The Love is in the Air.
1 Capítulo 1 - Passados dolorosos...
Notas iniciais
(Vanessa — 10 anos atrás)
– Mamãe? — Chamei a mesma procurando-a pela casa inteira,fui até o quarto e quando girei a maçaneta,estava trancava,ouvi gritos,com certeza era a voz de minha mãe,fiquei em desespero,não sabia o que estava acontecendo,se deveria fugir,chamar alguém ou tentar abrir a porta,então sai correndo de casa o mais rápido possível,meus pais eram separados mas meu pai morava ali perto de casa,corri até sua casa e toquei a campainha várias vezes seguidas enquanto sentia o coração acelerado e respirava ofegante,meu pai abriu a porta,estava bêbado quase caindo no chão. Meu Deus,o que eu faria agora? minha mãe quase morrendo e como meu pai ia ajudar assim?! – Papai,eu preciso da sua ajuda,a mamãe está com problemas em casa,por favor ajude-a rápido — Falei rapidamente atravessando as palavras mas a tentativa foi em vão,meu pai segurou em meu braço e me puxou para dentro de casa,fiquei assustada com a violência que ele me puxava,ele me encostou na parede e me beijou contra minha vontade,tentei me soltar mas ele tinha o dobro de força,então comecei a chorar compulsivamente,minhas pernas tremiam,estava preocupada com minha mãe e com o que meu pai seria capaz de fazer,nunca tinha visto daquele jeito,parecia que tinha ódio nos olhos,pudia ve-los enquanto ele segurava meus pulsos com força,em um movimento brusco ele tirou minha roupa,eu gritei e tentei correr já sabendo onde isso iria parar,ele foi mais rápido me puxou e jogou na cama,me deixou de roupas íntimas e começou a passar as mãos pelo meu corpo,eu sentia nojo,medo,queria sair dali,quanto mais eu chorava mais ganhava tapas em meu rosto,senti meu coração quase pular pra fora,estava tão nervosa que poderia desmaiar ali mesmo,comecei a suar frio,gritei pela minha mãe e quando ele ouviu isso,só piorou as coisas arrancou minhas roupas íntimas rasgando-as e tirou todas as peças de roupa dele na minha frente,eu paralisei,não conseguia mais mexer o corpo,eu fechei as pernas,tentei puxar o edredom para me cobrir ele não deixou,passou o pênis dele em meu rosto e eu fechei os olhos,ele olhou minha intimidade e eu senti a maldade em seu olhar,então comecei a soluçar de tanto que chorava,não importava o quanto gritava,ninguém ouvia e só piorava as coisas,ele afastou minhas pernas e eu implorei para ele me deixar ir embora,levei outro tapa na cara,claro,ele encaixou o pênis dele em minha intimidade e penetrou ali,eu gemi de dor,gritei,estava me machucando,ele fazia movimentos de vai e vem fortes e agressivos em minha entrada,até que eu desmaiei de tanta dor que sentia mas ele não parou continuou até onde quis,algumas horas depois acordei e estava em um hospital,rezei para aquilo tudo ser um pesadelo,comecei a chorar quando vi o médico entrar na sala,estava com medo que me tocasse,percebendo meu desconforto o médico chamou uma médica mulher para que eu me sentisse mais a vontade,ela veio em minha direção e parou ali.
– Você vai ficar bem mocinha. — Ela disse e eu gaguejei.
– Cadê minha mãe? — Falei rapidamente e com certo desespero,a única pessoa que poderia me trazer alguma confiança,era ela! — Ela me olhou com um olhar preocupante eu gelei na hora,não podia ser verdade.
– Eu não queria falar isso mas você iria descobrir mais cedo ou mais tarde,sua mãe infelizmente faleceu mas você vai ficar bem... — Ela sentou ao meu lado na maca e segurou em minha mão tentando trazer algum conforto,óbvio que foi em vão,eu chorei e fiquei em pânico,queria sair dali,gritava e tentava jogar as coisas no chão,logo entraram mais médicos na sala e eu dormi novamente,quando acordei estava em casa,outra novidade para mim,era a casa de Thaís,minha melhor amiga do colégio,olhei para ela ainda um pouco tonta por causa dos remédios que haviam me dado mas não falei nada apenas tampei meu rosto com as mãos e chorei compulsivamente como uma criança,ela sentou ao meu lado no sofá e me abraçou.
