Notas iniciais
Primeiramente peço desculpas por ter demorado tanto tempo pra postar o resto da fic... Tive alguns problemas pessoais e acabei deixando muita coisa de lado... Bom mas agora vou continuar a postar de novo! Mais uma vez, minhas sinceras desculpas... T-T Enfim, se preparem porque nesse capítulo vocês vão conhecer a história de Midna e porque ela se tornou a Rainha obcecada por beleza que ela é! Tirei algumas ideias desse capítulo do livro "Fairest of All" de Serena Valentino, que infelizmente não foi lançado no Brasil, por isso tive que ler em inglês mesmo. Mas espero que gostem porque fiz bem caprichado! Boa leitura!

Em um lugar longe do reino de Hyrule, havia uma tribo de pessoas muito bárbaras e rudes, chamadas Twili. Dizem que seus antepassados tentaram tomar o controle sobre a Terra Sagrada após a criação da Triforce usando um tipo de magia negra conhecida como Sombra Fundida, no entanto, seus esforços falharam e eles foram punidos pelas Três Grandes Deusas de Hyrule: Din, Farore e Nayru. Eles foram transformados em seres com uma estranha aparência, parecidos com humanos, entretanto com a pele azul clara, olhos grandes e amarelos sem pupilas, rosto felino e algumas marcas pretas espalhadas pelo corpo. Esse povo viveu infeliz por muitos séculos, devido ao erro de seus antepassados e por isso acabaram se tornando um povo bárbaro e rude, cheio de pessoas más e invejosas.

Um dia, no meio de todas aquelas pessoas ruins, nasceu uma linda garotinha, de cabelos ruivos, chamada Midna. Sua mãe morrera ao dar a luz a ela, por isso seu pai a odiava. Se não fosse pela menina, sua amada esposa ainda estaria viva. Quem a criou havia sido uma empregada chamada Verônica, que era uma das únicas pessoas boas que existiam naquele vilarejo. Verônica sempre havia sonhado em ter uma filha, por isso criou Midna como se fosse sua própria criança.

Os anos se passaram e Midna cresceu, tornando-se a garotinha mais bela da vila, o que fez com que todos morressem de inveja. Os Twili a maltratavam e a humilhavam, dizendo que ela era feia. Como Midna nunca havia se olhado no espelho, ela realmente acreditava que era horrorosa, então ela se recusava a olhar para seu reflexo no espelho para não se espantar com a própria “feiura”. Quando ela completou 10 anos, sua mãe adotiva, Verônica havia morrido de uma doença misteriosa, então ela passou a viver na casa de seu pai. Mas como o nascimento de Midna havia sido a causa da morte de sua mãe biológica, seu pai a odiava e a maltratava, forçando a menina a trabalhar como uma criada para ele. Mas Midna acreditava que o verdadeiro motivo de seu pai odiá-la era sua “feiura”. Por muitos anos, Midna sofreu com os abusos e humilhações de seu próprio povo e de seu próprio pai. Mas quando ela achou que sua vida seria para sempre miserável, ela conheceu o rei de Hyrule.

O rei chegara ao vilarejo em uma bela carruagem de ouro, puxada por lindos garanhões brancos. Ele havia viajado por todo o reino, procurando por uma mulher que fosse digna de substituir sua falecida esposa. Todas as mulheres Twili se reuniram no centro da vila, desejando que o rei escolhesse algumas delas como esposa. Mesmo sem entender o que estava acontecendo, Midna tentou se aproximar da multidão, para ver quem havia acabado de chegar. Porém as outras garotas a empurraram e deram uma surra nela.

— Saia daqui, sua garota feiosa! – elas disseram, com rancor. – O rei jamais iria querer ver uma garota horrorosa e ridícula como você!

Midna correu para dentro de casa, com os olhos cheios de lágrimas. Ela se sentou num banquinho ao lado do fogão e cobriu o rosto com as mãos, chorando amargamente.

Enquanto isso, do lado de fora, o rei examinava cada uma das candidatas, mas nenhuma delas havia chamado sua atenção. Todas tinham uma aparência estranha, rostos largos que se assemelhavam aos de um felino e olhos grandes e amarelos sem pupilas e nenhuma delas parecia ser gentil. Elas se esmurravam entre si para disputar a atenção do rei.

— Eu serei a nova Rainha! – disse uma delas.

— Não, eu serei! – disse outra, empurrando a rival.

— Não dê ouvidos a elas, majestade! Eu sou a candidata certa! Escolha a mim!

O rei observou as mulheres Twili se espancarem umas as outras e suspirou, desesperançado. Ele havia viajado por quase todo o reino e ainda não havia encontrado a mulher certa. Mas antes de montar na carruagem para ir embora e procurar por uma mulher em outro lugar, ele ouvira o choro desesperado de Midna vindo de uma pequena casa. Ele caminhou até a casa onde ela estava. Entrando na casa cuidadosamente, ele viu uma bela jovem Twili, de cabelos ruivos e pele azul-clara, chorando tristemente em um banquinho ao lado do fogão à lenha. O rei havia se encantado por sua beleza misteriosa no mesmo instante. Ele se aproximou da jovem e falou com ela calmamente.

— Por que choras, bela dama? O que houve? Por que não estavas lá fora, com as outras mulheres?

Ela levantou o olhar, mas as lágrimas só permitiram que ela enxergasse um monte de névoas.

— Porque sou horrorosa. Por que falas comigo?

— Não sois horrorosa. – o rei respondeu calmamente, enxugando as lágrimas dela. – Sois uma bela mulher. A mais bela da terra.

Midna piscou, incrédula. Agora ela podia ver perfeitamente quem era a pessoa que estava falando com ela. Ela se surpreendeu quando viu que a pessoa era nada mais, nada menos que o próprio rei de Hyrule que estava bem em sua frente, dizendo que ela era bela. O rei de Hyrule? Dizendo que ela era bela? Inacreditável. Ela não podia acreditar que aquilo era realmente verdade.

— Não, eu não sou. – ela respondeu friamente. – E o que queres aqui em minha casa? Viestes zombar de minha feiura?

