The King
27 Capítulo XXVII – O Príncipe Perdido
Notas iniciais

Capítulo XXVII – O Príncipe Perdido.
Nawaki Senju Uzumaki nasceu quase quatro anos após sua irmã, Tsunade.
Ele foi o herdeiro esperado, a criança que subiria ao trono do reino algum dia, e graças a isso, deveria ser instruído da melhor maneira possível.
Mas Hashirama Senju era um homem peculiar: era feliz, agitado e se recusava a abdicar de seu papel paterno na vida dos filhos. Então, mesmo com todas as responsabilidades que o cargo de rei lhe trazia, mesmo que o mundo estivesse em caos, e a guerra se aproximasse de sua nação, sempre arranjava algum tempo para dedicar à suas crianças, em especial o seu menino precioso.
Só que a guerra chegou, e após tristes perdas de amigos muito próximos no campo de batalha, o desejo de acabar com a guerra aqueceu o coração do rei, e ele se viu obrigado a tomar decisões fortes, casando seu herdeiro com a segunda princesa do país das Águas.
Aquele havia sido o primeiro casamento sem amor dentro da monarquia do país do Fogo, e o príncipe herdeiro, Nawaki, não tinha mais que dezessete anos quando aconteceu. Mas ainda que sua irmã mais velha estivesse, na época, casada por amor, com um homem minimamente respeitável, ele nunca considerou a possibilidade de mostrar desagrado.
Tratou sua esposa da melhor maneira possível, e embora nunca tivessem chegado a se apaixonar, foram felizes juntos.
A princesa herdeira engravidou poucos meses após o casamento, na mesma época em que a segunda princesa, Tsunade.
Kushina e Nagato haviam nascido com poucos meses de diferença, e graças à escassez de crianças dentro dos portões da Torre, foram criados como irmãos. Quando alcançaram os dez anos de idade, ficou decidido que seriam guiados por instrutores: Kushina ficou aos cuidados da conselheira Utatane e sua avó, Mito, e Nagato foi entregue nas mãos de Jiraya.
Nawaki e Nagato eram muito próximos um do outro, ainda que fossem tão diferentes. Nawaki era como Hashirama: alegre, conversador, extrovertido e hiperativo. Total oposto de seu tranquilo e tímido filho, que muito lembrava a avó.
Mito Uzumaki, a rainha da época, era uma mulher exemplar. Ela era séria, cautelosa, inteligente e prudente, e sempre conseguia contornar as maluquices de seu marido da melhor maneira possível.
Ela foi muito amada por todos, e extremamente respeitada, no reino, ou na família. Era reconhecida por sua postura dura e decidida, mas se havia alguma coisa que podia quebrar aquele retrato de mulher perfeita, eram seus netos. Mito amava-os igualmente, Nagato por ser tão parecido com ela, e Kushina por ser tão diferente.
A família real era, em geral, muito feliz. Eles viviam em paz com a população, e não tinham problemas que não fossem além das fronteiras do país.
Mas então uma tragédia aconteceu.
A primeira tragédia da família real.
Uma invasão horrenda ocorreu na residência do príncipe herdeiro – era um não tão pequeno palacete, agora destruído, que ficava dentro dos muros da Torre, mas não na Torre. Os invasores haviam levado ouro, roupas, joias e, o pior de tudo: a vida do casal real.
Mas embora os corpos do príncipe e da princesa tivessem sido encontrados na manhã seguinte, estirados um ao lado do outro, na biblioteca de sua residência, nunca se soube o que houve com o garotinho do casal, e desde então, o pequeno príncipe fora considerado perdido.
Até agora.
*~*
– Nagato...! – Foi tudo o que Jiraya conseguiu verbalizar. Ele não podia acreditar no que seus olhos viam... O pequeno garoto que havia cuidado e ensinado com tanto carinho, o primeiro filho de coração que pensou ter perdido, estava ali, bem diante de seus olhos, um adulto bonito e vigoroso.
A chuva começou a cair, mas ele mal pôde reparar.
Ele sentiu os olhos queimarem de emoção, mas não conseguiu chorar.
Antes que pudesse questionar qualquer coisa, ouviu um baque no chão, o som de algo caindo ao seu lado. Ele estava atordoado, então demorou alguns segundos para perceber que se tratava da senhora Itachi Uchiha, que havia desmaiado repentinamente. Ele pôde notar que o baque a havia ferido, pois havia sangue em sua cabeça, mas não conseguia raciocinar direito. – Kasumi! – Alguém gritou preocupado, e esse mesmo alguém, da guarda policial, apareceu.
Jiraya, sinceramente, agradeceu aos céus quando viu Shisui Uchiha acudir a esposa de Itachi, pois não estava em condições para fazer muito pela moça. – Kasumi! – O rapaz continuou a chamá-la; deu-lhe leves tapas na face, mas ela não respondeu.
Os Akatsukis não fizeram menção em se mover nem por um instante, e Jiraya pôde perceber que, de fato, eles não pareciam dispostos a atacar. – Leve-a para a Torre. – O conselheiro ordenou.
– Ninguém vai para a Torre até que tenhamos uma audiência marcada com sua majestade. – Um terceiro homem se aproximou. Nagato deu um olhar contrariado à Yahiko, mas ele fingiu não notar.
