The King

52 O que se Deve Fazer.


Notas iniciais
Olá, pessoas. Não, eu não morri. Não, eu não desisti da fic. Não, eu não esqueci vocês. Estou tão envergonhada por ter demorado tanto, e deixado vocês naquela parte agonizante, que quase to ignorando as notas... x.x Por favor, não atirem em mim. Por favor, não me odeiem. x.x Três e meia da madrugada de segunda, e eu estou postando o capítulo. q Eu espero que não, mas é bem provável que erros ortográficos tenham me escapado, porque eu devo ter cochilado umas quinze vezes enquanto tentava betar o capítulo! q Eu queria postar o mais rápido possível, então... Aí está! Eu... Estou com sono. Capotando, na verdade... E amanhã vou trabalhar. q Então vou deixá-los por aqui. Gostaria de agradecer a todos os leitores que comentaram o último capítulo, e a todos os que me procuraram via MP, preocupados com o rumo da história... Eu realmente sinto muito por ter magoado seus sentimentos, queridos leitores! Odeio atrasar, mas... Ah! É tudo tão difícil... x.x Eu queria explicar melhor, mas acho que vou começar a falar baboseira. Então boa leitura!

Capítulo 52 – O que se Deve Fazer.

Francamente, Naruto não conseguiu prestar muita atenção à sua volta. Não depois de ser sordidamente golpeado por um dos homens que mais lhe aspiravam confiança desde que havia se tornado Rei...

Ele estava confuso, simplesmente não conseguia raciocinar...

Porque nada daquilo lhe soava com sentido.

Podia ouvir os gritos ao seu redor. Pensou identificar a voz de Sasuke, o que o deixou aliviado... Podia estar prestes a morrer graças a um Uchiha, mas Sasuke ainda estava ao seu lado. Seu melhor amigo não o tinha traído, e isso era mais que um alívio.

Naruto ouvia o som do tintilar das espadas, mas não tinha certeza de onde vinham. Ouvia gritos e exclamações, mas não pôde identificar nenhuma daquelas vozes, nem qualquer uma daquelas palavras...

Em realidade, não conseguia prestar atenção em alguma coisa que não fosse a latejante dor, tanto em seu peito, quanto na região próxima ao estômago, onde Fugaku o havia atingido de maneira tão covarde.

Até sua esposa alcançá-lo, ele sequer se lembrava de que ela estava lá, próxima o bastante para assistir sua desgraça...

Próxima o bastante para assistir a sua morte.

Hinata correu aos tropeços até alcançar o marido, mas ainda assim durou meio segundo para que Naruto pudesse notar sua presença, notar quem realmente era. Ele sorriu ao conseguir identificá-la por trás do uniforme grande demais da guarda real, das olheiras profundas e dos secos cabelos desgrenhados.

As mãos dela, tão pequenas e trêmulas, tatearam o peito do Rei como se estivesse desesperada para se certificar de que tudo não passava de um enorme susto, de um erro tremendo!... Mas não era um susto.

Não era um erro, e os seus olhos não haviam se enganado.

Percebê-lo fez com que a rainha sentisse vontade de morrer.

– Não... – Naruto a ouviu murmurar. – Não, por favor... Por favor, não...

Ela tremia e chorava, e ele sentiu seu coração se despedaçar por isso.

Mesmo cheio de dor, conseguiu prender a respiração. Não queria assustá-la mais com seus ofegos... E, sem resistir, esquecendo-se completamente das quão sujas deviam estar suas mãos, deslizou-as pelo pálido rosto de sua tão amada esposa, alisando suas faces com um sorriso fraco e forçado.

Hinata choramingava tanta coisa!... Fraco como estava, Naruto quase não conseguia escutá-la. De fato, não importava o quanto quisesse ouvi-la, a cada instante sua voz parecia ficar mais distante.

– Você não pode morrer agora...! – A voz doce se quebrou ao exclamar. As mãos da esposa, tão ensanguentadas quanto às do próprio Naruto, alisaram o rosto do amado com desespero e angústia. – Nós vamos ter um bebê... – Ela sussurrou com os olhos tristes. – Então, por favor...

Bebê?... Ela tinha dito “bebê”?

Naruto sentiu o estômago girar tão rápido que cambaleou; sentiu sua mente flutuar, sua cabeça e seu peito latejar de dor. Mas ainda que estivesse prestes a desmaiar obrigou-se a ficar firme. Obrigou-se a manter aquele sorriso fingido mesmo quando queria abraçá-la e chorar com todas as suas forças.

Um bebê... Um bebê, veja só.

Um bebê dele e dela!... A criança real que todos ansiavam. O filho que eles tanto esperavam... E Naruto não estaria lá nem para vê-lo nascer.

Isso se sua criança chegasse a nascer.

Ele quis chorar. Quis gritar, pegá-la em seus braços e correr o mais rápido que suas pernas pudessem aguentar, para o mais longe possível... Mas só podia sorrir.

Sentiu Hinata apertar seu rosto e estreitou os olhos azuis. Como sempre, ela o olhava com tanta profundidade que ele podia senti-la enxergar sua alma... Era como se Hinata pudesse enxergar seus medos, como se soubesse que ele pensava que morreria.

– Me soltem! – Naruto ouviu alguém gritar. Sakura, imaginou. Mas não podia ter certeza. Independente de quem fosse, o Uzumaki sabia que ela tinha que fugir. Sabia que devia correr, procurar abrigo e se proteger de todos aqueles malditos.

– Corra...

Murmurou, sua voz soando mais fraca do que gostaria.

Ele não sabia se Hinata o havia ignorado ou se simplesmente não o tinha ouvido, mas ela continuou à sua frente, deslizando as mãos de forma carinhosa e cuidadosa pelo rosto do amado, como se sentisse necessidade de tocá-lo, de estar junto dele.

– Hinata... Por favor...

Mas a rainha sequer fez menção de se afastar. Estava em choque, ele percebeu... Em pânico!... Murmurava negações e preces, tateava o rosto, o corpo e os cabelos de Naruto com as mãos sujas e desabava em lágrimas.

– Por favor, querido... Você não pode... – Ela não conseguia concluir o pensamento. – Eu te amo tanto... – Roçou o nariz no rosto dele. – Não pode... Isso não... Não... – Apertou-o com tanta força que Naruto perdeu a capacidade de respirar.

Ele tentou ignorar toda a dor que aquela ação o tinha causado; tentou ignorar o fato de que quanto mais ela se mexia, mais o maldito punhal preso ao seu peito se mexia, e mais ele sofria. Tentou afagar os cabelos dela, queria confortá-la de algum jeito!... Mas sentia-se fraco, e só a ação de levantar o braço era uma luta.

Um filho... Um filho! Justo agora, que haviam sido condenados.

Nenhum dos dois podia mensurar por quanto tempo haviam ficado lá, encolhidos no chão frio em algum lugar próximo às escadas de serviço, chorando no ombro um do outro. Naruto podia não conseguir falar, mas foi impossível segurar as lágrimas de medo e desespero.

Embora não tivesse feito questão de ser discreto, nenhum dos dois pôde notar o homem de Fugaku se aproximar até que ele – grande e asqueroso – erguesse a Rainha enquanto agarrava seus antebraços.

– Não! – Hinata gritou tão alto quanto seus pulmões podiam permitir, e Naruto sentiu seu corpo congelar. – Não, por favor!... Por favor! – O homem não se sensibilizou nem por um segundo; jogou-a sobre seus ombros e ignorando todas as suas tentativas de se livrar, levou-a para longe.

E Naruto concluiu que tudo tinha sido em vão.

Pior do que isso: a situação de Hinata se tornara ainda mais delicada, uma vez que a rainha não mais serviria como moeda de barganha depois da morte de seu marido.

A morte do Rei era condenação de sua Rainha e consequentemente do herdeiro que ela carregava.

E Naruto percebeu que não podia morrer ali.

.

Sasuke sempre havia se orgulhado de seu nome, de sua família.

Respeitou, amou, venerou aos seus pais. E se tinha algo parecido com um sonho para si, certamente era o de “alcançar Fugaku Uchiha”... Ser tão forte quanto o pai, tão incrível quanto ele.