— Estou muito cansado. – o rei respondeu com sua voz calma e indiferente. – Viajei por muito tempo. Poderia eu, descansar em vossa humilde habitação antes de partir?

Aquilo fora uma grande surpresa para Midna. Quem iria imaginar que o próprio rei de Hyrule ia querer repousar em sua casinha humilde? Ela recebeu o monarca com muita alegria e o tratou com muito respeito e formalidade, o que surpreendeu o rei, pois ninguém daquele vilarejo o havia tratado tão bem como ela.

Eles passaram um longo tempo conversando sobre suas vidas. Os dois haviam sofrido grandes perdas. O rei havia acabado de perder sua amada esposa e Midna perdera a única pessoa que ela podia chamar de mãe. Midna contou a ele sobre sua vida miserável e de como todos a odiavam por ser a mais “feia” da aldeia. O rei sentiu uma pena enorme da jovem e decidiu ajudá-la. Por ser a mais bela mulher que ele já havia visto e por ser uma jovem tão boa e humilde, ele achou que ela seria uma excelente governante e mãe para sua pequena filha, a princesa Zelda. O rei finalmente havia encontrado a mulher perfeita para ser a nova Rainha.

No dia seguinte, antes de partir, ele a convidou para ir com ele para o castelo, para se tornar a futura Rainha. Midna ficou surpresa, assim como todos os outros Twili. Isso só fez com que eles odiassem Midna ainda mais. Assim que o rei partiu com ela para o castelo, os Twili foram até a Torre do Crepúsculo para fazer um acordo maligno com o terrível feiticeiro Twili, Zant, para que ele amaldiçoasse a nova Rainha de Hyrule.

— Então... vocês querem que eu amaldiçoe a nova Rainha... Isso custará caro. — o feiticeiro falou, num tom arrogante. – Mas se estiverem dispostos a me oferecer a maior parte da colheita desse ano, farei com que a Rainha sofra de um jeito muito terrível. A beleza dela será sua maior ruína. E então, aceitam o trato?

Todos os Twili concordaram. Zant sorriu maliciosamente.

— Então está selado o acordo. No dia do casamento do rei com a futura rainha, darei de presente a ela um espelho amaldiçoado de nossos antepassados. O espelho a destruirá! Eu vos garanto!

Os Twili festejaram. Eles mal podiam esperar para ver Zant usar seus truques maléficos para enganar a rainha.

Quando o dia do casamento chegou, o reino todo pareceu mais esperançoso. Embora todos ainda estivessem abalados com a morte repentina da primeira esposa do rei, o casamento poderia ser a chance que todos esperavam para que a alegria retornasse ao reino. Várias coisas estavam acontecendo em cada cômodo do palácio. Na cozinha, uma equipe de cozinheiros e auxiliares preparava a ceia. Nos quartos, todos os convidados de terras distantes arrumavam seus trajes de festa. No salão, guirlandas de flores estavam sendo usadas para decorar o lugar. Midna estava muito ansiosa e nervosa. Sua vida estava sendo completamente mudada. Ela estaria se casando com o homem que ela amava, virando uma mãe para a filha dele e estava prestes a se tornar rainha. Rainha. Quem ia imaginar que a jovem e feia garota Twili estaria agora se tornando rainha de Hyrule? De todas as mulheres do reino, o rei havia escolhido ela. Embora ela estivesse feliz, ainda havia algo que a incomodava. Todos diziam que ela estava bela, mas ela não acreditava que eles podiam estar falando a verdade. Ela não tinha conhecimento da própria beleza e por mais que todos dissessem, ela ainda se sentia feia e isso a incomodava. Midna decidiu afastar-se da confusão e do movimento do castelo para encontrar algum cantinho silencioso do palácio onde ela pudesse pensar sobre aquilo tudo. Ela andou pelos corredores e subiu escadas. Havia barulho e agitação em toda a parte e paz em lugar nenhum. Por fim, ela encontrou uma pequena escada em espiral que nunca havia notado antes. Ela desceu os degraus até chegar a uma grande porta de carvalho. Empurrou-a para abrir e ouviu o rangido das dobradiças enferrujadas. O quarto estava escuro e empoeirado, mas ela pode ver que havia alguém lá dentro. Junto à janela, havia um homem alto, vestido com um manto preto decorado com desenhos verdes brilhantes. Ele virou-se e Midna constatou que era um Twili, pois ele tinha a mesma pele azul-clara que ela, os olhos grandes e amarelos sem pupilas e o rosto que se assemelhava ao rosto de um felino. Ele se aproximou dela, mas ela recuou, com medo. O homem Twili sorriu e falou calmamente.

— Saudações, Alteza. É um grande prazer conhecer a futura rainha de Hyrule. É bom saber que pela primeira vez, alguém de nossa tribo será parte da realeza. Eu sou Zant, o feiticeiro Twili. Acho que já deve ter ouvido falar de mim.

Midna olhou para o feiticeiro com desdém. Sempre que ouvira falar de Zant, sentia algo ruim. Nenhum Twili gostava dele e todos diziam que ele era um homem cruel que praticava magia negra. Entretanto, Zant sabia de sua má fama.

— Oh, sei que muitos falam mal de mim – ele acrescentou. – Mas nem tudo o que dizem sobre mim é verdade. Eles me odiavam assim como odiavam você. E assim como dizem mentiras sobre mim, eles diziam mentiras sobre você. E estou aqui para provar isso a ti. Veja como és bela.

Usando magia, ele fez aparecer um espelho grande e redondo, decorado com alguns desenhos antigos. Midna fechou os olhos e se recusou a olhar para sua imagem no espelho, temendo se assustar com a própria “feiura”.

— Não!!!! – ela berrou. – Tire isso daqui!!! Seu monstro!!!

— Confie em mim. – Ele falou gentilmente. – Olhe para o espelho. Veja como todos estavam errados sobre você.

