The Legend of Zelda - Branca de Neve
12 O reencontro
Após uma longa e cansativa viagem pelos arredores de Hyrule, Link finalmente chegara ao vilarejo Kokiri. Seu coração batia aceleradamente, incapaz de conter a ansiedade em rever sua amada Zelda. O vilarejo estava calmo e silencioso e Link estranhou o fato de ninguém ter ido recebê-lo.
— Pessoal! Eu voltei! — ele chamou em voz alta, mas ninguém respondeu. Ele olhou em volta, mas não viu nenhum sinal de seus amigos.
Ele apenas ouviu o barulho das folhas das árvores balançarem levemente com o vento. Era muito estranho o vilarejo estar calmo e quieto daquele jeito.
Preocupado, ele entrou cuidadosamente na casa de Saria pra ver se alguém estava lá dentro.
— Saria? Zelda? Onde vocês estão? Sou eu, Link! Eu estou de volta! – ele chamou novamente, olhando ao redor, porém não houve nenhuma resposta.
Ele continuou a andar pela casa, procurando por algum sinal de seus amigos, mas parecia que a casa estava vazia. De repente, o pé de Link esbarrou sem querer em alguma coisa que deslizou pelo chão de madeira. Ele olhou para o chão e viu um pedaço de maçã vermelha. Ele se abaixou e pegou a fruta.
— Mas o que é isso? Por que há uma maçã no chão? – ele perguntou, enquanto olhava para a fruta vermelha em sua mão. Até que ele viu que a maçã estava mordida em um lado.
O sangue dele congelou e ele sentiu um nó se formar em sua garganta. Aquilo não podia ser um bom sinal. Ele sentiu que alguma coisa muito ruim devia ter acontecido já que ninguém estava no vilarejo e não era normal encontrar uma maçã caída no chão com uma única mordida.
O desespero imediatamente tomou conta de seu coração. Alguma coisa não estava certa. Link saiu da casa de Saria desesperado e ele percorreu o vilarejo todo procurando por seus amigos, mas não encontrou ninguém. O vilarejo estava completamente vazio.
— Saria!!! Mido!!! Zelda!!! Pessoal!!! Onde vocês estão???
Link gritou novamente, mas de nada adiantou. Não houve nenhuma resposta. Seu coração se apertou dolorosamente com angústia. Confuso e desesperado, Link começou a correr por toda a floresta, procurando por algum sinal de seus amigos.
— Saria!!!! Zelda!!!! Tem alguém aqui?? Pessoal! Onde vocês estão? Alguém pode me ouvir?
Os gritos desesperados de Link ecoaram por toda a floresta. Saria, que estava velando o corpo da princesa junto com seus amigos Kokiri, ouvira os gritos de Link.
Com os olhos cheios de lágrimas, ela correu de encontro a seu amigo.
— Link!!! – ela gritou, correndo pra perto dele.
— Saria!!! Santas Deusas, que bom que eu te encontrei!!!
Ela abraçou Link com força e chorou em seu ombro. Ele a abraçou de volta, envolvendo a pequena garota em seus braços.
— Saria, o que aconteceu? Quando eu cheguei à vila, vocês não estavam lá! Procurei vocês por toda a parte!
Saria não conseguia parar de chorar. Ela se agarrou na túnica de Link e falou em meio a choros e soluços.
— Link... P-pelas Santas Deusas....V-você não ia acreditar no que... no que aconteceu... – ela fungou e soluçou. A garganta de Saria se contraiu, ela penteava seus dedos pelos cabelos verdes, numa tentativa de parar as lágrimas que escorriam de seus olhos.
Link olhou nos olhos da pequena garota Kokiri. Os olhos dela estavam inchados e vermelhos de tanto chorar. Isso fez com que Link ficasse ainda mais nervoso e aflito.
— O que... O que houve Saria? Me diz!!!! – seus olhos ficaram úmidos com as lágrimas que estavam prestes a chegar. – O-onde está Zelda? O que aconteceu com ela???
Saria fechou os olhos para evitar outra enxurrada de lágrimas. Com o coração apertado, ela mal conseguiu pronunciar as palavras tristes.
— A... A Rainha.... por causa dela... Zelda... ela está... ela está...
Link olhou para ela um momento, confuso, e sua mente começou a girar de repente com pensamentos que eram completamente inaceitáveis.
