The King
21 Capítulo XXI – Confusas Sensações.
Notas iniciais

Capítulo XXI – Confusas Sensações.
Era madrugada quando Naruto enfim retornou aos seus aposentos.
No fim das contas, a reunião havia sido longa de mais.
O alto escalão era formado pelos comandantes e servidores reconhecidos da força militar do país do Fogo: Os representantes da Guarda Real, do Exército do Fogo, da Força Policial de Konoha, da divisão de Infiltração e a equipe de estratégias. Na reunião em questão, tais entidades haviam sido representadas, respectivamente, por Fugaku Uchiha, Kakashi Hatake, Shisui Uchiha, Inoichi Yamanaka e Shikaku Nara.
Suspirou profundamente ao lembrar-se da longa conversa que foram obrigados a ter. Foi decidido que um grupo seria imediatamente mandado à vila do Som, em busca de satisfações, e anúncios escritos falando sobre as suspeitas contra o Som e seus motivos seriam colocados ao redor do reino, como medida de explicação ao povo.
Estava tão centrado em suas conclusões que sequer reparou na presença dos guardas em frente à porta de seu quarto, e adentrou-o sem cumprimentá-los.
O rei enfim poderia finalmente descansar; havia sido decidido que os Sabaku seriam cuidados, hospedados e logo na manhã, os governantes se juntariam para uma conversa que o Uzumaki torcia – embora não esperasse – que fosse civilizada.
O cômodo estaria completamente escuro, se não fosse a grande lua cheia lá fora, refletida pelas vidraças longas das janelas fechadas. Os olhos azuis do rapaz seguiram até a cama grande, onde Hinata estava deitada, encoberta e encolhida.
Ainda que dormissem juntos há uma semana, era estranho vê-la assim; normalmente estaria sentada, lendo um livro enquanto o esperava voltar. Naruto deu os ombros antes de se aproximar lenta e cautelosamente; tirou os sapatos e deitou-se ao lado dela.
Observou fixamente o corpo encoberto, por tanto tempo que ele não saberia contabilizar. A respiração de Hinata era calma, lenta, ritmada... E mentirosa. Ele estreitou a sobrancelha quando notou. – Não está dormindo. – Murmurou baixo; não houve resposta. – Sempre se descobre quando dorme... E me abraça. – O rosto da moça enrubesceu, e ela se encolheu. – Nós precisamos conversar... – Insistiu, mas ela não parecia disposta a colaborar. – Por favor. – Adicionou quando notou que não faria um movimento sequer.
E ela continuou parada.
Naruto suspirou profundamente; alisou a cabeleira loira como se pudesse pensar melhor assim. Tornou a olhar para as costas cobertas da rainha, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouviu-a: — Quando você morreu... – Ela disse em voz baixa, silenciando até a respiração do marido. – Quando pensei que tinha morrido... – Corrigiu-se; olhava fixamente as janelas, embora não visse nada. – Eu chorei dias... Chorei meses... Chorei anos... Ainda hoje, vez em quando, me pego chorando por seus pais. – Naruto sentiu algo se contorcer no seu estômago, pois ele não se lembrava de chorar pela morte dos pais. – Não foi porque era uma Hyuuga... Não foi porque perderia as glórias de ser a noiva do príncipe... – Notou que a voz dela parecia chorosa. – Foi porque eram queridos para mim, e me doeu perdê-los. – Ele não disse uma palavra. – Quando você me salvou, naquele dia perto da fonte... – Hina apertou os lençóis, enrubescendo apenas por se lembrar. – Pode não acreditar... Mas, de alguma forma, eu... – E calou-se, pois não sabia como continuar.
– Você...? – Naruto a estimulou depois de um minuto de silêncio. Sentiu-se estranhamente inquieto.
– Eu soube que era você. – Ela afirmou convicta, cerrando os olhos. – Mesmo parecendo impossível, eu soube que era você... – E era verdade. Por Deus, era verdade! Ela lembrava-se de ficar horas e horas encarando o retalio da capa de seu herói, horas pensando na semelhança que ele e seu querido príncipe poderiam ter; lembrava-se de julgar-se tola, mas ainda assim, desejar... Desejar que a tolice fosse real, pois assim sua vida poderia se tornar como um conto de fadas.
Se seu herói fosse o seu príncipe, ela poderia ser feliz para sempre, como nas histórias. – Hinata? – A voz de Naruto soou calma, e despertou-a de seus devaneios. – Eu lhe devo desculpas... – Ele murmurou baixo, estava envergonhado.
O rosto da esposa também enrubesceu, e seus olhos queimaram. Por que ela estava tão feliz? Era só um pedido de desculpas, afinal. Ele a tinha julgado mal, então estava pedindo desculpas. Não havia nada de estranho nisso. – Eu não devia ter dito aquelas coisas na frente de ninguém, nem mesmo na sua frente... Você não merecia ouvir tudo aquilo... Sei que fiquei irritado porque pensei que queria me manipular. Não gostei quando decidiu defendê-los, mas agora vejo que tudo o que fez foi para que a justiça prevalecesse. – E então ele sorriu; ela soube por sua voz. – Fico grato que tenha sido tão teimosa... Eu odiaria ter vidas inocentes pesando na minha consciência.
