The King
15 Capítulo XV – Intrusos.
Notas iniciais

Capítulo XV – Intrusos.
O sol mal havia raiado, e Itachi já estava pronto.
Ele odiava trabalhar em datas assim, mas não havia jeito. Esgueirou-se sobre a esposa adormecida e beijou-lhe, despertando-a aos poucos. – Bom dia Kasumi... – Murmurou amorosamente contra os lábios dela, que se esticou sonolenta.
– Itachi...? – Ele riu ao vê-la naquele estado; e lhe beijou a ponta do nariz. – Por que está de uniforme...? É cedo, e você já vai trabalhar? – O homem assentiu.
– É o dia da coroação, afinal. Eles precisam do seu marido. – Pela expressão dela, não parecia se interessar muito no que os outros precisavam.
Kasumi sentou-se com um beicinho de revolta formado inconscientemente com os lábios, que foram imediatamente beijados pelo marido. – Eu sinto muito acordá-la. – Disse sinceramente. – Mas queria ser o primeiro a desejar parabéns. – E mais uma vez selou seus lábios. Ela riu após retribuir.
– Meu aniversário nunca foi uma data muito comemorativa. – Lembrou-o, franzindo a testa. – Afinal, eu perdi meus pais, minha irmã, minha casa foi queimada e eu fui sequestrada por um maníaco. – Ela contou nos dedos, e ainda que sua voz soasse tão irônica, era ao mesmo tempo tão rancorosa que Itachi não pôde achar graça.
Sério, sentou-se ao lado dela; segurou seu rosto e olhou fixamente nos orbes castanho escuros. – Você não tem lembrança de nada disso para se lamentar. – Ele murmurou azedo. – Então, por favor, pare. – E abraçou-a. – Pode não ser para você, mas é sim um dia importante para mim... – E beijou a cabeleira castanha. – Afinal... – Beijou sua orelha. – A minha vida nasceu naquela mansão condenada... E ainda que em circunstâncias complicadas, você está aqui, viva. – Tornou beijar os lábios róseos, que sorriram sem muita animação.
– Obrigada, Itachi...
~
Os membros da Akatsuki – em especial seu líder – não costumavam passar semanas em um mesmo lugar, principalmente se este estivesse em tão péssimas condições quanto àquela antiga loja de doces alugada por algum maldito simpatizante. Aquela, entretanto, não poderia ser identificada como uma “situação normal”, uma vez que o ponto alto da organização estava para ser alcançado: a liderança de um país grande, com um grande exército.
A Akatsuki fora formada há anos, por Yahiko e Nagato. Inicialmente, seu objetivo era dar um jeito em invasores da vila da Chuva – vila natal de Yahiko e Konan – e manter a paz que todo país merecia ter.
A notícia de que uma organização em prol da paz estava sendo formada em uma vila miserável se espalhou por todos os cantos, e foi assim que surgiu Tobi, um homem de identidade desconhecida e interesses suspeitos. Ele facilmente convenceu os fundadores a colaborarem, e logo se tornou líder.
Desde então, a Akatsuki ficou conhecida como uma organização criminosa que agrupa mercenários para objetivos confusos perante a sociedade.
Havia passado uma hora desde que Obito e Deidara se despediram na antiga mansão Nohara, e só então o líder retornara ao esconderijo. Claro que o jovem e impulsivo mercenário loiro não gostou nenhum pouco daquela atitude, mas seu veterano, Sasori Akasuna, após analisar a expressão fria no rosto do líder, indicou-o para que não fizesse qualquer provocação. Deidara não gostava de ser mandado, mas achou que deveria seguir aquele conselho; afinal, já havia sido ameaçado uma vez àquele dia.
Eles se reuniram na improvisada sala de reuniões – basicamente, um cômodo com nada além de uma mesa quadrada e grande, com cadeiras suficientes.
Apenas os três estavam presentes – pois Konan, Yahiko e Nagato estavam ocupados levantando informações ao redor da cidade – e aquele assunto apenas aos três interessava. – Deidara me disse que queria falar comigo, Tobi. – Sim. “Tobi” era o nome usado por Obito Uchiha, e ninguém saberia sobre sua verdadeira identidade, se Deidara, o mais enxerido dos mercenários não o tivesse escutado falar com um dos colaboradores de Konoha.
