The King
16 Capítulo XVI –Proteção.
Notas iniciais

Capítulo XVI –Proteção.
– Você tem certeza de que viu alguém por aqui? – Itachi não pôde evitar o tom severo na voz, e Konohamaru encolheu-se apenas de ouvi-lo.
– S- Sim... – Ele gaguejou, não tinha muita certeza do que deveria ou não fazer. – Eu vi alguém que saiu do baile pelo corredor errado, estranhei então o segui. – Era uma grande mentira deslavada, mas ele rezou para que o Uchiha não percebesse.
– É na direção do quarto dos conselheiros... – O mais velho refletiu, bastou virar o corredor para sentir todos os seus membros paralisarem: ali, deitados ao chão, ensanguentados e provavelmente mortos à frente do quarto dos idosos mais importantes do Fogo, estavam dois dos mais incríveis soldados que pertenciam à guarda real.
Não era a primeira vez que Itachi via um corpo – claro que não. Ele mesmo já havia feito muitos estragos em batalhas contra rebeldes. Entretanto, seu companheiro não poderia dizer o mesmo: Konohamaru arregalou os olhos ao ver a cena e sentiu seu estômago girar trezentos e sessenta graus; sentiu tudo o que havia comido subir pela garganta e embora quisesse muito soltar tudo ali mesmo, conteve-se. Ele estava acostumado a ver sangue, mas até então nunca havia visto o real estrago que uma lâmina podia causar. Era extremamente desagradável, ver a carne dos guardas exposta. – Uma invasão... –Itachi murmurou com incerteza, e virou-se para o rapazinho.
– Você, vá até os aposentos de sua majestade, a rainha, e peça para que seu cavaleiro, Shino, encontre guardas para montar a proteção do rei. Não deixe que as Hyuuga saiam daquele quarto de maneira nenhuma. – O garoto assentiu lentamente, de repente lembrando-se da caçula dos Hyuuga. E se eles fizessem algo a ela?! – Vá! – O Uchiha comandou com voz baixa e foi prontamente obedecido, pois o Sarutobi jamais deixaria que tocassem a doce Hanabi.
Itachi desembainhou espada silenciosamente; aproximou-se apressado e cauteloso, tendo cuidado em não pisar em qualquer um dos dois corpos ao chão, e após chutar a porta repentinamente, adentrou no quarto mortalmente silencioso.
Não demorou muito até notar que não havia vivos ali.
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Hinata e a irmã não ficavam realmente juntas há um bom tempo. Como recém casada, era evidente que a rainha devia mostrar-se interessada em banhar-se com seu marido, mas ainda que os servos estranhassem, não questionaram quando ela disse que o faria com sua irmã àquela noite.
Hina sabia que Hanabi sentia-se sozinha dentro da Torre, ainda que tivesse Moegi e Konohamaru. Afinal, eles eram de um mundo completamente diferente do seu, e ainda que fossem boas pessoas e agradáveis companhias, não poderiam suprir a lacuna da falta da irmã que ela tanto admirava.
Elas estavam nos aposentos de sua majestade, já banhadas. A pequena dama sentava-se sobre a penteadeira enquanto a rainha carinhosamente escovava por seus longos cabelos castanhos, tal como fazia na mansão Hyuuga. – Irmã, dói muito? – Ela perguntou repentinamente, e Hinata sentiu seu rosto avermelhar-se.
– D- Do que está falando?! – Gaguejou sem jeito. Hanabi riu.
– Com todo respeito, irmã, quase tenho quatorze anos. Sei dessas coisas. Logo vou me casar também. – Hina fez uma careta. – Então, dói muito? – Ela pensou muito antes de responder, mas imaginou que, se não pudesse falar daquilo com Hanabi, não poderia falar com ninguém. E ainda que a jovem irmã não pudesse dar-lhe conselhos como a duquesa Uchiha, certamente lhe diria palavras que a fariam sentir-se melhor.
– Nós não consumamos o casamento. – Ela confessou, os olhos perolados da menina arregalaram-se. -... Sua majestade é um cavalheiro, afinal. Ele disse que eu deveria esperar até que o amasse. – Não era completamente verdade, mas também não era totalmente mentira.