E então ela ouviu-se chorar, estupidamente alegre por ser reconhecida por seu marido. – Hinata?! – A voz do rapaz soou preocupada, e ele imediatamente sentou-se à cama; com as mãos gentis, ergueu-a. – Ei... Eu só estou tentando pedir desculpas...! Falei algo errado? – Foi preciso um minuto para que ela se controlasse e negasse com a cabeça; estava encolhida em seus braços.
Ergueu o olhar choroso lentamente, e Naruto enrubesceu ao enxergar o decote de sua camisola. Ela não havia feito de propósito, ele sabia, mas ainda assim... – Eu quero me apaixonar por você. – Ela disse num sussurro; os olhos azuis fitaram os perolados, um pouco surpresos, mas sérios. – Eu quero me apaixonar por você... – Repetiu com a voz baixa. – Quero amar o garoto que me ajudava quando menina, o homem que me salvou depois de crescida... – Hinata sentia seu estômago desfazer-se em mil e uma borboletas. – Eu sei que posso... – E ele quis beijá-la. Com toda sua alma, quis beijá-la.
Queria jogá-la de bruços na cama e beijá-la avassaladoramente. E só o divino poderia explicar como havia conseguido se controlar, pois disse: — Devíamos dormir... – Em um sussurro trêmulo.
Hinata ajoelhou-se, ficando com o rosto à sua altura; alisou-lhe as faces e fitou fixamente os olhos azuis. – Tem certeza? – Ela sussurrou de modo tortuosamente sedutor; eles estavam tão próximos que o rei pôde sentir o calor do doce hálito roçando em seu rosto.
Naruto mordeu o lábio inferior, controlou as mãos e assentiu. Então ela sorriu, sorriu deu modo muito traiçoeiro, ele pensou; beijou-lhe o rosto, murmurou “suas desculpas estão aceitas”, afastou-se e se deitou, deixando-o zonzo durante o processo.
Ele ficou quase dez minutos sentado, encarando as deliciosas costas à mostra. Ao que parecia, agora que ele estava perdoado, poderia tornar a ser torturado!
Com uma onda de frustração, ele deitou-se ao lado da esposa; deve ter ficado horas encarando as costas da moça, até que ela finalmente dormiu. Como sempre, Hinata se remexeu um pouco na cama; aproximou-se dele aos poucos e se encolheu em seus braços. – É incrível como pode ser inconscientemente perversa... – Naruto reclamou, enrijecendo a mandíbula.
Hinata continuou quietinha, dormindo profundamente. Ele ajeitou a cabeleira azul, e sorriu ao vê-la sorrir.
Pressionou os lábios na testa dela gentilmente; acolheu-a com os braços e, tentando com todas as forças controlar os seus impulsos masculinos, dormiu.
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Sasuke não sabia o que estava fazendo ali, parado em frente às portas do quarto de Sakura em plena madrugada. Diferente dele, que estava agitado demais com os últimos acontecimentos, ela certamente devia estar dormindo.
Ele sabia que ela estava sozinha, já que Shizune devia estava cuidando de Kankurou, e por algum motivo ele se sentiu ansioso. O motivo de estar ali também era confuso; o rapaz, de alguma forma, sentia que devia a contar a ela. Então, pigarreou duas vezes, respirou fundo e bateu à porta.
Uma, duas, três, quatro vezes, até que ela pareceu despertar.
Quando Sak abriu a porta, estava bocejando. Sasuke reparou que a médica usava como camisola algo muito semelhante a um saco de batatas; Sakura fez questão de encobri-la com o penhoar rosa claro, enrubescida pelo jeito que o amado a encarava, e só então o Uchiha pôde notar o rosto dela. – Cuidou das feridas! – Ele exclamou e a rosada enrubesceu.
Sim, na verdade Sakura havia ficado boa parte da noite sentada em frente a um grande espelho posto em seu quarto, olhando de maneira desgostosa para o estrago que o invasor havia causado a seu rosto, enquanto se virava para ajeitar os curativos e as bandagens sem a ajuda de Shizune.
Normalmente ela não se daria a esse trabalho, já que não era lá muito cuidadosa consigo mesma, mas havia notado que Sasuke realmente sentia-se afetado ao vê-la ferida. E, embora o fato de ele se importar a deixasse feliz, não queria fazê-lo sofrer de maneira nenhuma. – Senhorita Haruno, está me escutando? – Ela enrubesceu.
– D- Desculpe! – Gaguejou com timidez. – Ainda estou sonolenta. – Mentiu, mas ele pareceu acreditar, porque deu os ombros. – O que o traz aqui tão tarde...? – Então a Haruno franziu o cenho. – Ou deveria dizer “tão cedo”? – Ele lhe deu um meio sorriso.
– São quase três horas, mas imagino que o correto seja “tão tarde”. – Ele ainda sorria. – Algo aconteceu, e queria que soubesse por mim. – Imaginou que ser direto deveria ser a melhor opção.
– Algo aconteceu...?! – Ela estreitou as sobrancelhas róseas, seus olhos verdes estavam desconfiados. – O que quer dizer...? – Mas Sasuke deu os ombros.
– Eu devo algumas desculpas, então vamos lá. – Ele apontou com a cabeça para dentro do quarto. – Você deveria se vestir. – Aquilo a surpreendeu.
– O quê? O Naruto se machucou de novo? – Ele negou.
– Não, Naruto não. – Garantiu. – Mas... Você não vai querer ver os Sunas vestindo esse saco de batatas, vai?
