The King
22 Capítulo XXII – O Começo de Algo.
Notas iniciais
Obrigada pela consideração, Hyuuga Uzumaki, DayHinata e Letícia Oliveira!
Também agradeço muito aos leitores que comentam e tornam a vida dessa autora mais satisfatória... Eu sinto muito por não poder respondê-los. :(, mas sou verdadeiramente grata!
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Gente, eu to super cansada.
Tive provas durante a semana inteeeira, e trabalhos para completar.
Ainda faltam mais três provas pra eu terminar, e um trabalho monstruoso sobre Política Monetária, com um grupo insuportavelmente irresponsável! D: É horrível não ter muitos amigos, nunca se pode mudar de grupo... E mesmo se pudesse, isso afetaria a amizade. x.
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Agora ao capítulo. XD
Eu gostei muito desse capítulo - surpreendentemente. Mesmo não tendo muito tempo pra fic essa semana, eu consegui reservar uma horinha da minha noite pra cada cena... E como eu fico muito inspirada em época de provas (parece que é pra sacanear, porque fico inspirada justamente quando não posso escrever! ¬¬), não foi muito difícil fazê-lo.
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Boa leitura!
Capítulo XXII – O Começo de Algo.
Kasumi Nohara foi o nome que lhe deram quando chegou ao hospital de Konoha, há onze ou doze anos. Com dez anos de idade, a garotinha nunca soube da existência de sobrenomes, pois nunca havia precisado usar um.
Assim que teve alta do hospital, ficou decidido que Kakashi Hatake, o homem responsável por separá-la de seu amado pai, seria seu tutor. Ao que parecia ele era o parente mais próximo dos falecidos Nohara, e herdara todas as suas posses.
Ela odiou.
Na reunião em que o Hatake pretendia apresentá-la à sociedade foi malcriada e antissocial. Ironicamente, tal comportamento chamou atenção de famílias importantes: a rainha encantou-se, tanto com a beleza quanto com a personalidade forte da garotinha – que era bastante parecida com a dela, naquela idade. O resultado do encantamento foi uma crise ciumenta boba do príncipe herdeiro, e como consequência disso, em dado momento, a mocinha se pegou chamando-o de “mimado e irritante”. Embora os pais do garoto parecessem se divertir com a bronca, Kasumi foi sentenciada a comparecer no dia seguinte à sala dos conselheiros.
Ali, toda sua infância foi destruída.
Tinha quase onze anos de idade quando lhe contaram que seu pai não era seu pai. Foi a primeira vez em que ela pôde perceber que o homem que a havia criado, de fato, negligenciara à sua educação e vida social. Foi a primeira vez que percebeu que, se seu pai a quisesse de volta, já teria ido buscá-la. E isso a destroçou, porque até então nunca, jamais havia amado ninguém que não aquele homem.
Kasumi sempre teve a saúde frágil, então não foi surpresa quando a tristeza a fez adoecer, obrigado Kakashi a interná-la.
Depois daquela internação, nunca voltou a pisar na residência do comandante.
Pensando agora, talvez, se Kakashi não estivesse tão ocupado com os deveres do exército, ele poderia tê-la conquistado àquela época, quando ela estava desolada, desiludida, sozinha.
Mas ele não o fez. Nunca havia tentado se aproximar realmente, o que a fez concluir que o homem simplesmente não se importava.
Estava acostumada com a solidão, fosse presa no hospital, ou presa na casa daquele homem, mas então Mikoto apareceu.
Ela começou a visitá-la no hospital. Era sempre doce, adorável, e demonstrava imenso carinho pela garotinha. Kasumi não soube quando, mas de uma hora para a outra, a solidão começou a incomodá-la, e cada dia mais ansiava pelas visitas da Uchiha.
Quando recebeu alta, ao invés do Hatake ir buscá-la, deparou-se com toda a família Uchiha.
Ela não soube dos arranjos, mas ao que parecia, Kakashi estava ocupado demais para ter uma tutelada, e Mikoto havia convencido o marido a adotá-la, então mais uma vez a pobre garotinha sentiu-se abandonada. Mesmo que não gostasse de Kakashi, era horrível ter a certeza de que ele não gostava dela. Era horrível se sentir rejeitada.
De uma personalidade selvagem e briguenta, a senhorita Nohara tornou-se uma pessoa calma e isolada.
Dentro da mansão Uchiha ela era tratada como filha por Mikoto, como tutelada pelos empregados, como rival à Sasuke e como uma ninguém por Fugaku.
Itachi havia acabado de entrar no exército, então não se viam muito. Sempre que ele estava em casa, entretanto, comportava-se de maneira adorável, o que só aumentava os ciúmes de Sasuke.
Foi então que o incidente com a família real ocorreu.
Sasuke e Mikoto foram os mais abalados. O caçula da família chegou a ficar acamado, e como sua mãe estava triste demais para cuidá-lo, a tarefa caiu sobre os ombros da jovenzinha, que foi uma enfermeira surpreendentemente gentil. Sua atitude conquistou a gratidão de Fugaku, o respeito de Sasuke, a admiração de Itachi, e o mais sincero amor de Mikoto.
Os anos se passaram, a beleza infantil amadureceu, assim como sua personalidade, e Kasumi tornara-se uma linda e bem educada criatura.
Por se tratar da tutelada da duquesa, todos a respeitavam. Debutou aos dezesseis anos, como tantas outras, e os pretendentes apareceram aos montes, especialmente após Kakashi anunciar que toda a herança Nohara serviria de dote à mocinha, mas coisas estranhas começaram a acontecer.
Itachi, que nunca foi de respeitar compromissos sociais, começou a frequentar os bailes que a senhora Mikoto a levava. Ele se mostrava estranhamente exigente com os pretendentes de sua “quase irmã”, e em certas ocasiões, foi até violento com alguns.
