The Life By A Thread
7 Capítulo sete
***Oliver
Depois de muito esforço da parte da maquiadora, todos os hematomas estavam devidamente camuflados.
Cumprimentei todos os outros atores que estavam na sala de espera e todos nós fomos para o nosso querido cenário.
- Tudo certo Demi? — O diretor perguntou — Ai também Oliver?
- Tudo ok aqui — Respondi.
- Aqui também! — Demi respondeu não muito animada.
Demi estava pendurada por cabos de segurança enquanto caminhava por uma espécie de cavalete que simbolizavam os prédios de nossa cidade fictícia. A personagem de Demi era uma garota suicida, portanto, aquela era a cena em que ela se mataria.
Em um momento de distração, Demi se desequilibrou, mas o que não era para acontecer, era que os cabos de segurança ainda não estavam fechados como deveriam, e aquilo não a impediu de cair.
Eu era o único que estava ali no cavalete com ela naquele momento. Minha reação foi estender o braço para puxá-la de volta, mas tudo aconteceu tão rápido que o braço que eu estiquei era o mesmo machucado.
Puxei Demi, e assim que ela se estabilizou no cavalete eu soltei a mão dela. Coloquei a outra mão sobre o braço machucado sentindo um pouco de dor, e então comecei a descer do cavalete.
Naquele momento, o único que percebeu que tinha algo de errado foi o diretor.
- Lovato... Acho que o Oliver está com problemas e eu não posso sair daqui!
***Demi
Encontrei Oliver no corredor, próximo à porta da sala de maquiagem. Ele segurava na parede com a mão que estava boa.
- Tudo bem com você? — Perguntei mesmo sabendo que não ouviria uma resposta educada.
- Parece que está tudo bem?
Ele entrou na sala de maquiagem e sentou-se novamente de frente para o espelho.
- Parece que você tem o dom de me salvar...
- Não vamos fazer disso um hábito!
- Obrigada pelo que você fez sexta-feira por mim. Eu sei que já passou há um tempo, mas eu não tive a chance de te agradecer!
Oliver se levantou e caminhou a te a porta, encostando-a.
- Me agradecer? — O tom dele agora era completamente bravo — Olha pra mim. Um braço quebrado, hematomas horríveis pelo rosto. Acha mesmo que eu fiz aquilo por você Lovato? Acredite... Eu não daria a minha vida pela sua!
Naquele momento, senti alguma coisa muito forte me guiar. Quando Oliver se virou para abrir a porta, eu o puxei para trás, fechei a porta e o encostei na porta, disposta a fazê-lo me ouvir.
- Eu agradeço por ninguém querer morrer no meu lugar, porque a raça humana estaria extinta se uma pessoa morresse por cada besteira que eu faço. Mas sabe o que me confunde? Você me confunde! Com as outras pessoas do elenco você é uma pessoa diferente do que é comigo. O problema é que eu não sei o que eu fiz para ter uma pedra de gelo como você como meu inimigo!
- Se você tomasse o mínimo de cuidado com você mesmo, iria entender!
Meu corpo ficou completamente frio. O jeito que ele falou foi quase como se ele soubesse o que eu carregava no bolso.
O empurrei para tirá-lo do meu caminho, e sai da sala, caminhando para o lado de fora do set. Quando eu estava quase chegando em meu carro, senti alguém segurar meu braço.
- Me desculpe pelo que eu disse — Oliver disse pela primeira vez em tom não-fingido, não-sarcástico e não-arrogante — Eu sei que você não procurou por nada do que te aconteceu, mas você já deve ter ouvido falar de pessoas que são farinha do mesmo saco... Você é uma garota legal e talentosa, está bem onde está longe de mim e sem nenhum outro tipo de contato comigo a não ser o profissional. Me trate como alguém farinha do mesmo saco e fique longe de mim. Eu odiaria ser o motivo da sua queda.
Ele soltou meu braço e se afastou.
- Williams! — Eu o chamei tentando controlar o meu tom de voz. Ele se virou mas ainda continuou me encarando de longe — Acho que você precisa do seu carro de volta!
Joguei a chave para ele e entrei no meu, dirigindo direto para minha casa.
Já à noite, Bechet me ligou.
- Estou com os seus remedinhos aqui — Ele disse — Vou ir levar para você.
- Agora? — Falei olhando para o relógio pendurado na parede que marcavam oito horas da noite.
- Você tem algum compromisso?
- Não. Tudo bem... Pode vir!
- Chego ai em uma hora!
Fiquei andando de um lado para o outro esperando por Bechet.
Quando a campainha tocou, eu fui correndo para abrir a porta, mas não era Alex.
- Er... Oi... Eu... Eu vim buscar o meu carro.
- Ah... Claro. Eu o guardei na garagem.
As coisas ficaram ainda mais estranhas quando Alex chegou. Oliver e eu estávamos há alguns passos da garagem.
- Trouxe seu brinquedinho! — Alex disse sem ver que Oliver estava comigo — Oliver? O que você está fazendo aqui?
Oliver se virou para ver quem era e então pude vê-lo travar o maxilar e cerrar os punhos em raiva.
- Você por aqui Bechet? E o que você está fazendo aqui?
- Alex é meu cunhado Oliver — Falei tentando disfarçar o furo que Alex havia dado — A gente já pode se chamar de amigos...
Oliver me olhou e depois olhou para Bechet, arregalando os olhos em seguida.
- Eu não posso acreditar nisso! — Ele passou as mãos pelos cabelos freneticamente e andou de um lado para o outro em desespero — Você não pode fazer isso com a garota Alexander! Vai fazer com ela o mesmo que fez comigo? Tirar tudo o que ela tem?
- Não se culpe por ser medroso Williams. Nós não temos culpa que existe alguém com mais coragem que você e esse alguém é uma garota!
- Você chama isso de coragem? — Oliver caminhou raivosamente até Alex e eu não consegui segurá-lo — Coragem é tudo o que você não tem Bechet! Não fica feliz em destruir a vida de uma pessoa só não é?
Os dois estavam cara a cara. Aquela conversa dos dois estava pesada e eu sentia que o clímax da discussão não era eu, e sim algum assunto inacabado do passado dos dois.
- Eu vou falar uma vez só... — Oliver disse como se tentasse se acalmar — Fica longe da Demi. Você e todas as suas drogas!
Oliver deu um empurrão em Alex que quase o derrubou. Bechet apenas deu um sorriso divertido e olhou para mim.
- A gente se vê Demi... Quando a patrulha não estiver por perto.
Ele saiu e deixou eu e Oliver sozinhos apenas com o silêncio.
Quando se certificou de que Alex não voltaria ao vê-lo virar a esquina, Oliver se virou para mim, quase me encarando cara a cara como havia feito com Bechet.
- Isso não é coragem Demi! — Pela primeira vez ele estava com raiva de mim, mas não havia me chamado de Lovato, e aquilo me afetou tanto como se tivesse me chamado pelo segundo nome — É idiotice!
- Talvez — Falei olhando para o lado para desviar nossos olhares.
Oliver segurou meu rosto o apertando de leve e virou minha cabeça na direção dele.
- Olha pra mim! — Ele olhou no fundo dos meus olhos e eu me senti completamente desarmada — Eu não vou deixar você se destruir desse jeito. Eu tenho um braço quebrado, as costelas doloridas e um olho roxo por sua culpa. Você me deve uma!
Então ele se afastou, entrou na garagem e saiu com seu carro, indo embora e levando minhas armaduras com ele.
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