Notas iniciais
Olá de novo! Eu fiquei um tempo sem postar por que o site ficou fora do ar e também porque tive uns problemas pessoais, por isso, peço que me desculpem. Mas agora voltarei a postar, então fiquem tranquilos ^^ Aqui está o quinto capítulo e espero que gostem!

Saindo da pequena casa acompanhado de Zelda e Saria, Link caminhou até o centro do vilarejo, onde um grupo de crianças Kokiri acariciava uma bela égua castanha.

— Esta é Épona. – disse Link enquanto acariciava a crina do animal com delicadeza. – Ela é minha grande companheira! Diga olá, Épona!

A égua relinchou e balançou a cabeça, o que queria dizer “é um prazer conhecê-la” em linguagem de cavalo.

Zelda fez uma reverência, cumprimentando de volta o animal.

— É um grande prazer conhecer você também, Épona. Certamente é uma garota muito educada!

Épona relinchou em agradecimento pelo elogio. Link observava as duas, entusiasmado.

— Vejo que você tem jeito com cavalos, Zelda. Parece que Épona gostou de você.

— Sim, eu amo cavalos. – Ela respondeu enquanto acariciava o focinho de Épona carinhosamente. – Quando eu vivia no castelo, minha madrasta me obrigava a limpar os estábulos quase sempre. O que eu mais gostava era de dar banho nos cavalos nos dias quentes. Eles adoravam!

— Ah... – Link deixou escapar um leve suspiro. Ele imaginou o quanto Zelda deveria ter sofrido nos anos em que convivera com a madrasta.

Mas agora que ela estava ali, bem longe da perversa rainha, ele estava disposto a ajudá-la a se esquecer de todo o sofrimento por qual ela tinha passado durante a maior parte da vida. Enquanto ela estivesse ali, ele faria qualquer coisa para que ela se sentisse em casa.

Ele olhou de volta para Zelda, que esfregava o pêlo de Épona com delicadeza. A égua relinchava de satisfação.

— Vocês duas se dão muito bem! – ele falou – Um dia desses levo você para dar uma volta com ela pela floresta.

Zelda olhou para Link e sorriu.

— Seria bem divertido! – ela respondeu.

Ele sorriu novamente para ela. Depois de alguns segundos ele falou:

— Bem... – Link fez uma pausa para pensar, depois continuou — Você já conheceu Épona. Agora, quero que conheça meus amigos Kokiri. Saria você já conhece. Aquele ali é Mido, o chefe dos Kokiri e o mais emburrado da turma.

— Hunf! – Mido resmungou e deu de ombros, como sempre fazia quando alguém falava algo sobre seu mal-humor.

— Eu sei. – Zelda pronunciou calmamente. – Ele não me recebeu muito bem quando cheguei aqui.

Link soltou uma leve risada.

— Sim, eu entendo. A mesma coisa aconteceu comigo. Mas ele tem um bom coração. Só não gosta de demonstrar isso aos outros... – ele pigarreou. – Pois bem, continuando... Aquela garotinha é Fado, melhor amiga de Saria. – Link apontou na direção de uma menina loira, que cumprimentou Zelda gentilmente.

— É um prazer conhecê-la, Fado! – Zelda sorriu para a garotinha.

Link continuou:

— Aquelas duas são as gêmeas Mayla e Kayla e aqueles três são os Irmãos Sabe-Tudo: Riduki, Daru e Kido.

Todos os Kokiri, com exceção de Mido, se reuniram e cumprimentaram a princesa com educação.

— É um grande prazer conhecer todos vocês! – disse Zelda, cumprimentando as crianças. – Espero que sejamos grandes amigos a partir de agora.

Link sorriu ao ver Zelda sendo bem-recebida por seus amigos Kokiri. O único que não se importava era Mido, mas essa atitude já era normal vindo dele.

— Bem, agora que já conhece todos, quero te mostrar o vilarejo. Acompanhe-me.

— Link falou, pegando gentilmente a mão de Zelda.