Ela – assim como todos da alta sociedade – descobriu os verdadeiros sentimentos do senhor Uchiha durante o baile de aniversário de Mikoto.
Ela estava descansando os pés na sacada da mansão Uchiha quando foi abordada de maneira desagradável por um de seus tantos pretendentes, que estava muito bêbado na ocasião; Itachi os havia flagrado e sua reação foi surpreendente: ele agarrou o dito cujo pelo pescoço e atirou-o escada abaixo – por sorte, o indivíduo não ganhou muito mais que algumas costelas quebradas – gritando para qualquer um que quisesse ouvir que “ninguém tocaria sua Kasumi!”.
Como ele era considerado um grande prodígio, ela, uma preciosa pretendente, e ambos moravam sob o mesmo teto, a falação começou a se espalhar por Konoha.
Mikoto, que amava os dois com tanta igualdade que assustava, ficou feliz com a possibilidade de tê-los casados, e Fugaku não viu problema nenhum com a união: muito pelo contrário, ele insistiu que trocassem as alianças o mais rápido possível.
Itachi não queria obrigá-la. E Kasumi, tão jovem e sem nenhuma experiência romântica, não soube o que fazer. E a confusão durou por longos meses, até que Fugaku, saturado pela falta de coragem de seu primogênito, decidiu conversar seriamente com a senhorita Nohara. Durante a conversa, ele fez questão de lembrar à moça toda a bondade de sua família ao abrigá-la e cuidá-la como se fosse um de seus.
Itachi ficou furioso quando soube. Foi a primeira vez em que ele e Fugaku brigaram realmente, mas no fim das contas, na mesma noite da briga, Kasumi pediu que Mikoto arranjasse um jeito de deixá-los sozinhos e aceitou ao pedido até então nunca feito de casamento. Ela só o fez por medo de ser mais uma vez abandonada, e Itachi sabia disso, mas não pôde deixar de ficar feliz com a ideia de tê-la como esposa.
No fim das contas, se apaixonar Itachi Uchiha foi a coisa mais fácil que Kasumi havia feito em sua vida, e antes mesmo de subirem ao altar, durante os preparativos, ela se via extremamente ansiosa para estar na presença do noivo. Portanto, quando se tornou a senhora Itachi Uchiha, ficou realmente emocionada.
Ela o amava com todo o seu coração, e era feliz.
Mas então nasceu Akane. E com uma família nova feita, ela não pôde evitar pensar nas lembranças de infância.
Sua filha teve um pai carinhoso e atencioso, assim como ela um dia.
O vazio então havia voltado, e com ele, todo o ódio que guardava contra Kakashi, os conselheiros e o próprio pai.
Itachi alisou os cabelos da amada adormecida carinhosamente.
Era cedo, e ela estava cansada. A rotina na Torre era muito agitada se comparada à da mansão Uchiha, e como consequência de ser mulher de um conselheiro, Kasumi foi posta como dama de companhia da rainha.
Hinata era uma mulher simples e bondosa, mas como rainha, até ela tinha necessidades complicadas, portanto era natural que sua esposa tivesse algumas dores de cabeça para auxiliá-la.
Em quatro meses, a relação de Itachi e Kasumi estava bem como ele havia imaginado: fria. Não por culpa deles – bom, pelo menos não por culpa dela, já que se esforçava para contornar o péssimo clima que havia deixado quando soube da promoção do marido – mas pelo simples fato de terem pouco tempo para ficar juntos. Mesmo a pequena Akane estava sendo negligenciada, pobrezinha.
Kasumi se remexeu, e abriu os olhos lentamente. Itachi sentiu o coração palpitar, pois há meses não a via acordar, já que sempre saía muito mais cedo do que era realmente necessário.
Ela deslizou a mão aveludada pelo rosto do marido, e sorriu ao sentir o áspero da barba quase invisível. – Há quanto tempo... – Murmurou com a voz fraca e, sem resistir, ele a beijou.
As mãos dela deslizaram por seu rosto e enroscaram-se nos longos cabelos negros, enquanto as dele, desceram por sua cintura lentamente, apenas para puxá-la para seu colo. – Eu sonhei com você... – Ela disse entre os beijos, mas ele não queria ouvi-la. Há muito não tinham um bom momento como aquele. – Com nosso noivado... – Ela insistiu e ele se afastou; sua expressão se assemelhava a de alguém que acabava de receber um soco no estômago, mas ela continuou sorrindo. – Não faça essa cara... – Pediu, tornando a alisar o rosto áspero, mas Itachi suspirou.
– Não gosto de me lembrar do nosso noivado. – Ele confessou; tentou levantar, mas a esposa não permitiu; abraçou-o e beijou-lhe o canto do queixo.
– Você é um estúpido, então. – Ele a encarou e surpreendeu-se com sua expressão divertida. – Se quer mesmo saber... – Kasumi deslizou os lábios suavemente por seu rosto, até os lábios dele, sem quebrar o contato visual. – Eu te amo, sim. – Murmurou em voz tão baixa que ele não ouviria se o quarto não estivesse completamente silencioso. – Eu te amo... – Repetiu, os olhos fixos aos dele. – Não sou apenas orgulhosa por ser sua esposa. Sou feliz por isso, então-... – Ela não pôde concluir a frase, pois ele beijou-a de maneira violenta; apertou sua cintura possessivamente, e os seios fartos da esposa roçaram sobre seu peito nu. – Espere... – Ela pediu entre os beijos. – Eu demorei tanto tempo pra ter coragem, para te falar... Preciso dizer direito... – Implorou entre os lábios dele.
