The Life By A Thread
3 Capítulo Três
Notas iniciais
Espero que gostem de tudo, principalmente da música (que é uma das minhas preferidas)
***Demi
Segundo dia de gravações.
Eu estava me sentindo cada vez mais empolgada, e não via a hora de estar fazendo o que eu gostava de fazer.
Tomei um banho quente e me agasalhei para enfrentar o dia frio que havia do lado de fora de casa. Embora algo me dissesse que havia alguma coisa errada, eu obriguei minha mente se manter focada no que eu deveria fazer. Não havia tempo para ouvir a minha intuição.
Cheguei ao set de gravação e fui direto para a sala de maquiagem
– Está faltando um... — Ouvi um dos maquiadores falando — Parece que Oliver Williams ainda não chegou!
– Eu sabia que não demoraria para termos problemas com ele! — A mulher que estava fazendo a minha maquiagem falou.
Lembrei da minha conversa com Selena na noite passada e sussurrei para mim mesmo:
– Parece que você tinha razão...
– O que disse, querida? — A maquiadora perguntou.
– Ahn... Nada. Já tentaram entrar em contato com o Oliver?
– Acho que estão tentando. Vocês se atrasarão muito se ele não aparecer.
– É... Um ator principal nunca pode desaparecer...
Após a maquiagem eu fui para a sala que tinha por ali, uma espécie de sala de espera onde todo o elenco ficava reunido conversando e assistindo algumas besteiras na televisão antes que decidissem o que fariam conosco.
Por fim tivemos que começar as gravações sem Oliver.
Quando a gravação estava quase no fim, Oliver apareceu no estúdio. Usava um óculos escuro e tinha uma expressão séria no rosto.
Ele sentou-se ao lado do diretor e ficou nos assistindo até que o diretor gritasse que tudo estava finalizado.
Tudo o que ouvi Oliver dizer ao diretor foi que ele teve alguns problemas pessoais e não conseguiu chegar à tempo. Aquilo soou como uma bela desculpa.
Fui para o meu camarim e troquei de roupa, tirando a do personagem e colocando as minhas. A sensação de que algo estava errado continuava me incomodando e agora era quase como se eu estivesse com medo de algo que eu não sabia o que era.
Peguei meu celular e o guardei na bolsa e sai do set. Eu não havia ido trabalhar de carro, portanto eu teria alguns momentos para refletir e pensar em qualquer forma de acabar com aquele incômodo que me dominava.
Comecei a caminhar pela rua, com fones no ouvido e completamente distraída. Hora ou outra eu olhava para trás com uma sensação estranha, mas eu estava mesmo sozinha.
Agora eu sabia que sensação era. Era aquela de estar sendo vigiado.
Talvez você pense que para mim isso era uma coisa normal por conta de paparazzi e tudo mais, mas eu tinha certeza que essa hipótese não se aplicava àquele momento. Apressei meus passos olhando para o céu escuro de Los Angeles.
Tentei me lembrar de que eu devia manter a calma. Afinal, talvez eu estivesse ficando paranóica.
Naquele momento, enquanto eu tentava fugir de qualquer olhar que estivesse sobre mim, jurei que nunca mais iria trabalhar sem meu carro.
Chegar em casa foi realmente um alivio. Tranquei a porta e me sentei no sofá.
Minhas mãos estavam frias e eu estava tremendo.
Respirei fundo por alguns minutos e fechei meus olhos. Nesse momento, pude jurar que uma voz suave, porém de um timbre rouco chamou-me.
Meus olhos aos poucos foram ficando pesados e tudo ficou escuro.
***Oliver
A primeira coisa que fiz assim que cheguei em casa foi tirar o blusão preto de touca que agora estava completamente molhado de chuva.
Sentei-me no sofá e apoiei meus braços sobre as pernas e me coloquei a pensar.
Meu pensamento estava distante. Pensei na noite anterior e no quanto foi difícil me manter seguro.
Levantei-me do sofá e caminhei pela casa, subindo as escadas e indo para o meu quarto.
Em cima da cama havia um violão que o tomei nas mãos e o apoiei em meu colo após me sentar na cama. Dedilhei algumas vezes a perfeita melodia da música, e então comecei à cantar:
“Espero, não sei se tenho tempo
Espero, poder estar atento pra lhe ouvir falar
As coisas que eu não...
Entendo, porque você me olha desse jeito
Como se você quisesse alguma coisa
Alguma coisa que eu tenho
Alguma coisa que eu...
Tenho, que encontrar o meu caminho
Pra que eu possa compreender sozinho
As coisas que eu não...
Entendo, porque o amor é passageiro
De viagem sem destino
Ou como um filme sem roteiro... Roteiro...
Eu, seria bem melhor assim
Se tivesse você junto à mim
Talvez procurasse entender
As coisas que eu não...
Entendo, porque o amor é passageiro
De viagem sem destino
Ou como um filme sem roteiro
Eu espero, não sei se tenho tempo não
Espero, poder estar atento pra lhe ouvir falar
As coisas que eu não entendo...
Espero
Eu espero”
Terminei de tocar e fiquei algum tempo ali, completamente anestesiado pela música.
Um pequeno sorriso brotou em meus lábios, mas logo eu fiz questão de apagá-lo.
Coloquei o violão em cima da cama e caminhei até a janela do quarto e fiquei ali olhando para o nada.
Após alguns minutos na janela, percebi uma movimentação estranha na rua e logo voltei para dentro do quarto, antes que eu me sentisse incomodado com a presença de um paparazzo que estava na rua.
***
No outro dia, assim que liguei a televisão, vi meu rosto no noticiário.
“Dessa vez o astro teen Oliver Williams passou dos limites ao provavelmente dirigir embriagado pelas ruas de Los Angeles.
As câmeras de transito registraram o momento em que o cantor de pop rock conduz o carro em ziguezague pela avenida,
Talvez a fama realmente afeta a vida desses artistas, de tal maneira que, os mesmos pensam ter liberdade para fazer tudo o que querem... Como, por exemplo, conduzir um veículo completamente bêbado, como no caso de Williams.
Aqui é Annie Rice para o Good Morning America!”
Assim que ela terminou de falar eu desliguei a televisão.
Ótimo! Simplesmente Ótimo! Mais problemas para mim me preocupar! Você é um Gênio Oliver... Merece um prêmio por sua infinita inteligência!
Peguei a chave do meu carro e sai, sem dar atenção aos paparazzi que já estavam cercando minha casa pelo lado de fora dos portões.
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