Um pouco hesitante e com medo, Midna abriu os olhos lentamente e quando se olhou no espelho pela primeira vez ela se surpreendeu com a bela imagem que estava vendo de si mesma. Ela não era como as outras mulheres Twili, com o rosto felino e olhos grandes sem pupilas. Ela se parecia mais como uma humana, porém com a pele azul clara característica de sua tribo. Midna não conseguiu acreditar que aquela bela mulher refletida no espelho fosse realmente ela.

— Isso é algum tipo de truque sujo? – ela perguntou, ainda incrédula. – Essa não pode ser eu.

— Não é truque algum. Esse espelho não é um espelho qualquer. É o Espelho do Crepúsculo, criado por nossos ancestrais há muito tempo atrás, antes de serem punidos pelas Deusas de Hyrule. Pergunte qualquer coisa a ele. Ele nunca dirá uma mentira.

Midna se aproximou do espelho, olhando fixamente para a sua imagem refletida nele.

— Sou tão bela assim?

— Sim, tu és. – Uma voz grossa que veio de dentro do espelho respondeu, assustando a jovem Twili.

— M-Mas isso é... Isso é... Incrível! – Midna respondeu, cheia de surpresa. – Eu... Eu nunca imaginei que... Eu sempre pensei que eu fosse... Não pode ser... Eu não entendo... Por que todos diziam que eu era feia?

Ela olhava para o espelho, admirada e espantada com a própria beleza.

— Midna... Você é muito inocente. Eles falavam isso porque tinham inveja. Inveja da sua incrível beleza. Queriam que você pensasse que era horrorosa, quando na verdade, era a mais bela da vila. Talvez você seja até mesmo a mais bela de todas! Pergunte ao Espelho! Provavelmente ele dirá que sim.

Midna continuou olhando para seu reflexo no espelho, admirada. Aquilo tudo era uma grande surpresa para ela. Ela lentamente se aproximou do espelho sem tirar os olhos dele.

— Espelho... Espelho... Mágico... Quem... Quem é a mais bela de todas? – ela perguntou, ansiosa para ouvir a resposta que o Espelho daria.

— Tu és a mais bela. – O Espelho do Crepúsculo respondera imediatamente.

Midna se encheu se alegria. Ela não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. O Espelho havia acabado de dizer que ela era a mais bela de todas. A mais bela de todas!

— Mas isso é extraordinário! – ela exclamou, cheia de alegria. – Esse seu Espelho é simplesmente incrível!!!

— Não é mais meu Espelho. Agora ele é teu. – Zant respondeu com calma, observando a felicidade de Midna. – É um presente para a futura Rainha. Afinal, a mais bela de todas precisa de um espelho pra se admirar. E nada melhor do que o Espelho do Crepúsculo! O Espelho Mágico criado por nossos ancestrais que sempre mostra a verdade!

Sem conseguir conter a felicidade, Midna envolveu Zant em um abraço amigável.

— Muito, mas muito obrigada! Eu adorei o presente! Eu nem sei como lhe agradecer!

O feiticeiro sorriu maliciosamente. Seu plano terrível havia funcionado. A bela e inocente Twili havia caído em sua armadilha. Midna aceitara o Espelho do Crepúsculo como presente, sem saber que o espelho era na verdade, amaldiçoado e que faria com que a vida dela mudasse completamente a partir daquele momento em diante. Ele usaria a própria beleza dela como uma arma para destruir sua vida.

Assim que o casamento foi celebrado, o reino todo festejou com grandes festas e homenageou a nova Rainha de Hyrule com uma variedade de presentes. Convidados da corte a presentearam com belos vestidos e com as joias mais preciosas e raras. Mas nada podia deixar a rainha mais feliz do que saber que, de agora em diante, ela teria uma nova família que a amaria e respeitaria. Com um sorriso terno e calmo, ela olhou com carinho para a filha do rei, uma pequena garotinha amável de uns dois ou três anos de idade. Sua pele era clara como um floco de neve, seus lábios eram mais vermelhos do que a rubi mais preciosa e suas curtas madeixas de cabelo que terminavam em seu queixo eram de um castanho claro, quase loiro, mas que escureceriam ainda mais com o tempo e ficariam iguais aos de sua falecida mãe, um cabelo castanho-médio avermelhado longo, e ela se tornaria uma bela princesa morena quando crescesse. Era como se ela fosse uma delicada boneca de porcelana que havia ganhado vida. Ela estava vestida com um belo vestido rosa e branco e usava um lenço na cabeça da mesma cor que o vestido. Ela estava ao lado de Impa, uma criada fiel da família real que pertencia a uma tribo misteriosa chamada Sheikah, que serviam a família real desde muito tempo. Quando as duas se aproximaram da nova rainha, Zelda timidamente se escondeu atrás de Impa.

— O que foi, Zelda? – Impa perguntou, rindo levemente. – Não vai dizer olá a sua nova mamãe?

A pequena princesa espiou por trás de Impa, olhando timidamente para sua madrasta.

— Ela é azul. – a garotinha respondeu inocentemente.

A Rainha sorriu carinhosamente e falou:

— E você é branca como um floco de neve, minha querida menina branca de neve. Acho que é uma boa forma de chamá-la, não? Branca de Neve.

Zelda enrubesceu de leve e continuou espiando timidamente sua madrasta por trás da saia de Impa.

— E você é Azul de Céu, mamãe. – a princesinha disse, derretendo o coração da Rainha.

Midna abriu os braços para a criança e com o encorajamento de Impa, Zelda caminhou na direção dela para aceitar o abraço da Rainha. Quando Midna envolveu a garotinha em seus braços, ela se encheu de um amor pela criança que ela nunca havia sentido antes. E como o coração da Rainha se enchera de alegria e emoção ao saber que a partir de agora ela seria a nova mãe daquela criança adorável. Ela sabia que no fundo, ela jamais poderia substituir sua mãe biológica, mas ela faria de tudo para ser a mãe que a princesa precisava. Ela cuidaria de Zelda assim como Verônica havia cuidado dela quando ela era pequena.