– Você sabe se com essas insígnias podemos entrar facilmente na coroação? – O ruivo assentiu.
– Certamente. Além disso, posso apostar que o governador mandará uma retratação ao príncipe imediatamente. – E sorriu. – Acredito que os conselheiros estejam esperando um contato.
– Se ele mandará imediatamente, precisaremos de alguém vigiando... – O líder refletiu. – Deidara. – Chamou de repente, tomando a atenção do loiro. – Só há uma estrada que chega de Suna, então você a vigiará. Qualquer carruagem, cavalo ou andarilho que aparecer, pare imediatamente. – O outro concordou com um sorriso animado. – Sem matar ninguém. – O moreno adicionou. – Não precisamos de mais dores de cabeça. – Ainda que bufasse, o mais jovem não tinha como discordar. – Arranjei mais duas pessoas para nos acompanhar, de qualquer forma. Cada um usará a insígnia. – Além disso, Sasori... Você conhece Suna melhor do que ninguém, então será o nosso porta voz. Eu comandarei aos moleques novos que encontrem o menino Sarutobi.
– E você? – O loiro não pôde conter a curiosidade. Obito suspirou; se largou na cadeira e deu os ombros.
– Eu... Vou resolver um dos nossos problemas.
~
Gaara suspirou desconfortável. Por algum motivo sentia que precisava chegar à Konoha o mais rápido possível. – Há quanto tempo estamos na estrada? – Ele quis saber, estava surpreendentemente ansioso. Temari riu daquilo.
– Mal saímos de Suna, irmão. – Respondeu divertida. – Não é bom ficar tão preocupado, eles precisam de nós para algumas coisas, não é como se fossem jogar a aliança para os ares, só porque o pessoal do parlamento foi assaltado. – O ruivo arqueou a sobrancelha.
– A carruagem era dos parlamentares? – Os irmãos assentiram, e os olhos verdes do mais jovem se arregalaram. – Pensei que fossem os mensageiros!
– Não. – Kankurou bocejou enquanto respondia. – Os mensageiros ficaram por motivos de saúde.
– Pare essa carruagem agora mesmo! – Ele comandou ao cocheiro, que obedeceu prontamente. Após parados, se apressou em descer do transporte.
– Gaara! – Temari, assustada, tentou segurar o braço irmão. – O que está fazendo?! Nós combinamos que iríamos juntos... Chegaremos até amanhã de tarde, irmão! Não fique tão nervoso! – Mas ele não poderia não ficar nervoso. Sentia que devia chegar logo.
– Não é tão simples. – Lhe afirmou. – Os parlamentares tem passe livre para entrar e sair da Torre! Se eles foram assaltados, talvez tenham perdido suas insígnias! Tem noção do problema que isso pode nos causar?! – A voz do governador estava alterada. – Solte um cavalo! – Ordenou ao cocheiro, que se apressou em obedecer.
– Irmão, eu não acho que meros assaltantes...
– Ainda que sejam meros assaltantes, irão vender o que roubaram! O que dirão os países vizinhos se insígnias de Suna começarem a ser vendidas aos montes por aí?! Estaremos perdidos! – O rapaz lhe entregou um dos cavalos, e o ruivo imediatamente o montou.
– Ainda que chegue mais rápido, não será o suficiente. – A loira ponderou. Odiava a ideia de ter seu jovem adorado irmão cavalgando sozinho pelo longuíssimo caminho até o país vizinho, mas ele não lhe daria ouvidos, e depois de bater na traseira do cavalo, saiu a galope.
A mais velha dos Sabaku bufou irritadiça. Odiava ser ignorada, ainda mais quando ela estava tentando ser cuidadosa. Toda a sua curta paciência se foi, entretanto, quando viu o segundo irmão pôr um dos cavalos à sua frente. Ela estava a ponto de ofender sua própria falecida mãe quando Kankurou ofereceu-lhe a mão. – Você está preocupada, não é? – Ele sorria como se soubesse todos os pensamentos da mais velha. – Vamos, nós o alcançaremos. – Garantiu. A loira bufou de novo. Suspirou... Olhou para a carruagem e depois para o irmão, e enfim se deu por vencida.
~
Embora o país do Fogo fosse tradicionalmente oriental, algumas de suas cerimônias – como a de coroação, por exemplo – haviam sido revistas, e postas em modo ocidental.
