The Lone Fox

3 Mudanças de realidade


Notas iniciais
Espero que gostem^^

Mesmo quando eu sentia o vazio, e o tempo se passar muito rápido, eu acabei parando de sentir emoções e parei de pensar. Por um momento senti que havia morrido, e eu ficaria ali pela eternidade, pelo menos eu parei de sentir dor.

Em algum momento desconhecido dessa minha eternidade, eu vi um clarão. Minha visão estava borrada e a luz era muito forte. Quando eu notei, abri os olhos lentamente e via dois velhinhos surpresos tentando falar comigo. Meus sentidos ainda estavam confusos, e eu não conseguia entender o que eles tentavam me falar, e meus olhos permaneciam borrados. Com um pouco mais de tempo, eu comecei a ficar consciente novamente, e recuperei meus sentidos. Os velhinhos na verdade eram humanos, um senhor e uma senhora. E na mesma hora, me senti ameaçada, na mesma hora eu saltem com todas minhas forças para trás. Ao saltar eu senti tontura e vi tudo borrado novamente, eu me sentia fraca. Os velhinhos perceberam que eu estava assustada e aterrorizada, e eles sabiam que não podiam me culpar por isso, eles sabiam o que eu tinha passado. Nesse instante os velhinhos tentaram me acalmar e mostrar que eles não eram uma ameaça, demonstrando não ter nenhuma arma, não se aproximar e falar calmamente comigo. Eu comecei a relaxar um pouco mais. Por dentro, eu sabia que não podia simplesmente aceitar que todos os humanos eram criaturas maldosas. Aceitar isso sem provas, era o mesmo que afirmar a existência de uma fonte da juventude mesmo sem ter provas. Além disso, eles não pareciam ser pessoas ruins, ou que iriam me machucar, e muito menos pareciam aqueles que mataram meu povo. Ainda desconfiada resolvi ouvi-los.

O casal de velhinhos me disseram que eles eram arqueólogos, e que eu era basicamente um milagre, até mais que um milagre, aquilo estava mais para algo impossível.

Eles me explicaram que se passou 230 anos desde que houve esse ataque cruel que dizimou todas Fenris. E que o papel deles, era descobrir mais sobre o meu povo, e sua história. Eles também me disseram que depois que eles dizimaram meu povo nenhum humano pode encontrar a lendária fonte dos rumores que viajavam por todas as civilizações. E assim os humanos se arrependeram até um certo ponto, e definiram isso como um acontecimento horrível que poderia ter sido evitado. Mas depois de tantos anos, os humanos simplesmente pararam de pedir perdão à Deusa Elora por tal ato cruel. E então ignoraram praticamente o fato das Fenris terem existidos. Porem os mais determinados Arqueólogos fizeram pesquisas revolucionárias sobre o modo de vida de nosso povo, e passaram histórias que aprenderam em relatos escritos e tesouros escondidos. Com um tempo aqueles que tiveram relação com arqueólogos acabaram se interessando pelas histórias de Fenris, porem, esse número de pessoas são poucas. Até por que existem poucos que gostam de trabalhar em um ramo de arqueólogo.

Depois de toda essa explicação que me abalava, eu olhei ao meu ao redor que lembro haver muita grama, completamente desertificado, e quente. A floresta que era próxima à localização de meu povo permanecia intacta, mas só era possível ver uma camada de areia sob o solo. Tudo aquilo me destruía por dentro, era doloroso. Eu com apenas 8 anos de idade tive que deixar pra trás todo o meu povo, e eu não tive escolha.

Os velhinhos sabiam que não poderiam simplesmente me abandonar ali, e eles definidamente queriam saber mais sobre mim e meu povo. O senhor mas a estava animado pela descoberta, mas a senhora estava um pouco descontente. O casal de velhinhos então me disse para fazer o mesmo que eles faziam, e segui-los até a capital dos humanos.

No momento que eles disseram que eu iria para capital dos humanos, achei que fosse uma péssima ideia, mas era muito melhor do que me simplesmente abandonarem ali. Para esconder minhas orelhas o casal me deu um tipo de manto com capuz de cor preta, Também me aconselharam esconder meu rabo, pois isso com certeza não seria uma bela visão. Até que eu consegui esconder meu rabo entre minhas vestimentas.

Ao se aproximar da capital, era possível ver um castelo gigante, era extremamente imenso, e quando eu notei: o castelo era a própria capital. O casal de velhinhos conversavam com um guarda na entrada da capital, mostraram uma identidade, e começaram a criar uma desculpa para me deixar entrarem na capital. Assim eu me passei por uma neta do casal que iria viver com eles, pois supostamente os meus pais não tinham condições de me cuidar e eram de uma vila distante. E ali mesmo, o guarda suspirou e começou a me fazer umas perguntas, sobre meu nome, minha idade, e outras informações. No final o guarda me deu uma identidade, e disse para mim guardar com muito cuidado.