Itachi estava contente demais para não ouvi-la, então se afastou milimetricamente, com um sorriso encantador no rosto. Tão encantador que ela sentiu as faces coradas, e teve que desviar o olhar.
Kasumi nunca foi boa em expressar seus reais sentimentos. Quando estava triste, mostrava-se irritada, quando ficava ansiosa, ficava em silêncio, e quando amava, implicava. – É verdade que me senti obrigada quando meu sogro falou comigo, mas... – Ela tentou olhá-lo e sentiu um frio no estômago ao vê-lo assustadoramente sério. – M- Mas! – Ela se apressou a adicionar. – Mas... – Enrubesceu mais, se é que isso era possível, e tanta vergonha acabou quebrando a máscara de seriedade de Itachi, que estreitou as sobrancelhas, divertido. – Durante o nosso noivado, comecei a ficar feliz quando você vinha me ver, sempre ficava triste ao vê-lo partir e ansiosa para vê-lo novamente... E hoje... – Mordeu o lábio inferior, ainda tinha os olhos fixos nos do marido. – Hoje, acredito que seja impossível pensar em uma vida sem você... – Ela alisou a cabeleira negra gentilmente. – Por isso... – Roçou os narizes. – Desde que você se tornou conselheiro... Não, muito antes disso... Você só me traz orgulho, felicidade, então... Não pense que não te amo... – Itachi sorriu; beijou os lábios da esposa e alisou seu rosto.
– Eu confio em você... – Ele se ajoelhou na cama, jogou-a sobre o colchão e pôs-se sobre ela. Sorria como se tivesse acabado de abrir o presente de natal esperado. – E agora que está tudo dito... – Deslizou os lábios pelo pescoço da mulher, arrepiando-a. – Agora que tudo foi esclarecido... – Ele sussurrou contra sua pele. – Estou satisfeito... – E mordeu-a; um gemido escapou pelos lábios da Uchiha, e foi o estopim para que o conselheiro a amasse loucamente, como há tempos não fazia.
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Naruto havia acordado mais cedo àquela manhã, depois de mais uma noite de sonhos insanos, e de alguma forma sentiu falta da esposa.
Agora, graças às insuportáveis medidas de segurança, só poderia dormir ao lado de Hinata duas noites por semana, o que era uma benção, mas também uma maldição. Ele queria estar ao lado dela, adorava sua companhia... E, por esse motivo, como estava com a agenda vazia – ao menos até Tsunade e Jiraya conseguirem pensar em duzentas coisas que o rei deveria fazer como eles sempre faziam -, decidiu seguir para a saleta particular onde sabia que a mulher costumava a desjejuar com a irmã.
E foi exatamente como ele havia imaginado.
Quando chegou à sala com Sasuke ao seu encalço – ele conseguia ser mais grudento do que Itachi – não se surpreendeu ao encontrar, além de Hanabi, Kasumi e Itachi à mesa. E, como estavam praticamente em família a rainha sequer precisou convidá-los verbalmente para que se sentassem; ela só precisou dar um olhar à Tenten, que imediatamente providenciou mais duas cadeiras aos convidados inesperados. – O que diziam? – Sua majestade questionou após ser acomodado, estava realmente curioso. Hanabi pareceu se iluminar com a volta no assunto.
– Eu dizia a minha irmã, majestade, — ela olhou sorridente à Hinata. – que a época de colheita começou, e que vocês deveriam ir até as terras que papai lhes deu de dote. – Hinata enrubesceu.
– Hanabi! – Ela exclamou com tom reprovativo. – Sua majestade tem muito que fazer, não precisa ficar se preocupando com essas-...
– Na verdade, eu adoraria ir. – Naruto interveio depois de engolir alguma coisa que não importava. – Trabalhei muito com agricultura, antes de vir para cá. Adoro o campo. – O rosto de Hina enrubesceu mais, e ele se perguntou o porquê disso.
– Bem, acredito que seria ótimo. – Itachi comentou, surpreendendo o irmão, que lhe lançou um olhar tão incrédulo que Kasumi engasgou o chá. – Bem, atualmente a economia gira em torno disso, ele deveria conhecer. – Mas o mais novo revirou os olhos. Naruto havia percebido que, desde que Sasuke havia sido colocado como seu guarda pessoal, estava triplamente mais protetor – como se não fosse o suficiente antes!
– Entretanto, — o conselheiro adicionou. – Devo impor algumas restrições. – Ele sorriu ao casal real, eles pareciam igualmente interessados no assunto. – Não devem chamar muita atenção, então prefiro que usem uma carruagem dos Uchiha. – Naruto fez uma careta.
Odiava carruagens.
– Eu prefiro ir a cavalo. – Sugeriu.
– Podemos dar a volta na cidade! – Hinata insistiu, e o Uchiha pareceu concordar, pois prosseguiu:
– Sasuke e Shino, obviamente, vão acompanhá-los. – Não tentaram negar. – E a senhorita Haruno. – Ele deu um olhar discreto ao irmão, que fingiu não ver. – Para o caso de qualquer eventualidade. – Explicou quando viu Hinata empalidecer.
– Eu também vou, é claro. – Kasumi decidiu.
– É claro. – Itachi concordou, olhando-a de soslaio com um meio sorriso estupidamente apaixonado.
– Ah! Isso é ótimo! – Hanabi suspirou longamente, deliciada com a ideia. – Eu vou preparar o meu pônei nesse momento! – Mas a rainha arqueou uma das sobrancelhas, olhou para a irmã e cruzou os braços.
– Você tem aula hoje. – Ela pontuou, e a menor enrubesceu.
– Mas, irmã...! – Mas não prosseguiu, porque conhecia bem o lado severo da mais velha, e sabia que não adiantaria nada insistir. Então, passou o resto da manhã emburrada no canto da cadeira, observando enquanto os velhos faziam os arranjos.