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Com o passar do tempo, Midna se demonstrava uma excelente mãe e esposa, que amava muito seu marido e sua pequena enteada, a princesa Zelda. Ela sempre os tratava com muito carinho e ternura e era correspondida da mesma forma. Ela nunca havia se sentido tão feliz como agora.

Zelda, agora com quatro anos, era uma garotinha adorável e brincalhona. Branca de Neve era o apelido carinhoso que sua madrasta havia lhe dado, por ela ter a pele branca como a neve e a jovem princesinha gentilmente chamava sua madrasta de Azul de Céu, por ela ter a estranha pele azul característica de sua tribo Twili. Elas passavam quase o tempo todo juntas. Era comum que Midna fosse ao quarto de Zelda nas noites frias e escuras para lhe contar histórias de ninar.

— Mamãe, estou com medo! – Zelda disse em uma noite escura e chuvosa com vários trovões ensurdecedores.

— Minha querida, não há o que ter medo. – Midna disse calmamente, abraçando Zelda. – São só alguns trovões. Deve ser porque a Deusa da Força, Din, deve estar furiosa com alguma coisa.

— Mas a fúria dela me assusta. – Zelda disse assustada.

Midna riu silenciosamente.

— Eu sei, querida. Mas não precisa ter medo dela. Ela é uma boa deusa que irá lhe proteger sempre, porque você é uma garotinha muito obediente.

Midna beijou a testa da garota com carinho, abraçando-a fortemente.

— Não consigo dormir, mamãe. – Zelda falou baixinho.

— Então vou te contar uma história. Você já ouviu falar da Triforce Sagrada?

— Sim. – Zelda respondeu. – Papai me contou que ela possui o poder de criar um mundo espelhado no coração de quem a toca. Se uma pessoa de bom coração tocá-la, cria-se um bom mundo, mas se uma pessoa malvada tocá-la o mundo será dominado pelo mal, por isso ela deve ser protegida no Reino Sagrado.

— Sim, sim, é isso mesmo. – Midna falou, sorrindo. – Mas você sabe como ela foi criada?

— Não... Eu só sei que foram as Deusas que a criaram. – Zelda disse.

— Então eu vou te contar como ela surgiu. Era a minha história favorita de quando eu era criança. – ela fez uma pausa breve e depois começou a contar. – Bem, há muito tempo atrás, quando ainda não existiam nem a terra e nem o mar, três Grandes Deusas Douradas vieram à terra do caos, Hyrule. A Deusa da Força, Din com seus braços flamejantes de fogo arou o solo e criou a terra vermelha. A Deusa da Sabedoria, Nayru, irrigou a terra com os seus conhecimentos, concedendo a ordem ao mundo. E a Deusa da Coragem, Farore, com o seu grande coração, defendeu a ordem, dando a luz a todas as formas de vida. Quando as três Grandes Deusas cumpriram os seus deveres e voltaram ao céu, deixaram o sagrado Triângulo dourado, a Triforce, e esse local se tornou a Terra Sagrada.

— Nossa, mamãe. É uma bela história.

Midna sorriu.

— Sim, realmente é uma bela história. Mas agora é hora de dormir. Boa noite, minha pequena Branca de Neve. – ela disse, beijando levemente as bochechas de Zelda.

— Boa noite, Azul de Céu. – a pequena princesa respondeu, abraçando carinhosamente sua madrasta.

Eram momentos como esses que faziam Midna se sentir tão especial, enchendo o coração da Rainha com uma alegria e um amor profundos. Haviam também momentos em que elas brincavam juntas, algumas vezes de boneca e outras vezes no grande jardim do palácio. Até mesmo o rei de Hyrule se divertia com essas brincadeiras. Um dia, o rei estava perseguindo sua filha no jardim e ela gritava e ria, como qualquer criança faria. Até que o rei a pegou e começou a enchê-la de beijos e cócegas e Zelda ria e gritava entre suas risadas:

— Mamãe! Mamãe! Me ajude! Me salve, mamãe!

E o rei enchia a menina de cócegas e de beijos em suas bochechas rosadas. Midna ria ao ver aquela cena. Ela logo se juntou ao rei e começou a fazer várias cócegas na menina.

— Não, não, mamãe! Eu pedi pra você me ajudar! – Zelda disse em meio às várias gargalhadas de alegria.

Quem os observava, com certeza via que eles eram uma família feliz. E eles eram, de fato, uma família muito feliz e cheia de amor. Porém mal sabiam eles que essa felicidade e essa harmonia não durariam para sempre.

Conforme o tempo foi passando, Midna ficava cada vez mais admirada com a magia do Espelho mágico que ganhara do feiticeiro Twili, Zant, no dia de seu casamento com o rei. Ocasionalmente, ela consultava seu espelho, perguntando:

— Mágico Espelho meu! Existe alguém mais bela do que eu?

E o Espelho, como sempre, respondia:

— Majestade, tu és a mais bela de todas.

E Midna sempre se sentia bem quando o Espelho respondia que ela era a mais bela de todas, pois durante toda sua vida, ela havia acreditado que era feia e que o povo Twili a odiava por sua feiura, mas quando ela descobriu que era bela, seu mundo havia mudado completamente. Ela se sentia bem em saber que era a mais bela de todas as mulheres do mundo e que essa beleza a havia ajudado a arrumar um marido e uma família que a fariam tão feliz. Mas ela mal sabia que o Espelho do Crepúsculo era amaldiçoado com magia negra e que este corromperia sua alma e a transformaria em uma pessoa que ela não era. E aos poucos o Espelho foi enfeitiçando Midna com seu poder maligno. Conforme os anos se passaram e Zelda ia ficando cada vez mais bela, algo começou a incomodar a Rainha. Era como se a beleza da menina a ferisse gravemente, como um golpe desferido em seu coração. Aonde quer que Zelda fosse, todos comentavam sobre sua incrível beleza e charme e isso machucava muito o coração da Rainha, e ela não entendia o porquê. Apesar disso, ela sempre havia tentado ao máximo respeitar e amar sua pequena enteada, embora seu coração se ferisse profundamente com a beleza e elegância da menina. E a beleza de Zelda começou a incomodá-la ainda mais quando o Espelho do Crepúsculo disse que a beleza da menina poderia um dia superar a da Rainha. Aquilo fez com que Midna se sentisse muito mal. O fato de que ela poderia não ser a mais bela de todas de certa forma a incomodava e ela não conseguia entender por que isso a afetava tanto. A beleza não era a coisa mais importante do mundo para ela, mas o Espelho estava começando a fazê-la acreditar que era.