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O poder de conselheiro era o segundo mais alto na escala de hierarquia no comando do país do Fogo, perdendo somente para a família real. Portanto, era normal que cada conselheiro tivesse um novo aposento reservado na Torre.
A ordem de Tsunade, ao saber sobre a escolha do neto, foi a seguinte: “os novos conselheiros deveriam se aprontar imediatamente, de modo que pudessem se mudar o mais rápido possível”.
Quando Naruto propôs à Itachi o cargo, ele sabia que teria que abrir mão das folgas, abrir mão de sua casa e principalmente, de sua paz conjugal.
Como já era madrugada quando chegou à mansão dos Uchiha, e Sasuke fora obrigado a ficar a torre por alguns motivos, os anúncios dos novos cargos dos irmãos ficaria para a manhã seguinte, quando Mikoto estivesse acordada. Então, assim que pai e filho adentraram a residência, Fugaku abraçou seu primogênito e orgulhosamente exclamou: — Você fez bem, meu filho! Honrou sua família... – Antes de se retirar para dormir.
Itachi era o tipo de filho que sempre dava orgulho aos pais, então ele não se comoveu muito com os parabéns de Fugaku. Na verdade, estava tenso demais enquanto caminhava para o quarto, onde a esposa certamente o estaria esperando.
Kasumi estava sentada ao lado da janela, os olhos castanhos perdidos na madrugada a fora. Estava tão fixa em seus pensamentos que não ouviu o marido adentrar o cômodo.
O novo conselheiro aproximou-se lentamente; depositou um beijo amoroso na filha adormecida e outro no rosto da esposa, que enfim o notou. – A febre melhorou. – Ele sorriu a reparar, e alisou as faces da amada, que se avermelharam.
– Bem vindo de volta... – Ele beijou-a, e foi prontamente retribuído.
– Não consegue dormir? – Kasumi assentiu com um suspirar. Itachi ergueu-a facilmente, e deitou-a sobre a cama. – Aposto que minha mãe te fez dormir o dia inteiro. – Ela riu ao concordar. – Eu teria uma ótima opção para a sua falta de sono... – Ele deslizou os lábios por seu ombro; mesmo vestida, Kasumi estremeceu. – Mas tenho algo para dizer... – Franziu o cenho antes de sentar ao lado dela.
A senhora Uchiha estranhou, mas nada disse; apenas sentou-se e o observou tirar as botas e se livrar das roupas. – Itachi? – Pôde perceber que ele estava tenso, e aquilo não a agradava.
– Eu fui promovido. – Disse, sem dar chances para que ela pudesse perguntar. A moça não compreendeu o porquê de tanta tensão, até que ele prosseguiu: — Fui promovido a conselheiro. – E olhou-a de lado. Por um segundo, ela não pôde responder.
–... Parabéns. – Conseguiu dizer, por fim. – Você mereceu... – Mas ela não o estava olhando nos olhos.
O Uchiha estreitou as sobrancelhas, incomodado; ergueu o queixo da esposa e a forçou a olhá-lo. – O que? Seu marido se torna conselheiro e só diz isso?! – Ela suspirou, e deu os ombros. -... Kasumi, eu me esforcei... Fiz o meu trabalho da maneira correta, conquistei a confiança do príncipe, a ponto de ser escolhido sem recomendações... E é assim que você reage? – Ela não respondeu; continuou olhando para o nada, como se estivesse incomodada com as palavras do esposo. – Kasumi, você não me ama? – Ele questionou repentinamente, e ela se surpreendeu.
Como diabos a conversa tinha chegado a essa questão?!
Ergueu os olhos castanhos até os negros lentamente. – Você não me ama? – Ele repetiu entre dentes. – Será que é tão difícil assim se orgulhar do meu feito? É tão difícil assim se orgulhar de ser minha esposa?!
– Itachi...
– Ah, claro! – Ele exclamou. – O nosso casamento é uma farsa, não? Pelo menos é assim que você vê. Foi mesmo obrigada pelo meu pai? – Ela trincou os dentes.
– Se eu tivesse sido que diferença faria agora?
Por um minuto, Itachi não soube o que fazer. E então, irritado e decepcionado, levantou-se. – Sinto muito que a ideia não lhe agrade. – Ele deu passos fortes até o armário; puxou um baú grande, vazio e ali começou a guardar suas vestes. – Eu também lamento muito se meus sentimentos por você chegarem aos ouvidos do meu pai. Assim não seria obrigada a nada. – Ela sentiu o estômago contorcer e levantou-se num pulo, apressando-se para abraçá-lo por trás, envolvendo a cintura do marido, fazendo com que o Uchiha cessasse qualquer ação.
–... Você coloca palavras na minha boca... – Kasumi reclamou baixo. – Não... Eu não quis dizer nada disso... – Encostou a testa nas costas dele. – Eu sinto muito... Sei que não vai ser como eles, eu sei que não vai mudar, mas... Não consigo escutar o termo “conselheiro” sem associar àqueles velhos malditos. – Confessou envergonhada, e sentiu o corpo dele se virar.
Itachi agarrou sua cintura, baixou a fronte e agarrou seus lábios, beijando-a ardentemente; ela só precisou retribuir ao beijo para que ele descesse as mãos; arranhando, apertando e pressionando seus quadris. – Itachi... – Ela sussurrou entre beijos, sentindo-se quente de desejo, mas ele se afastou repentinamente.