– Van,vai ficar tudo bem,você tem a mim agora,eu sei que é difícil e muito mas você vai ter que superar isso e seguir em frente,eu vou cuidar de você,vai ficar tudo bem. Realmente Thaís era muito forte,seus pais morreram em um acidente de carro quando ela tinha uns 5 anos,desde então ela morou com a avó que morreu e então ela teve que seguir a vida sozinha,achar algum trabalho e se virar,era muito estudiosa,trabalhadora,madura e responsável,eu a admirava muito por isso,abracei a mesma forte,até que surgiu uma duvida em minha cabeça,queria saber se meu pai estava vivo,será que posso chamar aquele monstro de pai?
– Thata... M-meu pai está vivo? — Eu disse e chorava ainda mais ao lembrar das cenas que passavam em minha cabeça.
– Não Van,ele não está e isso não importa mais... — Ela limpou minhas lágrimas que insistiam em cair mais e segurou em minha mão,eu levantei e ela me levou até o quarto,apontou para a cama. – Você vai dormir ali... — Ela me olhou e eu apenas afirmei com a cabeça,ela deitou a cama ao lado da minha e eu deitei na cama,me cobri e ela apagou as luzes,tremi e agarrei o travesseiro,ela me olhou e sentiu meu desconforto,então acendeu alguns abajures e deitou ao meu lado. – Tudo bem se eu dormir aqui com você? — Eu apenas afirmei com a cabeça,não conseguia falar muita coisa,só queria... morrer,é uma dor que não desejo a ninguém,os anos foram passando e eu fiquei melhor,segui com a vida é claro,Thaís me ajudou muito,cuidou de mim como ninguém,eu confiava apenas nela,mais ninguém me passava segurança,até quem eu já confiava,não conseguia confiar mais em ninguém,quando fiz 21 anos consegui ganhar grana com algumas coisas que fazia em uma clínica veterinária,eu estudava para isso,gostava dos animais,amava na verdade,nenhum animal poderia me fazer algum mal,ao contrário dos seres humanos,então comprei meu próprio apartamento,claro que sofri morando sozinha lá,era tudo tão solitário mas Thaís me incentivou,sabia que isso seria bom para meu amadurecimento,ela me visitava todos os dias,a gente ria,comia pipoca,via filmes e brincava de brincadeiras bobas,consegui ter minha própria clínica,era dona de um restaurante japonês também,tinha bastante dinheiro e Thaís era dona de uma boate ali perto,ganhava muito dinheiro até hoje,relembrar do passado nem sempre é muito bom....
(Clara — 10 anos atrás)
Eu tinha quinze anos,era uma muleca,na verdade até que bem madura para minha idade,na escola aprontava todas,não fazia nenhuma lição,chegava atrasada nas aulas,faltava as aulas e desrespeitava os professores,tinha meus casinhos,claro,com meninos e meninas,eu me definia bissexual,desde os 10 anos comecei a me interessar por garotas,tinha casos com minhas amigas,todo dia atrás da escola ficava com uma menina diferente,achava isso interessante,até que me apaixonei,me apaixonei por Marina,era uma ruiva de olhos verdes,branquinha e com sardas,seus cabelos chegavam até a bunda,era linda,a gente ficava algumas vezes e claro,começamos a namorar escondidas,pelo menos eu,já que ela já era bem assumida para a família que aceitava numa boa,ela me pressionava para contar para minha família,era chato esconder um relacionamento,chato? eu achava excitante ''um amor ás escuras'',até que chegou o dia,um ano depois decidi contar a minha mãe,tinha medo mas tinha esperanças.
– Mãe,preciso falar com você... — Disse e encostei na porta da cozinha enquanto olhava a mesma cozinhando,ela virou para mim e fez uma cara de brava.
– O que você aprontou dessa vez? — Ela perguntou e eu neguei com a cabeça.
– Nada,não tem nada haver com isso,preciso falar com você,seriamente! — Disse o mais sério possível e ela notou que era verdade,sentou no sofá e eu fiquei em sua frente.
– Fala filha,estou ouvindo...
– Mãe,eu to namorando,sei que não vai aceitar isso mas não precisa aceitar,só respeitar! — Eu disse um pouco nervosa e ela me olhou e sorrio,eu estranhei.
– Que bom que está namorando filha,já era hora,eu já estava pensando que era lésbica,só andava com meninas! — Ela disse e eu arregalei os olhos,quase engasguei.
