The King
40 Em Família.
Notas iniciais
Capítulo 40 – Em Família.
O dia estava terrivelmente feio.
Não tinha ventania, nem chuva, nem neve, o que era ótimo para um inverno, mas as nuvens estavam escuras, carregadas, e o frio era quase agudo.
Naruto realmente não acreditava que fosse chover naquela tarde. Não sentia o típico cheiro da terra molhada, que denunciava tempestades. Também não parecia que ia nevar, e embora estivesse realmente muito frio, ele acreditava que tudo daria certo.
Hinata invadiu o escritório do rei sem ser anunciada, mas o esposo não se importou com isso. Ela o havia deixado em sua sala de visitas depois do desjejum, há quase uma hora, no intuito de se vestir apropriadamente para seja lá o que fosse que Naruto planejava e, naquele meio tempo, aparentemente, talvez suspeitando da demora da esposa e da prima, o soberano decidira dedicar-se ao trabalho.
Bastou que a rainha entrasse na saleta para ele erguer os olhos azuis em sua direção. Não que ele estivesse prestando atenção à carta de Mei – estava ansioso demais para tal coisa.
O sorriso que ofereceu à sua mulher foi cheio de admiração, e encantou-a.
Hinata usava um vestido longo, com mangas cumpridas e ombros caídos; era lilás e branco, de tecido pesado, com bordados claros e arroxeados, de rosas abstratas. Muito bonito, mas não espalhafatoso.
Os cabelos estavam soltos, com mechas laterais presas de maneira simplória, adorável na opinião do esposo.
Naruto levantou-se, e aproximou-se lentamente, admirando-a no meio do caminho, deixando-a nervosa por isso.
– Já que não sei aonde vamos, não sabia o que vestir. – Ela olhou para o chão, ansiosa e envergonhada. – Acredito que estaremos em um lugar aberto, uma vez que convidou sua prima para nos acompanhar. – Naruto sorriu, divertido por notar que aquilo a decepcionava.
Ele empurrou a mecha de cabelo que ela mexia para trás de seus ombros. – E isso a incomoda, majestade? – Hina enrubesceu; ainda olhava para baixo.
– Eu só pensei... Só pensei que... – Ela ergueu os olhos, tinha as faces estupidamente avermelhadas. – Pensei que talvez passássemos juntos, só nós dois. – Naruto quis rir.
De fato, durante a insuportável viagem, enquanto planejava o que fazer para a esposa em seu dia especial, havia considerado aquela possibilidade: fugir dos guardas, pedir ajuda para Sasuke e conseguir um chalé isolado, onde ele e a esposa ficariam juntos, só os dois, o tempo inteiro... Realmente sozinhos.
Mas desconsiderou por achá-la egoísta. Afinal, aquilo seria mais um presente para ele, do que para ela. Não. Hinata não merecia ser negligenciada. Merecia uma surpresa adorável e encantadora, como ela era.
Foi isso o que ele havia pensado, até então.
– Se eu soubesse que lhe agradaria, teria feito. – Ele confessou. – Na verdade... – Franziu as sobrancelhas. – Eu ficaria muito mais satisfeito se passássemos o dia inteiro juntos, sozinhos e afastados... – Ela sorriu com a ideia, e ele sorriu com o sorriso dela.
Como uma criatura podia ser tão linda?!
– Mas acredito que vá gostar do que planejei.
– Nós vamos ao campo? – Ele deu os ombros como se não soubesse, e ela embicou os lábios inconscientemente. – Já estamos para partir. Pelo menos me dê uma dica!
– Nenhuma dica. – Naruto foi claro, e beijou o beicinho dela. – E, a propósito, você está linda. – Hinata enrubesceu. – E o vestido é perfeito para onde vamos. No entanto...
Hina olhou para os próprios sapatos – um par de botas femininas – e depois fitou o marido, preocupada. – Eu devia colocar saltos? – A ideia era terrível, porque ela sabia que, fosse o que fosse que Naruto planejava, não era dentro da Torre. E sair sem botas naquele frio...
– Oh, não. – Naruto gargalhou. – Eu não a obrigaria a usar saltos nesse inverno. Na verdade, estou preocupado com esses seus ombros desprotegidos... – Ele aproximou-se mais, e depositou um beijo doce e muito constrangedor no ombro no da esposa, que enrubesceu. – Vamos buscar uma pele... – Murmurou contra a pele dela, e sorriu por senti-la estremecer.
Quando os olhos azuis se ergueram, deliciaram-se por vê-la vermelha. Tornou a erguer a fronte e beijou com carinho extremo os lábios róseos, que estavam levemente entreabertos. – Certo...? – Ela anuiu debilmente, mas nenhum dos dois fez menção de se afastar.
Não, Naruto não queria que ela cobrisse os ombros.
Na verdade, queria e não queria. Queria, porque assim ela ficaria aquecida, protegida do frio e não queria, porque na verdade sua vontade era tirar toda e qualquer peça que escondesse seu corpo, sua pele.
Só o pensamento fez o estômago do Uzumaki revirar, e somado aos olhos hipnóticos da esposa, fixos aos seus, encantados e apaixonados, fez seu corpo queimar, seu coração acelerar.
Quase sem pensar, ele enlaçou a cintura dela, puxou-a possessivamente e abocanhou os lábios doces. Hinata se apoiou nos ombros largos, e deliciou-se com o beijo ávido.
Foi guiada até o livreiro mais próximo, lentamente, sedutoramente, e foi rendida quando suas costas encontraram o móvel. O beijo não havia parado em instante algum; ele levou suas mãos, quase desesperadas, até o volumoso seio da esposa, apertou-o com vontade e enlouqueceu quando a ouviu arfar.
Ele sabia que tinha planos, sabia que deviam se afastar, e se amaldiçoou por isso. Mas, ainda que soubesse, não sentiu forças, nem vontade de fazê-lo. Ele deslizou os lábios pelo rosto de Hinata até o seu pescoço, e os olhos azuis encararam os laços da parte frontal do vestido, como se ele estivesse num dilema.