– Você deveria fazer as suas malas também. – Não era um pedido, nem uma sugestão. Ela soube disso pelo tom de voz usado... E também soube que, mais uma vez, sua mania de falar o que não devia o tinha machucado.
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Sakura havia se vestido na velocidade da luz, e nem se incomodou em olhar qual dos vestidos colocava.
Quando voltou à porta do quarto, menos de três minutos depois, tinha o cabelo desgrenhado, rosto vermelho e respiração ofegante.
Tanta afobação incomodou o novo guarda do rei indescritivelmente, mas embora tivesse notado o arquear das sobrancelhas negras, ela o apressou, e eles seguiram em meio aos corredores da Torre.
Os irmãos Sabaku estavam hospedados em um dos melhores aposentos do palácio. Haviam sido banhados, cuidados, penteados e vestidos de maneira decente; naquele momento, comiam feito porcos sobre a mesa de chá, mas isso era natural. Afinal, “comida” certamente não era uma especialidade dos guardas de Konoha. Pareciam realmente animais. Tanto que Sakura gargalhou ao entrar de supetão no aposento, sem dar tempo para que pudessem escapar do flagra. – Sakura-chan! – Temari exclamou com a boca cheia, realmente surpresa.
A Haruno correu para abraçá-los, e Sasuke se aprontou no canto, próximo à porta; por um momento estranhou não encontrar Shizune ali, mas tratou de ignorar a surpresa e passou a observar a interação da Haruno com os Sabakus de maneira analítica. – Temari-san! Gaara-san! Kankurou! – Ela abraçou cada um deles de maneira intima, e o fato de tratá-los por igual aliviou estranhamente o peito do Uchiha.
O grupo passou toda a madrugada junto; os Sunas pareciam muito alegres com o reencontro com sua “pequena irmã postiça”, para que o sono pudesse assaltá-los. – Quer dizer que é amiga do rei? – O Kazekage questionou com uma voz moderada para que Sasuke não pudesse ouvi-los; não deu certo, mas o Uchiha soube fingir muito bem.
– Sim, sim. Eu o conheci assim que cheguei ao internato... Como não tinha mais crianças da nossa idade, praticamente crescemos juntos. – O ruivo fez uma careta. – O que foi? – Ele deu os ombros.
– Estou tentando decidir como me comportar amanhã. Fomos mantidos em cárcere injustamente, você sabe... Não posso ser simplesmente gentil. – O rosto da rosada enrubesceu.
– Claro, mas também não precisa causar uma guerra... – Ele estava a ponto de dizer que “não pretendia”, mas ela não permitiu ao prosseguir: — Não é do feitio do Naruto se comportar daquela maneira, posso apostar que ele estava sendo pressionado. – O ruivo não duvidou dessas palavras. – Além disso, você deveria se mostrar grato à rainha. Mesmo que tudo apontasse contra vocês, ela foi forte em sua decisão de averiguar antes de qualquer decisão. Se não fosse por ela, vocês estariam perdidos. – Aquilo o surpreendeu.
O Kazekage não era o tipo de homem que subestimava as mulheres – com uma irmã como Temari, isso era impossível -, mas realmente surpreendeu-se com a ideia de uma mulher como Hinata Hyuuga fazendo algo como isso.
Embora não conhecesse a filha de Hiashi pessoalmente (até a curtíssima audiência ocorrida há poucos dias, eles nunca haviam se visto, e Gaara não poderia considerar aquilo como uma “apresentação”), já havia ouvido falar o suficiente dela para traçar-lhe uma opinião. – Ela fez mesmo isso?! – Dessa vez ele não conteve o tom de voz, pois estava realmente pasmo. – Não posso acreditar, acabou de se casar! – Temari riu.
– Gaara, começa a parecer um fofoqueiro falando desse jeito. – O ruivo enrubesceu, pigarreou e fingiu não ouvir a insinuação da mais velha.
– Ela fez mesmo isso? – Tornou a questionar, desta vez tentando conter-se.
– Sim, sim. Ela fez. – Sak se serviu de um pouco de bebida. – Naruto ficou furioso... Sua majestade chegou a me chamar para convencê-lo. – Ela suspirou ao lembrar-se do amigo naquela tarde. – Mas ela foi firme, e nem por um momento hesitou em defendê-los... M- Mas não pense mal de Naruto! – Ela se apressou em adicionar. – Ele é um bom homem, lhe juro! Mas ele é um rei, precisa tomar decisões drásticas às vezes e-... – Ela parou ao notar que o Kazekage sorria bobamente enquanto se encostava ao acolchoado da cadeira. – Gaara? – Mas ele não pôde ouvir, porque só conseguia imaginar a cena de Hinata e Naruto discutindo porque ela queria defender supostos traidores.
Ele estava encantado.
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O calor era tão grande, quase infernal, mas ele não conseguia parar.
Se quisesse, poderia tê-lo feito, ainda que fosse por um segundo, para recuperar o fôlego, mas não pôde.
Sentia-a sob ele, arfando, gritando, contorcendo-se... E adorou.
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Naruto acordou subitamente; o coração acelerado e respiração alterada.
Ainda sentia seu corpo vibrar, e imediatamente notou que Hinata não estava ao seu lado.
