The Legend of Anorle
3 • The mission begins •
Notas iniciais
O sol raiava pela torre do palácio de Drohat, iluminava tudo e todos que estavam dentro do perímetro, o telhado das casinhas já estavam com aquela coloração solar, as ruas de paralelepípedos esquentavam-se e as árvores recebiam a luz do sol fortemente. Os pássaros saiam de seus ninhos e voavam pelas florestas, sobrevoam a cidade e iam buscar alimentos nos arredores. As raposas, tatus e lebres saiam de suas tocas e começavam a vagar por entre as árvores que agora balançava com o vento frio. O inverno chegaria até no dia seguinte.
Anorle estava deitado em sua cama confortável, os olhos já estavam abertos e sentia-se morto. Pensara seriamente quanto ao que o espírito disse na noite passado, claro que o elfo desprezava o diálogo do espírito com ele, sabia que não era maldição nenhuma e sentia ódio pelo que um dos reinantes de Drohat disse. Via pela janela as folhas das árvores esvoaçarem, olhava os abutres que passavam ao longo céu. Levantou-se, a tal expedição para a missão começaria em breve e mesmo não querendo ir, era obrigado.
O elfo vestiu uma das túnicas de seu pai, guardara desde anos no seu guarda-roupa e poucas vezes usava para treinar com sua preceptora. Não era das mais velhas, a parte interior era revestida por uma seda confortável, do lado de fora era uma capa dura como pedra. Tinha o elmo que protegia apenas a cabeça, o rosto ficava de fora para facilitar a respiração e a visão. Nas botas tinha uma espora como galo, feito de aço. Vestiu-a, sentiu um pouco desconfortável mas logo se acostumava.
Arrumou suas roupas e colocou todas dentro de uma trouxa azul e listrada de preto, usou um cabo de vassoura para apoiar no ombro. Desceu as escadas e abordou Shanza que caminhava para a cozinha.
— Estás a parecer com seu pai. — Disse a elfa pegando na mão do filho e levando-o para a cozinha formidável.
Shanza colocou na mesa um recipiente cheio de biscoitos, queijo, uvas, maçãs, mangas e por fim um grande copo de barro cheio de suco de limão (o qual Anorle adorava). O elfo bebeu um pouco do suco e fatiou o queijo, mordiscou e depois engoliu.
— Decepcionado estou com os espíritos. Como ousam dizer que meu dom é uma maldição? — Estava enfurecido pela noite anterior. Comeu duas uvas e então bebeu mais um gole de suco de limão.
Shanza fechou os olhos pensativa, abriu-os e então dialogou com o elfo.
— Antigamente os espíritos acreditavam naqueles que estudavam a natureza, aqueles que tinham respeito por isso e tinha sabedoria em mente. — Shanza disse bebendo um pouco do suco. — Essas pessoas então determinava aquilo que eles estudavam, o resultado do estudo era comprovado e então divulgado. Os espíritos, tolos, acreditavam naquilo tudo.
Anorle comeu um biscoito e depois duas uvas, bebeu do suco de limão que sua mãe havia preparado. Shanza sempre colhia limões nos arredores de Drohat, buscava os com melhores qualidades, na verdade era difícil encontrar frutos podres pela cidade.
— O avô de seu avô de seu avô de seu avô encontrou-se com uma bruxa e a mesma enfeitiçara-o. Mas o feitiço não era para dar um dom e sim uma maldição. A bruxa tinha intenção de trocar de corpo e alma com ele, mas então ele herdou o "poder" que a bruxa tinha, a capacidade de perceber, essas sensações que vossa pessoa tem. — Shanza parou e bebeu mais um pouco do suco. — Os estudiosos então estudaram a respeito desde quando souberam que ele tinha esse "poder", simplesmente ficaram sabendo da história e divulgou que aquele homem seria uma ameaça, se tivesse filhos os filhos iriam herdar e assim por diante. Vossa geração, meu filho, vem tendo esse dom. Os espíritos acreditaram nessa baboseira e hoje vê isso como maldição, e muitos também veem.
Anorle entendeu perfeitamente, a história foi longa e assim pensou que não poderiam julgá-lo pelo dom que tinha (os que acreditavam que era amaldiçoado).
— Eis que me escolheram pelo dom, não pelo esforço ou alguma outra característica de minha pessoa. — Disse Anorle entristecido. — Dai chá ao vizinho, o pobre coitado anda nos bisbilhotando novamente. — Disse o elfo sorrindo.
Shanza pegou um copo de chá, foi até a janela onde tinha vista para o quintal de um humano, era comprido e tinha um cavanhaque preto que combinava com seu couro cabeludo. Deu-lhe um pouco e o homem satisfeito retornou à elfa com um sorriso.
— Seus chás são formidáveis, senhora. — Disse o humano com sua espada enfiada na cintura. — Quem dera eu tivesse alguém como a senhora dentro de casa, fico louco com o cheiro de suas comidas. — O humano entregou a xícara e então foi-se para dentro da morada, que era feita de madeira e um gramado como telhado. Na verdade a gram ajudava-o, pois quando chovia ele poderia extrair água limpa e deliciosa.
