Notas iniciais
Capitulo feito por Thiago e betado por Pam. Boa Leitura

Muitos têm a chance de conviver com a magia desde que nascem. Outros vêm a descobrir mais tarde na vida, nem ao menos imaginando que poderiam existir bruxas e feiticeiros de verdade, enquanto que a maioria certamente acredita que tudo isto não passa de uma grande loucura criada por imaginações férteis.

Percy sabia que ele fazia parte do segundo grupo, ele descobrira que era um bruxo apenas pouco tempo antes de sua carta de Hogwarts chegar, e tudo graças a um garoto que fora o seu vizinho desde que se lembrava.

Eles nunca tinha trocado uma palavra antes daquele acontecido inevitável na manhã de um dia tradicional de Londres em que ele retornava da escola em sua bicicleta e tivera que desviar bruscamente para evitar atropela-lo. Antes que voasse de encontro ao para-brisa de um taxi, ele se sentiu estando molhado e engolindo água, notando então que não estava mais no péssimo transito londrino, e sim no meio do rio Tâmisa.

Percy cresceu sendo intitulado como o garoto problema desde o primário, ele nunca entendeu ao certo como poderiam coisas tão estranhas como aquelas acontecer ao seu redor e ser sempre a pessoa apontada como culpado, afinal, não haviam provas contra ele assim, como não haviam ao seu favor.

No geral, sua mãe o mudava pelo menos três vezes de escola por semestre, pelo menos era isto que dizia. Mas Percy sabia que estava sendo expulso de todas; uma grande prova disto o fato de que, quase sempre, ele ser premiado com sorvete ou indo a algum lugar especial, como se isso fosse uma forma de consolo para alguma coisa.

Sua mãe não conhecia magia, era o que os bruxos costumam intitular trouxa. A primeira vez que ouvira a palavra rira, mas depois de um tempo percebeu que alguns bruxos diziam aquilo com repugnância, como se somente por não poder fazer magia, eles fossem seres inferiores.

Percy achava que deveria existir um nome mais adequado, como não-bruxos, não-mágicos ou desprovidos-de-magia ou sem-varinhas, qualquer coisa soaria melhor, mas havia se acostumado com aquilo, afinal, não importava o nome que usasse, isto não iria parecer menos ofensivo.

De qualquer forma, Sally aceitara de bom grado a ideia de Percy ir estudar em Hogwarts por duas razões básicas. A primeira era que se seu filho realmente possuía poderes, deveria saber controla-los.

E segundo, ela estava desesperada para que ele permanecesse mais de um mês em um colégio sem ser expulso.

Percy ficara feliz com a reação da mãe, apesar de suspeitar que ela já esperasse por algo daquele tipo, ou poderia apenas ser coincidência. Quer dizer, todas as mães falam que seus filhos tem o direito de ser o que quiserem e podem fazer tudo. Mesmo que não admitisse, ela sabia o que o filho era, talvez o pai de Percy fosse um bruxo também, mas isto era algo que garoto nunca poderia saber porque não chegou conhece-lo.

Sua mãe não gostava de falar dele, Percy podia demorar em entender algumas coisas, mas entendia isto rápido. A primeira vez que perguntara para a mãe o que havia acontecido com seu pai, a reação dela o fez saber que nunca mais deveria fazer aquilo novamente, pois a fazia sofrer. E aquilo era tudo o que o rapaz menos queria em sua vida.

Percy se perguntava se ele realmente a amava. Se sim, por que a abandonara gravida? E se era um bruxo, porque não aparecera para saber se seu filho também não era? Mesmo que não amasse de verdade Sally, por que não apareceu por ele?

Talvez por isto preferisse que Sally não o acompanhasse até a plataforma 9 ¾. Odiaria que no meio de todas aquelas pessoas embarcando os filhos, sua mãe visse um rosto conhecido.

Não que ela fosse apontar para o bruxo e gritar que era aquele desgraçado era seu pai apenas, que achava que não podia fazer isto com ela. Aquele homem fora o único que Sally amou, ele partira seu coração e Percy nunca poderia perdoar isto.

O rapaz entrara no Salão Principal se despedindo de seu melhor amigo com um toque de punhos fechados enquanto cada um seguia para sua respectiva mesa. Grover fora para Lufa-Lufa enquanto Percy seguiu para a mesa da Grifinoria.

O teto do Salão refletia o céu do lado de fora, um belo visual noturno com uma noite repleta de estrelas que pareciam um pouco apagadas frente às velas flutuantes que se encontravam sobre as mesas do lugar.

A frente do salão, o diretor de Hogwarts já se levantara para dizer as primeiras palavras do ano letivo. Um homem atarracado e meio rechonchudo, com cabelos encaracolados e tão negros que parecem roxos e nariz avermelhado. Seu rosto redondo com uma barba cobrindo-o destacando seus olhos miúdos de aspecto lacrimejante e avermelhados como de alguém que estivesse tendo uma péssima ressaca, o que, pelo que Percy conhecia do diretor, era mais do que possível.

Dionísio vestia aquela noite as roupas de sempre, sua capa e chapéu de bruxo roxo berrante que já chamava atenção por si só, mas aquilo ainda era completado por uma camiseta de estampa de leopardo e shorts cor de creme com tênis esportivos.

Percy o considerava mais como um golfista que perdera sua bola nos terrenos da escola que tivera a sorte de ser feito diretor.

–Mande os calouros entrarem logo para que esta baboseira toda de seleção tenha inicio de uma vez por todas – dissera o sr. D, como era chamado entre os alunos, e então retornara a se sentar a seu lugar no centro da mesa dos professores.

As portas foram abertas e Lupa, a professora de Transfiguração, entrou trazendo uma fila de alunos atrás de si. Era possível perceber o nervosismo deles, e ao mesmo tempo a curiosidade em ver tudo aquilo. De seu lugar Percy não pode conter um sorriso, ele se lembrava bem de como fora sua primeira noite lá.