Ele queria despi-la. Ah, como queria!
Definitivamente, fazer amor no escritório lhe parecia muito excitante.
Mas sabia que ela gostaria da surpresa. Sabia que ficaria feliz, quando soubesse o que ele havia planejado. Sabia que ela ficaria radiante, e queria ver aquele rosto bonito radiante, alegre e surpreso.
Mas, ao mesmo tempo...
Ele suspirou como se estivesse sendo torturado. – Eu quero que me toque... – O murmúrio tímido de Hinata fê-lo erguer os olhos; ela tinha o rosto vermelho e uma expressão muito ansiosa. – Aqui, agora... Sempre... – Naruto não conseguiu evitar um sorriso, e tornou a beijá-la.
Demoradamente, carinhosamente.
– Não há nada que me deixe mais feliz do que estar ao seu lado... – Ela murmurou entre os lábios dele, e Naruto estremeceu quando sentiu as mãos tão delicadas alisarem sua nuca; afastou os lábios dos dela, apenas milímetros. Ele deslizou a boca pelas faces que pareciam feitas de porcelana, e mordeu as maçãs de seu rosto; beijou o canto de seus lábios, e a ponta de seu queixo. As mãos de Hinata emaranharam com os cabelos loiros. – Como eu o amo... – Murmurou sem pensar. – Tanto, tanto... – E ele tornou a beijá-la nos lábios.
Quem se importava com a surpresa?
Quem ligava para o quanto ele tinha gasto naquela ideia maluca?!
Quem se importava com o fato de que pessoas os esperavam?
Ele queria continuar ali; queria sentá-la na mesa, erguer sua saia, retirar suas anáguas e possuí-la ali mesmo. Queria baixar seu vestido e deliciar-se com a pele dela, com o cheiro dela... Queria beijá-la, até fazê-la perder o fôlego. Até perder o próprio fôlego!
Queria amá-la a tarde inteira, a noite inteira. Possuí-la, tomá-la, amá-la, e...
– Cof, cof. – O barulho fez o casal se separar imediatamente.
Se naquele minuto Naruto não tivesse notado a envergonhada prima, ao lado do guarda que deveria anunciá-la, provavelmente teria mandado o odioso e estúpido homem para a forca.
Por que diabos ele não tinha levado a esposa para um maldito chalé isolado?!
– Perdoe-me, majestade. – Karin baixou a fronte, realmente constrangida.
– Tudo bem... – Naruto murmurou a contragosto, porque não, não estava tudo bem. Ele coçou o rosto, desconfortável, e suspirou. – Tudo bem... – Repetiu a si mesmo, e então olhou para a prima.
Karin também usava um vestido de mangas longas e tecido pesado; diferente do de Hinata, o dela tinha, além de bordados, babados, mas também era uma peça bonita, de uma cor rosa que combinava muito com o tom de pele da moça. – Está maravilhosa, alteza. – A rainha a elogiou com sinceridade e um sorriso sem graça.
– Sim, sim. O vestido é muito bonito. – Karin enrubesceu, porque aquela era uma das peças que a rainha havia a presenteado. – Está bonita. – O rei foi sincero. E então, como um bom marido, decidiu afastar-se do mau humor.
Aquele era o dia de Hinata, afinal de contas! Ainda que fosse muito frustrante, sua libido poderia esperar até o anoitecer.
O sorriso que surgiu pelo pensamento foi imediato. – No entanto, assim como estava dizendo à minha esposa, — antes de começar a agarrá-la, Karin imaginou. – Sugiro que vista uma pele. Podemos estar sem neve, nem chuva, mas o frio é de matar. Seguiremos de carruagem até nosso destino, mas depois de chegar lá... – Ele fez uma careta. – Realmente, sugiram que se vistam mais.
A única coisa que Karin tinha para protegê-la do frio era uma capa de veludo negra bastante batida, e ela estava longe de ser comparada a uma pele. Ela não quis dizer isso ao rei, mas seu semblante, constrangido e envergonhado, fez com que Hinata percebesse.
Embora tivesse nascido filha da abastada família Hyuuga, Hinata sempre fora muito atenta ao semblante das pessoas, e era, em geral, muito boa para adivinhar aquele tipo de pensamento... Talvez porque gostasse de ajudar aos outros.
Quantas peças de roupa ela já tinha dado à Tenten, para furtivamente levá-las para as criadas mais baixas? Especialmente de inverno. Com os trilhões de vestidos que a mãe sempre encomendara à costureira, Suzuki dificilmente notava o sumiço das peças da filha.
Claro, ela não podia ter certeza do constrangimento de Karin. Talvez ela só estivesse constrangida com o flagra – o que era bem plausível. Mas, ainda assim, Hinata se aproximou da prima Uzumaki, segurou suas mãos e com um sorriso luminoso, convidou-a para ajudá-la a escolher um manto de pele bonita.
Karin aceitou, um pouco envergonhada, um pouco abatida, e as duas seguiram para os aposentos reais sem que a ruiva sequer suspeitasse que seria presenteada com seu primeiro manto com símbolo real.
Hinata tinha ganhado dos conselheiros, quando se tornara oficialmente a princesa real – ela tinha dois deles, o outro era um presente dos pais; não era mais princesa, então não viu problema em livrar-se de um.
Um manto usado, mas que Karin definitivamente guardaria com muito carinho.
~
Nagato fingiu dormir até tarde aquela manhã, mas havia passado o tempo inteiro na biblioteca de seus aposentos, sentado à janela, observando cautelosamente toda a movimentação da parte exterior da Torre.
Ele havia percebido que os criados estavam bastante agitados, tal como alguns guardas, mas não fazia ideia do que se tratava até Karin falar-lhe que era o aniversário da Rainha.
Nagato havia se sentido muito estúpido por deixado escapar algo tão simples quanto a data de aniversário da rainha. Havia providenciado um presente com alguma criada da Torre que era agregada à Akatsuki, mas não poderia aparecer na frente dos soberanos até ter o que quer que ela comprasse em mãos.