– Ela tem uma saúde frágil, e está aqui, em meio à chuva. – O policial explicou com a voz tensa. – E está sangrando! Pode ter sido algo sério... Só Deus sabe o que acontecerá à moça, se continuar aqui. – Nagato estreitou os lábios, e ao ver o desespero estampado no rosto do rapaz Uchiha, concordou. – Eu a levarei ao hospital. – Ele apontou para o lado oposto da Torre, ansioso. – Fica por aqueles lados.
– Apenas ela. – O ruivo permitiu, e Shisui mostrou-se verdadeiramente agradecido antes de sair a galope. Em questão de poucos minutos – o suficiente para que ele se desse conta do que acontecia – Shikamaru estava ao lado do mais velho.
– O que fizeram a ela? – Ele perguntou discretamente ao avô de Naruto.
– Nada... Ela simplesmente desmaiou. – O velho foi sincero. Shikamaru anuiu, ergueu a cabeça e fitou todos os três.
– Eu sou Shikamaru Nara, o conselheiro. – Eles se surpreenderam ao notar o quão jovem ele parecia ser, mas não verbalizaram seus pensamentos. – Podem se apresentar?
– Eu sou Nagato Uzumaki. – Foi o que o príncipe disse. – E estes são Yahiko e Tobi. – Apontou-os enquanto dizia. – Fazemos parte da Akatsuki.
~
Quando Naruto e Gaara chegaram à Torre, pareciam mais amigáveis do que qualquer um poderia imaginar – até mesmo os próprios.
Como haviam retornado a cavalo, estavam consideravelmente à frente dos demais, portanto, ao deixarem seus cavalos com os criados, e seguiram quase imediatamente – parando apenas para trocarem as vestes molhadas por roupas secas – para escritório de sua majestade, onde conversaram por quase uma hora sobre a aliança e trataram de negócios.
Eles estavam no meio de uma discussão não exatamente interessante sobre os custos da construção de estufas, quando Hinata adentrou repentinamente no escritório.
Sem bater.
Sem ser anunciada.
Kakashi apareceu logo atrás dela, tão surpreso quanto os governantes, mas não conseguiu impedir aquele absurdo. Um absurdo que ela, dentre todas as mulheres daquela cidade, jamais se atreveria a protagonizar.
Hinata estava mais pálida do que o normal, mas parecia um pouco ofegante. Os cabelos longos, lisos e azuis estavam surpreendentemente desgrenhados. Ela parecia ver o céu, ao enxergar o marido.
Naruto e Gaara levantaram-se, ambos assustados, mas antes que qualquer um dos dois pudesse absorver o choque diante a suposta má educação da Rainha da nação do Fogo, ela se aproximou, apressada, quase desesperada, e atirou-se nos braços do marido, como se sentisse a necessidade de tê-lo próximo.
Tanto o Rei, quanto o Kazekage sentiram-se verdadeiramente constrangidos com a atitude de sua majestade, e ela também ficaria, se realmente estivesse pensando. Mas não estava.
Desde que Shikamaru e Jiraya, após uma conversa consideravelmente longa, haviam conseguido livrar-se daquele comboio de homens encapuzados, tudo o que ela podia pensar ou podia querer era vê-lo.
Vê-lo bem, vê-lo seguro.
Ela o apertou forte, e parecia tão necessitada, que ele deixou de sentir-se constrangido – mesmo que estivessem sendo vistos. Deslizou as mãos de maneira hesitante por sua cintura e retribuiu, timidamente. – Você está bem... – Ouviu-a murmurar com alívio.
Naruto ofereceu um olhar sugestivo ao Kazekage, que em um piscar de olhos estava na porta, e assim como Kakashi, retirou-se com o objetivo de deixá-los confortáveis. – O que você está fazendo, garota tola? – Ele alisou a cabeleira azulada carinhosamente. – Devia estar acamada, lembra-se? Só permiti que saísse para o casamento. – Mas ela o apertou ainda mais, calando-o.
– Eu tive tanto medo... Tanto medo de algo acontecer... – Naruto sorriu, e afundou o rosto nos cabelos azulados.
– Sinto-me ofendido. – Ele brincou. – Sou um bom cavaleiro, vossa majestade, achei que soubesse disso. – Hinata não conseguiu respondê-lo, nem respondê-lo, nem soltá-lo. Ela tremia, e parecia tão assustada...
Inconscientemente, o Uzumaki beijou-lhe a cabeleira. – Ei, ei... – Ergueu sua cabeça pelo queixo, lentamente. – Você não precisa se preocupar comigo... – Garantiu. – Eu estava com Itachi, com Itachi e o comandante Hatake. Eles não deixariam que nada me acontecesse, não é? – Ela anuiu, mas parecia incerta.
Ele deslizou o polegar por suas faces, que coraram. Hinata não recuou nem um centímetro, quando ele resolveu se aproximar, apenas fechou os olhos e esperou que os lábios se colassem.
O beijo começou calmo e carinhoso; ela percebeu que ele a queria acalmar, e sentiu-se feliz por isso; as mãos dele, que antes alisavam seu rosto, aos poucos deslizaram até sua nuca, e puxou-a – de maneira quase possessiva – ainda mais, fazendo os corpos roçarem um no outro.