– Oh! Isso é ótimo! – Hanabi exclamou com um sorriso enorme. – Quer dizer que ele lhe gosta, irmã. Que a respeita, e quer seu melhor! Eu estou tão feliz! – Ela virou-se a agarrou sua cintura. – Tão, tão feliz! – Repetiu sincera, e Hina alisou-lhe as madeixas com um sorriso doce.
– Mas não deve dizer isso a ninguém. – A mais velha instruiu, e sua irmã concordou com um aceno.
– Nunca. – Prometeu, e um bater leve na porta soou.
– Entre. – Hinata comandou e Shino, calmo como sempre, adentrou ao local.
– Perdoem-me pela perturbação, milady, mas ao que parece, sua majestade está em uma reunião repentina com os irmãos Uchiha. Foi pedido que a senhora que fique aqui até segunda ordem, eu espero que não haja problemas.
– Oh, claro. – Hina sorriu. – Problema algum. Posso até dormir com minha irmã, se necessário. – E envolveu a senhorita num abraço gentil. O guarda reverenciou-a.
– Informarei assim que puder voltar ao seu quarto. – Prometeu, e as irmãs concordaram. Ele a reverenciou mais uma vez antes de sair.
Do lado de fora dos aposentos de Hinata, escondido atrás das paredes, Konohamaru estava ofegante. Ele tinha corrido como nunca antes, avisou a todos os guardas que encontrou no caminho sem nunca perder o foco de alcançar as Hyuuga o mais rápido possível.
Quando finalmente alcançou o lugar, explicou com voz baixa toda a situação e expressou as ordens de Itachi.
Pelo pouco que conhecia Hanabi Hyuuga, o Sarutobi sabia que ela jamais ficaria quieta, em silêncio, quando prováveis invasores estavam soltos pela Torre, e como era dever do Aburame cuidar da rainha, ele não hesitou em mentir para que aquelas duas continuassem ali dentro, seguras. – Enquanto isso... Ficamos nós dois de guarda aqui fora. – O garoto assentiu e aceitou a adaga que o mais velho lhe ofereceu. – Olhos bem abertos, rapaz.
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Não, aquilo não podia estar acontecendo. Era uma grande farsa, uma grande mentira. Era um sonho ruim, sem sombra de dúvidas.
Quando acordasse na manhã seguinte, iria até o dojou e encontraria Sasuke e Naruto treinando como loucos, até caírem de cansados, como sempre faziam...
Tanto a mente quanto o coração de Sakura clamavam por isso com todas as suas forças, mas por mais que desejasse acreditar que tudo aquilo não passava de um sonho, não conseguia tirar os olhos de seu cavalheiro, de seu herói, caído ao chão, desacordado e com o rosto ensanguentado, graças à vadia que lhe acertara com uma caixa de madeira pequena e pesada.
Naquele momento, a rosada estava rendida pelo outro intruso, que parecia muito divertido com seu sofrimento. O desconhecido amarrou seus braços e colocou-a ajoelhada ao lado da cama.
Agachou-se à altura dela e segurou seu queixo firmemente, sorrindo de maneira desprezível. – Até que é bonitinha. – Disse. – Acho que posso me divertir um pouco. – O rosto da rosada empalideceu. – Ao menos até a rainha chegar... – E umedeceu os lábios.
– Não seja idiota. – A garota que o ajudava revirou os olhos. – Ainda acho que é muito arriscado fazer isso sem as ordens de Tobi. – Mas o garoto bufou.
– Tobi? – Ele fez uma careta, e fitou a companheira de soslaio. – Quem segue ordens daquele estranho? Nós estamos aqui pela Akatsuki! Por Nagato! – E se levantou novamente; desta vez, caminhou até Naruto. – É só nos livrarmos desse lixo... – E chutou o Uzumaki. – E então o trono finalmente estará nas mãos de quem lhe é de direito. – E chutou mais uma vez o rapaz desacordado.
Discretamente, Sak puxou a adaga que sabia que Naruto guardava sob a cama para emergências – daquele tipo, ela imaginara – desde que Sasuke o alertara.