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Hanabi sorriu abertamente ao ver o pai adentrar em sua sala de estudos no início do entardecer.
Ignorando o decoro, a caçula dos Hyuuga levantou-se num pulo, correu e agarrou a cintura do pai, que sorriu saudoso enquanto alisava a cabeleira castanha.
Kurenai levantou-se com a postura ereta, e foi imitada pelo sobrinho visivelmente nervoso. – Senhor Hyuuga. – Ela curvou-se de maneira graciosa; Neji a cumprimentou com um curvar de fronte e Hiashi com um aceno. – Sinto dizer, mas acredito que sua majestade esteja fora. Soube que o casal real foram visitar algumas terras de seu dote. – Hiashi assentiu.
– Eu já soube, mas fico grato com a confirmação. – Ele então olhou para a filha. – Se não se importar, eu gostaria de conversar com a minha menina por um tempo. – A senhorita Yuuhi sorriu, e vendo a expressão radiante da mocinha, anuiu.
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Muitas crianças nobres nasceram no mesmo ano de nascimento de Naruto, por motivos óbvios. Todos queriam ter relações com a família real, e não poderia ter ideia mais feliz do que arranjar laços familiares com os Uzumaki.
Quando Mikoto deu a luz à Sasuke, os nobres se entristeceram. Todos esperavam uma princesa, então estava claro que qualquer noivado seria arranjado entre os Uchiha. Mas então, meses depois, a família real surpreendera a todos com um belo herdeiro, um menininho chorão e birrento desde o nascimento.
O último bebê nascido entre as possibilidades foi Hinata, e nenhuma menininha nascida foi mais comemorada do que ela. Assim que sua primogênita veio ao mundo, Hiashi anunciou a pessoas com conexões com a família real que o seu dote seria, simplesmente, metade das terras pertencentes à família Hyuuga, e isso foi o suficiente para que Minato entrasse em contato.
No país do Fogo o governo não costumava a se meter com as terras, nem com os negócios dos senhores feudais, desde que eles pagassem seus impostos em dia – mesmo porque interferir só geraria discussões e intrigas desnecessárias... Mas, por esse motivo, os Hyuuga eram tão ricos, e a família real, tão falida.
Pelo menos até o casamento.
Naruto sabia dos detalhes da negociação do pai com o sogro graças à Tsunade, mas desde que sua vida havia virado de ponta cabeça, ele não teve tempo para sair da Torre. Foi como se o vento da liberdade esbofeteasse o seu rosto, assim que saiu pelos portões de trás do palácio guiando o cavalo branco que Gaara havia lhe presenteado – bem, ele não gostava de Gaara, mas tinha que admitir: era um bom cavalo. – Bom, nós temos que ser discretos. – Sasuke lembrou ao grupo. – Então creio que três cavalos devam bastar. – Naruto concordou.
– Vamos, Hinata. – Ele ofereceu a mão para ajudar a esposa a montar; a rainha sentiu-se imensamente satisfeita com a atitude do marido.
– Eu vou com Sasuke. – Kasumi nem tinha terminado de dizer, e já estava sobre o cavalo. O cunhado fez uma careta; ela não precisava anunciar o óbvio (afinal, ele jamais permitiria que a esposa do irmão montasse com um desconhecido, ou quase desconhecido), mas então sorriu.
– Você deveria arranjar um cavalo só para você. – Ele zombou, praticamente esquecendo-se de que estava em presenças importantes, e que a lei da conduta o obrigava a ser educado. – Cavalga tão bem quanto Itachi. – Kasumi riu.
– Cavalgo melhor que Itachi. – Pontuou com orgulho. – Me dê um par de calças e veja do que sou capaz. – Sakura não conteve a risada, o que a fez tropeçar e cair convenientemente nos braços de Shino, que tentava ajudá-la. E aí se encerraram os comentários do senhor Uchiha.
Como haviam combinado anteriormente, Sasuke seguiu em frente – pois era quem melhor conhecia o caminho – com Naruto o seguindo, com Shino os seguindo.
Naruto adorava cavalgar. E adorou ainda mais por ser aquela situação: ele, saindo daquela prisão luxuosa, com uma bela mulher abraçando sua cintura sem apertos.
Hinata era a única que se segurava daquele jeito – tanto Kasumi quanto Sakura mantinham uma distância discreta de seus cavaleiros. Ele olhou-a de canto com um sorriso gentil, e a flagrou olhando curiosamente na direção da cidade. – Está espiando as crianças? – O marido questionou divertido; ela enrubesceu, olhou para o Uzumaki e assentiu timidamente.
– Não os vejo há tanto...!
– Se quiser podemos despista-los-....
– Não! – Ela exclamou repentinamente, surpreendendo-o. – Não. – Repetiu, agora pigarreando. – Se violarmos o programa de Itachi, teremos que ficar mais cinco meses presos na torre. – Explicou, e o loiro riu.
– De fato. – Concordou. – Mas me surpreende ouvir essa observação vinda de você. – Observou-a sorridente. Hinata sentiu as faces queimarem, mas não conseguiu desviar o olhar.
– O- O que?! – Ela gaguejou. – Eu também posso ser muito rebelde! – Mas sua expressão envergonhada e nervosa dizia exatamente o contrário. – Não me olhe como se eu não pudesse! – Exclamou, alterada. Naruto riu; Hina deu-lhe um beliscão forte na bochecha, que não o afetou em nada – afinal, ele estava acostumado com os beliscões de Tsunade, e em comparação ao de sua avó, o de Hina era uma carícia. – Não ria de mim! – Arqueando a sobrancelha, ele a fitou de maneira desafiadora.