Ele quase se podia ver no lugar deles. Caminhando com Grover ao seu lado enquanto ambos encaravam com um olhar embasbacado aquele lugar, o amigo parecia encantado com cada canto do salão, Percy estava com os olhos vidrados para o alto para a visão mais impressionante que jamais tivera.

“Onde foi parar o teto? Estamos comendo ao ar livre por acaso?”

Seu comentário fez uma garota a sua frente se voltar para o moreno como se ele fosse um doido ou ignorante por fazer um comentário tão débil quanto aquele. No entanto no lugar de repreendê-lo, a garota simplesmente perguntou com uma voz como se não acreditasse no que acabara de ouvir.

“Não, como pode pensar isto?”

O menino ficou em silencio sentindo suas bochechas corarem, ao perceber que mesmo entre os bruxos seria idiotice construir um castelo sem teto. Até porque existiam andares superiores aquele, então, realmente, fora uma pergunta idiota.

“Desculpe, ainda estou me acostumando com isto de ser bruxo.”

Talvez fosse sua sinceridade que fizera a garota sorrir. Até onde parecia para a garota de cabelos loiros não importava muito aquilo tudo de sangue, ela entendera seu erro, afinal, era tudo tão novo para o menino quase como se estivesse se aventurando no desconhecido.

“O teto foi enfeitiçado para refletir o céu do lado de fora, está tudo em livro que li chamado Hogwarts, uma historia.”

Percy Jackson retornou aos tempos atuais, deixando seu momento nostalgia de lado quando viu a Professora Lupa se aproximar com algo que trouxera de uma das salas laterais enquanto os alunos do primeiro ano se envolviam em um meio circulo no centro frontal do salão.

Ela colocou um banquinho de três pernas com o conhecido chapéu surrado sobre ele, e, mais uma vez, o moreno se sentiu em um dejavú. Todo o ano era como se aquilo fosse meio que obrigatório para ele se lembrar da sua seleção.

Como esperado pelos veteranos, o rasgo que havia sobre a aba do chapéu se abriu e sua voz soou saudando os primeiranistas que não esperavam por aquilo. Alguns não conseguiram conter as expressões de surpresa e olhos arregalados já que certamente nenhum deles nunca vira um chapéu que fosse capaz de falar.

Há mil anos ou pouco mais,
Eu era recém feito
Viviam quatro bruxos de fama
Cujos nomes todos ainda conhecem:
O valente Gryffindor das charnecas,
A bonita Ravenclaw das ravinas,
O meigo Hufflepuff das planícies,
O astuto Slytherindos brejais.
Compartiam um desejo, um sonho,
Uma esperança, um plano ousado,
De juntos, educar jovens bruxos,
Assim começou a Escola de Hogwarts.
Cada um desses quatro fundadores,
Formou sua própria casa,

pois cada valorizava virtude vária,

nos jovens que pretendiam formar.
Para Gryffindor os valentes eram
prezados acima de todo o resto;
Para Ravenclaw os mais inteligentes
seriam sempre os superiores;
Para Hufflepuff, os aplicados eram
os merecedores de admissão;
E Slytherin, mais sedento de poder,
Amava aqueles de grande ambição.
Enquanto vivos eles separavam do conjunto os seus favoritos
Mas como selecionar os melhores,
quando um dia tivessem partido?
Foi Gryffindor quem encontrou a solução
Tirando-me da própria cabeça
Depois me dotaram de cérebro
Para que por eles eu pudesse escolher!
Coloque-me entre suas orelhas,
Até hoje ainda não me enganei.
Darei uma olhada em sua cabeça
E direi qual a casa do seu coração!

O salão aplaudiu a canção quando o Chapéu Seletor chegou.

Lupa desenrolara um pergaminho chamando os alunos em ordem alfabética. A partir dai Percy não prestara muita atenção, apenas aplaudindo quando a sua mesa o fazia para saudar os recém-chegados.

Percy ainda se lembrava de quando fora sua vez. Fora ali mesmo, igual a todos os outros alunos que estavam sendo selecionados, talvez com o único diferencial de que nenhum deles estava molhado e tremendo de frio por conta de uma queda no lago negro durante a travessia de barco.

“Jackson, Perseu”

A voz de Lupa soara bem no mesmo instante que Grover o empurrara para frente. Geralmente, Percy não atendia por aquele nome, tanto que, quando mais novo, chegara a se esquecer de que aquele era o seu verdadeiro nome, e não o apelido carinhoso que sua mãe havia lhe dado. Um nome imponente, com tanta força que remetia aos tempos antigos não tinha nada haver com sua personalidade, e o outro fato que o fazia não gostar dele era que fora o seu pai que o escolhera.

Desde então Percy tinha uma aversão tremenda a Perseu, desde que o nome era algo que havia sido a única coisa deixada pelo seu progenitor que nem mesmo teve a dignidade de lhe dar o sobrenome. Trêmulo, o garoto se aproximara com gotas de água escorrendo de seus cabelos e pingando de seu nariz em direção ao chão.

O chapéu fora colocando em sua cabeça, podendo se ver certa hesitação da parte dele em ser colocado sobre os cabelos do garoto. Ele murmurava coisas como couro velho molhado demorar em secar e sobre feder muito, mas acabou aceitando ao tocar a cabeça de Percy relaxando um pouco.

“Ora, ora... Ora... O que temos aqui? Senhor Jackson, devo admitir que eu não estava esperando que fosse encontrar em sua cabeça tanto potencial assim. “

“Hã... Devo levar isto como elogio ou uma ofensa?”

