The Last of Us
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Após alguns dias de viagem, o pequeno batalhão espanhol recrutado para a proteção da cura italiana estava se aproximando do território designado. O micro pelotão era composto de 3 soldados, 2 tenentes e o capitão eleito para aquela missão, sendo este Antonio.
Os homens viajaram por dias na caçamba de um caminhão militar. Durante a viagem inteira, Antonio apenas olhava fixo para os arredores por onde passava. Da última vez que o espanhol esteve na região que antigamente se conhecia por Itália, ele esteve em Roma e Veneza, as cidades mais bonitas da Itália. O moreno lembrava-se de como tudo era tão lindo naquela época, e ver o território reduzido à isso era uma sensação ruim, muito ruim. Em sua travessia até onde se encontrava a cidade de Roma, o pequeno batalhão encontrou alguns infectados, não que tenha sido um problema, todos os soldados estavam equipados com armas e munições suficientes para combatê-los.
Algumas memórias começaram a invadir a mente de Antonio, memórias de seu tempo como verdadeiro militar, quando foi chamado para servir em uma guerra real, e não apenas ficar de bobeira no quartel. Havia ocorrido há alguns anos. Um enorme poço de petróleo havia sido encontrado na fronteira da França e Bélgica. Tendo a maioria dos países com sua economia estável e com outras problemáticas a serem resolvidas (como o possível surgimento se um vírus letal para a humanidade), as demais nações não se preocuparam muito com o petróleo encontrado, diferentemente dos franceses e belgas. Os belgas tendo como aliados o exército alemão e suíço, e os franceses o exército português e espanhol, uma iminente guerra foi travada. Tanto Antonio quanto seu irmão foram chamados à serviço do país para servir nesta guerra, lado a lado. Tudo o que Antonio se lembra sobre esta batalha é apenas que o batalhão no qual ele, seu irmão e seu melhor amigo (além de Gilbert) estavam foi dizimado pelo exército alemão. Francis, o francês amigo de Antonio, conseguiu por pouco escapar com vida, assim como o próprio espanhol, mas não antes de ver seu irmão morrer na sua frente nas mãos de um comandante alemão. Mesmo assim, eles haviam perdido a batalha, mas ganharam a guerra, por parte por causa de Antonio, mas esta era uma história na qual ele não queria pensar. A próxima memória que vinha na cabeça do moreno era de sua mãe chorando pela morte do irmão ao receber as notícias dos militares.
Antonio balançou sua cabeça afim de afastar tais memórias. Não era hora de pensar nisso. Finalmente, o caminhão estacionou em frente a um edifício de poucos andares, porém de enorme porte. Assim como o resto da cidade, o edifício estava detonado. O batalhão adentrou devagar o recinto no receio de haver algum infectado por ali. A cada passo, o chão rangia alto, o papel de parede parecia apodrecer mais a cada segundo, haviam móveis e vidros quebrados pelo chão. O lugar definitivamente não se parecia com um abrigo, mas foi o recinto onde o batalhão foi designado a ir.
Subindo a escada na frente ia o tenente, logo atrás os 3 soldados e o outro tenente, por último vinha Antonio, que olhava ao seu redor com muita cautela. Finalmente, o pelotão chegou ao quarto informado. Um dos homens deu uma batida um tanto singular. Talvez fosse algo combinado para saber que eram reforços e não inimigos, pensou Antonio. Um homem alto com cabelos castanhos e cacheados abriu a porta. O homem aparentava ser mais velho, porém em boa forma.
"Oh, ainda bem que vocês chegaram! Há tempos não saímos deste quarto devido àquelas aberrações." Disse o homem.
"Não são aberrações." Uma voz um pouco mais atrás surgiu. "São humanos que foram infectados, apenas isso." Continuou o espanhol. Antonio não olhara nos olhos do homem enquanto falava, continuava a estudar seus arredores. O homem sorriu de canto com a reação do moreno, parece que havia um soldado interessante.
"E você, quem seria, meu jovem ?" O homem perguntou se aproximando de Antonio enquanto os outros militares adentravam o quarto, inspecionando-o.
"Antonio." O espanhol devagar atendeu ao aperto de mão do homem. "Antonio Fernandez Carriedo."
"Carriedo ?! O famoso soldado espanhol, o herói da batalha de Menen ?!" O homem dizia surpreso.
"Apenas..." Antonio desviou seu olhar ao falar e continuou. "Apenas Antonio.." O homem percebera que tal assunto parecia não agradar o moreno, então resolveu deixar de lado.
"Bem, agradeço pelo apoio que vocês estão nos dando. Sem vocês, estaríamos perdidos!" O homem sorriu, causando um pequeno sorriso por parte do espanhol ao adentrar o recinto.