Não era preciso ser muito inteligente para saber o que aqueles dois pretendiam fazer: matariam Naruto, Hinata e quaisquer testemunhas que pudesse reconhecê-los, e ela simplesmente não iria permitir. – Nós mandamos o guarda costas do Rei para onde o líder está... Estaremos mortos se algo der errado, Zaku.
– Trata-se do mais forte e inteligente guarda do país do Fogo, Kin. – Ele a tranquilizou. – Certamente dará conta de um deformado, ou não seria o protetor do rei. – Ela não podia ficar ali, parada, ouvindo para sempre, mas era difícil pensar em um movimento quando todos os ossos de seu corpo pareciam paralisados.
– Não acho que o senhor Tobi vá morrer tão facilmente. – A garota suspirou; ajoelhou-se ao lado de Sasuke e alisou a cabeleira morena. – Hm... Ele é bem bonito para um cão do exército, não acha? – E olho de canto para Zaku, que deu os ombros.
– Se você está com tanto medo do Tobi, devia ir embora correndo daqui. Se ele não morrer, nós morremos. – O rosto da invasora empalideceu, e Sak apenas observou. Rezou mentalmente para que ela ouvisse o outro e fosse embora, pois um certamente era mais fácil de dar conta do que dois.
–... Você está bem com isso? – Ela perguntou com hesitação, mas o tal Zaku deu os ombros. – Mas a rainha certamente tem um guarda para escoltá-la-...
– Uma covarde não ajuda em nada. – Interrompeu-a, e mais por se sentir ofendida do que por qualquer outra coisa, a garota estranha – para a sorte de Sakura, Sasuke e Naruto – decidiu ir. – Isso mesmo, vá embora. – O rapaz murmurou após ela sair. – E então as glórias vão ficar para mim, sua estúpida. – Disse enquanto seguia na direção de Naruto. – Afinal... Não vai poder dizer que me ajudou a matar o rei... – Mas antes que ele pudesse tocar o herdeiro, Sak – que já estava livre das amarras – lançou a adaga em sua direção. A lâmina errou por milímetros, cortando apenas de raspão o rosto do outro, mas fincou-se com firmeza à parede.
Quase chocado, o rapaz olhou em sua direção, mas ela não perdeu tempo: levantou-se e correu até o corpo de Sasuke, puxando a espada japonesa sem cerimônias e pondo-se à sua frente de maneira protetora. – Mas o que é que você está fazendo, sua vadia de merda?! – O homem exclamou furioso, e Sak sorriu desafiadora. Sentia seus músculos tremerem, mas não podia transparecer a tensão.
– Vou te mostrar quem é a vadia! – Sua voz soou surpreendentemente firme, e ela foi ao ataque.
Sakura não era nenhum soldado, e sabia disso. Então, quando o tal Zaku começou a revidar os ataques com sua própria espada, ela se esforçou para firmar sua defesa. Ela era médica, e não espadachim, mas entendia um sobre o básico da esgrima – afinal, era filha de um esgrimista – e só isso, mais e o fator surpresa deram-lhe vantagem.
A cada tintilar das lâminas, ela notava que os ataques dele ficavam mais fortes; a rosada procurava, mais do que qualquer coisa, afastá-lo dos desacordados. Não queria correr o risco de ele pensar em rendê-los, pois aí sim tudo estaria acabado. Para sua sorte, o quarto era grande o bastante e ela, boa o suficiente na defesa a ponto de irritá-lo de modo a esquecer-se dos outros rapazes.
Ela não era muito forte, ainda assim aguentou firme e forte, rezando para que Itachi chegasse logo ou qualquer um – desde que não fosse Hinata – aparecesse ali. Não teve muita sorte – afinal a torre estava um caos, todos estavam confusos, assustados e ansiosos, graças à chacina ocorrida na ala dos conselheiros. Depois de muitas tentativas, Zaku enfim conseguira quebrar a defesa da Haruno: ele foi muito rude, como era de se esperar: puxou os cabelos róseos com violência e a puxou, jogando-a para a cama. – O Rei pode esperar. – Ele disse entre dentes e sentou-se sobre ela.