O culpado disso foi Hashirama Senju, pai de Tsunade. Depois de muitas viagens de negociação, apaixonara-se por algumas cerimônias ocidentais, e não hesitou em levar as tendências ao seu país. Ainda que sacerdotes e conselheiros da época não tivessem gostado do fato de o Rei desrespeitar a cultura nacional, a própria rainha não pareceu se importar, então não houve muitas discussões, já que o povo, apaixonado por seus governantes, aceitaram às mudanças com muita animação.
A família real do país das Águas – de quem Hashirama havia adotado a tradição – eram parentes não muito distantes dos Senju, então não houve nenhum tipo de reclamação por parte do atual imperador da época.
Naruto ajeitou a quente capa vermelha e bufou incomodado. – Acalme-se. – Itachi aconselhou com um sorriso divertido. – Logo vai poder se livrar disso, só serve para a cerimônia. – O loiro concordou.
– Quanto tempo até isso terminar? – Ele quis saber. O mais velho deu os ombros.
– Não faço ideia. – Confessou. – Sou jovem, e não se coroam muitos reis ultimamente. – Mais uma vez sorriu, e o Uzumaki suspirou. – Não se preocupe, não acho que seja algo longo. Os conselheiros querem agradar às outras grandes nações, e ninguém gosta de ficar sentado, olhando uma longa cerimônia cansativa. – O Uzumaki concordou.
– E a Hinata, onde está? – Ele preferiu ignorar o olhar malicioso que o irmão de Sasuke lhe ofereceu antes de dar os ombros.
– Deve estar terminando de se aprontar. – E como se tivesse ouvido seu nome, Hinata surgiu.
Ela estava com o rosto avermelhado, pois jamais usara tantas vestes de uma só vez: o vestido dela era longuíssimo, e muito pesado; as mangas eram afofadas ao estilo princesa; da saia ao espartilho, todo o vestido era acobertado de renda brilhosa e abaixo desta, um tecido branco, grosso e quente atormentava a princesa. Tinha um decote modesto, que apenas servia para acentuar sua beleza natural, e destacar o belo colar que usava – uma herança da família Uzumaki. Também tinha uma longa capa. Diferente da do príncipe, esta era completamente feita com pele branca, e arrastava no chão sob a calda de seu vestido.
Ele, claro, perdeu a fala ao vê-la. Ficou tão chocado que não conseguia sequer piscar. Certamente, Hinata ouvira todos os elogios que ele lhe fizera na noite anterior, pois tinha pouquíssima maquiagem no rosto, e ainda que a senhora conselheira ficasse frustrada quando visse, vinha com os majestosos longos cabelos azulados simplesmente soltos.
Hinata logo se pôs ao lado de seu marido; Shino veio logo atrás, e por algum motivo Naruto não gostou daquilo. – Você está linda. – Ele disse após pigarrear. Ela corou ainda mais.
– Obrigada. – Murmurou cabisbaixa, mas ergueu a fronte assim que foram ouvidos passos apressados no corredor: eram os conselheiros. Eles também usavam roupas cerimoniosas, embora nem de longe chegassem ao nível das dos protagonistas daquela manhã.
Utatane, ao contrário do que Naruto presumira, sorriu orgulhosamente ao ver o estilo da futura rainha. – Muito bonita. – Ela elogiou enquanto ajeitava uma das madeixas azuladas para trás da orelha de Hinata. – Simplicidade é tudo, afinal. – Podia parecer impossível, mas Hina conseguiu corar mais. – Eu gostaria de dizer, princesa, que uma rainha é tão importante em um país quanto um rei. – Ela murmurou com gentileza. – Por isso, nós costumamos fazer a coroação de ambos. – E então olhou para o herdeiro. – Vocês entrarão juntos, segurando a mão um do outro, demonstrando amor e carinho que eu sei que sentem. A irmã de Hinata e o senhor Konohamaru Sarutobi os seguirão, eles irão erguer suas capas.
– Porque Konohamaru? – Foi Itachi quem demonstrou curiosidade.