“Desespero” possivelmente era a palavra que mais cabia às emoções de Sasuke àquele momento, embora sentisse tantas sensações que mal podia descrevê-las. Desespero, angústia... Medo.

Decepção.

Descrença.

Porque não importava o fato de que havia visto, presenciado o atentado contra seu soberano, para o jovem guarda era simplesmente impossível conceber a possibilidade de que seu pai, o homem que ele mais respeitava e admirava no mundo, era o traidor da nação do Fogo.

O traidor podre que Sasuke prometeu matar antes mesmo de alcançar seus oito anos de idade.

Há quanto tempo eles estavam tintilando aquelas malditas espadas...? Talvez fossem meros minutos que, para Sasuke, pareciam uma eternidade.

Ele estava exausto, frustrado e ferido. Já perdera as contas de quantas vezes Fugaku acertou-lhe o rosto com o punho daquela maldita espada!... Mas ainda que se sentisse humilhado, ainda que seu coração pesasse, e que Sasuke sequer conseguisse descrever a intensidade de seus sentimentos, ele não queria desistir.

Apesar de tudo ele lutou com todas as suas forças, com extrema determinação.

E podia ser estúpido, imaturo... Mas lutara com a fagulha da esperança. Esperança de que de alguma forma poderia salvar Naruto e todos que estavam ali, porque Fugaku não podia ser o traidor realmente.

Ele simplesmente não podia ser.

Tinha que existir uma explicação lógica para seu pai estar ali, gritando para que ele parasse de atacar, ordenando que ele se acalmasse... Devia ter um motivo para explicar o porquê de ele agir assim.

– Me solte!

Sakura estava distante, mas Sasuke ainda podia ouvi-la exclamar. O rapaz não podia dar-se ao luxo da distração, mas erguera os olhos na direção das escadas a tempo de vê-las – Kasumi e Sakura – serem rendidas por seus antigos colegas.

Aquele curto instante de distração fez com que o inevitável acontecesse.

Sasuke sentiu a pressão do punho do pai nas maçãs de seu rosto, e sentiu-se cambalear. Sequer teve tempo para se recompor, uma vez que o duque não hesitou ao acertar a espada – o punhal, mais uma vez – em sua cabeça.

O jovem Uchiha agachou-se, encolhendo-se no chão, mas Fugaku não se comoveu: acertou-lhe o rosto com o joelho, violento, fazendo com que o filho desabasse efetivamente. Sem sequer dar tempo para que o garoto pudesse respirar, acertou-lhe as costelas com chutes fortes e dolorosos.

– Eu mandei você parar! – O duque gritou furioso.

– Por quê?! – Sasuke finalmente conseguiu gritar ao pai, erguendo o par de olhos negros para encará-lo. Sentia seu coração pesar e pela primeira vez em muito tempo – desde a morte de Naruto, para ser mais exato – sentia que estava prestes a chorar. – Por que você?! Dentre todas as pessoas, por que tinha que ser você?!

Seu rosto latejava e suas mãos tremiam. O olhar de seu pai foi tão frio, tão gélido que Sasuke finalmente percebeu o quão tolas eram suas esperanças.

Fugaku Uchiha era o traidor. E ele o venceria. Iria capturá-lo, mataria Naruto... Mataria Sakura.

– “Por que”? – Fugaku bufou. – Que pergunta estúpida!... Não está claro o bastante? Ele. – Apontou na direção do casal real; eles estavam caídos e encolhidos em um canto não tão distante. – Não passa de um moleque! Um moleque qualquer!... E, de repente, todos o amam! – O duque forçou uma risada. – Todos o querem fazê-lo rei, apenas por ser filho de um ninguém que salvou a princesa... – Ele fez uma careta de desaprovação.

– Civis vivem de contos de fada, Sasuke. – Ele se aproximou lentamente. – Mas você... – Agachou-se à altura do filho e, agarrando seus cabelos, obrigou Sasuke a erguer o rosto. – Você devia entender.

– Tudo o que eu consigo entender é que fui enganado a vida inteira. Que o pai que eu tanto amei e respeitei é, na verdade, um traidor invejoso que anseia ocupar um lugar que não é seu!

– Não! – Sasuke ouviu Hinata berrar desesperada. Ele tentou livrar-se do aperto do pai, mas foi incapaz disso. – Por favor!... Por favor! Não! – Ela continuou a gritar, e Sasuke sentiu seu coração doer.

Por que eles a estavam afastando...?!

Perceber a distração do filho fez Fugaku estreitar lábios num sorriso.

– Não vou tomar o lugar dele. – Murmurou num tom que apenas Sasuke poderia ouvir, enfim tomando sua atenção. – Você vai.

Por um segundo, o rapaz pensou naquilo como uma piada. Uma piada estúpida, e por isso não fazia ideia de como respondê-lo... Mas então percebeu que o pai falava sério, e se sentiu tão surpreso que sequer podia piscar.

– Quero que lhe deem um corretivo. Depois devem levá-lo até Itachi. – O duque ordenou enquanto se levantava; não parecia nem minimamente curioso com a reação do filho enquanto virava o corpo em direção às noras, que continuavam rendidas em frente às escadas. – Tenho acertos a fazer.

~

– Solte-me! – Hinata gritou ao brutamonte que havia sido responsável por sua captura, o insensível que a havia tirado de perto do marido. – Me solte!... Por favor! – Ela estava cansada de implorar, mas não conseguia conter a própria voz. – Por favor!... Por favor! Pelo menos deixe-me morrer com ele!

Ela gritava, chorando rios de lágrimas inúteis.

Nada devia ser mais doloroso do que aquilo... Do que a dor de perder a última gota de sua esperança, ou a aflição de ver o amor de sua vida morrendo bem diante de seus olhos. Pelas mãos de alguém que ela realmente havia chegado a respeitar.

– Não... Não! – Ela chorou e protestou. Debateu-se nos ombros do verme maldito e lhe gritou ordens. Praguejou, clamou, ordenou e implorou, mas de nada serviu. E em menos de uma hora lá estava ela, trancafiada no mesmo maldito quarto em que havia estado durante as últimas noites.

Ela se desdobrava em dor e lágrimas. Estava tão cansada... Tão frustrada!

Mais do que tudo, cansara-se de agir passivamente. De fingir-se uma vítima quando na verdade era A Rainha!... A soberana do país, a matrona daquela maldita pátria!

– Tirem-me daqui! – Ela gritava, batendo a porta com toda a força que podia ter com seus um metro e sessenta de altura. – Tirem-me daqui agora! – Ela ordenava. Podia ser completamente inútil, mas tinha que fazê-lo.

Chutou a porta velha e tentou arrombá-la das maneiras mais criativas possíveis.

Quebrou vasos e derrubou mesas; foi mais barulhenta naquelas poucas horas do que havia sido em toda a sua vida, mas não se importou.

Não importava o quanto a ignorassem, ela não ia parar. Não até que o maldito Fugaku, ou o Yahiko imbecil aparecessem, só para que ela pudesse lhes cuspir a cara.

Sentia-se furiosa, frustrada.

– Eu quero o meu marido! – Ela exigiu quando não tinha mais o que quebrar, lançando-se contra a porta. – Eu quero o meu marido, ouviram?!... Vocês não podem fazer isso! – Gritava desesperadamente. – Karin! Yahiko!... Fugaku! – Sentiu sua voz quebrar. – Por favor... Por favor... Eu quero ficar ao lado dele...

Mas os passos apressados lá fora foi o mais próximo de uma resposta.

~

Itachi despertou de seu cochilo abruptamente quando a porta de seu cativeiro abriu repentinamente. Ele esbugalhou os olhos em alerta e sentiu todos os músculos de seu corpo enrijecendo quando Sasuke, surrado e acabado, foi jogado ao seu lado.

– Sasuke!

Tentou se mover, mas as correntes o prendiam ao chão. Seu irmão parecia desmaiado e isso o fez entrar em desespero.

– O que fizeram com ele?! – Questionou em tom de ordem, erguendo os olhos e encarando Zetsu com fúria. A resposta do subordinado favorito de seu pai foi um simples dar de ombros, acompanhado por um sorriso estúpido.

Itachi decidiu que se algum dia chegasse a fazer um massacre, aquele homem seria o primeiro a morrer.