Aparentava ser um quarto comum. Havia camas, alguns móveis como cômodas e armários, nada muito sofisticado, porém ainda decente. Em uma das camas, estavam dois garotos muito semelhantes, poderiam ser até gêmeos. Um deles estava sorridente, parecia animado com a presença dos militares ali, ele possuía cabelos de cor castanho claro e seus olhos estavam fechados, impossibilitando Antonio de ver a cor dos olhos do menino. Ao lado dele, havia um rapaz quase idêntico ao anterior. As únicas divergências baseavam-se na cor dos cabelos do menino, que possuíam um tom de castanho mais escuros como do homem que havia os recebido, os olhos do rapaz que encontravam-se abertos revelando sua cor amarela em um tom de mel e a expressão usada pelo rapaz, que parecia receoso ou aflito com a presença dos militares.
"Onde ele está ? A cura." Um dos tenentes disse olhando para o homem.
"Bem aqui." Ele se aproximou dos rapazes, ficando ao lado do menino de cabelos mais escuros com uma expressão assustada porém um tanto indiferente.
"Esse pirralho é a cura para a humanidade ?" Sussurrou um dos soldados para o outro. O espanhol revirou os olhos e voltou a prestar atenção no homem, se aproximando do rapaz.
"A mordida." Disse Antonio.
"Como ?" Respondeu o homem, meio confuso.
"A mordida do infectado. Eu quero ver. Prove que ele realmente sobreviveu à infecção do EQ-6."
O garoto pareceu aflito por um instante, enquanto o homem mais uma vez sorria de canto. Definitivamente, aquele soldado não era qualquer um, pensou o homem antes de segurar o garoto pela camiseta e levantá-la, revelando a marca de uma mordida de um infectado na barriga do rapaz. A mordida ainda estava vermelha, porém muito melhor do que uma mordida de um infectado aparentaria após o período de tempo que o rapaz já havia sofrido.
"Isso não prova nada. Pode ser a mordida de qualquer animal, não necessariamente um infectado." Disse o outro tenente.
"Que benefício me traria forjar este caso ?" O homem levantou um pouco a voz para o tenente.
"Proteção militar, é claro!" Afirmou o tenente, batendo o pé no chão fazendo-o ranger.
"E colocar em perigo a vida do meu neto, tenente ?!" O homem parecia nervoso com a atitude arrogante do tenente.
"É a mordida de um infectado." Uma voz interrompeu a briga entre os dois homens. "Não há erro. Apenas uma mandíbula humana poderia causar essa marca com muita força. A reação do corpo dele também não seria a mesma se fosse uma mandíbula comum, mas sim uma com saliva infectada, o que causou apenas a irritação da pele dele, e não a infecção total. Provavelmente, o organismo dele tem capacidade de produzir anticorpos imunes ao vírus EQ-6, se este for o caso, ele deve ser estudado para resultar em uma cura." Continuou o tenente principal.
"Estamos em uma missão séria que pode resultar em um bem maior: a salvação da humanidade." Foi a vez de Antonio se pronunciar. "Em vez de agirmos de maneira mesquinha e arrogante com brigas desnecessárias, vamos focar em nossos objetivos e valorizar nossas vidas." Terminou o espanhol, causando o tenente auxiliar a revirar os olhos e o outro homem a sorrir mais uma vez.
"Heh, você é um rapaz interessante. Antonio, não é ?" O homem perguntou e o rapaz assentiu.
"Já que parece interessado no caso, Carriedo, você será responsável por levar o garoto para o laboratório alemão." Disse o tenente auxiliar ainda meio nervoso pela briga.
"O QUE ?!" Foi a reação de todos na sala, menos de Antonio e do homem de cabelos castanhos. Antonio apenas assentiu novamente em compreensão, aceitando sua missão. "Não podemos arriscar perder muitos soldados na situação atual, e o rapaz parece interessado no caso." Continuou o tenente.
"Eu compreendo, senhor, e aceito minha missão." Foram as únicas palavras do espanhol antes de se retirar do quarto, indo para uma varanda ali perto.
Antonio curvou-se sob uma grade de concreto da pequena varanda, olhando o que havia restado da cidade. Em sua cabeça havia muitos pensamentos, mas principalmente, Antonio se perguntava o porquê de seu coração estar batendo tão rápido desde o momento em que seus olhos pousaram no rapaz de cabelos mais escuros e olhos amarelos brilhantes até agora. Suas mãos também estavam suadas e ele se sentia mais avoado do que o comum, tal que não notou a presença de alguém até uma voz acordá-lo de seus pensamentos.
"Está alto, não está ?" Perguntou mais uma vez o homem de cabelos castanhos para o espanhol, que curvou suas sobrancelhas em um olhar de dúvida. "As batidas." O homem especificou. "Dizem que quando as batidas ficam altas assim, significa que o cúpido já está fazendo seu trabalho." Disse ele, rindo levemente do pequeno feixe vermelho que encontrava-se nas bochechas de Antonio ao ouvir suas palavras. O homem de cabelos castanhos deixou a varanda ainda rindo de leve, abandonando Antonio para emergir em seus pensamentos.
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