The Last Angel

1 Escuridões Enevoadas - Primeiro Prefácio


Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela, o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter – nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.

No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, o rouca da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, alfo de alarme.

Como sempre, a noite de vento leste misturava êxtase e pânico...

O gesto de escrever parece, assim, resultar da experiência da impossibilidade de fusão com a noite, de dissolução no êxtase. Por outro lado, na exaltação que vem da noite de Primavera, no coração da beleza, no fervor do universo, há um alarme, uma componente de pânico, de ameaça, como se a treva, a morte, fossem o preço da fusão com a noite, o preço do abandono a esse canto. E tudo cobiça o meu desejo. Todos os sons, perfumes e odores.

Oh grande noite, três vezes misteriosa – na solidão, no silêncio, na beleza. Oh grande noite sonhadora e vagarosa, em que bate o coração da natureza. Noite das sortes, das encantações, dos mitos. Em que o terror e a sombra ilegível nos invade. Em que adormece a força e a vontade, e o sonho sobe a transbordar de gritos. Noite em que a alma se ergue num delírio, cujo ardor a si própria dilacera, e só no sonho abandonado espera uma cavalgada de martírio.

Notas finais
Enfim, a continuação da fanfic The Beginning of the End. Espero que vocês gostem tanto quanto eu estou gostando de escrevê-la. Por favor, compartilhem as suas opiniões, críticas e sugestões. Todo comentário é bem vindo. Obrigada a todos.