Sasuke se remexeu no chão e tomou toda a atenção do irmão. – Sasuke!... Solte o meu irmão! – Ele ordenou inutilmente ao seu antigo subordinado, que tranquilamente algemava os tornozelos do caçula dos Uchiha.

Sasuke fez uma careta quando o mesmo homem o fez se sentar.

– Sasuke!... Sasuke, você está me ouvindo?! – Itachi estava atônito, o que era uma surpresa, uma novidade a todos os presentes. – Sasuke, olhe para mim!

Para seu alívio, o mais jovem o obedeceu.

– Itachi... – Balbuciou confuso, olhando para os quatro cantos do cubículo que lhes serviria de prisão. – Mas que porcaria...?

Zetsu pôde ouvir as correntes de Itachi se mexerem desesperadamente quando acertou um tapa violento no rosto do guarda do Rei. – Sabe por que está aqui, jovem Uchiha? – O homem perguntou lentamente, agarrando o queixo de Sasuke, que não o respondeu. – É porque desafiou seu pai. – Esclareceu calmamente. – Porque traiu sua família.

“E você traiu sua nação” era o que Sasuke queria responder, mas não tinha forças. Então simplesmente continuou a sustentar o olhar odiosamente superior de Shirou Zetsu, um homem que até então não lhe representava qualquer influência.

– Seu pai é um homem misericordioso... Mesmo depois da traição está vivo, ainda que seja o segundo filho. – Sasuke estreitou os olhos. – Não abuse de sua sorte.

– Minha mãe sabe que meu pai é a vadia do meu pai? – Ele questionou num tom de deboche e Zetsu sorriu.

– A duquesa se foi, lamentavelmente.

Sasuke paralisou.

– Cale a boca. – Itachi o ordenou apressado.

– Foi-se antes de saber sobre as reais intenções de milord, então acredito que não. Ela não deve saber que sou subordinado ao seu pai... Talvez queira ir contá-la...?

– Cale a maldita boca! – Itachi gritou, sentindo-se mais agitado do que nunca havia estado na vida.

Sasuke não podia ouvir assim... Não podia descobrir assim.

Ele estava em choque.

– Homens do seu Rei a mataram como represália. É algo comum, sabe?... Esposas morrendo como resposta às atitudes de seus maridos. Isso devia fazê-lo refletir, não é? Sasukekun. – A ameaça implícita naquele sufixo fez com que Sasuke, de certa forma, voltasse à órbita.

Ele estreitou os olhos negros e encarou Zetsu, que sorria perfidamente.

– Acho que você e seu irmão deviam conversar por um tempo... Levar em consideração as coisas importantes em suas vidas. – Shirou afastou-se; fez uma mesura hipócrita e odiosa para os Uchihas e, fazendo menção para que os subordinados o seguissem, deixou-os sós.

Os minutos pesados e silenciosos que haviam se estendido após a saída daqueles homens pareceram séculos para Itachi. Ele esperava uma reação do irmão... Qualquer reação, mas tudo o que Sasuke fazia era olhar fixamente num ponto à sua frente.

–... Sasuke... – Ele começou lentamente.

– Quem a matou? – O mais jovem quis saber de repente; tentou manter sua voz firme, mas foi inútil. – A mamãe... Quem... – “Quem faria isso?”, ele queria perguntar. – Por que... – “Por que fariam isso?”...

– Danzou. – Itachi respondeu lentamente, hesitante. – Queria ameaçar Obito, vingar-se de Fugaku. – Sasuke levou seus olhos apáticos até o mais velho.

– Como... Como você... – Ele estreitou os olhos. Por que diabos não conseguia verbalizar uma pergunta que fosse?!

– Nós três estávamos lá... – Itachi baixou a fronte; não queria lembrar-se das cenas, embora fosse impossível. – Obito e eu estávamos lutando quando aconteceu... – Os olhos negros se estreitaram. – Foi tão rápido... – Trincou a mandíbula. – Eu... Eu nem pude me mexer...

Sasuke pensou que, se estivesse lá, também não poderia tê-lo feito.

Só a ideia de ver sua mãe morta, fosse como fosse...

– Kasumi estava lá. – Itachi murmurou debilmente, imerso em seus próprios pensamentos, perdido em sua dor. – Ela foi ameaçada, e eu nem podia me mover... Se Obito não tivesse reagido...

Sasuke apertou os punhos.

– Ele está morto? – O mais jovem perguntou entre dentes. — O maldito assassino.

– Não... – Itachi negou com a cabeça lentamente. – Minha esposa estava caída ao chão, sagrando... Perdendo meu filho... E não consegui me mexer, mas aquele mercenário o fez.

Naquele instante, a mente de Sasuke relampejou. Seu estômago revirou, seu rosto empalideceu e ele se sentiu zonzo.

O filho de Itachi estava morto.

O filho de Itachi e Kasumi, que todos davam como o certo herdeiro da Uchiha... Simplesmente morto. Sasuke percebeu que a existência de seu filho tornara-se incerta. Improvável.

E só o pensamento fê-lo empertigar-se.

–... Eu preciso sair daqui...!

~

Dentro de uma cela fétida, pequena e quase lotada, Kasumi Uchiha refletia profunda e silenciosamente.

Estava sentada em um canto menos sujo do lugar, encolhida em posição de feto, esforçando-se para manter certa distância dos quinze homens que a acompanhavam na prisão enquanto tentava achar respostas para a atual situação da Torre... Mas foi impossível conseguir concluir qualquer coisa.

Não podia compreender os motivos para Fugaku trair Naruto; não conseguia absorver a ideia de que estava mancomunado com a Akatsuki!... Simplesmente não conseguia entender.

Naruto de fato podia ser um grande idiota algumas vezes, mas Kasumi sabia que não havia no mundo criatura mais esforçada, mais interessada. E, podia ter demorado meses para que acontecesse, mas hoje o Rei amava a nação do Fogo. Amava-a a ponto de querer liderá-la, de querer consertá-la.

Podia ser imaturo e tolo, mas não são todos assim em sua idade...? E Naruto estava amadurecendo, crescendo aos poucos e se tornando um homem tão admirável quanto seu pai havia sido um dia.

A imagem do Rei caindo, gritando de dor fê-la estreitar os olhos. Podia se lembrar da exclamação preocupada de Sakura... Da expressão de choque estampada no rosto de Sasuke... Dos gritos desesperados da desgraçada Hinata.

Porque ele o estava tentando matar...?

Pior que isso: por que estava apoiando Karin?!

Em comparação à Naruto, a princesa ainda era uma criança. Mostrava-se tão estúpida quanto qualquer garota em sua idade, e até podia ser a filha de um grande mercenário, mas era tão imatura e inocente que sequer devia notar a cobra formando ninho bem a frente dos seus olhos.

Talvez fosse isso, Kasumi percebeu.

Talvez fosse essa a diferença que havia condenado o Rei, no fim das contas...

Fugaku queria poder.

Queria o controle da nação do Fogo, e jamais o teria enquanto o desconfiado Naruto estivesse no comando... Ao menos não tanto quanto poderia ter com Karin, tão mais fácil de lidar, tão mais fácil de manipular.

– Você é a esposa do conselheiro.

Alguém murmurou à sua frente. O cheiro forte invadiu as narinas de Kasumi, mas ela conteve a vontade de franzir o cenho e simplesmente ergueu os olhos castanhos.

Aqueles homens não eram bandidos, afinal. Não deviam ser tratados como criaturas asquerosas – mesmo que cheirassem como tal. Eles eram homens decididos, que firmemente se opunham ao regime ditador do Traidor.

– É a nora do duque.

Não eram perguntas, eram observações. E o garoto que as fazia era tão jovem que ela se espantou. – Seu rosto... – Ele ergueu a mão e gentilmente deslizou o polegar pelo maxilar inchado da futura duquesa, que sequer se moveu. – Foi castigada, imagino.

Ele estava sendo cuidadoso e por isso Kasumi não quis recuar. Mentiria se dissesse que não temia sua atual situação: presa em uma cela com mais quinze homens que haviam sido torturados, maltratados e ameaçados em nome do homem que supostamente a havia criado, mas tentou ser otimista.

Aqueles homens não eram bandidos – ela se obrigava a lembrar-se disso periodicamente – e por isso não tinha motivos para temê-los.

