The Legend of Zelda - Branca de Neve

6 A confusão de um novo sentimento


A luz do sol da manhã brilhou intensamente através das janelas do quarto de Zelda, fazendo a garota despertar lentamente, ainda um pouco sonolenta após uma longa noite de sono. Ela se surpreendeu quando viu que estava realmente no quarto que Saria havia preparado para ela ao invés de estar no quartinho horrível em que ela costumava dormir no castelo. Isso a deixou muito aliviada.

“Ufa, então eu não estava sonhando, afinal!” – pensou ela. – “Então isso significa que tudo o que aconteceu ontem foi real! As crianças Kokiri, a festa, a dança e... e Link... Eu... Eu preciso vê-lo!”

Zelda se levantou rapidamente e andou eufórica até a cozinha, onde Saria preparava um delicioso café da manhã para a jovem princesa.

— Bom dia, Zelda! Dormiu bem?

— Bom dia, Saria! – respondeu Zelda, um pouco agitada. – Sim, dormi muito bem! Você viu o Link hoje? Sabe onde ele está?

— Ei, ei ei! Calma aí, Zelda! Sei que você está ansiosa para vê-lo. Ainda mais depois de tudo o que aconteceu ontem, hehe. – ela esboçou um sorriso leve. – Você está muito eufórica. Sente-se primeiro e tome o seu café da manhã que eu preparei com tanto gosto! – Saria disse enquanto ela começava a encher uma tigela com mingau e um prato com biscoitos – Não está muito quente, mas é saudável. Experimente!

— Muito obrigada, Saria.

Depois de comer alguns biscoitos e experimentar o mingau, ela acrescentou:

— Puxa, está bom mesmo. Mas, e então Saria, você não sabe onde o Link está?

Com um sorriso discreto, Saria falou calmamente:

— Calma Zelda! Ele foi pra cidade. Vai voltar lá pela tarde.

Zelda ficou um pouco perturbada.

— Mas ele já não tinha ido lá ontem? O que ele foi fazer lá outra vez? – ela perguntou, curiosa.

— Treinamento. – A pequena respondeu naturalmente. – Para se tornar um espadachim. – ela falava enquanto retirava os pratos da mesa e colocava-os de volta na pia. – Você mesma viu ontem que ele possui uma espada. Ele quer se tornar um grande cavaleiro para defender as pessoas.

— Ah... — Zelda suspirou. Ela se levantou calmamente da cadeira. – Então vou esperar por ele lá na Campina da Floresta Sagrada. Aliás, muito obrigada pelo café da manhã, Saria. Estava realmente delicioso.

A pequena garota sorriu mais uma vez para a princesa.

— Bem, fico feliz que tenha apreciado. Se quiser ir para a campina agora, vá. Quando o Link chegar eu aviso a ele que você está lá.

Zelda abraçou Saria gentilmente e depois saiu. Uma vez chegando à encantadora campina, a jovem não tinha mais vontade de ir embora. O lugar era tão rico em belezas naturais, que ela não queria mais sair de lá.

O conforto daquele lugar a fazia se sentir incrivelmente bem. Os passarinhos cantavam uma canção suave e borboletas de vários tipos voavam por toda a parte em busca de flores. Zelda nunca havia estado em um lugar tão bonito antes.

O tempo passara rapidamente, mas Zelda nem havia percebido. Para ela, era como se o tempo parasse naquele lugar tão lindo. Ela começou a cantar suavemente uma doce melodia, que se tornou ainda mais doce com sua voz angelical. A jovem princesa começou a pensar nos acontecimentos recentes. No seu primeiro encontro com Link no jardim do castelo, sua chegada à Floresta Kokiri, os momentos que ela tivera com Link, a valsa romântica... Tudo aquilo enchia a princesa de alegria. Nunca antes ela havia se sentido tão bem, tão livre.

Continuando a cantarolar, Zelda começou a dançar na luz do sol brilhante, sem nada temer, pois não havia ninguém ali para vê-la parecer tão tola e infantil.

Ela fechou os olhos azuis e aproveitou o momento: sentir o quente do sol em seu rosto ao som suave de sua voz cantando era tudo o que ela apreciava naquele momento.

Depois de um certo tempo, Zelda abriu os olhos e dançou uma vez mais. Seus olhos observavam as borboletas esvoaçando, o alvoroço dos pássaros nas árvores próximas e então, de repente, ela viu Link de pé, um pouco afastado, encostado em uma árvore, observando-a de longe.

