The King

35 Capítulo XXXV – Sombrio.


Notas iniciais
Olá, pessoas! o Como vão vocês? Tia Candy está cansada. :3 Esse foi um capítulo muito difícil de ser escrito, o que me surpreendeu. e.e Ontem eu fiquei a noite inteira (inteira mesmo, fiquei acordada até às nove horas da manhã) pensando em que cenas fazer, e como escrevê-las, mas até então nada tinha me agradado. Eu passei o dia inteiro (pelo menos desde que eu acordei até agora XD) tentando escrever, me esforçando... Mas eu tava muito chata, e não conseguia me agradar com nada que escrevia. èe Por fim, eu consegui terminar. u.u O texto ficou do meu agrado, e espero que vocês também gostem! :D Essa semana eu vou tentar separar algumas imagens pros capítulos desimaginados(?), então se vocês tiverem alguma ideia, de alguma imagem que combine com algum capítulo, por favor, envie pra tia Candy! |D Eu me pergunto se minha falta de criatividade foi causada pelo nosso QUERIDÍSSIMO Kishimoto... Bem, quem leu o último mangá, deve imaginar a dor pela qual eu estou passando. e.e Eu não sei o que é maior: a minha irritação, o meu medo ou a minha dor ao ver aqueles dois naquele estado... çç Anyway... Ah! Eu tenho certeza de que alguns leitores viram o final da novela das nove. q Francamente, eu detestei aquela novela. Achava chata, os diálogos eram forçados e os atores... Nossa, que desperdício. *chora* Mas tenho que admitir que no final... Não a polêmica cena do beijo; na verdade, eu achei bem cute, mas foi só um beijo. Estou falando da verdadeira cena final... Cara, eu chorei litros. @_@ Chorei muito, fiquei super emocionada. Naquele momento, eu percebi que o Carrasco fez muito bem em deixar aquele velho maldito vivo! |D Viva o amor! o/ Mas não é disso que nosso capítulo vai tratar. q Enquanto ajeitava as cenas (ontem eu rascunhei, e hoje eu ajeitei), gostei do que escrevia. Espero que vocês também gostem! ;) Obrigada à todos que comentaram! À todos os que dão força pra TK! *-*v Estamos com mais de 7.000 visualizações! o/ Enfim, deixa a comemoração pra quando for mais de oito mil (ao menos eu espero que chegue à oito mil algum dia. @_@). Sem mais delongas, boa leitura! :D

Capítulo XXXV – Sombrio.

Hinata não havia tido nem um segundo para respirar, naquela manhã.

Na verdade, não tinha um minuto para respirar já fazia semanas, desde que a responsabilidade da recepção da princesa Uzumaki recaiu sobre os seus ombros.

Karin havia demorado semanas, meses para enfim sair da maldita vila da Chuva e seguir caminho à Konoha, mas mesmo assim, Hinata não podia relaxar.

Ela não queria relaxar.

Passara a maior parte do tempo ocupando-se com coisas tolas e desnecessárias, como redecorar todo um quarto dentro dos padrões do gosto da senhorita Uzumaki, sem se preocupar em pedir ajuda à mercenária que abrigava já há algum tempo.

Aparentemente, Karin havia perdido a mãe muito cedo, e desde então Konan havia decidido cuidar da sobrinha. Portanto, Hinata ficou realmente satisfeita por saber que a tia parecia conhecer a princesa tão bem quanto conheceria sua própria filha.

O quarto fora redecorado, demandando de duas a três semanas do tempo de sua majestade; com a ajuda de Konan – que sabia de cabeça todas as medidas de sua menina –, vestidos haviam sido encomendados, e camélias, as flores favoritas da princesa, estavam espalhadas por toda a Torre, multicoloridas.

Toda aquela preparação havia gastado uma pequena fortuna, que Hinata fizera questão de tirar do próprio bolso – na verdade, tirara de seu dote. A rainha estava ciente de que, talvez, só talvez aquilo fosse um pouquinho desnecessário, mas a verdade é que precisava de algo para se ocupar.

Era a primeira vez, oficialmente, de Hinata como anfitriã. A primeira vez em que ela, e somente ela, tinha que decidir os detalhes da estadia de um visitante importante.

Aquilo a deixara inquieta por semanas, tamanha ansiedade, mas ao invés de comemorar, quando recebera a mensagem de Shizune dizendo que teriam que ficar na vila da Chuva por mais tempo, apavorou-se.

A ideia de ficar sem fazer absolutamente nada que necessitasse de concentração por tempo indeterminado a apavorava, pois sabia que se não tivesse nada para pensar, acabaria voltando às conjecturas sobre Naruto, que teimavam não lhe sair da cabeça.

Hanabi deixara-a de lado para viver a doçura da primeira paixão juvenil; estava sempre, o tempo inteiro ao lado do jovem Konohamaru, desenhando, pintando, tocando e cantando; Kurenai estava muito ocupada; com a ausência de Jiraya, e a falta de tempo de Itachi – que estava sempre ao lado da rainha, prezando por sua segurança – a senhorita Yuuhi ficara responsável por uma cota considerável de responsabilidades referentes ao conselho. E, sem Kurenai, não havia chances de ter o pequeno Asuma por perto.

Mas a maior ausência, definitivamente, era de Kasumi e sua filha. Hinata adorava bebês desde o nascimento de Hanabi, mas definitivamente, Akane Uchiha era a criança mais adorada pela rainha, na face da terra. Ela não se importaria em ficar uma tarde inteira com a protegida no colo, tocando piano enquanto a ouvia cantar com palavras inexistentes e gritinhos ensurdecedores típicos de crianças de sua idade.

Kasumi também não estava ali – e ela nem se sentia no direito de pedir sua presença, uma vez que a senhora Uchiha encontrava-se grávida e tinha uma saúde instável – e as visitas de Mikoto eram escassas.

De fato, aquele longo tempo de solidão foi muito bom para conhecer a antiga rival. A atual Sakura Uchiha era uma moça realmente adorável.

Mas, claro, Hinata já sabia disso.

Naruto não se apaixonaria por alguém que não fosse extremamente adorável.

Sakura também estava solitária, ainda mais que Hinata, já que as damas da sociedade, talvez por sua naturalidade, costumavam evitá-la – ainda que sempre estivesse ao lado da rainha. Hina imaginou que, se Kasumi e Mikoto estivessem perto dela, poderiam contornar a situação melhor do que ela própria, mas nada se podia fazer sobre isso. Mikoto sempre havia sido extremamente cuidadosa quanto à saúde da primeira nora, e não pararia agora que um possível herdeiro estava a caminho.

Se a rainha não estivesse procurando mil e uma coisas para se ocupar, daria mais atenção à esposa de Sasuke, mas ela não queria se dar ao luxo de parar.