– Por que foi castigada, senhora? – Um segundo homem, mais forte e maior que o primeiro rapaz, agachou-se ao seu lado. Kasumi o reconheceu como um comerciante da cidade.

– Pelo mesmo motivo que vocês, imagino. – Embora a situação deixasse a Uchiha extremamente nervosa, tentou soar tranquila.

– Nunca me pareceu o tipo de pessoa que briga para defender alguma coisa. – O comerciante comentou.

Ah! Se ele soubesse...

– A senhora Uchiha sempre foi uma boa pessoa! – O mais jovem exclamou como se tivesse ele sido ofendido. – Todo o natal eu a via visitando o hospital... Acompanhando crianças órfãs e perdidas!... Ela sempre foi uma senhora exemplar!

– Agir como uma senhora exemplar não traria para cá com metade do rosto inchado. – O gorducho apontou para ela com a cabeça. – Por isso me pergunto o que realmente faz aqui.

Kasumi suspirou.

– Quer mesmo saber o porquê de eu estar aqui? – Encarou o grandalhão, incomodada com suas insinuações. Mas embora o velhote realmente estivesse interessado em sua história, não parecia disposto a respondê-la.

– Tire-a daí! – A voz de Obito soou do corredor, e instantaneamente tomou a atenção da morena. – Tire agora! – Ele estava peitando o guardinha que cuidava da chave. – Será que não é capaz de reconhecê-la?! É a nora do duque!

– Sim. Sei disso!... – O rapazote parecia confuso, extremamente constrangido. Seu rosto estava vermelho. – Foi o próprio duque quem a trouxe, meu senhor.

Kasumi sequer tinha notado quando havia começado a se aproximar, mas de repente se viu apertando as grades da cela.

Obito estreitou os olhos e sentiu a cabeça latejar insuportavelmente.

Havia demorado horas para encontrar a filha! Longas horas cobertas por medo e agonia; sentimentos que, ao encontrá-la enjaulada com prisioneiros que não haviam sido abençoados pela fuga, foram imediatamente substituídos por fúria.

“O próprio duque ordenou”... É claro que aquele maldito faria algo como isso!... Na verdade, Obito devia se sentir surpreso por encontrá-la numa cela nojenta, ao invés de uma das salas de tortura.

Embora duvidasse que a segunda senhora Uchiha fosse ter a mesma sorte.

– Estou sendo castigada.

A voz de Kasumi conseguiu tomar sua atenção. Obito sentiu o corpo enrijecer quando, ao se virar, pôde finalmente enxergar as marcas da crueldade de Fugaku no rosto de sua tão querida menina. – Diga-o que se ele acha que eu vou me calar só porque me mandou passar uma tarde na prisão está muito enganado.

Ela estava séria, firme.

Como Mikoto teria sido.

– O grande duque deve estar sonhando se pensa que vai me parar só com isso... – Ela apertou as grades. – Eu não vou desistir. Enquanto eu estiver viva, enquanto sua majestade estiver viva... Eu vou continuar tentando, vou continuar lutando! E se ele quiser que eu pare, vai ter que me matar.

Obito franziu os lábios.

– Ele não vai te matar. – Murmurou fracamente. Talvez Kasumi não se desse conta de sua própria importância... Talvez ela ainda não tivesse percebido que sua vida era o que fazia com que a vida de Obito se movesse. – Mas isso não quer dizer que não vá ferir outros, Kasumi.

A Uchiha sentiu o estômago revirar.

Sabia perfeitamente a quem ele estava se referindo.

– Sakura vai resistir. – Ela tentou soar firme, mas não tinha tanta certeza. Afinal, sua cunhada parecia tão frágil... Tão assustada!... Kasumi se lembrou da cena do quarto; mesmo que a rosada tivesse agido de forma tão corajosa, claramente fora movida pela adrenalina ao invés da racionalidade.

Sakura tinha medo de morrer, e se Fugaku percebesse isso...

Mordendo o lábio inferior, Kasumi afastou os pensamentos. Sasuke jamais escolheria uma mulher fraca para amar, então...

– Eu sei que vai. – Ela tornou a afirmar, mais para si do que para o pai. – E eu vou fazer o que devo fazer: agir de maneira correta, de acordo com os meus princípios... E lutar pelos ideais em que acredito. Doa a quem doer, custe o que custar.

Não sabia quando os demais prisioneiros tinham começado a ouvir a conversa, mas de repente eles começaram a exclamar e batucar nas paredes cinzentas.

– São palavras bonitas, eu devo admitir... – Obito estava sério. – Mas não sei se manteria esse discurso se um dia chegasse a ver sua filha com metade do rosto arroxeado por causa de um monstro.

Os olhos castanhos se estreitaram. Só lembrar-se que Akane podia estar naquele mesmo instante nas mãos de Fugaku fez Kasumi se sentisse prestes a desmaiar. Seus ouvidos zuniram, seu rosto queimou e sua mente parecia flutuar confusa e perturbada.

– O que são ideais, senhora Uchiha, quando alguém que se ama está em perigo?

O olhar angustiado dele fez com que Kasumi percebesse que Obito falava de si mesmo. E embora ainda estivesse furiosa e extremamente decepcionada com o suposto pai, ela sentiu seu coração apertar.

– Eu ainda lutaria... – Decidiu afirmar. – Calar-me para quê? Fazê-lo só faria com que minha filha ficasse tão presa quanto eu.

Obito não a respondeu, mas Kasumi soube que a tinha compreendido.

–... Sakura está condenada... – Ela sussurrou hesitante – Como o Rei... Em algum lugar está sofrendo, morrendo aos poucos...

Não levou nem um segundo para que o mercenário pudesse absorver a informação que a senhora Uchiha o tentava passar... De que o Rei estava em algum lugar, sofrendo e morrendo aos poucos.

Obito pensou que sua filha devia ser muito otimista se pensava que Naruto ainda estava vivo, mesmo depois de Fugaku pegá-lo.

– Fazer o que se deve. Todos nós devíamos fazer isso. – Tornou a afirmar. Seu tom era decidido, mas seus olhos estavam implorativos.

Era uma situação tão estúpida que chegava a ser engraçada, mas Obito não pôde rir. Continuou ali, encarando a filha... Até lhe dar as costas e seguir para fora da carceragem.

Ao que parecia Kasumi estaria mais bem acompanhada na prisão, com seus amigos revolucionários, do que em seu próprio quarto.

~

Fugaku era o primeiro a admitir que, definitivamente, não era a pessoa mais sensível do mundo. Mas mesmo que não fosse sensível, a verdade é que não gostava de agir feito um monstro. Só a ideia o deixava perturbado!...

Não a ponto de ele hesitar, é claro. Tampouco a ponto de fazê-lo desistir de qualquer coisa que almejasse... Mas ao ponto de deixá-lo inquieto, incomodado.

Em geral era como se sentia.

No entanto, enquanto caminhava pelos estreitos corredores de pedra, arrastando Sakura Haruno por uma corda, como se ela fosse uma escrava de guerra... Tinha que admitir: sentia-se extremamente satisfeito. Divertido, até.

Sakura estava encolhida, acuada feito um bicho, o que não era de se surpreender. Ele imaginou que a garota não estivesse acostumada com maus-tratos – o que era uma grande surpresa, visto que era uma órfã –, pois sofrera e gritara muito na sala de tortura, ainda que não tivesse ficado lá mais do que poucas horas.

Não havia sido realmente cruel com a garota... Mas ela estava acabada o bastante para comover Sasuke e ainda que o duque duvidasse que seu filho caçula nutrisse qualquer tipo de sentimento real por aquela estranha criatura de cabelos róseos, aquilo devia servir.

Afinal, seu Sasuke sempre fora muito cuidadoso com todos à sua volta.

Com um sorriso contido, Fugaku virou-se para admirar seu trabalho.

Sakura estava cabisbaixa, mas ele ainda podia ver seu rosto. Os olhos verdes, antes tão brilhantes e alegres pareciam opacos enquanto encaravam o chão. Seus braços tinham hematomas – uma obra em conjunto, do duque e seus subordinados – e seus cabelos, antes longos na altura dos seios, agora eram tão curtos quanto os de qualquer homem ao entrar no exército.