– Bom... Sua alteza não tem irmãos, portanto o correto seria o neto de um dos conselheiros. Como nem eu, nem meu companheiro temos descendentes, achamos justo que fosse o neto de Hiruzen Sarutobi. – O Uchiha concordou após compreender, e a senhora prosseguiu. – A partir de hoje, serão os representantes do país do Fogo. – Ela puxou as mãos de ambos, e juntou-as com um sorriso sincero de orgulho. – Fiquem juntos, e salvem essas pessoas. – Aquilo os deixou um pouco confusos, e muito constrangidos. – Sei que posso parecer uma pessoa fria... Mas a verdade é que sou uma velha que já viveu demais. – A senhora sorriu. – Uma velha que viu coisas ruins acontecerem. Não posso sequer mudar meu coração, quem dirá o das pessoas à minha volta... – Então olhou para o herdeiro. – Mas você pode, meu senhor. E sei que vai, pois é filho de quem é. – Ela alisou a cabeleira loira. – Esforce-se, garoto. E não hesite em contar com a ajuda de sua esposa. – Ela sorriu à Hinata. – Pois não encontrará, nem nesse nem em outro reino, uma mulher tão apita a tornar-se rainha quanto à princesa. – Ele sorriu, e olhando para a esposa, concordou.
– A cerimônia vai começar. – O conselheiro avisou, e a conselheira afastou-se.
– Nós entraremos primeiro. – Avisaram, e os outros dois concordaram. Naruto se pôs ao lado de Hinata e puxou sua mão direita. Por algum motivo a mão da moça começou a formigar, e seu coração a apitar.
Konohamaru e Hanabi tomaram seus postos. O primeiro não estava lá muito orgulhoso de ajudar na coroação de um rei que ele não reconhecia, mas se quisesse que o primo e a tia continuassem salvos, ele precisava sacrificar-se. – Além disso... – Ele murmurou num tom inaudível, e seus olhos fitaram de soslaio a ansiosa senhorita Hyuuga. Ela estava tão bonita que só vê-la o fez corar – embora vê-la sempre o fizesse corar.
As portas se abriram, exibindo a grande sala do trono que eles jamais haviam visto tão cheia em toda sua vida.
Os conselheiros, assim como haviam informado, adentraram primeiro: eles caminharam pelo longo tapete bege que fora posto até o trono, e lá, postaram-se ele ao lado da coroa do rei e ela, ao lado da coroa da rainha. Logo foram seguidos pelos herdeiros que tentaram ao máximo imitá-los nos passos firmes e olhos decididos, e rezaram para que parecesse convincente aos convidados. A guarda real inteira estava em pé, ao lado do tapete vermelho.
Eles sentaram-se em seus devidos tronos ao alcançá-los, como haviam sido instruídos a fazer na noite anterior; os jovens que o seguiram; após Konohamaru entregar ao príncipe um cajado e um recipiente, ambos os jovens ajoelharam-se ao lado dos tronos, ainda que isso frustrasse muito o garoto.
A conselheira, após puxar a coroa feminina, ergueu-a para exibir aos convidados. – Como Rainha do país do Fogo, você deverá ter um bom coração. – Ela dizia enquanto caminhava lentamente até a frente da princesa. – Promete e jura solenemente que cuidar das crianças, mulheres, homens e idosos como se fossem de sua família? Promete que estará ao lado dos necessitados, ouvirá seus problemas e os ajudará a medida do possível?
– Eu prometo. – A princesa disse firmemente.
– Você promete e jura solenemente governar o povo do Fogo, sendo prudente e respeitando as opiniões dos mais experientes? – O conselheiro fez o mesmo que sua companheira, e seguiu à frente do príncipe. – E você, em seu poder, será gentil e justo em todos os seus julgamentos?
– Prometo solenemente que o farei. – Foi a resposta de Naruto. Ele olhava fixamente para o ansioso avô, que estava em pé, próximo a uma das portas, em posição de guarda.
Mitokado pousou a coroa sobre a cabeça do loiro e posteriormente, Utatane o imitou, ajeitando a que tinha em mãos sobre a nova rainha. Os herdeiros levantaram-se, e após Fugaku Uchiha exclamar “apresentar armas”, os guardas presentes ergueram suas lâminas em respeito aos novos governantes, que caminharam até o fim da fila da guarda imperial. – Apresento-lhes Naruto Uzumaki Namikaze e Hinata Uzumaki, Rei e Rainha do país do Fogo. – Os demais convidados curvaram-se, assim como os conselheiros, e Naruto soube que jamais voltaria à tranquilidade da feliz vida de trabalhador do campo.