Enquanto estivesse preocupando-se em ocupar a mente, tudo o que ela podia oferecer à nova senhora Uchiha era uma grande lista de coisas para arranjar para a recepção.

No pouco tempo em que passaram juntas e sozinhas, Hinata sabia que a rosada era dotada de um excelente bom gosto. – Por favor, Ino. – Ela observou Sak se aproximar da florista, que carregava um vaso longo de flores. – Será que poderia colocar algumas flores brancas ali, próximo ao corrimão? – Sakura apontava para o local. – Acho que está vazio, e sem graça.

– Sakura, a construção em si não é sem graça. – A loira sorriu à Uchiha, que enrubesceu.

– De fato. – Sak concordou. – Mas ainda assim... Tem muitas flores no salão, acho que devíamos espalhar um pouco, e...

– Ora, vocês estão trabalhando! – A voz de Mikoto soou como uma exclamação alegre, e tomou a atenção das três moças próximas às escadas. Ino observou Sakura enrijecer no mesmo instante, mas Hinata simplesmente correu para os braços da madrinha – na verdade, para a pequena criança que ela carregava em seus braços.

– Vocês demoraram tanto! – A rainha puxou Akane para seus braços, alegremente. – Pensei que não viriam... – Ela deu um beijo estalado no rosto da pequena.

– Fizemos uma visita aos Nohara. – Mikoto olhou orgulhosamente para a nora, que sentiu as faces corarem. – É o aniversário da falecida Rin.

– Nohara?

– É a família de Kasumi. – Mikoto explicou-lhe, e a nora anuiu. Sentiu as faces enrubescerem de constrangimento; não queria que Kasumi pensasse estar sendo intrometida, mas a senhora Uchiha simplesmente não se importou.

– De qualquer forma, Hinata... Mas que porcaria é está? – Com uma cara de desgosto, Mikoto observou os vinte e cinco vasos de camélias espalhados pelo salão de festas. – Isso é uma recepção ou a festa das rosas?

– Camélias. – Ino corrigiu automaticamente.

– Camélias. – A duquesa sorriu à florista, que no mesmo instante, deixando o vaso de lado, fez uma mesura educada.

– Duquesa!

– Uma boa tarde, senhora Akimichi. Como vai o seu esposo? – A palavra “esposo” fez o estômago de Kasumi revirar, embora a pergunta não tivesse sido feita a ela. – Espero que ele continue amigo do conselheiro Nara.

– Sim, milady. Eles continuam bons amigos, e ambos estão em boa saúde. Chouji está acompanhando o senhor Sasuke neste momento, eles estão esperando a princesa nos portões... E o duque, como anda? – Sakura baixou a fronte à menção do sogro, e lembrar-se do teimoso marido fez com que Mikoto franzisse o cenho de maneira irritadiça; tudo o que respondeu, no entanto, foi “perfeitamente bem”.

– Hinata, minha querida. Tenha um pouco de bom senso e tire essas flores daqui. É uma recepção, não um velório. – A rainha estava a ponto de retrucar, dizendo que se aquela princesa não chegasse logo, o velório dela poderia acontecer, já que a ansiedade a mataria, mas então eles chegaram.

O primeiro a adentrar no salão foi Sasuke, que tinha uma garota desperta, mas visivelmente perturbada, nos braços. Itachi estava logo atrás dele, questionando-o com uma voz baixa, mas firme sobre “o que diabos estaria acontecendo”, e sendo prontamente ignorado pelo mais jovem.

Sasuke foi até a esposa, que estava parada, abismada enquanto observava a cena. Itachi o acompanhou, mas simplesmente paralisou quando percebeu a própria esposa.

Kasumi estava usava um vestido negro e longo, que disfarçava a saliência não muito grande do ventre – algo que apenas ele, que conhecia tão bem o corpo da amada, poderia notar. Ela sorriu para ele, um sorriso tímido e triste, que ele não conseguiu retribuir.

Itachi esforçou-se ao máximo para focar no irmão, e torceu para que algo importante tivesse acontecido, ou não seria muito efetivo. – É a princesa. – O guarda explicou aos presentes. – A carruagem tombou. – Sakura empalideceu ao imaginar Shizune dentro de uma carruagem tombada, e ele percebeu isso. – Shizune fez os primeiros socorros de sua alteza... – Disse só para acalmá-la. – E concluiu que ela está viva, e bem.

Karin estava com os olhos abertos, mas não conseguia enxergar absolutamente nada além de borrões. – Alteza, você está bem? – Sakura apressou-se em aproximar-se do marido. – Consegue enxergar com clareza? – Questionou quando viu que ela olhava de um lado para o outro.

Os olhos avermelhados se estreitaram. – Não... Mas uso óculos... – Isso fez a Uchiha tranquilizar-se um pouco.

– Sente dor em algum lugar?

– Na cabeça. Muita dor... – Ela se encolheu no peito do guarda, e Sakura teve que engolir em seco para continuar o questionário.

– É uma dor interna ou externa? Apenas na cabeça?

– Interna... E externa. Minha perna também dói... – Os olhos verdes, sérios, foram até os negros do rapaz Uchiha.

– Vamos levá-la até a enfermaria. Ela pode ter machucado a cabeça. – Ela confiava plenamente nas competências de Shizune, mas temeu que o choque causado pelo incidente da carruagem pudesse fazê-la perder algum detalhe.

– Temos mais algum ferido? – Itachi questionou com cautela, e Sasuke anuiu, fazendo com que o irmão praguejasse baixo.

– O condutor foi lançado longe, e um rapaz protegeu a princesa. Imagino que Shizune esteja bem, mas está perturbada. – Sakura havia segurado seu antebraço, então ele virou-se para a amada, que apontou com a cabeça na direção da enfermaria.

– Eu vou acompanhá-los. – Hinata murmurou com preocupação, e sem esperar despedidas, foi-se com o casal Uchiha mais jovem, levando a caçula da família quase inconscientemente.

– Alguém sabe onde está a princesa Tsunade? – Mikoto, Ino e Kasumi negaram em conjunto, e o rapaz suspirou. – Devo ir até o hospital, então. Vou buscar médicos. Até lá... – Ele olhou um pouco ansioso demais, para a esposa. – Kasumi... – Ela lhe sorriu.

Os muitos meses que havia passado internada em hospitais, afinal, não haviam sido inúteis. E ser filha de um mercenário e esposa de um soldado ensinaram-lhe algumas. – Eu vou ajudá-los. – Ela lhe garantiu. Itachi não conseguiu evitar o sorriso, que se desfez assim que Obito adentrou com um ferido, que gritava e xingava sem reservas.

Diferente da princesa, o homem sobre o ombro do mercenário realmente parecia precisar de ajuda. A perna estava torta, e as roupas sujas de sangue. – Acho que ele precisa de alguma ajuda. – Tobi apontou para o colega, que blasfemava e o ameaçava.