Seu coração apertou dolorosamente enquanto ele agarrava os ombros da menina, em desespero.
— Não... Ela não pode estar...
Saria abraçou Link com força e ficou em silêncio, chorando. O silêncio tenso disse mais do que palavras poderiam.
— E-eu sinto muito, Link! – foi a única coisa que Saria disse. – Nós tentamos de tudo... mas...
Link não podia mais suportar aquelas palavras. Zelda... Pelas Deusas, isso não poderia ser verdade... Ele sentiu como se seu coração estivesse se partindo, quebrando a sua felicidade em mil pedaços.
— Não... Não.... Não Saria!!! Não pode ser!!!! – Link começou a chorar, desesperado. – Ela não pode ter... Não!!! Não pode ser verdade!!! Não pode...
Lágrimas inundaram sua visão, seu estômago esfriara e seu coração se apertava de dor.
Saria desviou o olhar e soluçou novamente, antes de olhar para ele mais uma vez.
— Eu sei que é difícil... M-mas... Nós fizemos tudo o que podíamos Link... Se.. se não acredita... então... então venha ver com seus próprios olhos...
Com o coração apertado, Saria levou Link até o centro da Campina da Floresta Sagrada, onde todos os Kokiri estavam velando o corpo de Zelda que jazia dentro do esquife de vidro. Quando Link viu o corpo sem vida da princesa que ele tanto amava dentro do caixão de vidro, sua respiração quase parou e a cruel força da gravidade o trouxe de joelhos ao chão. Ele já não conseguia mais sentir o chão abaixo de seus pés, era como se um grande buraco estivesse se abrindo bem debaixo dele e o sugando para dentro da terra. Por um momento ele até desejou ser sugado pela terra, pois isso ao menos daria um fim ao seu sofrimento. Era como se o próprio mundo estivesse se desmoronando diante de seus olhos. Aquilo não podia ser verdade... Não podia... Sua amada princesa, morta! Não era justo! Seu coração gritava. Como poderiam as Deusas amaldiçoá-lo a encontrar um amor verdadeiro tão rapidamente e com a mesma rapidez, tirá-lo, arrancá-lo dele como se não tivesse sido nada importante. E o pior foi que ele nem teve tempo de aproveitar direito aquele amor tão lindo que ele sentia por ela. O que ele havia feito para merecer todo esse sofrimento? Primeiro ele fora forçado a se separar dela por uma ordem estúpida da Rainha e quando ele finalmente volta pra casa, esperando ver sua amada princesa novamente, ele a encontra morta. Morta! Como isso pôde ter acontecido? Ele nunca teve más intenções, nunca quis machucar ninguém, só o que ele queria era amar alguém com todo o seu coração e era essa a recompensa que ele recebia por ser ter sido um rapaz tão bondoso? Link agora podia perceber o quanto a vida era injusta. Sua vida e todos os seus sonhos foram arruinados, como se ele tivesse cometido um crime terrível e estivesse sendo punido por isso.
— Zelda... Não!!! – ele gritou inconformado.
Correndo até o esquife onde o corpo dela jazia frio e inanimado, ele retirou a tampa de vidro que a protegia e envolveu o corpo gelado da princesa em seus braços, chorando, um choro que doía a alma. Apesar de ser um choro silencioso, por dentro seu coração se partia, rasgava, gritava e jamais voltaria a ser como antes.
— Zelda.... Por quê? Por quê você teve que me deixar..... Por quê???? – Lágrimas jorravam dos olhos de Link, inundando sua visão.
Ele a abraçou ainda mais apertado, pressionando-a contra seu corpo com toda a sua força. Soluços incontroláveis brotavam de sua garganta e ele sentiu uma dor imensa no peito, como se um buraco estivesse se abrindo dentro dele, sugando todos os seus sonhos, sua felicidade.
Link não conseguia aceitar que aquilo era verdade. Isso não podia estar acontecendo! Não era justo! Aquilo parecia mais um pesadelo terrível do qual ele não podia acordar.
Ele havia esperado tanto para conhecer alguém como Zelda, foram tantas as garotas que tentaram conquistar seu amor, mas nenhuma delas havia conseguido conquistar o coração de Link como Zelda o conquistou. Ela o ganhou apenas com um sorriso, um olhar. E agora que ele ia finalmente pedi-la em casamento... Ele a vê morta. E ele não pode fazer nada.