Hinata pousou as mãos sob seus ombros, e sequer percebeu quando Naruto começou a guiá-la em direção à mesa. Sentiu-se enrubescer quando ele puxou-a pelas coxas, e sentou-a sobre a madeira firme. – Você devia estar descansando... – Ele murmurou entre seus lábios, mas não deixou de beijá-la. – Ainda se sente fraca...? – Ela negou de maneira quase inconsciente. Queria ficar ali, com ele. Precisava ficar com ele.
– Eu estava tão assustada... – Disse-lhe, tornando e beijou-lhe os lábios. – Pensei que aqueles homens queriam ir atrás de você... – Naruto estreitou as sobrancelhas loiras, confuso, e afastou o rosto por milímetros.
– Homens? – Mas antes que ela pudesse responder alguém bateu a porta.
Naruto xingou baixo. Era incrível como todos naquele lugar estavam dispostos à interrompê-los! Ajudou-a descer da mesa, irritado, e permitiu a entrada de quem quer que fosse.
O infeliz da vez era Shikamaru, que estava muito perturbado para perceber qualquer interrupção. Ele reverenciou os soberanos, e negou quando Naruto o convidou a se acomodar. – Eu peço que vossas majestades compareçam imediatamente às acomodações do conselho.
~
Os Akatsukis estavam realmente satisfeitos com o resultado de sua primeira aparição, e a noite seria de comemoração: Yahiko havia feito questão de comprar aperitivos e bebidas abundantes.
Ainda não tinham conhecido o soberano do Fogo, pois segundo Jiraya, “sua majestade não estava completamente a par da história de sua família, e precisava ser introduzido a Nagato antes de conhecê-lo”, mas estavam a caminho disso.
Os conselheiros, após uma longa conversa, garantiram que o rei os receberia na própria Torre, na manhã seguinte, assim que o sol estivesse a pino, e todos já comemoravam a vitória. Afinal, eles não poderiam expulsar um príncipe, e era isso o que Nagato era: um príncipe.
Antes da madrugada, todos já estavam bêbados. Todos, exceto um: exatamente o homem que – supostamente – devia estar mais contente com aquela conquista.
Tobi, contrariando as expectativas, não se juntou ao grupo. Na realidade, preferiu retirar-se para fazer uma visita nada convencional ao túmulo da família Nohara.
O país do Fogo, na realidade, tinha o costume de praticar a cremação. Todos os que eram minimamente importantes em Konoha eram cremados... Mas os Nohara nunca foram considerados “importantes”.
Sinceramente, Obito sentia-se feliz por isso. Ele não gostava de imaginar seus entes queridos virando pó. Era preferível pensar que ela continuaria linda, mesmo que estivesse a sete palmos abaixo da terra, ainda que anos tivessem se passado, desde sua morte.
Como foi considerado fugitivo no dia seguinte à morte da amada, ele sequer teve a oportunidade de cuidar de seu enterro.
Kakashi fez tudo.
Ele providenciou o local, as lápides, e instruiu tudo da maneira mais correta possível.
Os túmulos da família ficavam abaixo de uma árvore que muito parecida com outra que ficava próxima à casa dos falecidos, uma em que Rin geralmente costumava se reencostar para ler. Ficava em um local reservado, quase privilegiado do cemitério de Konoha, e eram muito bem cuidados.
Os epitáfios da família eram quase poéticos, mas enquanto os do senhor e da senhora Nohara eram poesias longas, bonitas e emocionantes, o de Rin só dizia: “Infinitamente amada”, e apenas isso.
Obito odiava aquilo.
Rin era talentosa, inteligente, corajosa, gentil e surpreendentemente bondosa quando em vida.
Lia como se sua vida dependesse disso, pintava como se sua alma pudesse ser exposta através de seus quadros e escrevia como ninguém: poemas, contos e mesmo histórias, que apenas Obito e Kakashi puderam ler.
Rin adorava Kakashi, e por isso, onde quer que estivesse, não devia estar zangada pela falta de consideração do amigo. Certamente estava satisfeita com todo o carinho que ele havia tido para com seus pais, mas Obito não podia aceitar isso. Não podia pensar na ideia de sua amada ser lembrada apenas pelas duas propostas de casamento que havia recebido em seus curtos dezesseis anos de vida, quando era tão mais que isso, mas o que ele podia fazer? O que ele podia fazer, quando não passava de um renegado, de um fugitivo?
Obito suspirou profundamente.
Sentou-se em frente à pedra, pousou as flores do campo que havia colhido no caminho sobre seu colo e fechou os olhos.
Foi como se pudesse visualizá-la ali, à sua frente. Foi como se visse seu doce sorriso, como se sentisse sua presença... E então se lembrou de Kasumi.
Aquela garota definitivamente devia ser Kasumi, a pequena Kasumi Nohara, que esteve ao seu lado por tanto tempo. Ela tinha todos os traços de sua família, e era surpreendentemente parecida com a falecida senhora Nohara.
Obito tentava evitar pensar em Kasumi com muita frequência, pois pensar nela o fazia se lembrar da noite em que Rin havia morrido, tentando protegê-la.