Sakura não sabia como reagir, mas sabia que devia reagir. Então começou a se debater, a empurrá-lo e a gritar por socorro; a resposta do homem para aquele tipo de comportamento foi simples: tapas, socos, puxões de cabelo e ameaças de morte. Ainda assim ela resistiu; mordeu-lhe a língua quando tentou beijá-la; mordeu-lhe a mão quando tentou calá-la e chutou-lhe inutilmente.
Embora a resistência de um corpo frágil não fosse muito útil em uma situação delicada como aquela, os gritos foram altos e desesperados o suficiente para que Sasuke, aos poucos, retornasse a consciência.
O Uchiha sentiu-se confuso inicialmente; a cabeça doía como o inferno, e aqueles gritos mais o confundiam do que o ajudavam. Só pôde ter uma pequena noção da situação ao enxergar o corpo de seu rei caído, desacordado não muito longe. Quando estava desperto o suficiente, procurou a origem dos gritos e seu chão simplesmente desapareceu ao ver aquela cena: a teimosa, inocente e doce Sakura deitada, rendida por aquele maldito representante de Suna, que lhe batia como se fosse um saco de pancadas, provavelmente porque ela resistia.
Não se sabe de onde um soldado caído, mal acordado, com a cabeça ferida tirou forças para se levantar, mas ele o fez. Lentamente, cambaleando, caminhou até a cama; ele não procurou arma alguma: apenas puxou o dito cujo pelos cabelos, tal como o maldito fizera com a rosada e jogou-o contra o chão; colocou-se sobre ele e começou a espancá-lo com uma força que certamente vinha do além.
Sak não sabia se ficava feliz ou assustada, mas preferiu ignorar seus sentimentos, e como uma boa enfermeira, correu na direção de Naruto. Aliviou-se comprovar que, de fato, só estava desacordado. Tinha levado uma pancada na cabeça, assim como Sasuke, mas o local atingido não havia sido aberto, e apenas um hematoma médio era a prova do atentado.
Zaku começou a gritar de agonia, mas Sakura não quis virar-se para ver seja lá o que Sasuke estava fazendo, e concentrou-se nos primeiros socorros para o Uzumaki.
Os gritos soaram mais altos.
E mais altos.
E ainda mais altos, até que ela enfim terminaram, comprovando que tudo havia acabado. Ela ainda hesitou em se virar, mas precisava cuidar do Uchiha, então o fez. Sasuke ainda apertava o pescoço do maldito traidor, ainda que ele já estivesse morto. Os olhos negros do Uchiha estavam arregalados, raivoso e a Haruno sinceramente sentiu-se intimidada.
Aos poucos, ela tomou coragem para se aproximar. Tocou o rosto do Uchiha, e se assustou quando ele virou repentinamente, como se seu toque houvesse causado um tipo de choque. Com o rosto corado, ela tornou a tocá-lo; desta vez, ele fechou os olhos e suas mãos soltaram o pescoço do morto. – Venha... – Ela murmurou gentilmente, puxando-o pelo pulso. – Eu vou cuidar da sua cabeça... – Dizia com calma e cautela.
– Você está bem? – Ele questionou com um pouco de incerteza. Sak enrubesceu, mas assentiu. – Ele... Ele... – Não conseguia pensar em um jeito educado para tal pergunta. – Ele... Conseguiu... O que queria...?
– Não... Naruto está bem. – Respondeu-o inocentemente.
– Não foi isso o que eu quis dizer. – Ele murmurou após sentar-se no chão, ao lado do loiro, e viu Sak rasgar um pedaço da saia para limpar sua ferida.
– Então? – Ela não estava prestando muita atenção no conteúdo do assunto.
–... Ele te... Machucou? – O rosto da Haruno enrubesceu ao notar a real pergunta.
– NÃO! – Gritou envergonhada, e o silêncio se prolongou. -... Você o tirou antes... – Ela murmurou, e tornou a focar-se em suas feridas. Sasuke suspirou, aliviado, e deixou-se ser cuidado.
Não demorou muito até que Itachi, com um esquadrão pequeno de guardas de elite adentrasse nos aposentos. Claro que o Uchiha mais velho pasmou ao ver o estado dos três ali: Sak com vestes rasgadas, Sasuke com a cabeça sangrando e Naruto na desacordado.
