The Last Song
4 Eu só sei que não quero vê-lo nunca mais
Notas iniciais
Pov's Annabeth
Acordei alguns minutos depois de ter cochilado. Já havia escurecido. Quem nunca viu uma praia a noite, com o céu estrelado não sabe o que é se hipnotizar. Eu amava a sensação de ser apenas eu e a natureza, como eu estava tendo agora.
Olhei pro lado sem me lembrar que o Cabeça De Alga havia dormido ali comigo. Percy me observava atentamente o que me fez corar. 'Será que ele havia me visto dormindo?' isso era perturbador.
–Ainda está aí? — Murmurei.
–Sim, infelizmente não tenho mais nada pra fazer. — Deu de ombros.
–Por que não arranja coisa melhor? Eu tenho certeza que você consegue! — Gritei — Eu só quero que você me deixe em paz.
Ele estava começando a despertar sentimentos novos em mim, esses que eu não gostaria de sentir.
–Qual é Annie? Você gosta de peixinhos, luta pra defender tartaruguinhas inocentes. Esse jeito de durona não convence. — Lancei pra ele o meu melhor olhar intimidador, que pareceu não funcionar.
–Por que você está tão interessado na minha vida?
–Talvez porque, em todo esse tempo 'juntos', a única coisa pela qual falamos é sobre mim. É, está na hora de eu ouvir você. — Afirmou.
–Não falamos nada sobre você Percy, eu nem te conheço! — Desviei meu olhar até o céu, repleto de estrelas. E, apesar de eu saber que aquelas coisas brilhantes são apenas meteóros a centenas de quilômetros da Terra, elas ainda eram muito mágicas e especiais pra mim.
–É claro que você me conhece. — Ele pareceu pensativo — Veja bem, nos vimos pela primeira vez na praia, e eu tinha acabado de...
–Sei lá... jogar uma partida de Volleyboll?
–Isso! Então você sabe que eu gosto de praticar esse esporte. A segunda vez que nos vimos foi... nessa praia.
–Então você gosta de praia. — Conclui.
–Na verdade não, eu tinha vindo aqui só pra ver as tartarugas mesmo. — Ele deu de ombros. Olhei pra ele com uma falsa cara indignada.
–O que foi? — Bati de leve em seu ombro.
–Seu idiota, você me enganou! — Ambos sorrimos.
–Bem está aí, você já sabe três coisas sobre mim. — Ele mudou sua visão de rumo, agora encarando o mar. — Precisa de mais alguma coisa? Eu acho que não.
–Sua família?
–É complicado. Tenho uma irmã, um pai e uma mãe.
–Não vejo complicação. — Respondi. — Eu tenho um irmão, uma mãe, um padrasto, e um pai. — Suspirei — Meu pai e eu não temos um relacionamento muito bom desde que ele resolveu largar a gente.
–Largar? Como assim?
–Bem, nós éramos felizes. Não tão perfeitos, ou incríveis como geralmente são mostradas as famílias na Tv, mas digamos que sabíamos nos suportar. — Nós dois deixamos escapar uma risadinha. — Mas... um dia o meu pai resolveu que queria vir pra cá. Ele era professor de música, e vivia fazendo turnês. Quando eu era criança eu não entendia o porque de ele querer simplesmente abandonar tudo e vir pra cá, mas acho que agora eu posso compreender tudo.
–E quais foram as suas conclusões à respeito? — Indagou-me.
–Acho que em um dos seus recitais de piano, ele pode ter traído a minha mãe, não sei. — Dei de ombros. — E ela querendo nos proteger, o mandou ir em bora. Sabe, eu acho minha mãe uma mulher incrível. — Comentei.
–Se a história rolou como você diz, ela realmente é uma mulher incrível. E o seu padrasto, como ele é?
–Poseidon é um cara fantástico! Mas... eu não gosto dele. Eu o vejo como um... tipo de ameaça, sabe? Poseidon Jackson, é o seu nome. — Respirei fundo. Me virei para o lado e encontrei Percy com os olhos arregalados.
–A sua mãe por acaso é... Atena Chase? Espera, o seu nome é Annabeth Chase não é mesmo? — O encarei meio óbvia, com a maior cara de 'sério que você foi descobrir isso só agora?'
–Claro, eu te disse isso hoje! Antes de ser levada até o Aquário, e tomar um banho alternativo e totalmente contra a minha vontade. — Sorri me lembrando de mais cedo.