“Não, meu caro Perseu... Estou certo de que isto, certamente, não é uma ofensa e sim um potencial muito grande em você. E qualidades que realmente lhe fariam ficar muito bem em duas de nossas casas neste salão. Você é corajoso, ousado... Sem medo de se arriscar ou se por em perigo. E possui extrema lealdade com aqueles que você tem alguma ligação. Sua bondade é um toque especial de seu caráter, solidário com as pessoas e as ajudando sempre que precisam. Certamente, você estaria bem tanto em Grifinoria quanto em Lufa-lufa, mas creio que seu coração e sua alma esteja ligada já há muito tempo com a casa de Godric... E é este o meu veredito: GRIFINÓRIA”

Percy se lembrava de que nos primeiros dias queria que o chapéu tivesse optado pela Lufa-Lufa, afinal, perdera a chance de dividir o quarto com seu melhor amigo. Com o passar do tempo, quando estava mais integrado foi que notou que realmente era a casa dos leões o seu lugar.

Percy não prestava muita atenção nas conversas de seus amigos durante o jantar, seu apetite voraz o fazia querer ficar mastigando, apenas acenando e respondendo poucas coisas que lhe perguntavam. Quando o diretor se levantou novamente para falar, o rapaz não dera a mínima atenção para suas palavras, era sempre a mesma ladainha, e depois de seis anos aprendera a ignorar o tom de voz do Sr. D, apenas escutando a parte que cabia a ele como monitor, que era levar os primeiranistas para o Salão Comunal.

Apesar de que, é claro, não foram estas as palavras que usara, fora algo mais como: “Agora monitores levantem estes traseiros folgados dos meus bancos e levem os seus pirralhinhos para os Salões Comunais”.

– De pé idiotas, e em fila. Não quero saber de vocês se perdendo por este castelo, porque se souber terei o prazer de ensinar o caminho certo da pior maneira – disse a voz, carinhosa de Clarisse La Rue, a parceira de monitoria de Percy.

O moreno se levantou resmungando, se perguntando o porquê de ter sido eleito monitor, afinal, suas notas não eram lá aquelas coisas que o fariam como o melhor aluno da classe. Às vezes se perguntava se fora Quiron que mexera uns pauzinhos, ou se Sr. D estava tão bêbado no dia que simplesmente tirara na sorte, porque, francamente, não havia explicação racional para aquilo.

Mas ele estava feliz, afinal, ser monitor era um cargo com vários privilégios, como uma bela banheira de hidromassagem com águas multicoloridas e com direito a espuma de banho. É... Parando para pensar, ele estava reclamando atoa.

Ele sentira pena dos primeiranistas, pois mesmo por debaixo das vestes largas de bruxo, ele conseguia ver os pequenos infelizes tremendo com as palavras ditas por Clarisse. Não queria admitir, mas mesmo ele às vezes se sentia intimidado com a garota.

Pra ser totalmente sincero, La Rue era na verdade o tipo de garota que mesmo os professores conseguiam temer.

Ele se aproximou de dois garotos que eram os últimos na fila, ia atrás para se assegurar de que nenhum deles se perdesse, só para garantir que não correria o risco de sua parceira poder cumprir a promessa. O primeiro possuía os cabeços cor de ferrugem e muitas sardas em seu rosto enquanto a garotinha possuía duas tranças louras caídas sobre os ombros, ambos pareciam ser os mais nervosos da fileira.

–Olá – disse Percy, chamando a atenção dos dois. Pode notar os olhos vermelhos da garota quando o encarou – Você esteve chorando?

–Sim – disse a garotinha com a voz esbagaçada – Eu não queria estar na grifinória, meu irmão é Corvino todos da minha família o são... E agora, eu estou na casa errada.

–Ora, você vê algum problema nesta casa? – disse Percy indicando com a cabeça para Clarisse — Claro, fora o temperamento de algumas pessoas? Sei que você está assustada, mas olha a Grifinoria não é uma casa má... Você vai perceber isto quando começar a fazer amigos. Qual é o seu nome?

–Lacy – disse a garota fungando.

–Bem, eu me chamo Percy – disse o rapaz sorrindo – Qualquer problema, saiba que estarei aqui para te ajudar está legal? Agora sorria um pouco... Alias já sei o que pode te animar – o moreno puxara a varinha das vestes e murmurara um feitiço.

Ele levara sua ponta a boca e assoprara, instantaneamente da ponta saíram varias bolhas de salão multicolores que flutuarem leves até o teto, estourando em pequenos estalos antes de atingir o chão. Percy achou aquilo divertido, sua mãe sempre fazia aquilo quando era menor e estava triste com alguma coisa. Claro que Sally não possuía uma varinha nem conseguia fazer tantas bolhas de uma vez, mas a intensão era a mesma.

–Jackson, o que você está fazendo? – disse uma voz que ele reconheceu como sendo de Annabeth Chase.

Annabeth Chase fora uma das primeiras amigas que Percy fizera em Hogwarts, ambos haviam se conhecido na travessia de barco quando a garota quase o matara afogado o fazendo cair diretamente no Lago Negro, e isso teria acontecido se não fosse pela Lula-Gigante ter o salvo, o que é sempre lembrado com risos pelos amigos.

Ela possuía cabelos loiros encaracolados brilhantes como ouro, era alta e de corpo atlético, mas o que certamente chamava atenção eram seus olhos intensamente cinzas e sempre parecendo estar distraídos, mas isto porque seu cérebro estava sempre a mil, pensando em um milhão de coisas ao mesmo tempo. Ela possuía a pele bronzeada como a típica garota do litoral.

A garota continuava a mesma, talvez até um pouco mais bonita do que ele lembrava-se, ou simplesmente era o sorriso que ela possuía no rosto naquele momento. Percy pode perceber que ela não era a única, a fileira de primeiranistas da Corvinal que a loira guiava até a torre deles também soltava alguns risinhos.

