***Demi

Um mês havia se passado e as coisas no trabalho estavam complicadas.

No final do mês, eu havia decidido não fazer nenhum show no próximo mês, para me focar apenas nas gravações do filme — que estava em seu momento mais delicado.

Dallas havia me apresentado à Alex — que agora era seu novo namorado — e hoje eles jantariam na minha casa junto com meus pais.

Uma hora ou outra Dallas teria de apresentar o namorado novo aos meus pais, então... Decidi convidar todos eles para esse jantar.

Constantemente Dallas me enchia de perguntas sobre Oliver Williams, e eu já estava cansada de responder: “Acho que somos mesmo apenas colegas de trabalho”.

Eu não imaginava que ao falar que havia uma probabilidade de eu não me dar bem com Oliver por conta de nossas personalidades fortes, aquilo pudesse fazer tanto sentido.

Depois de gravarmos nossa primeira cena solo, Oliver se mantinha longe de mim, como se eu fosse algum tipo de garota infectada por alguma doença grave.

Ele fazia apenas o trabalho dele, não conversava comigo — como até fazia nos primeiros dias de gravação — e era sempre o primeiro a deixar a mesa do refeitório.

Embora me sentisse em uma guerra com ele, o comportamento dele me preocupava.

Ele se mostrava agora uma pessoa completamente sem nenhum tipo de humor e muito estressada com todos. Pouco tempo atrás havia ido para o set de gravações com seus habituais óculos escuros, mas quando os tirou, não houve uma pessoa que não reparou em suas profundas olheiras... Parecia até que não dormia há uma semana.

Estava alguns quilos mais magro, seu rosto estava pálido e ele aparentava um óbvio cansaço... Como se estivesse doente.

Tentei me manter o mais normal possível no jantar, mas de fato eu me sentia sobrecarregada com o trabalho.

– Dallas disse que você está trabalhando com Oliver — Alex disse.

– Estou... Você o conhece?

– Eu estudei com ele por um período na faculdade música até eu perceber que minha área não era essa. Eu e Oliver fomos bons amigos e ainda mantemos contato um com o outro.

– Dallas não me disse que você já arriscou a carreira de músico!

– Fiquei sabendo quando vínhamos para o jantar — Ela se justificou erguendo as mãos como se estivesse se rendendo.

– Como é trabalhar com aquela figura? — Alex parecia realmente interessado nesse assunto. Tanto que de uma forma estranha os olhos dele pareciam até brilhar.

– Nós não conversamos muito. Ele é um pouco fechado.

– Ah sim... Fiquei mesmo sabendo que ele não tem fama de anjinho.

Eu não disse nada, apenas confirmei balançando a cabeça positivamente.

***Oliver

Mais um dia de viagem, e mais um dia de trabalho.

Cheguei no set de gravações e a única pessoa que encontrei na sala de espera foi a pessoa que eu menos queria encontrar: Demi Lovato.

– Bom dia! — Murmurei sentando-me em uma das poltronas vazias da sala — Onde está o pessoal?

– Bom dia... — Ela respondeu — Não sei. Parece que todos se atrasaram.

Balancei a cabeça positiva e lentamente — um gesto que eu achei muito idiota por sinal — e senti o silêncio dominar o lugar.

– Conheci um rapaz que fez faculdade com você — Demi comentou e eu a olhei interessado — Alexander Bechet. Novo namorado da minha irmã.

Tentei manter minha melhor expressão neutra ao ouvir aquele nome, o que era extremamente difícil para mim.

– Que mundo pequeno! — Falei ironicamente me levantando da poltrona e ajeitando minha mochila nas costas — Vai por mim, se sua irmã for igual a você, ela merece coisa melhor que o Bechet!

Sai da sala de espera e fui para a sala onde eu costumava ensaiar para as minhas cenas.

***Demi

– Que mundo pequeno. Vai por mim, se sua irmã for igual a você, ela merece coisa melhor que o Bechet! — Foi tudo o que Oliver disse antes de sair da sala de espera. Eu já estava ficando cansada disso!

O que ele queria dizer com aquilo? O que ele sabia? Não tive muito temoo para pensar nisso já que o elenco chegou e logo eu estava no cenário do nosso filme.

Aquele era o dia em que eu começaria a pensar na probabilidade de contratar um segurança.

As gravações do filme foram cansativas naquele dia, mas finalmente estava na hora de irmos embora.

Troquei de roupa e arrumei meu cabelo. Do lado de fora do set tudo já estava escuro e havia algo de errado com a iluminação da rua.

Me aproximei do meu carro e comecei a revirar a minha bolsa à procura da chave.

Praticamente todos os atores passaram por mim e eu não havia encontrado a maldita chave. Isso já estava me deixando preocupada.

