The Legends of Hogwarts - O Legado de Slytherin
1 Reyna - Prólogo
Notas iniciais
Por mais acostumada que ela estivesse a ter esses sonhos, eles nunca a deixariam de a assustar.
Começavam sempre da mesma forma, o odor pungente da coisa putrefeita e a sensação claustrofóbica de estar em um túnel que só crescia. E ruídos sibilantes, mas esses se mantinham por todo o sonho. E então flashes tão rápidos que a deixavam atordoada. Ela se via ao lado de um homem que deveria ter pouco mais que seus 35 anos, debruçado sobre um pergaminho — ou seria uma agenda? — escrevendo.A tinta escarlate parecendo sangue em contraste com o branco do pergaminho. Ao lado do homem, na madeira escura da escrivaninha, havia um grande medalhão. Abruptamente — tanto que a fez pular em seu lugar — ele retirou a folha da agenda e a dobrou, pegando o medalhão e o abrindo, colocou a folha lá dentro.
E então a visão mudava, e ela não conseguia ver nada com muita clareza. A única coisa que ela conseguiu focar, foi a mesma sensação do túnel, e escamas por todo seu corpo. Era como estar em um caleidoscópio multicolorido e confuso. Até que tudo ficou confuso demais e ela acordou suada e ofegante em sua cama.
Ela se levantou e caminhou até a janela aberta, que dava para uma sacada. O ar frio do oceano em sua pele a fez se sentir melhor, o cheiro salgado era reconfortante. Reyna morava com a irmã em uma pequena cidade no litoral de Canterbury, Inglaterra.Hylla era uma famosa jogadora de quadribol das Harpias de Holyhead, e por isso queria paz e tranquilidade quando estava em casa. Parada ali, com vento vindo do mar a batendo em seu rosto e a fraca luz do sol da manhã entrando por seu quarto, ela não conseguia entender porque os sonhos a assustavam tanto.
Ela voltou para dentro, olhando em volta no seu quarto. A cama estava bagunçada, o que era óbvio, já que havia acabado de acordar, e ao lado dela havia um criado-mudo com algumas fotos. A maioria dela mostravam ela mesma e Hylla, ou com Annabeth, e duas ou três eram de seu pai e sua mãe. Em sua escrivaninha havia um xadrez de bruxo, alguns livros, cartas de Annabeth, a mais recente no topo, e um dever inacabado de História da Magia. Logo acima da escrivaninha havia uma grande prateleira cheia de livros.
E haviam doces, por todos os lados. Jujubas colocadas juntas com os livros, feijõezinhos de todos os sabores na cabeceira e sapos de chocolate — tanto fechados quanto abertos — na escrivaninha. Ela prendeu o cabelo em um coque mal-feito e desceu para o primeiro andar, ainda de pijamas. Era uma manhã fresca de domingo e, na cozinha, ela podia ouvir os sons de Hylla e Skippy fazendo o café da manhã, sendo possível ouvir um "Não é necessário, senhora".
– Bom dia, Reyna. — Hylla disse quando Reyna se apoiou no balcão. — Noite ruim?
– Péssima. — respondeu. — Pesadelos.
– Eu disse que você não deveria ficar olhando aquelas fotos antigas. — Hylla disse, se sentando e bebericando seu café, pegando um exemplar do Profeta Diário na mesa.
– Então agora você me conhece bem o bastante para saber o que me causa pesadelos ou não? — Reyna retrucou, ácida pelo ódio de Hylla por seu pai.
– Alguém te conhece realmente, Reyna? — Hylla respondeu calmamente, abrindo o jornal.
Ela por um momento a encara, e suspira, pegando sua própria xícara e enchendo-a de chocolate quente. Ficou sentada enquanto Skippy — uma elfa-doméstica já velha e simpática — colocava alguns cookies em sua frente, e então comeu, ainda em silêncio. Hylla colocou o Profeta na mesa e começou a comer as salsichas que estavam em seu prato, ao lado dela Reyna leu em letras garrafais Continuam Investigações Sobre Morte de Plutão Levesque.
– Nenhuma novidade sobre o caso do Sr. Levesque? — Reyna perguntou tentando quebrar o gelo.
– Nada. — Hylla soltou um suspiro longo e pesado. — É como se o assassino simplesmente tivesse sumido.
Reyna franziu o cenho.
– Isso é estranho. Quero dizer, como o diretor do Gringotes simplesmente é assassinado em frente ao banco e ninguém viu nada?
Hylla balançou a cabeça num sinal de não sei.
– Aqui diz que a filha dele foi morar com os Di Angelo, e nada mais.
Reyna conhecia a filha de Plutão, Hazel Levesque. Era uma garota do quarto ano da Lufa-Lufa. E também conhecia os filhos do Di Angelo, Bianca e Nico. Bianca era uma garota meio solitária que dividia o dormitório com ela.
Hylla se levantou e colocou o prato na pia, mas Skippy rapidamente a impediu de começar à lavá-los.
– Eu conheço alguém que pode ajudá-la com seus sonhos. — ela disse, se virando para Reyna.
– Quem?
Hylla pegou um pedaço de pergaminho, uma pena e tinta de uma gaveta qualquer no armário da cozinha e rabiscou algo.
– Aqui. Você pode procurá-la quando for comprar suas coisas para a escola. — Ela colocou o papel na mão de Reyna e então saiu da cozinha. Reyna desdobrou o papel e leu, na caligrafia fina e bonita de Hylla, seguido de um endereço:
"Circe."
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