O irmão mais jovem sequer teve o trabalho de dar-lhe um sermão, uma vez que ele definitivamente estava furioso consigo mesmo por deixar seu posto. – Doutora Haruno, por favor, leve Sasuke para a enfermaria. – Ele disse após uma breve conversa com o irmão, que lhe afirmou que os intrusos haviam sido os representantes de Suna que haviam participado da coroação. – Levem dois guardas com vocês. – Instruiu, e a rosada concordou. Teve que ajudar o ferido, que se apoiou em seus ombros, mas estava satisfeita com toda aquela preocupação.
Itachi comandou que cuidassem do corpo morto o mais rápido possível, e instruiu para que um dos guardas chamasse a rainha assim que o quarto estivesse limpo.
Aquela definitivamente seria uma longa noite.
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Sakura ajudou Sasuke a sentar-se na maca.
Ela seguiu até o armário, embargou um pedaço de gaze com álcool e retornou para poder desinfetar a ferida. O Uchiha fez uma careta com o contato, mas não reclamou. – Eu vou ter que fechar isso... – Murmurou ela, mais para si do que para ele, mas o rapaz deu os ombros.
– O que for preciso. – Disse-lhe, e ela concordou. Depois de desinfetado, ela tornou à banqueta para preparar a agulha e linha, e quando começou a costurar a testa de Sasuke, sorriu de maneira nostálgica. -... Sabe... Eu já fiz isso com você. – Contou. – Digo, já cuidei de suas feridas. – O Uchiha não respondeu, e ela continuou sua atenção no trabalho. – Foi há alguns anos... Não deve se lembrar, mas eu me lembro. Você foi o primeiro paciente de quem pude cuidar sozinha, então não é algo que se possa esquecer. – Mais uma vez silêncio. Agora ela sentia-se um tanto incômoda. – Dói? – Perguntou só para ouvir a voz dele. Para sua frustração, ele assentiu. – Desculpe. – Murmurou desgostosa, e ele suspirou.
– Você é adorável, senhorita Haruno. – Ele confessou de repente, fazendo-a enrubescer, e por pouco não enfiou a agulha nos olhos negros acidentalmente. – Mas não teremos nada além de amizade. – Foi direto.
Lentamente, os olhos verdes seguiram até os do Uchiha, que a fitavam seriamente. – O quê? – Ela simplesmente não pôde acreditar no que ouvira... Ele não havia acabado de matar um parlamentar apenas para protegê-la?! Ao menos foi isso o que lhe pareceu.
– Embora eu não tenha uma noiva no momento, não posso me envolver com ninguém... – Ele tentou baixar a cabeça, mas não lhe foi permitido (afinal, ela ainda tinha que terminar o trabalho). – E- Eu... Certamente me casarei com alguém que meus pais escolham.
– Então você gosta de mim, mas não podemos ficar juntos? – Ela insistiu; sentia o rosto borbulhar, e quis chorar quando o viu negar.
– Quero dizer, senhorita Haruno, que sou maduro o suficiente para saber que não devo me envolver e muito menos iludir uma garota tão adorável quanto você... – Ela silenciou-se, e tornou a fazer os pontos.
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Hinata adentrou ofegante ao quarto, e arregalou os olhos ao ver o estado do marido.
Ignorando completamente a presença de Itachi, ela correu até ele, sentou-se ao seu lado e alisou o rosto um pouco pálido. – Sua majestade...! – Exclamou com agonia, e o irmão Uchiha suspirou.
– Sinto muito por isso, senhora. – Ele ajoelhou-se e se curvou humildemente, mas não conseguiu tomar a atenção da rainha. – Deixei meu posto por volta de trinta minutos, para seguir alguém suspeito... E acabei por deixar sua majestade só. Foi uma grande sorte meu irmão estar aqui no momento. – Mas Hinata não parecia acompanhar a conversa: ela apenas olhava e acariciava o marido.
– O que ele tem...?
– Levou uma pancada forte, mas de acordo com a princesa Tsunade, logo deve acordar. – O moreno continuava curvado, e só então a moça percebeu.
– Por Deus Itachi! – Ela exclamou envergonhada. – Não se curve par mim! Odeio isso vindo de qualquer um, mas especialmente de pessoas da minha família. – O rapaz pareceu satisfeito com aquelas palavras, e obedeceu à senhora. – Disseram-me para ficar com minha irmã... Que vocês estavam em uma reunião...
