com um corte desgrenhado, como se tivesse pegado uma tesoura e cortado a esmo. Era magra e alta. Suas roupas estavam limpas, mas ela tinha um cheiro forte impregnado.

— Eu não estava sozinha até um tempo atrás — ela disse — O cara que ficava aqui desapareceu — ela não precisou falar mais nada para que eu soubesse que aquele cara era o Luciano.

— Esse cara era seu namorado?— Cássio perguntou.

— Não — ela disse — Eu o odiava.

— Por quê? — eu perguntei curiosa. Laura se retraiu um pouco, mas resolveu falar.

— Ele me mantinha presa aqui — ela chorava — Fui trocada por uma caixa de armas pelo meu grupo. Ele me fez sua escrava sexual.

Pensei que esse poderia ter sido meu destino se eu não tivesse o matado. Por um momento eu senti que fiz a coisa certa.

— Não se preocupe — eu disse — Você está segura agora.

Cássio e eu levamos Laura para a caminhonete, ela estava muito abalada. Levamos também cinco caixas lotadas com armas e mantimentos. Laura passou boa parte da viagem em silêncio. Sua expressão era uma mistura de esperança e medo. Jenna estava na areia se bronzeando, Tom estava de vigia e Jack dentro de casa. Tom veio correndo nos ajudar e me deu um beijo na bochecha. Dei uma olhada para trás e ele me seguiu com os olhos. Laura olhava para Tom com um olhar diferente. Aquilo me incomodou um pouco, mas nada muito grave. Cássio entregou uma caixa para Tom e eles começaram a tirar as coisas de dentro da caminhonete.

— Vamos Laura, vamos entrar.

Entrei na casa e encontrei Jack jogando paciência com um baralho velho.

— Encontramos algo na cidade — eu disse para ele. Assim que falei, Laura entrou pela porta, e logo trás dela os outros. Tom parou um pouco atrás de mim e colocou o braço em volta da minha cintura — Falando no diabo! — falei irônica.

Laura estava entre Jenna e Cássio. Sua expressão era de alivio, mas eu conseguia sentir que ela não estava totalmente à vontade. Seus olhos claros como o mar fitavam algo atrás de mim.

Tom.

Tentei não ligar para aquilo, afinal ela era uma garota solitária e seria totalmente compreensível se ela se sentisse atraída por um belo garoto moreno, alto e forte. Mas eu me segurei para não correr até ela e gritar para a novata: “Ele é meu”. Ninguém parecia perceber essa troca de olhares.

— Essa é a Laura — Cássio disse finalmente — A encontramos em um galpão... E encontramos também umas coisas muito valiosas!

— O quê? — Jack perguntou indo em direção à porta. Lá ele olhou para a caminhonete e viu as caixas empilhadas. O sorriso no rosto demonstrava satisfação — Não me diga que aquilo é...

— Armas e comida — eu disse — E tem muito mais de onde tiramos.

— Vocês voltaram à cidade? — Tom estava preocupado. Nós dois sabíamos o que aconteceu lá.

— Sim — Cássio disse — Mas não havia mortos nas ruas.

— Você está com fome, Laura? — Jenna perguntou maternalmente. Jenna parecia mesmo uma mãe. Nunca soube da história dela completa, mas sabia que ele tinha sofrido muito com a perda do único filho.

— Sim — ela concordou e seguiu Jenna até a cozinha.

— E Bianca? — Cássio perguntou para Jack e Tom.

— Ficou no quarto o dia todo — Tom disse — Jenna levou comida para ela.

— Vou até lá — Cássio disse.

— Não — eu disse impedindo ele de subir — Deixe que eu fale com ela. Preciso pedir desculpas... Por favor.

Cássio hesitou um pouco, mas aceitou. Coloquei a mão no bolso da calça e senti os testes de gravidez. Subi as escadas e fui direto para o quarto dela. Antes de entrar eu peguei um teste e deixei o outro no bolso da minha calça. Bati na porta e ouvi alguma coisa parecida com “entre”. Bianca estava pálida e triste.

— Desculpa tá? — falei — Não queria te ofender. Só quero o seu bem.

— Fiquei triste com você — ela disse se levantando da cama — Mas eu te entendo... Também não aceitaria muito bem se você estivesse grávida nesse apocalipse.

— Amigas? — eu perguntei estendendo a mão.

— Mais que isso... — ela se aproximou e me abraçou forte — Irmãs.

Bianca chorou baixinho e eu também. Nunca havíamos sido próximas, mas eu sentia que ela era muito importante para mim. Nos separamos e eu mostrei o teste de gravidez. Ela fez uma careta, mas logo estava no banheiro do quarto. Esperei sentada na cama por algum tempo. Bianca não saía do banheiro e eu estava ansiosa, uma parte remota e iludida de mim acreditava que o teste daria negativo...

— Pronto — ela saiu com o teste em mãos — Deu positivo.

Bianca parecia mais madura. Ela não era mais a garota medrosa que encontramos na loja de departamentos. Ela era a futura mãe. E eu faria com que a vida dela e a do bebê fossem a mais bela possível. Aproximei-me dela e a abracei.

— Tudo vai dá certo — eu disse para acalmá-la.

— Posso entrar? — era Cássio ele parecia feliz em ver eu e Bianca abraçadas.

— Claro. Eu já estava de saída — eu disse.

— Sophia — Bianca me chamou, eu me virei e ela hesitou um pouco antes de falar — Obrigada!

Eu sorri para ela. No entanto, eu estava desesperada pelo que estava por vim. Fui para meu quarto e encontrei Tom. Ele me abraçou e me beijo na testa.

— Como foi? — Tom perguntou.

— Ela está grávida — eu disse. Tirei o outro teste de gravidez do bolso e coloquei na cama — E agora é a minha vez.

Tom se aproximou mais uma vez de mim. Nossos rostos estavam encostados, a poucos centímetros de um beijo.

— Não importa o resultado — Tom disse quase num sussurro — Vou sempre está do seu lado... Sempre.

E Tom selou os lábios aos meus. Não importava quantas vezes eu o beijasse, sempre pareceria que era algo novo, quase irreal, algo que eu não me sentia digna de merecer. Nunca em minha vida pensei que encontraria um cara tão perfeito para mim. Sai dos seus braços, peguei o teste e fui até o banheiro. fechei a porta. Não sabia direito como fazer aquilo. Só fiz o que estava escrito na bula. Esperei pelas tão temidas duas tiras no teste. O tempo estava passando pelo seu curso normal, mas na minha cabeça tudo estava indo bem mais devagar. Pronto... Estava Pronto...

Notas finais
Vocês sabem o que vou pedir.. Então eu vou pedir de novo. Os comentários nos incentivam a continuar a escrever, e é muito bom saber que tem gente lendo uma criação nossa... Ufa! Ahhh, e eu quero opiniões sobre a Laura, o que acham dela? Fiquem com os deuses *-* PS: Agora temos um blog e um Tumblr, entre lá: escritorasonline.blogspot.com.br e http://escritoras-online.tumblr.com/ :D