Itachi estava a ponto de cuspir “não”, na face do rival em potencial, quando viu a esposa dar um passo a frente, visivelmente ansiosa. – Sou o que há de disponível no momento. – Ela explicou quando viu que os olhos do pai não se agradaram.

Itachi sentiu a mão de sua mãe pressionar seu ombro, mas não conseguiu desviar o olhar da cena. – Eu também vou ajudá-la, Kasumi. – A duquesa garantiu, mais para o filho do que para a nora.

Kasumi virou-se para agradecer a sogra, mas sentiu o estômago revirar ao enxergar a tristeza nos olhos do marido. Ela abriu a boca para se explicar, mas depois fechou, pois não era o momento, nem o lugar para discutirem sobre o inexplicável ciúme que sentia pelo mercenário.

Ela tornou a olhar para Tobi, o rosto um pouco mais sério. – Leve-o até um quarto vazio, traga água quente, toalhas e... – Ela franziu o cenho ao ver a ferida aberta no antebraço do loiro. – Preciso de algo para desinfetar a ferida. – Explicou cuidadosamente. – E costurá-la.

– Costurar? Quem vai costurar quem?! – A voz de Deidara era puro pânico.

– A enfermaria está ocupada com a princesa... – Kasumi franziu o cenho, visivelmente incomodada com o fato de alguém que aparentemente não tinha nada estar na enfermaria ao invés de um pobre coitado como aquele. – Então vamos levá-lo até a sala mais próxima de lá. Você vai acomodá-lo no sofá, providencie o que eu pedi enquanto eu pego o necessário na enfermaria. – Obito anuiu apenas uma vez, e depois de um silêncio incômodo, Kasumi seguiu em frente, sendo acompanhada pela duquesa e o mercenário.

~

Com as paredes cinzentas de acabamento branco, móveis de design antigos feitos de madeira escura e uma bela vista para o mar, os aposentos oferecidos por Mei para o soberano do Fogo podia muito bem ser descrito como “elegante e discreto”, características que, sem sombra de dúvidas, nada combinavam com o convidado.

Mas ainda assim, de alguma maneira, Naruto sentiu-se confortável naquele lugar. Era grande, mas não tão grande quanto os aposentos que dividia com Hinata; confortável, mas não tanto quanto o seu. E parecia... Vazio.

Por algum motivo, Naruto gostou disso. Não era aconchegante, e ele definitivamente não sentiria falta do lugar, quando partisse.

Era quase hora do almoço, e ele estava sentado em frente à paisagem natural proporcionada pela grande janela; embora os olhos azuis vagassem perdidos pelas águas cristalinas do país que pertencia à família Terumi por gerações, ele simplesmente não conseguia parar de se perguntar quando deixaria aquele lugar.

Era muito estranho, ele querer ir embora.

Naruto e seus companheiros estavam a um tempo considerável na cidade imperial, e nem por um instante deixaram de ser bem recebidos pela rainha daquela nação. Mei era séria, mas muito educada, atenciosa e gentil; de fato, vez ou outra, quando exagerava nas bebidas – ela bebia feito um homem! – tornava-se animada demais, mas a bebedeira da rainha era mais um divertimento do que um ponto negativo em sua recepção.

Ela sempre tentava fazê-los sentir-se em casa.

E ainda assim...

Ele suspirou longamente, e encarou a aliança em suas mãos; o anel grosso de ouro, que ele não conseguia parar de olhar todas as manhãs.

Definitivamente, ele estava bancando o idiota para si mesmo.

De que adiantava perguntar-se tão incansavelmente o porquê de querer partir? A resposta era tão óbvia que chegava a ser ridículo fingir não saber!

Ele sentia falta de Hinata.

Ainda que a viagem e suas companhias definitivamente fossem incômodas, ele queria ir o mais rápido possível. Ainda que tivesse que passar uma semana inteira dentro de um barco, ainda que tivesse que passar quase um mês a cavalo, ou mesmo à carruagem, ele queria voltar para Konoha.

Queria voltar para ela, e descobrir o porquê de não conseguir parar de pensar nela. Quem se importava com o bando de mercenários que teria que suportar, quando retornasse? Ele teria que lidar com eles, de qualquer forma.

Pelo menos, quando retornasse...

– Vossa majestade. – A voz de Nagato soou repentinamente, fazendo-o saltar da cadeira acolchoada. – Perdoe-me. – Ele sorriu ao loiro. – O almoço será servido...

– Não devia ser uma empregada a me avisar? – Naruto questionou-o com irritação na voz; estava visivelmente nervoso por ter sido pego em seus devaneios. Nagato se perguntou o porquê a careta irritadiça dele parecia-lhe tão engraçada.

– De fato, mas como eu estava por perto... E, além disso. – Ele ergueu um envelope aberto. – Recebi notícias de Konoha, imaginei que gostaria de ouvir. – Naruto sentiu o peito queimar, e em um instante estava na frente do parente.

– Algo aconteceu?! – Sua voz soou inevitavelmente nervosa, e o ruivo imediatamente negou.

– Konan queria avisar que minha filha está para chegar à Konoha. Estamos muito agradecidos à sua esposa, majestade. Segundo minha cunhada, ela está se esforçando para fazer Karin se sentir bem vinda. – O loiro não conseguiu não sorrir.

– Sim... Ela certamente está se esforçando.

– Eu lhe daria a carta, mas não pertence a mim. Foi endereçada à Nagato, mas pensei que poderia estar ansiando por notícias da rainha... Afinal, faz algum tempo que não recebe uma carta. – Naruto anuiu lentamente.

– Realmente, mandei minha resposta a ultima carta no início da semana... – E então estreitou as sobrancelhas claras. – Será que posso perguntar alteza, como conseguiu ter notícias de Konoha tão rápido?

– Pombos correios são milagrosos, majestade. – O ruivo sorriu. – Eles dispensam as embarcações. Konan e Yahiko costumam usá-los para trocar mensagens... Eles acham romântico. – Naruto anuiu, compreendendo.

O silêncio que se fez foi um tanto constrangedor, e Nagato estava a ponto de se despedir, quando Naruto o impediu. – Será que nós dois poderíamos conversar por um momento?

O ruivo estranhou aquela abordagem tão direta, mas não pôde fazer muito mais que aceitar o pedido do rei. Afinal, mesmo sendo tão jovem, aquele garoto era o rei!

Naruto o convidou a sentar-se à mesa de canto, e pôs-se ao lado dele. – Algum problema, majestade? – Tentou ser casual.