–O que há de errado? – disse Percy fazendo as crianças rirem mais ainda.

–Talvez, um garoto de dezesseis anos fazendo bolhas, quem sabe? – perguntou Annabeth sarcasticamente, fazendo o garoto sentir suas bochechas corarem levemente com o comentário.

–Eu estava animando eles, a garota estava triste e estava tentando faze-la se sentir melhor — Percy tentou se justificar e encarou as crianças, Lacy e o garoto ruivo ainda riam dele.

–Percy, eles tem onze anos... – disse Annabeth e percebeu o olhar confuso dele — Não os trate como bebês – o garoto pareceu compreender o que havia feito, já que levou meio vergonhosa e discretamente a varinha novamente para as vestes.

–Bem, a intensão é o que conta. – Percy sorriu antes do grupo da Corvinal se separar do deles, indo por outro corredor, enquanto os Grifinórios seguiam para as escadas movediças.

–Patético, nunca vai ter esta garota se agir feito um idiota sempre que a ver – disse o ruivo fazendo o monitor o encarar com a testa franzida.

–Por que não fica calado? – disse Percy para o garoto enquanto a escada se movia — Você não sabe de nada, ruivinho.

– Harley, meu nome é Harley – retrucou o garoto – Ah, eu não sei? Minha irmã me contou sobre você Percy, vocês dois estão no mesmo time de quadribol.

– Você é o irmãozinho da Nyssa então não? Não parece nem um pouco – disse Percy – E eu não ajo sempre assim.

–Sei, só quando você está perto dela, não é? – Harley riu.

– Me erra, moleque – falou Percy enquanto empurrava o ruivinho para entrar no espaço que o retrato da mulher gorda havia aberto.

Era só o que faltava para ele, ter que aturar primeiranistas fazendo brincadeiras a respeito dele. Se não tivesse um coração ele teria o prazer de deixa-los se perder, ou poderia simplesmente passar as senhas erradas para eles.

– Vocês fariam um casal tão bonito – disse Lacy sorrindo.

O rapaz não soube porque, mas sorriu também, e o pensamento de punir os pequenos se passou depois daquilo, como se nunca tivesse acontecido. Percy nem esperou o discurso de Clarisse sobre a Grifinoria, optando por ir de mansinho até as escadas e subir enquanto ninguém o notava para seu dormitório.

No dia seguinte, Percy acordou com a luz do sol invadindo seu rosto, ele se revirou na cama resmungando antes de levantar, percebendo que era um dos últimos do dormitório, seus colegas de quarto estavam já se aprontando para o inicio das aulas matinais, ou pelo menos tentando.

– Hei, você acordou... – disse Tyson sorrindo para o rapaz enquanto fazia sua cama – Dormiu bem, irmão? – o moreno sorriu para o amigo, ambos não possuíam qualquer espécie de ligação sanguínea, mas o grandalhão insistia em chama-lo assim.

– Apronte-se, temos que ir para a aula – disse Frank sorrindo para o amigo enquanto o rapaz se erguia da cama e se arrastava para a porta do banheiro, que estava trancada.

Percy assentiu, era difícil para ele acordar de manhã.

– Ah, Merlin... Que maravilha, o Solace está ai – disse Percy ironicamente ainda batendo na porta quando o garoto loiro saiu, ainda secava os cabelos com uma toalha – Até que enfim, pensei que era hoje que eu não tomava banho.

– Porque tomar banho Jackson, se seu cheiro ruim continua o mesmo? – Will falou com um sorrisinho de desdém.

– Pelo mesmo motivo que você fica horas olhando para o espelho mesmo com essa cara feia – retrucou Percy com mesmo tom de voz, fazendo seus colegas de quarto rirem sendo que Tyson soltara uma gargalhada alta e rouca enquanto Frank disfarçara parecendo tentando abafar a risada.

– Merlin... Guardem a troca de carinhos para depois – disse Póllux ainda sonolento na cama – e Jackson anda logo, porque depois de você sou eu.

Percy se apressou para se arrumar e poder acompanhar os amigos, Frank e Tyson, que o esperavam no Salão Comunal para poderem ir tomar café da manhã. Eles seguiram entrando pelas grandes portas de carvalho do lugar.

O teto do Salão Principal refletia um belo céu azul quase sem nuvens, se não fossem por alguns fiapos brancos que traçavam seus caminhos quase que despercebidos. Percy passara próximo da mesa da Lufa-Lufa e saudou Grover Underwood que retribuiu o cumprimento então tornando a tomar seu caminho seguindo para seu lugar ao lado dos Grifinórios.

Ele se sentara em um canto da mesa, ao lado dos amigos e eles comeram a comida preparada pelos elfos domésticos das cozinhas. Criaturazinhas interessantes àquelas, se você gostasse de bichinhos narigudos e de orelhas grandes com tendências a se auto-punir caso fizesse algo errado. Seu melhor amigo costumava fazer discursos sobre o direito de liberdade de todos os seres, apesar de ser difícil para ele expressar aquilo diretamente ao diretor. Grover tremia de medo do dedo mindinho das suas perninhas tortas até o ultimo fio de seu cabelo castanho arruivado quando se encontrava perante o velho Dionísio.

Percy se sentara ao lado de Tyson que devorava sanduiches de manteiga de amendoim em excessivo, lambuzando os lábios e o rosto como se fosse uma criança. O moreno preferira um prato de panquecas que comera lentamente enquanto observava o movimento no Salão Principal e conversava com Frank sobre trivialidades como quadribol e quanto de manteiga de amendoim Tyson poderia consumir antes que o pão acabasse.

Mesmo após terminar as refeições, eles continuaram sentados aguardando o sr. Quiron descer da mesa dos professores. Este ano a distribuição dos horários estava mais complicada do que o normal, porque ele precisava primeiro confirmar que cada aluno tivesse obtido as notas mínimas nos N.O.M.s para continuar as matérias escolhidas nos N.I.E.M.s.

