The Little Mermaid
9 Happy End, The Judgement - Final Alternativo 1
Notas iniciais
– Megurine Luka. Megurine-san, acorde! — me dizia uma voz distante.
Eu achava que tinha morrido mas, ao abrir os olhos, percebi que ainda devia estar viva. Eu estive inconsciente por quanto tempo? Uma semana? Um mês? Não sei. Só sei que a sensação que eu tinha era de ter dormido por tempo demais.
– Eu estou viva? Pensei que tivesse morrido... — perguntei, apesar de ter quase certeza de que estava viva. Afinal, mortos não falam.
– Sim, Megurine-san. A senhorita está viva. Estamos em um tribunal, caso a senhorita ainda não tenha percebido. — disse ele, um tanto quanto frio. Ao olhar em volta, pude ver que era verdade. Eu estava em um tribunal sem aparentemente motivo nenhum. Pessoas me olhavam, algumas com repulsa e outras como se eu fosse algo mais bizarro do que uma sereia.
– Poderia me dizer o motivo de eu não ter morrido? E por que estou em um tribunal? Em um momento só há escuridão absoluta e em outro eu estou em um tribunal totalmente iluminado e rodeada de sereias que desconheço. Não entendo mais nada!
– Nós levamos seu pedido ao tribunal, a pedido de seu pai. Ele nos pediu mais uma chance para você, por você ter morrido ao invés de ter matado um humano. Ele disse que por você ser uma menina pura e isenta de maldade, merecia mais uma chance. Logo depois que você começou a afundar no mar, não deixamos você desaparecer. Você esteve em confinamento inconsciente por três meses. — disse ele e, percebendo o meu espanto, tentou ser um pouco mais gentil ao me dar as notícias seguintes. — Eu sei que a senhorita está confusa e assustada com tudo isso acontecendo. Bom, continuando, o júri estava dividido. Metade do júri era a favor dos costumes antigos. Eles diziam que uma sereia deve matar humanos e não se sacrificar por eles. A outra metade dizia que o amor incondicional é o que há de mais puro no mundo. Seu caso foi inédito. Nenhuma sereia jamais se sacrificou por um humano. E foi devido ao seu sacrifício que o júri se decidiu. E a senhorita tem a possibilidade de escolher seu destino.
– Etto... Quer dizer que poderei viver? — ainda estava confusa. Tudo isso era muito, digamos, desconcertante, para mim.
– Sim. E agora é o momento de fazer a escolha. Megurine-san, a senhorita prefere viver como uma sereia, sem nunca retornar para a terra dos humanos, e se tornar imortal como uma lenda ou prefere viver na terra dos humanos, sem jamais retornar para aqui? Se escolher a imortalidade, a senhorita jamais voltará para a terra dos humanos. Ficará presa para sempre debaixo d'água porém se tornará imortal. Se escolher ser humana, jamais verá sua família novamente e será mortal. Faça sua escolha.
Eu não sabia o que decidir. Uma das escolhas me tornaria uma lenda e eu seria imortal. A outra escolha me privaria da minha família mas eu poderia viver com Gakupo. Mas, e se o Gakupo não quisesse? E se ele me rejeitasse? E ainda por cima tem a tal de Gumi. A primeira escolha também tem suas falhas. Eu veria o tempo passar diante de meus olhos, veria o mundo mudar, veria pessoas amadas morrerem e nunca poderia fazer nada. Nem me matar para acabar com tudo isso adiantaria. Eu seria imortal. Isso seria como uma maldição. Ambas as escolhas são desejos amaldiçoados. Mas, preciso escolher um.
– Eu escolho ser humana. Não suportaria o fardo de ser imortal.
– Bem, se é a sua escolha. — disse o senhor, me olhando tristemente. — Que faça bom proveito dela, Megurine-san. Adeus! — e minha visão começou a escurecer.
– E-Espere!! Não posso ver minha família pela última vez??
– Não. Você escolheu trair sua natureza. Escolheu os mundanos ao invés de sua própria espécie. Isso é um preço a se pagar, Megurine-san. — ia perdendo meus sentidos enquanto uma risada maléfica ecoava em meus ouvidos.
– Ajudem! Tem uma moça se afogando! — foi tudo o que eu ouvi, minutos depois. Senti o gosto salgado da água do mar em minha boca. E essa mesma água estava entrando em meus pulmões. Eu não conseguia nadar e isso era irônico. Uma pessoa que passou longos dezesseis anos debaixo da água não consegue se salvar de um afogamento? Isso é ridículo. Senti uma onda de tontura me invadir e apaguei segundos depois de sentir braços fortes me pegando.
– Me deixem passar! Eu a conheço! — dizia uma voz familiar, para a multidão de vultos que estava ao meu redor. — Luka! Luka, sou eu, Gakupo!
Eu não sabia se chorava ou se ria quando finalmente pude ver seu rosto. Era Gakupo, o meu Gakupo, que estava ali. Foi por ele que escolhi esse caminho. Foi pelo meu amor a ele que fiz essa escolha.
– Gak... — e comecei a tossir. Ainda estava sofrendo os efeitos colaterais do afogamento.
– Não precisa dizer nada, meu amor. Tudo o que eu preciso está na minha frente agora. — e me beijou. — Obrigado por salvá-la, Kaito. Não sei como agradecê-lo.
– Não precisa agradecer. Eu só estava por perto e fui ajudar. — respondeu um cara de cabelos azulados.
Gakupo me pegou no colo e fomos para sua casa. Como o afogamento não foi sério, descartamos a ida ao hospital.
– Meu amor, você não tem ideia de como eu estou feliz por tê-la por perto. Espere, isso é temporário novamente? — perguntou, assustado.
– Não. Dessa vez é permanente. Eu deixei de ser sereia para ser humana. É uma longa história mas ela não importa agora. E onde está a Gumi?
– Ela me deixou. Depois daquela noite, ela percebeu que eu não a amaria porque só amo uma pessoa no mundo. Você.
Uma semana depois, Gakupo me pediu em casamento. Nós nos casamos dois anos depois. Até hoje, vivo naquela cidadezinha com Gakupo e com meu filho e sempre o levamos ao parque de diversões para contar a história de uma sereia que desejou pernas para seu amado encontrar.
Happy End!
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