Os olhos azuis varreram o quarto e pôde encontrá-la sentada na penteadeira, ajeitando a cabeleira longa distraidamente; sua camisola e tudo o que ela deixava a mostra estava escondido por um penhoar azul escuro, e Naruto quis gemer de desgosto.
Não, ele definitivamente não gostava daquele penhoar, nem de nenhum outro que ela pudesse ter. Também começava a criar rancor pelas camisolas, e de qualquer coisa que escondessem o corpo de Hinata. – Está acordado, meu marido? – Ela questionou repentinamente, fazendo-o despertar de seus devaneios.
O que diabos ele estava pensando?!
Com que diabos ele estava sonhando?! E, mais importante: porque infernos não conseguia afastar da mente a expressão enrubescida, a pele molhada e os arfares deliciosos da Hinata de seu sonho?!
Só de lembrar-se ele sentia o calor subir. – Naruto? – Ele respirou fundo, e só Deus soube como pôde se controlar.
– Estou acordado, mas quero voltar a dormir. – Mentiu. Ele não poderia se levantar naquele estado. Ela certamente notaria o volume em suas calças e, de duas a uma: ou se sentiria extremamente envergonhada, ou ficaria muito magoada, por imaginar que a protagonista dos sonhos do marido era Sakura.
– Não, não! – Ela exclamou, levantou-se e correu para a cama. – Não pode! Nós devemos tomar desjejum com o Kazekage! – Naruto suspirou profundamente. Incrível como a menção a uma pessoa poderia acabar com a animação gerada por horas e horas de um sonho insano.
– Ele estava preso, a essa altura deve estar desmaiado no colchão de penas. – Hinata abafou uma risada.
– Mas ele já está acordado. – Ela avisou. – Sasuke veio dizer. Parece que passou a madrugada acordado. – Ele assentiu lentamente, e enrubesceu ao ver que ela o observava com admiração.
Hinata também sentiu o rosto queimar, pois assim que os olhos azuis fixaram-se nos seus, ela lembrou-se da noite passada e em como tinha tentado mediocremente ser sedutora. – Ahn... Pode se arrumar. Eu vou me levantar logo. – Ela concordou, reverenciou-o e retirou-se do quarto, fazendo o loiro enfim poder respirar.
Bem, pelo visto, era preferível tentar controlar seus hormônios enquanto estava acordado. – Santo Deus... – Ele murmurou para si mesmo, envergonhado com as cenas do sonho. – Ainda bem que vamos dormir em quartos diferentes...
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Assim que o sol se pôs, Sasuke levou a senhorita Haruno de volta para seu quarto. Ela se mostrou verdadeiramente agradecida ao Uchiha, mas não fez menção de abraçá-lo, como havia feito com os amigos de infância.
Enquanto retornava a galope para a mansão Uchiha, o guarda pegou-se amargando por esse fato. Afinal, aquela mulher dizia tanto que tinha sentimentos por ele, mas nada além de palavras... E de repente, a imagem de Sakura deitada na cama do rei, subjulgada pelo invasor, lhe veio à mente.
Não.
Ele estava sendo injusto... Ela já havia sim, demonstrado estar apaixonada, mesmo que ele sempre arranjasse uma maneira de se esquivar. – Sasuke! – A mãe exclamou da porta da mansão, e ele preferiu deixar de pensar na moça de cabelos róseos, ainda que só por aquele momento.
Mikoto tinha um sorriso enorme estampado no rosto. O rapaz notou que ela parecia cheia de orgulho, e sentiu-se constrangido, imaginando que já deveria saber sobre sua nova posição.
Desceu do cavalo negro assim que alcançou a duquesa Uchiha, e a mãe o abraçou forte, amorosamente. – Meu menino! – Ela exclamou; segurou o rosto do caçula e beijou-lhe as faces sem hesitação. – Meu filho! Meu orgulho! Parabéns, querido... Você merece. – Sasuke sorriu sem jeito.
– Obrigado, mamãe... O papai já te contou? – A mulher anuiu, e após acenar para que um servo cuidasse do cavalo do filho, puxou-o para dentro da residência. – Ele falou a noite inteira sobre você e seu irmão... – A Uchiha deu um risinho. – Deve estar muito orgulhoso. – Sasuke sentiu o rubor subir pelas faces.
– V- Você acha mesmo? – Ela assentiu, e suspirou longamente, tristonha.
– Meus meninos estão crescendo... – Murmurou nostálgica. – Meus amados filhos estão saindo de casa... – Sasuke estreitou a sobrancelha, divertido com a expressão da mãe, que prosseguiu. – Sim, porque Itachi será obrigado a morar na Torre com a família. E você, meu querido... Como não tem esposa, certamente passará mais tempo lá do que aqui. – O rapaz riu e deu os ombros.
– Não se preocupe tanto, duquesa. – Ele puxou a mãe pela cintura e beijou-lhe o rosto fraternalmente. – Não importa onde vamos trabalhar ou morar... Não vai se livrar da companhia dos seus filhos tão cedo.
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Shizune se esticou na cama grande e bocejou longamente.
Os raios de sol a haviam acordado, e quando percebeu que já era tarde o suficiente para Sakura notar sua ausência, levantou-se num pulo, ignorando o fato de ter desperto Kakashi com o movimento. – Aonde você vai? – Ele questionou sonolento.