–Não, é que... Poseidon é meu pai. — Eu acho que eu parei de respirar. — Ele foi em bora à alguns anos, e só mandava algumas cartas pra mim, explicando como a sua vida estava. Ele sempre me dizia que estava casado, com uma mulher linda e que o fazia feliz, em Nova York. Como eu sou burro, eu devia ter desconfiado!
–Que belo pai — Irônizei -, largou o filho com a mãe aqui na primeira oportunidade. E nem nos disse que tinha uma família do outro lado do país! -Só quando notei o olhar triste do Cabeça De Alga foi que eu percebi o que havia dito. — Hã... Percy me desculpa, eu...
–Não, tudo bem! Apesar de tudo, você está certa. Isso tudo é verdade. — Ele parecia se controlar para não chorar. Me odiei por pensar isso. — Como o meu pai está? Tipo... o físico?
–Francamente ele é bem bonito. Olhos verdes, porte atlético... é, eu diria que dá pro gasto. — Ambos sorrimos. Era tão bom vê-lo sorrir. Seus olhos verdes e sua pele branca, me fazia estremecer. 'Por que tão lindo?'
Após mais algumas horas jogando conversa fora e sorrindo, acabamos pegando no sono. Só acordei quando senti minha pele toda assada por conta do sol, e de uns cochichos que viam da minha esquerda.
–'Bom dia, soldado!' — Sussurrava Matt para Percy. Ele estava deitado na areia como os militares, carregando duas vasilhas de plástico com tampas as cobrindo. -'Eu vim aqui com a ração de vocês. Mas, ela é vegetariana, então se eu fosse você, eu preferiria comer areia.' — Brincou.
Logo ele voltou pra casa, rastejando também.-Pelo visto seu pai passou a noite toda nos observando. — Comentou o Cabeça De Alga. Olhei para trás, onde vi meu pai com um binóculos escuro como os dos espiões.
'Ah, mas Matt e Frederick me pagam', pensei.
–Bom, eu tenho que ir. — Percy cortou o silêncio, se levantando.-Vai pro Aquário?-Na verdade eu tenho outras ocupações. — Como uma namorada, minha mente logo formulou. — Tipo o Volley. — Sorri. — Quer ir?
–Claro. — Dei de ombros.
Tratei de colocar um tipo de 'proteção' em cima dos ovos de tartarugas antes de sair com Percy. Eu não seria idiota o bastante para deixar os Guaxinins fazerem a festa em minha ausência.
Não demoramos muito até arrumarmos tudo e irmos para onde aconteceria o jogo. Pers foi se preparar para o jogo, em quanto eu me sentava na arquibancada.
–Ei. — Alguém acima de mim me cutucou. Olhei pra cima dando de cara com aquelas típicas patricinhas de filmes americanos: Corpo escultural, um lindo rosto e um sorriso querendo esfregar na sua cara 'sou gostosa'.
–Hã... Oi? — Foi a única coisa que eu consegui dizer.
–Meu nome é Rachel. Você era a garota que estava no Aquário com o Percy, né?
–Você não estava lá, como sabe que ele tinha me levado até lá? — Confesso que eu estava um pouco assustada. Dizem que quando a mulher é bonita e esperta, é preciso manter distância.
–Eu queria apenas uma confirmação, e pelo visto eu já consegui. — Ela abriu um sorriso doce e maligno. — Querida, ele faz isso sempre. Ele provavelmente está te ajudando em algo que é muito importante pra você — As tartarugas, pensei. -, depois ele te leva para o Aquário, e faz o 'showzinho' especial dele só pra você. Aí, é só uma questão de tempo até ele conseguir o que realmente quer esse tempo todo: te levar pra cama. E eu não sou a única a cair nesse truque sujo do Jackson. Pergunte a Silena, aqui. — A tal 'Rachel' deu uma cotovelada na amiga que lichava as unhas.
–Ele é um canalha. Pode apostar. — Silena afirmou.
Me levantei dali, pensando apenas em duas coisas:
Percy era um garoto imaturo que gostava de brincar com o coração das novatas — E nem tão novatas assim! — Da cidade, se achando o fodão. E é claro, Rachel e Silena devem ser duas putas que adoram ser 'levadas pra cama' pelo Percy. E eu só sei que não quero vê-lo nunca mais.
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