Por mais que Midna se esforçasse para continuar sendo uma boa mãe para Zelda, a magia do Espelho a dominava cada vez mais, fazendo com que o coração de Midna sofresse com a beleza da jovem princesa. E dessa forma, Midna começou a agir de um jeito estranho para com a menina. Ela já não ia mais ao quarto dela à noite para lhe contar histórias de ninar e já não brincava muito com ela. Sua mente e seu coração estavam distantes, e ela tentava evitar ao máximo ter contato com a princesinha para que a beleza dela não a machucasse. Zelda começou a achar aquilo muito estranho, mas quando perguntava, sua madrasta apenas respondia:

— Não é nada, minha pequena. É só que... é difícil pra mim ver como você cresce tão rápido.

E a Rainha logo mudava de assunto para que a garota não fizesse mais perguntas. E parecia que quanto mais o tempo passava e mais Midna agia de uma forma estranha. E tudo ficou ainda pior quando o reino entrou em guerra.

Em uma noite fria e escura, Midna estava deitava em sua gigantesca cama, esperando por seu marido, o rei. Ele estava sério e parecia muito preocupado. Midna se levantou da cama e se aproximou dele.

— O que houve, querido? – ela perguntou para ele. – Por que não vem dormir? Já é tarde.

O rei suspirou e olhou para ela. Seus olhos mostravam desespero e medo.

— Midna, eu tenho que lhe dizer uma coisa. Uma coisa muito importante.

— E o que é? – ela perguntou, olhando para os olhos dele.

O rei respirou fundo e depois falou, num tom sério.

— As coisas não vão nada bem. O General me disse que eu terei que tomar parte na guerra. Terei que me unir ao exército e ir à luta.

Quando Midna ouviu aquilo, ela sentiu seu mundo desmoronar. Aquilo a havia afetado profundamente. Seu amado marido, o rei, teria que partir para a guerra e ninguém sabia o que poderia acontecer a partir daquele momento. Midna não saberia o que fazer sem tê-lo ao seu lado a ajudando e a apoiando.

— Não!!! Por quê? – ela disse quase chorando, inconformada com aquele fato. – O que será de mim sem você? O que será do reino? E o que será da pequena Zelda?

Seu coração se apertou em angústia quando ela pronunciou o nome da menina. A garota havia perdido a mãe, o que seria dela se ela perdesse também o pai que tanto amava?

O rei tentou se manter calmo e disse olhando profundamente nos olhos de sua esposa:

— Eu sei que será difícil pra vocês duas. Mas não há outro jeito. Preciso zelar pela paz do meu povo e se isso exige que eu vá para o campo de batalha, eu irei. Sei que vocês ficarão bem, vocês duas se amam! Nunca vi Zelda tão feliz... Se as Três Deusas permitirem que eu volte são, eu voltarei, não há o que temer.

— Não há o que temer? – Midna repetiu as palavras de seu marido, incrédula. – Como você pode estar tão tranquilo com algo tão sério? E se acontecer alguma coisa? O que eu vou fazer? E-Eu não... Não posso acreditar... Não...

Ela começou a chorar desesperadamente. O rei aproximou-se dela e tocou seu ombro para que ela se acalmasse, mas ela tirou a mão dele de seu ombro e gritou:

— Não!!! Me deixe!!!!

Chorando incontrolavelmente, ela correu pelos corredores do castelo desesperada. Ela entrou em um cômodo escuro e vazio onde havia apenas alguns quadros e estátuas e no centro estava o Espelho do Crepúsculo. Ela estava assustada e com medo, sentido-se muito frágil, então ela achou que a melhor forma de expulsar aquele medo seria consultando seu Espelho outra vez, procurando por auxílio e conforto. Ela aproximou-se do Espelho e perguntou, soluçando:

— Meu querido Espelho Mágico... E-eu estou tão aflita... Meu marido, o rei, terá que ir pra guerra e eu não sei o que será de mim sem ele... O que... O que você me diz?

A voz profunda do Espelho respondeu:

— Minha Rainha... Incerto é o destino daqueles que se vão para o campo de batalha... Mas não te desesperes! Teu povo te ama! Enquanto fores a mais bela, teu povo a amará e respeitar-te-á.

Midna parou de chorar e olhou para o Espelho, limpando as lágrimas de seu rosto.

— T-Tens certeza?

— Claro que sim, vossa Majestade. Eu não fui criado para contar mentiras. Enquanto fores a mais bela de todas, teu povo irá sempre amá-la e respeitá-la.

E mais uma vez a magia negra do Espelho mágico estava enfeitiçando o coração de Midna. Aquelas palavras fizeram a Rainha se sentir bem, se sentir segura e ela já havia esquecido todo o sofrimento que ela estava sentindo antes. Agora que ela estava frágil e insegura, os efeitos da magia negra do Espelho do Crepúsculo seriam mais fortes e fariam mais efeito sobre ela, transformando-a em uma mulher vaidosa e obcecada por sua beleza exterior.

— Porém, majestade... – o Espelho continuou. – Eu vos alerto! Zelda cresce cada vez mais bela e quanto mais bela ela fica, mais teu poder diminui... Se Zelda for a mais bela de todas, teu povo irá esquecer-te e todos irão reverenciar a mulher mais bela da terra, que será ela.