Link trouxe o rosto dela pra perto do dele. Ele ficou olhando para ela por um momento. Seu rosto estava belo como sempre, suas bochechas estavam coradas e os lábios vermelhos como as pétalas de uma rosa. Ela parecia tão calma, como se ela estivesse dormindo profundamente. Mas Link sabia que ela jamais acordaria, ela estava descansando para sempre em seus braços.
— Eu vejo que nem mesmo a morte conseguiu roubar de ti sua infinita beleza... Continuas bela como sempre, minha querida princesa... – ele murmurou em meio ao choro silencioso, deslizando seus dedos delicadamente pelo rosto frio dela. – Volte à vida, minha princesa, minha Zelda... Conserva o mesmo hálito doce, a mesma pele delicada que tinha em vida... Você é meu amor, minha alma, minha vida... sem ti, não poderei mais viver... eu não conseguiria... nunca...
Abraçando-a o mais forte que podia, Link aproximou seu rosto do dela, pressionando seus lábios suavemente sobre os dela, beijando-a com todo o seu amor. O beijo era triste, mas era cheio de amor, de paixão e revelava todos os sentimentos que ele sentia por ela. Ao mesmo tempo em que Link a beijava, o encanto da maçã envenenada foi se quebrando e aos poucos Zelda começou a despertar de seu sono profundo. Ela lentamente abriu os olhos e viu Link a beijando suavemente. Quando seus lábios se separaram, Zelda murmurou ainda um pouco sonolenta.
— L..Link....?
Link abriu os olhos lentamente e teve uma grande surpresa. Zelda estava viva! Santas Deusas, aquilo era um milagre! O coração de Link, que antes estava partido, despedaçado em mil pedaços, agora se enchia de uma alegria profunda. Lágrimas de felicidade escorriam de seus olhos azuis. Incapaz de conter a alegria em saber que sua amada princesa estava viva, Link a abraçou com toda a força que podia, chorando de felicidade.
— Zelda, meu amor, você está viva!!! As deusas atenderam meu desejo!!! Isso é um milagre!!!
Zelda ainda estava um pouco confusa, mas a alegria em rever Link fora maior do que tudo. Ela o abraçou de volta com toda sua força, seu coração pulava de felicidade. Querendo ou não, a maçã envenenada de sua madrasta havia realmente atendido seu desejo. Link havia retornado e isso era tudo o que importava pra ela.
— Link, pelas Deusas Santas, você veio! Meu desejo foi realizado! Eu senti tanto sua falta, meu amor...
Ele olhou para os olhos dela e sorriu.
— Eu também senti muito sua falta, minha princesa... – ele sussurrou para ela, acariciando seu belo rosto angelical, agora cheio de vida. – Achei que você estava morta e que nunca mais eu a veria de novo... Eu estou tão feliz em saber que você está bem! Eu jamais conseguiria viver sem você...
— Nem eu... – ela respondeu, beijando-o ternamente. Ele apenas sorriu e retribuiu o beijo, pegando-a nos braços. Nesse momento, todas as crianças Kokiri aplaudiram com muita empolgação para o casal apaixonado. Zelda colocou os braços em volta do pescoço dele, puxando-o para mais perto dela enquanto ela aprofundava o beijo cada vez mais.
Mas, de repente, algo inesperado aconteceu. Uma luz forte iluminou todo o ambiente. Todos olharam para a luz e viram a silhueta branca e luminosa de uma mulher com asas e longos cabelos. Quando a luz diminuiu, eles viram que era uma bela fada.
— M-mas é....é... A Grande Fada da Floresta Kokiri! – Saria gaguejou, olhando surpresa para a fada.
Todas as crianças Kokiri fizeram uma reverência para a misteriosa fada que acabara de aparecer. Link e Zelda olhavam para todos, sem entender nada do que estava acontecendo.
— Quem é você? – perguntou Link, surpreso.
— Saudações, amigos! Eu sou a Grande Fada da Floresta Kokiri. Sou uma das antigas guardiãs dessa floresta. E estou aqui porque tenho algo muito importante para contar à Princesa Zelda.
