The Legend of The Sky's Princess

11 Capítulo 11 – Visitando Lon Lon Ranch


Capítulo 11 – Visitando Lon Lon Ranch

Acordou cedo como costumava, embora ainda se sentisse com sono, o que não era normal. Ergueu-se, ficando sentada na cama. Talvez Link estivesse certo e ela devesse se preocupar, mas ainda pensava que seu cansaço extra se devia a todos os recentes acontecimentos e toda a agitação no castelo. Olhou para seu marido adormecido ao seu lado. O conhecia muito bem e sabia que a expressão em seu rosto era de preocupação. Navi era um assunto que eles evitavam. Nunca ter encontrado a amiga causava dor a Link desde que ele recuperara a memória. Raramente, quando Navi era lembrada ou citada em alguma conversa, ele ficava triste. Muitas vezes Zelda ouvira seus lamentos, mas não reclamava. Conhecia aquela dor, pois também perdera alguém amado poucos anos atrás. Seu pai, o rei, terminara sua vida devido à sua avançada idade, mas morrera feliz e satisfeito por Zelda ter ao seu lado alguém que amava e da confiança do rei e de Impa. Saber disso a deixava tranquila, mas Link jamais soubera do paradeiro da fada azul. Ela podia estar morta, podia até hoje estar perdida, aprisionada ou sofrendo em algum lugar, era isso que o afligia. Apesar de tantos anos se passarem, ele nunca perdera a esperança de que um dia reencontraria Navi.

Link acordou poucos minutos depois, e ainda de olhos fechados esticou a mão em busca da esposa, percebendo que ela não estava ali. Zelda riu e deslizou para debaixo das cobertas de novo, se aproximando e o envolvendo em seus braços.

– Estou aqui – sussurrou, beijando-o nos lábios e levando sua mão até a cabeça dele para acariciar o cabelo louro escuro bagunçado.

Por instantes ele a correspondeu, recusando se separar dela, até que terminou o beijo e a abraçou apertado, escondendo o rosto na curva de seu pescoço.

– Bom dia.

– Bom dia, querida.

– Link... Quer conversar...? Não acha que está muito mais do que na hora de pôr um ponto final nisso? Deve haver uma maneira de entrar naquela floresta sem se perder.

Ele se afastou, voltando para o travesseiro para poder encará-la.

– Quando eu deixei Términa... O Skull kid disse que eu tinha o mesmo cheiro da fada que o ensinou aquela canção. Mas não me disse que canção era. A fada com certeza era Navi. Eu voltei à superfície e a entrada de Términa desapareceu. Só tinha uma pedra no lugar. Se Navi estava ali eu deveria encontrar, mas eu procurei durante semanas, sem achar nem ela nem a saída. Minha memória começou a sumir enquanto eu vagava perdido naquela floresta, até que de alguma forma consegui sair e encontrei Ordon Village a certa distância da floresta.

– O Skull kid que habita Faron Woods sabe tocar Saria’s Song. A única fada que poderia ter-lhe ensinado isso é Navi. Não acha que esse Skull kid é o mesmo que você conheceu em Términa?

– Não sei... Eles são parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes. Eu e o Skull de Términa nos tornamos bons amigos no final de tudo. O outro só brincou de esconde-esconde comigo e mandou monstros pra cima de mim. Não acho que sejam o mesmo. Mas ele sabe a Saria’s song... Me pergunto se devo procura-lo.

– Link, quando meu pai se foi nós decidimos não subir ao trono imediatamente para nos tornarmos mais aptos a governar como rei e rainha. Ele mesmo concordou com isso antes de partir. Mas nosso tempo está correndo e logo teremos que cumprir com nosso dever. Quando isso acontecer, não será mais viável correr o risco de entrar naquela floresta, Hyrule precisará ainda mais de nós, e ainda temos Ganon, que pode aparecer a qualquer momento. Se quer procurar por Navi, acho de devemos fazê-lo rápido. Sabe que eu estarei com você aonde você for.

– Zel... Não é necessário que você também se arrisque.