Eles deram uma volta pelo pequeno vilarejo e Link ia apresentando tudo a ela.

Mostrou a casa das gêmeas, dos Irmãos Sabe-Tudo e também a casa de Fado, porém Mido, a princípio, não deixou que a princesa visitasse sua casa. Mas com a insistência dos amigos, não teve outra escolha senão apresentar sua casa à moça, contra sua vontade. Até que depois de uma volta pela pequena vila, Link parou em frente a uma casa simples com uma escada que dava para a porta de entrada.

— E esta é a minha casa. – ele falou com entusiasmo. – Gostaria de entrar para conhecê-la por dentro?

A princesa sorriu timidamente.

— Eu adoraria.

Com um sorriso, Link olhou de volta para ela e disse:

— Então, entre você primeiro. – ele deu um espaço para que Zelda subisse as escadas.

Ela começou a subir as escadas cuidadosamente, para não escorregar. Link observou-a com certo receio.

— Quer ajuda? – ele ofereceu gentilmente.

— Não precisa! Estou bem! – ela respondeu enquanto subia.

Link subiu logo atrás dela. Quando chegaram lá em cima, ele abriu a porta para que a princesa entrasse primeiro. Assim que ela entrou, surpreendeu-se com o tamanho da casa. Era a maior de todas no vilarejo. Tinha até algumas escadas que davam para o porão e mais algumas que subiam até a janela mais alta. No segundo andar havia uma cama feita de madeira da floresta e no andar de baixo, uma pequena lareira e uma mesa. Era uma casinha bem simples, mas ao mesmo tempo bem aconchegante.

— Uau! – ela exclamou, observando em volta. – Até que não é nada mal.

Link sorriu.

— É... Não é muito chique, mas é bem confortável. Saria e os outros me ajudaram a construir. No começo não era assim tão grande, mas conforme eu fui crescendo, houve a necessidade de aumentá-la. Os Kokiri não crescem, por isso suas casas são bem pequenas. Mas como eu não sou um Kokiri, tivemos que aumentar a casa para que eu pudesse continuar a viver aqui. – ele falou, empolgado.

Zelda continuou olhando a casa, admirada. Depois de alguns segundos ela comentou:

— Imagino como seja... Realmente seria muito ruim para você se vivesse em uma casinha pequena como a de Saria e dos outros Kokiri. – ela suspirou tristemente e depois continuou – Veja só você. Vivendo em uma casinha tão simples, mas tendo uma vida tão boa, cheia de amigos e gente que o trata bem... Eu que vivi esse tempo todo num palácio com tudo à minha disposição, só tive dor e sofrimento...

Ela abaixou a cabeça e uma lágrima ameaçou escorrer pelo seu rosto. Link se aproximou dela e gentilmente enxugou a lágrima que começava a escorrer de seu olho direito.

— Não fique assim, Zelda. Tudo vai ficar bem. Você será feliz aqui conosco, eu tenho certeza disso. Faremos com que você se esqueça de todo o sofrimento por qual já passou.

Ela ergueu o olhar para Link e sorriu suavemente para ele.

— Obrigada. – ela falou num murmúrio. – Você é tão gentil.

Ele ruborizou levemente com o elogio. Lentamente e sem perceber, ele foi aproximando o seu rosto do rosto de Zelda de modo que apenas alguns centímetros os separavam de um possível beijo. Mas antes mesmo que algo mais pudesse acontecer, os dois foram interrompidos pelos gritos de Saria, que os chamava intensamente do lado de fora:

— Link! Zelda! Desçam logo! Estão demorando muito aí em cima! Ainda queremos mostrar mais coisas a Zelda!

Link parou abruptamente. O susto que a voz de Saria lhe dera fez com que ele imediatamente recobrasse a consciência e percebesse o que estava a ponto de fazer. Sua face assumiu um tom avermelhado intenso e ele se afastou de Zelda, constrangido.