De fato, talvez aqueles dois nem se importassem. Talvez, o fato de Nagato não estar ciente do aniversário da antiga senhorita Hyuuga fizesse Naruto considerar a possibilidade de que o ruivo não estivesse tão de olho neles quanto imaginava...
Mas então o príncipe lembrou-se da conversa que haviam tido no país das Águas, e concluiu que era impossível. O rapaz até poderia considerar normal ele não saber dessas coisas.
Seu pai acharia normal.
Nawaki e Naruto eram estupidamente parecidos, e Nagato estava ciente disso. Eles tinham personalidades, ideias e convicções bastante parecidas. Nenhum dos dois, também, tinha muito senso para responsabilidades às normas sociais: eram impulsivos, e em certas ocasiões, tolos.
Karin também se parecia com eles, em personalidade. Sua filha era impulsiva na maioria das vezes – em geral, quando estava irritada – e também possuía uma forte personalidade. Nagato se lembrava que, desde menininha, não conseguia deixar de compará-la à Kushina. Não, parando para pensar, mais do que com Naruto e Nawaki, Karin se parecia com Kushina.
Ele observou, da janela da biblioteca, a filha entrar na carruagem, acompanhada da rainha. Ela ria e sorria, mas a rainha sempre mantinha a reservada e encantadora expressão tranquila.
E não pôde deixar de comparar aquela garota à Konan.
Pensar nisso fez com que o estômago dele revirasse. Porque simplesmente não podia olhar para aquela gente sem parar de fazer comparações com pessoas que ele amava?! Eles eram barreiras a se superar, para recuperar o que devia ser seu, o que lhe pertencia, por direito! O que deveria ter sido de Nawaki e repassado para Nagato. Eram inimigos. Sim, inimigos!
- Mas você é da família.
A frase de Naruto soou em sua mente, torturando-o, fazendo-o estreitar os olhos. Por que sentia uma dor tão estridente? Mal conhecia aquele rapaz, pelo amor de Deus! Que importava, se ele e o seu falecido e amado pai eram tão semelhantes?! Que importava que ele fosse filho de Kushina, sua amada prima? Que importava se ele via traços da própria filha naquele garoto rabugento e cabeça oca?!
Ele viu Naruto se aproximar da carruagem, puxando um cavalo branco consigo.
Havia avisado algo às mulheres, e então, depois de sorrir para elas, montou e seguiu na frente. De novo, Nagato pôde notar, com estranhamento, a aversão do rei à carruagens.
– Espreitando às escondidas, amigo? – A voz de Yahiko o assustou; ele chegou a suspirar, aliviado, ao ver a figura do ruivo adentrando ao cômodo. – Konan me falou que o garoto vai levar Karin e a rainha à um passeio... Não é melhor irmos junto? – Ele não gostava, nenhum pouco, da ideia de ter a sobrinha, a última coisa que a irmã deixara, nas mãos do inimigo.
– Eles estão acompanhados, não teremos problema. – O ruivo murmurou, voltando a observar pela janela. Ele viu a carruagem das mulheres partir quando o cavalariço estava pronto, e suspirou longamente por isso. – Além do mais, minha filha merece um pouco de descanso. – Olhou para o amigo de soslaio. – Ela merece um pouco de distração, não acha?
Francamente, ele não achava. Mas Nagato era o pai, então devia saber o que estava fazendo. Deu de ombros, sentou-se no sofá e descansou os pés na mesa de centro. – No fim, acho que foi muito bom que eles saíssem. Assim, podemos conversar.
Nagato estreitou as sobrancelhas, confuso e surpreso, mas acabou se aproximando, e sentando ao lado de seu quase irmão. – Segundo Konan, — Yahiko prosseguiu. – Karin gosta bastante da rainha. Não acho que elas cheguem a ser amigas, mas parece que e considera a garota muito gentil... – Ele suspirou. – Talvez devêssemos mandá-la de volta. Não é bom que ela se envolva tanto com o casal real. – Nagato percebeu que o amigo o olhava de maneira analítica, e suspeitou que os temores de Yahiko também se aplicassem a ele. – Aquele homem também está estranho... – O akatsuki suspirou longamente. – Desde que voltamos, ele não tentou se aproximar para pressionar. Pergunto-me se algo aconteceu, na nossa ausência. – A sobrancelha cor ferrugem se estreitou. – Konan disse que não sabe de nada, e isso me preocupa ainda mais... Você sabe o quanto ela é observadora.
– Eu já te disse antes, Yahiko: aquele homem é de Konoha. Talvez se sinta estranho por voltar nessas circunstâncias...
– Como você tem se sentido? – Nagato não o respondeu. – Por favor, te conheço bem o bastante para saber que não se agrada com o andar da carruagem... Está disposto a desistir? – Ele viu os olhos lilás do amigo se estreitarem e percebeu que Nagato estava sofrendo.
– Isso... Não é algo que se pode desistir...
Foi o que o Uzumaki lhe disse. Francamente, Yahiko teve que se controlar muito para não levantar, ir até ele e socar aquele rosto depressivo.
Ao invés disso, ajeitou-se na cadeira, apoiou a cabeça na palma da mão e o encarou com olhos entediados. – “Não é algo que se pode desistir”? Isso não parece você. – Mais uma vez, não houve resposta. – Nós somos os fundadores da Akatsuki, amigo. Somos quem decide o que essa maldita organização faz, ou deixa de fazer, independente daquele bastardo. – Ele desviou os olhos castanhos para qualquer lugar que não fosse o insuportável olhar dolorido do amigo. – Aquele garoto, de certa forma, é uma das poucas pessoas que sobrou da sua família... Por isso, mesmo que você queira desistir...
– Por causa da avó dele, os meus pais estão mortos! – A exclamação do Uzumaki soou irritada e perigosamente alta. – Só porque ela queria pôr a filha como rainha... Algo que, estou certo, Kushina não queria. – Ele apertou os punhos por lembrar-se da prima. A bela, adorada e sorridente prima.