– Eu tenho que voltar para o meu quarto! Sakura deverá perceber. – Ela tentava se vestir com pressa. Kakashi ergueu as sobrancelhas.
– Eu pensei que ela fosse sua tutelada. – Shizune revirou os olhos.
– É claro que é, e duvido que seja indiscreta, caso suspeite de algo... Mas se ela ficar preocupada vai acabar questionando a princesa Tsunade. – Enquanto ajeitava as vestes, Kakashi se levantou.
– Não acredito que a princesa seja um exemplo de castidade. – O comandante brincou com um sorriso malicioso, e Shizune tornou a revirar os olhos.
– Você devia ter mais respeito com a família real. – Ela sugeriu, mas o homem deu os ombros.
– Você prefere os rebeldes, não é? – Imediatamente ela parou de se vestir, paralisada com as palavras dele. -... Desculpe. – Ele murmurou sincero, e a mulher deu os ombros antes de voltar à ação anterior.
– Eu não gosto de rebeldes. – Disse a contragosto. – Odeio rebeldes.
– Vamos, você não precisa mentir para mim. – O Hatake se esgueirou pelo quarto à procura de suas próprias roupas. – Sempre que falamos sobre o Obito você fica comovida. – Ela estreitou as sobrancelhas, irritada. Virou-se, encarou o comandante e exclamou impiedosamente:
– Rin! – Fazendo com que todos os membros do homem paralisassem. – Rin. – Ela sorriu cruelmente; seu parceiro virou o rosto lenta e ameaçadoramente. – Rin. – Ela voltou a dizer, e num piscar de olhos Kakashi estava à sua frente.
– Não diga o nome dela! – Bradou furioso, fazendo Shizune rir.
– Obito Uchiha está morto para mim, Kakashi. E eu não sou como você, que vive à mercê dos mortos. – Ele enrijeceu a mandíbula, contou até vinte mentalmente e suspirou, longa e profundamente.
– Venha esta noite. Eu vou me vingar das suas palavras. – Prometeu com um sorriso malicioso, e Shizune riu mais uma vez; esquivou-se do aperto dele e retirou-se do quarto.
Sequer precisou virar o corredor para ser flagrada. – Genma! – Ela exclamou envergonhada ao dar de cara com o dito, mas o homem estava sério, rígido e aparentemente furioso. – O- O que faz aqui tão cedo?!
– São oito da manhã, Shizune. – Ele disse secamente. – E essa não é a casa do seu amante, nós estamos nos aposentos militares. – Disse entre dentes, e a moça enrubesceu; reverenciou-o educadamente e tentou seguir em frente.
Genma praguejou baixo ao vê-la se afastar, e antes que ela pudesse, segurou-a pelo pulso. – Espere... – Pediu um pouco mais calmo, mas ainda mais tenso. – Por que ainda se encontra com ele?! – Ele suspirou longamente. – Já faz anos, eu pensei que quando voltasse... – A moça enrubesceu.
– E- Eu sou uma solteirona, Genma! Já passei dos trinta e não tenho marido. O mínimo que posso querer é um pouco de diversão. – Ela não olhou em seus olhos enquanto dizia. – E nós nos damos bem, afinal.
– Por quê? – A pergunta a pegou de surpresa, então ela ergueu seus olhos até os do amigo de longa data. – Por que se dão bem? Tem tantas coisas em comum? – Ela não respondeu. – A única coisa que tem em comum-....
– Não diga. – Ela pediu com a voz trêmula, mas ele a ignorou.
– A única coisa que tem em comum é o fato de que, mesmo depois de vinte anos, ainda vivem às sombras de Obito e Rin! – Ela apertou os punhos e desviou o olhar.
– Ninguém vive às sombras de ninguém... – Mentiu. Ela mesma sabia que era mentira, e no fundo no fundo, se odiava por isso.
Genma segurou seu rosto com ambas as mãos, obrigando-a a olhá-lo. – Shizune, eu sou um guarda agora! Um guarda real... – Ele forçou o aperto, os olhos cintilando de agonia. – Ainda não é o suficiente para alcançá-la? – Shizune não pôde responder, pois naquele momento eles foram interrompidos pelo pigarrear de Kakashi.
– Vocês deveriam ser mais discretos, senhores. – Ele provocou com um sorriso maldito.
– Você deveria ir para o inferno, Hatake. – Genma murmurou frustrado e a morena estava envergonhada demais para responder qualquer coisa.
– Viu só? Eu disse que você gostava mais dos rebeldes. – Ele zombou da moça, que apertou os punhos e retirou-se com irritação. Kakashi suspirou. – Ela sempre foi sensível. – Lamentou-se, dando os ombros.
Genma se aproximou, empurrou-o contra a parede e o encarou com fúria palpável. – Pare de machucá-la. – Comandou, mas o outro deu os ombros.
– Embora não vá acreditar, eu nunca machuquei Shizune. Não sou o Obito, não tenho poder para tanto.
– Exatamente por isso! – O outro exclamou. – Você não é o Obito! Obito Uchiha não pode mais alcançá-la! – Ele apertou os punhos. – Mas, por sua causa, ela continua sofrendo, revivendo aquela traição milhões de vezes enquanto vocês... Enquanto vocês... – Cerrou os olhos; imaginá-los juntos à noite era torturante.