Olhei a minha volta e vi dois homens altos caminhando em minha direção. Aqueles eu tinha certeza que não eram nem paparazzi nem atores.

Comecei desesperadamente a colocar as coisas de volta em minha bolsa e caminhar para a direção oposta à que os homens estavam.

– Ei garota! — Um deles chamou — Volta aqui!

– Vamos bater um papinho gatinha — O outro disse sendo acompanhado pelo amigo na gargalhada.

Eu já estava entrando em pânico e o desespero aumentou quando percebi que eu estava correndo na direção da rua que ia para os fundos do set de gravação... Era um caminho sem saída e agora sem volta.

Ouvi passos apressados atrás de mim e logo os dois homens me alcançaram.

Senti minhas costas batendo na parede atrás de mim e então eu gritei.

– Cala a boca! — Um deles disse tampando minha boca — A gente promete que vai ser rapidinho e se você facilitar as coisas a gente deixa você voltar pra sua família!

O segundo homem levantou uma parte da camiseta e eu pude ver o cabo de uma faca escondido no elástico da calça dele.

– Por favor, me deixa ir embora! — Eu disse chorando — Podem levar o que tem na bolsa... É tudo o que eu tenho!

– Que gracinha! Mas acho que eu não quero o que tem na bolsa!

Ele me prensou mais contra a parede e tentou encostar o corpo dele no meu, mas eu o empurrei e ele riu se divertindo.

Eu estava com muito medo e minhas pernas estavam fraquejando.

Não sei como aconteceu, só sei que em um momento eu fechei meus olhos e quando voltei a abri-los, vi alguém puxar o primeiro homem de perto de mim.

De primeira pensei que fosse algum policial, mas depois percebi que era Oliver Williams.

Ele segurava o homem pelo pescoço, enquanto o mesmo o empurrava com força com as costas contra a parede.

O segundo homem se aproximou dos dois que brigavam e tentou acertar Oliver com sua faça, mas errou o primeiro golpe.

Minhas pernas estavam paralisadas.

– Cai fora daqui Lovato! — Oliver gritou — Vai embora!

Eu não queria prejudicá-lo e deixá-lo ali. O homem com a faca foi novamente para cima e acertou o golpe no braço de Oliver e o derrubou no chão em seguida.

Os dois homens começaram a chutar Oliver que agora estava caído no chão e eu estava apavorada.

Um deles parou e se virou para mim sorrindo maliciosamente.

– Anda logo Demetria! Sai fora daqui! — Oliver gritou com raiva e eu dei alguns passos para trás começando a correr de volta para a frente do prédio do set.

O homem estava logo atrás de mim, então a única opção que encontrei foi entrar no primeiro carro que vi e acelerar.

Talvez Oliver tivesse visto uma movimentação estranha e saído de seu carro indo para onde eu estava, porque quando cheguei na frente do prédio, o carro estava aberto e já ligado, o que facilitou eu fugir daquele lugar.

Enxuguei as lágrimas quando vi alguém sentado em frente a minha casa. Parei o carro e desci do mesmo.

– Dallas esqueceu o celular dela aqui ontem a noite e me pediu para buscar. Tudo bem? — Alex disse estranhando.

– Ah sim... Entra, eu vou pegar o celular pra você.

Abri a porta e Alex sentou-se na sala e eu subi as escadas. Comecei a procurar o celular de Dallas por todo o quarto, não encontrando nada.

Enquanto eu procurava o celular, um choque percorreu meu corpo e minha mente foi de encontro à cena de mais cedo.

Eu havia deixado Oliver naquele lugar caído no chão.

Como eu tinha conseguido fazer aquilo? O que será que havia acontecido à ele?

Me sentei no chão e encostei minhas costas na cama, abraçando meu joelho e começando à chorar.

Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, mas foi o suficiente para Alex subir para saber se eu havia encontrado o celular e me pegar sentada no chão chorando.

– Tudo bem com você? — Ele perguntou sentando-se ao meu lado.

– Eu só estou cansada... De saco cheio! — Falei, e em parte aquilo não era mentira.

– Eu sei como é... Mas acho que posso te ajudar.

– Tenho certeza que não.

Ele tateou os bolsos da calça até encontrar alguma coisa que estava procurando.

– Experimenta isso aqui — Ele me mostrou um saquinho com um pozinho branco dentro — Vai fazer você se sentir melhor.

Enxuguei as lágrimas e olhei com mais atenção para o saquinho e depois o olhei incrédula, mas ele não estava brincando.

Com raiva por tudo o que havia acontecido, por eu ter sido fraca e não conseguido me livrar daqueles caras, por eu ter sido covarde e fugido daquele lugar sem ajudar Oliver, tudo o que eu fiz foi pegar o saquinho da mão de Bechet e fazer como ele me explicou. Ato que eu me arrependeria amargamente.