Quiron Brunner era o diretor da casa Grifinoria. Era um sujeito de meia-idade em uma cadeira de rodas motorizada. Tinha o cabelo ralo, uma barba desalinhada e usava um casaco surrado de tweed que sempre tinha cheiro de café. À primeira vista as pessoas o achariam inofensivo, você poderia cruzar com ele e apenas imagina-lo como qualquer cadeirante que já vira antes o que seria estritamente errado.

Aquele era um dos maiores bruxos que Percy havia conhecido em sua vida de bruxo, o professor lhe ensinava Defesa Contra a Arte das Trevas desde o seu primeiro ano e demonstrara a todos os alunos que a primeira vista o considera incapaz de ser dono de grandes feitos apenas por sua condição que ele poderia dar cabo em muitos bruxos que poderiam andar.

Percy iria continuar com as aulas de Feitiços, Defesa contra as Artes das Trevas, Transfiguração, Herbologia, Poções e Trato de Criaturas Mágicas. Apenas dispensara Historia da Magia que de qualquer forma não ia poder cursar por seu Deplorável na matéria, e em Adivinhação, que, apesar de ter recebido Aceitável no N.O.M, decidira por deixar de lado.

Não havia o que discutir, todos os alunos haviam se matriculado nas matérias, já tinham recebido seus N.O.M.s durante as férias. Apesar de que alguns como Tyson pareciam contar com a boa vontade do professor de casa, e foi com extrema dificuldade de delicadeza que Quiron tentou fazer o melhor possível por seu aluno.

– Você recebeu um Aceitável em Poções, então creio que ainda poderá cursar esta matéria, mas quanto a Transfiguração, não creio que possa. – disse Quiron para o garoto grandalhão que tivera que flexionar as pernas, para ficar na mesma altura do professor – A professora Lupa apenas aceita quem teve ao menos um Excede Expectativas, lamento por isso, Tyson...

– Entendo professor, mas pensei que se talvez o senhor conversasse com ela – disse Tyson um pouco chateado — talvez pudesse fazê-la mudar de ideia, não sei.

– Sinto muito, mas as coisas não são tão simples – disse Quiron – Lupa é inflexível sobre suas decisões. – ele dera uns tapinhas em seu braços – Mas isto não é motivo para ficar tão chateado rapaz, erga esta cabeça.

– Meu tutor queria que eu fizesse Transfiguração e Poções, falou que são duas das disciplinas fundamentais para um bruxo – disse Tyson meio envergonhado – Como que eu vou falar pra ele que não posso fazer uma delas?

– Certo, e o que você quer afinal, rapaz? Sei que você é bom em Trato de Criaturas Magicas, Hagrid me contou orgulhoso como você lidou com os Testrálios o ano passado melhor do que qualquer outro aluno – disse Quiron fazendo o grandalhão sorrir – Viu? Você gosta de animais, fique com TCM e olha, você ainda pode tentar Feitiços com o professor Quintus que é tão bom quanto Lupa, e tão exigente quanto ela... O que reunido com Herbologia, Poções e Defesa Contra a Arte das Trevas ainda te deixa com um bom currículo.

Após o café da manhã, Percy se encaminhou para a sua aula de Feitiços localizada em uma sala do quarto andar. Era uma sala bastante ampla, com paredes de pedra e grandes janelas finas por onde entrava luz e as carteiras eram meio como balcões de madeira escura que lembravam muito aquelas que o rapaz havia visto nos filmes de faculdade trouxa. Ao chegar lá, pode perceber que todos os alunos das quatro casas estavam ali, pelo menos os que estavam tomando aquela matéria. Percy se encaminhou sorrindo ao avistar Grover que lhe fez um gesto com a cabeça indicando o lugar que havia guardado para o amigo.

Jason Grace entrou abraçado com Piper McLean, seguidos por mais alguns alunos da Sonserina que seguiram para os lugares vagos. O casal cumprimentou Leo e Frank que, estavam sentados na mesma fileira algumas cadeiras de distancia um do outro antes de tomar os lugares atrás do Lufano.

Percy estava sentado ao lado de Grover em uma das carteiras superiores a que Frank Zhang estava, de onde não podia escutar o que se passava com o trio, Leo havia se virado para conversar com o casal de amigos atrás dele. Na primeira fileira se encontrava um grupo de alunos da Corvinal que Percy, entre os quais ele pode identificar Annabeth Chase.

Do outro lado de Grover se encontrava Juniper, uma garota que até onde sabia tinha um relacionamento com Underwood, apesar de que não sabia que nome poderia dar ao que os dois tinham. Ela era uma Lufana de estatura pequena e delicada com cabelos âmbar e com as pontas verdes como clorofila.

– Bom dia alunos – anunciou o professor de feitiços, Quintus Fatherman – Sejam bem vindos ao sexto ano, e se estão aqui é porque tiveram êxito em seus N.O.Ms, apesar de que nossa turma parece um pouco diminuída pelo fato de que muitos acreditam que minha matéria possa não ser tão importante quanto as outras. A questão que todos vocês vão descobrir é que estas pessoas são grandes desafortunados ignorantes.

Ele encarou a classe e percebeu a cara de espanto de algumas garotas como Juniper que ficara chocada ao ouvir algo daquele tipo sair da boca de um professor. Quintus sorriu, se aproximando da classe mais de perto com um sorriso mais caloroso com sua face sendo atingida pela luz solar que penetrava pelas janelas.

