Olho para Emily e na mesma hora penso que Paulo devia saber disso.

–Me desculpe.

Corro para fora e pego meu celular, entro na agenda e ligo para Paulo.

–Alo?

–Paulo!

–O que foi Caleb.

– Eu preciso que venha para Vancouver agora!

–Mas por quê?

–Os seus pais não morreram!

–O que, mas como...

–Venha rápido, eu te explico tudo.

Ele desliga e parece que virá hoje. Emily vem atrás de mim e diz:

–O que houve?

–Paulo vai vir para seu bar tudo bem?

–Sim.

Mando uma mensagem para Paulo, dizendo para quando chegar vir para o bar de Emily. E ele responde sim.

–Eu preciso ir, tchau.

–Ta, tchau.

Eu corro para casa e ao chegar vou tomar sangue. Pego uma bolsa e tomo sem copo, vou para frente do lago e fico pensando. Como será que eles conseguiram fugir e por que não avisaram Paulo. O sangue acaba, entro e pego mais duas bolsas e jogo na mesa. Abro o armário e pego o maior copo que encontro, abro as bolsas com os dentes e jogo o sangue dentro do copo. Pego o sangue e vou para frente do lago novamente, Edgar diz da cozinha:

–Por que tanto sangue Caleb?

–Estou angustiado.

–Por quê?

–É pessoal.

Eu tomo o sangue e em dois goles ele acaba, eu aperto o copo e ele se quebra.

–Caleb, se controle.

–Eu estou bem!

–Você não está? Seus olhos estão mudando.

Eu respiro fundo, mas não me ajuda, eu sinto cheiro de sangue. Dou a volta em Edgar e pego mais uma bolsa de sangue. Deixo-a vazia em segundos, Edgar tenta puxar da minha mão, mas eu lhe agarro e prenso-o em uma arvore.

–Caleb, pare!

Ele grita, mas continuo a empurrar, a arvore começa a sair do chão, então paro.

–O que deu em você?

–É tudo culpa de seu pai!

Eu grito.

–Não to entendendo?

Eu corro para o meio da floresta e fico parado. Do nada Loretta aparece e diz:

–O que foi?

–Sabia que iria encontrá-la aqui.

Ela me olha e diz:

–O que houve com seus olhos?

–Não diz nada, só me beija.

Nos beijamos e eu abraço-a.

–Você sabe que pode me dizer as coisas, né?

–Eu estou muito angustiado, nervoso.

–Então se acalma, respira.

Eu faço o que ela pede e dá certo.

–Me conta o que aconteceu?

–Os pais de Paulo estão vivos.

Ela faz uma cara de surpresa e diz:

–Mas como, eles estavam dentro da casa...

–Eu me pergunto a mesma coisa. Mas me promete uma coisa?

–O que?

–Que não vai contar para ninguém, e não vai fazer nada com eles?

–Ta tudo bem.

Eu abraço-a de novo e me despeço. Vou andando para casa e encontro com Edgar:

–Já se acalmou?

Ele me pergunta.

–Já.

Eu subo as escadas e vou para o banheiro, fico imóvel na frente do espelho e fecho os olhos. Quando abro, meus olhos estão pretos, meus dentes estão gigantes e até minhas unhas cresceram. Me assusto, mas respiro fundo e tudo volta ao normal. Eu estou aprendendo a me controlar e acho que isso é bom.

Tomo um banho rápido e vou para o meu quarto, deito em minha cama e Emily me liga dizendo:

–Paulo esta aqui e quer falar com você.

–Ta, eu vou ver se consigo despistar Edgar.

–Tudo bem.

Eu desço as escadas e vejo Edgar assistindo TV, então eu digo:

–Boa noite, eu me esgotei.

Digo bocejando.

–Ta.

Eu subo as escadas e vou para meu quarto. Abro a janela cautelosamente e dou um pulo em cima de uma arvore. Vou pulando de arvore em arvore, até chegar a beira da estrada, volto para o chão e corro até o bar.