– Nós... – Naruto hesitou. – Nós conversamos um pouco, mas nunca chegamos a ficar sozinhos... – Nagato estreitou as sobrancelhas, e Naruto franziu os lábios; parecia estar procurando as palavras certas para prosseguir, mas enfim desistiu. – Eu quero saber, Nagato, o verdadeiro motivo para você decidir, de uma hora para a outra, voltar à Konoha.

~

O silêncio naquela sala era incômodo, e a tensão formada por ele, latente.

Mikoto estava próxima à nora; ela separava e preparava uma dúzia de plantas medicinais enquanto Kasumi, muito calma e cuidadosa, deslizava não tão fina agulha pela pele do Akatsuki.

Se aquela fosse uma situação comum, Deidara provavelmente estaria xingando alto a cada agulhada; praguejando como se a moça fosse a culpada pelos ferimentos que agora tratava. Em uma situação normal, ele certamente estaria se contorcendo, e dificultando o trabalho da Uchiha.

Mas aquela não era uma situação normal.

Ainda que em geral fosse extremamente inconveniente, mesmo ele podia notar que o melhor a fazer naquela situação, enquanto tinha o superior encostado a uma parede próxima, encarando fixamente as costas de Kasumi Uchiha, era ficar calado.

Além disso, ela tinha um toque surpreendentemente indolor. Era incômodo, sem sombra de dúvidas; e sua perna quebrada doía como um inferno, mas ele não queria atrapalhá-la. – Dói muito? – A mulher lhe perguntou com um tom de voz moderado, mas realmente preocupado.

Ele não soube como, nem o porquê, mas sorriu. – Não. – Foi sincero. – A não ser que esteja falando da minha perna. – Fez uma careta, e sentiu o rosto queimar, quando ela lhe sorriu em resposta.

Deidara não costumava ficar próximo de mulheres bonitas, então era natural sentir-se nervoso numa ocasião como aquela. – Eu não faço ideia do que fazer com sua perna. – Ela admitiu num suspiro. – Só o que posso fazer é fechar isso. – Com a cabeça, fez menção ao braço ferido. Deidara suspirou longamente, e deu os ombros.

O movimento fez com que todos os seus músculos doessem, mas ele ignorou aquilo. – Você tem mãos de fada, senhorita... – Pôde sentir o olhar intimidador do chefe, mas também ignorou aquele incômodo.

O olhar de Kasumi ficou brando, e ele sorriu de maneira nostálgica. – Eu sei fazer esse tipo de coisa desde menina... Aprendi cedo, porque gosto de cuidar das pessoas... Na verdade, costumava costurar coisas piores que essa. – Mikoto estreitou os olhos ao ouvi-la, assim como Obito. – Faz um bom tempo desde a última vez em que eu costurei alguém... – Ela riu, mas parecia mais sentir dor do que felicidade. – Antes, eu cuidava por necessidade... – As mãos dela pararam trabalhar. – Mas acho que aquela pessoa não precisa mais de mim.

Se estivesse olhando para Tobi, como costumava fazer em momentos como este, certamente poderia notar a significância no baixar de fronte do mais velho; aquilo definitivamente o deixaria curioso, e isso resultaria em dias e dias de perseguição e curiosidade. Mas ao invés de observá-lo, como estava acostumado a fazer, observou e analisou as feições daquela mulher que ele sequer sabia o nome. Não conseguiu deixar de fitar a tristeza latente estampada em seu rosto.

E então a porta se abriu, mas ainda que a moça tivesse erguido os olhos em direção ao homem alto, de cabelos longos presos, que adentrara ao cômodo, ele não deixou de olhar para ela. – Itachi...

– Eu fui até o hospital... A princesa Tsunade estava lá. Nós trouxemos mais duas pessoas para ajudar. – Ele olhou para Tobi. – A princesa já foi levada para seus aposentos. Devemos acomodar os feridos na enfermaria do palácio. – O Akatsuki anuiu.

– Kasumi ainda não terminou. – Mikoto interveio. – Ela está ajudando o rapaz.

– Na verdade, eu já terminei. – Antes que ela pudesse se levantar, Itachi se aproximou para ajudá-la. – Obrigada.

– Como você se sente? – Os olhos castanhos ergueram-se, confusos, até os negros do marido. – Parece um pouco pálida.

Ela corou instantaneamente, e baixou o olhar. De fato, aquele dia estava acabando com ela. Mesmo assim, tentou ser convincente enquanto murmurava “estou bem”.

– Eu fico agradecido por cuidar de mim, senhorita. – Deidara se apressou em falar, ansioso pela atenção da moça, que o olhou de soslaio. Itachi estreitou os lábios em desagrado.

– Senhora. – Ele corrigiu. – Senhora Itachi Uchiha. – Esclareceu.

Kasumi sorriu, e baixou a fronte em cumprimento. – Sou Kasumi Uchiha. Eu fico feliz em tê-lo ajudado.

Obito aproximou-se, e sem cerimônias, puxou e acomodou-o – de uma maneira não muito cômoda – em seu ombro. Deidara reclamou, gemendo de dor. – Você vai machucá-lo! – A morena exclamou, realmente assustada, mas calou-se assim que os olhos negros fitaram-na de maneira sombria.

– Mikoto, pode me mostrar onde é a enfermaria?

– Claro. – A duquesa se levantou instantaneamente. – Querida, eu vou deixar as coisas aqui para você limpar. Algum problema? – Kasumi limitou-se em negar com a cabeça. – Então... Até mais ver... – Ela não queria sair. Estava preocupada, pois temia outra discussão.

– Mikoto! – A voz de Obito soou irritada, em frente à porta fechada, e ela se apressou em ir até lá para abrir. Itachi estreitou as sobrancelhas, abismado com aquele tratamento íntimo, mas seus pensamentos fugiram da mente quando sentiu a ponta do nariz da esposa roçar em seu maxilar.

Kasumi havia se erguido na ponta dos pés, ansiosa por tocar o marido, e alegrou-se em vê-lo enrijecer. – Você não devia estar com a rainha, ajudando-a com a princesa? – A voz dela soou suave, e ele a sentiu sorrir sobre sua pele. – Estava com ciúmes dos mercenários? – Ele não respondeu, e aquilo a fez sorrir. – É um idiota, se quer saber. – Ele a olhou de canto.

– Não, eu não sou. Embora você pense que sim. – A frieza em sua voz fê-la estremecer. A Uchiha franziu os lábios e respirou fundo. – Você devia ir para casa, descansar. Mamãe falou que estava febril ontem. – Ela não conseguiu responder.

O desprezo dele doía; então Kasumi recuou curtos passos, sorriu falsamente e seguiu até uma bacia d’água, posta próxima ao sofá onde Deidara havia se sentado mais cedo.

Ela lavou as mãos demoradamente, como se precisasse daquilo para se sentir calma, mas não foi suficiente. Sentiu as lágrimas virem, e aos poucos queimarem seus olhos; ela franziu os lábios, e estreitar os olhos mas não conseguiu conter a gota solitária que escorreu por seu rosto.