– E se eu fosse lésbica? — Perguntei curiosa com sua resposta.
– Se você fosse lésbica,eu não iria olhar nem na sua cara,seria um desgosto,eu coloco uma filha no mundo para virar lésbica? era só o que me faltava.
– Então não olhe mais,eu sou lésbica,você aceitando ou não,essa é uma escolha minha. — Falei sem temer e fui correndo ao quarto,fechei a porta e ela veio atrás de mim batendo na porta.
– O que você disse Clara Aguilar? Se você é lésbica,saia de casa,saia agora! — Ela perguntou achando que fosse alguma piadinha idiota,eu sai do quarto e sai de casa em seguida,era 22:00,ela não foi atrás de mim,apenas me ligou e quando eu confirmei tudo ela nem mandou eu voltar,ficou muito estressada e falou que não iria conviver com essa vergonha,fui para a casa da Marina é claro,ela abriu a porta e sorrio,aquele sorriso nossa,era lindo.
– Oi amor, o que tá fazendo aqui essa hora? falou com sua mãe?
– Sim e é exatamente por isso que estou aqui,ela me mandou embora,não tenho onde ficar Marina! — Ela me olhou e arregalou os olhos,me puxou para dentro de sua casa e eu entrei,seus pais estavam viajando,só tinha eu e ela.
– Não tem problema,aposto que você vai se divertir muito aqui... comigo! — Ela sorriu sapeca e eu entendi,fomos para o quarto e sem muita demora já estavamos nuas,fizemos sexo,brincamos com alguns brinquedinhos também,aquela não foi a primeira vez que fizemos isso mas foi especial para mim como todas as outras! Fiquei morando com a Marina,os pais dela aceitaram super bem,me tratavam como uma filha,até que um dia de sábado a noite peguei Marina conversando alguma coisa no whatsapp mas não consegui ler,ela estava com o celular praticamente grudado na cara dela,fingi que estava dormindo enquanto tentava ver alguma coisa,não consegui,acordamos,almoçamos e fizemos toda a rotina de sempre,namoramos também mas Marina estava mais fria comigo,isso estava me deixando magoada,eu chorava algumas noites por isso,ela via,percebia e nem perguntava o que estava acontecendo,até que um dia ela inventou uma desculpa para sair sem mim,esfarrapada como sempre,fui atrás dela,sem ela ver é claro,a encontrei ela estava dando beijos e amassos em outra garota,meu coração partiu,partiu na mesma hora,eu senti que meu mundo havia caído,eu sai de lá correndo e chorando,ela me viu e o que fez? RIU DA MINHA CARA! Marina nunca me amou,só me usou para ser mais popular é claro,todo mundo me conhecia e sabia que eu não me apaixonava por ninguém,que só ficava por diversão,ela tirou meu brilho,partiu meu coração,estragou minha vida,voltei para casa,minha mãe me aceitou,com uma condição: Eu nunca mais iria me envolver com outra mulher na vida! Eu aceitei,não me apegava á mais ninguém,não era brincalhona como antes,não deixava ninguém entrar em minha vida e ter mais intimidade,eu pegava muitos,muitas sim,isso era divertido,eu precisava de sexo,me dava prazer,tornava minha vida melhor,foquei nisso a minha vida toda,fiquei um pouco mais estudiosa mas nunca mais abri meu coração pra ninguém e acho que isso não vai acontecer novamente,aquela Clarinha doce,sensível,romântica apaixonada,não existia mais,agora é só a Clara,cheia de mágoas que tenta fugir do passado e que brinca com as pessoas antes das pessoas brincarem com ela,vivia bem,com 18 anos já havia saído de casa,era muito independente,vivia sozinha mas nunca estava sozinha,minha casa era a que tinha mais festas,me droguei por muitos anos,fumei maconha,crack,cheirei pó,fiz tudo,tinha um amigo Fabian,é claro que eu não me apaixonei mas ele era apaixonado por mim,era bonito,não vou negar e depois de tanto tempo sem um homem quis pegar,virou meu ficante,tivemos um relacionamento mas terminou depois de alguns meses,não me apeguei então não sofri com isso,depois comecei a lucrar como prostituta,era a puta mais cara,não me importava com o que falavam,não me sentia usada mas depois de um tempo isso estava ficando desgastante,queria sair dessa vida mas o que iria fazer? me apegar a alguém? NUNCA!
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