Com um grito, Zelda ficou parada como uma estátua e sentiu o sangue correr em seu rosto. Quanto tempo ele havia estado ali? Ele teria a observado durante todo esse tempo? Ele deveria estar pensando nela como nada mais do que uma donzela boba com nada de melhor para fazer além de cantar cantigas ao ar livre e dançar como uma garotinha tola. Seu coração batia forte e seu rosto e pescoço estavam em chamas com o constrangimento. Zelda tinha um desejo desesperado de correr o mais longe o possível de Link. Infelizmente, ela sabia que isso só iria piorar a situação, então ela parou, silenciosa, e esperou que ele dissesse alguma coisa.

Link inclinou a cabeça para o lado por um momento e simplesmente a observou com os brilhantes olhos azuis dele.

Ele caminhou lentamente em direção a ela até que os dois estavam a poucos centímetros de distância um do outro. Zelda piscou, envergonhada, enquanto sua mente gritava, dizendo que ela era a maior idiota de todos os tempos. Isso não ajudava muito.

Link deu um sorriso antes de dizer:

— Você está tão quieta. Você está bem? Eu a assustei?

Zelda colocou uma mão em seu rosto e sentiu o sangue subir para sua face.

— Eu...Não percebi que você estava aí esse tempo todo, eu acho que... você deve pensar... Eu não sabia que você já tinha voltado. – ela gaguejou e fez uma pausa. – Você deve achar que sou uma louca... – ela deixou escapar.

— E por que eu acharia isso? – Link respondeu, suas sobrancelhas loiras franziam em frustração.

— Eu estava dançando e você estava aí e me viu, eu não costumo fazer isso se eu soubesse eu não teria..., eu não sou sempre assim, eu...

Link tocou o rosto dela com delicadeza e disse num tom suave:

— Você não tem que ter vergonha. – disse Link, gentilmente. – E eu não acho você tola. Eu gosto muito de ouvir sua linda voz.

Zelda piscou os olhos, perplexa. Seu rosto havia corado ainda mais com o toque suave de Link. Ela respirou fundo e olhou para o chão, ainda um pouco constrangida. Seus pensamentos estavam muito confusos e ela não sabia o que dizer.

Link a encarou por um breve momento. A timidez e a inocência de Zelda eram coisas que ele admirava muito nela.

— Ei, Zelda. – Ele disse para quebrar o silêncio. – Eu trouxe uma coisa pra você, enquanto eu vinha lá da cidade – Link retirou de seu bolso um crisântemo vermelho e o entregou a Zelda.

Zelda pegou a flor em suas mãos e a observou com delicadeza.

— Puxa, Link... É tão linda... – ela disse, timidamente. Um sorriso leve surgiu no rosto de Zelda enquanto ela admirava a bela flor que estava em suas mãos. – Eu adoro flores!

A princesa colocou seus braços ao redor do pescoço de Link, envolvendo-o em um abraço apertado.

— Adorei o presente, Link. Muito obrigada.

Link correspondeu o abraço, colocando seus braços fortes em volta da cintura dela. Ainda em seus braços, Zelda olhou para os olhos dele, agora tão próximos dos dela. Seu coração disparou e borboletas se formavam em seu estômago. Link olhou para ela ternamente com seus olhos azuis brilhantes e esboçou um sorriso que fez o coração dela disparar mais ainda. Santas Deusas! O homem era lindo demais e estava fazendo com que Zelda experimentasse sensações completamente novas e estranhas para ela. A mente dela girava, todos os pensamentos se embaralharam e ela estava quase perdendo o controle sobre si mesma.

— Link... – ela suspirou. Ele deslizou suavemente suas mãos pelas costas dela, fazendo-a sentir calafrios na espinha.

Zelda fechou s olhos. Ela não sabia o que fazer naquele momento. Aquele sentimento era muito novo e ela ainda não sabia ao certo como lidar com tudo aquilo. Abrindo os olhos novamente, ela agora havia notado o quanto seus rostos estavam próximos um do outro. Seu rosto adquiriu um tom vermelho intenso e seus olhos se arregalaram de espanto.

— Zelda, você está bem? – Link perguntou perplexo, com as sobrancelhas franzidas.

— Me desculpe Link... – ela disse, envergonhada, tentando se afastar dele. — Eu... Eu não deveria ter... E-eu...sinto muito!

Ela se afastou, constrangida. Seu rosto estava tão vermelho que parecia que todo o sangue de seu corpo estava apenas em suas bochechas.

Link se aproximou dela. Após alguns segundos de silêncio, Zelda sentiu seu queixo sendo levantado levemente pelas mãos suaves de Link para que ela olhasse para ele.