Conseguia ouvir os passos dele se aproximando, sempre hesitante, e quis parar de chorar por isso. Não queria que ele a julgasse uma fraca, mas chegava a ser estúpido como os malditos nervos da gravidez conseguiam afetá-la!

Ela afastou as mãos da água, e puxou uma toalha limpa para secá-las; ouviu-o parar atrás de si, mas não conseguiu se virar. Sentiu-o deslizar o indicador por seu braço, por cima da manga do vestido preto, e deslizar até o antebraço úmido. – Eu senti sua falta... – Ela ouviu-se murmurar, e ele sorriu.

– Eu sei... – Ele sabia que devia ter ido vê-la, e quis isso. Todas as noites, enquanto fitava o canto vazio na cama, pensava em quão estúpido devia ser, por amar uma mulher a ponto de querer ir até ela e implorar seu perdão, mesmo que ela lhe devesse o perdão.

Mas ele não podia fazer isso. – Quem é aquele homem, Kasumi? – Não poderia fazer isso, até ter aquela maldita resposta.

A maldita resposta que ela não daria.

~

Nagato não conseguiu responder. Ele não conseguiu nem pensar numa resposta!

Que diabos aquele garoto estava fazendo?! Que diabos ele pensava estar fazendo, se comportando daquela maneira? – Você parece chocado... – O loiro suspirou longamente, e coçou a nuca. – Eu sinto muito. Não sou uma pessoa de rodeios. – Explicou-se. – Achei que seria melhor perguntar diretamente.

Aquele garoto não podia estar falando sério. – Pensei já ter explicado, majestade... Os motivos de eu estar aqui...

– Não. – Naruto o interrompeu. – Você disse que queria me guiar, mas francamente, não acredito nisso. – O silêncio se formou e ambos se aconchegaram em seus próprios lugares, desconfortados com a presença um do outro. – Se quisesse mesmo me guiar, não estaríamos nessa situação agora...

– Situação?

Naruto pigarreou, e anuiu.

– Quero dizer que, se quisesse me guiar, teria tentado se aproximar... – Explicou cuidadosamente. – Mas não está tentando se aproximar. Nós ficamos incomodados com a presença um do outro. Não tente negar. – Ele adicionou quando viu o outro pronto para retrucar. – O fato, senhor Nagato, é que eu não o conheço. Você é líder de uma organização suspeita, contou-nos uma história suspeita e se aproximou com intenções suspeitas.

– Majestade...

– Meus conselheiros certamente me espancariam, se suspeitassem dessa conversa, mas... – Ele hesitou; os olhos azuis baixaram ao chão, reflexivos. – Mas você... – Ele estreitou os lábios. – Mas você é da família.

Aquilo soou tão estranho aos lábios de Naruto quanto aos ouvidos de Nagato, mas o loiro prosseguiu. – Você é da família. – Tornou a afirmar, e ergueu o olhar firme que havia herdado do pai. – Eu sei que você não gosta de Tsunade. – Só o nome fez o ruivo enrijecer. – Sei que não gosta dela, mas ainda que não entenda seus motivos, não vou insistir para contar. – Esclareceu. – Eu odiaria que alguém me obrigasse a contar algo que não quero.

– Fico grato. – Foi o que Nagato murmurou, mas não o que ele sentia.

Na verdade, saber que seus sentimentos perto de Tsunade eram transparentes a ponto de serem notados por um adolescente de dezessete anos era irritante.

– Eu sei que você sente raiva de minha avó, mas... – Ele estreitou os olhos azuis. – Pude ouvi-lo falar da minha mãe. – Só a menção a Kushina fez com que os olhos lilás suavizar. – Jiraya me contou que vocês se davam bem. – Ele não teve como negar.

– Eu e Kushina fomos criados como irmãos. – Explicou. – Ela era... – Sorriu tristonho. – Era uma boa mulher. – O sorriso tornou-se divertido, e então ele ergueu os olhos até o rapaz. – Tinha uma personalidade forte, bastante parecida com a sua.

– Sim, eu tenho a personalidade forte. – Naruto concordou. – E é por isso que eu quero que me responda, com toda a sinceridade que puder: por que você está aqui?

–... Estou aqui para observá-lo. – O ruivo murmurou; imaginou que metade da verdade seria o suficiente para convencê-lo. – Você é jovem, Naruto. Foi criado distante de todo esse mundo, sequer se lembra de sua vida enquanto príncipe. – Aquilo fez o jovem arquear as sobrancelhas.

Como ele poderia saber daquilo?

– Sinceramente, preocupa-me deixar um país como o nosso em suas mãos. – O ruivo prosseguiu. – Por você, e pelo povo, não consigo deixar de preocupar-me.

– Logo farei um ano no trono, senhor. – Naruto se ajeitou na poltrona; sua mente ainda martelava sobre o fato de Nagato estar ciente de sua perda de memória, mas ele não quis mencionar isso. – Deve estar informado que, desde a minha chegada ao trono, a economia vem melhorado.

– Muito lentamente.

– Mais rápido do que o planejado. – Nagato estreitou os lábios, contendo um meio sorriso. Aquele garoto era bastante teimoso.

– Tenho que admitir, majestade, que o casamento com a senhorita Hyuuga foi uma boa ideia. Mas um casamento arranjado... Especialmente a um jovem que viveu anos e anos longe desse tipo de responsabilidade... Deve ser difícil para você. – Ele encarou o rapaz. – Eu sei quão complicada pode ser esse tipo de união, porque sou o filho de um casamento arranjado.

– Eu me dou muito bem com minha esposa, alteza. Imaginei que soubesse disso.

Nagato sorriu. – Eu fico feliz em ouvir isso... Mas se seu casamento fosse tão feliz, já teríamos notícias de um herdeiro. – A insinuação calou-o. – Um herdeiro é o mínimo que um povo pode esperar de um casamento político, majestade. – O Akatsuki levantou-se. – Espero que pense nisso, quando voltarmos. – Ele piscou ao rei, mas por trás daquele sorriso mascarado, Naruto pôde sentir algo sombrio.

Havia uma ameaça implícita naquela frase, e notar aquilo fê-lo sentir-se furioso.

~

Karin Uzumaki estava bem.

Um galo na cabeça, alguns arranhões na perna esquerda, mas nada que fosse matá-la. Ainda assim, todos pareciam apavorados com o acidente – que mais tinha assustado do que causado dano, de fato.

Sakura havia passado o dia inteiro sentada ao lado da princesa, cuidando de alguém que nem precisava ser mesmo cuidada. Hinata, como a responsável por sua recepção, sentiu-se obrigada a ficar ao lado da senhora Uchiha, mas sua presença não foi de muita ajuda.