— E-eu? – Zelda gaguejou, confusa. Link a desceu de seu colo e a colocou de volta no chão. Ela caminhou lentamente pra perto da fada. – O..O que... O que você tem a me dizer?
— Alteza, vosso pai, o rei de Hyrule, está vivo! E ele acaba de retornar da Guerra.
O coração de Zelda saltou de felicidade com a notícia e lágrimas de felicidade brotaram de seus olhos. Não só Link havia voltado de sua viagem como também seu pai estava de volta da Guerra! E estava vivo! Nada podia ser melhor do que isso!
— Louvadas sejam as deusas! – Zelda exclamou com alegria. – Isso é um milagre!!!
— No entanto... – a fada continuou a falar. – ele pensa que estás morta, Alteza, e está adoecendo seriamente.
— Oh, não! E agora? – O coração de Zelda se apertou de preocupação. – E-eu preciso voltar! Preciso mostrar a ele que estou bem! Link, você precisa me levar de volta ao castelo agora!
Link não parecia muito empolgado com a notícia. Se Zelda tinha que voltar para o castelo, isso significaria que eles jamais poderiam se ver de novo e que ela não poderia mais viver com ele. O coração dele se apertou e ele olhou para Zelda angustiado.
— M-mas, Zelda o que... o que vai ser de nós agora? Quer dizer... você é uma princesa e olhe pra mim! Eu sou só um garoto órfão da floresta! A única forma de ficarmos juntos seria se você jamais pudesse voltar para o castelo! E-eu achei que nós pudéssemos viver juntos aqui na floresta m.. mas... – seus olhos se encheram de lágrimas e ele começou a chorar. – M-mas eu não posso te impedir, se você quiser voltar...
Ele abaixou os olhos e chorou silenciosamente, porém Zelda colocou as mãos no rosto dele e olhou fixamente para seus olhos azuis.
— Link, meu amor, não diga isso! Meu pai é um bom homem! Ele vai entender se eu explicar tudo pra ele, eu sei disso! Ele só quer me ver feliz e se ele souber que esse nosso amor é o que me faz feliz, ele permitirá que fiquemos juntos, mesmo que você seja só um garoto órfão da floresta...
Link olhou para ela, agora um pouco mais calmo.
— V-você tem certeza disso? Você realmente acha que ele aceitaria nossa união?
Zelda respondeu com uma voz calma, olhando profundamente em seus olhos.
— Claro que sim! Eu conheço muito bem o meu pai. Ele com certeza aceitaria que eu me case com um homem que me faça feliz, que me ama por quem eu sou e não só porque sou uma princesa... Eu vou explicar tudo, ele vai entender, eu sei disso...
Ele sorriu levemente para ela e ela fez o mesmo. Os dois trocaram olhares por um breve momento.
— Certo então. Vamos até o castelo! – Link falou, cheio de confiança. Ele virou de costas e assoviou estridentemente.
Zelda ouviu o som de cascos chegando cada vez mais perto até que a bela égua castanha de Link apareceu no meio das árvores da floresta. Ela correu para seu dono e empurrou sua cabeça contra o peito de Link, em brincadeira. Link esfregou o focinho de Épona carinhosamente. Ela relinchou em resposta.
— Ei garota! Não vai se importar de carregar duas pessoas em suas costas hoje vai? Temos que ir ao castelo de Hyrule.
Épona balançou a cabeça em afirmação. Depois que ele terminou de acariciar sua égua, ele se virou para Zelda.
— Já cavalgou alguma vez, Zelda?
— Não... – ela respondeu, constrangida. – Mas eu sempre tive muita vontade. É que eu nunca tive tempo pra aprender, eu estava sempre muito ocupada com os afazeres do castelo que minha madrasta me obrigava a cumprir, você sabe... – sua voz foi sumindo.
— Tudo bem... Não é culpa sua. Eu vou ajudá-la então.
Link ajudou Zelda a subir na cela. Depois que ela havia se acomodado rigidamente na sela, Link subiu atrás dela e tomou as rédeas com uma mão enquanto a outra repousava na cintura da jovem.
— Confortável? – ele perguntou.
Zelda sentiu seu coração bater mais forte quando se deparou com a mão dele ao redor de sua cintura. Ela nunca havia experimentado a sensação de se estar em cima de uma sela e ela se sentia um pouco insegura, mas quando Link a segurou pela cintura, ela se sentiu muito mais segura. Corando instantaneamente, ela sussurrou:
— Bastante confortável.