E bem no meio da testa grande e asquerosa, sua obra de arte: com a ponta de uma lâmina, Fugaku lhe tatuara uma forma qualquer, muito semelhante a um losango. Não era algo profundo, mas a marca continuaria ali até o fim da vida dela...

Não que a vida dela fosse se estender por muito.

– Abra. – Ele ordenou ao carrasco quando finalmente alcançara o cárcere de seus filhos. O rapaz abriu a porta e imediatamente concedeu-lhes passagem. – Sabe para onde estamos indo? – Ele perguntou à Sakura com um tom divertido, mas a Haruno estava muda, fora de orbita.

O duque fez uma careta de desagrado, mas decidiu ignorá-la. De qualquer forma, ela não devia continuar calada por muito tempo.

Seguiram em silêncio para dentro do cubículo e o duque aguardou pacientemente até que seu subordinado conseguisse acender duas lamparinas antes de deixá-los sós.

Itachi e Sasuke estavam em silencio, mas o mais velho imediatamente erguera o rosto para ver quem havia chegado. Fugaku notou que seu rosto havia se tornado branco assim que encontrou o corpo da sofrida Sakura, que continuava encolhida e sem qualquer coragem de erguer o rosto.

Embora estivesse exausto e cansado, Sasuke esforçou-se para levantar a fronte e encarar o pai, mas todo seu ressentimento se tornou confusão... Perturbação.

– Sakura... – Ele balbuciou com dificuldade, e a antiga senhorita Haruno finalmente pareceu despertar, erguendo o rosto na direção da voz do amado.

– Sasuke-kun... – Ela sentiu a garganta fechar. Queria correr até ele, abraçá-lo e apertá-lo!... Mas o medo a paralisava. Suas mãos tremiam, seu peito doía e ela não pôde mais controlar as lágrimas. Seus sentimentos estavam à flor da pele, mas ela ainda sim não conseguia se mexer.

Sasuke francamente demorou um tempo para digerir a imagem de sua esposa ferida.

Cada segundo que se passava tornava sua vida mais pesada, mais infernal...

Ele ergueu os olhos raivosos para encarar o pai. E embora a situação da garota inconveniente divertisse o duque ao extremo, Fugaku controlou seus sentimentos e emoções, e continuou sério enquanto fitava seu garoto mais jovem.

– Retaliação. – Ele declarou ao filho.

– De meus atos? – Sasuke parecia repudiá-lo.

– Dos dela também. – Fugaku garantiu. – Sua querida vadia decidiu bancar a rebelde ao lado de sua irmã... – Estreitando os lábios, Fugaku ergueu a franja para exibir o ferimento recentemente costurado na lateral de seu rosto.

Os lábios de Sasuke se estreitaram em um sorriso ligeiramente satisfeito.

– Isso não vem ao caso... – Fugaku suspirou longamente; puxou Sakura pelo braço de um jeito nada gentil, fazendo o sorriso de Sasuke se desfazer imediatamente. – Não está feliz “Sasuke-kun”? – Ele sorria de modo a provocá-lo; distribuía olhares entre o filho e a nora indesejada. – Eu o trouxe companhia... Embora ela não esteja mais tão agradável assim, não é?

Sakura apertou as pálpebras e Sasuke trincou a mandíbula.

– Ainda assim é uma companhia. Imagino que Itachi não esteja dado a conversas, então creio que vá apreciá-la.

– O que demônios você quer de mim?! – Sasuke urrou, tremendo de raiva.

– É simples. – O duque deu os ombros. – Quero que mate o Naruto, quero que se livre dessa... – Ele fez uma careta, mas apontou para Sakura com uma das mãos. – E case-se com a princesa, é claro.

Ao contrário de Itachi, que não havia se surpreendido em nada, Sasuke ficou em silêncio por um instante longo, tão chocado com os planos do pai quanto na facilidade que ele parecia ter em contá-los, como se realmente fossem coisas “simples” de se fazer.

Mas Sasuke percebeu que o “é claro” de Fugaku realmente fazia sentido.

De fato, agora tudo fazia sentido.

– Casar com Karin... – Ele repetiu lentamente, juntando as sobrancelhas. – E como supõe que eu deva fazê-lo, milord? Deve ter percebido que já sou casado, uma vez que machucou minha esposa.

– Seu casamento pode ser facilmente anulado, se ambos concordarem em fazê-lo... – O duque deu os ombros. – Pode alegar que o ato não foi consumado, que ela não pode te dar filhos... Qualquer coisa serve.

Sasuke estreitou os olhos.

– Em troca, vou fazer o sacrifício de deixá-la viva... – Ele suspirou. – Irei deportá-la para o fim de mundo de onde veio. Em Suna ela não vai mais infernizar nem complicar a vida de ninguém.

– E o que te faz pensar que Karin vai querer se casar comigo? – Sasuke estava abismado com a cabeça do pai. – Devia se lembrar, meu pai... De que eu e o tio dela estamos decididos a matar um ao outro em nosso próximo encontro.

Fugaku bufou.

– Como se garotas se importassem com isso. – Ele balançou a mão de maneira banal. – É uma tola e está apaixonada. Nós dois sabemos disso, Sasuke... Vamos lá! É algo fácil de fazer... Todos saem ganhando. De qualquer forma, sabe que aquele garoto vai morrer.

O rosto de Itachi enrijeceu.

– Nesse momento ele está definhando. Então quanto mais rápido você decidir...

Sasuke estava exausto, esgotado, mas mesmo assim fez questão de exibir um sorriso satisfeito ao pai, que imediatamente se calou. Por algum motivo, o duque sentia que algo inconveniente estava por vir...

– Você não vai tocar a Sakura. – Ele afirmou com convicção. – E vou dizer apenas uma vez, seu traidor sujo: não importa o que você faça, eu não vou me casar de novo... – Ergueu os olhos negros até os do mais velho. – Porque Sakura é a minha mulher, assim como mamãe foi a sua e Kasumi é a de Itachi.

Sakura abriu os olhos lentamente, e encarou o rosto do marido com admiração. Sasuke não estava olhando para ela, mas ainda assim... Ela sentiu seu peito se aquecer, seu coração palpitar.

Tornou a sentir-se viva.

A menção à Mikoto fez com que o duque se calasse por um instante.

– Então já sabe... – Ele murmurou lentamente, mas Sasuke não o respondeu. Na verdade, o encarava. Quase como se o desafiasse... E fez com que Fugaku percebesse que não podia perder a compostura.

– Por que pensa assim, garoto? – Ele forçou um sorriso. – Pode acreditar quando digo que tenho muita vontade de acabar com a vida da vagabunda do Rei.

Sasuke sabia que Fugaku só queria irritá-lo, e isso fez com que se sentisse deliciosamente superior.

– Kasumi perdeu o bebê.

Itachi sentiu como se tivessem lhe golpeado o estômago; Sasuke havia dito aquela frase com tanta naturalidade que ele beirou a irritação... Mas Fugaku calou-se tão imediatamente que ele pôde compreender...

Compreender que Sasuke, de alguma maneira, queria atingir ao duque.

– Perdeu o bebê e não pode mais ter filhos. Diferente da minha esposa.

Sakura empalideceu.

Ele não podia estar fazendo aquilo...! Não podia estar falando sério!

Tentou verbalizar “Sasuke-kun!”, mas embora seus lábios tremessem, sua voz parecia não alcançar a garganta.

– O que você...?

– Meu casamento não pode ser anulado, pai. – Sasuke se apressou em interrompê-lo, bastante satisfeito com o desconserto do Uchiha mais velho. – Uma vez que o ato foi mais do que consumado, e se você não a fez abortar na sua maldita brincadeira de tortura, Sakura carrega o meu filho.

Fugaku estremeceu.

– Seu neto. – Sasuke alargou o sorriso. – Talvez o seu herdeiro.

Duas frases simples, que bombardearam os cérebros de Itachi e Fugaku como se tivessem acabado de ingerir um número incontável de informações.

Tudo o que o Fugaku Uchiha mais ansiava no mundo era prosseguir com a pura e majestosa linhagem dos Uchiha, que o nome da família perdurasse por anos e anos... E com uma única neta mulher, aquele era um sonho impossível.

Os dois irmãos sabiam que um herdeiro para o nome Uchiha era tudo o que o duque mais devia desejar na vida... E Itachi finalmente pôde compreender que a satisfação do irmão, na verdade, se dava ao alívio por perceber que Sakura estaria segura.

