Cheguei mais cedo no Beak's aquele dia. Estávamos no final da primavera e um sol tímido aparecia através das nuvens pesadas.

Trabalhar no café do meu pai era algo que eu gostava. Eu tinha meus 21 anos e não existia nenhum lugar melhor do que aquele café na Dayton Street. Percorri a calçada até os fundos do café. Encaixei a chave certa e entrei rapidamente deparando-me com o estoque.

Tinha 15 minutos até abrirmos, o que dava tempo de ligar as luzes, colocar meu avental — azul marinho, bordado em branco: 'Beak's Café' — e organizar as mesas desalinhadas. Abri as persianas horizontais fazendo com que um pouco de luz do sol — agora mais forte — penetrasse no hall de entrada, o que deixou o lugar mais aconchegante. Virei a plaquinha de 'OPEN' na porta da frente e retornei ao balcão de mármore.

Seth chegou ofegante logo que liguei a cafeteira. Apoiou-se na bancada pegando seu avental igual ao meu, porem um pouco mais desgastado, e o vestiu rapidamente.

- Declan — meu nome saiu num folego só.

- Atrasado de novo Seth? respondi

- Foi mal cara, é a última vez — disse ele, agora um pouco menos corado e agitado.

Meu pai e eu gostava de Seth, e eu também. Minha vida inteira em Wilmington tinha a participação dele. Ele não tinha condições de vida muito boa, sendo inúmeras as vezes em que meu pai o convidara para morar conosco. Ele morava duas quadras após a minha, na Denis Street. Sua mãe trabalhava em dois períodos e mesmo assim tinha muita dificuldade em arcar com as despesas da casa, por esse motivo Seth trabalhava conosco.

Os primeiros clientes chegaram 10 minutos depois de abrirmos o café. O lugar era pequeno, eu e Seth dávamos conta do turno da manhã sem nenhum problema. Nos organizavamos bem a medida que chegava mais pessoas.

As 10 horas da manhã o movimento já tinha reduzido pela metade, meu pai chegou logo depois disso.

- Olá rapazes! — disse ele nos fitando

- Bom dia Sr. Weedon — respondeu Seth na formalidade em que sempre tratava meu pai.

- Anos e anos e ainda me chama assim, Seth? Já disse que meu nome é John.

-Desculpe Sr. Wee... John — o nome do meu pai saiu meio forçado.

- Como andam as coisas hoje Declan?

- Tudo tranquilo, pai — respondi com sinceridade.

Meu pai dirigiu-se ao escritório, enquanto Seth e eu organizávamos algumas cadeiras e lavava um quantidade pequena de louça na pia.

Havia passado horas enquanto estávamos ali trabalhando e quase já era hora de fechar. Meu pai já havia saído do café — na verdade eu o administrava a maior parte do tempo, e ele só se preocupava se tudo estava correndo bem.

Certifiquei de deixar tudo organizado para o dia seguinte. Seth também tinha ido embora a minutos atras. Me dirigi a porta da frente, caia uma chuva fina la fora. Virei a placa da porta no sentido contrário avisando a todos que estávamos fechados.

Virei de costas determinado a tirar o avental e fechar a caixa registradora. Tudo parecia normal, até escutar um barulho de batidas na porta.

Do lado de fora uma garota, molhada da chuva grossa que agora caia la fora, ignorando o aviso da porta.

Ela tinha o rosto pequenos nas proporções ideais, a pele clara com algumas gotas de chuva tinha um brilho sutilmente dourado. Seu cabelo loiro e comprido já estava um pouco úmido e seus olhos eram de um azul que eu nunca tinha visto. Era o tipo de garota que você não via no litoral de Wilmington

- Por Favor! — li seus lábios através do vidro da porta. Estávamos fechados, mas resolvi abrir uma exceção, ela era perfeita, incrivelmente linda.

- Deixe-me entrar, por favor? — gritou ela la de fora vendo que eu tinha parado alguns segundos para observá-la.

- Um minuto! — avisei fazendo sinais com a mão no ar

Deixei o avental sobre a cadeira e fui de encontro a porta, cambaleando um pouco. Abri a porta e deixei que a garota entrasse ali no café.

- Me desculpe — disse ela, com os lábios um pouco arroxeados do frio que agora sentia.

- Não se preocupe, eu ainda estava aqui. Posso te oferecer um café? — perguntei examinando seu corpo molhado

- Eu adoraria! Um Capuccino por favor. — pediu ela.

Preparei lentamente sua bebida, fazendo com que ficasse perfeito.

- Então, pelo seu sotaque você não é daqui, é? — estava de costas para ela quando fiz a pergunta.

- Não não, Canadá!

- Veio visitar alguém aqui? — não sabia se já estávamos tão íntimos para fazer essa pergunta. Corei.

- Na verdade... Não conheço ninguém aqui. Minha mãe e eu chegamos do aeroporto pela manhã e decidi andar aqui pelo centro.

- Então você avistou o café! — disse entregando seu Capuccino e dois cookies de chocolate. Estava disposto a pagar por aquilo.

- Sim! Obrigado — ela sorriu, deu um sopro leve sobre a espuma do Capuccino e deu um gole anida meio quente.

-A propósito, me chamo Declan — disse estendendo a mão, não queria tratá-la como um cara, falhei.

-Mary — respondeu estendendo a mão para mim, arrumando uma mecha de cabelo atrás da orelha e corando levemente.

Notas finais
Bom galera, minha primeira fic, não me julguem hahaha
Espero que gostem, por favor comentem e recomendem!
Não vou decepcioná-los!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.