Após a cerimônia, os convidados foram levados até o salão de bailes e ali se serviram de um belíssimo banquete. Os conselheiros, antes de qualquer coisa, apressaram-se em apresentar os representantes das quatro grandes nações: a primeira que lhes foi apresentada foi a Rainha Mei Terumi, do país das Águas, que se tornara a primeira mulher a governar um país sem um homem – não que ela gostasse disso.
O segundo a ser apresentado chamava-se Onoki, e era o imperador do país da Terra. Era um homenzinho pequeno com nariz de batata; Naruto o identificou como um velhinho muito resmungão, mas o considerou engraçado. Já Hinata imaginou que ele queria demonstrar-se mais antipático do que deveria de fato.
O terceiro certamente deveria ser o maior homem que aqueles dois já haviam conhecido: ele era alto, negro, musculoso e loiro, com um bigode engraçado e uma barba pequena! Certamente uma imagem peculiar. Chamava-se “Ay” – como se só sua aparência não fosse chamativa o suficiente – e era o governador do país do Trovão – sim, eles tinham aderido há algum tempo o sistema democrático. Tinha um irmão que, pela simpatia, aparente força e animação, logo herdaria o seu lugar; este se chamava “Bee”.
O último era um parlamentar chamado Izumi, que havia sido mandado com urgência para avisar que, infelizmente, seu governador não poderia ser apresentado há tempo, pois fora avisado com um atraso, graças ao fato de que a carruagem com mensageiros havia sido assaltada antes que a notícia do casamento chegasse aos seus ouvidos. Naruto não se importou, mas Hinata estranhou um pouco. Afinal, o tal Izumi estava com um grupo considerável, que ela imaginou que deveria ter sido trazido de carruagem – afinal, parlamentares não costumam cavalgar sozinho em viagens, seja para países distantes ou próximos – e imaginou que, se o tal governador estivesse mesmo interessado em vir, deveria tê-los acompanhado.
Os Reis passaram toda a tarde cumprimentando aos convidados, fossem eles nobres do Fogo ou nobres estrangeiros, esbanjando sorrisos para todos os lados.
Como tanto Sasuke quanto Itachi estavam ocupados trabalhando, a conversa mais longa de Naruto foi com o tal Bee. O Uzumaki perguntou-lhe com muita curiosidade sobre o sistema democrático e ficou sinceramente maravilhado com tudo o que ouvira. Hinata cumpriu sua obrigação, e ficou o tempo todo ao lado do marido. Após avisar sobre o aniversário de Kasumi, o Uzumaki não hesitou em se aproximar das senhoras Uchiha, que comiam educadamente em seus devidos lugares.
Claro que a esposa de Itachi sequer pensou na possibilidade de contar aos governantes que odiava ser parabenizada por aquela data melancólica que marcava o fim da família Nohara que, embora ela não acreditasse realmente, todos insistiam ser a sua família. – Muitas felicidades! – A rainha a abraçou amorosamente. – Sei que ainda será muito feliz. – Disse-lhe aos sorrisos, que foram sinceramente retribuídos.
– Eu fico realmente grata...
– Com licença. – O conselheiro disse de repente, interrompendo a reunião quase familiar com uma presença desconhecida pelo loiro. – Eu gostaria de apresentar-lhe Kakashi Hatake, senhor. – O homem de cabeleira esbranquiçada lhe sorriu. – Ele é o comandante do exército do Fogo, foi aluno de seu pai, professor de Sasuke e tutor da senhora Kasumi, quando ainda era senhorita Nohara. – O velho sorriu a aniversariante que custou muito para retribuir.
– É um prazer conhecê-lo. – Naruto o cumprimentou com um aperto de mãos firme. – Sou Naruto, e estou aos seus cuidados. – O Hatake sorriu – ao menos era o que parecia, já que não dava para ter certeza, pois ele usava uma máscara.
– Não. Somos nós que estamos aos seus cuidados, vossa majestade. – Ele se curvou mais por piada do que por qualquer coisa, mas ninguém além de Kasumi pareceu perceber. – Oh, eu também gostaria de desejar-lhe um feliz aniversário, senhora Uchiha. – Para a surpresa de todos, Kasumi bufou.
