Crepúsculo. O sol havia se posto, as nuvens estavam pintadas de vermelho. E eu o estava esperando há uma hora, no mesmo local onde nos encontramos pela primeira vez.

Quando foi mesmo...? Oh, sim. Foi quando eu resolvi me tornar uma atriz. Eu sempre fui uma grande fã da mãe de Shiki. E foi por isso que eu resolvi seguir esta carreira.

Eu não fui muito bem nos testes. Por causa dele. Aquele garoto que veio ver sua mãe no estúdio. Senri Shiki. Eu sei que foi por causa dele. De algum modo ele exercia algum tipo de força sobre mim.

Por quê? Ele não era um sangue-puro. Ele não tinha uma linhagem superior. E ainda assim...

Eu estava com raiva. Caminhei para fora do estúdio — ou pelo menos era o que eu pretendia, — mas eu acabei chegando a este lugar: um jardim com uma pérgula no centro; mais um dos cenários que eles usavam no estúdio, mas esse do lado de fora do estúdio e dava para ver o céu daqui.

— Pocky? — ele estendeu a caixa com os doces.

Eu não me lembro quando ele chegou. Eu não me lembro quanto tempo nós dois ficamos apenas nos encarando, sem dizer uma palavra.

— Un. — eu aceitei, com um pouco de receio.

Eu nunca tinha provado daquele doce antes, mas ele era bom, muito bom. Sem perceber, eu sorri para aquele garoto. A expressão dele não havia mudado nem um pouco, e meu sorriso foi morrendo aos poucos.

— Eles... — ele fez uma pausa, enquanto colocava outro daquele doce na boca, me oferecendo mais um em seguida. — disseram que você seria uma ótima modelo.

— Eh?! — ele sorriu, talvez porque eu fiz uma cara estranha. — Mas...

— Oh! Você está aqui. — a voz de uma mulher. Se eu não me engano ela estava assistindo o teste. Talvez ela estivesse aqui para falar que eu não passei.

Shiki me ofereceu mais daquele doce. Era estranho. Eu sentia algo estranho só de estar com ele. O simples fato dele me oferecendo Pocky...

— Wow! — a mulher gritou, bestificada.

Eu nunca entendi o porque, aquele garoto só estava colocando mais um daqueles doces na minha boca. E ele olhou para a mulher, igualmente sem entender.

— Vocês dois são perfeitos! — ela continuou. — Simplesmente perfeitos!

E foi assim que nós dois nos tornamos modelos, no mesmo dia. Foi assim também que nós nos tornamos inseparáveis.

— Shiki... — um suspiro.

Enquanto eu olhava para o céu avermelhado eu me lembrava de como tudo isto começara, de como eu fiquei tão ligada a ele.

Quando eu finalmente ouvi sons de passos se aproximando, eu sorri. Ele não se esquecera, afinal.

Shiki se sentou ao meu lado. Eu ofereci um daqueles doces — Pocky — a ele. Na verdade, eu dei o doce na boca dele.

Ou era o que eu pretendia.

Ele segurou a minha mão, levou meus dedos à boca dele. O doce havia caído sobre sua roupa. A caixa que eu estava segurando com a outra mão não estava mais lá. Ela deve ter caído também.

Eu não sabia. Eu não entendia mais nada. Tudo o que eu sentia eram meus dedos passando lentamente pelos dentes de Shiki. Entrando na boca dele. Meu coração devia estar batendo mais rápido. Minha face devia estar vermelha.

— Shiki... — um sussurro. Um sussurro que ele não deveria ouvir.

Porque eu sabia muito bem que ele entenderia errado.

Shiki tirou minha mão da boca dele e pegou o doce que caíra em sua roupa. Eu sabia que iria acontecer. Porque eu o conhecia muito bem. Talvez mais até do que a mim mesma.

“Idiota. Não era para você parar.”

Eram as palavras que eu queria ter dito naquela hora. Mas elas nunca saíram da minha boca. Como em todas as outras vezes.

Fin

Notas finais
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A Rima e o Shiki realmente se conheceram no trabalho porque a Rima é uma superfã da mãe do Shiki (o que me faz pensar o que ela faria se a visse agora x.x). O fanbook só não fala porque a Rima acabou como uma modelo ao invés de uma atriz, so...
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