— O que foi, Zelda? – Link perguntou, fitando-a nos olhos. – Eu fiz algo de errado?

Zelda tentou desviar o olhar, mas isso era praticamente impossível. Os olhos de Link eram tão lindos que por mais que ela tentasse, ela não conseguia parar de olhar para eles. Um pouco nervosa, ela suspirou profundamente antes de responder:

— Não, Link... Você não fez nada de errado... É só que, eu... eu me sinto tão confusa... e-eu nunca me senti assim antes...

Ela abaixou o olhar e passou a fitar o chão novamente. Porém, Link ergueu o olhar dela mais uma vez.

— Zelda, olhe para mim... – ele ordenou suavemente.

Ela obedeceu e sentiu seu coração pular. Por que raios Link tinha que ter olhos tão belos? Zelda sentiu-se por um instante como se um raio congelante a tivesse paralisado e a transformado em estátua.

O olhar de Link penetrou a alma dela enquanto ele falava:

— Eu também nunca me senti assim antes... — Link disse calmamente, com os olhos mostrando a verdade de suas palavras. – Eu já tinha conhecido outras garotas antes, mas nenhuma delas era como você... Nenhuma delas conseguiu me conquistar como você me conquistou tão rapidamente... – Link deslizou seus dedos pelo rosto dela delicadamente, contornando seu belo rosto angelical. – Você é tão bela que eu não tenho palavras para descrever tal beleza...

Os olhos de Zelda se arregalaram e ela ficou ainda mais rosada.

— V-você realmente acha isso?

Link respondeu com ternura, olhando-a profundamente nos olhos:

— Claro que sim, minha princesa. Você é, de fato, a mulher mais bela, deslumbrante e encantadora que eu já conheci em toda minha vida...

Ele fechou os olhos enquanto se aproximava de Zelda ainda mais. O coração dela batia furiosamente. Suas pernas tremiam tanto que ameaçavam ceder a qualquer momento. Ela mal conseguia respirar. Seus corpos estavam tão próximos agora, que ela podia sentir o calor do corpo dele a envolvendo cada vez mais.

— Não Link, eu não sou tão bela assim... – Ela sussurrou tristemente. – A minha madrasta, a Rainha, ela é a mais bela de todas, não eu...

— Eu não acho... – Link respondeu, acariciando o rosto dela suavemente. – Sua madrasta pode ser bela por fora, mas por dentro seu coração é cheio de ódio e maldade, o que a torna uma pessoa horrível, já você, Zelda, não possui apenas a beleza externa. Sua alma é pura, o que a torna ainda mais bela do que já és, princesa...

As palavras suaves de Link fizeram Zelda estremecer. Ela já não conseguia mais pensar corretamente. Sua mente girou quando Link a puxou gentilmente para si, colocando os braços em torno de sua cintura delicada. Ele olhou pra ela por um momento, respirando lentamente, sentindo seu doce aroma que lhe penetrava a alma.

Os dois permaneceram um tempo em silêncio, como se o momento estivesse falando sozinho, sem necessidade de palavras. A mente de Zelda ficava cada vez mais confusa, mas era muito difícil lutar contra todas aquelas sensações, então ela se rendeu à elas. Ela lentamente moveu seus dedos e começou a brincar com os fios de cabelo dourados de Link. O rosto dele corou ligeiramente, mas ele se negava a se afastar dela.

Seus rostos estavam muito próximos. Por um instante, as pontas dos seus narizes se roçavam. Zelda podia sentir o hálito quente dele em sua pele. Um estremecimento gostoso percorreu-a, de ponta a ponta do corpo, até arrepiar seus cabelos. Seus lábios estavam úmidos, muito próximos dos lábios de Link.

O coração da princesa quase explodiu quando os lábios dele se encontram com os dela. Ele a beijou lentamente, delicadamente, tentando não assustá-la com suas intenções amorosas. A brisa suave soprava contra o casal, envolvendo-os carinhosamente, como se as Deusas estivessem esperado por aquele momento.

Zelda sentiu como se estivesse pegando fogo. Suavemente, ela retornou o beijo, se agarrando ainda mais à ele. Link a apertou ainda mais em seus braços, revelando seus sentimentos a ela, intensificando ainda mais o beijo.

Eles se beijaram por um longo tempo, mas para eles, havia sido rápido demais. A necessidade de respirar logo falou mais alto e eles foram forçados a se separar abruptamente para poder pegar um pouco de ar. Isso exigiu um grande esforço por parte de ambos, pois eles estavam tão profundamente envolvidos naquele beijo que eles não tinham vontade de se separar. Um pouco tonta, Zelda cambaleou e precisou se apoiar em uma árvore para se equilibrar. Link veio de encontro a ela e a envolveu novamente em seus braços, puxando-a para mais perto dele.