Ele se lembrava da imagem da amada desmaiada em frente às escadas dos Nohara, deitada sob uma poça de seu próprio sangue; abraçava protetoramente a pequena recém-nascida, que chorava insuportavelmente.
Se Rin estava morta agora, Kasumi era parcialmente culpada. Tão culpada quanto os Nohara e os Uchiha, que não os permitiram casar, tão culpada quanto Kakashi, que havia perdido seu afeto, e tão culpada quanto o próprio Obito, que a fez desistir de se tornar a senhora Hatake para continuar na casa dos pais, esperando pelo momento em que poderiam fugir, e finalmente ficar juntos.
Ele bateu a cabeça na pedra.
Odiava lembrar que ela estava morta, mas era impossível não fazê-lo quando estava justamente na frente de se túmulo.
Levantou-se com dificuldade, e ajeitou as flores em frente à lápide. – Desculpe Rin... Eu tenho vindo muito aqui... – Ele alisou a pedra, e agachou. – Você deve estar preocupada... – Deu um sorriso tristonho. – Deve estar irritada com as minhas ações, mas... – Encostou a testa sobre a lápide, e fechou os olhos. – Eu preciso fazer isso... – Murmurou. – Para dar paz à sua alma... E à minha alma.
~
Itachi foi o primeiro a ser informado sobre o estado de sua esposa, e ainda que fosse muito imprudente e irresponsável da sua parte, arranjou um cavalo qualquer e saiu em alta velocidade na direção do hospital, abdicando de todos os deveres de seu cargo.
Ele estava tão tenso, tão nervoso, tão ansioso e preocupado, que conseguiu cruzar a cidade pela metade do tempo, e por sorte conseguiu fazê-lo sem atropelar nenhum dos cidadãos.
O senhor Uchiha foi imediatamente encaminhado, pela madre superiora do hospital religioso, ao melhor quarto do local, e ficou satisfeito ao descobrir que a esposa estava sendo tão bem recebida quanto uma nobre, o que sem dúvidas a irritaria muito. Kasumi costumava odiar seu estado de saúde, então sempre ficava frustrada quando era obrigada a ser internada.
Itachi agradeceu sinceramente àquela mulher odiosa, e garantiu que os Uchiha se lembrariam de sua consideração.
Quando a madre enfim permitiu-o entrar no quarto – e apenas o fez quando o senhor Uchiha deu sua palavra de que tanto o rei, quanto Fugaku saberiam de sua bondade – ela já estava acordada.
Tinha a cabeça enfaixada, mas não parecia irritada.
Olhava debilmente em direção a uma das paredes, refletindo sobre qualquer coisa que, ele teve certeza, não devia fazê-la bem.
Itachi se aproximou lentamente, quase se esquecendo da presença da diretora do hospital, e segurou a mão da esposa de modo que ela pudesse percebê-lo.
Os olhos castanhos da senhora Uchiha ergueram-se lentamente até os negros do marido, e ele percebeu que ela estava desolada. Tão desolada quanto estava, quando os Uchiha haviam ido buscá-la no hospital, há anos atrás. – O que aconteceu com a cabeça dela? – Ele não se deu ao trabalho de virar-se para questionar a outra mulher.
– Quando desmaiou, a senhora Uchiha bateu a cabeça. Sua cabeça estava ferida, então tivemos que fazer alguns pontos. – Ele assentiu lentamente, compreendendo, e deslizou o polegar pelo rosto da amada. – Muitas coisas podem ter acarretado esse mal estar, visto a saúde da senhora Kasumi, mas gostaríamos de ter certeza. – Ela se aproximou, e obrigou-o a dar-lhe atenção. – Por tanto, se não for incômodo, gostaria de fazer algumas perguntas. – O casal anuiu. – Sua alimentação está correta?
– Ela come de três em três horas. – Foi Itachi quem respondeu.
– E tem demonstrado sinais de anemia? Tonturas, indisposição... – Ele negou.
– Ultimamente anda bem saudável...
– Como estão suas regras? – Aquela questão pareceu fazer uma fagulha de atenção brotar nos olhos da senhora Uchiha, que os ergueu na direção da mulher, como se todas as suas preocupações sumissem.
– Atrasadas... Duas semanas! – Ela confessou, sentindo-se surpresa consigo mesma. Como não poderia ter percebido antes? Sorriu bobamente, e olhou ansiosa na direção do marido, que lhe beijou a testa.
Mas o olhar que a madre ofereceu ao conselheiro não foi muito animador. – Senhor Uchiha, podemos conversar por um segundo? – Ela questionou um tanto hesitante, surpreendendo o casal.
Itachi estava a ponto de se levantar, mas foi impedido pela esposa. – O que houve? – Ela quis saber. – Eu não sangrei certo? Quando desmaiei. – A mulher negou, mas antes que a moça pudesse se sentir aliviada, prosseguiu:
– Com sua saúde frágil, todo o cuidado é pouco. O fato de sua primeira filha ter nascido sem complicações foi quase milagroso, senhora Uchiha, então peço que seja mais prudente do que costuma ser consigo mesma. – E fitou Itachi. – É essencial que a senhora Uchiha não faça esforço. Se começar a ter febre, ou coisa igual, mantenha-a em constante repouso, e o mais importante de tudo: não deixe que ela passe por emoções fortes. – E bastou ouvir a palavra “emoção” para que Kasumi empalidecesse.