Só puderam respirar ao anoitecer, quando Tsunade responsabilizou-se pela mocinha, e aproveitando-se do fato de que a maior parte da família Uchiha estava presente, decidiram juntar-se para jantar.

Elas – Hinata e Sakura – desabaram no sofá, suspiraram e se entreolharam juntamente. – Meu Deus, deve ter sido um dia terrível. – Kasumi riu, divertida com a simultaneidade das mais jovens; estava sentada em uma poltrona próxima enquanto esperavam o anúncio da refeição.

– Cansativo. – Sak franziu o cenho. – Me irrita ver a enfermaria com dois homens feridos, com a minha tutora perturbada, e ao invés de cuidá-los, ficar ao pé da cama de uma princesinha com dor de cabeça. – Ela fez uma careta, sem nem mesmo notar a naturalidade de sua ousadia. Sasuke sorriu por isso.

– Ainda é uma princesa, querida. – Ele se aproximou; sentou-se ao lado da esposa e envolveu-lhe a cintura intimamente. – Devia estar feliz, satisfeita. – Hinata se levantou, e foi até Kasumi.

Definitivamente, a última coisa que queria, naquele momento, era ficar próxima a um casal apaixonado.

A pequena Akane abriu os braços em direção à rainha, convidativamente, e Hina se apressou em roubá-la da mãe. – Kasumi, você tem que voltar logo. – Ela apertou a protegida. – Eu não posso mais ficar longe da Akane! – As palavras da antiga senhorita Hyuuga fez com que uma tensão invisível se formasse entre Kasumi e Itachi. Mesmo assim, o conselheiro forçou-se a sorrir.

– Por favor, majestade, esmague os seus filhos. – Itachi puxou a filha dos braços da rainha, sem cerimônias, e Hinata sentiu o estômago congelar.

Akane exclamou algo como “papai!”, e agarrou-se ao conselheiro. – Eu também senti sua falta, querida. – Murmurou à pequena, que se encolheu.

– Aí está um assunto interessante. – Kasumi se voltou para a rainha. – Vocês farão um ano de casados logo, Hinata. Não acha que é hora de um herdeiro? – No rosto de Hanabi, um olhar de puro pânico se formou.

– Suas majestades são muito jovens, senhora Uchiha. – Foi Neji quem respondeu, pondo-se ao lado da constrangida rainha. – Acredito que seja mais prudente esperar alguns anos. – Kasumi fez uma careta, e tornou a olhar para Hinata.

– Você e Naruto se dão tão bem. Um casal adorável. – Sorriu ao ver as faces da outra corar, levantou-se e puxou as mãos finas, que se entrelaçavam de maneira nervosa. – Sei que deve ficar um pouco nervosa por pensar nisso, mas acho que seria uma mãe maravilhosa... – Tímidos, os olhos perolados ergueram-se até os da senhora Uchiha. – E você ama o Naruto, não é? – Ela questionou num murmúrio, que fez o rosto da mais jovem enrubescer com tanta rapidez que a fez rir.

– Kasumi, você está sendo inconveniente. – Sasuke censurou-a, mas parecia divertir-se muito à custa da vergonha de sua rainha.

A cunhada o olhou de soslaio, com uma careta; ainda não soltara as mãos da antiga Hyuuga. – Rainha ou não, Hinata sempre será a Hinata. E é por isso que vou continuar agindo como sempre... Ao menos enquanto estivermos em família. – Adicionou quando a sogra a fitou com os olhos estreitos.

O sorriso de satisfação expresso por Sakura foi discreto, mas tanto Mikoto quanto Sasuke puderam notá-lo.

Família. Há quanto tempo ela não fazia parte de uma? E de repente, estava lá, casada com o segundo filho de um duque importante, rodeada por pessoas de bom coração, que independente de sua história, independente de sua naturalidade, independente de sua fortuna ou de suas ligações, viam-na como parte da família. – Bem que eu gostaria de ficar... – Mikoto disse num suspiro, e então se levantou. – Mas temo que o grande duque Fugaku vá ficar incomodado, se jantar sozinho.

Ela não queria mencionar Fugaku naquele momento, pois assim como suspeitara, só a menção ao sogro fez a nora mais jovem enrijecer. – Podemos ir, Kasumi?

– Está tudo bem, mamãe. – A voz de Itachi soou calma e indiferente, antes que Kasumi sequer se afastasse de Hinata. – Kasumi e Akane vão passar a noite aqui.

~

Obito não queria voltar ao quarto.

Ele não queria ficar lá, onde qualquer um que o procurasse pudesse achá-lo.

Ele queria ficar sozinho, porque quis lembrar-se que estava sozinho.

Estava há horas naquele mesmo lugar: sentado à janela grande com vista para o jardim. Geralmente, olhar para as flores que Rin tanto gostava de cuidar costumava a acalmá-lo, mas agora parecia... Nada.

A dor continuava ali, assim os conturbados pensamentos que ela causava. E ele, pela primeira vez em anos, mesmo fitando o jardim bonito, não conseguiu senti-la.

Ela não estava ali.

Nem no céu, nem no jardim.

Ela estava morta. Simples assim.

Obito estreitou os olhos e agarrou o relicário que pendia no pescoço. Queria gritar, berrar o mais alto que suas cordas vocais pudessem aguentar. Queria chorar, chorar feito uma criança, chorar como não fazia há anos.

Mas de que adiantaria gritar?

Rin não estava lá para abraçá-lo; ela não estava perto para murmurar “tudo vai ficar bem”, e acalmar as sensações dolorosas em seu coração.

De que adiantaria chorar?

Kasumi não estaria lá para secar suas lágrimas. Ela não mais se sentaria sobre seu colo, nunca mais beijaria as cicatrizes em seu rosto e ele não a ouviria dizer “não chore papai, eu estou aqui”.

O fato de ter sua filha tão perto, e ao mesmo tempo tão longe, causava mais dor do que ele poderia imaginar. Tê-la tão perto, e ser obrigado a tratá-la com crueldade e frieza era quase insuportável, mas ele tinha que ser forte. Por ela, por Rin, ele tinha que continuar sendo Tobi.

Ele sorriu, tristonho, ao se lembrar da pequena e desajeitada Kasumi costurando as feridas que ele havia conquistado em trabalhos sujos, e quase inconsciente, ele deslizou o indicador pela cicatriz na mão. Havia ganhado-a de um jeito idiota, durante uma estúpida competição com Kakashi.

Lembrava-se do medo que sentira, na época, com a possível raiva que o pai sentiria ao vê-lo machucado, e também se lembrava da alegria que sentiu quando Rin, mesmo que fosse tão desajeitada, resolvera cuidá-lo.

Ele suspirou longamente, e encostou a cabeça o vidro.