– Então quer dizer que pode ser rebelde? – Teve que se segurar muito para não gargalhar. Ela anuiu, decidida. – Então vamos fazer uma aposta. – O rosto dele era ansioso, e imediatamente a fez se sentir igual. – Soube pelo Sasuke que temos alguns pomares, certo? Em alguma dessas terras. – Hinata já imaginava do que se tratava, mas fingiu que não. – Quem achá-los primeiro, e trazer a primeira maçã, ganha. – Hina mordeu o lábio inferior, comprimindo a vontade de sorrir.
– E o que ganha o vencedor? – Naruto deu os ombros, despreocupado.
– O que quiser. – Disse simplesmente, mas ele não perdia por esperar.
O casal havia passado a tarde inteira visitando campos, observando os trabalhadores, cumprimentando-os e surpreendendo-os com sua presença. Naruto fez questão de reviver a antiga vida, e ajudou com os trabalhadores com um canal que havia sido bloqueado por uma árvore caída, mesmo com as broncas do amigo que, naturalmente, sentiu-se obrigado a se sujeitar ao mesmo, assim como Shino. As damas apenas observavam de longe, protegidas por sombras de árvores.
No fim da tarde, quando eles haviam alcançado as terras abençoadas por pomares, Naruto estava obviamente exausto, mas não se preocupou muito, já que era impossível sequer pensar na possibilidade da madame Hinata molecando-se ao subir em árvores e furtar maçãs apenas por uma aposta boba.
Mas foi exatamente o que ela o fez.
Bastou colocar os pés em terra firme. Sua esposa sorriu-lhe desafiadoramente, os olhos chamuscando de excitação; ela puxou a calda do longo vestido e como uma garota do campo, correu em velocidade surpreendente na direção dos pomares, Naruto surpreendeu-se tanto que não pôde se mover até ouvir o grito de Kasumi: — Hina! Não deixe ninguém vê-la! – Ela avisou.
A visita foi repentina, então nenhum dos administradores estavam atentos para recebê-los, e como estavam entre amigos, não havia problema de serem denunciados.
Naruto sorriu com o pensamento; ajeitou as mangas da camisa e correu rápido no intuito de perseguir a esposa. Ela ria como uma criança feliz, e isso fez com que ele se sentisse feliz.
Puxando ainda mais a saia do vestido convenientemente escuro, Hinata se esforçou para escalar a macieira; o Uzumaki pôde notar que não ela parecia ter muitas dificuldades em fazê-lo.
Sequer a tinha alcançado quando a moça, do topo da árvore, jogou-lhe uma maçã. – Eu ganhei! – Exclamou; estava sentada em um galho grosso, e parecia extremamente divertida com a expressão de choque do rei.
– Não ganha até descer daí. – Ele avisou cruzando os braços; Hinata fez uma careta. Olhou para os lados com hesitação e depois, fitou o marido com uma expressão pidona. – Eu não vou te ajudar. – Respondeu à questão ainda não verbalizada, e ela fez um biquinho inconsciente.
– Vamos! – Pediu. – Eu não tenho calças, isso vai ser constrangedor!
– Conseguiu subir...
– Mas subir é mais fácil do que descer... – Ela suspirou.
– Quem mandou sair feito uma louca, sem pensar nas consequências? – Naquele momento, Hina percebeu que o marido era muito mais sádico do que ela jamais poderia supor.
– Você devia ajudar sua esposa. – Sakura observou, estava feliz por ver o amigo entretido depois de tanto tempo de seriedade. Até então, o rei sequer se lembrava do fato de Itachi escalar a médica.
Sasuke, Sakura e Kasumi haviam se aproximado enquanto Shino ia avisar aos administradores da chegada do casal real. – Vamos, Hinata! – Sasuke estendeu a mão, estava sério e emburrado. – Se alguém vê-la se comportando como uma criança, os trabalhadores vão começar a falar. – Hinata revirou os olhos.
Revirou os olhos! Naruto nunca tinha presenciado tal façanha!
Ela se ajeitou estrategicamente, e após pegar a mão do primo, desceu da árvore com um pouco de dificuldade. – Vamos, Sasuke! – Kasumi deu um tapinha gentil no ombro do cunhado. – Ninguém além de nós a viu, então não tem problema. – Sorria gentilmente. – Deveriam se divertir mais, só tem dezesseis anos.
– Pode até ser, mas não em um lugar onde qualquer um pode vê-los. Veja o estado de Hinata! – Ele apontou para a rainha. Sua majestade estava vermelha, tinha os cabelos longos um tanto desgrenhados e respirava com um pouco de dificuldade. Por sorte, o vestido escuro conseguia disfarçar as sujeiras causadas pela peripécia... Mas Naruto nunca a tinha julgado tão linda.
Por um momento, imaginou como seria se eles estivessem sozinhos... Ele ainda se recusaria a ajudá-la, então Hinata seria obrigada a saltar da árvore; em sua imaginação, ela cairia convenientemente sobre ele, que a seguraria firmemente. Trocariam olhares, e então... – Você diz isso, mas bem que corria tanto quanto ela, quando moleque. – Aquela voz... Naruto a conhecia de algum lugar, mas não se lembrava de onde.
Ele girou o corpo e viu Kiba Inuzuka se aproximando. Imediatamente, sentiu seu corpo enrijecer. O filho do conde aproximou-se calmamente, sorrindo nostálgico enquanto olhava na direção de sua antiga noiva, que, Naruto notou, também estava feliz por vê-lo. – Vossa majestade. – Ele curvou-se perante o casal e embora Hina houvesse acenado em resposta, Naruto não teve estômago para tal. – Vieram visitar suas terras?
– Sua majestade queria conhecer um pouco da agricultura. – A rainha respondeu quando ficou claro que o marido não o faria. – O que faz aqui? – O Inuzuka deu os ombros.