Ela baixou a cabeça, e a partir de então, não conseguiu ouvir mais nada.
Definitivamente, era impossível fazer o que a madre pedia.
~
Quando Naruto e Hinata enfim chegaram às acomodações dos conselheiros, não puderam evitar notar que Itachi não estava presente.
Após reparar as expressões de estranhamento, Shikamaru os avisou que o senhor Uchiha estava ao lado da esposa, que havia sido levada às pressas para o hospital, mas já passava bem. – Sobre o quê, exatamente, nós falaremos nessa reunião? – Naruto questionou quando todos ficaram acomodados.
Jiraya e Tsunade se entreolharam, hesitantes, e provavelmente não falariam, se Shikamaru não tomasse a iniciativa: — Estamos recebendo visitas. – Ele disse entre um suspiro longo. – Visitas inesperadas e problemáticas. – Esclareceu.
Naruto estreitou as sobrancelhas, confuso. – Problemáticas? – O conselheiro mais jovem anuiu, hesitou um pouco, mas quando voltou a falar, tentou ser o mais cauteloso possível.
– Já ouviu falar na Akatsuki? – Questionou-o com a voz séria.
– Todos já ouviram falar da Akatsuki. – O loiro deu os ombros, mas então sentiu o corpo paralisar. -... Eles são as visitas? – Perguntou lentamente, com a preocupação latente na voz. Shika concordou.
– A Akatsuki, uma organização que atualmente trabalha com mercenários. A organização que, sozinha, conseguiu tornar a vila da Chuva independente de seu país.
– Espere. – O loiro pediu, atordoado. – Está me dizendo que a Akatsuki está aqui, querendo falar comigo? – E então se sentiu furioso, e encarou Hinata. – Eles te abordaram?!
– Sim, eles abordaram a carruagem real. – Foi Shika quem respondeu. – Queriam falar com vossa majestade imediatamente, mas nós conseguimos contornar a situação. Marcamos uma audiência para amanhã, ao meio dia, aqui na Torre.
– Vocês vão trazer mercenários para dentro da Torre? – Cada palavra parecia mais absurda para os ouvidos do Uzumaki. – O que tem na cabeça?! Tirem esses marginais de Konoha imediatamente! – E apontou para uma direção qualquer. – Tirem-nos do meu país, nesse instante! – O Nara suspirou. Definitivamente era muito problemático conversar com alguém tão irritável quanto Naruto.
– Não é tão simples assim. – O conselheiro explicou. – Eles são líderes de um governo.
– Mesmo assim, não podem chegar à Konoha sem aviso prévio, muito menos exigir uma audiência com o rei de maneira tão tortuosa! – Hinata ponderou com a voz baixa, mas estava tão frustrada quanto o marido.
Ela, claro, não estava tão informada quanto Shikamaru.
– Veja bem, majestade: mesmo que não sejam conhecidos por métodos convencionais, a Akatsuki é admirada por uma grande parcela de cidadãos, em todo o mundo. Enxotá-los da cidade podia causar revolta a uma parte, mesmo que pequena, da população.
– Ainda assim, trazê-los para a Torre me parece uma ideia absurda. Eles são estrangeiros, como podem exigir algo assim? – Jiraya murmurou algo que ele não pôde entender, então encarou o avô, confuso e pediu para que ele repetisse.
– Um deles não é estrangeiro. – Foi o que o velho falou, após prender os olhos nos do neto. – Um deles é o príncipe. – E então nada mais fez sentido.
–... Um príncipe?
– Um príncipe. – Naruto riu com nervosismo.
Levantou-se, alisou os cabelos de forma exasperada e começou a andar em círculos pela sala. – Engraçado. Eu pensei que fosse o último príncipe. – E então os encarou aos avós com um olhar letal.
– Sente-se. – Tsunade ordenou, sem olhá-lo diretamente nos olhos. – Eu vou te contar tudo. – Garantiu, e mesmo que hesitante, o neto a obedeceu.
Hinata segurou uma de suas mãos por baixo da mesa, e sentiu-o apertá-la, agradecido. Ele tentou se acalmar, e não disse uma palavra até ouvir a explicação. – O rapaz em questão é filho do antigo príncipe herdeiro... Filho do meu falecido irmão, Nawaki. – Ela estreitou os olhos, tristonha. – Antigamente, o príncipe herdeiro costumava ter um palacete, que era vizinho ao palácio... Era uma tradição, para que ele pudesse tentar ser independente. Nawaki se mudou logo após casar-se. – Ele soube daquela tradição por suas aulas, mas nunca entendeu direito o porquê de ter sido abolida. – Há muitos anos, mesmo antes de você nascer, esse palacete foi invadido. Os saqueadores levaram tudo, até mesmo a vida de Nawaki... E o menino, Nagato, seu filho, sumiu. – Ela suspirou longamente. – Depois de anos e anos, acabou sendo dado como morto. Nós nunca imaginamos-...
– Mesmo que não imaginassem, há motivos para me esconder isso? – Ele quis saber. – Se eu era mesmo o único herdeiro supostamente vivo, por que mentir sobre isso? Por que mentir para mim?! – Jiraya suspirou longamente.