E embora o machucasse profundamente, ele pôde compreender.

Pôde compreender porque talvez, se estivesse em seu lugar... Talvez agisse da mesma forma, afinal. Tanto quanto Sasuke amava Sakura, Itachi amava Kasumi. Amava-a mais do que sua própria vida, e por ela se disporia a tudo.

Fugaku afrouxou o aperto no antebraço da nora inconscientemente, e recuou poucos passos sem sequer perceber.

– Kasumi... Pode ter outros filhos... – Ele balbuciou, inicialmente confuso. E passando-se poucos instantes, trincou os dentes. – Sua maldita esposa é tão burra que certamente deve ter se enganado!

– Mas você não vai trocar o certo pelo duvidoso. Não é, Fugaku Uchiha?

Sasuke parecia muito tranquilo. Contrapartida, Sakura estava pálida e olhava para o marido com os olhos esbugalhados e apavorados... Como se ele estivesse cometendo o maior absurdo de suas vidas. Como se a estivesse condenando à morte!

– Até que tenha certeza de que o meu filho não é o herdeiro que você vai precisar para prosseguir com esse nome maldito, não vai mais tocar em um fio de cabelo da minha esposa.

Fugaku apertou os punhos.

– É mesmo?... – Ele trincou os dentes. Tremia de fúria. – Pois bem, posso tocar em você. Ei! – O duque foi até a porta aonde o carcereiro devia aguardar o fim da conversa.

Itachi imediatamente se exaltou.

– O que você vai fazer? – Ele estava apavorado.

Perdera a mãe e o filho. Se perdesse o irmão...!

– Quero que leve esse maldito insolente daqui. – Fugaku ordenou quando seu subordinado adentrara ao lugar antes de virar-se para encarar o filho. – Solitária. Com surras de uma em uma hora.

– Não! – Itachi exclamou.

– Não! – Sakura soltou. – Não, por favor...

– Não vai tocar o meu irmão!... Afaste-se dele!

Mas o subordinado já estava obrigando Sasuke a se levantar, e de um jeito nada gentil, o arrastava para fora do lugar.

– Sasuke-kun! – Sakura conseguiu gritar. – Por favor, não... Ele é seu filho!

– Se não calar a maldita boca – Fugaku agarrou-a pelo queixo com tanta força que a machucou. Seus olhos estavam vidrados e furiosos. – Juro que esqueço essa criança maldita e faço você assistir às surras.

Sakura quis continuar a gritar, pois tudo o que mais queria na vida era estar ao lado do marido... Mesmo que fosse para vê-lo sofrer, queria estar lá, olhando para ele, chorando por ele, dando-lhe a certeza de que estaria ao seu lado para sempre.

Mas Sasuke odiaria isso... Então ela se calou.

~

Suzuki Hyuuga nunca havia sido uma mulher generosa.

Desde sempre fora rica e abastada, e para ser franca, nunca havia parado para se importar com a pobreza alheia. Havia criado Hinata como sua filha, mas nunca havia visto muito de si mesma na menina... Ela era boa por natureza, generosa, carinhosa e corajosa, enquanto o ato mais altruísta da vida da matrona Hyuuga foi quando, pela sobrinha, casou-se com Hiashi.

Casamento que com o passar dos anos havia se tornado agradável e até bastante harmonioso. Ela amava as filhas, adorava ao sobrinho e tinha extremo respeito por seu marido, por mais distante que Hiashi fosse.

Com o tempo Suzuki havia percebido que o matrimônio ia muito além do amor mútuo ou da atração. E que o amor nem sempre nascia da paixão.

Porque, à sua maneira, ela realmente havia amado Hiashi... Talvez não como uma esposa devesse amar o seu esposo, mas o amava. E sentia tanto a sua falta que todas as noites desde que tomara ciência de sua morte se punha a chorar na cama.

Mais do que qualquer um, ela desejava que ele estivesse lá. Queria que ele estivesse vivo, firme e forte como sempre havia sido, tomando a frente da situação, comandando seus homens como sempre havia comandado.

Talvez se sentisse assim por seu egoísmo, ela pensou. Porque se sentia cansada demais para seguir em frente e, no entanto, não podia desistir.

Erguendo o rosto, ela olhou para as terras de sua família. Haviam se tornado um tipo de resistência, Suzuki notou. E agora mais se parecia com um campo de batalha pós-guerra, cheio de homens feridos que procuravam assistência de poucos.

Francamente, Suzuki não sabia como reagir àquilo tudo.

Sua vida mudara de maneira tão drástica, em tão pouco tempo, que ela sequer havia conseguido absorver, de fato, sua real situação. De alguma forma, ela havia se tornado um tipo de líder para aqueles camponeses... E mesmo que fosse uma mulher egoísta e fútil, por algum motivo os homens de seu marido a escutavam.

Ouviam-na e, Suzuki sabia, confiariam suas vidas a ela.

– Fez um bom trabalho aqui, senhora Hyuuga. – A voz suave de Kakashi a fez se sobressaltar. – Por favor, não se levante. – Ele sorriu gentilmente, e tomou lugar ao lado dela.

Depois de tudo o que havia passado Suzuki realmente pensou ser uma idiota por sentir borboletas no estômago apenas pelo fato de o comandante sentar-se ao lado dela com aquele sorriso suave.

– Seus homens sabem cuidar bem de feridos. – Ele observou.

– Foram semanas duras... – Ela se ouviu dizer fracamente, e baixou a fronte.

– Eu sabia que os Hyuuga davam suporte em batalhas, mas isso... – Com a cabeça, ele apontou na direção de um grupo de mulheres – criadas de Suzuki – que cuidavam de sete homens deitados na grama. – Devo admitir que estou surpreso.

–... Eu ouvi histórias de lá... – O comentário de Suzuki foi sussurrado. – Dos calabouços, das torturas... – Ela se encolheu e apertou os joelhos contra o peito; ainda olhava na direção dos pobres desgraçados.

– A rainha não está presa em nenhum calabouço. – Kakashi tentou tranquilizá-la. – Ela é a rainha, afinal.

Os olhos de Suzuki se estreitaram.

–... Pensa que vão conseguir trazê-la?... O Rei, eu digo...

– Se sua majestade estivesse morta todos nós já saberíamos. – Ele hesitou por um instante. – Mas creio que se tudo tivesse saído como haviam planejado... Já deviam ter chegado aqui.

Kakashi realmente pensou que, talvez, ela pudesse desabar no choro ao ouvir sua sinceridade... Mas Suzuki continuou ali, imóvel enquanto encarava suas criadas trabalharem.

– Ela é muito mais forte do que eu, sabe...? Hinata. Ela é a criatura mais gentil que eu conheço. Preocupa-se com todos à sua volta... – Ficou em silêncio por um segundo, lembrando-se das muitas memórias com sua menina. – Se ela estivesse no meu lugar, não choraria... E, no entanto, também não ficaria sentada, observando os empregados trabalhar. Ela estaria de pé, cuidando daquelas pessoas como se fizessem parte de sua família.

– E não fazem?

Suzuki o olhou com estranhamento.

– Hinata é a rainha. É a mãe da nação... Todos fazem parte de sua família, não?

Ela abriu os lábios, mas não conseguiu pensar em uma resposta coerente.

De fato, ele estava certo... Mas isso também significava que ela, como mãe da rainha, também devia cuidar do povo, não?

– Está machucado. – Ela notou de repente. Kakashi simplesmente deu os ombros.

– Vou sobreviver... – Bocejou longamente. – Passei um tempo em condições precárias dentro de um abrigo... E depois tive que lutar. É claro que eu ia apanhar. – Ele sorriu à ela, que estreitou as sobrancelhas.

– Descanse... – Suzuki sugeriu enquanto se aproximava. – Vou limpar suas feridas.

~

Itachi nunca havia parado para pensar realmente no que o nome “Uchiha” lhe dizia. De fato, só agora, preso e solitário, ele conseguia parar para refletir sobre a sua família e o que todos eles lhes representavam.

Já fazia quase cinco anos desde que Danzou o havia mandado investigar o pai. Durante todo aquele tempo nenhuma evidência surgiu, e mesmo assim o velho maldito nunca havia desistido.