– Você a amava, não é? – A pergunta foi simples, mas fez com que o estômago do ruivo congelasse. Nagato encarou o amigo com surpresa e agonia. – É por isso que, mesmo odiando a tal Tsunade, não consegue pensar mal dela... Da sua prima. – Ele abriu a boca para negar, mas não pôde fazê-lo.
Sim, ele amava Kushina.
Em sua infância, juventude, e mesmo hoje, amava Kushina.
Yahiko pôde perceber que havia acertado o palpite assim que enxergou a culpa nos olhos do amigo. – Então, a Mai...
– Eu amei a Mai. – Nagato foi sincero. – Amei muito. Eu queria cuidar dela, queria estar com ela... Realmente a amei. – Por Deus, era verdade! Realmente verdade! No dia da morte de Mai, foi como se tivessem arrancado o fígado do corpo de Nagato... Mas tinha que admitir, ao menos para si mesmo, que para início de conversa, só se interessara na irmã de Yahiko por ela ser extremamente parecida com a prima, tanto em personalidade, quanto em aparência. – Realmente... Amei a Mai...
Yahiko deu os ombros, surpreendendo-o. – Você foi um bom marido para ela, enquanto estava viva. – O mercenário levantou-se, e seguiu uma mesa de leitura. – Mai o amava, e era feliz no casamento. Isso basta para mim. – Embora dissesse isso, o akatsuki puxou a garrafa de bebida alcoólica que Nagato trouxera mais cedo, e lotou a taça que descansava ao lado dela e virou o copo para beber tudo num gole.
– Mas, bem. – Yahiko prosseguiu, virando-se para encarar o amigo. – Se você não culpa Kushina Uzumaki por algo que Tsunade fez, porque culparia o filho dela? – Antes que o outro pudesse responder, continuou: — Falando pela Akatsuki, não acredito que tenhamos que conquistar o país do Fogo. – Ele encheu a taça mais uma vez. – Uma aliança com a nação do Fogo seria suficiente. – Bebeu de novo, agora com mais cautela e calma. – E que se dane aquele maldito homem.
– O Naruto, agora, ocupa o trono do meu pai... O trono que deveria ser dele... Que deveria ser meu. – Nagato murmurou, mas não havia mágoa em sua voz.
Na verdade, ele parecia tentar convencer a si mesmo.
– Ninguém quer ser rei, Nagato. – Os olhos lilás se ergueram até o amigo de infância. Yahiko estava sério. – Eu sei disso, você sabe disso. Se pudesse escolher... – E então suspirou longamente; deixou a taça de lado e a frase no ar. Bagunçou os cabelos, irritado com toda aquela situação surpreendentemente desconfortável. – Aquele garoto faz parte da sua família, e é o filho de alguém que você amou... Ou ama. – Ele tornou a encarar Nagato. – Então, pare de ser covarde. Pense com seu coração, e deixe de ser influenciado por aquele maldito calhorda.
~
Hinata não sabia para onde o condutor a estava levando, mas estava francamente muito satisfeita com isso. Não, mais que satisfeita. Estava feliz! Feliz por Naruto querer fazê-la especial em seu aniversário, feliz por ele estar se esforçando para fazer algo para e por ela.
– Pergunto-me para onde iremos... – Karin murmurou pensativa. – Sua majestade realmente não deu nenhuma dica? – Hinata riu.
– Nenhuma.
– Oh, isso é terrível. – Mas a ruiva sorria. – Digo, é terrível, mas incrível. Deve estar encantada, majestade. – A rainha não pôde negar. – Talvez estejamos seguindo para fora da cidade...? – Ela olhou para a janela fechada com cortinas e se precisou de muito autocontrole para não abrir e espiá-las.
– Vossa alteza é muito agitada. – Hinata observou de uma maneira tão repentina que Karin enrubesceu. – Oh, por favor, não leve isso como uma ofensa. Gosto de pessoas agitadas. Meu marido é muito parecido com você.
– Ele realmente parece bastante extrovertido... – Ela se calou quando começaram a ouvir risadas. E música! As duas se entreolharam, surpresas, mas antes que pudessem se mover e tentar espiar, a carruagem parou. Elas ficaram confusas pela viagem parecer tão rápida.
Hinata pôde ouvir a voz de Naruto soar alto, do lado de fora da carruagem. Ele agradeceu à alguém, e então, poucos segundos depois, a porta do transporte abriu-se.
Naruto surgiu com um sorriso animado. – Princesa. – Baixou a cabeça com pompa exagerada. – Minha rainha... – Ele lançou um olhar de veneração à esposa. – Seu destino. – E esticou a mão na direção dela.
Hinata sentiu o estômago revirar, só por ter aqueles olhos azuis que ela tanto adorava fixos em seu rosto; ela aceitou a mão dele, levantou-se agachada do banco para sair da carruagem, mas antes que pudesse sequer pisar nos degraus, sentiu-o erguê-la pela cintura para colocá-la no chão.
Ele sorriu quando a viu enrubescer, deu uma piscadela e voltou para a carruagem, a fim de ajudar a prima.
Enquanto Karin descia, desajeitada e envergonhada, Hinata se surpreendeu com a visão da praça principal da cidade:
Próximas à fonte, uma quantidade considerável de crianças estava reunida. Elas riam e sorriam, algumas brincavam e outras apenas observavam com surpresa e encantamento a grande carruagem real.
Um palco havia sido montado em um canto onde mendigos costumavam ficar, e uma banda que Hinata nunca tinha visto tocava alegremente, e aos pés desse palco, poucos casais aventuravam-se a dançar.
Comerciantes gritavam, anunciando descontos; lojas que em geral costumavam fechar as portas no inverno estavam abertas e enfeitadas, assim como, Hinata reparou, a praça em si. – Madames, — Naruto tomou a frente. – Eu lhes apresento, oficialmente, o primeiro Festival de Inverno da Cidade Imperial!
Hinata riu, uma risada melódica e maravilhosa, que denunciava sua felicidade.
Karin observou a animação do povo bastante abismada, pois depois de algumas das conversas do pai e do tio, que havia ouvido furtivamente, imaginava que o povo de Konoha fosse depressivo, miserável, triste e revoltado.