– Já lhe dissemos, foi ideia dos últimos conselheiros. – Mas sua majestade não pareceu muito satisfeita diante da desculpa. -... Imaginamos que, assim, você poderia ficar animado com a ideia de comandar um país.
– Eu iria de qualquer jeito, não é? – Ninguém respondeu. – Então porque esconder de mim?
–... Pouco depois da morte de Nawaki, minha mãe faleceu... Desde então, a história virou um tabu. Ninguém falava sobre o casal herdeiro, por medo de prejudicar a saúde do rei. Meu pai aguentou alguns anos no governo, mas apenas o suficiente para Kushina ter idade para casar e assumir... – Naruto estreitou as sobrancelhas, e apertou os punhos.
– Não. – Disse entre dentes. – Não foi pelo tabu, nem pelas ordens, nem por achar que eu aceitaria mais facilmente a ideia de ser o herdeiro por ser “o garoto milagroso”. – Ele encarou os avós. – Vocês mentiram para me pressionar. – Nenhum dos velhos tentou se retratar, e ele soube imediatamente que era verdade.
Depois de alguns minutos em silêncio, amargando a mentira das duas únicas pessoas em que ele certamente nunca havia desconfiado em toda a sua vida, Naruto levantou-se. – O que acha que eles querem, Shikamaru? – O conselheiro deu os ombros.
– Talvez uma aliança, talvez poderes... Não podemos ter certeza, até que eles digam. – Naruto anuiu e, estendeu a mão para ajudar a esposa a se levantar. – Eu quero que você e Sasuke estejam presentes nessa reunião. – O rapaz anuiu. – Mande flores à senhora Uchiha e diga à Itachi que fique com a esposa.
– Sim, majestade. – E então Naruto retirou-se, com Hinata em seu encalço, sem sequer se despedir.
Eles andaram pelos corredores da Torre sem destino por alguns minutos, até que a rainha percebesse que ele precisava se acalmar. Então, de algum jeito, conseguiu guiá-lo até sua saleta de visitas; pediu para que Shino não deixasse ninguém interrompê-los e o acomodou em uma das cadeiras na mesa de chá.
Naruto estava desolado, decepcionado. E tinha bons motivos para isso. – Você sabia dessa história? – Ele perguntou debilmente, os olhos azuis tristes, perdidos no horizonte.
– Não muito. – Ela confessou. – Só o que sua mãe havia me contado, quando me dava aulas sobre a família real... Mas eu não sabia que tinham lhe feito segredo. – Ela o ofereceu um chá calmante, mas ao invés de pegar a xícara, ele puxou-a impulsivamente pelo antebraço, obrigando-a a sentar-se sobre o seu colo, e apertou sua cintura firmemente.
Hinata sentiu o rosto enrubescer, e o coração acelerar, mas não conseguiu se mover. – Sem chá... Só fique assim. – Ele pediu. – É o suficiente para eu me acalmar. – Mesmo que aquela fosse uma ótima situação para qualquer mulher apaixonada, Hina não conseguiu sentir-se feliz, ou satisfeita com ela. Isso porque Naruto estava triste, ela não poderia ficar feliz quando ele estava triste.
Colocou a xícara sobre a mesa de chá, e então se aconchegou nos braços do amado, que a envolveu possessivamente.
Eles ficaram assim por um bom tempo: ela, reencostada sobre peito dele, com a cabeça deitada sobre seu ombro, e ele, com o rosto afundado no mar de cabelos escuros, inspirando lentamente o perfume da esposa, enquanto a abraçava. -... Eles não fizeram por mal... Acho que só queriam fazer as coisas mais aceitáveis para você. – Ela especulou em voz baixa.
– Não... Eles queriam me pressionar. – Ele garantiu. – Eu seria obrigado a ficar aqui, de qualquer forma... Mas quando me disseram que eu era o único menino nascido na casa real em anos, realmente pensei que fosse... Especial. – Suspirou longamente, e apertou-a. – Pode ser tolice, mas... É como se tivessem traído a minha confiança. – Ela não conseguiu responder. – Eu sempre os ouvi cegamente, nunca questionei nenhuma de suas decisões... Mas eles me enganaram, mentiram desnecessariamente, e-... – Calou-se, ao sentir o doce toque da moça sobre seu rosto.
Ele levou os olhos azuis até os dela, que o fitavam preocupadamente. – Mesmo que você esteja confuso... Mesmo que acredite que não possa confiar em ninguém... Mesmo que não confie nem em mim, vou estar aqui. – Ela prometeu, e sua promessa o fez sorrir. – Afinal, nós somos cúmplices. – Completou, fazendo-o arquear a sobrancelha esquerda.
Naruto suspirou, balançou a cabeça e alisou o rosto da esposa de maneira suave e carinhosa. – Só isso? – Questionou-a num murmúrio, mas antes que ela pudesse entender qualquer intenção implícita na frase, ele a beijou.
~
Sasuke sentiu-se terrivelmente revoltado quando na manhã seguinte ao seu casamento, foi acordado às seis da manhã por batidas da mãe à porta, e ficou sinceramente furioso quando a duquesa o informou que estava sendo convocado para uma importante reunião, ao lado de sua majestade. – Mas que demônios ele pensa que está fazendo?! Atrapalhando minha lua e mel dessa maneira... – Ele bufou. – Onde está o Itachi? Ele não permitiria uma coisa dessas. – Mikoto suspirou longamente.