– Deveria procurar felicidade ao invés de desejar. – Ela disse ríspida. – Ou então vai morrer solteiro, Kakashi. – E depois de curvar-se aos reis, retirou-se, deixando o árduo trabalho de se retratar para Mikoto, que imediatamente sugeriu que o mau humor da nora dava-se, naturalmente, à desgraça ocorrida à sua família no dia de seu nascimento.
– De fato. – O senhor conselheiro concordou. – Aquele foi um terrível incidente. Pergunto-me o que terá sido de Obito, depois daquilo... – Mikoto enrijeceu ao ouvir aquele nome.
–... Ele amava muito a irmã de Kasumi. – Foi apenas o que disse.
– Não, querida... Sei que pode magoá-la ouvir-me dizer isso, mas a verdade é que quem ama, jamais machuca. Obito certamente tinha um sentimento árduo pela senhorita Nohara, aparentemente até doentio... Provavelmente matou-se após os anos. – O rosto da senhora Uchiha empalideceu, apenas com a possibilidade, e Naruto a ajudou a se sentar. Ele estava confuso, mas temia que qualquer questionamento pudesse constranger à Mikoto, ou ainda pior, que sua curiosidade pudesse prejudicar mais o mal estar da senhora que ele tanto prezava.
– Um pouco de água, senhora? – Um mascarado, aparentemente guarda dos parlamentares de Suna lhe ofereceu; a matriarca dos Uchiha aceitou, embora abatida. Em uma situação tão gentil, ninguém imaginaria que aquele mascarado era o pobre diabo de que falavam, mas por baixo da máscara, não podia evitar sorrir por finalmente estar perto de cortar as asas daquele governo falso, mentiroso e ignorante.
~
Konohamaru odiava fingir fazer parte daquele circo. Ele odiava ter que fingir que acreditava na monarquia, odiava ser obrigado a mentir para si mesmo e, mais do que qualquer coisa, odiava ver o governo enchendo a pança de estrangeiros quando seu país via-se em crise.
É claro que ele, no auge de seus quinze anos de idade, não poderia entender as dezenas de motivações políticas que se disfarçavam com aquela cerimônia. – Você parece irritado. – Hanabi comentou; divertida, pousou o indicador entre as sobrancelhas do rapaz. – Assim vai ficar com rugas. – Comentou com um sorriso doce.
O Sarutobi enrubesceu, e recuou quase de imediato. – Não fique tão assustado! – Ela riu de sua reação. – Somos amigos, então é normal brincar. – Ele não respondeu, e a garota começou a sentir-se desconfortável. – Eu vou buscar algo para comermos. – Disse envergonhada, antes de sair em direção às mesas.
Konohamaru suspirou, e sentou-se em qualquer cadeira solitária no meio do salão. Ele realmente gostava de estar com Hanabi Hyuuga, realmente gostava de suas conversas, de seus ensinamentos – pois ela havia proposto a ensiná-lo piano e latim – e definitivamente adorava passar horas e mais horas observando-a, apenas pelo puro prazer de observá-la, e isso era tão, mas tão estranho... Mesmo ele não podia compreender o porquê daquele sentimento. – Konohamaru Sarutobi? – Um rapaz estranho se aproximou com um sorriso gentil; o rapazinho desconfiou, mas assentiu.
– Sou eu. – O sorriso do outro rapaz aumentou.
– Bem... Acho que precisamos falar.
~
Sakura fez questão de enfiar-se na biblioteca durante todo o baile. Mais de uma vez ela havia sido repreendida por Shizune – sua atual tutora – por entrar de penetra onde apenas nobres deveriam estar, e realmente não estava disposta a ouvir mais reclamações.
Embora de fato, desde que chegara à torre ela tivesse ficado um pouco mais curiosa, nunca foi uma garota que criasse problemas. Era o tipo de moça que gostava de seguir a linha, de ser certa para não ter problemas.
Já era noite, e provavelmente não havia sobrado sequer um convidado, mas ela ainda estava ali, enfurnada no lugar que mais adorava em toda a Torre. Ainda procurava um título que lhe chamasse atenção, pois pretendia levá-lo aos seus aposentos e lê-lo todas as noites – já que ultimamente ela vinha tendo insônias. Foi quando repentinamente viu-o encostado na parede, observando-a analiticamente com aqueles constrangedores orbes negros. – S- Sasuke-kun! – Exclamou envergonhada, e o Uchiha sorriu. – O que faz aqui?!