As palavras do Espelho do Crepúsculo feriram profundamente o coração de Midna. Um sentimento forte de inveja invadira seu coração. Se o que o Espelho estava dizendo fosse mesmo verdade, se o povo de Hyrule a esquecesse e passasse a reverenciar Zelda, seria bem possível que todos passassem a odiá-la novamente como o povo Twili a odiava, era o que ela pensava. E ela não queria passar por aquela humilhação novamente. O rei estava partindo e ela passaria a governar o reino inteiro sozinha e se a beleza dela era o que a manteria forte, ela teria que preservar sua beleza ao máximo, nem que isso significasse que sua enteada tivesse que sofrer por isso. Assim que o rei partira para a guerra, a madrasta vestira a menina em farrapos e obrigou-a a trabalhar como criada, para que sua beleza se desgastasse e assim ela continuasse a ser a mais bela de todas.

Porém isso causou um profundo desconforto no coração da Rainha, pois apesar da inveja que sentia da beleza de Zelda, ela ainda tinha uma certa afinidade pela menina e ter que submetê-la a afazeres pesados e cruéis fazia a Rainha se sentir arrependida e incomodada com essa atitude que estava tomando e ela se perguntou se não estava pegando pesado demais com a pobre garotinha.

Certa noite, Midna estava de frente ao Espelho do Crepúsculo, como de costume, para fazer a mesma pergunta que fazia todos os dias.

— Espelho, Espelho meu! Quem é mais bela do que eu?

E o Espelho como sempre, respondeu.

— Tu és a mais bela de todas.

Midna se sentiu aliviada com a resposta, mas ao mesmo tempo algo a incomodava profundamente. Será que era mesmo necessário maltratar tanto assim Zelda para que ela continuasse sendo a mais bela? Não haveria um jeito menos cruel de fazer com que a beleza de Zelda jamais superasse a dela própria?

Confusa, ela encarou o Espelho Mágico mais uma vez e perguntou:

— Espelho do Crepúsculo, diga-me uma coisa... Eu não sei se o que estou fazendo está certo... Tenho obrigado minha enteada a tantos afazeres pesados e cruéis, tenho forçado ela a trabalhar como uma criada para que sua beleza se desgastasse, mas sinto tanta pena em ter que obrigá-la a fazer isso.... Isso me machuca muito.... Acho que estou pegando pesado demais com ela.... Não existiria outro jeito de manter minha beleza sem ter que obrigá-la a trabalhar tanto?

Depois de um tempo de silêncio, o Espelho respondeu com sua voz profunda e maliciosa.

— Majestade, não deves sentir tanta pena da tua rival. Se ela superar vossa beleza, tu serás esquecida por teu povo. Teu povo irá abandonar-te! E todos passarão a amar e idolatrar a menina. Queres ser esquecida por teu povo outra vez, minha Rainha?

Midna se encolheu diante das palavras rudes do Espelho. Ela se lembrou das terríveis humilhações que sofria por seu próprio povo antes de se tornar Rainha. Seu olhar se entristeceu com aquelas lembranças e ela desejou apagar aquilo da memória.

— Não... – ela respondeu em seguida, com a voz fraca, tentando conter um choro.

— Então, Majestade, faças o que digo. — a voz profunda e maligna do Espelho fez uma pausa. – Mate a garota!

Os olhos de Midna se arregalaram de espanto.

— O quê??? Matar Zelda??? Nunca!!! Eu não sou uma assassina!!!!

Os olhos de Midna se encheram de lágrimas. O Espelho, porém, continuou indiferente.

— Matar a menina seria o melhor jeito de se livrar dela para sempre. Assim tu não terias mais com o que se preocupar. – O Espelho fez uma breve pausa e pela primeira vez, sua voz profunda passou a ser mais gentil, para tentar convencer a Rainha. — Não precisaria obrigá-la a afazeres cruéis, não precisaria fazê-la sofrer.

Midna encarou seu reflexo no Espelho. Ela se viu confusa e desesperada, uma mulher que não sabia o que fazer, mas que com certeza não era uma assassina. Ela enxugou as lágrimas no vestido e depois disse, tentando evitar outro choro.

— Eu não quero sujar minhas mãos com sangue inocente. Não farei isso. Sei que tenho que me manter a mais bela para que meu povo não me abandone e continue me amando, mas matar uma criança inocente pra isso? Jamais. Prefiro continuar tratando-a como criada, mantendo-a viva do que ter de fazer uma coisa horrorosa dessas. Ainda sou a mais bela e continuará sendo assim se ela continuar a trabalhar duro.

E tendo dito isso, a Rainha saiu do quarto do Espelho, decidida a continuar obrigando Zelda a trabalhar como criada. Ela estava convencida de que isso faria com que a beleza da menina se desgastasse com o tempo e assim ela continuaria sendo a mulher mais bela de todas, sem precisar dar fim na garota. Mas conforme o tempo passava, o poder maligno do Espelho do Crepúsculo conseguia dominar ainda mais o coração da Rainha com medo, insegurança, vaidade, ódio e inveja, sufocando esse sentimento de afeto que ela sentia por Zelda. Ela passou a maltratar e humilhar a enteada forçando-a a inúmeros afazeres. Zelda não conseguia compreender porque sua madrasta estava agindo dessa forma com ela. Midna sempre havia sido uma boa mãe, sempre a havia tratado com carinho, por que agora ela estava agindo assim?

Um dia, cansada dos abusos, dos malstratos e das humilhações de sua madrasta, Zelda, choramingando, gritou quando sua madrasta a havia obrigado a limpar o celeiro.

— Por quê você está me tratando assim, mamãe???? O que foi que eu fiz??? Não se lembra dos bons momentos que tivemos juntas?? Quando você ia ao meu quarto me contar suas histórias de ninar ou quando nós brincávamos juntas de boneca? Por que você mudou tanto, por quê??? – ela começou a soluçar. – Eu era sua pequena Branca de Neve, você não se lembra, Azul de Céu?

Os olhos de Midna se arregalaram quando ela ouviu o apelido que há muito tempo sua enteada havia dado a ela. Por um breve momento, a Rainha conseguiu recuperar sua antiga consciência, se lembrando de tudo o que havia acontecido até aquele instante. Ela lembrou-se dos bons momentos que havia tido com a menina, e agora, olhando para ela, suja e vestida em trapos, o coração de Midna se enchera de dor, de culpa, de arrependimento. O que ela estava fazendo? O que ela estava se tornando? Seus olhos vermelhos se encheram de lágrimas e sua vontade era de abraçar a princesinha e lhe pedir perdão por tudo o que ela estava fazendo com ela, no entanto, o poder maligno do Espelho dominou seus pensamentos mais uma vez e ela começou a ouvir vozes em sua mente sussurrando:

— Não se deixe enganar pela inocência dela! Não deves deixar que ela a supere em beleza!