–... Isso não é algo que você possa entender, Genma. – Foi o que Kakashi disse, seu tom de voz estupidamente calmo. – O ódio, a dor de não sermos correspondidos... Isso nos uniu, e criou um laço que-...
– Não. – O outro interrompeu. – Vocês começaram a dormir juntos para se vingar da Rin, do Obito... Mas a Rin está morta, e o Obito não se importa. Ainda assim, você continua a usá-la... Por que não consegue esquecer. – A mandíbula do comandante enrijeceu; ele avançou contra o companheiro, agarrando seu pescoço enquanto, em um movimento rápido, conseguiu reverter às posições e agora ele o forçava contra a parede.
– Rin nunca me traiu. – Sua voz era quase letal. – Amava Obito Uchiha, e nunca me escondeu isso. – Genma o empurrou, e com dificuldade esquivou-se do aperto do superior.
– Deixe a Shizune em paz. – Lhe disse. – Ela não merece ser a eterna sombra da senhorita Nohara. – E então saiu sem esperar respostas.
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Hinata ajeitou a saia do vestido longo.
Estava em sua sala particular, observando as servas prepararem o desjejum.
Como acreditava que sua sala de visitas fosse a mais aconchegante em toda a Torre, a rainha não hesitou em oferecê-la para o encontro do rei com o kazekage. Afinal, aqueles dois precisavam sentir-se confortáveis durante aquela conversa.
Tudo já estava organizado: os arranjos de flores haviam sido trocados, cadeiras mais confortáveis foram arranjadas e uma deliciosa refeição havia sido preparada. Tudo para que uma conversa calma e civilizada ocorresse da melhor maneira possível. – Você parece nervosa. – Tenten observou com um sorriso divertido. – Não fique tanto, tudo vai dar certo. – Garantiu, mas a Uzumaki não estava tão certa.
Temia, mais do que qualquer outra coisa, que o Kazekage decidisse romper a aliança. Com o país caminhando tão lentamente para o reajuste econômico, a quebra da amizade com Suna poderia complicar as coisas. – O Kazekage. – Shino anunciou de repente, e Hinata, ainda que estranhasse o adiantamento do rapaz, permitiu que ele entrasse.
Gaara adentrou exibindo as vestes novas – cortesia de um dos novos conselheiros – e ficou realmente satisfeito ao encontrar a rainha a sós. Tão satisfeito que não pôde conter o sorriso. – Hyuuga-san! Há quanto tempo desejo conhecê-la! – Ele falou intimamente, para a surpresa de todos – afinal, o governador de Suna era geralmente conhecido por sua indiferença.
Gaara puxou a mão da rainha educadamente, e beijou-a de maneira cortês, erguendo os olhos verdes de soslaio e fazendo com que a moça, sempre tão tímida, corasse. – É mais linda do que eu pensei... – Ele murmurou em tom baixo, de modo que só a rainha pôde escutar. Ainda assim, Hinata esquivou-se delicadamente.
– Chegou cedo, senhor Kazekage. – Ela apontou elegantemente em direção à mesa posta. – Ainda estão no meio dos preparativos. – Mas o ruivo deu os ombros.
– Poderíamos nos sentar e conversar um pouco? – Ela estranhou, mas aceitou. Tinha que agradar aquele homem, afinal de contas.
A morena guiou-o até um sofá de três lugares, e sentou-se no canto distante. Ignorando alguma regra que a etiqueta propunha em respeito a uma dama casada, ele se ajeitou no assento do meio, mantendo uma distancia discreta, mas não o suficiente para que a moça se sentisse confortável. – Hyuuga-san-...
– Uzumaki. – Ela corrigiu instantaneamente, e enrubesceu ao notar. – Eu sou “Uzumaki”, agora. – Explicou-se delicadamente, sorrindo com timidez. Gaara corou.
– C- Claro. – Gaguejou sem graça. – É que é tão parecida com seus familiares, é impossível não relacioná-la ao clã Hyuuga. – Ela assentiu, compreendendo. – Então, Uzumaki-san... Ou deveria chamá-la de “vossa majestade”? – Hinata riu.
– Ao seu critério.
– Certo. Hyuuga-san. – Hina não pôde evitar o revirar de olhos, e o Sabaku sentiu-se satisfeito, pois ela pareceu se divertir.
Olhou para os dois cantos e, percebendo que os servos estavam longe o suficiente, disse-lhe em um tom moderado. – Eu gostaria de agradecer por interceder tanto por mim e por meus irmãos. Foi muito nobre de sua parte deixar os prejulgamentos de lado e confiar na sua intuição. – A rainha sentiu o rosto queimar, e baixou a fronte em direção ao chão, timidamente.
– Eu não fiz nada demais... – Falou envergonhada, mas Gaara sorriu.
– Você fez o suficiente, e nos livrou da forca. – Ele puxou uma das mãos dela, que descansava sobre o colo e beijou-a mais uma vez, agora mais demoradamente. – Eu estou encantado com sua atitude. Serei eternamente agradecido. – O pigarreio de Tenten fez com que ele se afastasse, e os dois puderam enxergar Naruto com uma expressão não muito amigável aproximando-se.
– Meu marido! – Hinata exclamou com um quê de nervosismo muito suspeito na opinião de Naruto. Ela levantou-se e se aproximou do loiro. – Está adiantado... – O Uzumaki deu os ombros, e olhou sugestivamente na direção do Sabaku.