– Bom... – Ele caminhou até ela, e fitou as estantes. – Eu estava na festa, e pude perceber que a penetra de sempre não estava presente, então fiquei curioso. – Puxou um exemplar e começou a esfolheá-lo. – Então achei que ia gostar de saber que Naruto e Hinata comportaram-se como um verdadeiro casal esta noite. – Os olhos dela chegaram a brilhar de animação.
– Verdade?! – Ela parecia realmente surpresa. Sasuke assentiu.
– Perguntei-me se haviam falado... Se havia sido honesta com ele. – E a olhou de soslaio. O rosto de Sak enrubesceu imediatamente, como se fosse uma criança que recebera um elogio sem ter feito absolutamente nada. Sasuke percebeu isso, e arqueou a sobrancelha. – Não?! – Ele parecia um pouco surpreso.
–... Não. – Sakura confessou com um suspiro. – Francamente, não acredito que seja necessário, especialmente porque ele já percebeu que tem que ser um bom marido. A senhorita Hyuuga-...
– Sua majestade. – Ele a corrigiu severamente, o que só serviu para corá-la ainda mais.
–... Sua majestade, a rainha. – Ela tornou a dizer. – É suficientemente boa para fazê-lo se esquecer de um amor bobo e platônico.
– Eu não acho que seja tão simples. – Sasuke suspirou. – Afinal... É do Naruto que estamos falando. – Ela não respondeu. -... Vamos, Sakura... – Ele ergueu os olhos negros, mais sérios do que nunca, para fitar os verdes. – Ele merece saber dos seus reais sentimentos para que possa seguir em frente. – Ela suspirou.
– Eu não quero magoá-lo desnecessariamente. – O Uchiha balançou a cabeça com censura.
– Se tem algo que o atormenta, eu tenho certeza de que é o fato de não conhecer o seu coração. – A rosada mordeu o lábio inferior. Não podia duvidar daquelas palavras. Afinal, ela sentia-se daquela maneira... Pois ainda que Sasuke sempre afirmasse que “jamais lhe deu esperanças”, ele também nunca as havia tirado.
–... Certo. – Ela murmurou baixo, constrangida. – Entretanto... – Ergueu os tímidos olhos verdes até os dele. – Eu também quero ter uma resposta direta... – Disse envergonhada, e o moreno assentiu após suspirar.
– Como quiser. – Respondeu com um sorriso gentil, que a fez ficar sinceramente feliz. – Vamos. – Ele pediu após oferecer-lhe o braço, que foi prontamente aceito. – Sua majestade, a rainha, deve estar banhando-se no momento. Foi um grande dia, afinal... Eu vou pedir para que meu irmão nos deixe a sós com o príncipe por alguns minutos. – A Haruno concordou. – Bem... Vamos lá.
~
Os conselheiros não eram casados, mas seu relacionamento jamais fora um mistério para ninguém que frequentasse a Torre.
Eles haviam sido companheiros durante todas suas longas vidas: haviam casado, e tiveram filhos. Infelizmente, nenhum de seus conjugues nem herdeiros haviam sobrevivido aos terrores da guerra, mas no fim, ao invés de ficarem sozinhos, encontraram-se, e juntaram suas almas e corações.
Se eles realmente se amavam era difícil de dizer, mas o relacionamento que tinham havia passado do estágio “discreto” há muito. Hoje dormiam no mesmo quarto, na mesma cama e partilhavam dos mesmos desejos.
A senhora Utatane, após vestir-se com uma longa e comportada camisola, seguiu para a grande e macia cama a fim de entrar em um sono que ela cria poder durar dias, tamanho seu cansaço. Havia acabado de sair do banho. Ela geralmente não estranharia ao ver o corpo de seu companheiro deitado em seu próprio lugar, enrolado às mantas, mas estranhou ao notar que ele estava acomodado no seu canto da cama. – Mitokado...?! – Ela chamou, mas não houve resposta. O quarto era iluminado por poucas velas e a luz do luar, então ela não pôde enxergar a mancha vermelha sobre sua cama. – Você está bem? – Sua voz soou preocupada.