– O mesmo de sempre, sabe como é. Seu primo pediu-me ajuda para acertar alguns negócios. – Ela assentiu. O rapaz pôs as mãos na cintura e olhou para o casal, de Hinata para Naruto, e sentiu-se satisfeito ao notá-los tão distantes. – Você parece bem.
– Ela está bem. – O murmúrio do rei foi quase letal, mas o outro não pareceu se importar. Na verdade, aquilo pareceu atiçá-lo, já que se aproximou mais, puxou a mão da garota e beijou-a delicadamente, sem se importar com a sujeira causada pela escalada na árvore. Constrangida demais para se esquivar, Hinata apenas olhou para qualquer canto, enrubescida. – Eu e minha esposa temos que ir. – O loiro apressou-se em puxá-la pelo antebraço, interrompendo a galanteria do rival. – Foi um prazer, senhor Inuzuka. – Mentiu, colocando no rosto o sorriso falso que havia aprendido com as pessoas da Torre.
Sasuke, Sakura e Kasumi tiveram que ter muito autocontrole para não gargalhar na frente do rei, pois ele certamente ficaria furioso se o fizessem. – Sim, de fato. – Hinata apressou-se em concordar com o marido. – É uma pena, mas nós temos que ir, Kiba. Foi realmente um prazer revê-lo. – O moreno assentiu.
– Então tenho carta branca para visitá-la? Afinal, somos amigos de infância... – “Para o inferno!”, Naruto queria exclamar. “Ela não vai te ver!” ele queria gritar, mas então se lembrou de que eles não eram realmente marido e mulher.
– Será um prazer. – Hinata disse, porque não tinha mais nada a dizer, e antes que Naruto explodisse, partisse para cima do filho do conde e o matasse com uma maçã entalada no meio da garganta, Sasuke pigarreou, desculpou-se com o rapaz e retirou o casal real de suas vistas.
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Hanabi guiou o pai e o primo até seu quarto, que ficava na mesma ala que o da irmã. Os três eram seguidos por Tenten, que parecia mais uma sombra do que a tagarela animada que sempre era.
Hana apresentou à Neji suas novas coleções de livros, e ao pai, mostrou seus avanços acadêmicos, pois mesmo que tivesse apenas filhas mulheres, o senhor Hyuuga sempre havia prezado por sua educação.
Quando tinha mostrado tudo aos convidados, Tenten sugeriu que tomassem um lanche, e foi a desculpa perfeita, a desculpa que os Hyuuga precisavam. – Então, Hanabi. – O pai abordou após sentarem-se à mesa. – Você sabe sobre as regras da sua irmã? – Neji engasgou o suco e a caçula enrubesceu.
– P- Papai! – Ela exclamou constrangida. – I- I- Isso é pergunta que se faça?! – Conseguiu soltar, surpresa.
– Querida, você sabe que agora sua irmã é uma mulher pública. – Ele agradeceu à Tenten com um gesto ao ser servido. – É natural que o povo se interesse por um herdeiro... É isso que se espera de um casamento, afinal. – Ele bebericou seu suco, e Hanabi empalideceu.
Naquele instante, ele soube que sua caçula sabia de algo importante, algo que ela não poderia contar.
Deu mais um olhar à Tenten, que se afastou para polir qualquer coisa no outro canto do cômodo, e prosseguiu. – Já faz quatro meses, ela já deveria estar esperando um príncipe. – A mocinha enrubesceu, e apertou a saia do vestido.
– Tio... – Neji tentou controlá-lo, mas era impossível controlar a ânsia de informação de Hiashi Hyuuga.
– Já faz quatro meses... – Ele repetiu, suspirando longamente. – Se o povo pensar que sua irmã não pode ter um bebê, ela poderia ser deposta.
– Não é culpa da minha irmã! – A exclamação foi alta o suficiente para que a serva, do outro lado do quarto, se assustasse. – N- Não é culpa da minha irmã! – Hanabi tornou a afirmar, agora com a voz mais moderada. Os Hyuuga arquearam a sobrancelha juntamente, ela riria se não estivesse em uma situação tão trágica e constrangedora... Estava a ponto de revelar um segredo da irmã, afinal. Ainda que fosse para defendê-la.
– De fato. – Concordou Neji, olhando para o tio de maneira ansiosa. – Talvez o príncipe herdeiro...
– T- Também não há nada de errado com meu irmão! – Aquilo doeu. Doeu, porque embora Neji odiasse ser visto como irmão por Hinata, ele via à Hanabi como sua pequena caçula. – O problema é que... – Ela mordeu o lábio inferior, indecisa.
– Hanabi... – O tom severo do pai foi o estopim para o desabafo:
– O meu irmão é muito gentil, então quer esperar até que eles estejam realmente apaixonados para ter esse tipo de intimidade! – Ela soltou tudo muito rápido, pois sabia que se arrependeria mais tarde.
O pai ficou alguns momentos pensando, e depois retomou a conversa com algo trivial; antes de ir, ele garantiu à Hanabi para não se preocupar, pois “ele não deixaria ninguém depor sua filha”, deixou alguns presentes, instruiu seus ensinos e se foi.
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Hinata estava trocando de roupa quando foi surpreendida pela chegada de sua madrinha. Há muito não se viam então o encontro foi satisfatório para ambas.