O olhar dela escureceu subitamente e o ódio e a inveja novamente ganharam força em seu coração. Irritada, Midna se afastou de Zelda e berrou, com ódio:

— FIQUE LONGE DE MIM!!!!!! E PARE DE CHORAR E VÁ TRABALHAR, FEDELHA!!!!

Quando Midna foi embora, deixando a garota sozinha no salão, Zelda começou a chorar desesperadamente. Impa, a fiel criada da família se aproximou da princesinha e abraçou-a.

— Oh, Impa... – Zelda chorava. – Por que ela está fazendo isso comigo? O que aconteceu pra ela ficar assim tão de repente?

— Eu não sei... – Impa respondeu, acariciando os cabelos da menina. – Desde que seu pai foi embora ela está muito estranha. Não sei o que há de errado com ela...

Enquanto Zelda chorava nos braços de Impa, Midna estava em seu quarto se admirando no Espelho do Crepúsculo mais uma vez. Sua mente estava cheia de pensamentos maliciosos e ruins.

— Pirralha idiota. – ela murmurou para si mesma. – Eu nunca deixarei que ela seja mais bela do que eu! Nunca!

De repente, ela viu através do reflexo do Espelho uma sombra negra se formar no canto da sala. A sombra havia se transformado na figura de um homem com pele azul clara, rosto felino e vestes negras com desenhos em verde brilhante.

— Zant. – Ela disse, olhando para o feiticeiro Twili através do reflexo do Espelho. – O que está fazendo aqui?

— Saudações, Vossa Majestade. – ele disse enquanto se aproximava dela lentamente. – Vim ver como anda a mulher mais bela de todas.

— Hum... Provocador como sempre... – ela disse, virando-se para olhar para ele. – O que veio fazer aqui?

Zant sorriu sarcasticamente.

— Eu já lhe disse! Vim para ver como estás!

Midna bufou. Ela olhou para Zant, irritada, mas não pronunciou uma palavra.

— Eu vejo que algo a preocupa. O que é?

Ela soltou um leve suspiro.

— É a pirralha. – a Rainha disse com desgosto. – O Espelho do Crepúsculo disse que um dia a beleza dela pode superar a minha. Se isso acontecer todos vão idolatrá-la e eu serei esquecida, odiada, humilhada... Eu a obriguei a trabalhar duro no castelo para que sua beleza se estragasse com o tempo, mas ela ainda continua bela. E um dia eu envelhecerei e então ela será a mais bela. O que faço?

Zant sorriu maliciosamente. Seu plano estava funcionando. A Rainha havia se tornado uma mulher inescrupulosa, vaidosa, obcecada por sua beleza exterior e estava fazendo pessoas inocentes sofrerem por isso. E ele ainda estava disposto a ajudar a Rainha a se tornar uma pessoa ainda pior.

— Não seja por isso, majestade. Eu conheço a solução para seu problema.

— Como? – ela perguntou, curiosa. – Qual é essa solução?

— Feitiçaria. – Zant respondeu calmamente.

A Rainha franziu o cenho, incrédula.

— Feitiçaria? M-Mas eu não sei fazer feitiçaria! Eu não sou uma feiticeira!

— Mas EU sou. E eu posso ensiná-la a ser uma. Tenho uma porção de livros de feitiços que posso dar a você. Você será poderosa, ninguém poderá enfrentá-la!

Poderosa. Aquela palavra fez Midna se sentir muito satisfeita.

— Isso é verdade? – ela perguntou, esperançosa. – Serei tão poderosa como tu és?

— Sim, Majestade. – Zant respondeu. – Só que precisaremos de um cômodo vazio aqui no castelo, de preferência, abandonado para que eu lhe ensine meus feitiços e a arte da bruxaria. Você se tornará uma poderosa feiticeira, eu lhe garanto.

A Rainha sorriu de satisfação. Ela levou Zant até a velha sala onde eles haviam se conhecido e lá, o feiticeiro passou a ensinar a ela feitiços poderosos de magia negra, transformando-a numa bruxa terrível. Para que ninguém soubesse que agora ela era uma feiticeira, ela escondeu a escadaria colocando um alçapão para fechá-la para que assim ninguém entrasse em seu cômodo secreto onde ela praticava suas bruxarias.

Os anos foram se passando desde então e conforme Zelda crescia cada vez mais bela, mais o coração da Rainha se enchia de ódio e inveja, como consequência da magia negra do Espelho do Crepúsculo. A cada ano que passava, Midna submetia Zelda a serviços ainda mais pesados e a severos castigos, acreditando que um dia a beleza dela estragaria. No entanto, Zelda continuava cada vez mais bela, para o desgosto de Midna.

Um dia, Zelda, agora com dezesseis anos de idade, estava no jardim no palácio, trabalhando como de costume. Ela estava cantando uma suave melodia que ecoou através dos muros do castelo, chamando a atenção de um belo jovem cavaleiro que passava por ali, distraído. Ele seguiu a canção através da floresta até que por fim, ele encontrou Zelda. Ela havia se assustado no começo com a presença do jovem, mas logo depois passou a gostar de sua presença. Midna os observava da janela de seu quarto, sentindo um ódio e uma inveja profundos. O que aquele jovem vira em Zelda? Justo ela, vestida com aqueles trapos imundos e com aqueles cabelos sujos e despenteados? Sua inveja crescera ainda mais quando ela viu o jeito como o jovem olhava para ela. Ele olhava para ela como se ele estivesse apaixonado por ela. Amor à primeira vista. O coração de Midna se contorceu de raiva. Como alguém poderia se apaixonar por Zelda, a garota maltrapilha e suja? Midna se lembrou de que o mesmo acontecera com ela. Mesmo maltrapilha e suja, o rei se apaixonara por Midna devido a sua beleza.