Por que a vida tinha que ser tão insuportável? Por que tinha que ser tudo tão difícil? Por que ele continuava a existir, se nunca conseguia parar de pensar nela?

Agarrou o relicário preso ao pescoço, fechou os olhos e amargou a sensação da solidão.

.

Quando Shizune despertou, ainda estava escuro lá fora.

Desajeitada, ela se levantou; era madrugada, mas ela ainda estava preocupada com a perna quebrada do tal condutor, então vestiu um robe grosso, e seguiu para fora do quarto.

Enquanto seguia a passos furtivos à caminho da enfermaria, ela não pôde evitar achar graça naquela situação. Durante toda a viagem, evitara falar, ou sequer trocar olhares com aquele mercenário loiro.

Deidara tinha a língua afiada, e era um belo mal educado. Mas ao vê-lo ser carregado por Tobi, naquele fim de tarde, percebera que o rapaz tão jovem que poderia ser seu filho, e vê-lo naquela situação, ferido sem a atenção que merecia a fez com que seu coração se rendesse.

Ela queria tê-lo cuidado. Queria ter tratado da perna quebrada – que graças à demora em ser tratada, começara a adquirir tonalidade arroxeada –, mas foi proibida pela tia, e instruída – na verdade, ordenada – a ficar deitada até o amanhecer.

De fato, os médicos da cidade haviam colocado o osso de volta no lugar, mas tinham-no feito com violência desnecessária, e foi impossível não lamentar-se pelo pobre rapaz.

Ela entrou à enfermaria, e certificou-se de que os dois homens estavam dormindo antes de se aproximar e analisar o trabalho dos colegas de profissão. Bem como havia imaginado, aquilo estava mal enfaixado.

Suspirou desgostosa pelo notar o fato, e decidiu que assim que amanhecesse, insistiria à Tsunade para cuidá-lo.

Ela não se demorou no local; depois de certificar-se de que tudo estava bem, e que nenhum dos feridos tinha febre, retirou-se. Não queria ser flagrada vagando pelo palácio com vestes tão inapropriadas.

Mas então ela enxergou uma pequena luz saindo pela fresta de uma porta, em um cômodo próximo. A ideia de uma vela acesa para ninguém não lhe parecia muito boa; ela entrou na saleta com o objetivo de apagá-la, quando o viu.

Ele estava sentado em frente à janela, fitando o jardim, exatamente como costumava fazer quando mais jovem. A máscara estava de lado, e ela sentiu-se extremamente ansiosa por esse fato. – Alguém pode vê-lo... – Murmurou, só para ser notada, e viu-o se virar de soslaio.

Graças às luzes da vela e da lua, foi possível enxergar as cicatrizes, dando-lhe a certeza de que aquele era Obito Uchiha, o único homem que chegou amar algum dia em sua vida.

A aura tristonha que ele exalava era exatamente a mesma que mostrara anos atrás, em seu último encontro, e ela soube que devia estar pensando naquela mulher. A certeza a fez estreitar os olhos. Shizune conteve as lágrimas e se aproximou lentamente.

Obito sorriu, e baixou a fronte. – Que importa que me vejam? As pessoas que não deveriam já sabem que estou aqui... – Ele ergueu os olhos até ela. – Kakashi lhe contou? – Ela anuiu lentamente. – É um belo bastardo...

– Ele só estava preocupado com minha reação, se eu descobrisse sozinha...

– Sim, ele quer cuidar de todos. Como sempre... – Revirou os olhos escuros, como se não acreditasse em suas próprias palavras. – Eu fiquei realmente surpreso quando descobri que não haviam se casado... – Sorriu de maneira insinuante à moça. – Afinal, vocês dois... – Ela sentiu o estômago contorcer, e desviou os olhos dos dele.

– Você deve saber por que nos envolvemos. – Sentia o rosto enrubescer.

Obito suspirou. – Ainda assim, vocês deviam ter ficado juntos. – Ele virou-se para enxergá-la melhor, e notou que, com exceção dos cabelos – agora curtos na altura do pescoço – Shizune não tinha mudado em absolutamente nada.

Ela franziu o cenho. – É terrível ouvir você dizer isso, sabe? – Sua voz soou como um murmúrio magoado.

– Bem, é o que eu penso. Sinceramente. – Ele deu os ombros. – De qualquer forma... Pretende contar? – A confusão nos olhos dela o fez sorrir. – Você está diante de um foragido, afinal. Um foragido, que mentiu para sua majestade...

– Eu nunca entregaria você. – A afirmação fê-lo sorrir.

Obito se levantou, e seguiu até o sofá em frente a ela – o mesmo em que Deidara havia se acomodado mais cedo –, onde se sentou. Com lentidão quase torturante, ele esticou o braço para tocar a mão dela, e então a puxou, aos poucos.

Na verdade, ele mais parecia guiá-la do que puxá-la, uma vez que Shizune contribuiu à investida, sem nenhuma resistência, quase hipnotizada, e permitiu-se sentar-se ao colo do mercenário. – Por que não? – Sentir os olhos negros fitando-a como uma águia faminta fê-la estremecer. – Talvez ainda não tenha superado aquela paixão não correspondida da juventude? – Ele questionou-a com um sorriso maldoso, e o silêncio da mulher foi sua resposta. – Talvez... – Ele deslizou as mãos pela nuca dela, fazendo-a se arrepiar. – Talvez esteja curiosa sobre o porquê de Rin preferir a mim, ao invés de Kakashi. – Aquela insinuação fez uma fagulha brilhar nos olhos da mulher.

– Desce o começo. – Ela murmurou com frustração. – Desde o começo, eu era apaixonada por você... Não ela. – Os olhos dele ficaram instantaneamente sombrios, e ela se amaldiçoou pelo fato de estarem falando de Rin Nohara naquele momento.

Quando Obito baixou os olhos até o robe não muito sedutor, se não estivesse tão ansiosa, até se sentiria aliviada. Calmamente, ele desfez o laço da veste; deslizou as mãos grandes pela cintura dela, por cima da camisola, e mesmo assim sentiu-a estremecer.

Aquilo o fez sorrir. – Você não vai resistir? – Ele perguntou enquanto a ajudava a livrar-se da peça, mas Shizune não respondeu.

Por experiência própria, Obito sabia que a ideia de “quem cala consente” nem sempre era verdadeira, mas ainda assim aproximou os lábios dos dela. Ele não a beijou, mas mordiscou seu lábio inferior, e agradou-se ao vê-la enrubescer.

Deslizou as mãos por suas costas, baixando-as aos poucos, deliciado ao sentir a respiração dela acelerar, e então deslizou a boca sobre o pescoço branco. Shizune ergueu a cabeça, dando-lhe mais espaço, e queimou a cada toque.