– Kasumi está no hospital. Ela desmaiou, e agora está em observação... Por favor, querido... Sei que é difícil, mas vá. Acredito que tenha sido chamado para suprir a ausência de seu irmão, já que o rei confia muito em ambos... – Ele estreitou os lábios, cruzou os braços e virou o rosto para enxergar a esposa, que dormia feito uma pedra.
– Eu não posso deixá-la sozinha. – A duquesa suspirou.
– Querido, assim você me ofende. – Ele arqueou a sobrancelha, e tornou a olhar para a mãe. – Eu vou cuidar bem de sua esposa. Explicarei as regras da casa e, mais tarde, vamos juntas visitar sua cunhada.
– Mamãe, você não gosta da Sakura. – Sasuke a lembrou com um meio sorriso provocativo, que fez a Uchiha enrubescer. Mikoto fez uma careta ofendida.
– Só desgosto da situação. – Ela respondeu após pigarrear, desviando do olhar acusativo do filho mais jovem. – Não conheço a moça o suficiente para fazer qualquer julgamento. – Sasuke revirou os olhos, mas parecia divertido por deixá-la constrangida.
– Eu vou ter que ir, de qualquer forma... – E suspirou. – Só prometa não constrangê-la. – Mikoto anuiu, e se retirou para os seus afazeres.
Mesmo aceitando a situação, Sasuke não pôde deixar de praguejar, e amaldiçoar o melhor amigo por sua atitude estúpida, egoísta, e inconveniente, e se aprontou para sair sem se preocupar em acordar a esposa para dar-lhe qualquer explicação.
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Sakura acordou tarde àquela manhã, e só porque uma criada – provavelmente enviada por sua sogra – havia aberto as janelas para que o sol a despertasse. – Bom dia, minha senhora. – A jovem mocinha tinha feições adoráveis, tinha os cabelos castanhos curtos e sorria gentilmente. Fez uma mesura educada quando a viu se sentar sobre a cama. – A duquesa a espera para o café da manhã. – Sak franziu o cenho, confusa.
– Onde está o Sasuke-kun? – Foi a primeira coisa que pensou em perguntar.
– O senhor Uchiha recebeu uma convocação de sua majestade. – A criada lhe explicou, surpreendendo-a. – Ele saiu ao amanhecer, mas não quis acordá-la. – Sakura estreitou as sobrancelhas, incomodada.
– Por que não quis me acordar? – A garota corou um pouco, e baixou os olhos ao chão antes de explicar:
– Aparentemente, a senhora parecia muito cansada... – Sakura sentiu o rosto queimar de constrangimento. – Ele pediu para que deixássemos que dormisse até a hora que quisesse, mas a duquesa deseja que a faça companhia durante o café da manhã. – Sak anuiu lentamente, envergonhada. Ela realmente estava cansada, mas mais que isso, estava dolorida. – Eu sou Matsuri, — A moça se apresentou, curvando-se. – Serei sua serva particular a partir de hoje.
Ninguém havia avisado à Sak sobre nenhuma criada particular, mas ela imaginou que isso não devesse ser questionado. Então, ainda que fosse extremamente constrangedor ser a patroa, tentou sorrir quando disse: — Conto com você.
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Quatro dos integrantes da Akatsuki vieram à audiência. Eles haviam chegado à Torre meia hora antes do combinado, mas todos já estavam prontos.
Jiraya e Kakashi os receberam, e as apresentações de praxe começaram. Nagato, que já era conhecido pelos veteranos do exército, apresentou Yahiko e Konan como líderes da Akatsuki, e Tobi como um mercenário que atualmente trabalhava como seu segurança pessoal.
Kakashi se mostrou desconfiado durante toda a apresentação. Ele havia ficado o tempo inteiro calado, observando analiticamente as posturas de cada um, e pôde imediatamente perceber que o tal Tobi não era apenas o que dizia ser.
Ainda assim, foi educado quando os guiou até a sala do trono. Apresentou-os à suas majestades assim como deveria ser e retirou-se do local para ficar de guarda em frente à porta, ao lado de Tobi.
Nagato, Konan e Yahiko mostraram-se muito respeitosos diante os reis, mas isso não serviu para aliviar a tensão da situação.
Tsunade – que era quem melhor conhecia Nagato, em exceção a Jiraya – apresentou formalmente todos os presentes: Sasuke, Shikamaru, Naruto e Hinata, e a ausência dos demais conselheiros na reunião foi explicada. – Jiraya está de guarda. – Ela lhes disse. – E o segundo conselheiro, Itachi Uchiha, está no hospital, ao lado da esposa adoentada. – Yahiko fez uma careta, provavelmente desdenhando da atitude do Uchiha, e graças a isso, Sasuke odiou-os imediatamente.
– Eu fui posto a par da situação na noite passada. – O rei contou. Olhava diretamente nos olhos do parente. – Compadeço-me de sua história, Nagato Uzumaki, mas a verdade é que sua situação é delicada e confusa. – O ruivo anuiu. – Então, peço, antes de qualquer coisa, que me explique duas coisas: por que você sumiu, e o quê vocês desejam.
