The Last Year.
1 01- Maria Joaquina.

01- Maria Joaquina.
Primeiro dia de aula, estou muito brava com meu pai, ele me mandou de volta para o Brasil, para a maldita escola Mundial. Para as mesmas pessoas chatas e insignificantes que antes eu chamava de amigos.
Ainda não entendo como eu fui estúpida ao ponto de deixar eles serem os meus amigos, eles não tem nada a ver comigo, nunca tiveram. Eram sem classe e etiqueta, sem nenhum senso de moda e cultura. Depois que eu fui embora, eu percebi que eu nunca realmente gostei de nenhum deles.
Paris era o meu verdadeiro lar, assim como Madeleine e Claire eram minhas verdadeiras amigas. Com elas eu me sentia bem, sentia falta de passar o tempo com elas, e estou com muita falta delas nesse momento. Com elas que eu fazia compras, viaja, ia a festas e conhecia os melhores garotos.
Suspirei, talvez a escola Mundial não seja tão ruim, se eu tiver sorte aquele povinho idiota nem estuda mais lá.
-Maria Joaquina, venha tomar café, se não vai se atrasar. -Revirei os olhos -Já vou, pai.
Parei em frente ao espelho, eu não mudei tanto. Os mesmo olhos azuis esverdeados, o mesmo cabelo castanho lisos e naturais, a mesma pele clara.
Ela desceu as escadas lentamente, sorriu para o pai que estavam tomando café na mesa enorme cheia de gostosuras.
-Então, está ansiosa pelo primeiro dia?
-Um pouco, você sabe, não fico muito nervosa com essas coisas. -Ela disse dando um gole no leite.
-Certo, e quer reencontrar seus velhos amigos? Como chamava aquele clubinho de que vocês eram? Patrulha Curadora?
-Salvadora. Patrulha Salvadora.
Eu disse rindo, meu pai começou a rir junto comigo. Ele se levantou e disse que iria me levar até a escola, já que era caminho do trabalho dele. Assenti, me levantei, peguei minha mochila rosa e saímos.
Passei o caminho todo ouvindo música no meu Iphone, meu pai dirigia concentrado. Desde que mãe morreu, alias esse foi o motivo de eu ter ido pra França, ele vivia quieto, ás vezes dava risada, como hoje cedo, mas ele nunca mais foi o mesmo cara gentil e engraçado.
Quando soube que minha mãe tinha morrido num acidente de barco, meu mundo desabou, eu perdi todas as minhas forças, minha coragem. Era como se não tivesse sentido continuar vivendo, mas quando vi meu pai assim eu quis viver. Não podia deixar ele sozinho, não podia.
-Chegamos, princesa.
Fui absorvida dos meus pensamentos pela voz do meu pai, olhei para a estrutura da escola que continuava incrivelmente e assustadoramente amarela, o mesmo sol brilhante gritava e fazia seu olhos querem se fechar.
-Meio infantil, não acha? Alias, eu nem sabia que tinha Ensino Médio aqui.
-Na verdade, não tinha até ano passado.
-Ótimo.
Eu disse com uma falsa alegria, meu nível de sarcasmo aumentou muito esses anos.
-Vai ser legal, querida. O Ensino Médio fica no 3º andar.
Abri a porta do carro e deu um tchau pro meu pai que me desejou boa sorte, ele deu partida no carro. Me virei e encarei novamente o prédio. Que a aventura comece!
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