— Eu...é... bem.... – ele gaguejou, meio sem jeito – Vamos até lá ver o que Saria quer nos mostrar.

Ele disse, com um sorriso desajeitado. Zelda olhou para ele por algum tempo e depois falou, com um sorriso sem graça:

— Certo então...

Ela caminhou em direção à saída. Link abriu a porta para ela e a ajudou a descer as escadas. Saria e os outros Kokiri estavam os aguardando no centro do vilarejo.

Eles os levaram até a Campina da Floresta Sagrada, que era um lugar muito belo e rico em belezas naturais. Haviam várias espécies de flores e vários animaizinhos andavam soltos pela campina, sem medo algum, pois já estavam acostumados com a visita dos seus amigos Kokiri. Eles passaram quase a tarde toda admirando a paisagem da campina. Zelda se encantara com a extrema beleza e tranqüilidade do lugar. Após algum tempo, Saria aproximou-se da princesa que olhava em volta admirada e disse calmamente.

— Esse lugar é sagrado para nós, por isso nós cuidamos muito bem dele. – ela inspirou profundamente o aroma das flores que inundava o ar, enchendo-se de satisfação e alegria. – Sempre que quiser um tempo para relaxar ou refletir um pouco, aqui é o lugar ideal para encontrar tranqüilidade e paz no espírito.

Com um sorriso, Zelda se deitou no meio do prado respirando calmamente o ar perfumado.

— Definitivamente é um belo lugar. Gostaria de passar a tarde toda aqui! – ela comentou, observando o lindo céu azul escondido atrás das folhagens das árvores mais altas.

Sentando-se ao lado dela, Link falou com uma voz suave:

— Eu adorava brincar aqui quando era garoto. É um de meus lugares preferidos da floresta.

— Sem dúvidas. – Zelda confirmou. – Um lugar lindo desses não é de se desperdiçar.

Ele sorriu levemente, observando a bela paisagem.

— Pois é... No entanto acho melhor voltarmos. Está quase escurecendo e mesmo um lugar belo como este esconde perigos à noite... – ele se levantou cuidadosamente e limpou as folhas que ficaram grudadas em sua roupa. Em seguida, Link estendeu sua mão para ajudar Zelda a se levantar da grama.

Ela segurou sua mão e, com sua força, ele a puxou para perto de si, acidentalmente. Não era sua intenção fazê-la ficar tão próxima a ele. Só queria ajudá-la a se levantar, mas a força em seus braços a puxou para mais perto do que deveria. Seus corpos quase se encostavam e seus rostos estavam apenas a alguns centímetros de distância um do outro. Para completar, Zelda ainda segurava delicadamente a mão esquerda de Link, que estava começando a suar com o nervosismo.

Por um tempo eles ficaram naquela posição, apenas olhando dentro dos olhos um do outro. Link sentiu uma onda de calor percorrer seu corpo todo enquanto ele contemplava a beleza de Zelda. A brisa leve e suave fazia seus lindos cabelos castanhos esvoaçarem graciosamente e o seu olhar puro e inocente fizeram seu coração bater tão alto que ele tinha quase certeza de que Zelda podia ouvi-lo. De repente, uma voz foi ouvida ao fundo. Eram Saria e os outros Kokiri chamando por eles. Link bruscamente retomou a consciência e se afastou de Zelda, com o rosto em chamas.

— M-me desculpe...– ele gaguejou em constrangimento. – Eu...

Zelda interrompeu-o colocando um dedo em sua boca para fazê-lo calar-se. Link instantaneamente silenciou.

— Está tudo bem... – ela disse com um leve sorriso no rosto, que fez Link corar mais ainda. – Sei que não foi por mal...

Link ficou momentaneamente perplexo. Piscando rapidamente, ele respirou fundo quando o dedo de Zelda deixou seus lábios.

— Ah... — Ele disse, seu constrangimento foi desaparecendo gradualmente. – Tudo bem...