Quintus estava no melhor auge da casa dos cinquenta, o que podia ser notado de que mesmo pelas marcas de expressão carregadas em seu rosto um tanto bruto e rustico, porém que transmitia uma imensa simpatia para com o bruxo. Seus cabelos eram grisalhos, assim como sua barba cortada de um modo a emoldurar seu rosto. Suas roupas eram uma blusa de mangas largas e calças negras, um colete com fivelas transpassadas além de botas, ambos feitos de couro de dragão. Sempre com o coldre com a varinha em seu cinto acessível para ser sacado facilmente.

– Não que esteja ofendido, apenas não consigo aceitar que Feitiços é uma das matérias facilmente descartadas no sexto ano após os testes – disse Quintus – Mas estou feliz em tê-los aqui, porque é agora que realmente vamos aprender Feitiços que muitos de vocês tem esperado por tanto tempo, como o de hoje, que se trata de um dos mais complicados feitiços elementares , alguém pode me dizer algo sobre eles?

As mãos de alguns alunos se ergueram no ar, mas a de Percy não era uma delas. Mesmo desconfiado do que poderia ser aquilo decidiu ficar na sua e não arriscar dizer besteiras no primeiro dia de aula como já havia feito outras vezes. Annabeth fora a primeira a erguer a mão, assim como Octavian, Reyna e Will Solace, mas nenhum deles foi escolhido. O professor decidiu por um garoto da lufa-lufa sentado a alguns patamares acima de Percy.

– Feitiços elementais se baseiam nos quatro elementos primordiais da natureza que são terra, água, fogo e ar – disse Castor – eles são a base para Feitiços mais complexos, e mesmo o seu domínio em si depende da capacidade magica e domínio do bruxo.

– Sim, exatamente isto – disse Quintus – Cinco pontos para a Lufa-Lufa. Agora, se puderem me acompanhar até lá fora creio que esteja um belo dia para treinarmos ao ar livre.

Os alunos começaram a juntar suas coisas seguiram o professor pelos corredores, passaram pela Dama Cinzenta que vagava tristemente por um dos corredores de Hogwarts, enquanto o grupo de sextanistas vagava em direção a saída. Percy a acompanhou até que sua imagem transparente desaparecesse pela parede no final do corredor, ela era raramente vista, e nunca tinha falado com nenhum aluno, diferente do fantasma da Grifinoria, Sir Nicholas de Mismy Porpingtom, o Nick-Quase-Sem-Cabeça, ou apenas Nick, que tinha adoração em jogar conversa fora e atrasar os Grifinorios com papos desnecessários quando os via nos corredores.

As portas se abriram, e eles se viram no exterior de Hogwarts, ao longe o rapaz podia ver a turma do quarto ano da Corvinal e Sonserina tomando aulas de Trato de Criaturas Magicas. Eles apenas encaram os alunos de Feitiços com casualidade, afinal, não era a primeira vez que Quintus tinha a ideia de fazer tarefas fora da sala..

Os alunos estavam acostumados com aquilo, pelo menos uma ou duas vezes no mês, se o tempo estivesse limpo e não houvesse chovido na véspera ou no dia da aula, que o professor de Feitiços levava os alunos para praticarem ao ar livre.

– Aqui estamos nós – disse Quintus fazendo sinal para que os alunos parassem – Aqui já é um ótimo lugar, pois bem, algumas coisas antes de iniciarmos para que não se perguntem depois o que fizeram de errado – ao constatar que todos prestavam atenção prosseguiu – Pois bem, o Feitiço é não-verbal e se baseia inicialmente no pensamento concentrado do elemento que pretendem convocar, é bom que vocês tentem ao máximo algo e quando estiverem prontos, apenas apontem a varinha para algum lugar, e irá acontecer de o elemento que você pensou se manifestar.

– Por qual elemento devemos começar? – perguntou Annabeth, que se encontrava um pouco adiante de onde Percy estava, ao lado dela estava Bianca di Angelo, uma aluna da Sonserina.

Ao lado das duas se encontrava Reyna, que se aproximara ao ouvir a voz de seu parceiro de monitoria a chamando. Percy olhou para os lados, a maioria fizeram duplas, com exceção de Octavian que parecia desconfortável ao perceber que a maioria de seus colegas de grupo haviam lhe voltado às costas.

Havia outros trios como o de Juníper e dos rapazes que estavam alguns metros afastados deles, entre a garota se encontravam Leo e Frank que ainda parecia incomodado com algo como se a simples feições do Lufano não lhe agradassem.

– Fica a critério de vocês, apenas se concentrem – disse Quintus – Observem uma pequena demonstração – o professor puxou sua varinha da bainha lateral de seu cinto .

Com um movimento simples, um vento saiu da ponta da varinha, como um generoso jato de ar fresco que atingiu a grama a fazendo ondular, para então começar a formar um minitornado que arrancou um pouco de folhas que começaram a crescer, enquanto Quintus o comandava com a habilidade de um maestro. Ao final do ato os alunos aplaudiram e o professor agradeceu, se voltando para todos se erguendo após o cumprimento.

– Vamos começar a praticar, sim? – Quintus guardou a varinha novamente – Podem fazer sozinhos, ou em grupos se assim preferirem.

Percy se uniu com Grover e Juniper, chamando Tyson para se unir com os três, quando percebeu que todos os outros grupos estavam fechados para o grandalhão. O monitor odiava o que as pessoas geralmente faziam com o rapaz, simplesmente lhe voltavam às costas e o ignoravam.

– Bem, vamos começar então – disse Percy puxando sua varinha e a encarando pensativo enquanto a posicionava.

Qual dos elementos ele escolheria afinal? Eram quatro e o rapaz simplesmente não conseguia se decidir, talvez criar um pequeno ciclone como o do professor ou algo mais interessante, não estivesse em planos para alguém que ainda nem sabia por onde começar, então tinha que começar por algo mais simples.