– Parece que não sou o único. – O ruivo deu os ombros antes de se levantar.
Curvou-se educadamente. – Eu sou Gaara Sabaku, Kazekage do país dos Ventos. – Apresentou-se.
– Eu sou Naruto Uzumaki, rei do país do Fogo. E está, — Ele puxou Hinata pelo antebraço de uma maneira não muito gentil. – É minha esposa, Hinata. – Ignorando o sentimento de parecer uma posse diante das palavras do marido, Hina curvou a fronte.
– É um prazer conhecê-lo pessoalmente, Kazekage. – O ruivo sorriu. – N- Nós deveríamos começar a comer! – Ela exclamou de repente, notando a aura hostil que parecia exalar do corpo do esposo.
Os criados, ainda que não tivessem terminado de servir, afastaram-se. – Vamos, vamos! – Hinata puxou o marido pelas mãos, com um sorriso tão tranquilo que o acalmou.
O café da manhã foi muito longo; no começo, por algum motivo desconhecido pela rainha, Naruto não parecia muito disposto a socializar, mas assim que o assunto da aliança foi abordado, ele pareceu despertar para suas responsabilidades, e tratou de ser gentil.
Hinata ficou muito orgulhosa por isso, já que ela havia abordado o tema. – Sei que é um assunto delicado, senhor. – Ela disse cautelosamente. – Nós o rendemos repentinamente, o jogamos em uma prisão, longe de seus irmãos... – Gaara terminou de beber do leite antes de dizer:
– Oh, não se preocupem muito com isso. Acredito que seja natural, já que a invasão levou os conselheiros... – O casal real concordou. – Imagino a bagunça que deve estar. – Ele suspirou. – Lembro-me quando meus conselheiros morreram, foi muito difícil...
– Conselheiros? – Naruto não pôde evitar a pergunta. – Mas seu esquema de governo não é diferente? – Questionou curioso.
– Bem, sim. – Ele concordou. – Mas só agora. Eu sou o primeiro Kazekage... Antes de mim, meu pai foi imperador... Nós também tínhamos conselheiros, e eles ocuparam o governo dos Ventos até que tivéssemos idade. Quando isso aconteceu, propomos um sistema burocrático e trocamos alguns termos. – O loiro concordou lentamente. – Os conselheiros continuaram como conselheiros até morrerem, claro. Depois disso o país ficou uma bagunça por um tempo, mas pudemos nos reestabilizar.
– Sinto muito pela perda de seus conselheiros, senhor. – Hina disse sincera.
– Oh, não se preocupe tanto. – Ele sorriu. – Essas coisas acontecem. Bem, de qualquer forma... Eu gostaria de agradecer vossa majestade, – e olhou para Naruto. – por arranjar cuidados médicos ao meu irmão, ainda que fossemos considerados traidores. – O loiro concordou. – E também por prender a minha irmã em um quarto fechado. Ela é uma dama, seria terrível se ficasse presa em uma cela. – Naruto anuiu. – Bem... – Ele suspirou longamente. – Sei que estão preocupados com a aliança, mas não é necessário. Essa união é boa para ambos os lados, e estou satisfeito. – Naruto e Hinata se entreolharam, tiveram que se conter para não sorrir de alívio. – E também quero desejar-lhe meus parabéns atrasados, pelo casamento. – Enquanto bebia, ergueu um olhar estranho ao casal. – Teve uma grande sorte, Uzumaki. – E ele falou calmamente, desviando sua atenção unicamente à Hinata.
E então Naruto soube que não gostava dele.
~
Quatro meses haviam se passado desde então: o país dos ventos e o país do Fogo continuavam aliados, e ao povo foi dito que um grupo de mercenários, provavelmente enviados pela vila do Som haviam sido os culpados pela chacina nos antigos aposentos pertencentes aos velhos conselheiros. Um grupo comandado por Jiraya foi mandado para buscar satisfações com Orochimaru, e mesmo após quatro meses, não tinham conseguido muito além de batalhas em território do Som.
Os conselheiros, todos os três elegidos por Naruto, foram extremamente bem recebidos pelos civis de Konoha, embora não houvessem sido tão bem recebidos, nem pela nobreza, nem por grande parte dos militares.
Com a aliança a todo o vapor, o Kazekage sempre buscava desculpas para visitar Konoha; sempre disposto a oferecer sua amizade ao casal, embora Naruto não gostasse muito dele.
Mas, de tudo o que havia acontecido dentro desses quatro meses, a mais evidente mudança foi no relacionamento do rei e da rainha: eles sempre estavam juntos publicamente, mas nunca ficavam sozinhos, exceto por duas noites na semana, quando dormiam juntos.
Naruto havia ficado satisfeito com os arranjos dos novos conselheiros no começo, pois imaginou que a atração que sentia por sua esposa pudesse, no mínimo, ser ofuscada pela distância, mas tudo não passou de um terrível erro de cálculos.
De fato, ele havia conseguido se comportar melhor do que previa – melhor do que ele desejava se comportar, na realidade. Por quatro meses ele havia conseguido conter seus impulsos conscientemente, mas o mesmo não podia ser dito inconscientemente.
Afinal, em seus excitantes sonhos malucos, mesmo quando não dormiam juntos, Hinata estava ali: sempre subjugada diante do marido.
E ele adorava.
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