Os olhos de Zelda o encaravam ternamente. Ela curvou os lábios rosados em um sorriso suave. Pelas Deusas, seu sorriso era deslumbrante. Ele sorriu de volta e os dois ficaram se admirando por mais algum tempo antes de Saria gritar novamente, chamando a atenção dos dois.

— EEEEIII! Vocês dois!!! Venham logo! Está esfriando! Querem congelar aí?

— Se já não estão congelados... – comentou Mido, rude como sempre. – Eles estão parados no mesmo lugar faz tempo.

— Mido tem razão... Faz um tempo que os dois não saem daquela posição... O que terá acontecido? – observou Fado.

Saria inclinou um pouco a cabeça para o lado, examinando a situação.

— Hum... – ela refletiu, prestando atenção nos dois jovens, que se aproximavam do grupo de crianças. Zelda sorria timidamente para Link, que devolvia o olhar tímido para ela.

Eles pareciam um tímido casal de namorados.

Quando eles se aproximaram das crianças, Saria não pôde deixar de falar.

— Até que enfim! Primeiro na casa de Link e depois aqui. Posso saber o motivo de tanta demora?

Os olhares de Link e Zelda se cruzaram. Os dois se entreolharam, um tanto constrangidos e suas bochechas adquiriram uma tonalidade rosada.

— Er... Não foi nada. – disseram os dois jovens ao mesmo tempo, olhando para lados opostos.

Saria ergueu uma sobrancelha, incrédula. Aquele comentário não pareceu convencer a pequena Kokiri.

— Bem, isso não importa agora. Precisamos voltar para o vilarejo antes que escureça. Link, vá você na frente. Se acaso aparecer alguma coisa suspeita, você poderá nos proteger.

— Sim. – ele respondeu com um tom de seriedade na voz.

O olhar de Link se tornou sério de repente. Com uma mão habilidosa, ele retirou uma espada que pendia em uma bainha, amarrada em suas costas. Zelda surpreendeu-se ao ver o seu amigo segurando uma arma tão perigosa.

— C-como assim? – ela perguntou, assustada. – Há monstros aqui perto?

— Só quando começa a escurecer. – Link argumentou com seriedade. — Eles não gostam muito da luz do sol.

— Mas ainda nem está escuro! – ela exclamou um pouco perturbada.

— Em todo caso é melhor prevenir, não é? – ele virou seu olhar novamente para a princesa e sorriu gentilmente para lhe transmitir segurança.

O rubor na face da princesa retornou com o olhar confiante de Link. Cada vez mais ela se surpreendia com a gentileza do jovem. Ela agora via o quanto ele era valente, e certamente, um homem tão valente e gentil como ele a protegeria de qualquer coisa que a ameaçasse.

Link começou a guiá-los pela trilha. Zelda, Saria e Mido iam logo atrás dele e os outros Kokiri os acompanhavam. Depois de algum tempo de caminhada, eles finalmente chegaram ao vilarejo. O dia passou rápido desde então. Assim que escureceu, todos se reuniram na casa de Saria para fazer uma grande festa de boas-vindas à princesa. As irmãs gêmeas tocavam alegremente os instrumentos enquanto Zelda e os outros Kokiri dançavam animadamente junto com ela.

Como sempre, Mido estava sentado em um canto isolado, de cara feia e Link e Saria estavam sentados próximos, observando os outros dançarem. Link só tinha olhos para Zelda. Ele observava cada movimento suave que ela fazia, e vez ou outra ela sorria para ele, fazendo-o corar levemente. Ele viu-se completamente encantado com a linda jovem mulher.

Essa era a única palavra para descrever Zelda: deslumbrante. Ela parecia a verdadeira essência da beleza, quase como uma deusa na aparência. Mas Link viu-se atraído não só pela sua incrível beleza, mas também pela sua inocência, seu charme. Link nunca conhecera alguém como ela antes, ou certamente, uma mulher como ela. Apesar de já ter conhecido outras garotas antes, como Malon, a filha do dono do rancho Lon Lon, onde ele conseguiu Épona, e Ilia, a filha do prefeito do pequeno vilarejo de Ordon, Zelda era a mulher mais bela que ele já havia encontrado. E isso, ele pensou consigo, era muito atraente para um simples cavaleiro como ele.