Eu ainda permanecia quieta, eu havia acabado de passar por uma situação difícil, mesmo que isso tenha sido há tanto tempo atrás. E o casal me acolheu de forma gentil e agradável. A senhora sorria, mas na mesma hora parecia ficar descontente, algo parecia a preocupar. Nós andávamos por uma rua de pedras na cidade, e então ao andar pela cidade eles pararam em frente à uma casa velha e feita com uma madeira escura. "Sinta-se em casa", eles me disseram. Quando entramos, eles me mostraram o local. Onde ficava a cozinha, a sala, e me disseram que eu dormiria no sótão, pois não havia outros quartos. A senhora lavava as mãos na cozinha e preparava algo, e o senhor subiu às escadas para ajeitar o sótão para mim viver. Eu fiquei parada e sem palavras, quieta no meio da sala, olhando para a senhora, e olhando ao redor. A casa era bem úmida e abafada. Tudo era feito da mesma madeira escura da casa, com exceção da cozinha. Eu me sentia estranha, eu não sabia o que fazer ou ao que reagir. Até que a senhora parou de fazer o que estava fazendo e olhou para mim. Ela me encarou por um tempo, até que ela suspirou e veio em minha direção. Eu tinha a impressão que ela não gostava de mim. Mas surpreendentemente ela se sentou na cadeira de madeira localizada na sala e olhava para mim com um pequeno sorriso. Talvez eu estivesse... enganada? Depois de um breve silêncio ela pediu para me contar sobre como eu vivia, antes de "aquilo" ter acontecido.

Ela me perguntou de uma forma calorosa e relaxada, mas algo dentro de mim recusava a falar algo, eu permanecia quieta o tempo todo. Na mesma hora era parou de sorrir. Sinceramente, eu notei que eu não me sentia muito confortável na casa. Ela me olhou por um tempo e suspirou novamente, "Quando puder falar algo, eu estou aqui para escutar, leve o tempo que precisar", disse a senhora e ela se levantou e foi para o seu quarto. Assim que ela saiu, por algum motivo eu comecei a chorar baixinho. Tudo que eu conhecia, toda a minha vida, todos que me apoiavam, tudo parecia ter se quebrado diante de mim. Eu me sentia sozinha... Eu queria ver tudo e todos novamente, mas não havia restado nada daquelas minhas lembranças preciosas. Eu me sentei no cantinho da sala calada, até que o senhor desceu as escadas do sótão me informando que meu quarto estava pronto, e que eu podia subir.

Eu não queria ter que sair dali, não me sentia confortável, mas queria simplesmente que eles me ignorassem... Eu sentia uma dor muito profunda, uma dor na qual eu sabia que não poderia curar. Eu não queria preocupar, ou dar trabalho para os velhinhos que me acolheram, portanto eu fui direto para o sótão. Sabia que talvez, no sótão eu poderia ficar um pouco mais sozinha.

Aquele sótão era pequeno e escuro, e havia um pequeno colchão onde eu iria dormir. O senhor também fez questão de limpar um pequeno móvel antigo e colocar um abajur que localizava-se ao lado do colchão. Eu sentei no colchão e tentava me consolar um pouco depois daquele choque todo. Eu estava completamente abalada. As palavras não saiam de minha boca. E eu decidi ali mesmo dormir.

Eu acordava e comia, voltava para o sótão e ficava quieta. Principalmente o senhor, estava preocupado comigo. Esses tipos de dias vieram a se repetir várias vezes. Até que eu comecei a ter pesadelos sobre minha família e meus amigos morrendo, constantemente. Era cruel ao ponto de eu acordar gritando por socorro e pelos meus amados conhecidos. O casal sentia-se cada vez mais e mais preocupado, porém não sabiam o que dizer, e eu apenar ficava com um olhar cada vez mais frio e vazio. Depois de um tempo o senhor me chamou e me deu uma pequena pedra preciosa brilhante, algo parecido com um cristal. Eu perguntei o motivo de ele ter me dado isso, e ele disse que essa pedra afasta os sonhos ruins e pessoas ruins. "Eu estou preocupado, eu apenas quero que viva feliz. Sei que não é humana, mas é uma criança, e nenhuma criança merece passar pelo o que você passou" disse o senhor, eu não consegui segurar minhas lagrimas e abracei o senhor sem pensar duas vezes.

Depois disso eu comecei a me abrir um pouco mais com os velhinhos, consegui conversar e falar novamente, e meus olhos deixaram de ser frios e vazios como antes. O senhor disse que seu nome era Igoru, e o nome da senhora era Camira. Depois de um tempo, aprendi a me dar bem com eles e se comunicar normalmente. Inclusive eu contava histórias do meu povo para eles, e todas as vezes que contava algo novo eles ficavam extremamente alegres.