Link apenas riu. Após se despedir de seus amigos Kokiri, ele cutucou Épona para que ela acelerasse. A égua começou a correr, deixando a Floresta Kokiri, indo em direção ao castelo de Hyrule.
Quando eles chegaram aos portões do castelo, os guardas, ao avistarem a princesa, interceptaram Link, apontando as lanças para ele.
— Quem é você? Solte a princesa agora mesmo!
Zelda levantou as mãos e falou:
— Parem! Ele não é uma ameaça! Ele me ajudou!
Os guardas abaixaram as lanças e se afastaram.
— Que bom que está viva, princesa! – disse um dos guardas. – Achávamos que aquela mulher louca havia matado você. Como podemos ajudá-la?
— Leve-nos até onde meu pai está! Preciso vê-lo!
— Sim, Vossa Alteza. – responderam os guardas.
Eles abriram o portão e Link e Zelda entraram no castelo. A princesa correu pelo grande salão de entrada, procurando por seu pai.
— Papaaai!!!! – ela gritou. – Sou, eu Zelda! Eu voltei! Eu estou bem!!!
Todos os criados do castelo foram receber a princesa com uma grande alegria em seus corações. Zelda estava muito feliz em saber que todos haviam sentido sua falta, mas ela ainda não estava totalmente satisfeita. Ela precisava ver seu pai.
Mas, de repente, seu coração se encheu de alegria quando ela avistou Impa, a antiga criada que havia cuidado dela desde pequenina. Ela correu de encontro a ela com lágrimas de felicidade nos olhos.
— Impa!!! É tão bom te ver de novo! – disse Zelda, abraçando Impa com força.
— Princesa, é tão bom saber que você está bem! Estávamos tão preocupados!
Afastando-se um pouco de Impa, Zelda perguntou:
— Impa, eu preciso ver meu pai! Sabe onde ele está?
Impa respondeu com empolgação:
— Seu pai ficará tão feliz em ver que você está viva e a salvo! Não se preocupe, irei chamá-lo!
Impa subiu as escadarias que iam até os aposentos reais. Ela abriu a porta e entrou no quarto. O rei estava deitado em sua cama, triste e desolado. Ele achava que Zelda estava morta e ele não conseguia aceitar a ideia de que ele havia perdido sua filha para sempre.
Calmamente, Impa aproximou-se da cama do rei e falou:
— Majestade, tenho uma notícia excelente para anunciar-te!
— Eu sinto muito, Impa, mas não existe mais nada que seja excelente pra mim... – o rei falou tristemente. – Tudo o que eu mais amava foi tirado de mim e agora já não me interessa mais nada nessa vida...
Impa continuou a falar, apesar da tristeza do rei.
— Não exatamente, Majestade. Zelda está viva! E ela está esperando por ti no salão principal!
O rei levantou-se subitamente de sua cama, incrédulo com a notícia que acabara de receber.
— O que... O que você disse? – ele gaguejou, confuso. – Zelda está viva? Como? Midna disse que...
— Midna mentiu. Muitas coisas aconteceram desde que Vossa Majestade deixou o palácio, mas acho que seria melhor se o senhor ouvisse a verdadeira história com as palavras de sua própria filha, porque há coisas nessa história que tu jamais acreditarias se eu mesma as contasse.
O rei mal conseguiu conter a emoção em saber que sua filha estava viva. Ele se levantou da cama o mais rápido que pôde e desceu apressadamente as escadarias, na ansiedade de ver Zelda outra vez.
Enquanto isso, no salão principal do castelo, uma multidão de criados se reunia em volta da princesa, repletos de alegria em vê-la outra vez. Ela estava muito empolgada e ela contava para todos tudo o que tinha acontecido com ela até agora.
— Quer dizer então que se perdeste na floresta, princesa?
— Sim! Mas então eu acabei descobrindo um vilarejo de crianças! Eles me acolheram e cuidaram de mim.
— E quem é o rapaz que veio junto contigo?
— Ah, ele é Link, o jovem que eu conheci aqui no jardim do castelo! Ele mora no vilarejo junto com as crianças. Ele foi muito gentil comigo e acabamos nos apaixonando...