Vendo-os agora, não pareciam nada disso.
Claro que ela não pôde reparar, em meio à toda aquela energia, a força policial, que cercava todos os cantos da praça.
Apenas por segurança, Naruto dizia a si mesmo. Apenas por segurança.
Ele ofereceu o braço à esposa e lançou um olhar à prima, indicando-a que os seguisse. – Como você fez isso tão rápido?! – Hinata estava abismada com a quantidade de nobres nas ruas. – Chegou há dois dias!
– Oh, todos estavam esperando o aniversário da rainha. – Ele lhe lançou um olhar divertido. – Foi muito fácil convencê-los a trocar um baile pelo festival. Sua tutora contribuiu muito com a organização do evento. Shikamaru, Kakashi e o comandante da força policial negociaram com os comerciantes. – Naruto havia gastado toda a verba que usaria no baile de gala da rainha para investir no comércio, na música e na decoração das ruas de Konoha. Os antigos conselheiros o esganariam por isso, mas francamente, o rei estava bem mais satisfeito com o resultado.
– É tudo tão...
– Alteza! Alteza! – Uma voz infantil clamou alto, e um garotinho se aproximou, ofegante e avermelhado.
Hinata imediatamente o reconheceu como uma das crianças que costumava abordá-la em suas visitas aos carentes, e o garotinho, muito tímido, estendeu um ramalhete de flores muito mal feito em sua direção. – F- Feliz aniversário! Eu, a Mayuri, o Daru e a Makise colhemos essas flores porque achamos muito bonitas, e pensamos que sua alteza ficaria feliz! – Hinata riu, agachou-se e pegou o ramalhete.
– Ei, criança. Se você quer fazer uma homenagem, faça direito. Ela é “majestade”, não “alteza”. – Moegi murmurou, cruzando os braços. Ela e Hanabi haviam se aproximado.
O garotinho fez uma careta, e deu a língua à garota ruiva, que lhe sorriu em resposta. – E como vocês estão, crianças? – Hinata estava ansiosa para ouvi-lo. Há tanto não os via! – Que belo casaco! – O garoto enrubesceu com o elogio, e sorriu envergonhado.
– É que o papai arrumou um trabalho, então me deu de natal. É mesmo muito bonito, não é? – Ele olhou para a rainha com animação, e Hinata concordou com um assentir. – É bem quente, também. E...
– Majestade, eu estou surpreso! – A voz de Naruto soou com falsa perplexidade. Hinata e o menino lhe levaram a atenção. – Quando se tornou tão negligente aos seus deveres? – Ele sorria provocante. – Falar tão intimamente com um senhor, sem sequer preocupar-se em apresentar sua família. – Hinata comprimiu o sorriso.
– Oh, é verdade. – Ela se levantou, e tomou postura. – Deus! Onde estão os meus modos?! – Karin abafou uma risada. – Perdoe-me. Este é o senhor Rintarou Okabe. – O menino se curvou de maneira desajeitada. – É um amigo de longa data. – Olhou sorridente ao rapazinho. – Conheço-o desde antes de me tornar princesa. Não é, Okabe?
– Sim, alteza.
– Majestade. – Moegi o corrigiu, rindo.
– M- Majestade!
Karin estava se perguntando internamente de onde uma mocinha rica – porque era o que Hinata devia ter sido, antes de entrar para a família real – devia conhecer um plebeuzinho.
Um plebeuzinho adorável, ela tinha que admitir, mas ainda assim, um plebeu.
– Quando vinha à cidade, a senhorita Hyuuga nos trazia comida e roupas. – Okabe, mesmo inconsciente, respondeu às suas questões. – Todas as crianças gostam muitíssimo dela! – Hinata fez uma careta.
– Isso é um exagero. Sequer conheço todas as crianças da cidade!
– Mas as que a conhecem, a adoram. – Ela sentiu o rosto corar, e Naruto sorriu.
– As apresentações, majestade. – O marido a recordou.
– Oh! É verdade. Okabe, esses dois são sua majestade, o rei Naruto Uzumaki. – Naruto baixou a fronte para o garotinho. – E essa, sua alteza, Karin Uzumaki. – Envergonhado e sem saber o que fazer, o menino pôs-se de joelhos.
– É- É uma honra!
– Não, não. É um prazer conhecer um amigo de minha esposa. Por favor, levante-se Rintarou Okabe. – Ele obedeceu. – Poderia fazer a gentileza de levar-nos até os seus ajudantes no presente? Estou certo de que a rainha apreciaria muito esse gesto.
Okabe anuiu imediatamente. – Eles queriam vir. – Explicou. – Mas estavam muito envergonhados, já que... – Ele calou-se, mas lançou um olhar sugestivo à Naruto.
O loiro riu. – Bom, então teremos que ir até eles, querida. – Envolveu a cintura de Hinata intimamente, quase se esquecendo do fato de estarem em público, ao ar livre. – Estou ansioso para ouvir relatos sobre a vida plebéia de minha tão competente rainha... – Tinha algo estranho no tom de voz dele, que soava como provocação, e fazia Hinata enrubescer só por ouvir. – Karin, — ele virou-se para a prima. – Se importaria em acompanhar Hanabi e Moegi? Elas vão mostrá-la à cidade.
– Oh, não. É claro que me importaria. Fico grata por trazer-me, majestade.
Naruto suspirou longamente, exasperado. – “Majestade”, “majestade”... – Balançou a cabeça com desgosto. – Faça um favor e chame-me de “Naruto”. “Meu primo” serve, mas não fique me chamando de “majestade” quando estamos entre amigos. – O garotinho sorriu alegremente ao ser incluído na lista de “amigos”, mas esperou que nenhum deles notasse.
Karin, além das expectativas, gargalhou da exasperação do Uzumaki. – Certo, então. – Concordou. – Eu fico grata por ter me trazido, meu primo. – Ele pareceu satisfeito com aquilo, balançou a cabeça em aprovação e, após despedir-se, afastou-se com a esposa e o jovenzinho.
