The Lost Hope
13 Madeline
Notas iniciais
Quando abro os olhos, vejo de relance Anna e Jessamine.
– Onde estamos? – Indago
Anna, que parece ter acabado de acordar (como eu), olha ao redor.
– Parece uma cela.
E, de fato, parece. Estamos em cubículo cinza, que tem colchão velho, furado e provavelmente mofado. No canto direito, há uma patente e uma pia também cinza. A parede atrás de mim está repleta de riscos, aqueles tão comuns em cadeias, que marcam os dias confinados.
– Que eu saiba, não cometi nenhum crime. – Comento.
Jessie desperta, olha ao redor, confusa.
– Que droga é essa? – Pergunta, mais para si mesma do que para nós.
– Não deveríamos ter confiado em Will e Camille, quero dizer, acabamos de conhecê-los e eles já nos botaram em uma cilada. – Falo
– Como minha mãe diz: Não confie em estranhos – Anna bufa.
– Eu acho que tudo foi um engano, eles não fariam isso conosco – Jessie diz, com firmeza.
– Você está cega – Falo – Nos enganaram, e agora nos deixarão nessa cela até apodrecermos.
– Não vão. – Jessie responde.
– Claro, você acaba de conhecer um cara e só porque ele está dando em cima de você, vai acreditar que é do bem.- Falo, irritada.
– Abra os olhos, Jessie, estamos mortas. – Anna diz
– Não fui a única a acreditar neles. Lembre-se de que me seguiram. Ninguém as obrigou a vir até aqui.
– Está caidinha por ele, isso não é motivo para que ele seja um santo – Resmungo.
– Não estou caidinha por ele. –Jessie fala.
Anna e eu a encaramos, como se disséssemos “Ah,ta”.
– Podem não confiar, mas alguma coisa dentro de mim diz que eu posso confiar nele. – Fala. – E eu irei obedecer aos sinais da minha mente.
Um tempo se passa, eu gostaria de poder me levantar, mas o tornozelo me faria cair.
Como se lesse meus pensamentos, Jessie se levanta e vai até a frente da cela.
– Vamos ver... – Fala – Temos um enorme corredor, uma porta lá no fundo. Várias celas vazias, pelo o que vejo. E nada de comida.
Anna se levanta, indo até ela.
– Mas que merda.
As duas voltam para o fundo da cela, sentando em lugares distantes. Ficamos em silêncio por alguns minutos, cada uma em um momento de solidão com a mente. As bagunças dos últimos dias me invadem, cada segundo do que passei. A fuga, abandonar minha família e Dixon para trás, enfrentar ZR’s , ser capturada e enfiada em uma cela com outras duas garotas que são o mais próximo de amizade aqui do lado de fora. Tento conter as lágrimas, é muita coisa para tão pouco tempo. Olho para o Teto, absorvendo cada segundo daquela solidão.
– O que é a felicidade para vocês?– Indago, meio que do nada.
– Sério mesmo? Estamos presas em uma cela e você vem com essas perguntas filosóficas? – Anna comente, indignada – Já procurou um psicólogo?
– Acho que esse não o momento para falar de felicidade. – Jessie fala.
– Seria legal, assim não entraríamos no túnel do tédio – Falo.
– Você precisa de açúcar no sangue, está ficando doida. – Anna diz.
– E o que açúcar tem de culpa pela insanidade? – Jessie indaga
– Não sei, mas pareceu legal falar isso. – Anna diz, balançando os ombros.
Abro um sorriso.
– Estou com fome. – Reclamo.
– Quem não está? – Jessie responde.
Ouço o barulho de uma porta rangendo, seguido por passos. Um homem de roupa preta para em frente à cela.
– Quem é você? Vai nos tirar daqui? – Indaga Anna, se levantando.
Ele pega três sacos plásticos da bolsa e os atira para dentro da cela.
– O que é isso? – Indaga Jessie.
Ele fecha o zíper da bolsa.
– Ei, quando vamos sair? – Grito.
Mas ele já está se afastando, sem dar respostas.
– Que beleza, nos arrumaram um mudo. – Jessie resmunga. Pega as três sacolas, depois as estende para nós. Pegamos uma.
Abro a sacolinha, retirando a maçã, a barrinha de cereal a garrafa de água.
Olho para as meninas, todas parecem ter a mesma coisa nas sacolas. Exceto Jessamine, que está lendo um papel.
– O que tem aí? – Indago
– É de Will, fala que foi ele quem mandou a comida.
Faz uma bolinha com o papel e o arremessa para mim.
“Sr.Will foi quem deu essa comida” é tudo o que diz. Arremesso para Anna, mas ela já está comendo a maçã e nem lê direito.
Resolvo imitar sua ação, mordendo a fruta.
* * *
Pelo meu relógio, confiro que já passa das onze da noite. Ninguém apareceu novamente, então todas estamos com fome. O colchão está em um canto, já que ninguém teve coragem de se deitar nele. Jessie está virada para a parede, assim como Anna, ambas perdidas em pensamentos. Também estou perdida em pensamentos.
Meus pais, meu irmão, só gostaria de saber como estão. Gostaria de saber se estão vivos.
Dixon... Como será que está indo? Como foi descer as escadas e não me encontrar? Como o governo está lidando com a fuga de três jovens?
Os minutos se passam, devagar. Me lembro de uma canção que minha mãe compusera para que eu dormisse:
Venha, pequena criança
A hora chegou.
De deitar,fechar os olhos
e deixar a escuridão te guiar.
Não tenha medo, eu estarei aqui
vendo você dormir.
A voz dela me inunda, e de repente, é como se eu tivesse cinco anos novamente. Me aconchego em um colo invisível, em uma casa invisível, onde estou protegida de todos os perigos.
Acabo adormecendo.
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