- Saia daqui agora mesmo. Direção. – falou o professor McLaggen demonstrando uma irritação intensa, enquanto apontava para a porta aberta da sala.

- Qual é? Não cansou de me mandar sair da sala todo dia? – null falou calma, com o tom irônico que o professor tanto detestava.

- Vá agora mesmo para a diretoria. – o rosto do professor McLaggen estava rubro de raiva. A turma olhava perplexa para a cena. Apesar de estarem acostumados com o caráter explosivo de null, concordavam que desta vez ela não iria se safar.

- McLaggen, quer parar com esse ataque? Continua falando dessa droga de prótons e elétrons e me deixa quieta, droga! – null disse, dando um soco na mesa.

- Pra mim chega! Você sabe muito bem que não estava quieta! E eu sou o professor aqui, não um de seus amiguinhos! Exijo respeito. Uma coisa que você não tem! – null percebeu que a têmpora do pescoço do professor estava latejando. Riu discretamente. – Pare de rir! SAIA DAQUI!

null levantou da classe com um sorriso no rosto. Parou na porta e olhou para a turma. Mandou um beijo no ar pro capitão do time de futebol, que a olhou assustado. A turma começou a rir e o professor fechou a porta na cara da garota.

- Depois eu que sou sem educação, McLaggen? – falou debochada, escutando os risos de dentro da sala. Ah, como era divertido provocar.

null foi andando pelo corredor. Ela detestava aquele lugar. Se encaminhou até a sala do diretor e parou na porta. Que diabos ela estava fazendo ali? Naquele instante formulou o plano: pularia os portões do fundo da escola e iria pra rua. Depois, voltaria ao meio-dia para a casa e seus pais não iriam nem desconfiar de nada. Não que ela se importasse com o que eles iriam pensar. Ela se virou e viu a cara, ainda vermelha, do professor McLaggen.

- Você não achou que eu iria deixar você escapar da conversa com o diretor, não é Senhorita null? – o professor tinha um sorriso vitorioso no rosto.

- Você acha mesmo que eu iria querer escapar? Não vou perder a chance de rir da cara de outro professor. – null debochou e instantaneamente o sorriso desapareceu da cara de McLaggen. Ele não iria deixá-la continuar nesta escola. Abriu a porta com força e empurrou a garota para dentro.

- Diretor Hanson. – cumprimentou McLaggen. – Temos um problema.

- De novo, Senhorita null? – olhou para null com o olhar desaprovador e em seguida para McLaggen, provavelmente esperando uma explicação. null não tirou o sorriso irônico do rosto em nenhum instante.

- Ela estava perturbando a aula novamente, diretor. E devo dizer que se a Senhorita null não for expulsa agora mesmo, eu mandarei pela tarde meu próprio pedido de demissão. – McLaggen disse, confiante.

- Professor, creio que não há motivo para tanto... – começou o diretor, mas foi interrompido por McLaggen.

- Eu não estou disposto a fazer condições. Em outras palavras, ou ela –fez sinal para a null com a cabeça – ou eu.

O diretor olhou para a null com um rosto que a mesma não conseguiu decifrar. Parecia que muitas emoções se passavam dentro dele. Após um instante, onde ele parecia ter acumulado forças para falar, ele disse:

- Você está expulsa da Portlend School, Senhorita null.

null ficou paralisada e se perguntou se ela tinha ouvido direito. Ela não havia feito nada que não fizesse todo o dia. Era como um ritual, chegar na escola e zoar com o professor. Depois, ela iria brigar com algum colega no recreio, pegaria suspensão e não faria nada pelos próximos dias. Aí o ciclo recomeçaria. Qual foi a diferença dessa vez?

- Acho que eu não ouvi direito, diretor. – null disse, exaltando-se.