Saria o observou por um momento. Fazia algum tempo desde que Link tinha dito algo e ela percebera que ele só conseguia olhar para Zelda. Uma ideia começou a se formar na mente da jovem Kokiri. Ela o cutucou de leve para chamar sua atenção, mas Link estava tão focado em Zelda que foram necessários vários cutucões para que ele notasse a presença de Saria ao seu lado.

— O que foi, Saria? – ele se virou, um pouco aborrecido. – Ué, você não tinha dito que ia até a cozinha pegar um pouco de água?

Saria bufou.

— Isso foi há dez minutos atrás! Você não percebeu que eu já tinha voltado?

— Hã... — Link ficou sem saber o que dizer.

— Hum... era o que eu pensava. Você estava prestando atenção em coisas mais importantes para não perceber minha volta, não foi?

Link corou intensamente com o comentário de Saria e ele rapidamente desviou o olhar para observar Zelda novamente.

Depois de alguns segundos de silêncio, Saria falou:

— Você gosta dela, não é?

Link se virou abruptamente. Seus pensamentos se embaralharam e ele se atrapalhou todo para falar.

— Eu...ahn... É claro que gosto! Ela é minha amiga! Que pergunta mais boba, Saria!

Saria revirou os olhos.

— Não digo nesse sentido... Falo de amor. Você a ama, não ama?

Link não respondeu. Ele apenas desviou o olhar, evitando encarar Saria diretamente.

— Não adianta disfarçar... – ela continuou. – Vi o jeito como você a olha desde o momento em que chegou da cidade. E também reparei o jeito como se comportaram hoje na campina. Seja sincero comigo, afinal eu sou quase como uma irmã pra você. E então, você a ama?

Não foram necessárias palavras. Apenas um leve sorriso de Link já fora o suficiente para confirmar as suspeitas de Saria.

— Ela é tão linda... Parece até um sonho... Um sonho em forma de mulher – ele disse devagar, sem tirar os olhos da princesa. – Meiga, inocente, charmosa, delicada... Só de ouvir a sua bela voz na floresta, eu já me senti completamente atraído por ela. Confesso que nunca me senti assim por uma mulher antes...

Assim que ele viu que Zelda olhava especificamente em sua direção, Link corou intensamente. Saria observou tudo atentamente e depois de um tempo, ela disse:

— Ei, Link. Por que não vai lá dançar com ela?

Link olhou de volta para sua amiga e disse atrapalhadamente:

— Eu...ahn... É que...

— Ora essa, vamos! Não seja tímido! – Saria falou, empurrando o jovem da cadeira para que se levantasse.

— Mas Saria... Eu nem sei dançar! – ele resmungou enquanto a garotinha o empurrava até onde Zelda e os outros dançavam animadamente.

— Você acaba aprendendo!

Quando se aproximaram do grupo, Link ficou sem saber o que fazer. Ele olhava para os lados, apreensivo, envergonhado e sentindo-se esquisito. Até que Zelda se aproximou dele.

— Venha, Link! Dance comigo! – ela disse, pegando as mãos dele. – Não é tão difícil, só precisa se soltar!

E Zelda mexia o corpo devagar para acompanhar Link. Até que depois de um tempo, os dois já tinham entrado no ritmo da música. Zelda rodopiava e Link gentilmente a segurava pela cintura. Era incrível o jeito como tinham entrado em sintonia tão depressa. Mesmo em meio à dança, Link não parava de admirar cada movimento gracioso que a jovem fazia. Ela batia as pálpebras suavemente enquanto sorria para ele o tempo todo. Santas Deusas! Será que ela estava flertando com ele?