– Havia intrusos na Torre, senhora. – Ele explicou. – Imaginei que seria mais seguro a todos se mantivessem dentro de cômodos fechados, e de preferência separados... – E então hesitou. Ele precisava dizer... Precisava contar aquilo, mas como entrar em um assunto tão delicado quanto à morte?
– Aconteceu algo? – Ela quis saber ao notar o rosto incerto do guarda Uchiha, que suspirou.
– Os conselheiros estão mortos. – Ele confessou enfim. – Verifiquei todos os cômodos e... Chacinaram a ala dos velhos. – Os olhos perolados da rainha arregalaram-se em horror. – Soldados, servos... Todos que ficavam próximos aos conselheiros...
–... E... O que foi feito sobre isso?
– Seguimos as instruções padrões: um grupo está analisando o local para qualquer indício do assassino. Segundo Sasuke, um dos parlamentares de Suna foi responsável pelo atentado ao príncipe. Segundo a senhorita Haruno, uma mulher estava com ele, então suponho que seja a companheira apresentada na festa. Por tanto-...
– Espere! – A rainha o parou de repente, fazendo-o se calar. – Senhorita Haruno? – Seu rosto começou a avermelhar-se, mas o que Itachi imaginou ser preocupação não era nada além de irritação. Afinal, ela queria estar ali, junto de seu marido, cumprindo o dever de rainha. Ainda que fosse um fato, jamais conseguia conceber a ideia de que só atrapalharia mais.
– Como é amiga sua majestade, meu irmão a havia trazido para parabenizá-lo pela coroação. Foi realmente uma sorte... Sei que não vai julgá-lo mal, minha rainha, por isso pretendo ser sincero: Sasuke foi atingido e acabou desacordado. Por isso só pudemos supor que a segunda pessoa no atentado era a senhorita da festa. A doutora Haruno os protegeu, feriu-se um pouco, mas apenas superficialmente. Meu irmão... – O rosto dele avermelhou-se quando disse. – Meu irmão eliminou o elemento apressadamente... – Ele tentava ao máximo não demonstrar aquele sentimento, mas estava desgostoso da atitude do jovem. Afinal, ainda que iniciante, qualquer integrante da guarda real tem o dever de saber que em um atentado, deve-se sempre optar em tirar informações do culpado. – E embora milord esteja desacordado, foi Sasuke quem mais se feriu.
– Mas ele está bem? – Hina tentou ao máximo focar seus sentimentos na preocupação com Sasuke, e não na preocupação que teria posteriormente, quando seu marido descobrisse que Sakura Haruno o havia defendido.
– Sim. – O Uchiha sorriu. – Está aos cuidados da senhorita Haruno. – Hinata assentiu; ajeitou o cobertor do esposo e levantou-se.
– Itachi, esta noite eu vou cuidar do Rei. – Informou-o. – Diga à senhorita Haruno que cuide de seus ferimentos, e arranje alguém para ajudar Sasuke. – O moreno concordou. – Meu senhor saberá da coragem de ambos em defendê-lo, e garanto que serão prontamente gratificados. – Itachi curvou-se.
– Sei que posso falar por ele, minha senhora: Sasuke só estava cumprindo seu dever. Como amigo e como cavalheiro. – Hinata assentiu.
– Não tenho duvidas, meu primo. – Garantiu. – Mas ainda assim, é minha responsabilidade, como rainha e esposa, garantir que sejam recompensados por salvar meu marido. – O guarda concordou. – Peço que faça os arranjos para o velório dos conselheiros amanhã: limpe-os e os vista com suas melhores vestes... – Hina baixou a fronte; por seu semblante, Itachi soube que estava abalada.
Como, ela se perguntava. Como eles podiam morrer assim, de uma hora para a outra? Estava tão bem, há horas... Então como poderiam ter morrido?! Ela sequer teve coragem de perguntar se fora de maneira bruta. – Mais alguma coisa, sua majestade? – O rapaz questionou educadamente, e a morena assentiu.
– Eu gostaria que mandasse imediatamente uma carruagem até Suna: tragam imediatamente o governante.