– Eu sei lutar agora. Não é mais como dezessete anos atrás. Irei com você. Vamos ao rancho como tínhamos acertado, vamos deixar em ordem nosso estoque de poções e armas e vamos procurar o Skull kid.

– Mas... Se não acharmos o caminho de volta?

– Vamos procura-lo em Faron Woods... E fazê-lo dizer o que sabe de alguma forma. Deve haver um meio de atravessar aquele lugar sem se perder.

******

– Vão mesmo fazer isso?! – Impa lhes questionava preocupada – Arriscar os futuros rei e rainha de Hyrule...

– Impa, não quero me tornar um rei guardando um assunto inacabado como fiz a vida toda. Quando eu colocar aquela coroa, não quero ter nenhuma dúvida ou culpa guardada. Quero concentrar meu coração no reino e no povo.

– Impa, Ganon está por perto, escondido em algum lugar. Não temos nenhuma dúvida de que a qualquer momento ele nos atacará tentando tomar a triforce novamente e sabe-se lá mais o que. Quando o Skull kid aparece tão evidentemente em Faron é sinal de que alguma coisa errada vai acontecer. Se há dez anos Link se lembrasse do que viveu em Términa, talvez já a tivéssemos encontrado, mas não sabíamos de nada e o Skull kid sumiu ao final da batalha. Quando essa batalha acabar ele vai se esconder de novo, e perderemos nossa única pista – a princesa lhe disse.

A guardiã ficou em silêncio, refletindo sobre o que acabara de ouvir. Estavam no escritório do castelo, onde costumavam trabalhar nos assuntos do castelo e do reino. À altura em que se encontravam, podia-se ver os arredores pela janela. Os olhos de Impa se concentravam no caminho que levava à Faron.

– Você tem razão... E quanto aos outros três. Não acha que vão querer acompanhá-los? Deseja manter isso em segredo?

– Não quero mentir pra eles – ela disse.

– Com certeza vão querer participar disso. Não sei o que decidirão, mas não posso permitir que entrem naquela floresta estranha. Iremos procurar a criatura em Faron Woods.

– Impa, por favor... Não quero um monte de guardas...

Impa sabia o quanto a princesa detestava estar sendo seguida por um monte de guardas, desde criança era desse jeito. Ela não só preferia apenas Link e a própria Impa ao seu lado, como também se sentia muito mais segura apenas com eles dois do que com uma centena de guardas ao seu redor.

– Deixarei os guardas na entrada da floresta. Eu irei com vocês.

– Obrigada, Impa! – Ela agradeceu com um sorriso, lhe dando um grande abraço, ao qual a Sheikah retribuiu.

– Muito obrigado! – Link lhe disse sorrindo e curvando levemente a cabeça.

******

– Onde estão eles? – Zelda procurava Midna, Link* e Zelda* pelo castelo, até que ouvi altas risadas de Link* e os encontrou no estábulo, junto com Epona.

Midna e Zelda* estavam prestes a matar o garoto de cócegas. Ele ria e se contorcia no chão. Epona relinchou, como se também risse, contagiada pelas risadas dos outros três. A princesa riu, chamando a atenção deles, o que salvou Link*, que já quase chorava de tanto rir.

– Ele é tão parecido com Link que não resisto brincar com ele – Midna disse ainda rindo – Como será que ficaria como lobo? – Disse, olhando-o com um sorriso e estreitando os olhos.

– Nem vêm! – Ele disse, finalmente se recuperando e afastando-se para perto de Zelda*.

– Estou brincando – ela falou rindo novamente.

– Bom dia – disseram os três juntos à princesa.

– Bom dia – ela sorriu – Vamos ao Rancho agora. E há algo sobre o que precisamos conversar quando estivermos voltando.

– Algo a ver com Ganon? – Zelda* lhe perguntou.

– Não, ele não atacou ainda. Mas pretendemos descobrir sobre ele também em breve. Amanhã procuraremos alguém que poderá nos ajudar, mesmo que precisemos força-lo um pouco a isso.

– Quem seria? – A princesa do crepúsculo lhe perguntou – Sou especialista em persuadir os outros.