Enquanto isso, Saria observava tudo com o canto do olho. Ela sorriu ao ver os dois jovens dançando juntos, tão animados. Até que de repente ela teve uma outra ideia. Saria se aproximou de Mayla, uma das gêmeas que estava tocando flauta e cochichou algo em seu ouvido. A garotinha riu e passou o recado a sua irmã Kayla, que tocava o alaúde, uma espécie de violão antigo. Então, de repente a música parou. Todos olharam em volta, confusos.

Até que uma leve e suave melodia começou a tocar em um ritmo lento. Link olhou para Saria com um olhar indeciso.

“O que está acontecendo, Saria?” – ele gesticulou com os lábios. – “O que houve com a música?”

Saria riu levemente e respondeu gesticulando:

“É pra vocês dois dançarem uma valsa romântica. Bem juntinhos.”

Link corou intensamente. Um pouco constrangido, ele virou-se para Zelda e disse:

— Hã...bem... Concede-me essa dança, princesa?

Zelda olhou para ele um pouco confusa. Link a segurou gentilmente pela cintura e a puxou para mais perto dele, abraçando-a delicadamente, fazendo a princesa corar em constrangimento.

— Apenas acompanhe meus movimentos, Zelda. – Link sussurrou para ela. Seu rosto estava tão próximo do dela que ela podia sentir a respiração quente dele tocar-lhe o rosto.

Zelda sentiu um calor envolvente percorrer-lhe o corpo. Uma sensação maravilhosa tomava conta de seu ser, dominando-a por completo. Fechando os olhos, ela se entregou completamente àquele momento tão precioso, tão único em sua vida.

Link a envolveu ainda mais apertado em seus braços, como se ela fosse um tesouro precioso que ele não queria perder jamais.

Juntos, colados um no outro, eles acompanhavam suavemente o som da melodia romântica, enquanto Mido os encarava repulsivo.

— Era só o que me faltava! – ele resmungou, irritado. – Estão apaixonados! Eca!

Mas eles nem sequer ouviram as reclamações do garoto. Para os dois, ninguém mais havia naquela festa. Sentiam-se sozinhos e não precisavam de mais ninguém.

Zelda colocou sua cabeça no ombro dele, abraçando-o fortemente. Ela podia agora sentir as batidas aceleradas do coração dele. Ela sorriu ligeiramente. Era tão boa aquela sensação de estar perto dele, sentir o coração dele batendo tão depressa, sentir o calor do corpo dele a envolvendo... Ela fechou os olhos por um instante apenas para sentir todas aquelas novas sensações que a envolviam tão profundamente naquele momento.

Ela já não conseguia mais se lembrar de sua terrível madrasta e de seu sofrimento no castelo. Ela só conseguia pensar nele... Em seu sorriso gentil no jardim do castelo, no seu primeiro encontro... Em seu toque suave, em sua voz doce, em seu olhar de anjo...

Tudo o que mais importava pra ela naquele momento era Link... apenas ele, e nada mais.

Ele a fazia se sentir tão bem, tão segura... Ela se perguntava como era possível um homem como ele fazê-la se sentir assim depois de tantos anos de sofrimento.

Ela não conseguia compreender que sentimento poderoso era aquele que a dominava naquele instante. Suavemente, ela desencostou a cabeça do ombro dele e voltou a olhar para seus olhos azuis e brilhantes que estavam tão próximos do rosto dela. Foi nesse momento que ela percebeu que o que ela estava sentindo era algo novo, algo inesperado... Era amor. Sim, aquele sentimento só podia ser amor. Ela estava apaixonada. Estava presa nos braços do homem que ela aprendera a amar tão rapidamente.

O rosto dele aproximou-se. Por um instante os dois respiravam o mesmo ar.

Seus lábios estavam apenas à alguns centímetros de distância. Se Zelda avançasse um pouco mais, seus lábios estariam se encontrando em um beijo apaixonado...

Zelda fechou os olhos, à espera daqueles lábios quentes e úmidos...