Com Fugaku na vila do Som, Itachi como conselheiro e Sasuke como guarda, a duquesa costumava ficar sozinha em casa. Ainda assim, para evitar que as pessoas considerassem suas visitas à rainha como um “abuso de poder” por parte de seus filhos, ela não ia muito à Torre. – Meu filho está furioso com seu comportamento. – Ela explicou à Hinata, visivelmente divertida. – Procurou-me na esperança de que lhe chamasse a atenção, já que aparentemente minha nora é “uma cúmplice em suas más maneiras”. – Ela riu. – Mas francamente, estou feliz por ter se divertido essa tarde. Eu gostaria que Sasuke também relaxasse de vez em quando. – Hinata concordou. Mikoto era uma boa mulher, a melhor mãe que já tinha conhecido. Sempre havia sido muito estimada e admirada pela rainha, pois era maravilhosa não só com seus filhos, mas com qualquer um que tivesse seu carinho.
– Ele é muito dedicado ao seu trabalho. – A mais jovem fez questão de dizer. – Sua majestade e eu somos muito, muito agradecidos às broncas dele...
– Ora, parece que estão se dando bem. – A Uchiha aproximou-se com um olhar de águia. – Então? Já conseguiu seduzi-lo? – Hinata enrubesceu. Era surpreendente a maneira como Mikoto conseguia abordar aqueles assuntos... – Eu aposto que sim. Qualquer homem estaria louco à essa altura, se fez o que mandei. – Hina estreitou os olhos. Na verdade, não tinha feito nem metade do que a madrinha havia aconselhado nesses primeiros quatro meses de casada, pois acreditava ser apelativo demais para alguém como ela. Mikoto pareceu perceber, pois fez uma careta. – Hinata, se você não se esforçar... – Ela suspirou.
– Eu faço algumas coisas... – Murmurou emburrada. – Mas ele... – “está apaixonado por outra”, foi o que pensou em dizer, mas não teve coragem para tal. Seu peito doeu insuportavelmente, e ela teve que se servir de um pouco d’água.
A duquesa pareceu perceber, pois tratou de mudar de assunto, e requisitou um resumo do que havia acontecido nas antigas terras de Hiashi.
Hinata descreveu a todos os momentos com perfeição, e a matriarca dos Uchiha pareceu sinceramente interessada, divertida e feliz por todos os acontecimentos.
Ela gostava muito de todos, afinal de contas. – Quer dizer que você ganhou uma aposta...? – Questionou com uma expressão surpreendentemente pensativa. A Hyuuga enrubesceu, mas assentiu. – Tem direito a um prêmio, não é? – Hinata anuiu. – Pois então, vou dizer-lhe exatamente o que deve fazer...
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Sasuke não costumava intrometer-se nos assuntos de seu irmão, muito menos os assuntos que envolviam Kasumi, mas ficou sinceramente feliz ao vê-lo bem com a esposa.
Se fosse um homem, Kasumi seria o tipo de cavalheiro que o Uchiha mais jovem se orgulharia em chamar de “rival”; era inteligente, discreta e surpreendentemente perspicaz, mas ela era uma mulher. Quando a conheceu, sentiu antipatia imediata; não podia nem mesmo suportar ficar no mesmo cômodo que ela, pois sempre roubava as atenções da mãe e do irmão, e foram necessários alguns meses e um acontecimento trágico para aceitar e respeitá-la. Mas agora, dez anos depois, não podia imaginar uma nora melhor para sua família, nem uma mulher mais adequada para o irmão.
Não porque ela fosse o estereótipo de esposa perfeita – longe disso! – e sim porque ela despertava algo mais no primogênito Uchiha.
Raiva, confusão, amor. Ele a viu despertar todos esses sentimentos em Itachi, que antes nada mais era do que um soldado exemplar, um filho exemplar, um irmão exemplar.
Sasuke presenciou toda a mudança do irmão, sabia ele era melhor com ela, e por isso, o mais jovem decidiu aprová-la. Ainda que fosse uma pobre órfã com uma história de vida complicada.
Do canto do jardim, ele observou os familiares brincarem animadamente com a caçula do clã. Como fazia algum tempo que eles negligenciavam a garotinha – graças aos benditos deveres – estavam muito focados em diverti-las para perceber a presença do tio solteirão. – Ela é adorável. – Ouviu a voz de Sakura murmurar ao seu lado, e sem olhá-la, concordou. – Quantos anos têm? – O rapaz deu os ombros.
– Um... Dois... Não lembro. – Sak quis rir.
– Não se lembra da idade de sua única sobrinha?! – Ele olhou-a de lado, sorrindo.
– Parece que ela sempre esteve conosco. – Confessou. – Não posso me lembrar da vida sem aquela pequena. – Apontou para a família, e a rosada riu.
– Surpreendentemente, um tio coruja! – Acusou, apontando-o. O Uchiha enrubesceu.
– Não sou um tio coruja! – Exclamou, mas ela não parou de sorrir. – É sim! – Ele suspirou, e começou a argumentar que apenas a amava, mas que apenas isso não poderia torná-lo um tio coruja.
Claro que, em meio à alegria familiar, eles nunca suspeitariam que estivessem sendo observados pelo analítico e desconfiado olhar do senhor Hyuuga. E aquilo não poderia ser bom... Afinal de contas, ele estava furioso.
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Aquela seria mais uma das torturantes noites que Naruto passaria em claro, admirando o corpo delicioso da esposa encolhida em seus braços. Por sorte, ele estava cansado e irritado, então talvez conseguisse dormir...
Teve essa esperança guardada no coração até entrar no quarto, e encontrar a rainha em frente à cama, com os cabelos penteados, pronta para se deitar assim que se livrasse do odiado penhoar azul. – Majestade! – Ela exclamou. – Chegou cedo. Não tinha coisas para fazer? – Naruto deu os ombros. De fato, ele tinha coisas a fazer, mas estava cansado demais para discutir com Jiraya e Tsunade sobre o seu comportamento àquela tarde.
– Fui liberado. – Disse simplesmente, enquanto se aproximava. – E você? Sente-se bem? – Ela assentiu confusa. – Aquele Kiba... Ele te incomodou? – Hinata negou como se ele estivesse perguntado se havia chovido àquela tarde, então começou a fitá-la como se tivesse sofrido alguma lavagem cerebral.