– Isso é a pura verdade! – Link disse, aparecendo de repente – Explicaremos na volta, vamos aproveitar a tranquilidade do Rancho. Sinto que essa paz não vai durar muito.

******

Momentos depois cavalgavam até o rancho. Midna se recusara a ir a cavalo, argumentando que não era necessário e foi o caminho inteiro escondendo-se na sombra de Link como fazia nos velhos tempos. Os dois Links usavam duas vestes verdes e carregavam o escudo e espadas. Apenas o Link* de Skyloft carregava a Master Sword, uma vez que a outra estava no templo do tempo. Chegando ao rancho foram recepcionados por uma jovem mulher ruiva, de pele clara e olhos azuis. Ela usava um vestido simples e um avental. Ao ver o grupo se aproximando do rancho, subiu em um caixote para tentar identifica-los e quando conseguiu abriu um sorriso. Fazia tempo que Link e a princesa não a visitavam. Ela não os culpava, sabia o quanto trabalhavam duro pelo reino. De repente sua mente ficou confusa. Estava vendo dobrado? Por que havia dois Links, um deles parecendo uma miniatura do outro? E uma menina parecida com Zelda?

– Ela está ali! – Link apontou, e direcionou Epona para dentro da área onde ficavam os cavalos, sendo seguido pelos demais.

Eles desmontaram dos cavalos e Epona ergueu-se nas patas traseiras, relinchou e disparou até Malon.

– Epona! Olá, amiga! – Ela a saudou abraçando a égua pelo pescoço, soltando um gritinho e rindo quando Epona a puxou de cima do caixote e virou-se na direção dos outros, colocando-a no chão.

Malon criara Epona desde seu nascimento no rancho, anos atrás, dando-a a Link como um presente quando Epona ainda era filhote e ela e Link crianças, uma vez que ele e a égua tinham uma forte conexão um com o outro.

– Link! — Ela correu para o amigo, dando-lhe um forte abraço e fazendo o mesmo com Zelda em seguida.

Quando se conheceram, ainda bem jovens, Malon sentia-se apreensiva estando diante da princesa, mesmo ela sendo tão amiga de Link, mas Zelda lhe deixara claro que tanta apreensão e formalidade eram algo desnecessário. Ser uma princesa não a tornava diferente das outras pessoas. Desde então, haviam se tornado grandes amigas.

– Faz tempo que não me visitam! – Ela pôs as mãos na cintura, olhando para o casal e fingindo estar zangada – Como vão as coisas? – Perguntou, agora com um sorriso – Há algo errado de novo não é? Estão até armados – Percebeu, vendo algo de errado no olhar dos dois.

– Nós não sabemos ao certo, Malon. Uma velha amiga teve problemas. O que ela disse nos fez decidir reforçar a segurança – Zelda lhe respondeu.

– Não fique com essa cara. Tudo bem se é algo que não podem me contar. Tenho certeza que seja o que for, Link conseguirá resolver. Sei que aconteceram coisas muito estranhas e quase sobrenaturais dez anos atrás. Todos aqueles monstros aparecendo aqui...

Malon vivia sozinha no rancho com seu velho pai. Sua irmã se casara havia tempos e morava em outro rancho agora. Ao longe, podiam ver Ingo, o homem rabugento que trabalhava no rancho desde que Link era criança, cuidando das vacas, e algumas garotas jovens em outros afazeres. Malon as contratara para ajuda-la, uma vez que sua irmã não estava presente e seu pai já tinha certa idade.

– Como está seu pai, Malon? – Link perguntou.

– Como sempre. Está mais velho, mas continua trabalhando o quanto pode, embora não tanto quanto antes. Ele apenas cuida das galinhas e me ajuda nas entregas de leite. Deve estar no galinheiro agora. Ei, não vão me apresentar seus amigos? – Ela pediu, se referindo a Link* e Zelda* — Por que eles são tão parecidos com vocês?!! Por que estão vestidos iguais?!

Os dois tentaram pensar rapidamente, até que Link inventou uma desculpa. Confiavam plenamente em Malon, mas seria muito complicado dizer a verdade.