Zelda continuou a contar aos criados sobre tudo o que ela tinha vivido enquanto estava escondida na floresta Kokiri, mas de repente, ela viu alguém muito familiar se aproximar da multidão. Todos ficaram em silêncio quando viram o rei se aproximando. Ele ficou olhando para a bela jovem que estava diante dele. Por um momento era quase difícil acreditar que aquela bela mulher era aquela garotinha inocente que o rei deve de deixar anos atrás.
— Z...Zelda? – o rei gaguejou, não conseguindo acreditar no que seus olhos viam. – É... É você?
Os olhos de Zelda de encheram de lágrimas. Finalmente, depois de tantos anos, ela reencontrava seu pai. Ele estava mais velho, com algumas cicatrizes e marcas de batalha, mas ela tinha certeza que era ele. Seu olhar bondoso continuava o mesmo. Não conseguindo conter a emoção, ela correu de encontro ao seu pai e o abraçou com força.
— Papai!!!! – Ela chorou de alegria.
O rei mal conseguia acreditar que aquela bela mulher que ele via diante dele era mesmo sua pequena Zelda. Ele a abraçou com força, não conseguindo esconder as lágrimas de felicidade.
— Minha filha!!! Minha garotinha!!! Como estou feliz em vê-la de novo!!! Eu senti tanto sua falta!!!!
— Você nem sabe o quanto eu sofri com sua ausência, papai!!! – Zelda chorava. – E-eu achei que nunca mais fosse vê-lo outra vez!
— Eu também pensei isso... Não sabe como estou feliz em ver que você está bem! Eu mal consigo acreditar que minha pequena garotinha cresceu tanto e virou uma moça tão bonita! Está cada vez mais parecida com sua mãe... Ela ficaria tão orgulhosa se te visse...
— É... – Zelda murmurou, um pouco triste em se lembrar da mãe. Mas seu coração doeu quando ela se lembrou da madrasta.
Ela não a viu quando entrou no castelo e tinha medo do que pudesse acontecer. Talvez, com o retorno de seu pai, ela voltasse a ser mesma de antes, uma mãe boa e gentil.
Como se estivesse lendo os pensamentos de sua filha, o rei perguntou:
— Agora, conte-me tudo o que aconteceu, minha filha! Sua madrasta mentiu ao dizer que você tinha morrido de uma doença misteriosa. O que... o que foi que ela fez com você?
O coração de Zelda se apertou. Por mais que sua madrasta tivesse sido má para com ela durante tanto tempo, ela não conseguia sentir ódio dela. Ela sabia que alguma coisa havia feito sua madrasta mudar tanto, ela só não sabia o quê. Se ela contasse a verdade, temia que seu pai ficasse com ódio de Midna e a punisse por tudo o que ela tinha feito. Mas ela não podia mentir. Não era certo mentir para o pai depois de tanto tempo longe dele. Ela escolheu cuidadosamente as palavras e tentou falar tudo o que aconteceu de forma que não incriminasse ninguém.
Ela explicou ao pai tudo o que tinha acontecido desde o momento em que ele se foi para a guerra. Ela explicou como Midna havia mudado, como ela a obrigara a exercer tarefas no castelo, contou-lhe também sobre o dia em que ela conheceu Link no jardim, sobre o caçador, o dia em que ela se perdeu na floresta e encontrou o vilarejo Kokiri, contou-lhe tudo o que acontecera entre ela e Link, sobre como os dois estavam vivendo uma grande paixão até o dia em que ele teve que partir para longe por ordem de sua madrasta, o dia do festival sagrado dos Kokiri, a velha mendiga e a maçã envenenada...
Assim que ela terminou de contar tudo o que tinha acontecido, o rei ficou pasmo. Ele nunca imaginou que Midna tivesse sido capaz de tudo aquilo e ainda por cima mentir para ele, dizendo que Zelda havia morrido de uma doença grave. Com um olhar sério, ele chamou por seus guardas.
— Guardas! Vasculhem o palácio! Tragam Midna aqui, agora!!! Ela tem muita coisa pra explicar.
— Sim, Majestade! – disseram os guardas.
Assim que os guardas começaram a procurar pela Rainha, Zelda sentiu um
aperto no peito. Ela olhou angustiada para o pai e perguntou:
— O que... o que vai fazer com ela, papai?