Hinata riu da expressão dele. – Eu e o Kiba somos amigos há tanto tempo... Realmente gosto dele, mas não tanto a ponto de me preocupar com suas implicâncias. – Ela deitou-se e ficou a encará-lo com aquela expressão de satisfeita. – Você se incomoda? – Não resistiu perguntá-lo.
Naruto sentiu o rosto ficar em brasas, mas negou. – Só me preocuparia se você se incomodasse, é claro. – Mentiu. – Se não quisesse ficar perto dele, o homem jamais voltaria a pisar na Torre. – Ela deu uma risadinha; sentou-se e aproximou-se.
– Por falar nessa tarde... Eu ganhei, lembra? – O loiro riu.
– Como esquecer? – Ironizou com os olhos fixos aos dela. – Você me surpreendeu, de verdade. – Tirou os sapatos e pôs os pés na cama.
– Bom... Isso só porque você me subestimou. – Lembrou-o. – Meu pai sempre me levava para visitar nossas terras... Queria que eu fosse a mulher mais instruída do mundo, mas no fim – ela deu os ombros – eu sempre arranjava um jeito de fugir das vistas de todos... E não fazia muito além de correr pela terra e brincar. – Ele assentiu, compreendendo. – Eu sempre fui muito tímida... – Ela enrubesceu só de falar – Mas fico tão feliz no campo que não consigo me conter. – Confessou.
– Pude perceber. – Ela fez um beicinho irritadiço e beliscou a bochecha dele. – Fiquei mesmo impressionado. – Murmurou com um sorriso, ela assentiu.
– Pude perceber. – Brincou, dizendo no mesmo tom que ele havia usado segundos atrás. Naruto revirou os olhos. – Você pensou que eu tinha crescido como uma princesinha dama da sociedade...
– E foi. – Naruto a interrompeu.
– Sim. – Ela concordou. – Mas não apenas uma princesinha dama da sociedade. – Ele não podia discordar depois de vê-la escalando uma árvore com um vestido longo, então deu os ombros. – Eu quero o meu prêmio. – Tornou a insistir, e o rei suspirou.
– Diga. – Ela hesitou, o rosto ferveu.
Coragem! Ela precisava ser corajosa, como Mikoto havia lhe dito.
Respirou fundo discretamente, aproveitando-se que o marido ajeitava-se na cama, e repentinamente pousou o indicador sobre os lábios dele.
Naruto enrubesceu.
– Eu quero um beijo. – Ela murmurou com a voz baixa, estupidamente sedutora. Naruto não pôde responder então a viu ajoelhar-se ao lado dele, puxar seu rosto gentilmente e tocar seus lábios com uma suavidade torturante – torturante, porque ele queria morder e repuxar aqueles lábios há tanto tempo...!
Hinata fechou os olhos e, com o rosto vermelho, pressionou os lábios contra os dele num inocente beijo que não chegava nem aos pés do que havia dado na noite de núpcias. Depois de alguns segundos, ela tentou afastar-se, nervosa, mas foi impedida pela mão dele, que a segurou firmemente pelo antebraço. – O que? – Perguntou envergonhada, desviando o olhar para qualquer lugar.
– Você pediu um beijo... – Ele disse com a voz rouca. – Então é isso o que eu vou te dar... – E puxou-a; Cambaleando, a moça acabou convenientemente sentada no colo do marido, que segurou seu rosto com ambas as mãos antes de beijá-la.
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Em alguma residência simples, localizada em uma rua ainda mais simples da vila da Chuva, um garotinho bateu à porta. Ele estava ansioso, tenso, e respirou com alívio quando Konan o recebeu. – Isso chegou para o outro líder. – Ele esticou o envelope. Os lábios da mulher se espremeram, formando uma linha reta. Ela aceitou à carta, agradeceu, mas estava furiosa. Odiava, mais do que qualquer coisa, quando os malditos homens inconsequentes envolviam crianças em ações perigosas – embora não fosse tão perigosa na vila da Chuva. Ainda assim, ela não podia ficar calada.
– Garoto, você não devia fazer coisas-... – Antes que pudesse terminar de falar, entretanto, ele já havia sumido, correndo feito o moleque que era em direção a qualquer canto. Ela voltou para dentro bufando, resmungando algo como “crianças mal educadas”, “crianças malucas que topam fazer qualquer coisa por algumas moedas”, e coisas parecidas.
Foi até a sala de estar, onde Yahiko e Nagato jogavam algo estratégico, pousou a carta sobre a mesa e sentou-se ao colo do amado, que enlaçou sua cintura e a fitou com um olhar curioso. – Parece que vamos ter que nos aprontar.
Notas finais
Muitas pessoas não gostam da Kasumi. ;-; Isso me deixa triste, porque eu adoro a Kasumi. q Talvez por ela ser a única personagem criada por mim, ela é uma das minhas favoritas! XD
Bem, espero que ela os conquiste, com o passar dos capítulos! :D
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Pois é, finalmente Akatsuki vai voltar a mexer as garrinhas! XD
Já estamos no vigésimo segundo capítulo! É surpreendente como essa história segue rápido! Oo Nem parece que dia 04 faz cinco meses que eu a escrevo! sz
Super emoção! :)
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Obrigada por sempre me acompanharem, obrigada pelos comentários maravilindos, pelas quatorze recomendações maravilhosas e por todo o apoio! Eu sinto muito não ter tempo para retribuir esse carinho respondendo os comentários... ;-;
Ainda assim, insisto: se tiverem qualquer dúvida, crítica ou sugestão, fiquem a vontade. *-*
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Obrigada por tudo, minna!
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