– São parentes de um reino muito distante chamado Skyloft – Link começou – Fica num lugar bem alto, por isso sempre venta bastante e a vista do céu é maravilhosa – Link disse, lembrando-se do que haviam dito a Colin – Vieram nos visitar por uns tempos.

Com isso, Link* lembrou-se das ideias infinitamente fantasiosas sobre Skyloft do Goron que havia conhecido em Faron Woods durante sua busca por Zelda* e fez esforço para não rir, conseguindo se conter.

– Legal! Como se chamam?

– Eu sou Link*.

– Me chamo Zelda*.

A ruiva arregalou os olhos.

– São parentes mesmo! Pra serem tão parecidos... Tem até os mesmos nomes!

– Malon — Link a chamou – Há outra miga que queremos que conheça. Ela não pertence ao nosso povo e também veio de um reino distante. Ela é bem diferente de nós.

– Onde ela está? – Malon perguntou, curiosa.

– Estou aqui! – Midna apareceu sorrindo de repente, separando-se da sombra de Link, mas tendo o cuidado de fazer parecer que estivera escondida atrás dos quatro cavalos.

Malon deu um gritinho e afastou-se com o susto. Link tivera trabalho para convencer Midna a aparecer para Malon. Ela achava que a assustaria ou seria difícil lhe esconder certas coisas sobre Twilight, mas Link lhe prometera dar um jeito em tudo. O rancho era divertido demais para Midna visita-lo escondida.

– Você não é uma Hylian, nem zora, nem goron...

– Eu sou Midna, a princesa de Twilight. No nosso reino os habitantes são diferentes do humanos daqui.

– Twilight... A vista do crepúsculo lá deve ser maravilhosa... – ela deduziu, ainda abalada com a aparição repentina.

– Nem imagina o quanto. Link me disse que viria aqui e como o estou visitando, me disse que seria divertido eu vir junto.

Passado o choque, Malon os convidou para andar pelo rancho. Deixaram Epona e os outros cavalos ali mesmo. Epona estava se divertindo reencontrando velhos amigos de sua espécie. Cumprimentaram o pai de Malon ao passarem pelo galinheiro. Ele ficou feliz ao revê-los, ficando também surpreso ao conhecer os três novos visitantes. Saindo dali, Malon os levou até o estábulo das vacas, parecendo feliz ao ver que o chato do Ingo não estava mais por perto.

– O leite delas é muito bom e muito forte. Eu não sei o que está acontecendo, Link, mas se precisarem de energia, terão uma boa fonte.

Ela lhes deu algumas garrafas de leite. O leite do Rancho Lon Lon tinha quase tanto efeito quanto Stamina Potion. Sempre fora de grande ajuda para Link em batalha. Ainda passaram um bom tempo no rancho conversando com Malon enquanto ela lhes mostrava os outros lugares. Pouco antes do final da tarde, após Malon agradecer-lhes bastante pela visita e se despedirem dela, voltavam ao castelo.

– Amanhã nós vamos a Faron Woods – a princesa informou, e contou sobre a decisão tomada por ela e Link para tentar encontrar Navi.

– É claro que nós vamos! – Zelda* falou.

– Tem certeza...? Você tem boas habilidades pra lutar com as próprias mãos, mas nunca usou armas, não é? – Midna lhe perguntou enquanto caminhava escondida na sombra de Link mais uma vez.

– Eu a protegerei – Link* garantiu – Quanto a isso não há problema. Zelda tem bons ouvidos, ela rapidamente poderá ouvir a risada do Skull kid, mesmo que esteja bem longe.

Zelda* corou, e abriu um leve sorriso ao ouvir as palavras dele.

– Não precisamos nos alarmar tanto ainda. Só vamos procurar o Skull kid. Se ele atacar alguém, vai ser eu – Link advertiu – Impa também vai com a gente.

A decisão estava tomada. Agora talvez tivesse uma chance de reencontrar sua amiga e rever os amigos da floresta depois de muitos anos. E por mínima que fosse essa chance, Link se agarraria a ela.