– Já o fizemos. – O moreno garantiu com uma postura séria e um tanto rancorosa. – Vamos pegar qualquer indivíduo suspeito que esteja andando pela estrada à noite. Nós vamos capturar os intrusos fugitivos. – Garantiu. Hinata concordou com um aceno, tornou a sentar-se ao lado do marido e a acariciá-lo.
– Deixe três guardas à porta desse quarto e dois na de Hanabi.
– Sim senhora.
– Está dispensado. – Itachi curvou-se mais uma vez respeitosamente e com um “até mais ver” polido, deixou o lugar. Assim que a porta fechou-se, Hinata deixou-se desfalecer: desabou ao lado do marido, pálida e quase sem ar.
Os conselheiros estavam mortos. E o príncipe – agora rei – havia sofrido um atentado. O que diabos aquilo poderia significar, além de um óbvio golpe de estado?!
As sobrancelhas azuladas se estreitaram, e ela levou os orbes perolados até seu marido. Alisou o rosto áspero e roçou os lábios pelas faces do rapaz, sua expressão era de agonia pura. – Naruto... – Ela murmurou fraca, e beijou-lhe o rosto. – Naruto...
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Cavalgar à noite, por uma floresta grande e escura definitivamente não era o programa favorito de Gaara Sabaku, mas ele sabia ser algo necessário.
Seu cavalo era negro, de porte grande e rápido o suficiente para ele estar próximo à Konoha, mas suas habilidades de montaria não eram nem de longe comparadas às do irmão, que ainda que levasse Temari consigo já o havia alcançado.
Eles estavam cavalgando há horas sem parar, e aquilo era desconfortável para os três irmãos, mas o mais jovem estava tão disposto a deixar de lado os seus pressentimentos quanto os mais velhos estavam em deixá-lo só, mas todos foram obrigados a descer dos cavalos quando um grupo, aparentemente soldados da guarda de Konoha, os surpreenderam. – Parem agora mesmo! – Um deles comandou; atrás dele, o grupo ponha-se em guarda. – Identificação. – Ordenou após os três descerem, e a loira bufou.
– Quanta má educação. – Reclamou Temari, pondo-se à frente dos irmãos e enfrentando o aparente líder do grupo de guardas. – Os folhas deviam saber que, quando se está curioso sobre a identidade de alguém, deve-se apresentar primeiro. – O rapaz sorriu, curvou-se de maneira irônica, nunca deixando que o contato visual com a loira se quebrasse.
– Perdoe-me, senhorita. – Disse com falso respeito. – Eu sou Shikamaru Nara, soldado de Konoha, neste momento capitão deste grupo, que pertence à guarda real. – Com o polegar, apontou para as pessoas atrás de si. – Pode se apresentar agora? Pois se não o fizer, seremos obrigados à rendê-los. – A moça ficou vermelha de raiva, e Gaara suspirou.
– Não é necessário. – Ele garantiu, pondo-se à frente da irmã. Livrou-se da capa branca e exibiu o emblema em forma do kanji “Vento”. – Eu sou o Kazekage, Gaara Sabaku. – Apresentou-se com a voz calma. – Governador do país do Vento. Estou aqui para dar explicações ao príncipe. – O soldado sorriu.
– Kazekage, hein? – Murmurou com a voz trêmula. – Bem quem queríamos achar. Obrigada por facilitar o trabalho do exército, senhor. – O ruivo arqueou a sobrancelha, confuso. – Prendam-no. – O Nara comandou, e dois homens seguiram à sua frente para render o rapaz.
– Espere! – Temari exclamou assustada, interrompendo o trabalho dos soldados ao pôr-se à frente do mais jovem. – O que estão fazendo?! Ele é o governante do Vento! Somos aliados! – A loira insistiu. Shikamaru suspirou preguiçosamente, aproximou-se e rendeu-a de um modo que não fosse tão bruto.
– Sinto muito, moça. É assim que tratamos os traidores no Fogo. – Ela o derrubou facilmente, surpreendendo tanto o capitão quanto os demais, que seguiram para atacá-la; ataque este que foi interrompido pela lâmina de um Kankurou furioso e protetor. – Ninguém aqui vai tocar nos meus irmãos.
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