Karin passou a maior parte do festival ao lado das damas de companhia da rainha. Moegi era agitada, alegre e o tempo inteiro era parada por conhecidos. Ela havia comprado vestidos, colares, pulseiras e anéis artesanais. Havia apresentado Hana e Karin à uma quantidade incrível de pessoas, e depois, decidiu ir dançar.
Insistira muito para ser acompanhada, mas as outras preferiram esperar dentro de uma loja qualquer.
Diferente de Moegi, Karin considerou Hanabi uma moça calma e tranquila. Tinha passado o tempo inteiro calada, pensativa, embora vez ou outra – a ruiva cria que por mera educação – iniciasse um assunto, que de qualquer maneira, era rapidamente encerrado.
O guarda que as seguia, um tal Shino, que a ruiva não havia conhecido até então, era igualmente reservado. Ela não tinha como saber que o homem havia sido instruído pelo rei a observá-la, mas seu silêncio a irritou. Tanto, que ela até chegou a sentir saudades de Suigetsu.
Ao fim da tarde, o casal real retornou com Mikoto e Akane Uchiha em seu encalço. Karin gostou imediatamente da mãe de Sasuke.
Aparentemente, ela estava no festival por Akane. Kasumi ainda estava acamada, e Itachi não pretendia sair do lado da esposa por nada que não fosse extremamente necessário. Havia mencionado que Sasuke e Sakura também estavam presentes, mas a ruiva ficou muito satisfeita em não encontrá-los.
O festival, no fim das contas, havia sido maravilhoso. Animador e muito alegre!
Os cidadãos eram extrovertidos, muito conversadores, e Karin percebeu que estavam extremamente satisfeitos com os governantes. Ela pôde notar que as crianças, em especial, tinham um apego muito grande pela rainha.
Pôde compreender quando ouviu o casal real comentar algo sobre algum projeto de doação de inverno que beneficiaria os menos afortunados.
Ela viu o primo brincar com crianças desconhecidas, levando-as ao alto de seus ombros; viu Hinata trançar cabelos de garotinhas tímidas e felizes; viu o casal real ser aplaudido numa dança muito desajeitada, e percebeu o quanto aqueles dois deviam se amar.
Mais que isso, mais do que amavam um ao outro, Karin percebeu que eles eram admirados e amados por seu povo. E não só pela plebe. Mesmo os nobres os observavam com admiração e carinho.
Aquele festival mostrou-se grandioso. Não por ser grandioso, mas pela infinidade de sentimentos positivos demonstrado por todos.
E ela se sentiu péssima por isso, porque ainda que estivesse desinformada dos planos de seu pai, Karin suspeitava não poder concordar plenamente com eles.
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Quando Naruto e Hinata finalmente seguiram para seus aposentos depois daquele longo e cansativo dia, a rainha estava certa de que não podia existir um marido mais adorável, e um rei mais dedicado do que o seu.
Ele abrira mão de todas as convenções, todas as tradições. E isso porque sabia que a faria feliz.
Hinata não tinha a menor dúvida quanto a esse fato.
– Você se divertiu? – Ele lhe perguntou enquanto seguiam pelo longo corredor.
– Foi mais do que divertido, Naruto... – Ela enlaçou os dedos nos dele, e sentiu o rosto enrubescer por isso. – Foi tudo tão maravilhoso, tão encantador...! Obrigada. Por tudo. Sei que se esforçou. Teve tão pouco tempo para planejar tudo, e ainda...
– Ora, porque está agradecendo? Aquele não foi o seu presente.
Por um segundo, Hinata não pôde responder. Ele parou em frente à porta do quarto, e ela o imitou, automaticamente. – Não? Mas eu pensei que...
– Oh, claro. Foi para você. Por você, para ser mais exato... Mas aquilo não foi um presente. O baile não seria um presente, certo? E o festival substituiu o baile.
– Mas, se é assim... – Ele sorriu.
– Seu presente está atrás desta porta. – Ele apontou para a porta com a cabeça, então se aproximou, pôs-se atrás da esposa e cobriu seus olhos com as mãos. – Eu demorei um pouco para escolher... – Ele meneou a cabeça, indicando para que Shino abrisse a entrada, e o guarda assim o fez. – Devo admitir, — Naruto murmurou baixo enquanto guiava-a quarto adentro. – Foi ideia de Mikoto. Eu tinha muitas dúvidas, então lhe escrevi. Pensei em simplesmente perguntar à Kasumi... Mas deve ser irritante estar doente e ter que receber visitas. Então... – Parou de falar quando a ouviu rir. – O que foi?
– Você está tagarelando! – Ela exclamou, divertida. – Está nervoso! – Naruto sentiu o rosto queimar; suspirou longamente, mas não negou.
– Certo, princesa... Aqui está o seu presente. – Ele tirou as mãos dos olhos dela, e Hinata viu, imediatamente, o grande piano posto num canto próximo às janelas, substituindo três estantes de livro e uma mesa de chá. – Não é exatamente um presente, já que eu peguei de algum canto da Torre e trouxe para cá... – Ele admitiu, coçando a nuca. – Mas a duquesa afirmou que você gostaria disso. Disse-me que adora tocar.
Francamente, Hinata não ouviu muita coisa depois do “aqui está seu presente”. Estava surpresa, estupefata, maravilhada. Naruto percebeu, e sorriu por isso.
Os olhos dela pareciam brilhar.
– Você quer tocar? – Ele perguntou de maneira amável, e ela simplesmente balançou a cabeça, concordando.
Naruto deslizou as mãos pelos braços da esposa, que imediatamente se arrepiou; ele levou as mãos até o fecho da pele, e libertou-a do manto. Depois de jogá-lo ao chão, baixou a cabeça, doce e suave, beijou-lhe o ombro nu. – Então toque para mim... – Ele pediu, ciente de que a esposa o olhava de soslaio. – Mikoto disse que parece estar em outro mundo, enquanto toca... – Ele levou os olhos até os dela. – Eu quero ver isso...
Hinata anuiu lentamente, e retribuiu o beijo curto que ele lhe deu. Naruto tornou a sorrir-lhe, e com a cabeça, apontou ao piano. – Vá. – Pediu, e ela o obedeceu.