- null, ninguém nessa escola tolera mais suas confusões. É triste dizer isso, mas você é um problema aqui. Eu vou pessoalmente chamar os seus pais e informá-los da sua expulsão. Lamento muito, Senhorita null. – ele disse, pegando o telefone do gancho.

- VAI SE FERRAR! TODOS VOCÊS DESSA DROGA DE ESCOLA! EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM! – null gritou e saiu correndo da sala. Querendo ou não, aquilo a machucou de alguma forma. Estudara nessa escola a vida toda e por mais que ela detestasse aquele lugar, não se imaginava estudando em outro lugar. Ela sabia que seus pais iam dar um ataque, mas não se importou. Há muito tempo eles haviam desistido dela.

Ela vagou pelas ruas desertas e não sabia direito para onde estava indo. O dia estava nublado e ela tinha certeza que logo começaria a chover. Um turbilhão emocional se passava pela sua cabeça. Quando percebeu, seus pés haviam a guiado para casa.

-

Ela entrou calmamente em casa e ao passar pela sala, viu seu pai e sua mãe parados, lado a lado, com uma expressão furiosa. Não pode deixar de pensar como o diretor era rápido.

- O que você tem a dizer sobre isso, null? – a voz exaltada de sua mãe quebrou o silêncio.

- O diretor já deve ter explicado pra vocês. – disse debochada, atirando-se no sofá.

- null, essa foi a última vez que você aprontou das suas. – agora era seu pai que falava, com a voz firme. null não disse nada, apenas olhou para os dois com uma cara interrogativa, mas ao menos tempo com uma expressão de “pouco-me-importa”.

- Você vai para um internato. – concluiu seu pai. null abandonou a expressão desleixada e o olhou assustada.

- O que? Vocês não podem fazer isso! – ela sentiu a raiva aflorar.

- Acabamos de te matricular! Você é menor de idade, então ainda precisa obedecer nossas ordens. – disse sua mãe, com um misto de raiva e decepção.

- Era o que vocês sempre quiseram, não é? Me mandar para um internato, onde vocês não terão que me agüentar. Porque vocês NUNCA me suportaram! Vocês nunca deram a mínima pra mim! Eu vou mesmo! Pelo menos não vou ter que olhar para a cara de vocês todo dia! – null esbravejou, saindo de casa e batendo a porta com força. Ouviu sua mãe gritando para que ela voltasse, mas não olhou para trás. Correu para longe de casa. Viu seus vizinhos olhando para ela com olhar curioso, próprio de vizinhos intrometidos e que ficam o dia inteiro esperando alguma fofoca para espalhar na vizinhança.

- UMA FOTO DURA MAIS TEMPO! – gritou para os vizinhos que observavam o acontecido.

-

Ela andava pelas calçadas vagarosamente, sem saber direito para onde estava indo. De repente, sentiu vontade de fazer uma coisa que não fazia há muito tempo: chorar. Ela não impediu as lágrimas de caírem, sabendo que já estava distante de casa. Ela chorava pensando no que havia se tornado e estava tão absorta em seus pensamentos, que só percebeu que uma batida muito forte a fez cair, quando já estava esparramada no chão.

Olhou para cima e avistou um garoto a olhando assustado.

- Mas que diabos você está fazendo? Não olha por onde anda? – berrou a garota, ainda deitada no chão.

- Desculpe, eu estava distraído. – o garoto estendeu a mão para ajudar null a levantar, mas ela prontamente ignorou e se levantou sozinha. – Nossa, ‘tava tentando te ajudar. – disse o garoto parecendo ofendido.

- Eu realmente não preciso da sua ajuda. Estou ótima. – null disse, desviando o olhar.

- Sabe que não parece? Andando sozinha pela rua, com uniforme da escola em horário de aula e chorando... – observou o garoto.

- Quer calar a boca e parar de me analisar? – null disse irritada.

- Ui, não ‘tá mais aqui quem falou. – disse o garoto, sarcástico. null continuou andando sem olhar pra trás.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.