Tudo parecia ir melhorando, eu não só parecia controlar melhor minha magia, como as coisas iam ao ponto de eles me permitirem sair de casa com as orelhas e o rabo escondidos. Eu definitivamente estava muito melhor do que antes. Um dia quando eu voltei da farmácia que eles precisavam de um remédio, eu vi a senhora Camira muito preocupada, e quase apavorada com uma carta que ela havia recebido. Me perguntava por que ela estava tão preocupada e assustada... mas eu sentia que não deveria perguntar.

Mais tarde eu vi Camira e Igoru conversando na cozinha com uma expressão séria. Resolvi me aproximar e escutar a conversa. Eu lembro de ter ouvido "não podemos continuar assim", e "você sabe o que vai acontecer se continuarmos com ELA". Eu paralisei de medo na hora que ouvi a palavra "ELA". Sabiam que estavam falando de mim, mas eu não entendia o que eu havia feito de errado. Portanto eu fingi não ter ouvido nada, e fui diretamente para o sótão que eu vivia. Eu chorava de medo e frustração, enquanto segurava firmemente a pedra que o senhor Igoru me deu.

Depois dessa noite eu não ouvi mais nada, nem discussão, nem sobre a carta, absolutamente nada. A senhora também não apresentava-se mais insegura como ela geralmente era. E desde então passou a sempre sorrir pra mim.

Estive preocupada de que eles me abandonassem, mas mantive a fé de que eles não fariam tal coisa. Tudo estava normal, e eu passei a sempre conversar sobre meu povo. Até que um dia a mulher tocou no assunto da lenda da fonte da juventude, e se ela realmente existia. e na mesma hora senti adrenalina, e recusava fortemente a falar. Ao ponto de que eu quase fui violenta."NÃO... NÃO EXISTE... É MENTIRA, É MENTIRA!", eu começava a ficar pálida e a senhora se preocupou e resolveu não tocar mais no assunto, ela percebeu que talvez isso realmente me afetaria por ter sido a razão da crueldade que ocorreu comigo. Ela pediu desculpas e mudou de assunto. Eu definitivamente me senti desconfortável, incomodada, e abalada, mas eu sabia que ela não tinha culpa de nada, e eu também havia pedido desculpas.

Tudo parecia ir muito bem, minhas relações com o casal tinham melhorado, eu comecei a conhecer as pessoas aos arredores, e passei a voltar a ser quase alegre. Eu passei 2 anos sendo cuidada pelos velhinhos desde então, e agora estava com 10 anos. Estava satisfeita atualmente, pois não estava mais sozinha. Tudo voltava a ser pacífico de seu próprio jeito

Mas o destino fazia questão de acabar com a paz toda vez que eu encontrava. Aos meus 10 anos, eu não tinha noção do que estava prestes a acontecer.

Em um belo dia, os velhinhos tinham pedido para mim ir no mercadinho pela manhã. Quando eu voltava do pequeno mercado da região, ao me aproximar de minha atual casa, derrubei tudo que tinha acabado de comprar e entrei em choque. Estava pálida diante daquilo. A casa estava em chamas.

Eu sabia que os velhinhos estavam lá dentro da casa, e em desespero eu não consegui nem me aproximar da casa. Até que uma pequena carta meio queimada voou de uma janela. A carta era de um tal de comitê de impostos da capital. E dizia que eles estavam ilegalmente vivendo com 3 pessoas sob o imposto de 2. Sendo que eu sabia que eles não tinham condição de pagar o imposto de uma terceira pessoa. Na carta também dizia que... se eles não pagassem logo... algo ruim iria acontecer... e essa terceira pessoa não seria registrada mais como cidadão, mesmo com um passe. Ou seja ela se tornaria um escravo.

Entrei em choque e pânico. Umas das piores reações que eu já tinha sentido antes, de impotente, voltava sentir assim de novo. Eu novamente não conseguia acreditar em meus olhos. Eu comecei a chorar muito.

No mesmo momento em que eu chorava agachada no chão, uns guardas vieram e me olharam com repugnância. E eu tinha certeza que eles achavam que eu era humana, por que eles me olhavam assim? Eu percebi, que os humanos repugnavam humanos, e repugnavam todas as outras raças. Na verdade, os ruins não eram os humanos, mas os fortes humanos que se deixavam levar pelo poder.

"Você está sob juridição do comitê de impostos da capital. Você não é mais uma cidadã! Levante-se escrava!"

Continua no próximo capitulo

Notas finais
Há uma diferença entre a fonte da juventude e a fonte de Elora. A fonte da juventude é um rumor dito que você será um humano com aparência jovem para o resto da vida, ou possivelmente imortal, e não é isso que a verdadeira fonte faz. Por isso ela é falsa.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.