Parando para pensar, talvez, se Itachi não tivesse tanto medo de que as suspeitas do líder da Anbu estivessem certas, poderia ter notado alguma coisa... Mesmo que um resquício de evidência, porque Danzou certamente devia ter um motivo para desconfiar tanto do duque.

Ele se sentiu um tolo. Um imbecil!... Um inútil.

Estava sozinho, preso num maldito cubículo enquanto seu irmão era torturado.

Seu irmão!... Itachi o amava tanto que trocaria de lugar com ele sem hesitar, caso tivesse oportunidade. Talvez Fugaku aceitasse a proposta, mas certamente diria à Sasuke sobre o sacrifício do irmão, e no fim aquilo o perturbaria ainda mais.

Mesmo assim, quando a porta o som da porta rangendo surgiu, o Uchiha rezou para que fosse seu pai. Quem se importava com a perturbação de Sasuke?! Pelo menos ele estaria a salvo e sem dores!

Mas não foi o duque que surgiu da escuridão.

– Obito...? – Ele estreitou os olhos, realmente confuso, mas o mercenário nada disse. Ele adentrou mais afundo; segurava uma lamparina pequena nas mãos, mas fechou a porta com facilidade.

–... Seu pai deve estar muito agitado para deixá-lo sem um vigia. – Ele observou.

– Não tem como eu sair daqui. – Itachi o lembrou, arqueando as sobrancelhas.

Obito ficou em silêncio. Por tempo demais, Itachi notou.

Ele estava a ponto de perguntar que diabos o tio estava fazendo ali quando o antigo herdeiro Uchiha decidiu seguir em frente.

– Kasumi está presa. – Obito falou lentamente, erguendo os olhos na direção do sobrinho. – Fugaku a machucou... – Ele apertou os punhos, frustrado só por lembrar a cena. – Ela o desafiou, e agora está sendo castigada.

Itachi franziu os lábios.

– Eu estou preso. – Ele o lembrou, murmurando com ressentimento. – Trancado! Algemado!... O que diabos eu poderia fazer aqui de dentro?! – Exclamou alto, furioso com o olhar angustiado do mercenário.

Ele tinha liberdade, voz... Então devia tê-la protegido!

Obito continuou parado, com os olhos estreitos enquanto lutava consigo mesmo.

– Você deve... Fazer o que é certo... – Ele murmurou lentamente e, depois de muita hesitação, se aproximou.

Puxou o molho de chaves – o que Kasumi havia roubado mais cedo – que recuperara na prisão e vagarosamente procurou as que poderiam libertar o sobrinho.

– O Rei foi preso na ala dos criados. – Ele sussurrou ao rapaz. – Não sei porque, mas seu pai não quer dar o golpe de misericórdia... – Os lábios dele se estreitaram. – Talvez queira que o rapaz definhe até morrer.

– Não... – Itachi negou com a cabeça. – Ele quer que Sasuke o mate.

– Aquele rapaz jamais faria isso. – O mercenário observou suavemente, e livrou o marido de Kasumi das algemas, dando-lhe um olhar amplamente sugestivo. – Ele não teria coragem... Mesmo que fosse o correto a se fazer.

– Quer que eu mate o rei. – Itachi não precisou pensar muito para concluir.

–... Quero que faça o que é certo.

~

Fugaku tinha que admitir, ainda que apenas para si, que não havia sido de muita utilidade para ajeitar toda a confusão iniciada pelos rebeldes.

Graças aos acontecimentos seu dia havia se estendido insuportavelmente, muito mais do que ele podia ter imaginado; havia gastado a maior parte de seu tempo lidando com Sasuke, Sakura, a assustada princesa e seus tios insuportáveis.

Incrível como em um segundo todos os seus planos podiam ir por água abaixo!

Aquela explosão sem sentido resultara num número absurdo de fugas, além de uma considerável baixa na Guarda Real. Afinal, ninguém estava preparado para uma fuga em massa, e ao menos no âmbito militar, surpresas nunca são agradáveis.

Mesmo assim, Fugaku sabia que podia contornar a situação. Todos aqueles tolos lutavam pelo Rei, e ele tinha o Rei...

O duque sabia que devia, mas não pôde sentir-se de fato satisfeito com sua situação.

Brigar com seus filhos nunca havia sido agradável, mas a discussão com Sasuke àquela tarde fora extremamente desgastante, psicológica e fisicamente. Porque não importava o quanto Fugaku mostrasse ser melhor, não importava quantas vezes o acertasse, quantas vezes o humilhasse... Sasuke não parecia disposto a se entregar.

Não estava disposto a desistir, tal como o bendito Rei.

Já fazia horas desde que Fugaku havia conseguido golpeá-lo, mas não importava o quanto garoto sofresse, não importava que sangrasse feito um porco, ele não parecia disposto a morrer. Era como uma barata!... Uma maldita barata nojenta!

Fugaku tinha a princesa em suas mãos, a rainha como refém e o rei morrendo aos poucos dentro de um porão qualquer da Torre. Era a situação perfeita para que pudesse alcançar o que sempre havia almejado: o poder!... Mas estava frustrado.

Jamais poderia imaginar a possibilidade de Sakura Haruno gerar um filho de Sasuke... Pensando melhor, havia sido um grande estúpido por não pensar naquela possibilidade. Ele devia ter lidado com ela desde o começo. Devia tê-la afastado da família Uchiha, afastado-a do mundo!

– Maldito dia em que Tsunade trouxe as duas pragas para Konoha...

Ele resmungou amargamente.

Sasuke sempre havia sido um bom filho; um garoto fácil de lidar... Mas tratando-se de Sakura e Naruto, ele era teimoso como uma peste!

Naquele momento o Rei estava preso em um dos porões que ficava na ala da criadagem. Ele não queria dar um golpe de misericórdia... Na verdade, estava decidido a fazer aquele garoto insuportável sangrar até a última gota, definhar até morrer.

A ideia de que Sasuke pudesse matá-lo o agradava imensamente.

Se o fizesse, Karin não teria mais motivos para desconfiar; Yahiko se convenceria da lealdade da família Uchiha por sua sobrinha e a Akatsuki definitivamente não teria mais motivos para ser vista como uma ameaça.

Tudo seria tão fácil! Tão prático!... E, no entanto, ele não podia realmente pensar que algum dia conseguiria fazer algo assim. Fazer com que um de seus filhos desse o braço a torcer a ponto de assassinar aquele que acreditavam ser “A Esperança” da nação... Mesmo que fosse uma ideia completamente idiota.

Ele suspirou longamente e lamentou. Se Sasuke matasse Naruto, tudo daria tão certo!... Mas ele não o faria. Fugaku tinha total ciência disso e, portanto, não se dispôs a enviar qualquer ajuda ao pobre sofredor.

Ergueu o copo e tomou um gole gordo da bebida alcoólica.

Por que seus filhos tinham que ser tão teimosos?!... Aquele definitivamente era um traço herdado da mãe. E o mais frustrante de tudo era que, não importava o quanto sua teimosia fosse insuportável, assim como amava Mikoto, também amava aos filhos.

Fugaku não gostava de bancar o sentimental, mas aquela era a verdade... E pensar nisso fez com que seu corpo pesasse insuportavelmente.

– Milord? Perdoe-me, mas a porta estava aberta. Não respondeu, então...

Ele ergueu os olhos e sentiu o corpo relaxar instantaneamente.

Shirou Zetsu tinha uma postura rígida e hesitante – possivelmente por entrar no refúgio do duque sem permissão prévia –, mas Fugaku só pôde se atentar à pequena menininha de preto que se o olhava com curiosidade.

Levantou-se e ofereceu um sorriso suave à sua neta, que o correspondeu instantaneamente. Akane se soltou do desconhecido e deu passos vacilantes até o avô, que a ergueu com facilidade.

– Que vestido bonito... – Ele elogiou carinhosamente, beijando a testa da pequena, que anuiu timidamente.

– Pra vovó. – Ela explicou como se fosse algo simples, embora o ar tivesse sumido dos pulmões do duque. Parecendo orgulhosa, passou as mãozinhas pela saia pesada. – Mamãe vai gostar...

–... A mamãe não poderá nos acompanhar. – Fugaku decidiu dizer logo.