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Por algum motivo desconhecido até por ele mesmo, Kakashi não conseguiu deixar de encarar o tal Tobi nem por um instante sequer.
Ele sentia que já o via visto em algum lugar, e aquela sensação, sobre um mercenário, definitivamente não era muito boa. – De onde vem, senhor Tobi? – Ele questionou em dado momento.
O mascarado fitou-o de soslaio, sorriu por baixo da máscara e deu os ombros, como se não importasse. Mas ao invés de insistir em uma resposta, Kakashi refez sua pergunta: – Qual é o seu sobrenome?
– Eu não tenho sobrenome. – Obito foi sincero. – Sou deformado. – Ele apontou para o próprio rosto. – Minha família abandonou-me. – Nenhuma daquelas afirmações era mentirosa, mas ele esperou que o Hatake as entendesse como uma só informação: esperava que ele imaginasse que Tobi havia sido abandonado por sua família por ser um deformado.
Mas não foi o que aconteceu.
Kakashi lembrou-se dos desenhos que Kasumi fazia em seus diários quando menina, desenhos de uma garotinha ao lado de um homem mascarado, e soube, como um estalo, que aquele era Obito Uchiha.
Claro que Obito nunca poderia imaginar, mas já fazia muito tempo que Kakashi tinha conhecimento sobre suas cicatrizes. Ele havia morado com Kasumi por um tempo, afinal. E mais de uma vez havia ouvido-a murmurar enquanto chorava, na calada da noite, que sentia falta de beijar as cicatrizes do amado pai. – O senhor gosta de flores do campo, Tobi sem nome? – O Hatake questionou com mentirosa indiferença, e teve certeza de suas suposições ao vê-lo enrijecer.
Lentamente, os olhos negros do Uchiha fitaram os do comandante, e sem resistir, respondeu-lhe, com um ar provocativo: — Amo, infinitamente.
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Nagato nunca compartilhou seu passado com ninguém: nem Yahiko, seu melhor amigo, nem Mai, sua falecida esposa, mas ele sabia que cedo ou tarde teria que falar a alguém. – Eu estava na biblioteca, quando fomos invadidos. – Contou calmamente, e embora Tsunade tivesse empalidecido imediatamente, Naruto não conseguiu compreender a importância daquela frase. – Meus pais me esconderam em um tipo de passagem, atrás de um dos quadros, e eu os assisti morrer. – O rei estreitou os olhos, mas não fez menção de interrompê-lo. – Eles pareciam estar atrás de mim também, então resolvi fugir... – Os olhos lilás de Nagato caíram ao chão, mas mesmo que fosse desconfiado, Naruto não pôde duvidar de sua sinceridade. – Quando os assassinos saíram da biblioteca para me procurar, nos outros cômodos, pulei a janela, peguei meu cavalo e fugi... Simplesmente fugi. – Tsunade levantou-se impulsivamente.
– Devia ter vindo até nós! Nós o protegeríamos, Nagato! Você não devia ter fugido, querido... – E então começou a chorar. O príncipe apertou os punhos, cerrou a mandíbula, e quando encarou a tia, parecia completamente oposto ao tranquilo garoto que Tsunade viu crescer.
– Me proteger? – Ele riu sem humor, e desviou o olhar para uma parede qualquer. – Assim como protegeram meu pai, imagino. – O rancor em seu tom de voz era quase palpável. Mas então o homem tentou se acalmar; ajeitou os cabelos ruivos e tornou a fitar sua majestade. – Depois de fugir, muitas coisas aconteceram... – Ele suspirou longamente. – Fui sequestrado, vendido, tornei a fugir e acabei indo parar na vila da Chuva, onde me juntei com um grupo de órfãos. – Yahiko sorriu, nostálgico ao se lembrar do pequeno garotinho, ruivo e magro, que Konan e Mai haviam encontrado fuçando em lixeiras.
Ele se aproximou, reverenciou o rei e prosseguiu com a história: — Quando formamos a Akatsuki, tínhamos a idade de vossa majestade. – Ele contou. – Estávamos cansados de injustiças, e não paramos até alcançar a liberdade, a independência. Até que as crianças de nossa vila não fossem obrigadas a passar pelo que passamos. – Sasuke riu, sem nenhum humor.
– Vocês são mercenários. – Lembrou-os. Yahiko deu os ombros.
– A verdade é que tornamo-nos líderes de nossa cidade, e somos obrigados alimentá-los... Deve saber senhor Uchiha, que a vila da Chuva não tem recursos, nem alianças, nem reconhecimento. – Sasuke estreitou os olhos, cheio de desconfiança.
– Responda a segunda questão. – Naruto ordenou de repente, tomando a atenção de todos. Ele se ajeitou no trono, e continuou a encarar Nagato. – O que vocês realmente querem aqui?
– Você é como eu, Naruto. – O príncipe perdido murmurou calmamente. – Nós dois perdemos nossos pais de maneiras terríveis, e passamos anos longe de nossas raízes... Mas você ainda é jovem e inexperiente. – Hinata franziu as sobrancelhas. Por algum motivo, sentia-se incerta diante o tom de voz usado pelo mais velho. – Somos uma família, no fim das contas... Tudo o que eu quero é guiá-lo.
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