Como havia sonhado com aquele dia! Com o momento em que finalmente seria notada, independente de Rin, independente de Kakashi!

Só ela e ele.

Obito deslizou os lábios pelos ombros finos, e com a boca, afastou a alça fina da camisola de algodão, e após fazer o mesmo com a outra alça, deliciou-se ao observar o tecido deslizar pelo corpo da mulher.

Os seios dela eram modestos, mas tinham um belo formato. E, de certa forma, o fato de ela ser tão diferente de Rin – embora tentasse se parecer com ela – o agradou.

Ele abocanhou seu seio esquerdo sem cerimônia, e sentiu-a estremecer; pôs as mãos pelo interior da camisola e agarrou sua cintura. Sentiu as mãos de Shizune arranharem sua nuca, e ouviu-a gemer o seu nome.

Era possível que ela se arrependesse na manhã seguinte, assim como ele, mas isso simplesmente não importava.

Obito tentou não pensar na dor que Rin sentiria ao vê-lo comportar-se daquela maneira, mas sim no ódio que Kakashi certamente teria quando descobrisse que sua bonequinha de vingança fora invadida por ele, de todas as formas possíveis.

O pensamento fez com que o peito dele queimasse; afastou o rosto de seus seios; agarrou a nuca delicada com uma das mãos e beijou-lhe os lábios com ferocidade.

Apressada, as mãos dela foram trêmulas até o manto negro da Akatsuki, e sem separar os lábios, o tirou; ela deslizou os dedos pelos botões da camisa e também se apressou em livrar-se dela.

Shizune era uma das poucas pessoas que já haviam visto o resultado que o terror do incêndio na mansão Nohara havia causado ao corpo de Obito; ela havia tratado daquelas queimaduras, afinal de contas. Mas quando seus olhos se cruzaram com a pele mais clara que o resto do corpo, quando seus dedos deslizaram pelas cicatrizes, ela não sentiu pena, apenas desejo.

Ela arranhou levemente o braço direito do Uchiha, que sorriu entre seus lábios, enquanto deslizava os dedos de sua panturrilha até as coxas salientes.

Já fazia um bom tempo que ele não tocava uma mulher – desde que voltara à Konoha, para ser mais exato – então era simplesmente delicioso sentir a intensidade do desejo dela.

Definitivamente, aquele sentimento dava-se à curiosidade, mas isso não importava.

Com facilidade; Obito a deitou sobre o pequeno sofá, e colocou-se sobre o corpo feminino; a sensação se sentir-se subjugada fez com que o estômago dela revirasse num misto de ansiedade e medo. Os lábios dele roçaram em seu pescoço, e deslizaram até o lóbulo de sua orelha. – Eu não sou como ele... – Murmurou ao pé da orelha dela, e então o mordiscou.

– Eu sei... – Ela soltou em um suspiro. Obito quis rir; provar algo que pertencia à Kakashi Hatake tinha um gosto extremamente doce. Ele se sentou sobre ela e livrou-se definitivamente da camisola.

Antes que pudesse se encolher, ele segurou firmemente os dois pulsos da mulher, e colocou-os sobre sua cabeça enquanto admirava o corpo delicado.

Beijou-lhe o colo com impetuosidade; roçou os dentes sobre os seios modestos e apalpou-a nos lugares que achou conveniente; sentiu-a encolher-se, ouviu-a gemer e impediu-a de gritar, decidido a possuí-la de um jeito que nenhum outro homem jamais faria.

Comprimiram os dois corpos e ele sentiu as mãos trêmulas dela arranharem suas costas tanto quanto acariciaram seu peito, mas embora Shizune estivesse extasiada pelo desejo e excitação, sabia que aquilo não era amor.

Quando ele livrou-se da calça, invadiu-a com fúria desejosa, mas não apaixonada. Enquanto a possuía, ela viu mais uma vez a fagulha sombria nos olhos negros, e embora estivesse trêmula de prazer, e o sentisse deliciado de excitação, sabia que nada daquilo era amor.

Mas ele também não estava pensando em Rin naquele momento. Talvez, se estivesse pensando nela, não agisse daquela forma, como um animal faminto.

Embora não estivesse pensando na falecida Nohara, ele também não estava pensando nela, e perceber aquilo a desolou.

Shizune não quis pensar naquilo; queria aproveitar-se do calor do corpo dele, o calor que há tanto tempo desejava; queria deliciar-se de seus beijos, queria abraçá-lo, beijá-lo e amá-lo. Mostrar que ela o amava mais que qualquer um que já tivesse amado.

Mais do que a outra o havia amado.

Mas então se lembrou de ela e Kakashi. Lembrou-se de como os dois agiam, quando juntos e sozinhos, e percebeu que aquilo seria impossível.

Shizune nunca amaria Kakashi, e Kakashi nunca amaria Shizune. Eles dois sabiam disso, e era por isso que se davam tão bem na cama.

Mas aquilo era diferente. Diferente, porque ela amava Obito. Com todas as suas forças, com toda sua alma; era como se seu sentimento fosse a coisa mais forte do universo. Mas diante daquele olhar sombrio, ela soube que não existia nenhum resquício de reciprocidade nos sentimentos dele.

Notas finais
Eu estou pensando em deixar de lado a numeração dos capítulos. Enquanto estiver mudando as capas, acho que vou tirar isso... Vira e mexe, esses algarismos romanos me confundem. e.e Eu gosto de usar eles, mas é melhor pra uma história pequena... Em TK, vão me enlouquecer. e.e Eu não tive muito tempo de betar o capítulo (só revisei algumas cenas), mas espero que esteja no ponto. Como eu ainda preciso escrever o capítulo da outra fic, vou deixar pra cuidar disso mais tarde... Espero que entendam. ;) Obito anda aparecendo muito em TK. Espero que isso não incomode os leitores... Pra mim, é bom trabalhar um pouco com o vilão, mostrar um pouco da personalidade dele! :D Eu andei pensando bastante em fazer essa cena dele com a Shizune... Eu queria algo mais, err... Violento, mas acho que não deu muito certo. XD Ficou meio sombrio, melancólico, mas não muito violento (nem teve puxões de cabelo, tia Candy!). Mesmo assim, espero que tenha ficado aceitável... ... Tá, espero que tenha ficado mais que aceitável, no mínimo interessante. q Estou ansiosa pela resposta de vocês! / Err... Tá, não sei mais o que dizer. Eu nem almocei, pessoal... T_T Então vou deixá-los com o capítulo. Realmente espero que tenham gostado... Eu, como sempre, me matei pra escrever. Minhas aulas voltam amanhã, como as de muitos. Então, desejem boa sorte para tia Candy, e tia Candy desejará boa sorte à vocês! XD Até mais ver, pessoal! Beijinhos açucarados da tia Candy! :*