— Zelda... Eu... Eu te amo.... – ele sussurrou para ela, quase sem fôlego.

Aquelas palavras foram como música aos ouvidos dela. Zelda não conseguia acreditar que acabara de ouvir Link dizendo que a amava. Ela precisava ouvir aquilo de novo para ter certeza de que ela não estava enlouquecendo.

— Link... Diga...Diga isso outra vez... – ela murmurou, ainda um pouco sem ar.

Link aproximou os lábios de seus ouvidos, abraçando-a ainda mais apertado.

— Eu te amo, Zelda. – ele sussurrou, espalhando vários beijos pelo rosto dela. – Te amo muito...

Então, ela o beijou ternamente, mais uma vez. Link ficou inicialmente surpreso antes de beijá-la ainda mais intensamente do que antes.

O jovem casal permaneceu assim pelo resto da tarde, beijando-se e dizendo o quanto se amavam.

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Enquanto isso, no castelo, Rusl, o caçador havia levado para a rainha o coração de um javali selvagem. Ele afirmava que o coração, na verdade, era de Zelda.

Ele se ajoelhou diante do trono e devolveu a caixa dourada à Midna, que sorria perversamente, com satisfação.

— Muito bem, meu fiel caçador. – ela soltou uma risada maligna quando abriu a caixa e viu o coração que estava lá dentro. – Sabe... Graças a você, agora EU sou mais bela deste reino, novamente! – suas gargalhadas frenéticas se intensificaram cada vez mais. – Bom trabalho! Aqui está seu ouro, como o prometido.

Midna acenou para uns guardas, que trouxeram um saco enorme, cheio de moedas de ouro e o colocaram diante do caçador. Rusl olhou para o saco com um pouco de desdém.

— Não me orgulho do que fiz. – Ele respondeu com firmeza, tentando convencer a rainha de que ele realmente havia matado a princesa. – Eu não mereço esse ouro. Mas pelo bem de minha família, vou levá-lo.

Midna o encarou com um olhar zangado.

— Pegue esse ouro e suma da minha frente!!!!! – ela berrou cheia de ódio.

Assim que o caçador se retirou da sala do trono. Midna, com a caixa dourada em suas mãos, se dirigiu ao seu quarto, rindo perversamente.

Quando chegou em seus aposentos, ela se dirigiu ao Espelho do Crepúsculo rindo mais intensamente do que antes.

— Agora, meu querido Espelho Mágico... Diga-me! Quem é a mais bela agora?

O Espelho respondeu, com clareza:

— Tu, minha Rainha, és bela, disto não há dúvidas. Mas a jovem Zelda ainda é a mais bela de todas.

— Impossível! – Midna gritou, chocada. – Ela está morta! É um cadáver no chão da floresta! Os lobos e corvos devem estar devorando o corpo dela agora mesmo! Eu tenho a prova, veja! – ela disse, apontando a caixa dourada para o espelho. – Vê? É o coração dela!

O Espelho respondeu mais uma vez:

— Zelda ainda vive, e é a mais bela então. É o coração de um javali que está em vossas mãos.

— Coração de um javali???? – Midna berrou com fúria, sua alma ardia de ódio. – Então fui traída!!!! Maldito caçador! Eu devia ter suspeitado desde o início!!!! — Midna atirou a caixa contra a parede, furiosa. – Então terei que resolver as coisas por mim mesma!!!! Mostre-me onde Zelda está!

O Espelho refletiu em seu reflexo a imagem do vilarejo Kokiri. Ele mostrou como Zelda, perdida na floresta conseguiu encontrar o pequeno vilarejo e como havia sido bem recebida pelos seus moradores, as crianças Kokiri.

— Então, ela está na Floresta Kokiri.... – Midna riu perversamente. – Se ela pensa que ficará protegida para sempre, está MUITO enganada!!!! Hahahahaha! O Dia do Festival Sagrado dos Guardiões da Floresta logo chegará... Os Kokiri terão que partir.. Zelda não poderá ir com eles porque ela não é uma Kokiri e ficará sozinha no vilarejo... Será nesse dia em que eu irei atacar. E DESSA VEZ, não haverão falhas! Hahahahahaha!

As risadas malignas de Midna ecoaram por todo o castelo. Agora ela sabia onde Zelda estava e não descansaria até se livrar da jovem princesa.