Talvez, algum feitiço parecido com um que já conhecesse. Havia aprendido feitiços conjuratórios de agua e fogo em anos anteriores, talvez pudesse conseguir algo com isso. Então começou a pensar em algo, pensou em uma cachoeira de águas perigosas caindo contra pedras lisas produzindo um belo som que não servira para ele produzir o feitiço, apenas para que conseguisse sentir uma forte vontade de ir ao banheiro.

Percy tentara novamente, mais uma vez e outra seguida. Nada, em nenhuma das tentativas. Aquilo realmente o estava deixando frustrado, afinal, já não bastava ser um traste em Poções, tinha que se ferrar em Feitiços também?

Francamente, aquilo era inexplicavelmente complicado. Nada comparado com a facilidade que era dizer feitiços e balançar varinhas como fora nos cinco anos anteriores, agora não tinha instruções melhores além daquele papo de pense em algo e agite levemente que num passe de magica você estaria dominando o que sua mente focalizou.

Não podia culpar Quintus, ele era um ótimo profissional, apenas que a matéria em si não era fácil. Feitiços mudos era realmente um desafio, bastava continuar por aqueles minutos sem produzir nada que chegava cada vez mais a confirmar isto.

Até que um som alto, como se algo explodisse, semelhante ao de alguém que acaba de ligar um fogão só que mais alto, e então o som de gritos que fizeram todos voltarem seus olhares para a direção de onde vinha.

Ao olhar para o lado ele pode ver as pessoas correndo em direção aonde um pequeno amontoado de formava então despertando e tomando a dianteira para abrir caminho entre os alunos que ali estavam até chegar ao centro de tudo. Vendo um garoto caído de joelhos com as mãos sobre o rosto e Frank agachado ao seu lado. Dos cabelos do cara pareciam escapar uma fumacinha da parte da frente e um cheiro de cabelo queimado.

– Tudo bem, olha tire as mãos para nós vermos se não você esta machucado seriamente – disse Frank num tom de voz tão seguro que Percy estranhou, afinal, não soava como seu amigo.

– O que aconteceu aqui? – disse Quintus chegando e se aproximando dos dois que se encontravam no centro – Mason, o que houve com você? Vamos, diga-me...

O professor tirara as mãos do rosto do garoto, encontrando-o normal se não fosse pela ausência de sobrancelhas, pelo menos completas, já que ainda haviam indícios queimados no lugar onde elas deveriam. Quintus voltou seus olhos para os alunos seriamente, e eles talvez amedrontados com aqueles olhos, afinal nunca havia sido visto assim antes.

– Quem foi? – disse Quintus olhando para todos, e Percy fez o mesmo caminho que ele ao passar seus olhos pela roda formada.

– Fui eu, senhor – disse Leo, dando um passo à frente – Sinto muito, não imaginei que fosse ser tão... – foi impedido de terminar a frase.

Quintus fez um sinal para que ele se calasse, então suspirou e o encarou com um olhar de compaixão, como se entendesse que o Lufano já estava mal o suficiente para que ele descontasse tudo sobre o rapaz.

– Abra os olhos, Mason, me diga como esta sua visão? – disse Quintus voltando seu olhar preocupado para o garoto caído e o rapaz obedeceu enquanto o professor o analisava – Como se sente?

– Tostado, eu acho – disse Clarisse irônicamente, num tom de voz baixo para que não fosse ouvida pelo professor, apesar de que aquilo atraiu olhares nada agradáveis de Juniper e de um grupo de Lufanos.

– Estou bem, professor – disse Jake se levantando – Não chegou a me atingir de verdade só me passou de raspão no meu rosto, se não fosse pelo Zhang ter me jogado no chão antes teria sido ainda pior.

– Como em nome do todo poderoso Flamel, você pode ser atingido no rosto pelo feitiço sendo que as varinhas deveriam estar apontadas para baixo – disse Quintus olhando de esguelha para Leo – A menos que não tivessem dado ouvidos para as minhas instruções?

– Nós demos senhor – disse Katie Gardner afobada — Apenas foi um acidente tudo isto.

–Eu me abaixei para amarrar os cadarços do sapato – disse Castor – a Katie tem razão, foi tudo um acidente.

– Tudo bem – disse Quintus – você esta enxergando bem rapaz? – Castor assentiu então o professor se voltou para olha-los – De qualquer forma que nos certifiquemos disto, alguém... Um dos monitores, o leve para a enfermaria para que possam dar um jeito nas sobrancelhas dele se puderem.

Katie, a monitora da casa dos texugos se aproximou e o guiou para fora do circulo e para dentro do castelo enquanto o professor se levantava encarando a todos. Demorou alguns segundos antes que se pronunciasse.

– Estão todos dispensados – disse Quintus e os alunos começaram a se afastar, porém rapidamente o professor completou – Com exceção de você Valdez, temos umas palavras para trocar.

Percy se afastou um pouco tentando parecer distraído arrumando suas coisas ao lado dos amigos. Grover assim, como o melhor amigo se encontrava em silencio, com exceção de Juniper que discursava sobre os perigos que alguém que não sabe dominar um feitiço pode causar.

– Poderia ter sido coisa muito pior – dizia – Valdez não devia ter escolhido fogo, todos sabem que com uma mente fraca alguém não consegue ter domínio sobre ele e que deveria tentar algo mais inofensivo como terra ou agua.

–Jackson, poderia falar com você por um instante? – Quintus perguntou antes que o rapaz pudesse entrar no castelo, e o moreno se aproximou do professor e de seu colega lufano.

Leo parecia um pouco ansioso já que ficava girando sua varinha entre os dedos. Apesar de pelo que via do garoto, ele no geral tinha um grande problema em manter as mãos paradas, numa situação daquelas então era ainda pior. Naquele momento Percy pensou no que poderia estar por vir, afinal, ele não tinha nada haver com aquilo.