“Maldita seja Zelda!” – a Rainha pensou, cheia de ódio. “Mesmo vestida em trapos imundos o garoto encantou-se por ela... Assim como o rei se encantou por mim... Mas eu era a mais bela! Isso só pode ser um sinal de que essa fedelha imunda pode me superar! Não permitirei isso jamais!!!!”

A Rainha sorriu maliciosamente quando viu através da janela Zelda fugir para longe do jovem rapaz, correndo de volta para dentro do castelo, em prantos. Ela se aproximou da princesa, que chorava desesperadamente e com os olhos cheios de maldade, ela perguntou:

— Quem era o rapaz com quem você conversava lá fora?

Zelda olhou para sua madrasta, com os olhos cheios de lágrimas.

— E-eu não sei! Ele me disse que havia me ouvido cantar e veio para me ver... Me disse também que eu era a mulher mais bela que ele já havia visto!

Midna se encheu de ódio quando ela ouviu a palavra “mais bela”. Isso só fez com que suas suspeitas aumentassem ainda mais, assim como seu ódio e inveja pela beleza da jovem princesa.

— Mais bela??? – a Rainha falou, com ironia. – Justo você, Zelda? Desde quando? A quem quer enganar? Olhe só para você, vestida nesses trapos imundos, com as mãos sujas de tanto trabalhar! Você NUNCA serás tão bela quanto eu!!!! Nunca!!!!!

— Eu sei! – Zelda respondeu, chorando. – Por isso eu disse a ele pra ir embora!

— Pois então fizeste bem! Sabes que eu a proibi de falar com estranhos! Agora volte imediatamente ao trabalho!

Zelda soluçou.

— Quando meu pai voltar, isso vai acabar!

Irritada com as palavras da menina, Midna deu uma gargalhada intensa que ecoou por todo o salão do castelo.

— Seu pai? Hahahahah! Seu pai NUNCA MAIS irá voltar!!!!

— Como tem tanta certeza? – Zelda respondeu, limpando as lágrimas no vestido. – Você nem sabe onde ele foi!

Midna gargalhou intensamente mais uma vez.

— Mas é claro que eu sei, querida! Ele foi para a GUERRA! E está MORTO! Nunca mais você terá seu precioso pai de volta!!!!

Zelda não conseguiu acreditar no que sua madrasta dissera. Ela se encheu de fúria e pela primeira vez teve coragem de enfrentar a madrasta.

— É MENTIRA!!!! Você está mentindo, sua MENTIROSA!!!!

Midna se enchera de ódio com a ofensa e não pensou duas vezes antes de esbofetear o rosto da menina com tanta força que a fez cair no chão, com o rosto ardendo de dor.

— NÃO SE ATREVA A ENFRENTAR-ME!!!! – ela rugiu ferozmente. – Agora volte ao trabalho imediatamente!!!!!

E assim dizendo, a Rainha afastou-se, dirigindo-se para seu quarto. Enquanto ela subia as escadarias, ela pensava consigo:

“A mais bela de todas... Urgh! Zelda vai ver só!”

Quando ela chegou a seu quarto, ela ficou de frente para o Espelho do Crepúsculo e disse as seguintes palavras:

— Mágico Espelho Meu! Existe alguém mais bela do que eu?

E o Espelho prontamente respondeu:

— Famosa é a vossa beleza, Majestade, entretanto, há uma jovem entre nós com tanto encanto e suavidade que eu vos digo! Ela é mais bela do que vós!

O sangue de Midna congelou. Seu maior temor havia se concretizado. Ela já não era a mais bela de todas. Irritada e nervosa, ela berrou com fúria:

— Quem ousa? Revele esta atrevida!!!!

E o Espelho reproduziu em seu reflexo mágico, a imagem da princesa Zelda. A Rainha sentiu no coração uma dor aguda, como uma punhalada, e ao mesmo tempo sentiu um ódio mortal pela inocente Zelda. O que ela tanto temia tinha acontecido. Zelda a superara em beleza. Isso não podia ficar assim. Sua beleza, seu único motivo para seu orgulho, felicidade e poder havia sido superado. Ela já não tinha mais a beleza que a fazia se sentir tão bem, tão poderosa. Enlouquecida completamente pela magia negra do Espelho Mágico, ela se dirigiu até a sala do trono e gritou com a voz quase rouca de tanto ódio.

— Chamem Rusl! O Caçador!!!!

Quando o caçador apareceu, ele curvou-se diante de sua Rainha.

— Sim, Vossa Majestade. O que posso fazer por ti?

— Leve Zelda para bem longe! – ela gritou. – Procura um lugar seguro no bosque, onde ela possa colher flores!

— Sim, majestade.

— Aí então, meu fiel caçador... – ela disse com um olhar malicioso. – Tu a matarás!!!!!

O caçador arregalou os olhos em espanto.

— Mas, majestade, a linda princesa...

— SILÊNCIO!!!! – ela gritou, furiosa. – Se o fizeres, serás bem recompensado com todo o ouro que quiserdes! Mas para que eu tenha certeza de que não houve falhas, traz-me o coração dela aqui!

E ela entregou ao caçador uma caixa dourada. O caçador olhou para a rainha, perplexo. Ele apanhou a caixa vazia em suas mãos e curvou-se perante a soberana.

— Sim, Vossa Majestade. Farei o que me ordenais. Mas só o farei pois minha família é muito pobre e necessito do dinheiro. Não me orgulho das coisas terríveis que fazes.

Midna encarou o caçador com um olhar sério e irritado, e seus olhos revelavam a fúria que ardia por dentro dela. Ela observou o caçador se retirar da sala com um sorriso diabólico no rosto.

— Agora finalmente, eu serei a mais bela de todas outra vez. Hahahahahahah!!!!

E foi assim que a magia negra do Espelho do Crepúsculo conseguira dominar o coração da Rainha, transformando-a numa pessoa cheia de maldade e inveja.