Definitivamente, só a ideia de lidar com Kasumi Uchiha o irritava. Dentre todas as pessoas, ela era quem menos queria ver!... Mesmo que Fugaku estivesse ciente de que ela devia ir despedir-se de Mikoto, só pensar em sua companhia o fazia sufocar.

– Só nós dois vamos nos despedir da vovó. – Ele decidiu por fim.

A filha de Itachi franziu o cenho ligeiramente; seus olhos, tão castanhos quanto os da mãe, lacrimejaram ligeiramente... Mas ela foi inteligente o suficiente para se controlar.

– Mamãe... Ainda dói...? Ela chora ainda? Por isso não pode ir?

Ele sabia que mentir a uma criança de três anos sobre o estado de saúde de sua mãe era uma grande maldade, mas não pôde evitar.

– Sim. Mamãe ainda chora. Ela está doente, e por isso não pode ir.

O silêncio da garotinha fez com que o duque sentisse um raro aperto no coração.

– Gostaria de ficar com ela, querida?... Com a sua mãe?

No mínimo, ele desejava que Kasumi passasse a noite naquela prisão. Queria que ela ficasse acordada o tempo inteiro, sem piscar os olhos por medo de que um daqueles homens a tocasse, mas percebeu que a soltaria se Akane pedisse.

Em toda sua ignorância, a menininha negou com a cabeça.

– A vovó... A Akane quer vê-la...

Foi como se um peso enorme tivesse saído de seus ombros.

Akane queria ficar com ele... Queria acompanhá-lo, queria se despedir da avó.

Ela não parecia ter medo quando o duque afagava seus cabelos, e sorria timidamente quando ele beijava seu rosto.

Fugaku sorriu, emocionado pela primeira vez em muitos anos, e apertou sua pequena neta num abraço forte e sincero, que foi retribuído com muito bom grado e carinho.

E repentinamente, o som de uma explosão foi ouvido. Tão alto que ele momentaneamente ensurdeceu.

O chão tremeu, as janelas se quebraram e as estantes, repentinamente, começaram a cair. O duque caiu ao chão, mas esforçou-se para proteger a filha de Itachi e Kasumi com o corpo.

– Que diabos?!

.

Levou quase duas horas até Fugaku certificar-se que, de fato, toda a ala da criadagem havia sido destruída. Sete criados ficaram feridos durante a explosão dos dois barris de pólvora que ele não sabia por que demônios estavam lá, e dos quatro mortos, dois eram os guardas de confiança que deviam cuidar de Naruto.

O duque estava furioso, mas mesmo assim tentou lidar com o já estressado Yahiko, que por algum motivo que ele não conseguia entender, estava mais curioso com motivos da explosão do que a própria futura rainha.

– Foi um atentado? – Ele questionou pela milésima vez. – Deve ter sido.

– Quem tenta matar alguém da família real explodindo a cozinha?!

Fugaku praticamente tinha cuspido a frase. Estava tão exausto, tão furioso!... Será que um homem não podia velar a esposa em paz?! Será que era tão difícil assim, para o Ser Superior, deixá-lo enterrar Mikoto como devia ser?!

Sem problemas. Sem interrupções... Era tão difícil assim?!

– Eu quero saber por que essa coisa explodiu, Uchiha. – O ruivo murmurou letalmente. Aparentemente, também já havia perdido a paciência. – Duas explosões em um dia só... Que droga seus homens estão fazendo?!

– Sua sobrinha está viva, não? Eis sua resposta.

De fato, era incrível como absolutamente tudo podia dar errado em um só dia.

Agora mesmo a possibilidade de ganhar a confiança pelo assassinato do Rei...

Ele estreitou os olhos ao ver uma figura conhecida se aproximar.

Itachi estava sujo de terra e poeira; vinha dos escombros com uma expressão tranquila e suave... Como se aquela fosse à situação mais comum do mundo.

– Itachi...?

Mesmo Yahiko não pôde se mover, tamanha sua surpresa.

Sujo, fétido e claramente maltratado, aquele rapaz quase não lembrava o poderoso conselheiro Uchiha, tão famoso por sua beleza quanto por sua inteligência.

– Como você... – Ele não conseguiu concluir a pergunta. Estava surpreso demais para conseguir verbalizar qualquer reação, positiva ou negativa. Itachi estreitou os lábios e depois de um segundo silencioso, encarou o líder da Akatsuki.

– Você queria a morte do rei, não...? – Depois de vasculhar suas vestes, o conselheiro ergueu o colar que Naruto costumava usar. Dois dos três pingentes esverdeados estavam quebrados, mas os dois homens mais velhos puderam compreender perfeitamente o que ele queria dizer.

–... O que você fez...?! – Fugaku estava em choque.

Itachi finalmente levou os olhos gélidos até o pai.

– Eu fiz o que tinha que fazer.

~

Deitado sobre uma capa suja da Akatsuki estendida no chão de terra da passagem subterrânea, o rei se remexia, agonizando como um vira-lata acuado e ferido. Seu peito queimava insuportavelmente; sua cabeça latejava como se estivesse prestes a explodir e seu corpo tremia compulsivamente.

Se de frio ou de agonia, Nonou Yakushi não podia saber.

Estava agachada ao lado dele, tratando-o como melhor podia, mas temia não ser o bastante. O rei ardia em febre; suas feridas estavam em péssimo estado, infeccionadas pela falta de tratamento... E só Deus podia dizer como podia estar vivo depois de tanto sangue perdido.

– Vamos, rapaz... Não pode morrer agora! Aquele garoto está preparando terreno para nós... Vai recuperar seu reino, jovem. Então seja forte!

Mas Naruto gritou quando ao sentir a pressão do cuidado sobre uma das feridas.

Ele estava desperto, mas não conseguia ouvi-la realmente. Era impossível, impensável prestar atenção em qualquer coisa que fosse aquela dor insuportável!...

Embora de vez em quando conseguisse ouvir sua voz. Nunca era capaz de decifrar suas palavras, mas podia ouvi-la... Tentou respondê-la algumas vezes, exibir qualquer sinal de consciência, mas tudo saía por sua garganta eram gritos e gemidos de dor.

– Sua esposa está lá em cima, garoto... Seus amigos! Então resista!

Ele sabia disso... Sabia que precisava resistir, que precisava sobreviver!... Salvar Sasuke, salvar Sakura. Salvar Hinata... E o filho que ela finalmente esperava. Naruto sabia que não podia morrer, e estava decidido a aguentar. Mesmo que fosse insuportavelmente doloroso.

– Precisa sobreviver... Precisamos de você, majestade.

Notas finais
Fico me perguntando se vou perder leitores, agora que Naruto vai acabar... Não sei, mas existe a possibilidade, né? É muito triste pensar que talvez eu não escreva mais fanfics de Naruto, por falta de leitores... Também estou me perguntando se vocês vão desistir da fic por causa dos meus atrasos. Só de pensar nisso eu fico triste, mas posso compreender. É realmente complicado acompanhar uma história onde a autora não cumpre prazos... E eu realmente, realmente sinto muito por isso. :( Eu odeio bancar a irresponsável. Vocês sabem que eu adoro escrever, mas realmente... Foi difícil. Esse capítulo fez com que eu me lembrasse de uma nota da Matsuri Hino (a autora de Vampire Knight), onde ela dizia que de vez em quando tinha vontade de desistir de escrever histórias sérias. De fato, por algum tempo eu me senti assim em relação à TK... Mas eu já escrevi tanto, gente... E já planejei tanto da bendita próxima fase!... Não sei, acho que seria uma grande besteira, e uma grande traição, deixar os meus leitores sem um final. e.e Uma traição pra mim e pra vocês. Eu sei que podem desistir, mas garanto que não vou largar a fic. Posso demorar a postar, mas não vou desistir até chegar ao final. Por isso, espero que aguentem... x.x *Suspiro longo* Acho que eu ia dizer outra coisa, mas... O sono fez-me esquecer. q Bem, minna... Boa noite. Três e quarenta e eu vou acordar às oito. Mais uma vez agradeço a todos os que leram e me procuraram! E mais uma vez lamento a demora... ;-; Espero que não desistam de TK. sz Eu vou tentar escrever o próximo ainda essa semana, então... Até domingo, espero. ;)