– Eu já falei professor, não foi minha intenção machuca-lo, foi apenas um acidente – disse Leo, como se já tivesse dito mais do que o suficiente àquela frase — Será que eu posso ir agora?

– Não é a mim que deve se desculpar, e sim a Jake, que teve a sorte de perder apenas as sobrancelhas, pois poderia ser pior – disse Quintus passando uma das mãos na testa bagunçando seus cabelos grisalhos.

– Vou me desculpar com ele, somos colegas de quarto é fácil para eu presentear ele com uns caldeirões de chocolate como demonstração de arrependimento – disse Leo — E também sei que o cara vai entender que não fiz por mal, eu simplesmente não quis que aquilo acontecesse, até porque cá entre nós, ele parece ter uma maldição lançada sobre si.

– Senhor Valdez – disse Quintus repreendendo-o.

– É sério, ninguém pode ser tão azarado assim, o garoto tem um histórico de acidentes e uma cama com o nome dele na enfermaria de Hogwarts de tanto que foi para lá nos últimos anos – disse Leo – mas isto não quer dizer que eu não me importe com ele.

– Acredito nisto – disse Quintus – No entanto, não posso deixar que isto passe impune – ele olhou rapidamente para Percy como se esperasse algo vindo dele, antes de tornar a encarar o outro aluno — Infelizmente Valdez, seu ato merece uma punição maior do que a de uma perda de pontos, e ainda estou sendo gentil de não manda-lo para o Dionísio.

– Aquele lá posso subornar com uma garrafa de Whisky de Fogo que logo estará fora de si e cantando Odo, o Herói – disse Leo com um pingo de cinismo na voz .

Talvez fosse a face de Quintus fez ao ouvir aquela resposta debochada do aluno ou quem sabe o modo como aquilo saira naturalmente da boca de Leo Valdez, como se não tivesse nada demais em ofender moralmente o diretor de Hogwarts em frente a um professor, apesar de que Percy tinha quase certeza de que era a imagem do Sr. D já embebedado e cantando em meio a soluços e voz embasbacada pela bebida que o fizera rir.

– Detenção Valdez, toda a sexta-feira de noite – disse Quintus e o garoto soltou um suspiro pesado, bem como Percy engoliu em seco ao perceber o que estava para ocorrer quando os olhos do professor se voltaram para si – Jackson, eu não poderei supervisionar as detenções de modo que esta função ficara sobre sua responsabilidade.

Maravilha, pensou Percy, nada melhor do que perder uma das noites do final de semana tendo que supervisionar detenções. Com sua sorte, Leo tocaria fogo nele ou mais qualquer outra coisa estupida que não conseguia pensar. Afinal ele fizera algo para ser punido também? Porque se tivesse, que o avisassem, pois ele não fazia ideia do que poderia ser.

–Não poderia ser o Castor, professor? Ele é o monitor da Lufa-Lufa, creio que seria o mais indicado para... – disse Percy tentando se livrar, mas foi interrompido antes que terminasse a frase.

– É a sua primeira vez não é? – disse Leo fazendo Percy olha-lo assustado.

– Como assim? – disse Percy confuso.

– A primeira vez que supervisiona alguém – disse Leo – Do contrario saberia que não é permitido o que acabou de dizer.

– Do que esta falando? – disse Percy um pouquinho irritado.

– Castor é da mesma casa, do mesmo ano que o Sr. Valdez aqui de modo que não é indicado que seja ele a supervisioná-lo – disse Quintus – Ele pode ser bonzinho demais com o seu colega de quarto.

– O que posso dizer, eu sou o senhor simpatia pura – disse Leo rindo – e você deveria saber disso, Percy, a menos que não tenha lido o manual dos monitores.

– Eu li sim – disse Percy estressado com o modo de Leo, não ia admitir que não havia lido droga de manual algum.

– Bem, estava lá, mas se anime será divertido – disse Leo então se voltando para Quintus que parecia perplexo – Agora, professor, o que terei de fazer?

– Ainda irei decidir, até quinta-feira de noite avisarei ambos – disse Quintus se recompondo, ao que parecia ele não entendia como alguém poderia ficar tão confortável em receber uma detenção – Agora, estão dispensados e vão para as suas aulas antes que vocês recebam alguma detenção por atraso.

Leo e Percy seguiam pelos corredores em silencio rumo à parte oeste do castelo para a aula de Defesa Contra as Artes das Trevas. Antes de entrarem na sala, o Lufano olhou para o Grifinorio e sorriu levemente, e pela primeira vez, Percy sentiu que a mascara de calma frente a detenção cair.

– Olha, eu não queria que você acabasse nesta enrascada comigo – disse Leo – Eu não me importo de perder noites com detenções, mas ao que parece você sim só que olhe pelo lado bom, você só terá que olhar enquanto eu faço o trabalho duro.

– Eu sou um monitor, deveria estar acostumado com este tipo de coisa – disse Percy dando de ombros, mostrando que não ligava realmente para aquilo – Mesmo não pedindo por isto, é um preço a se pagar por ter esta coisa.

– Você odeia ser monitor – não era uma pergunta.

– É bem por ai – disse Percy abrindo a porta dando passagem para Leo ir na frente.

Talvez estivesse errado, e perder uma sexta-feira de noite durante um mês com um cara como Leo Valdez não fosse ser tão horrível quanto imaginava. Pelo menos, foi o que pensou depois daquela conversa. Mas por via das duvidas, gostaria que o que quer que ele tenha que fazer que fosse sem magia, porque não queria que algum acidente como o que aconteceu com Jake pudessem se repetir, especialmente com monitores inocentes.

Notas finais
Foi o maior capitulo até agora comparado com os outros ( eu geralmente meio que me exalto na quantidade quando estou escrevendo) os próximos vou tentar me controlar nisto. Espero que tenham gostado do capitulo, deixem reviews. Até o próximo. Thiago.