– Acredito que ele esteja melhor do que nós, senhora conselheira. – A voz masculina soou tranquila, mas apavorou o coração da velha mulher, que se apressou em achar sua origem. – Não se preocupe. – Ele saiu do lado da janela e exibiu-se à luz do luar. – Juro que foi uma morte rápida e indolor.
– Quem é você? – Ela questionou com a voz firme, como se fosse uma ordem, e o assassino riu.
– É claro que permitirei que saiba quem sou eu, antes de matá-la. – Obito retirou a máscara cuidadosamente, e jogou-a sobre o chão, sem cuidado algum. Os olhos da mulher arregalaram-se ao notar as cicatrizes.
– Você...!
– Exatamente. – O Uchiha suspirou. – Obito Uchiha, o renegado do clã Uchiha, e o bode expiatório do caso Nohara. Surpresa por me ver vivo? Claro... Após aquele incêndio, é um verdadeiro milagre eu estar aqui... – Ele se aproximava cada vez mais, sempre ameaçador. – Claro, as cicatrizes são uma das provas de que eu estive lá... De que, ao contrário do que vocês tentam dizer, eu tentei salvá-los. – A mulher sequer podia respirar direito, mas manteve-se com a cabeça erguida.
– Você os perseguia... Os Nohara. É claro que seria o primeiro suspeito!
– Entretanto, não sou o culpado. – E então, num movimento brusco, puxou-a pelo pescoço e rendeu-a contra a parede, batendo as costas da senhora com violência extrema. – E é para isso que vim para cá. – Disse entre dentes. – Diga-me: quem foi o culpado? Porque massacrar uma família simples?! O senhor Nohara era apenas um cobrador de impostos... Então para quê tanta violência?! O que ele descobriu?! – Eram tantas perguntas que, mesmo se ela estivesse calma e em perfeito estado de espírito ainda não poderia responder. – Quem os matou? – Ele repetiu firme, mas ela não poderia responder. – QUEM OS MATOU?! – Mais silêncio; ele cerrou os olhos. -... Eu não gosto de matar pessoas, senhora conselheira... Mas essa foi a única escolha que me restou. – Antes mesmo que ela pudesse implorar por sua vida, uma adaga pequena foi puxada de um suporte nas vestes do rapaz, e com esta, ele furou-lhe a garganta.
A velha agonizou por algum tempo. O sangue jorrava para todos os lados e ele obviamente se sujou, mas não se importava realmente. Há muito queria fazê-lo, matar aqueles velhos inúteis, embora jamais fosse, caso não tivesse se mostrado necessário.
Ele não se preocupou em deixá-la caída no meio do quarto e se apressou em retirar-se. Surpreendentemente, fez isso pela porta do quarto, onde dois guardas jaziam mortos do lado de fora. – Pensando bem... – Ele murmurou para si enquanto caminhava para uma das janelas, após refletir sobre a conversa de minutos atrás. – Lugar melhor uma ova... Estou certo de que vão apodrecer no inferno, velhos malditos. – E escapou pela janela na calada da noite.
~
Quando Sasuke e Sakura enfim alcançaram o quarto do herdeiro, surpreenderam-se ao darem falta de Itachi, que sempre ficava de guarda junto à porta. O Uchiha imaginou que talvez ele pudesse estar dentro do quarto, conversando com o príncipe herdeiro, então sequer hesitou em entrar lá sem pedir permissão, mas assim que adentrou no lugar, chocou-se com a imagem do novo rei desacordado no chão. Sakura arregalou os olhos e se apressou em alcançar o amigo, mas foi parado por um homem que o rapaz Uchiha reconheceu como um dos representantes de Suna. – Não tão rápido, mocinha... – Ele riu do desespero dela. – Sua majestade – Disse cheio de ironias. – Está sendo tratado como bem merece. – O guarda estava pronto para desembainhar sua espada quando sentiu algo bater repentinamente em sua nuca, fazendo-o cair desacordado.
– Sasuke-kun! – Sakura berrou, apavorada, mas não pôde se aproximar, graças ao aperto forte do vilão que a segurava.
– Acalme-se, mocinha... Nós vamos nos divertir muito esta noite.
Fale com o autor