— Eu ainda não sei. – o rei respondeu num tom sério, sem olhar para Zelda. – Mas isso não pode ficar assim. Ela tem que me dizer a verdade!
Zelda abaixou o olhar e sentiu uma grande dor no coração. Depois de alguns minutos, alguns guardas voltaram ao salão onde todos estavam reunidos. Eles anunciaram em voz alta:
— Majestade, a rainha foi encontrada morta.
Todos no salão se olharam, espantados. Zelda sentiu seu sangue congelar. O rei olhou para os guardas, incrédulo, e perguntou:
— Como assim?
— Encontraram seu cadáver em um quarto escuro e vazio, onde só haviam pedaços de espelho quebrado por toda a parte. Esse fragmento estava cravado em seu peito. Ao que parece, Majestade, foi suicídio.
O rei pegou o fragmento ensanguentado do espelho em suas mãos e o examinou cautelosamente. Depois de pensar por alguns instantes, ele finalmente chegou a uma conclusão.
— Talvez essa foi a única forma que ela encontrou para fugir de tudo o que ela causou... Ou ela se matou para que eu não a castigasse ou então ela fez isso porque se arrependeu e o peso da culpa foi demais pra ela suportar... Bem, o quer que tenha sido, jamais saberemos o verdadeiro motivo de ela ter tirado a própria vida, assim como jamais saberemos por que ela fez tanta coisa ruim na minha ausência...
Todos os que estavam no salão ficaram em silêncio. Zelda começou a chorar silenciosamente e tentou buscar conforto nos braços de Link.
— Ela não merecia um fim como esse... eu não entendo.... – ela se agarrou na túnica de Link, molhando-a com suas lágrimas.
Link envolveu Zelda em seus braços tentando reconfortá-la. Ele olhou em volta e viu que todos estavam muito abalados com a morte repentina da Rainha. Ele estava confuso e não sabia o que fazer naquele momento. Ele temia que o rei não aprovasse sua união com a filha dele porque ele não era um homem nobre ou um príncipe. Talvez aquele fosse o momento ideal para que ele pedisse Zelda em casamento, assim pelo menos haveria algo com que se alegrar. Ele sabia que era um momento de tristeza, mas ele estava nervoso e confuso e queria ao menos tentar trazer um pouco de alegria às pessoas com a ideia de se casar com a princesa.
— M-majestade... – Link gaguejou, um pouco aflito.
— Sim, meu jovem? – o rei falou calmamente olhando para o jovem.
— E-eu queria saber se... – ele engoliu saliva. Ele olhou para os lados e começou a suar frio, de nervosismo. Respirando fundo, ele tentou reunir a coragem que precisava para continuar falando. – se... se vossa Majestade permitiria que... que eu me casasse com sua filha... – ele terminou. Seu coração batia forte e ele ficou ainda mais nervoso.
O rei olhou para Link e Zelda por um momento. A princesa, temendo que seu pai não aprovasse a união dela com Link, se ajoelhou aos pés dele e implorou:
— Oh, papai, por favor! Link é o homem que eu amo! Eu jamais poderia amar outro homem que não fosse ele! Por favor, pai, ele é tudo pra mim, eu sei que ele me fará feliz, ele é um bom homem! Confie em mim!
Link olhou para o rei com sinceridade e acrescentou para tentar convencê-lo.
— Sei que não sou da nobreza, mas... eu farei de tudo para fazer sua filha feliz! Eu prometo!
Após alguns segundos de silêncio, o rei olhou para Link com um olhar calmo e sorriu.
— Se minha filha o ama, então isso quer dizer que eu realmente posso confiar em você. Pelo que vejo, você cuidou muito bem de minha filha quando ela estava escondida em seu vilarejo. Pois bem, se isso trará felicidade ao coração de Zelda, então eu permitirei que se case com ela, meu rapaz. E também porque o reino precisa de uma nova rainha agora.
Link e Zelda ficaram extremamente felizes com a aprovação do rei. Os dois se abraçaram e se beijaram apaixonadamente e todos os que estavam no salão aplaudiram o casal com muita empolgação. Apesar da notícia triste do suicídio da Rainha Midna, as pessoas agora, pelo menos tinham um motivo pra comemorar, pois a princesa havia reaparecido e agora ela iria se casar, se tornando a nova Rainha do povo de Hyrule.
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