Sentou-se no banco, ansiosa. Ergueu a tampa das teclas, animada e então, finalmente tocou as teclas. Ela suspirou, extasiada ao ouvir o som.
Há quanto tempo não tocava? Provavelmente, desde que entrara na Torre.
Naruto sentou-se ao banco, tomando seu lado ao lado dela, e Hina imediatamente sentiu-se nervosa. – Faz muito tempo que não toco, então posso errar algumas notas... – Ele sorriu.
– Eu vou estar ocupado demais olhando seu rosto vermelho para ouvir qualquer coisa, então não se preocupe.
Ela respirou fundo, e fechou os olhos.
Deslizou as mãos pelas teclas mais uma vez, e então começou a tocar.
Ela sentiu o mundo a sua volta sumir, mas não foi como sempre. O mundo não estava lá, mas ela conseguia sentir as mãos de Naruto envolvendo sua cintura; conseguia sentir os olhos dele fitando seu rosto, ainda que estivesse com os seus fechados.
Ela podia ouvir cada respiração dele... E adorou aquilo.
Antes, enquanto tocava, Hinata costumava pensar que o mundo era dela. Mas agora... Era deles.
Naruto estava chocado com seus próprios sentimentos.
Quando Mikoto mencionou o fato que Hinata adorava tocar, e não o fazia desde que se tornara castelã da Torre, ele soube imediatamente que ela ficaria deslumbrante quando visse o presente; sabia que ela ficaria feliz, talvez até emocionada... Pôde vislumbrar o rosto dela radiante.
Mas nada, nada que sua imaginação projetara chegava aos pés daquela imagem.
Hinata estava com os olhos fechados, e os lábios entreabertos murmuravam uma canção bonita; ela tinha uma voz maravilhosa, Naruto logo notou; melodiosa, deliciosa... Tocava como um anjo, como se seus dedos voassem sobre as teclas...
E ali, parada, aborta em sua própria musica, era quase uma deusa. Era perfeita, simplesmente em todos os sentidos... Perfeita para ele.
E de repente, Naruto entendeu tudo.
Todos os sentimentos: a ansiedade, a raiva adolescente, a irritação por estar longe dela; todo o desejo, toda a necessidade.
Ele estava apaixonado por ela.
Mais do que isso: amava aquela mulher!
Precisava tê-la ao seu lado noite e dia, todas as horas, todos os dias, enquanto vivesse. Precisava de seu apoio, de seus consolos, de seus conselhos...
Precisava dela. Mais do que tudo.
Ele a puxou pelo rosto, quase inconscientemente. Não gostou de ouvir a musica parar, mas parou de se preocupar com isso após beijá-la.
Sentiu Hinata sorrir entre seus lábios, e coração se acalentou, quando as mãos dela correram por seu peito, e deslizaram até chegar ao seu rosto; ele suspirou com as carícias dela, e sem muitas dificuldades, puxou-a, de modo a sentá-la sobre si, sem parar o beijo, sem cessar as carícias em sua cintura.
Definitivamente, agora tudo fazia sentido.
O porquê dos lábios dela serem mais doces do que qualquer um que ele havia provado; o motivo de sua pele ser tão suave e quente, e de ele querer tocá-la toda vez que via; a causa da necessidade incessante que ele sempre sentia perto dela...
A saudade, a raiva que sentia de si mesmo, quando a magoava, o fato de não se importar, nem minimamente, com Sasuke, Sakura ou qualquer outro, quando estava perto dela... Ele a amava.
Simples assim.
Não sabia quando aquele sentimento havia começado, quando tinha despertado, mas simplesmente se sentia assim. – Eu te amo... – Ele ouviu-a verbalizar seus sentimentos, e a quis ainda mais.
– Eu te amo... – Ele murmurou em resposta e então, antes que ela sequer pudesse digerir a frase, pegou-a no colo; levantou-se e seguiu para a cama.
~
Sakura havia se divertido muito naquele festival.
Havia sido visivelmente improvisado, mas aquele detalhe parecia torná-lo muito mais agradável.
Sasuke conseguira a tarde inteira livre, então a senhora Uchiha pôde aproveitar-se da companhia do marido durante os festejos.
De fato, as pessoas sempre ficavam consideravelmente tensas com qualquer aproximação de Sasuke, mas ela simplesmente não se importou. Comprou coisas bonitas para si, para o marido e para o filho. Quando questionada, pela vendedora, se já esperava uma criança, ela imediatamente negou, e contou-lhe que devia ser uma surpresa para a cunhada grávida, que infelizmente não pôde comparecer ao evento.
Bem, não era inteiramente mentira, uma vez que ela havia comprado presentes para Kasumi. Presentes que agora estavam sendo levados por seu tão amado marido... Que, infelizmente, foi obrigado a tornar ao seu posto.
Ao que parecia, uma tarde longe da “princesa protegida” era o máximo que Sasuke podia pedir ao rei.
Ela suspirou amargamente ao pensar naquilo. Odiava a ideia de ter Sasuke perto daquela mulher!
Certo. Na verdade, Sakura não odiava realmente a princesa Karin. Ela, de certo, estava encantada com Sasuke. Mas quem não se encantaria?! Sakura sempre se perguntara como Hinata e Kasumi, mesmo depois de conviver tanto, e por tanto tempo ao lado do Uchiha, não poderiam sentir-se atraídas.
Era insano, em sua mente. Completamente insano!
Não, ela não culpava Karin por estar encantada com “o belo cavalheiro”, que a propósito, havia contribuído em seu salvamento, depois do acidente da carruagem. Na verdade, o fato de o marido ter que cuidar da princesa sequer a preocuparia, se não fosse um irritante detalhe: Fugaku.
Aparentemente, o patrono dos Uchiha havia decidido montar guarda dentro da Torre. Obviamente, queria armar terreno para o filho se aproximar da princesa. Sakura sabia que tanto Karin quanto o próprio Sasuke esforçavam-se para se esquivar daquelas desconfortáveis investidas, mas o duque era um homem impossível de se lidar!