— EEEEI! – Mido deu um grito alto, que assustou o jovem casal, fazendo-os se separar abruptamente, arruinando o momento romântico dos jovens apaixonados. – Já é tarde! Temos que ir pra casa!

Saria se contorceu de raiva por Mido ter arruinado o momento romântico entre Link e Zelda. Enfurecida, ela gritou com Mido:

— Nossa, Mido! Precisa ser tão grosso? Você não viu que você interrompeu...algo...importante...ahem! – ela pigarreou, tentando disfarçar.

— Importante...sei... – Ele resmungou. – Já estou farto de todos vocês! Vamos todos dormir agora! Amanhã será um longo dia.

Link suspirou, um pouco perturbado com aquela situação embaraçosa.

— Bem... Acho que é melhor todos nós irmos dormir, então. – ele olhou ligeiramente para Zelda e falou em um tom doce. – Nos vemos amanhã, Zelda. Foi um prazer revê-la.

Antes que ele se afastasse, Zelda segurou sua mão, o que o fez corar outra vez.

— E-espere Link, e-eu queria dizer que... bom... F-foi um prazer revê-lo também...

Ele sorriu para ela e os dois ficaram se olhando por alguns minutos antes de Saria chamar Link outra vez.

— Vai logo, Link. Amanhã vocês terão todo o tempo do mundo pra..hã.. conversar melhor. – ela sorriu disfarçadamente.

— Eu acompanho o Link até a porta. – Zelda falou, um pouco envergonhada.

A princesa segurou a mão de Link e o seguiu. Quando chegaram na porta da casa de Saria, Zelda, ainda segurando a mão dele, disse num tom suave:

— Bem... – suas bochechas começaram a corar de leve. – Eu... quero agradecer por tudo... Por me receber no vilarejo e por ser tão gentil comigo... Sabe, nunca antes alguém me tratou tão bem como você...

— Sem problemas, princesa. Você merece. Uma mulher como você é difícil de encontrar.

Ela sorriu timidamente para ele.

— Eu tenho muita sorte por ter te conhecido.

— Eu também. – ele respondeu docemente.

Mais uma vez, os gritos de Saria os interromperam:

— Zelda! Entre logo! Está esfriando!

Link riu.

— É melhor você entrar logo ou Saria vai ficar louca!

— Sim. – a jovem sorriu ligeiramente. – Eu... apenas quero te dizer boa-noite...

Zelda se apoiou na ponta dos pés para dar-lhe um beijo doce em seu rosto, que o fez corar imediatamente.

— Boa noite, Zelda. – Ele respondeu, beijando o rosto dela delicadamente. – Durma bem, minha princesa.

O coração de Zelda quase explodiu de emoção. Mesmo depois de eles finalmente terem se despedido, Zelda não conseguia deixar de observar Link enquanto ele se afastava em direção à sua casa. Ele às vezes virava para olhar para ela uma outra vez.

— Link... – ela suspirou profundamente, observando-o desaparecer na escuridão da noite.

Ela estava tão distraída com seus pensamentos que não percebera a presença de Saria, que estava ao lado dela naquele momento.

— Nossa, como vocês demoram pra se despedir, hein? – ela comentou, observando a princesa atentamente.

— Ahn... Saria, me desculpe... É só que eu...

— Eu sei, não precisa me dizer mais nada. – ela sorriu sarcasticamente. – Vocês dois realmente se dão MUITO bem juntos...

— É... – Zelda suspirou novamente.

— Nossa, Zelda! Não precisa ficar assim! Você vai vê-lo amanhã! Vão poder “conversar” melhor, se é que você me entende... – ela riu silenciosamente. – Vamos dormir Zelda. Amanhã será um novo dia.

— É... tem razão Saria... Vamos dormir.

Zelda caminhou em direção à cama que Saria havia preparado para ela. Assim que ela se deitou, passou a sonhar com um certo rapaz loiro, de roupa verde por quem ela havia se apaixonado.

“Bons sonhos, Link, meu amor...” ela pensou antes de adormecer profundamente.