Shanza voltou para a mesa da cozinha, seu filho ainda esperava a resposta.
— Às vezes esperamos elogios das pessoas, mas elas chegam da maneira errada de como pensávamos. Eis que fora escolhido pelo dom, ajudar será sua tarefa em vossa missão. — A mãe do elfo abriu um sorriso. — Estarás aqui o quanto antes, esqueceis que não tens casas, esqueceis que não tens uma mãe, e esqueceis que não tens vida. Tratar vossa viagem como sua própria vida de caçador, lembrando que não tem dia para voltar à casa, pois lá não terás ninguém te esperando. — Shanza disse e então o elfo se levantou. — Quanto menos esperar para voltar, mais difícil e árdua será tua missão.
Anorle abraçou sua mãe tão forte como um abraço de urso. Beijou-a no rosto com doçura e delicadeza.
— Voltarei para vossa pessoa, mãe. Esperai-me... — E então Anorle saiu pela porta carregando seu arco e aljava cheia de flechas, e sua trouxa de roupas.
O vento frio batia contra o rosto de Anorle enquanto ele cruzava a rua Grabaktor, onde tinha grandes casas feito de gelo, e assim lá morava as fadas invernais. Seu corpo estava quente devido à túnica, e não tão quente a fim de torrá-lo. O elfo passou pela última rua, chamada Sydicon, e então notou a presença dos outros quatro companheiros. O elfo nunca havia saído de Drohat, ele simplesmente vagava perto dos muros, mas viu uma bela paisagem de floresta do lado de fora, quando trabalhava de vigília. Eram muros altos feitos de rochas, na entrada tinha um portão em grades de aço, e no fundo as árvores balançavam fortemente com o vento, havia uma extensa e estreita fileira de terra molhada, que lavava-os além de Drohat.
Havia duas torres, cada qual ao lado do portão em grades. Lembrou-se de quando vigília e ficava fitando tudo que passava pelo portão, exceto quando deixou o bando selvagem de javalis entrar na cidade, os bardos tiveram de tocar uma música que dava um extremo sono em animais. Adormeceram e as fadas usaram suas magias para levitá-los até a floresta, numa orla com várias tocas e lebres.
— Prontos? — Perguntou o anão que limpava seus óculos redondos. Carregava consigo uma trouxa não tão grande, era vermelha com bolinhas alaranjadas. Usava uma roupa de couro cinza e carregava consigo algumas facas de bronze e uma lança do seu tamanho.
— Por mim tá tudo bem. Se quiserem partir. — Disse o ogro grande e com seus chifres enfeitados com uma fita branca em cada um. Usava um escudo de aço e uma espada totalmente enferrujada, porém era grandiosa em batalha. Sua túnica parecia ser a mais resistente do grupo, era toda encapada com um couro forte de urso, tinha pelos em algumas partes e ele usava um elmo que tapava todo seu resto, exceto os chifres.
— Deixais-me terminar minha trouxa. — A elfa dizia com seu cabelo rosa esvoaçando com o vento gélido. Tinha uma túnica linda de cor anil, na cintura havia uma bolsa de couro cheia de acessórios, era uma barda e carregava sua flauta na cinta. Usava uma tiara na cabeça, a mesma com a qual suava no palácio noite passada.
— Nasci pronto, senhores e senhoritas. — O humano não era dos grandes, deveria ter a mesma idade que Anorle. Usava uma espada ótima e longa, afiada e com desenhos de dragões. Sua túnica era resistente, feita com o couro de tatus. Usava um elmo pequeno que tapava o rosto.
— Iremos então. — Disse Anorle, com seu jeito sério. Observava Laak, a elfa, seu cabela era hipnotizante.
Então todo o grupo atravessou o portão de aço de Drohat, cada um via as árvores na frente e a trilha. E ao longe, bem longe duas estátuas de dois espíritos feito de madeira. Anorle inquietou-se e indagou ao anão que era prezado pela inteligência e conhecimento.
— Quem ser eles? — Disse Anorle vendo a silhueta.
— Dos'mak e Ne'Zolsy, os dois espíritos primordiais de Drohat. Bem, eles na verdade são os dois verdadeiros reinantes da cidade. Os outros dois espíritos chegaram mais tarde, quando foram convocados para ajudar. — Pofotta disse com um ar entusiasmado.
Caminharam bastante, o elfo não tirava o olho de Laak e então tornava a olhar para frente quando a elfa o encarava. As estátuas se aproximavam, o vento assobiava pela trilha e então avistaram uma paisagem que ambos jamais viam, era tão linda que Anorle ajoelhou-se e desejou encarar aquela vista para sempre.
— Vossas pessoas não podem cair nessa ilusão, olhaste acima... — Disse a elfa empunhando sua flauta.
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