Ela suspirou longamente, e deitou-se na cama grande, decidida a dormir. Só porque a outra era filha do tal príncipe Nagato era tão melhor que Sakura?!
Fechou os olhos com força. Não queria pensar nisso... Não podia pensar nisso!
E foi exatamente pensando nisso que ela adormeceu.
O sonho, no entanto, nada tinha a ver com Karin. Talvez por estar pela primeira vez em anos dormindo sozinha em um quarto, ela havia tido um sonho desagradável e assustador, com algo que podia jurar ter apagado de sua memória.
Ela sonhou com um dos piores momentos de sua vida: a invasão.
Lembrou-se daqueles dois intrusos, que haviam machucado Sasuke e Naruto. Dos rostos, dos portes. Lembrou-se daquele homem nojento – Zaku, agora ela se lembrava do nome – umedecendo os lábios enquanto olhava para ela. Da mulher, Kim, avisando-o para se comportar.
E, mais do que qualquer coisa, lembrou-se claramente do diálogo dos dois.
Um diálogo que mencionavam os nomes “Tobi” e “Nagato”.
– Nós estamos aqui pela Akatsuki! Por Nagato! É só nos livrarmos desse lixo e então o trono finalmente estará nas mãos de quem lhe é de direito.
Ela despertou após lembrar-se daquela fala; acordou atônita, agitada e assustada; tremia, suava frio, mas ainda assim, esforçou-se para se levantar; ela tropeçou no piso gélido, e quase caiu no chão; abriu os baús e vasculhou até encontrar um vestido quente, que poderia pôr rapidamente.
Como não havia se lembrado antes?! Como podia ter se esquecido de algo tão sério e importante?!
De fato, naquele momento, ela estava muito preocupada em tentar se livrar das amarras e salvar o melhor amigo e o homem que amava de dois prováveis mercenários, mas não aceitava aquilo como uma desculpa.
Como não podia ter lembrado, depois de ouvir o nome do príncipe?!
Como?! Como?!
Depois de vestida, Sakura puxou a vela ainda acesa e seguiu para fora de seu quarto; foi até o quarto da governanta, Matsuri. Desculpou-se por acordá-la tão tarde à noite, mas tinha que falar com o responsável pelos cavalos imediatamente.
– Creio que ele esteja dormindo, minha senhora.
– Eu lamento por isso, mas devo pedir que o acorde. Mande que prepare a carruagem o mais rápido possível. Eu preciso ir à Torre.
– Algo aconteceu? – Ela anuiu.
– Preciso falar com sua majestade imediatamente.
~
Nagato estava desolado. Desolado e cansado.
Aquele, sem sombra de dúvidas, havia sido um dia cheio. E doloroso.
Depois da conversa com Yahiko, foi inevitável não pensar, lembrar de Kushina. Sua adorada Kushina.
Nagato realmente amava a prima. Prezava-a por suas qualidades, mas especialmente por sua personalidade, tão essencialmente feliz e sincera. Nunca pôde esquecer-se dos grandes olhos azuis da princesa, nem dos vívidos cabelos ruivos, em geral desajeitados graças às suas peraltices.
Ela era exatamente como Karin, Nagato percebeu.
Talvez, a prima que ele amava houvesse renascido na filha que ele amava...
Até poderia pensar nessa possibilidade, se Kushina não tivesse morrido cinco anos após o nascimento de sua menina.
Não, Karin não era Kushina. Ela era bem mais teimosa, e bem mais envergonhada do que a mãe de Naruto.
Nagato estreitou as sobrancelhas, e tornou a sentir-se desolado, por lembrar-se do curto diálogo com a filha, há algumas horas.
“Eles são amados pelo povo”, sua filha lhe disse “Então, por favor, não faça mal a nenhum dos dois”... Francamente, Nagato não queria fazer mal a ninguém.
A cada dia que se passava, mais apegado ele sentia-se com Naruto, e o fato de ele ser a única coisa que Kushina havia deixado para trás... Ao menos a única coisa que realmente importava.
Suspirou longamente, e virou o copo de vinho; sentiu a garganta queimar, e gostou disso.
Levantou-se da cama e tentou seguir até a escrivaninha, no intuito de pegar mais uma dose, mas foi interrompido quando a porta de seu quarto abriu-se de uma maneira abrupta.
Ele recuou, inicialmente assustado, irritando-se com as memórias da invasão que havia matado seus pais. Sentiu-se aliviado por encontrar Naruto, que usava um robe vermelho desnecessariamente chamativo – na opinião de ambos.
– Majestade! – Nagato não conseguiu evitar a exclamação. – Mas o que o senhor...?
– Basta! – Naruto exclamou, furioso. – Basta de fingimento! Basta de hipocrisia! – Nagato calou-se, mais por não saber o que dizer do que por qualquer outra coisa.
O silêncio dele, e sua expressão perturbada pareceram afetar Naruto, que se virou para Sasuke e murmurou para que ele saísse do cômodo.
Sasuke não gostou da ideia. Ele estava furioso com aquele maldito homem!
Mesmo depois de meses, ainda odiava a lembrança de Sakura lutando contra aquele maldito invasor, a lembrança de Sakura ferida.
Tentou insistir, discutir com o rei, dizendo que não seria uma boa ideia. – Ele é um Uzumaki, afinal... É a minha família. – O rei disse categoricamente, com um tom firme. – Antes de um maldito mercenário, é da família! – Nagato havia ouvido, mas fingiu que não.
Apenas continuou parado, no mesmo lugar, encarando a briga.
Depois de alguns minutos de discussão – e negociação, ele imaginava –, Sasuke enfim deixou o quarto.
Mesmo após a porta ser fechada pelo Uchiha – na verdade, Sasuke a bateu, causando um estrondo –, demorou longos minutos até que Naruto erguesse os olhos até o primo mais uma vez. – Você tem cinco segundos para me explicar porque enviou a Akatsuki para invadir a Torre, matar os conselheiros e tentar me matar. E, uma vez que sua cabeça depende disso, realmente espero ouvir uma explicação convincente.
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